sexta-feira, 18 de maio de 2007


Nascemos com os dias contados
E isso faz-nos desgraçados
Seria diferente, pergunto,
Se lhe soubéssemos o conto?!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

já lá vai um tempo, mas ainda vem a tempo...
Em entrevista à Fátima C. Ferreira, na RTP, e em resposta a se o regresso de Paulo Portas à liderança do CDS se lhe apresentava como um novo adversário a combater na arena política...Marques Mendes respondeu que não! Que o adversário no Parlamento era o PS; na arena política era o Governo. Burro! Burro com dois érres!!! O que o meia leca deveria ter dito, era que o adversário político dele e do partido que dirige são as medidas e propostas e decisões erradas e lesivas do interesse nacional. Só isso. Venham elas do PS, do CDS, do PCP, do Bloco, do Governo, ou da Associação de Bombeiros Voluntários do bairro onde ele mora. O fanhoso.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

No dia em que disse que estava a ficar maluco, ninguém o acreditou.
Estás doido!

foi o que disseram…

À hora em que os aviões chegavam, Lisboa passeava os seus turistas em autocarros descobertos. As amoreiras novas alinhadas sobre o passeio, obrigavam as pessoas a baixar a cabeça, p’ra lhes passar por baixo das copas.

No país onde a paisagem nunca se repete, haverá memória?

Quando saí do comboio
Punha-se um sol azul
No horizonte
Não me perguntes como
Nem porquê
Cada um conta
O que cada um olha e vê



Dá ai dois euros p’ró cabaz do natal
Só a cesta vale o dinheiro…

E JÁ LHE PRESSENTIA A SOMBRA E O PASSO,
QUE AOS POUCOS SE COSIA NO CANSAÇO,
EM TUDO O QUE FAZIA. COMO O BRAÇO
TENAZ DA MORTE FRIA, COMO O AÇO…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Diz uma sondagem, que a maioria - não fixei os números, mas era coisa folgada - dos portugueses está contra, ou desconfia da construção do futuro aeroporto da Ota. Porque será que isto não me espanta nada ?!
(o ponto de admiração no fim da pergunta,desfaça-se o contraditório, só sublinha o único espanto que me resta. o de não me espantar nada. mas isso também já passa.)
Será porque a gente desconfia sempre de tudo e de toda a gente, à partida e até ver?
Foi assim com o CCB - p'ra falar em obras
Foi assim com os próprios Descobrimentos !...
E o que também já não espanta é que, na maioria dos casos, se desconfia sem conhecimento, nem informação suficiente para isso, ou outra coisa qualquer.
É assim e pronto.

sábado, 28 de abril de 2007


~há dias assim

sexta-feira, 27 de abril de 2007


A maneira matreira
Como a matemática se mete
Na metafísica
O despudorado à vontade
Com que o tempo
Nos dá a exacta medida
Da liberdade



“Continuamos hoje, portanto…” – olhava para as mãos com ar distraído, enquanto, com as orelhas, ia espantando as moscas que lhe voavam à volta da cabeça. A voz saia-lhe arrastada e monocórdica, mal sobressaindo do ruído de fundo, dos carros passando, lá em baixo, na rua.
“Continuamos hoje, portanto, a falar das consequências nefastas…” – sublinhava sempre o “nefastas” com uma lentidão exasperante e ridícula! Há pessoas que têm um jeito especial para pronunciar certas palavras de forma a torná-las odiosas! Era este o caso.
“Nefastas! Dos efeitos imprevisíveis; dos danos irreversíveis...” – e balançava o corpo para a frente, acompanhando a cadência das sílabas, num movimento untuoso e pendular. E ao fazê-lo, esticava a cabeça de uma forma absurda, que lhe dava o ar de pássaro bêbado. Por vezes, era difícil conter o riso…
“Falar-vos dos perigos escondidos debaixo dos tapetes semânticos e das mantas semióticas com que se cobrem as línguas de trapos!” – sempre gostara de frases extensas e pomposas. Enfim, nem sempre. Houve uma fase em que não disse nada, outra em que não dizia nada que se aproveitasse e uma outra em que só dizia a palavra: “fungas”. Enfim, fases…
“Alertar-vos para as múltiplas e complexas ambivalências e dissemias com que se confronta a comunidade actual, enquanto tal…” – aqui, ele sabia que a polémica era mais que certa. Toda a Academia se agitava, há muito, à volta deste problema. Uns defendiam que se deveria entender a comunidade actual enquanto tal; outros que ela deveria ser entendida enquanto coisa e tal; outros ainda, que a avaliação deveria ter em conta tal e coisa… Enfim, critérios!

….


E por agora, chega !
Arre gaita.

"o BÉBÉ
qUE NASCEU a CHEIRAR
A BAGAÇO"





por estranho que pareça, foi isto que ouvi esta manhã na telefonia.


p'lo menos, na minha telefonia...



Dei comigo, agora mesmo, a pensar nisto: porque é que eu guardo certas merdas?! Ou, pondo a questão de outra maneira: certas merdas, porque insisto eu em continuar a carregá-las de um lado para o outro, mesmo quando mudo de casa, de vida, ou simplesmente de lixo !... São coisas, que sei de antemão, que nunca mais, ou muito pouco provavelmente, voltarei a revisitar, ou ser-me-hão de qualquer utilidade prática, ou urgente...


Depois concluí, para me calar : se formos a ver, também a torre de Belém, não a visito todos os dias, nem moro lá dentro e no entanto, não a desejo ver demolida, nem acho que deva ser deitada abaixo, por causa disso ! Ora aí está!


Ora aí está! - concluí para me calar, ou só para adiar uma vez mais a arrumação da casa ?!...

quinta-feira, 19 de abril de 2007


voando sobre um ninho de púcaros
esfolando um coelhinho de cócoras
rasgando um pergaminho de bruços
carregando um peregrino ás costas
jet leg?!
pois sim
já te ligo...
O primo Adérito
Tinha um futuro pretérito
Vivia parado
Entre o futuro e o passado
Vivia iludido no que podia ter sido
Esquecido e pasmado
E sempre adiado
Coitado
Coitado
Sem rumo e sem mérito
O primo Adérito



domingo, 8 de abril de 2007










AS ÁRVORES PLANTADAS


AS PESSOAS PARADAS


AS PAREDES PINTADAS


PLANTADAS PINTADAS


PARADAS


PESSOAS ÁRVORES E


PAREDES


ABENÇOADAS

INFORMAÇÃO ÚTIL E ACTUALIZADA






VIVA LA MUERTE...



como Pilatos ?!...

PERANTE A INDECISÃO DO POVO,



O GOVERNADOR DE JERUSALÉM ABRIU OS BRAÇOS, COMANDANDO SILÊNCIO.



POIS NEM CRISTO,
NEM BARRABÁS!
JÁ QUE VOS NÃO DECIDEIS...


– CONTINUOU, LEVANTANDO A PERNA E O SUSPENSE –

ESTE ANO... SOLTAREI UM PEIDO !

HISTORIETA

Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado e não deram por nada. Há momentos assim; decisivos, se bem que, de tão fortuitos, acabam por se revelar irrelevantes, na roda do acaso. Fizeram por disfarçar o embaraço com uma sandes em cada mão e uma garrafa de água em cada bolso. Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade. Sentiam que a cidade lhes apertava o cerco e acertava ao perto. Acertaram os relógios e apertaram o passo. Passaram as sandes de uma para a outra mão, o que não adiantou grande coisa em termos relativos, ou seja, continuaram sem nenhuma mão livre. Resolveram, por isso, começar a falar pelos cotovelos. Devo dizer-lhe –começou o primeiro- que não confio em ninguém, p’r’além de mim e da minha mãezinha… acho tudo isso muito bonito – deixou cair o outro- só espero que a sua mãezinha lhe acuda, se a coisa der para o torto…continuaram a olhar cada um para seu lado, como se não se conhecessem, o que era o caso, aliás. Muito bem – cortou o primeiro, parando de repente e encarando o outro com ar desafiador. Primeiro olhou-o de cima, com o ar que não deixava dúvidas sobre quem mandava ali, naquele momento. Depois experimentou olhá-lo de baixo, com o ar de quem já viu tudo o que havia a ver e estava só a fazer por parecer interessado. Por fim, olhou-o de lado, com desconfiança e foi isso que lhe chamou a atenção. Você – recomeçou, agora mais lentamente- você ponha isto na cabeça –enquanto lhe estendia um chapéu de palha, um pouco gasto, mas ainda em bom estado. Preferia não o fazer –respondia agora o outro sentando-se no muro de pedra, sobre o abismo- essas coisas alegres dão-me um ar sombrio, para além de que já tenho, na minha cabeça, muita coisa com que me preocupentear. Com um gesto despreocupado, rodou o corpo, atirando as pernas sobre o muro, para o outro lado. Ficou a vê-las cair pela ravina escarpada e tudo. Lá se vão elas – apontava para as pernas que caíam, aos trambolhões, batendo nas pedras aguçadas, ravina abaixo- é o chamado pernas para que vos quero… você tem a noção –atacava agora o primeiro – que o que acaba de fazer é uma perfeita estupidez! – via-se que o homem estava em brasa. Você acaba de me cortar as pernas! Carago! O outro ria, agarrando a barriga para não cair do muro. Arre porra! Engraçado você falar nisso das pernas!... Acha mesmo engraçado? –cortou o primeiro. O outro parara de rir quando se levantou de um salto, como se uma mola lhe saísse do cu, o que de facto acabava de facto de lhe acontecer. Saltando por sobre o insólito da situação, gritava-lhe agora em solavancos semióticos: e você acha que, depois disto, a nossa conversa ainda tem pernas para andar?!...

Nota do autor:
De facto a conversa estava condenada à partida. Todo o encontro, aliás. Lembram-se do que vos disse, no início?... "Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado".