quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

D.Pedro era gago! E isto é histórico.

Esta história podia resumir-se em menos palavras ainda, das que foram precisas para redigir o título da notícia. E o título o que diz é que – "Ministra lésbica para governar islandeses”. Vem no Diário de Notícias. Podia resumir-se em menos palavras, mas não seriam, talvez as mais apropriadas para a circunstância.

Vamos à notícia. O presidente da república da Islândia – e depois da demissão do governo de centro direita – pediu à esquerda para governar o país até Maio e às próximas legislativas. Citando a France Press, o DN diz que o chefe do estado islandês se reuniu com os líderes dos vários partidos e acredita que se pode, rapidamente, formar um Governo com os sociais-democratas e os Verdes. A presidente dos sociais-democratas já avançou um nome para chefiar esse governo. É a ministra dos Assuntos Sociais. Chama-se Johanna Sigurdardottir e, a confirmar-se esta nomeação, escreve o DN, será a primeira vez que os islandeses têm no lugar de primeiro-ministro uma mulher e lésbica assumida, que casou com outra mulher há 7 anos. Falta saber o que os Verdes dizem desta proposta, remata entretanto o Diário de Notícias. Enfim, rematar, não é o caso, que a notícia segue ainda com mais alguns pormenores de circunstância, como o cenário da contestação popular, a posição da Islândia face à União Europeia e a luta entre os partidos na corrida ao poder… Mas para o que conta, chega o que ficou dito. E o que ficou dito e anunciado logo à partida e em letra gorda é que a Islândia pode vir a ter uma mulher lésbica como primeira-ministra.

Se se tivesse escrito que a Islândia pode vir a ter uma lésbica assumida como primeiro ministro… talvez se compreendesse. O assumir dessa circunstância sexual poderia ser novidade e merecer sublinhado em título. Acontece que de novidade não tem nada, já que a senhora, ao que consta e já era sabido, vive casada há 7 anos com outra mulher.

O facto de ser lésbica torná-la-á especialmente apta ou incapaz para a função que se anuncia?... Não consta que haja provas científicas que o assegurem. O facto de ser lésbica prenuncia que, no futuro, quando se falar do primeiro-ministro da Islândia, as pessoas vão dizer… ah! Essa!... Ou o jornal acha que todos diferentes todos iguais, mas, uns menos iguais que os outros?...

Puxar para título a circunstância de Johanna Sigurdardottir ser lésbica e eventualmente vir a ser também chefe do governo islandês… fazer-se este casamento à pressa, ou se quisermos esta união… de facto não será antes um sinal, subtil, mas preocupante de alguma homofobia escondida, com o rabito de fora?...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

hambúrgueres para a faixa de Gaza.

Ao arrepio de todas as crises, diz o Público que a MacDonalds, a multinacional dos hambúrgueres, está em alta.

“MacDonalds prepara-se para criar 12 mil novos postos de trabalho”, escreve o Público. Este ano, a companhia pensa investir mais de 2 mil milhões de dólares na abertura de mil novos restaurantes. Os lucros caíram em 23%, no último trimestre do ano passado, mas na contabilidade total, o ano até nem correu malzinho de todo. Os lucros cresceram 80%, um quase dobro que, em tostões contados, dá mais de 3 mil milhões de euros limpos. Arre porra, que é muito hambúrguer, digo eu…! E diz que, apesar dos preços da matéria-prima ter aumentado – a matéria prima são a carne, os queijos e essas coisas – apesar disso, o orçamento compôs-se, já que houve uma redução nos chamados custos operacionais. Custos operacionais soa a cortes nos salários e por aí, mas também pode ser que não. Ou pelo menos, que não tenha sido só aí, que se reduziram os custos operacionais...

E em Inglaterra a Câmara dos Comuns acaba de receber uma moção de censura à atitude da SKY News e da BBC, de se recusarem a transmitir uma campanha de recolha de fundos para as vítimas de Gaza.

112 deputados de diferentes partidos subscreveram a moção.

Primeiro foi a BBC, ontem foi a Sky News, quem anunciou a recusa, em transmitir o tal apelo. Uma campanha organizada pelo Comité de Emergência a Desastres – um grupo que representa várias ONG's, incluindo a Care e a Oxfam – uma confederação internacional que reúne 13 organizações humanitárias.

Os argumentos apresentados pelas duas estações de televisão foi o de que, transmitir a iniciativa, compromete os princípios de imparcialidade jornalística. O director da Sky acha que um apelo desta natureza – relembra-se que o apelo é o de recolher fundos para apoiar a população civil ,vítima das operações militares e do cerco à cidade de Gaza… diz então, o director da Sky, que não acredita que “um apelo desta natureza possa ser articulado com o equilíbrio que o jornalismo imparcial procura trazer ao prolongado e polémico conflito de Gaza.” Citei e continuo… Diz John Riley, o director da Sky, que “ninguém pode deixar de estar sensibilizado com o sofrimento humano dos dois lados do conflito e isso tem sido foco da maior parte da cobertura jornalística que a Sky tem feito na região.” Também a direcção da BBC acha que a transmissão da campanha iria “pôr em perigo a imparcialidade da estação”.

Há quem não pense assim e ontem mesmo alguns manifestantes chegaram a entrar nas instalações da BBC e queimaram os recibos da taxa de radiodifusão, que pagam pelo serviço público de rádio, em Inglaterra. Já no fim-de-semana, 5 mil manifestantes se tinham concentrado em protesto em frente à sede da BBC, no coração de Londres. Em Glasgow, protesto idêntico reuniu 50 mil pessoas, enquanto à redacção da BBC chegavam 11 mil reclamações por escrito. Sabe-se entretanto -e isso aumenta ainda mais a estranheza em relação à BBC – é que a estação pública já transmitiu, no passado, campanhas de recolha de fundos para outras zonas de guerra!

Seja como for e para a direcção da Sky, por exemplo, a cobertura jornalística do sofrimento de ambos os lados do conflito é tudo quanto a deontologia da profissão lhe permite… Então e se, em vez de campanha de solidariedade a favor das vítimas da guerra de Gaza, o apelo fosse proposto como publicidade paga?... Não se beliscava a deontologia jornalística, nem se manchava a honra do convento – aliás – a isenção, tão religiosamente defendida pela Sky News.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

gajada amiga

Pois hoje a tentação era grande e quase ninguém lhe resistiu. O que vale por dizer que, dos 5 diários que tenho aqui à minha frente, excluindo os económicos, 4 deles caíram na esparrela e puxaram para manchete esta informação interessantíssima… Por exemplo, o Correio da Manhã… diz assim: “Tio de Sócrates com offshores suspeitos.” Em subtítulo explica-se entretanto que a matéria tem a ver com o caso Freeport e fala-se em 4 milhões de euros de luvas. Comissões, que foram pagas ao longo de 3 anos. Diz-se que a investigação em curso procura relacionar o eventual pagamento de luvas com o licenciamento do projecto.

O Diário de Notícias escreve que "Contas offshore de tio de Sócrates são suspeitas de viabilizar o Freeport de Alcochete". Acrescenta ainda que a personagem em questão – Júlio Coelho Monteiro, tio materno do primeiro-ministro – foi alvo de buscas, mas que não é arguido…

O 24 Horas no seu estilo pragmático e fulminante anuncia em título, que “buscas policiais abalam família de Sócrates.” Segue depois explicando, que a investigação do caso Freeport chegou ao tio do primeiro-ministro e que deixou aflita a mãe do chefe do Governo.

E o Público… ou, como se diz no circo, o respeitável Público. Escreve que o Caso Freeport motiva buscas a um dos maiores advogados e que a Judiciária entrou no escritório de Vieira de Almeida – figura ligada ao PS e antigo mandatário de Mário Soares – e também na casa de Coelho Monteiro, o tio de Sócrates.

O tio que ninguém conhecia – diz o Diário de Notícias.

Pois ficámos a conhecer. Ficámos a conhecer Coelho Monteiro, empresário, agora envolvido no processo de averiguações ao chamado caso Freeport. E ficámos a conhecê-lo porquê?... Porque é um dos inquiridos e investigados no processo? Não tanto. Ficámos a conhecê-lo porque os jornais, estes 4 de que vos falei, fizeram questão em sublinhar, com mais ou menos ênfase, que o cavalheiro em causa é tio materno do 1º ministro.

Ora, tudo leva a crer que Coelho Monteiro seja já de maior idade, outra coisa seria quase impossível de conceber… um menor já empresário… Mesmo que fosse ainda criança inimputável de crimes maiores, ou até mesmo de pequenas travessuras, não consta, pelo menos no texto da notícia, que Coelho Monteiro estivesse sob a tutoria do sobrinho, no caso, José Sócrates, 1º ministro de Portugal.

Ora, onde se quer chegar, muito rapidamente e sem mais rodriguinhos, é que a matéria é já só por si especiosa quanto baste… Fala-se em corrupção e suborno… 4 milhões de luvas… Arquitectos, empresários, advogados respeitados e envolvidos…

A matéria já tem o sal que lhe baste, sem ser preciso ir buscar estas enviesadas relações de parentesco entre os eventuais criminosos e figuras gradas da administração pública do país. No caso o primeiro-ministro. Torna tudo de repente mais pequenino e fraldiqueiro.

Como se, ter sentado Judas à mesa da última ceia, fizesse de Cristo um vendido!

Vem no DN e não só e no essencial o que diz é o seguinte… "Pastoral condena tratamentos que prolongam a vida.” Adianta-se depois que o padre Feytor Pinto critica o adiamento exagerado da morte de doentes terminais. Foi o que se ficou a saber, ontem e à margem do encontro, que decorre em Lisboa sobre "Eutanásia e direito à vida".

Feytor Pinto, o coordenador nacional da Pastoral da Saúde, terá dito à agência Lusa que a Igreja é contra a eutanásia, mas também contra o prolongamento exagerado da vida. Contra o que o padre chamou de "encarnecimento" terapêutico. Acrescentou que "aguentar afectivamente uma pessoa leva a tratamentos completamente inúteis, fúteis, desnecessários e desproporcionados.” E por isso, o padre Feytor Pinto é taxativo: “estes tratamentos não devem ser feitos. Essa é a posição da Igreja.”

Ora, se retirarmos essa medicação, ou tratamento que o padre Feytor Pinto considera de encarnecimento terapêutico, o mais certo é o doente, em fase terminal, morrer mesmo mais depressa e com mais ou menos sofrimento, conforme o caso. Se se interromperem os tais tratamentos inúteis, fúteis e desproporcionados… a pessoa morre mesmo. Porque desproporcionados poderão até ser, se assim o entendermos, ou quisermos entender, mas necessários são. Necessários, nem que seja para manter o doente em estado vegetativo e no limiar do outro mundo.

Diz ainda, o padre Feytor Pinto, que a Igreja manda que se defenda a vida. Sempre. Mas diz também, que não se deve criar um processo de desenvolvimento do processo de morte que seja altamente magoante para a pessoa. O meu computador diz que não conhece a palavra… magoante; o dicionário da Porto Editora também não. Pelo menos este, a 5ª edição, diz que muito corrigida e aumentada e impressa no Porto em 82. Mas também não é preciso. Magoante ainda se percebe o que é… agora o resto é que exige uma segunda leitura.

Diz, o padre Feytor Pinto, que a Igreja diz sempre que se deve defender a vida, mas que acrescenta logo que não se deve criar um processo de desenvolvimento do processo de morte que seja altamente magoante para a pessoa…

Diz então, que não se deve criar um processo de desenvolvimento do processo de morte que seja altamente magoante para a pessoa… Deixemos para já a questão, se o processo de morte é magoante ou não. Fiquemo-nos só por essa terrível realidade, da morte anunciada em doentes terminais. Gente para quem a Ciência mandou abandonar toda a esperança. Para o padre Feytor Pinto, o prolongamento artificial e desesperado da vida pode ser magoante. Claro que, para isso haverá que desistir de tudo o que seja a chamada medicina paliativa, de que muito se fala, justamente para estes casos… Mas vamos admitir que é mesmo magoante e não há alternativa. Para evitar esse sofrimento, o padre acha que se deve suspender todo o tratamento e deixar a pessoa morrer á hora a que deus seja servido chamá-la á sua divina presença. Dito assim, apesar de tudo até soa quase heróico… agora, interromper o tal prolongamento artificial e forçado da vida…um tratamento que não traz esperança de cura, mas apenas o triste consolo de adiar a partida daqueles que amamos… o padre pode chamar-lhe o que quiser. Os técnicos chamam-lhe eutanásia

E antes que me esqueça, deixem que sublinhe esta declaração de uma advogada portuguesa que o Correio da Manhã cita na edição de hoje e que garante – a advogada em causa – que, se tivesse descoberto algum facto que incriminasse o cliente cuja defesa assume neste momento, teria desistido imediatamente do processo. A advogada em causa é Sónia Cristóvão, que tem a seu cargo a defesa de um outro advogado, Hugo Marçal, arguido no processo Casa Pia.

Por isso é que ontem, foi sem surpresa que Sónia Cristóvão pediu a absolvição de Hugo Marçal… Porque, além do mais, “em Elvas não se passou nada”. Nas alegações finais, a advogada recordou documentos que, segundo ela, provam a impossibilidade de Hugo Marçal ter estado na tal casa das orgias – onde também ficamos a saber, nunca se passou nada, pelo menos nada que possa ser considerado matéria crime, ou que comprometa o seu cliente. Sónia Cristóvão terá mesmo invocado uma relação extra conjugal do advogado, que o mantinha fora da cidade durante os fins-de-semana onde alegadamente teria praticado os crimes de que é acusado. Ficamos também a saber que o assumir da defesa de Carlos Silvino por Hugo Marçal… (Carlos Silvino, o BIBI, o primeiro detido no âmbito do processo, aquele sobre quem quase nunca ninguém teve dúvidas quanto ao envolvimento e culpas no cartório. Aliás, foi o único, até ao momento, a reconhecer os crimes de que é acusado) … Pois diz a advogada, Sónia Cristóvão, que Hugo Marçal começou por aceitar a defesa de Carlos Silvino, para relançar a sua própria carreira como advogado. Não diz, Sónia Cristóvão, que Hugo Marçal aceitou a defesa de Carlos Silvino porque achava que ele estava inocente, ou sequer por compaixão por uma qualquer atormentada história de vida, que o tivesse comovido. Não. Diz Sónia Cristóvão que Hugo Marçal aceitou defender Carlos Silvino, para relançar a sua própria carreira profissional. Admitamos que Hugo Marçal não sabia de facto toda a verdade, mas mesmo assim aceitou o caso, ou então que Hugo Marçal não será rigorosamente da mesma cepa, ou, com o devido respeito, da mesma escola, que Sónia Cristóvão… a escola dos advogados que não defendem criminosos. O que, aliás, deixa em aberto outra questão preocupante. Se os advogados os não defendem…

Um cão para Obama! Ora isso é que traz preocupados os canicultores do parque natural da algarvia Ria Formosa.

Diz o Correio da Manhã que Coral e Kai… os futuros pais do futuro cão de água, que pode ser que acabe como futuro animal de estimação na Casa Branca… Coral e Kai, portanto, já se conheceram e estão visivelmente apaixonados. Visivelmente, já que os tratadores do casal os viram, ontem mesmo, em apaixonados amplexos amorosos. Há agora que esperar 3 semanas, para ver se a Coral ficou ou não grávida, ontem. O que se sabe já e entretanto é que há uma empresa de Coimbra que se ofereceu para fornecer gratuita e vitaliciamente toda a comida que o futuro cão de Barak Obama precise. Há claro, uma contrapartida. O cão tem de ser de raça portuguesa. A empresa, essa é portuguesa, apesar de representar uma marca sueca de comida para cães e gatos.

É também no Correio da Manhã, que ficamos a saber que a semana santa de Braga, enfim, o programa das festas para este ano foi apresentado ontem.

E com novidades. Diz o Correio, que os cónegos de Braga querem mais alegria nos festejos. Uma semana santa mais alegre.

Os tons de roxo carregado vão iluminar-se um pouco, as ornamentações das ruas tornar-se mais leves. A ideia é focar a festa mais na ressurreição de Cristo que no seu calvário e morte. Quanto ao resto, garantem que a qualidade dos festejos não vai ficar atrás dos anos anteriores. Pode até ser melhor, este ano. Mantém-se as tradicionais procissões, os farricocos e este ano, como novidade, o programa das festas inclui concertos de música clássica e teatro de rua. No caso, diz o Correio que se vai teatralizar o encontro do Senhor dos Passos com a Senhora das Dores.

Para os iniciados nos mistérios da via sacra será escusado explicar de que encontro se trata.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

as vacas da Moita em requisição civil

É uma breve no Diário de Notícias, que cita por seu lado o jornal on line Portugal Diário, e tem a ver com a campanha de promoção turística dos Açores, que por estes dias e até 25 de Janeiro está montada em vários espaços públicos de Lisboa. É difícil não dar por ela. Pelo menos pela enorme baleia sintética, que mergulhou em plena rotunda do Saldanha, ou o campo de golfe improvisado na praça dos Restauradores, ou, no caso que provoca a notícia, as 9 vacas cercadas na relva da Praça de Espanha. Cercadas no sentido que têm uma frágil cerca a delimitar-lhes o território onde foram colocadas, no passado dia 19, dia do arranque da campanha e que por lá irão ficar, ao relento que houver e até dia 25. Os protestos dos militantes da defesa dos animais já se ouvem. O jornal fala mesmo em revolta de algumas pessoas, contra as condições a que os animais estão expostos. Ainda mais com o tempo que vai fazendo. Frio, chuva e vento, uma invernia com todos os matadouros, esta!...

Pois diz Miguel Moutinho, da Associação Animal, que é um absurdo, a colocação de um pasto improvisado em plena praça de Espanha, no meio daquele trânsito frenético e ininterrupto.

Para esta têm, os responsáveis pela campanha, resposta… A “Brand Builders” – à letra : construtora de marcas - a consultora responsável pela campanha garante que os animais estão habituados à confusão do trânsito, mas que, ao primeiro sinal de stress, serão imediatamente retirados para sitio mais sossegado. Será que fica o espaço devoluto, ou substituem-se estas de carne e osso, por umas … ia a dizer de papelão, mas com esta chuva, é capaz de não ser boa ideia.(?)

Adiante. Adiante, que Miguel Moutinho faz ainda questão de lembrar que, para além do stress que este aparato pode provocar nos animais, há ainda as tais condições agrestes do tempo e mesmo o pasto que lhes arranjaram deixa muito a desejar, neste jogo de faz de conta. Porque afinal é mesmo um jogo de faz de conta. A baleia é sintética, o campo de golfe é de faz de conta e as vacas, apesar de carne e osso, são da Moita. Ou seja, dos Açores provavelmente nem nunca ouviram falar, nem sabem sequer se lá terão ainda alguém de família… A verdade é que poderia ter-se optado por colocar 9 vacas de faz de conta também, a fingir que pastam na praça de Espanha. Uma vez mais os mentores da campanha garantem que, no seu habitat natural, estas vacas da Moita estão habituadas a viver e dormir ao relento, faça chuva ou faça vento. Mas uma vez mais a resposta fica curta, para a questão que se deixa em aberto… E ela é esta: Porque é que só as vacas é que são verdadeiras?! Porque é que não se arregimentou também alguns voluntários, da Moita do Ribatejo, ou de Salvaterra de Magos, para jogar golfe nos Restauradores?!... E porque é que não se tirou a estátua do duque de Saldanha lá de cima daquele pedestal velho e sujo e não se abriu uma piscina para uma baleia verdadeira?! Não precisava de ser um espécime autóctone dos Açores. Na Moita talvez não haja baleias… em Salvaterra não as há de certeza, mas com um pequenino esforço haveria de se encontrar uma baleia, para levar a banhos para a rotunda do Saldanha. Essa, pelo menos da chuva, não se haveria de queixar. Mais água menos água, o que é isso para uma baleia ?...

Voltando á vaca fria. Ou, no caso, às vacas postas ao relento da Praça de Espanha…

Sabem porque é que os cães comem ossos?

Porque os bifes… como-os eu!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

estrondosamente, em cheio!

É notícia no JN e vem de Estarreja.

Eram umas 11 e meia da noite, no relógio da igreja de Fermelã, quando alguém deu com a misteriosa e muito suspeita caixa, abandonada nas escadarias da igreja. Foi anteontem. O jornal não vai ao pormenor de revelar a identidade de quem tropeçou no insólito achado. Nem lhe descreve o susto, mas garante que o alerta seguiu logo para a GNR, que tomou conta da ocorrência e mandou, de Viseu e de imediato, a Equipa de Inactivação de Engenhos Explosivos Improvisados… que isto já há especialização para tudo. Neste caso, a especialidade são os explosivos improvisados, vulgo, bombas artesanais.

E é disso que se trata, ou pelo menos era isso que se temia.

Àquela hora, nas escadas de uma igreja, abandonada e suspeita, aquela pequena caixa só podia conter uma bomba pronta a explodir. Foi essa a suspeita de quem tropeçou nela e esse o alarme que seguiu para o quartel da Guarda Republicana.

O JN cita um responsável da GNR, que justifica a operação com casos recentes. Por exemplo, a apreensão de armas e de uma granada, na região em causa… faz algum sentido, ou então, com este outro, da explosão de uma rebarbadora, que provocou a amputação de uma das mãos da vítima. E aqui é que já mais dificilmente se percebe a relação causa efeito… ou seja, que relação pode haver entre a explosão de uma rebarbadora, uma ferramenta electromecânica, e a explosão, ou ameaça de explosão, de uma bomba, mesmo de fabrico artesanal e caseiro, eventualmente abandonada, ou posta de propósito, nas escadarias de uma Igreja, pela calada da noite?!.... Será esse o sinal com que o terrorismo internacional, ou outro qualquer mais caseiro, se faz anunciar, rebentando rebarbadoras e berbequins, antes de avançar para acções mais espectaculares, como explodir arranha-céus, ou pequenas igrejas? … Não consta, que a rebarbadora de que se fala tenha sido explodida à bomba.

Segue depois a noticia, explicando que a Brigada de Inactivação de Explosivos Improvisados montou o perímetro de segurança , fez os testes habituais em situações semelhantes, radiografou a suspeita caixa e concluiu que lá dentro, em vez de explosivos, o que se encontrava eram chocolates. Pequenas bombinhas de chocolate, vulgarmente chamadas bombons. E de uma marca bem conhecida, aliás, o que para o caso, é absolutamente irrelevante. Remata o JN dizendo que, em face do que ficou revelado através dos raios X, a policia achou que não valia a pena rebentar o embrulho.

Consta também, que os bombons em causa já estavam fora do prazo, o que os tornava incomestíveis. Pelo que, se os tivessem feito saltar pelos ares à bomba, sempre se ganhava um belo e espectacular final para uma noite, que, segundo o JN, pareceu tirada de um filme.

Claro que a policia fez rigorosamente o que tinha de fazer, na situação que se lhe apresentava. A pessoa que fez a denúncia e lançou o alarme também terá cumprido o seu papel de cidadão responsável e atento… O patético de tudo isto é que, ou alguém inadvertidamente deixou cair uma caixa de bombons nas escadarias da igreja de Fermelã em Estarreja e alguém que passou julgou logo que era uma bomba…

Ou alguém, sabendo que os bombons já estavam fora do prazo, deitou fora a caixa para o chão, sem cuidado, abandonando-a onde calhou, no caso, as escadas da igreja… e isto não é distracção, é falta de educação…

Ou então, conhecendo bem a paróquia em que vive, alguém se quis divertir, a ver se alguém caía no embuste e tomava a caixa de bombons por uma ameaçadora bomba artesanal e se montava logo ali um aparato enorme para animar a noite e a freguesia…

Se foi essa, a ideia… Acertou em cheio.

Estrondosamente, em cheio.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

hipocrático, ou hipócrita ?!...

É notícia no JN e diz assim: “Médicos receitam sob pressão e para evitar processos judiciais.” Explica-se depois, citando José Manuel Silva, presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Médicos, que esta é uma prática generalizada e não exclusiva em Portugal e porque, antes sobre que falte, não há risco de processo judicial se o médico receitar medicamentos a mais, ou desnecessários para a patologia em causa. Nem medicamentos, nem exames complementares de diagnóstico, do género, Raios X e essas coisas – essas coisas, que já agora e no caso dos raios X, haveriam de ser usadas com algumas parcimónia e rigor, já que, por exemplo, os danos colaterais de uma exposição aos Raios X são mais danosos do que se pensa e divulga. Danosos, para os próprios técnicos de radiologia. Adiante e vamos ao que importa.

O médico entrevistado pelo DN fala em “medicina defensiva” – termo técnico – e dá exemplos. O do doente, que não se conforma com o ir ao médico e vir-se embora sem uma receitazinha para aviar… É por isso que, mesmo não sendo preciso, diz este médico, há clínicos que acabam a receitar antibióticos para constipações ligeiras que lá iam perfeitamente com um cházinho de limão e meias grossas. Porque, voltemos ao depoimento recolhido pelo jornal…porque são cada vez mais, os processos judiciais sobre médicos que, alegadamente, falham na prescrição dos tratamentos realmente necessários. Por isso e na lógica dessa tal “medicina defensiva”, os clínicos tendem, como diz José Manuel Silva e citemos – "a exagerar na prescrição".

Não me vão ouvir aqui recorrer à blague do “se não morres do mal morres da cura”, porque não é preciso e o assunto é sério.

Voltando a José Manuel Silva, diz o médico que não é fácil e gasta-se tempo precioso, a explicar a um doente porque é que num determinado caso, o antibiótico é, não só desnecessário e inútil, como até talvez prejudicial.

Do nosso conhecimento empírico da matéria, concluímos este cenário simples: um agente treinado – chamemos-lhe assim – para search and destrói – como se diz na tropa – presenças invasoras inimigas… ainda mais um agente com um poder de fogo considerável, como é o caso dos antibióticos… Em chegando ao teatro de guerra, e não havendo inimigos à vista, é de esperar que ele dispare em todas as direcções, matando inclusivamente forças aliadas, como os anticorpos naturais do nosso organismo, glóbulos brancos e outra infantaria. É o chamado fogo amigo… Por isso… Também por isso, talvez fosse melhor falar em "medicina ofensiva". Porque, de um modo geral é disso que se trata. Na lógica de que a melhor defesa é o ataque.

Entretanto já quase esquecemos, ou passámos por cima da verdadeira razão dos invocados processos judiciais. E a razão parece ser o facto de haver médicos que falham nas suas funções, que ficam aquém do que se espera deles; ou seja, receitar o medicamente certo e justo para a maleita em causa; pedir os exames realmente necessários, para o despiste e diagnóstico da doença. É quando essa desatenção, ou incúria, ou erro de cálculo se verifica, que o médico é chamado à responsabilidade e eventualmente castigado. De caminho, convém que se lembre a gente que, com as regras a que a Ordem se submete, muito dificilmente imaginamos um médico a ser castigado só por causa de uma denúncia – ou se quisermos – uma queixinha, de um doente insatisfeito, por ter ido ao médico e vindo embora, sem um xarope para aviar. Em havendo denúncia, certamente que a Ordem vai investigar com todo o rigor onde está a razão e se houve de facto desleixo, laxismo, ou matéria crime. Se o doente não precisava de antibióticos nenhuns, quem de vós acredita realmente, que qualquer sanção possa recair sobre um médico qualquer, que se tenha recusado a prescrevê-los?... Bem me parecia.

Voltemos a José Manuel Silva, para abreviar e concluir. Diz o médico, que é mais fácil praticar a tal medicina defensiva, a prescrição por precaução. Mais fácil será, mas continua a ser um erro de gramática. Estou em crer que medicina “ofensiva”, seria mais correcto dizer-se. Ofensiva contra a fiscalização das boas práticas – como agora se diz… Ofensiva das defesas naturais do corpo humano… E ofensiva também, um bocadinho, vá lá, da nossa própria inteligência.

Será, Barak Obama, alentejano?!...

Não é Silva, é Sousa e também não é português, é neto de portugueses. Os avós açorianos emigraram para os Estados Unidos, onde ele acabou por nascer, em Massachussets. De Portugal, lembra-se vagamente que visitou Lisboa, lá pelos anos 80, acompanhando Ronald Reagan, em visita de Estado e, mais recentemente, já em 98, pelo Natal, numa visita com um tio, aos Açores.

E é por isso que o Diário de Notícias diz que, o futuro fotógrafo oficial de Barak Obama, é português.

Pois não é. Uma pessoa que nasce no Massachussets, nos Estados Unidos, e por lá se deixa ficar, sem pedir a naturalização noutro país qualquer…é, em princípio e até provas em contrário, norte-americano. Pronto. Isto que fique esclarecido de uma vez por todas. Ora, já agora deixem que vos diga que a personagem em questão se chama Pete Souza. Com Z. Sousa com Z, como se escrevia em Portugal, no tempo dos afonsinhos… e já cobriu, para jornais e revistas norte americanas, as guerras do Kosovo e Afeganistão e, consta mesmo que, atravessou sozinho a cavalo e pelo meio da neve, as montanhas Hindu Kush, para ser um dos jornalistas presentes na tomada de Kabul. Para o Chicago Tribune, fotografou os primeiros passos de Obama, ainda senador em Washington. Seguiu-o depois pelo Quénia, África do Sul e Rússia e depois a corrida para a Casa Branca . O resumo desses 3 anos de fotografias e andanças – tudo se passa desde 2005 até à chegada de Obama ao confronto final com John MacCain… – ora, o resumo desses 3 anos deram um livro: a ascensão de Barak Obama. Mais um sucesso, diz-se, a somar a uma carreira auspiciosa, deste fotógrafo norte americano, do Massachussets, cujos avós um dia foram obrigados a abandonar a ilha de S. Miguel, que os viu nascer, para procurar melhor sorte do outro lado do mar. Houve tanta gente a fazê-lo neste Portugal contemporâneo e antes … muito antes, desde os tempos em que alegadamente Portugal deu novos mundos ao mundo, que os portugueses foram ficando por aí espalhados, espalhando semente, semeando sonhos…

E chega de poesia barata! Com uma História tão rica em Descobrimentos, descobrir um apelido vagamente português, lá no sítio onde o mundo faz a curva, já não deveria surpreender ninguém…

Pelo menos, não tanto como a equipa do próprio presidente eleito Obama consta que ficou, quando recebeu a generosa e rapidíssima oferta dos canicultores algarvios, que querem dar um cão d'água português, às filhas do presidente da América. Bastou ouvir Obama na televisão dizer que estava indeciso entre um Labrador e um cão de água português… bastou ouvir a palavra mágica “português”… para que a onda de solidariedade se levantasse, em busca de um canito para a Casa Branca. Consta que o cão em causa ainda nem nasceu. Mas o DN já avança com o nome da futura mãe, que ainda não conhece o futuro pai, do futuro cão que – se tudo correr como os canicultores algarvios pensam e esperam - há-de ser o próximo animal de estimação da família Obama.

E por este caminho a coisa começa a compor-se… Um fotógrafo de apelido português na Casa Branca, um cão de água algarvio a correr pelos corredores… Já quase se sente o cheirinho de pasteis de bacalhau acabados de fritar, a vir da cozinha, lá ao fundo…. Maravilha.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

haja deus

O assunto merece destaque de primeira página num par de jornais desta 5ª feira. O das polémicas afirmações do cardeal patriarca de Lisboa, a propósito dos casamentos inter-religiosos, entre cristãos católicos e muçulmanos.

O Jornal de Notícias diz que os muçulmanos estão magoados com as afirmações do cardeal José Policarpo… O Diário de Notícias garante entretanto que há casais de católicos e muçulmanos com vidas felizes, mas adianta também, que os comentários do patriarca de Lisboa perturbaram a comunidade islâmica e alguns casais inter-religiosos. Na capa do Público é também por aí que vamos – pelos casos felizes. Diz o título da fotografia, que há católicas felizes com maridos muçulmanos… e aqui tropeçamos num pormenor curioso; é que o cardeal José Policarpo falou nos riscos – ele disse o monte de sarilhos – que uma mulher cristã pode arranjar , casando-se com um homem de fé islâmica… O que o cardeal Policarpo não disse foi, se um homem católico casar com uma mulher islâmica, corre riscos idênticos, ou outros… o que seria também interessante de saber-se.

Outro aspecto que ficou por esclarecer – talvez por falta de oportunidade, ou porque o assunto não vinha à colação – foi o de casamentos entre cristãos e hindus, entre cristãos e xintoístas, entre cristãos e zen budistas, entre cristãos e animistas entre cristãos e ateístas… isso não ficou esclarecido… fica então – se quisermos – para outras núpcias.

Agora, o elo fraco da argumentação do cardeal Policarpo é que parece, ele próprio, pouco cristão!... É que o cardeal Policarpo esqueceu-se que os casamentos muitas vezes se fazem por amor. Por paixão mesmo. E que, por amor, se fazem as maiores loucuras, os mais delirantes disparates, os mais dolorosos sacrifícios e o diabo a 4. O que o cardeal Policarpo, patriarca de Lisboa se esqueceu foi desse outro sentimento tão caro à fé cristã, que é a compaixão.

A compaixão que, tal como a fé, também é capaz de mover montanhas. Montanhas e montes. Montes de sarilhos, por exemplo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

nada a declarar

“Ordem dos Advogados fecha portas à ASAE” – é o título do Diário de Notícias. Diz-se depois que, Pinto de Abreu, o presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem, não reconhece qualquer valor ao parecer jurídico da Direcção Geral da Defesa do Consumidor, que apoia e ratifica a anunciada intervenção da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica, em escritórios de advogados. A expressão utilizada por Pinto de Abreu foi – citemos: “O documento não é sequer um parecer digno desse nome. Não vale absolutamente nada, nem formal, nem substancialmente.”

Ora, substancialmente, o que a ASAE pretende é verificar coisas como a existência ou não de um livro de reclamações nos escritórios de advogados e a afixação de uma tabela de preços dos serviços prestados.

O parecer da Direcção Geral de Defesa do Consumidor considera que, a actividade de advocacia, deve ser considerada como outra qualquer de prestação de serviços e que, por isso mesmo, os escritórios dos advogados não se podem distinguir de outros estabelecimentos de venda de serviços, como os consultórios médicos, por exemplo.

Ora Pinto de Abreu, em nome da Ordem a que pertence, acha que não. Começa por afirmar, que não há nenhuma obrigação de ter o tal livro de reclamações, mas admite que, se os próprios, ou a Ordem assim o decidirem, não será ele quem se opõe. Diz que essa decisão cabe aos órgãos jurisdicionais e disciplinares, os conselhos de deontologia e, em casos excepcionais, ao próprio Conselho Superior da Ordem dos Advogados. Tudo em família e ao mais alto nível, portanto. Já quanto à tabela de preços é que nem pensar. Diz que, há já muito tempo que a Ordem dos Advogados defende que “não são lícitas nem admissíveis…” – e estou a citar –“… quaisquer tabelas de preços.” Diz Pinto de Abreu, que, de acordo com a lei basta que o advogado dê indicação aos cliente – e volto a citar – indicação “dos honorários, máximo e mínimo, da sua hora de trabalho.” Chamemos-lhe então… um orçamento aproximativo. Para Pinto de Abreu, isso chega e é assim que deve ser.

Na fotografia, que o DN publica para ilustrar a matéria, Pinto de Abreu, o próprio, simula com a ponta dos dedos pegar em qualquer coisa pequena e eventualmente frágil… Diz a legenda, que o advogado desvaloriza o parecer da Defesa do Consumidor. Será isso que ele está a representar nesse gesto simbólico?... A insignificância do parecer jurídico da Direcção Geral de Defesa do Consumidor, ou que outra coisa, pequena e acanhada, poderá ser que ele faz que segura entre os dedos?!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

OH VÓS, QU'ENTRAIS !

Haja Deus!

A notícia é do DN, a ideia, essa nasceu em Inglaterra e já saiu para a rua em Espanha também. E a ideia é pintar nos autocarros esta frase garrafal: Deus provavelmente não existe, por isso pare de se preocupar e goze a vida.

A polémica campanha, como lhe chama o Diário de Notícias. Polémica em Inglaterra, mais polémica ainda em Espanha, país tradicional e fervorosamente católico e promete também trazer a polémica para Portugal, se for avante. É só questão de angariar os meios logísticos necessários. A Associação Ateísta Portuguesa está então a pensar em lançar campanha idêntica, em Portugal e nos autocarros portugueses.

Em Espanha, sabe-se que ela já provocou reacções e até contra campanhas, com mensagens de teor cristão.

O jornal foi conferir a opinião do bispo português das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira. Diz o bispo que – citemos: “tendo em conta a mentalidade portuguesa, que é fechada, acho que o tom pode chocar alguns crentes.”

Paremos um segundo aqui nesta primeira declaração do bispo português. Diz que pode chocar alguns crentes, porque a mentalidade portuguesa é fechada. Admite, portanto que não estamos aqui perante nenhum crime de lesa divindade, nem heresia. A questão aqui é a mentalidade ser fechada. Continua o bispo Torgal Ferreira, que “temos de ter abertura, humor e amor para compreender estes fenómenos…” Porque, continuamos a citar… porque, “tal como as diferentes concepções religiosas sentem necessidade de intervir, também aqueles que não acreditam têm a mesma liberdade.”

Aqui, podíamos fazer a segunda breve paragem, só para deixar esta dúvida metafísica… será mesmo que estes ateus que levantam a questão, de que provavelmente deus não existe – nem sequer é uma certeza, note-se – será que acreditam mesmo nisso?... Ou seja, se fosse tão evidente essa inexistência, por que diabo haveríamos de perder tempo e tinta com o assunto?!...

A Associação Ateísta Portuguesa faz questão de afirmar, que defende o direito de qualquer um a acreditar no deus, ou deuses, de suas próprias devoções… O Bispo Torgal Ferreira também acha que , quem tiver convicções religiosas sérias, não se deve sentir incomodado e que esta campanha, apesar de espampanante e ostensiva, é sinal de que vivemos numa sociedade livre e democrática. E depois, continua o bispo, pode até ser uma boa oportunidade para as pessoas, de forma cívica, trocarem impressões e abrirem linhas de diálogo.

O mentor da ideia original, Richard Dawkins, professor em Oxford, defende que o propósito é rejeitar, numa atitude científica, mas sobretudo moral, valores repugnantes, como a homofobia ou a discriminação das mulheres. É triste, concluir-se que estas duas circunstâncias enunciadas se possam colar, ou imputar à vocação religiosa de cada um, mas, o professor deve ter-se informado, antes de o afirmar.

O DN foi entretanto conferir a opinião de Helena Vilaça, uma socióloga da religião. E diz Helena Vilaça, que se espanta com o facto da lógica de mercado entrar em força na religião, ou seja, que não é comum ver o produto religioso ser objecto do mesmo tratamento publicitário que um detergente. Isso é, segundo o DN, o que mais surpreende esta socióloga. Diz ainda que é pouco comum a publicidade religiosa na Europa, porque nunca houve competição no mercado da religião no continente europeu.

Uma vez mais e também aqui deve ter havido uma recolha criteriosa de informação histórica, que permita a Helena Vilaça tal afirmação. Uma recolha que terá eventualmente passado por cima, ou ao lado, dos conflitos entre protestantes e católicos no Reino Unido, ou, recuando ainda um pouco mais, da expulsão dos filhos de Alá do Al Andaluz e do Al Gharb, em nome da Cruz e da Fé de Cristo.

Agora, quanto à frase da anunciada polémica… soa que , por mais espampanante e ostensiva que seja, como lhe chamou o bispo Torgal Ferreira… ela quase que se desmonta a si própria, ou deixa, pelo menos uma ponta solta. Aconselha a que deixemos de nos preocupar, porque deus provavelmente não existe. Então, não era essa uma das tarefas – chamemos-lhe assim – de deus?!... Ser o último garante, a última esperança, quando tudo corre mal. Ou seja, quando já não há saída, haja fé e seja o que deus quiser...

Então, se deus provavelmente não existe, quem é que, eventualmente, nos acode?!...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

dá-me um segundo!...

A Terra atrasa-se e torna 2008 um ano mais longo.

É o título no Jornal de Notícias.

E parece que sim, que vai ser preciso ajustar os relógios atómicos do mundo inteiro, ao bater da meia-noite do próximo 31 de Dezembro.

É um acerto que se justifica pela necessidade de sincronizarmos, o nosso tempo, com a velocidade de rotação da Terra. À primeira vista, parece que andamos um pouco depressa demais. Não muito, mas enfim, um segundo a mais e há agora de reacertar o passo e os relógios de todo o mundo.

Acontece que – diz o Jornal de Notícias – a electrónica está a tornar a hora legal cada vez mais importante. E dá-se exemplos: transacções de dinheiro, ou documentos por via electrónica; compras de acções, cadernos de encargos para concursos de obras públicas, envio de documentos para os tribunais… São esses alguns dos exemplos, que o jornal escolhe para ilustrar a importância, que um segundo pode fazer nas nossas vidas.

Diz o jornal, que pode haver sérios conflitos de interesses, por causa disso.

Um exemplo ainda mais concreto do prejuízo é o de, quando, por exemplo, a Central de Compras do Estado começar a aceitar só concursos por via electrónica – o que vai acontecer em breve – pode haver quem perca algumas adjudicações se se atrasar, um segundo que seja. Também os Bancos e todo o mundo financeiro podem ser prejudicados seriamente. Aliás, diz o jornal que este é o sector mais afectado, por essa tal diferença de um pequeno segundo de tempo. Um grande imbróglio mesmo, remata o jornal.

Ora, se recuperarmos os exemplos acabados de citar, temos que as situações mais periclitantes, no cenário exposto, são quais?...

Vamos lá: transacções de dinheiro, ou envio de documentos, ou cadernos de encargos para obras públicas… podem sofrer com o atraso de um segundo. É óbvio. É óbvio que sim, para quem deixa tudo para a última hora – no caso, para o último segundo.

Mais: compras de acções . Aqui é óbvio, que deixar para o último segundo, só pode querer dizer que se está á espera que elas – as acções – baixem um pouco mais de preço no mercado, para avançar com a ordem de compra. E a isto chama-se especulação e ganância.

E aqui chegados e numa primeira leitura, temos então que os seriamente prejudicados com essa diferença de um segundo serão os gananciosos, os especuladores bolsistas e os que deixam sempre tudo para a última hora. Fazem uma grande falta à sociedade portuguesa?... A questão não é essa, nem seria, aliás, razão para não nos preocuparmos também com eles! Com um bocado de sorte, talvez sobrevivam até perceber a real importância de um segundo na vida de uma pessoa. É que , num segundo, pode a gente, por exemplo, apaixonar-se. Ou levar um tiro nos cornos!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

putas e caramelos

Tem chamada de capa no Jornal de Negócios, que a SLN (Sociedade Lusa de Negócios) se prepara para processar o Banco de Portugal, por ter falhado na supervisão, que podia ter evitado o descalabro, que acabaria por levar, por tabela e consequência, à nacionalização do BPN – Banco Português de Negócios.

Os accionistas baseiam-se em pareceres jurídicos, que garantem que houve falha da supervisão do Banco Central, no caso das irregularidades cometidas no BPN, nos últimos 8 anos. Acham que o Banco de Portugal haveria de ter estado atento e agido a tempo e horas. E porque não o fez é que a situação chegou ao ponto a que todos sabemos. Portanto, pior que ter havido uma gestão fraudulenta, criminosa das contas do Banco… pior que isso, é a falta de supervisão do Banco Central, que deixou os bandidos actuarem impunemente.

Imaginemos um outro cenário. Al Capone processando o FBI, por não o ter impedido de fazer as falcatruas e bandidagens que o tornaram célebre. Ou o próprio Jack, o Estripador, a processar a Coroa britânica, por permitir a venda e uso de facas, em Inglaterra.

Ainda no Jornal de Negócios, a primeira página chama a atenção para as empresas portuguesas, que continuam sem crédito, apesar do aval do Estado, concedido aos bancos, justamente para esse propósito.

“Banca acusada de bloquear empréstimos às Pequenas e Médias Empresas”, acusa a manchete. Consta que, apenas a Caixa Geral de Depósitos terá usado as garantias do Estado, para financiar as empresas. As associações empresariais acusam mesmo a banca de estar a usar o aval do Estado apenas para reciclar créditos, ou financiar clientes "especiais" – chamemos-lhe assim, com aspas e tudo.

Sabe-se que o Governo já alertou a banca para este facto. Avisou mesmo que, se a garantia não for usada para os fins a que se propõe, congela-se tudo e retira-se o apoio.

Em tom quase paternal, foi-se dizendo que este dinheiro, esta garantia é para ser usada em benefício da economia nacional, através da recuperação das empresas que estão em maiores dificuldades de gestão. Em tom paternal, como quem diz… toma lá e agora não voltes a gastar o dinheiro todo em putas e caramelos…

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

é manchete de um dos jornais económicos de hoje, que, metade dos funcionários públicos trabalha sem objectivos. Trabalhar sem objectivos é fodido. Parece-me mesmo que não há nada mais parecido com a escravatura.

Oh Teixeira, pá, tens o boné virado ao contrário!

É impressão minha, ou o Teixeira dos Santos parece um jogador de futebol, a falar?!...
Mas, atenção, que é só na maneira de falar. Na entoação que dá às frases. No ritmo do discurso, na pose, na atitude. Que, quanto ao conteúdo, apesar de ser, à sua maneira, tão vazio e inútil, tem substanciais diferenças que, tendo em conta a responsabilidade de cada um, acabam por não abonar grande coisa, em favor do ministro.
Hoje, então, o homem esmerou-se. Estava inspirado.
Perguntavam-lhe sobre a actual crise e as soluções que se vão inventando para fugir dela e fazia-se a comparação com o crash económico japonês, que deixou o país em crise arrastada e dolorosa. Sabem o que é que Teixeira dos Santos das Finanças respondeu?. Que não havia problema, nem comparação, porque na Europa -e por consequência e para o que nos interessa, Portugal também...) há mais transparência e maior rigor e solidez nas instituições. Ora, se o Teixeira fosse plantar couves p'ra Bruxelas!... Falar em transparência do sector financeiro aos gajos que acabaram de levar com as broncas do BPN, BPP, BCP e o caralho! Falar de rigor e solidez das instituições, quando o Banco Central Português, só p'ra não ficar absolutamente mal nesta puta de fotografia, acaba por admitir que, desculpem, mas, como o corno, foi o último a saber.
Oh Teixeira, fica bem.