sábado, 28 de abril de 2007


~há dias assim

sexta-feira, 27 de abril de 2007


A maneira matreira
Como a matemática se mete
Na metafísica
O despudorado à vontade
Com que o tempo
Nos dá a exacta medida
Da liberdade



“Continuamos hoje, portanto…” – olhava para as mãos com ar distraído, enquanto, com as orelhas, ia espantando as moscas que lhe voavam à volta da cabeça. A voz saia-lhe arrastada e monocórdica, mal sobressaindo do ruído de fundo, dos carros passando, lá em baixo, na rua.
“Continuamos hoje, portanto, a falar das consequências nefastas…” – sublinhava sempre o “nefastas” com uma lentidão exasperante e ridícula! Há pessoas que têm um jeito especial para pronunciar certas palavras de forma a torná-las odiosas! Era este o caso.
“Nefastas! Dos efeitos imprevisíveis; dos danos irreversíveis...” – e balançava o corpo para a frente, acompanhando a cadência das sílabas, num movimento untuoso e pendular. E ao fazê-lo, esticava a cabeça de uma forma absurda, que lhe dava o ar de pássaro bêbado. Por vezes, era difícil conter o riso…
“Falar-vos dos perigos escondidos debaixo dos tapetes semânticos e das mantas semióticas com que se cobrem as línguas de trapos!” – sempre gostara de frases extensas e pomposas. Enfim, nem sempre. Houve uma fase em que não disse nada, outra em que não dizia nada que se aproveitasse e uma outra em que só dizia a palavra: “fungas”. Enfim, fases…
“Alertar-vos para as múltiplas e complexas ambivalências e dissemias com que se confronta a comunidade actual, enquanto tal…” – aqui, ele sabia que a polémica era mais que certa. Toda a Academia se agitava, há muito, à volta deste problema. Uns defendiam que se deveria entender a comunidade actual enquanto tal; outros que ela deveria ser entendida enquanto coisa e tal; outros ainda, que a avaliação deveria ter em conta tal e coisa… Enfim, critérios!

….


E por agora, chega !
Arre gaita.

"o BÉBÉ
qUE NASCEU a CHEIRAR
A BAGAÇO"





por estranho que pareça, foi isto que ouvi esta manhã na telefonia.


p'lo menos, na minha telefonia...



Dei comigo, agora mesmo, a pensar nisto: porque é que eu guardo certas merdas?! Ou, pondo a questão de outra maneira: certas merdas, porque insisto eu em continuar a carregá-las de um lado para o outro, mesmo quando mudo de casa, de vida, ou simplesmente de lixo !... São coisas, que sei de antemão, que nunca mais, ou muito pouco provavelmente, voltarei a revisitar, ou ser-me-hão de qualquer utilidade prática, ou urgente...


Depois concluí, para me calar : se formos a ver, também a torre de Belém, não a visito todos os dias, nem moro lá dentro e no entanto, não a desejo ver demolida, nem acho que deva ser deitada abaixo, por causa disso ! Ora aí está!


Ora aí está! - concluí para me calar, ou só para adiar uma vez mais a arrumação da casa ?!...

quinta-feira, 19 de abril de 2007


voando sobre um ninho de púcaros
esfolando um coelhinho de cócoras
rasgando um pergaminho de bruços
carregando um peregrino ás costas
jet leg?!
pois sim
já te ligo...
O primo Adérito
Tinha um futuro pretérito
Vivia parado
Entre o futuro e o passado
Vivia iludido no que podia ter sido
Esquecido e pasmado
E sempre adiado
Coitado
Coitado
Sem rumo e sem mérito
O primo Adérito



domingo, 8 de abril de 2007










AS ÁRVORES PLANTADAS


AS PESSOAS PARADAS


AS PAREDES PINTADAS


PLANTADAS PINTADAS


PARADAS


PESSOAS ÁRVORES E


PAREDES


ABENÇOADAS

INFORMAÇÃO ÚTIL E ACTUALIZADA






VIVA LA MUERTE...



como Pilatos ?!...

PERANTE A INDECISÃO DO POVO,



O GOVERNADOR DE JERUSALÉM ABRIU OS BRAÇOS, COMANDANDO SILÊNCIO.



POIS NEM CRISTO,
NEM BARRABÁS!
JÁ QUE VOS NÃO DECIDEIS...


– CONTINUOU, LEVANTANDO A PERNA E O SUSPENSE –

ESTE ANO... SOLTAREI UM PEIDO !

HISTORIETA

Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado e não deram por nada. Há momentos assim; decisivos, se bem que, de tão fortuitos, acabam por se revelar irrelevantes, na roda do acaso. Fizeram por disfarçar o embaraço com uma sandes em cada mão e uma garrafa de água em cada bolso. Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade. Sentiam que a cidade lhes apertava o cerco e acertava ao perto. Acertaram os relógios e apertaram o passo. Passaram as sandes de uma para a outra mão, o que não adiantou grande coisa em termos relativos, ou seja, continuaram sem nenhuma mão livre. Resolveram, por isso, começar a falar pelos cotovelos. Devo dizer-lhe –começou o primeiro- que não confio em ninguém, p’r’além de mim e da minha mãezinha… acho tudo isso muito bonito – deixou cair o outro- só espero que a sua mãezinha lhe acuda, se a coisa der para o torto…continuaram a olhar cada um para seu lado, como se não se conhecessem, o que era o caso, aliás. Muito bem – cortou o primeiro, parando de repente e encarando o outro com ar desafiador. Primeiro olhou-o de cima, com o ar que não deixava dúvidas sobre quem mandava ali, naquele momento. Depois experimentou olhá-lo de baixo, com o ar de quem já viu tudo o que havia a ver e estava só a fazer por parecer interessado. Por fim, olhou-o de lado, com desconfiança e foi isso que lhe chamou a atenção. Você – recomeçou, agora mais lentamente- você ponha isto na cabeça –enquanto lhe estendia um chapéu de palha, um pouco gasto, mas ainda em bom estado. Preferia não o fazer –respondia agora o outro sentando-se no muro de pedra, sobre o abismo- essas coisas alegres dão-me um ar sombrio, para além de que já tenho, na minha cabeça, muita coisa com que me preocupentear. Com um gesto despreocupado, rodou o corpo, atirando as pernas sobre o muro, para o outro lado. Ficou a vê-las cair pela ravina escarpada e tudo. Lá se vão elas – apontava para as pernas que caíam, aos trambolhões, batendo nas pedras aguçadas, ravina abaixo- é o chamado pernas para que vos quero… você tem a noção –atacava agora o primeiro – que o que acaba de fazer é uma perfeita estupidez! – via-se que o homem estava em brasa. Você acaba de me cortar as pernas! Carago! O outro ria, agarrando a barriga para não cair do muro. Arre porra! Engraçado você falar nisso das pernas!... Acha mesmo engraçado? –cortou o primeiro. O outro parara de rir quando se levantou de um salto, como se uma mola lhe saísse do cu, o que de facto acabava de facto de lhe acontecer. Saltando por sobre o insólito da situação, gritava-lhe agora em solavancos semióticos: e você acha que, depois disto, a nossa conversa ainda tem pernas para andar?!...

Nota do autor:
De facto a conversa estava condenada à partida. Todo o encontro, aliás. Lembram-se do que vos disse, no início?... "Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado".

quarta-feira, 21 de março de 2007


saudemos, primos & primas, a chegada da Primavera !

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007


“ANDAS TENSA...”- DIZIA-LHE ELE, PASSANDO AO DE LEVE O GELADO E FINO FIO DA NAVALHA AO LONGO DA CARÓTIDA TÚRGIDA E ASSUSTADA. “PENSAS MUITO E ISSO...” – A LUZ INCIDIA DE LADO SOBRE O ESPELHO DA NAVALHA, O REFLEXO CEGAVA-A –“... E ISSO...” – CONTINUAVA ELE, PRESSIONANDO UM POUCO MAIS A FACA SOBRE A VEIA EM CHAMAS – “ISSO FAZ COM QUE O TEU PEQUENO CORAÇÃOZINHO TENHA DE BOMBEAR O TEU SANGUEZINHO COM TODA A PRESSA PARA O TEU CÉREBROZINHO FANTASIOSO E IRREQUIETO. E ISSO...” – SENTIA AS FORÇAS FALTAREM-LHE ENQUANTO UMA PRESSÃO ENORME LHE APERTAVA OS OLHOS E A CEGAVA E A ENSURDECIA, AS PALAVRAS COMEÇAVAM A SOAR-LHE CADA VEZ MAIS DISTANTES E CONFUSAS – “E ISSO FAZ COM QUE AS TUAS VEIAZINHAS FIQUEM ASSIM TODAS A QUERER SAIR DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA” – SENTIA A RESPIRAÇÃO DELE APROXIMAR-SE DO SEU OUVIDO E SENTIA-LHE O HÁLITO CRIMINOSO E PÚTRIDO – “DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA E PÉRFIDA!”
“CORTA!” – O REALIZADOR LEVANTOU-SE DA CADEIRA, ESFREGANDO AS MÃOS DE CONTENTAMENTO.
ENQUANTO SAIA DE TRÁS DA CÂMARA, TODOS OLHAVAM PARA O MESMO LADO. CALADOS DE HORROR E INCREDIBILIDADE OLHAVAM PARA A CARA DE PARVO DE JOHN O’RICE, O PROTAGONISTA.
“ENTÃO!...” – ELE ENCOLHIA OS OMBROS, SEM REACÇÃO – “...O MISTER DISSE CORTA!...”

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Puta que pariu as donzelas ofendidas



Fico contente, a ser verdade, como os tribunais acabaram por concluir, a inocência de Paulo Pedroso no processo de pedofilia . Contente porque, a ser verdade, sempre é menos um ranhoso na lista dos culpados.
Agora o que me indigna, apesar de não me espantar por aí além, é o gajo vir agora pôr o Estado em tribunal e exigir uma indemnização de 600 mil euros por danos morais e materiais !
O bezerro não tem vergonha na cara? Que moral é que ele prega, afinal? Não deveria estar agradecido ao Estado português por, apesar das demoras e impasses e retrocessos processuais, investigar todas as suspeitas e indícios, para esclarecer, julgar e despachar o processo?! Não deveria ficar muito caladinho, até que o tempo lavasse a memória desse mau bocado que passou?! O gajo não percebe que não são os 600 mil euros que vão limpar da memória do povo - se o povo se importasse verdadeiramente com a reputação dele - a mancha, a pedra no sapato, a pulga atrás da orelha em relação à personagem dele?
De certeza que pertence ao Partido Socialista? O mesmo que está no Poder e pede contenção e esforço ao povo português?
Será que pensa que o dinheiro cai do céu?
Será que pensa, que andamos a contar tostões e a apertar o cinto para pagar indemnizações a "donzelas ofendidas" ?
Por outro lado, ou pondo a questão de outra forma mais perversa e provocadora: será que a consciência do jovem deputado se acalma com uma soma - neste caso - tão ridícula como a merda de meio milhão de euros ?!!!

Cheira-me a esturro. Mas é que me cheira tanto a esturro, que até tapa o cheiro a merda de toda esta história e respectivos protagonistas e figurantes.

E se tinha de ser dito, dito fica.

terça-feira, 28 de novembro de 2006


DIZEM-SE COISAS TERRÍVEIS NA TELEVISÃO.
O CARDEAL PATRIARCA ACABA DE DIZER QUE AS NAÇÕES NÃO SÃO SÓ OS SEUS GOVERNOS, MAS TAMBÉM OS SEUS POVOS.
É FANTÁSTICA, A DECLARAÇÃO E A EMINÊNCIA !
ACHO EU...

sexta-feira, 24 de novembro de 2006



ela nunca percebeu como as bebidas foram ali parar, mas segurou o copo e, sorrindo com um ar confiante, preparava-se para o levar à boca, quando qualquer coisa a fez mudar de ideias. a expressão transfigurou-se-lhe subitamente. a pose tornou-se hirta e desconfiada. e se tudo aquilo não passasse de uma encenação para a apanharem? uma enorme e tremenda conspiração para a comprometer e levarem a cometer o erro fatal ? poisou o copo lentamente sobre o balcão e deixou deslizar o corpo p'las costas do banco. conhecia o estratagema. pensou: pois sim, meus ricos, conheço muito bem o vosso estratagema, mas comigo não cola. lançou um olhar em volta. agora atenta, observadora e obrigada. e pôs-se à coca.






o super homem foi ao continente comprar um novo fato de super herói, que o que tinha já estava a ficar puído no meio das pernas e era uma vergonha, que já se lhe iam vendo as cuecas quando voava por sobre os prédios da cidade. quando lá chegou, foi logo direito à secção onde havia o fato que ele queria. e havia-os de todos os tamanhos e alguns até com inovações e retoques de muita imaginação e bom gosto, como aquele com guizos nas botas, diz que, inspirado nas renas do pai natal. já se via, a aterrar no telhado do Daily Planet, a chocalhar a guizalhada, p'ra impressionar a escanzelada da Miriam Lane!...mas não. no caso dele, havia de ser fiel ao padrão original e reconhecido em todo o mundo. uma questão de princípio e dever de ofício. um padrão manhoso como o diabo que o pintou. sempre o achou e disse a quem o quis ouvir. o problema é que nunca ninguém o quis ouvir, ou ligou importância. uma fatiota ridícula e incómoda! sempre o disse. mas quê... o que vale é que, p'lo menos, desistiram de lhe desenhar um triângulo florescente nos fundilhos, p'ra voar de noite!


o tempo não está para festas! - disse ele, coçando a sobrancelha. primeiro pensei que era mais uma daquelas crises de depressão, muito comuns nele, ou ainda mais simplesmente, uma daquelas banalidades que se dizem só p'ra não ficar calado. foi a expressão no olhar e a transpiração que começava a brilhar-lhe na testa e a tremer-lhe nas mãos, que o denunciaram de que algo de mais grave se passava. ainda tentei responder e desanuviar o ambiente: pois não, está uma ventania do caraças e chove que deus a dá! aí, limitou-se a repetir,com a mesma expressão obsessiva nos olhos: o tempo não está p'ra festas. parecia que olhava através de mim, como se eu não estivesse verdadeiramente ali! como se fixasse alguma coisa e alguma coisa aterradora que se revelasse mesmo atrás das minhas costas. decididamente, aquilo já não era um comportamento normal. resolvi contra-atacar!: pois não! festas agora só no Natal! aí, desviou o olhar e virou-se para a janela, num gesto lento e dramático demais, até mesmo para uma criatura naquela posição. imitei-lhe o gesto e o que vi gelou-me o sangue e a alma. insinuando-se p'lo silêncio do beco, avançava a sombra ameaçadora do Homem Aranha

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Não perca o próximo fenómeno! Chaputas tiram a vista ao Arco do Cego

Em verdade e ao certo, não sei o que terá dito a citada fonte... mas sei, porque li, em "Última Hora", na edição do Diário de Notícias desta quarta feira, o que escreveu o ilustrado jornalista que redigiu a breve.

Diz então que: " o denso nevoeiro que ontem caiu sobre a cidade de Lisboa provocou congestionamentos na ponte e... " que " a perca de visibilidade causada pela neblina fez com que o tráfego ficasse muito mais lento"... Diz ele que foi o que lhe "explicou fonte da Brigada de Trânsito da GNR" !
Pois terá sido. Nem me atrevo a duvidar de semelhante fenómeno atmosfeérico - isso mesmo - atmosfeérico.
Deve ter sido assustador e fascinante, atravessar a ponte com as percas enublando a vista! Milhares de pequenas percas voando por entre os pilares da 25 d'Abril! Iria mesmo mais longe. Dezenas de pequenas percas e (quem sabe!) talvez também algumas sardinhas e carapaus enjoados. Mas vamos ao cherne da questão. A verdade é que ninguém terá querido perder semelhante espectáculo. Forçosamente havia de circular "mais lento do que o habitual", o trânsito, o tráfego, o tráfico, o trolha !

quarta-feira, 8 de novembro de 2006


Quem me diz
Que mal eu fiz ?!
Euridíce
Orfeu
nos Infernos…
Que diabo
faço eu aqui?!
Hein?
Hi!

segunda-feira, 6 de novembro de 2006




sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Uma sondagem promovida por vários jornais de referência internacionais, que recolheu mais de quatro mil opiniões, revela que George W. Bush é visto como uma ameaça mais séria à paz mundial do que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad...
(in "Público", 3 Novembro 06)
Já ouço algumas inteligências a comentar: pois, claro, está você a ver, isto, as sondagens valem o que valem...
PIRATAS DO AR
ANDAM NUS
A ROUBAR
O OXIGÉNIO

JOVEM SUICIDA
SE ÉS DINÂMICO
E ENÉRGICO
SUICIDA-TE

ESCÂNDALO NA BOLSA
AS BOAS ACÇÕES
FICAM COM
QUEM AS PRATICA

FOI ATROPELADO
NA PASSADA
SEXTA FEIRA
DAS INDÚSTRIAS

JOVEM BALEADA
NUMA FONTE
GERALMENTE
BEM INFORMADA

Pode ser um preciosismo. Uma embirração de velho, cisma de ocioso. O que se quiser!
Vem a propósito do tão cantado "saudosismo" lusitano... Seja lá isso o que for, a verdade é que esta terra grama sofrer! Não da morriña galega, ou da paixão dilacerante das tragédias gregas. Sofrer assim em banho-maria. Sempre e sem grande chama. Mas isso é outra prosa. Voltemos ao princípio.
E no princípio foi o verbo. A forma verbal!
A reportagem acompanhava a partida de soldados portugueses para um qualquer Afeganistão... No cais da partida, o repórter entrevistava a família dos bravos voluntários. Pois, o pior vai ser o Natal. E respondia a noiva. Pois, é a primeira vez que passa o Natal longe da família. E voltava o repórter. Vai ser mais difícil. Respondia a noiva. Pois, no Natal é que esperemos que as saudades sejam maiores!
Repararam no tempo do verbo?! Esperemos! Não - esperamos! Mas - esperemos!
É um desejo, o que noiva expressa! Como quem diz: que ao menos se ganhe alguma coisa com isto. O gajo está longe no Natal, mas sempre dá para sofrer mais um bocadinho de saudades.
Esperemos...

quarta-feira, 25 de outubro de 2006


A gaja do Telejornal
põe um ar profissional
e despeja com à-vontade
tudo o que é actualidade

do país e do estrangeiro
em trinta mil linguagens
todo o mundo o mundo inteiro
tudo a cores e com imagens

dificilmente se abranje
assim tanta informação
nem compaixão que se arranje
pelo menos tanta não

sábado, 16 de setembro de 2006

COMPRA-ME UM MORCEGO

Esta tem de ser dita!
A televisão que se reclama de serviço público - a RTP... pior!, o canal que se reclama de um campeonato aparte - a TV2 - apresentou este sábado um documentário ( parece-me - que já apanhei a coisa a meio) sobre um jovem monge tibetano que desce à cidade e se confronta com a civilização extra monacal.
Vamos ao que importa. O jovem monge passeia-se p'la cidade com o primo e a dado passo pede-lhe que lhe compre um morcego ( cito a tradução em legenda).
Achei estranho, mas, cada terra com seu uso... "Buy me a bat", foi o que o puto disse, ao que o primo lhe respondeu: "I already bought you a ball!" e depois disse qualquer coisa como, por exemplo, que não tinha mais guito p'ra lhe comprar também "a bat".
É verdade que, em inglês, "bat" - morcego e "bat" - taco de beisebol, se escrevem e pronunciam da mesma maneira. Mas quem se fica p'las legendas não tem obrigação de saber isso. A TV2 tem!
Resumindo e directo ao assunto - no caso, a quem traduziu e à RTP que comprou a desastrada legendagem :
-Compra-me um morcego!
-Eu dou-te é com um taco de beisebol na carola, tosco do caraças!

SEMPRE OUVI QUE HÁ MUITO MAIS
MARINHEIROS QUE MARÉS
QUER TRAGAS O MUNDO ÀS COSTAS
OU TRAGAS O MUNDO AOS PÉS

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

domingo, 27 de agosto de 2006

o Pulido Valente não sabe o que é uma carrinha de caixa aberta

Escreve o sr. Pulido Valente, na crónica deste domingo, no Público, que "ninguém deve contrariar um maluquinho com uma causa" E isto a propósito, entre outras coisas, da "rentrée de Manuel Monteiro, o presidente da "Nova Democracia"(N.D.) - ou "Democracia Nova", como interroga o articulista, fazendo-se de novas, em exercício blasé - p'ra rimar com rentrée .
Diz então que Manuel Monteiro foi a Vila Praia de Âncora, numa carrinha de caixa aberta ("o que será isso?", volta a interrogar o cronista Valente) para tentar arregimentar um eventual futuro eleitorado para a sua - dele, Monteiro - nova direita portuguesa. Com microfone, altifalante e cópias do Manifesto com que ele - Monteiro - espera convencer/converter os veraneantes da supra citada Vila P. d'Â.
Numa avenida de esplanadas cheias, Monteiro "pede desculpa" por "incomodar" e "fala 10 minutos", continua ele - o cronista Pulido .
A ideia com que fico, ao ler a prosa de VPV (Vasco Pulido Valente) é que ele - VPV - acha mal. Acha mal que um Monteiro qualquer se monte numa carrinha de caixa aberta ("o que será isso?") e vá chatear os banhistas de VPd' com os manifestos dele -MM(Manuel Monteiro)... Provavelmente acharia igualmente mal se a praia em questão fosse a Caparica, ou a dos Tomates - não vem ao caso. O caso é que, p'ra mim, a questão é outra. É que não vejo grande diferença entre esta "invasão de tranquildade" de MM em VPd e a dos pares de MM noutras praias, praças, largos, pracetas, mercados, estações de comboio e onde lhes dá na republicana gana, em comícios de rentrée, ou campanhas eleitoralescas ! O mesmo para a cobertura exaustiva que ainda se vai fazendo, dessas mesmas alegres campanhas, em rádios, televisões e jornais de referência, ou de deferência, ou o diabo a quatro, com as respectivas leituras informadas e esclarecidas de comentadores, cronistas e outra iluminada gente, que escreve e assina por baixo, sobre estas coisas da pulítica. A verdade é que ninguém os mandou vir e eles vêm na mesma. Com manifestos, esferográficas, bonés e sacos de plástico, beijinhos e abraços e conversa de ir ao cu, a chatear quem está e muitas vezes, sem pedir desculpa p'lo incómodo.
Mas, já estou como diz o colunista , ninguém deve contrariar um maluquinho com uma causa. Principalmente, um maluquinho "famoso".

quinta-feira, 24 de agosto de 2006


tudo se resume a esta filosófica geringonça da necessidade e satisfação :
levar o copo de água a Garcia.
- Betty, um ginger ale à mesa 9 !
é uma da tarde
é hora d'almoço
em Queluz Ocidental
o fogo que arde
não causa alvoroço
é o de um churrasco
no quintal
há coisas que não sei porque se mexem
nem se não era bem melhor ficar paradas
não sei explicar fenómenos que acontecem
não sei explicar as coisas agitadas

domingo, 20 de agosto de 2006

Reconheço que é dar confiança a mais ao azeiteiro do Alberto João Jardim, mas não resisto a perguntar: em nome de que autonomia é que o palhaço se ofende com o anunciado corte de verbas do Governo Central à sua pérola do Atlântico?!...O cagarolas, que se nega a divulgar a lista dos vigaristas que fogem ao fisco na Madeira, que passa a vida a insultar toda a gente do cont'nente, a agitar a bandeira de uma pseudo-independência bacoca, a espalhar aleivosias aos quatro ventos e a cagar d'alto sobre todos, sem respeito nem vergonha.. é com a mesma sem vergonha que vem reclamar a esmola dos financiamentos regionais.
Reconheço-lhe razão num ponto: os jornalistas não prestam. Se prestassem, não lhe davam um segundo sequer de tempo de antena, uma linha nos jornais. Deixavam-no a falar sozinho

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

atentai nesses heróis
que do alto das muralhas
comem laranjas e mandam
as cascas assim ao calhas
atentai neles que são
quem a história há de’screver

'tá bem e as cascas no chão
qual deles as vai varrer?...

ainda que mal pergunte...

PODES TER MUITA RAZÃO
PODE SER MUITO INTERESSANTE
SE EU OUVIR COM ATENÇÃO
‘TÉ PODE SER IMPORTANTE
PODE SER OU TALVEZ NÃO
E AINDA QUE MAL PERGUNTE
? O QUE É QUE ESTÁS A DIZER ?...

É QUE P’RA DIZER A VERDADE
AINDA NÃO PERCEBI
NEM SEQUER MEIA METADE
E GARANTO-TE EU A TI
NEM SEQUER É MÁ VONTADE
E AINDA QUE MAL PERGUNTE
NÃO SEI SE TU ESTÁS A VER …

QUE EU GOSTO DE OUVIR FALAR
QUEM BEM FALA E SABE E DIZ
COISAS QUE FAZEM PENSAR
E NOS TORNAM MAIS FELIZ
? MAS NÃO PODES ASSOAR
E AINDA QUE MAL PERGUNTE
ESSE PINGO DO NARIZ ?...

COMO QUERES TU QUE OUÇA
NÃO ME POSSO CONCENTRAR
NEM POR MAIS QUE EU ME TORÇA
ME CONTORÇA NÃO VAI DAR
COMO QUERES TU QUE OUÇA
E AINDA QUE MAL PERGUNTE
COM ESSA PENCA A PINGAR ?...



Ž/ 27/10/05

sexta-feira, 4 de agosto de 2006


"O Governo central não tem nada a ver com isso, nem pode fazer absolutamente nada" em relação à proibição que Alberto João Jardim decretou à administração fiscal da Madeira de poder revelar a lista de contribuintes faltosos no arquipélago...Quem o diz é José Luís Saldanha Sanches. O problema, afirma o fiscalista, "é que na prática a Madeira, como os Açores, acabam por ser na mesma subsidiados pelo Estado central através do Orçamento do Estado"... E considera que a nega de Jardim à divulgação daquela que já é conhecida como a lista negra dos devedores ao fisco é "uma questão política". Esta aparente impotência do Governo central de dar a conhecer os devedores madeirenses é reconhecida pelo Ministério das Finanças. Ao DN, fontes oficiais disseram: "Há base legal para isso, portanto, não se pode fazer nada."
(Francisco A. Leite in Diário de Notícias, 4 Agosto)
E se déssemos a independência à Madeira? A sério mesmo, acham que Portugal perderia assim tanto com isso?! Far-nos-á assim tanta falta? O Alberto João é que não faz falta nenhuma, de certeza. Isso garanto eu.
"Inaceitável." É desta forma que os médicos contactados pelo DN caracterizam a decisão de alguns hospitais travarem a compra de medicamentos inovadores para conter despesas...
O bastonário Pedro Nunes diz que a medida denota "um corte cego" a que a Ordem vai estar atenta.
Ricardo Camacho, médico especialista na área do HIV/sida - que, juntamente com o cancro, é responsável pela maior fatia das despesas - não tem dúvidas em afirmar que se trata de "um escândalo nacional", "admitido em público com todo o despudor".
"Inaceitável" é também a palavra utilizada por Jorge Espírito-Santo, presidente do colégio de oncologia da Ordem dos Médicos. "Os clínicos não se opõem à racionalização da despesa, a questão é a forma como isso se faz...
(Rute Araújo in Diário Notícias - 4 Agosto)
Inaceitável é a roubalheira que muitos médicos fazem, não admitida em público, mas com igual despudor, na calada das vigílias e com a cumplicidade de todos, enfermeiros e serventes dos hospitais. A isso é que a Ordem deveria estar atenta.
Os clínicos não se opõe à racionalização da despesa. Só lhes fica bem. Podem começar por comprar, eles próprios, os medicamentos que precisam para as clínicas privadas e consultórios particulares onde trabalham em paralelo, em vez de os roubarem dos hospitais. Não sei quanto se poupava, mas dava para curar algumas gripes e sarar alguns eczemas.
(Belfaghor in Belfaghor, 4 Agosto)

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Proponho aqui um Movimento Nacional de Luta contra os Morangos com Açúcar, a Floribela, o Batatoon e outras Merdas Semelhantes, que andam a envenar o ar das nossas crianças e a destruir-lhes a inteligência por dentro.
Retiro tudo o que disse, se o Povo - e aí, há que ir a referendo - fizer mesmo questão em viver, daqui a um par de anos, num país de merda governado por atrasados mentais.
o Gugu escapou com o rabo à seringa, num processo de alegado tráfico de influências. Não que se tenha provado a inocência do jovem e promissor advogado (acho que é advogado, o bezerrito), mas porque - é o que dizem - o processo foi arquivado. Agora o Gugu quer que o Estado o indemnize numa batelada de cacau. Provavelmente por danos morais, ou honra manchada... e que tal um balde de esterco p'la cabeça abaixo, oh artista?!
(claro que Gugu é nome fictício, acho mesmo que a própria personagem é uma ilusão de gente, uma proto coisa bastante bem conseguida)
Os médicos estão em braza porque o governo se prepara para mexer na forma e cálculo de pagamento das horas extraordinárias. Terão, eventualmente, toda a razão. A questão é que ameaçam recusar-se a fazer urgências, se a medida for para a frente. Não falam em greve, que isso poderia vir a sair-lhes do bolso... falam em recusa pura e simples, o que, ao que parece, podem legalmente fazer, em certas circunstâncias. A representante de uma merda qualquer com autoridade para falar em nome deles, veio dizer à televisão, que é uma profissão altamente qualquer coisa, do género de "exigente", ou "punitiva" ou ... enfim!, dá trabalho!
Porque é que ninguém os avisou, quando se inscreveram na Faculdade de Medicina? Pergunto uma vez mais: porque é que cabrão nenhum avisou estes gajos?!!!
A verdade é que isto das urgências não é pera doce! Dorme-se mal nos gabinetes, o café das máquinas é uma merda e de vez em quando lá aparece um tipo todo fodido para o médico ter de observar. Se ainda por cima não dá guito, já 'tou como o outro: cura-te a ti próprio e vai bardamerda!
Há uns enfermeiros, no norte( vi no telejornal), que fazem finca pé às novas fardas propostas p'la administração do hospital onde trabalham. Camisolita amarela, a dizer enfermeiro e calcita azul escuro. Dizem que não e teimam em vestir as antigas batas brancas. Dizem que não e não me admirava que "endurecessem as formas de luta", se for caso disso. Fico feliz por eles. Fico feliz por não terem mais nada com que se preocupar senão as cores e corte das fardas. E estou solidário com a heróica luta dessa gajada... mas, pergunto eu, porque é que não estudaram para médico ou barbeiro?! Já que fazem tanta questão na puta da bata branca...


"Não pense mais nisso!" - foi o que lhe disse. Depois, erguendo o braço da mão que segurava o machado e num gesto rápido e vigoroso, cortou-lhe a cabeça de um golpe.