quinta-feira, 17 de setembro de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
a culpa foi do macaco
DN e Público… um diz que o inquérito em Santa Maria pode ser revelado hoje, ou segunda que vem… o Público, que os doentes do Santa Maria podem ter sido injectados com o fármaco errado… o que lhes teria provocado a cegueira – que é disso que estamos a falar, como já perceberam.
No Público ainda, diz-se que o hospital mantém em aberto todas as hipóteses e que o veredicto final há-de ser o das instituições encarregadas das investigações em curso.
Continua ainda o jornal Público, citando o director dos serviços de oftalmologia, que disse ontem acreditar que os 6 doentes sujeitos à pequena intervenção cirúrgica há duas semanas e na sequência da qual ficaram cegos… não foram injectados com Avastin… A direcção clínica do hospital já se apressou a comentar que foi talvez uma declaração precipitada, a do médico Monteiro Grilo… precipitada pelas razões que já vimos… as investigações estão ainda em curso e todas as hipóteses se mantêm em aberto…
Ora, recuando um pouco na história, lembram-se que tudo começou por esse aviso do laboratório fabricante?...
Um aviso e uma recomendação expressa - a de não injectar o Avastin nos olhos dos pacientes…. Que era perigoso e desaconselhado… depois, os médicos portugueses disseram que não receberam aviso nenhum,,, logo a seguir vieram dizer que já sabiam dos riscos do Avastin injectado nos olhos, mas que era um risco que se tinha de correr, porque, apesar do medicamente ser para outros fins, era ainda o único, que conseguia resolver o tal problema oftalmológico… apesar do risco, que, reconheciam os próprios médicos, incluir o de cegueira do doente. Depois, há o episódio do telefonema anónimo, que levantava a suspeita da troca de medicamentos, de mistura com outros fármacos nocivos.. uma quase teoria da conspiração… Agora, a última versão, subscrita pelo director dos Serviços de Oftalmologia do Hospital, aponta para uma troca de medicamentos. Diz que, as primeiras análises conhecidas, é para aí que apontam…
E o que será mais tranquilizante? Ficarmos a saber que se pisou o risco… literalmente, ou seja, nestes 6 casos ( é surpreendente que tenham acontecido todos ao mesmo tempo, mas as coincidências acontecem…) portanto, nestes 6 casos a reacção dos doentes foi a pior possível, ao tal Avastin e aconteceu o pior do que podia ter acontecido…
Ou concluir-se que o desastre aconteceu, porque houve troca de medicamentos?… Por qualquer razão que talvez nem queiramos saber… Que houve troca de medicamentos e foi injectado, nos olhos dos doentes , qualquer coisa que provocou o efeito precisamente contrário, ao que se pretendia e esperava?...
A confirmar-se esta suspeita, a culpa dificilmente recairá sobre os médicos responsáveis pela intervenção cirúrgica. Com toda a justiça e por razões práticas, os médicos deverão confiar no trabalho de todos os envolvidos , de toda a equipa envolvida em qualquer acto médico ou cirúrgico, sem ter de estar a conferir coisas tão essenciais como se o material está esterilizado, se os medicamentos não estão trocados, ou até mesmo… sim até mesmo, se todos lavaram as mãos antes de ir para a mesa.. a mesa de operações, claro.
Bom, é igualmente verdade que, às vezes também , só por milagre é que não há mais trocas de medicamentos, no balcão das farmácias…não as dos hospitais - as outras.
A avaliar pela letra com que muitos médicos insistem ainda hoje em preencher as receitas e requisições de exames complementares de diagnóstico…estranho é que não hajam mais trocas lamentáveis a registar.
E neste particular, deixem que partilhe convosco esta dúvida… será que esse clínicos não conseguem mesmo fazer uma letra mais apresentável, ou haverá uma outra qualquer razão mais técnica, ou filosófica mesmo, para aquela gatafunhada indecifrável?!... Aquela algaraviada, a que o povo chama, por graça - Letra de Médico.
o orgulho parolo
Vem no Jornal de Notícias, que o stress crónico afecta a tomada de decisões…
A conclusão é o resultado de um estudo realizado em Portugal, por uma equipa coordenada por Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde, da Universidade do Minho e Rui Costa, actualmente investigador no programa de Neurociência da Fundação Champalimaud . O estudo acaba de ser publicado na revista Science. E conclui então que o stress crónico altera a estrutura de circuitos neuronais, que ligam o córtex pré-frontal à zona do cérebro relacionada com a tomada de decisões. O JN compara o córtex pré-frontal à memória RAM dos computadores…
Para o cientista Nuno Sousa, o que se passa é que a pressão psicológica, o stress, promove a atrofia das dendrites dos neurónios do circuito associativo responsável pelos comportamentos orientados por objectivos e aumenta as que se relacionam com os hábitos, ou acções habituais e de rotina… Donde, conclui-se que isso torna o comportamento mais dependente de hábitos e menos de decisões orientadas por objectivos. A partir desta conclusão pretende-se agora entender melhor os mecanismos moleculares e funcionais envolvidos neste processo… Pretende-se, no fundo , como disse o próprio investigador e chefe da equipa, Nuno Sousa: “delinear estratégias que permitam modular os efeitos do stress nos processos de decisão e eventualmente utilizá-los como estratégias terapêuticas…” Diz também, Nuno Sousa, que esta descoberta representa – voltemos a citar : “um momento de enorme importância para todos nós…” já se tinha dito, porque “abre caminho à descoberta de estratégias que permitem modular os efeitos do stress nos processos de decisão…” para que ele – o stress – não nos reduza à condição de autómatos, sem vontade própria, para além dos automatismos da rotina quotidiana…
Pois não era isso que ia dizer… regressemos a Nuno Sousa. “…um momento de enorme importância para todos nós, tanto mais que o estudo é assinado apenas por portugueses e com um trabalho feito em Portugal.”
É sem dúvida um motivo de orgulho nacional, se bem que, em boa verdade, houve já na História pátria muita coisa feita apenas por portugueses e em Portugal, de que não nos podemos orgulhar assim tanto…
Não sei porquê (e também é uma frase grande e sonante) prefiro a outra, a do “delinear de estratégias que permitam modular os efeitos do stress nos processos de decisão e eventualmente utilizá-los como estratégias terapêuticas.”Acho que fica melhor, como motivo de orgulho nacional.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
I rritante
Fugiu da prisão e viveu 16 anos escondido nos montes, vivendo em grutas. É notícia no DN, no JN, no Público, no Correio, I, no 24… em todos, a bem dizer.
No desenvolvimento da notícia ficamos a saber que toda a aldeia sabia que Fernando vivia escondido e fugido à Justiça, mas todos o protegiam e ninguém o denunciava.
Teve um dia mau… era como diziam, quando se falava do episódio que o levou à prisão…
E tudo se passou , segundo os autos, mais ou menos assim: Fernando, agora com 54 anos, era pastor. Vinha com o rebanho do pasto, quando se cruzou com a mulher, pastora ela também, que regressava do pastoreio. Pegaram-se de razões e no meio da discussão, Fernando acertou com a sachola na cabeça da mulher e matou-a.
O resto já se sabe. Fugiu da prisão ao fim de dois a anos e meio de pena cumprida e escondeu-se, desde então e já lá vão 16 anos, em várias grutas da região. A única companhia era um pequeno cachorro, que agora que voltou a ser preso espera que alguém cuide dele, com todo o carinho e atenção que um cão merece.
Consta, que era a população quem lhe dava de comer, quando passava por lá perto, à caça, ou assim… dava-lhe comida, algum dinheiro para café e cigarros, ou o que fosse… Consta também que, apesar da mãe de Fernando ser ainda viva e morar na aldeia de Anissó, ele preferiu, mesmo assim ,viver em grutas, com o cão, escondido da polícia. Consta também que acabou por se revelar até amistoso, depois do nervosismo inicial e alguma violência de reacção, quando foi ontem surpreendido pela polícia.
"Operação Cromagnon" – chamava-se ela, a acção que mobilizou 12 homens para deter o fugitivo.
Ora, o DN a completar e enquadrar a história foi conferir com uma psicóloga, o comportamento deste homem.
As respostas são elucidativas, a roçar quase a revelação mística.
O que pode levar uma pessoa que foge da prisão a viver 16 anos escondido em cavernas?... Responde a psicóloga, que neste caso se trata de um estilo de vida que pretende garantir a liberdade, mas que há casos em que a pessoa. cansada de um estilo de vida muito sobrecarregado, decide mudar de vida e escolhe um estilo de vida menos sobrecarregado. Vai, portanto, viver para uma caverna, com um cão!...
Depois, que consequências podem advir para o individuo após ter sido detido?
Responde a psicóloga, que após 16 anos a viver em cavernas e voltando agora para a prisão, numa primeira fase haverá que adaptar-se à nova realidade, o que também pode obrigar a mudanças de comportamento ou afectivas…
E numa segunda fase, o que acontece?...
Por último.
Vai ser necessário um acompanhamento mais próximo do detido?
E a resposta que diz que, nestes casos, qualquer acompanhamento que ajude na transição e que ajude a pessoa a integrar-se na nova realidade é uma intervenção que ajudará sempre a ter maior sucesso. Embora – sublinha a psicóloga – a pessoa, com o tempo, se vá adaptando ao novo estilo de vida…
A gente habitua-se a tudo. A verdade é essa!
Mas, a questão que se coloca, neste caso é a seguinte… era mesmo preciso ir incomodar uma psicóloga para recolher depoimentos destes… digamos assim, tão esclarecedores?
A publicidade. No caso, a publicidade enganosa.
Diz o jornal I, que o Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial – chame-se-lhe ICAP - concluiu que a ZON-TV Cabo está a fazer publicidade enganosa, ao anunciar que – citemos – ”já somos mais de um milhão de casas ligadas pela fibra da ZON”.
Acontece que o ICAP contou-as e concluiu que são apenas umas 100 mil, as casas que aderiram à fibra óptica da ZON TV Cabo. Daí se concluir que a publicidade induz os consumidores em erro e que, por isso mesmo, a campanha deve cessar de imediato…
Outro anúncio, que o I hoje publica é uma publicidade ao próprio jornal… No caso, à edição on line do próprio jornal… Daí o trocadilho… "Finalmente um jornal que não se dobra"… alusão óbvia ao ecrã do computador que, como sabeis é relativamente difícil de dobrar ao meio. O ecrã, claro, que se for um computador portátil... esses, geralmente, dobram-se ao meio, para fechar e levar para casa... Mas, adiante.
Em letra mais miúda, destacam-se as razões que ditam a preferência do leitor e a excelência do produto… e falo de produto, porque o próprio jornal prefere também falar de produtos, em vez de notícias. A ver: "textos, fotos, vídeos, áudios..."
E agora é que é… "Não somos um site de informação, mas um agregador de conteúdos…"
Logo a seguir, surge a pequena contradição… "Temos a nossa informação…" ora então!?, ainda há pouco não tinham, era só um agregar de conteúdos !… pois bem, prossigamos, que vale a pena... "...temos a nossa informação e a melhor da dos outros."
Vamos repetir mais devagar, para dar tempo a assimilar o conceito… "a nossa e a melhor da dos outros" a melhor da dos outros, pode não ser a expressão mais correcta, mas soa bem e é de fácil leitura.
Conclui-se o auto elogio, com a sentença: "Procuramos, investigamos, comentamos, citamos. Somos inclusivos e abertos ao mundo."
Rodeemos educadamente a questão do elogio em causa própria e o que se costuma dizer de quem o faz… Deixemos por agora os provérbios em paz... esse, do presunção e água benta, primeiro que todos e deixem só que vos relembre aquele episódio de ontem… o da manchete mistério do I... a que prometia dar a resposta do PS e PSD, aos alegados esbanjamentos de dinheiros públicos, que o I ontem dizia que vinha na página onde afinal se davam as novidades do mercado discográfico e videográfico e de jogos de computador...
Folheando pausadamente o jornal, o mais próximo que se consegue é ouvir Miguel Frasquilho, em nome do PSD, dizer que Guterres foi o campeão do despesismo, o campeão da engorda do monstro…
Ora, regressemos à publicidade… Finalmente um jornal que não se dobra…
A edição electrónica, pelas razões que já vimos, no entanto, a edição impressa parece que também não se dobra muito facilmente… pelo menos ao reconhecimento do erro. É que hoje, ninguém assume nem reconhece a trapalhada da capa de ontem. Ninguém a reconhecer que o I irrou. Irra, que Irrar é humano, porra. E uma certa dose de humildade e auto-crítica, também e é bonito.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Parolo do catano. está com pressa para quê? paralítico como está, onde é que ele pensa que vai, o palhaço?!...
É matéria de capa no jornal I e matéria de capa no Jornal de Notícias…
Ou mais ou menos. A ver...
No I, diz-se que um grupo de 12 gestores de grandes empresas querem processar o Estado português, por causa do tecto máximo, que lhes fixa as pensões de reforma nos 5 mil euros.
À luz do artigo 101, da lei 187, de 2007, esse é o limite máximo. O protesto está em curso e , segundo o I, houve já um despacho do tribunal de Sintra, dando razão a um dos “quadros” queixosos. Deu-lhe razão, na acção movida contra o Instituo de Segurança Social e reconheceu que o queixoso tinha direito a uma pensão de reforma, calculada sem a aplicação da norma prevista, no tal artigo 101, da lei 187, de 2007…
Por inconstitucionalidade resultante da lesão injustificada das expectativas legítimas e por ofensa dos princípios da protecção da confiança e da proporcionalidade e por violação do artigo 101 da lei 4, de 2007.
Ora, expectativas legítimas teria eventualmente também este Agostinho, de que o Jornal de Notícias hoje fala.
Agostinho morreu sem ver fim de processo com 26 anos- é o que se lê em título e manchete.
Agostinho morreu sem ver o fim do processo, que moveu contra o Estado por violação do direito de Justiça em prazo razoável. Só agora, 26 anos depois, é que os tribunais acabaram por lhe reconhecer a razão e decretaram uma indemnização de 10 mil euros. Acontece que, como já vimos, Agostinho morreu entretanto.
O que aconteceu a Agostinho foi que foi atropelado em 1980, esteve em coma e foi obrigado a reformar-se por invalidez. Tinha 49 anos, era carpinteiro e tinha uma mulher e uma filha para sustentar. Três anos depois do acidente, decidiu avançar com um processo cível, contra o responsável pelo atropelamento e contra a companhia de seguros do carro que o atropelou. Esperou 4 anos. Do tribunal nenhuma resposta , nem sinais do processo avançar mais depressa. Já em 87, disseram-lhe que o processo tinha desaparecido, só voltou a aparecer dez anos depois, num armário de uma coisa que o jornal chama, entre aspas , “ a ex-Câmara de Falências”. Seja lá isso o que for….
Já em 2003, conseguiu-se finalmente um acordo e a seguradora pagou-lhe pouco mais de 3 mil euros de indemnização.
Pouco convencido, resolveu então interpor uma acção contra o Estado, pela demora da Justiça… A demora.. os 20 anos que correram entre o julgamento em primeira instância e o acordo com a seguradora. A essa queixa, os tribunais responderam-lhe com mais uma espera de 6 anos, até concluírem, agora, que tinham, de facto, demorado tempo demais a julgar a matéria…
Mas finalmente, dia 9 deste mês, fez-se luz. Os juízes acabam de lhe dar razão e condenaram o Estado a uma compensação de 10 mil euros, pela demora dos tribunais… Acontece que Agostinho morreu, em Outubro do ano passado.
Ora, tivesse ele queixado-se de outra coisa, que não a morosidade da Justiça, e outro galo teria cantado. Tivesse ele reclamado por ofensa ao bom nome, ou que lhe estavam a querer limitar a reforma a 5 mil euros por mês… e o assunto tinha-se despachado bem mais depressa.
mentes brilhantes
Vem no DN e não explica muito mais que isto… Vamos ler: “Investigadores evidenciaram o papel da música como manifestação identitária e de agregação e entendimento entre as pessoas, mas também como instrumento de violência e manipulação, quase como uma arma de guerra, declarou o musicólogo Mário Vieira de Carvalho.”
Ora bem, perante uma conclusão tão surpreendente, percebe-se que o jornal tenha achado desnecessário dizer também , porquê, quando, onde, a que propósito *. Trata-se de facto de uma descoberta quase revolucionária, esta, da música ter um papel de manifestação identitária e de agregação e entendimento entre as pessoas, ao mesmo tempo que serve também de instrumento de violência e manipulação… Só mesmo investigadores sérios e credenciados poderiam chegar a uma conclusão tão espectacular… Só mesmo um musicólogo conceituado, para ratificar tão brilhante conclusão.
* Conferindo com um telex da Lusa, descobre-se que tudo se passou na Culturgest, num encontro internacional sobre a sociologia da música, que reuniu gente de 45 países, entre a última quinta feira e sábado que passou... Claro que o leitor regular de jornais, nomeadamente do DN, não tem acesso aos telexes da Lusa!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Feeesta !
É uma notícia breve e também não a vi em mais nenhum lado, senão no Correio da Manhã.
Festas da Gripe – é o assunto.
Festas da gripe em vários países – lê-se em título.
Em vários países da Europa, nos Estados Unidos também, estão a realizar-se Festas da Gripe. Como o nome indicia, são festas que reúnem pessoas com gripe. Mas não uma gripe qualquer… São pessoas infectadas com o vírus H1N1. Em festa e à mistura com outras pessoas saudáveis, que querem ser contaminadas, na esperança de assim ganharem defesas e imunidade ao vírus. Uma espécie de vacina artesanal e , ao que parece, mais divertida que uma injecção no braço, ou umas gotas de um líquido amargo debaixo da língua…
O jornal adianta que não são conhecidas, por enquanto, festas destas em Portugal, mas a ministra da Saúde, Ana Jorge, ou já sabia , ou ficou a saber e já comentou.
Diz que esse procedimento não deve ser adoptado, porque ainda não se sabe tudo sobre esta doença – a gripe A – embora pareça que tem sido benigna. As autoridades de saúde acham também que, ideias destas, são perigosas.
Ora, festas fazem-se por tudo e por nada e com os temas mais disparatados e inverosímeis … mas, neste caso muito concreto, há de repente uma ideia, que se destaca e que não deixa de ser curiosa e quase estimulante. Num cenário de ameaça , de fim do mundo mesmo… numa situação extrema e sem saída, ou solução… que fazer? Colamo-nos todos muito assustados, juntinhos uns aos outros, à espera do Apocalipse?… Ou então, já que estamos aqui todos, porque não fazemos uma festa?... Assim como assim, amanhã o mundo acabou , ninguém tem de se levantar cedo...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Haja saúde !
A história abrevia-se assim… foi ao hospital, queixando-se de uma hérnia na coxa e cinco dias depois morria, de um edema pulmonar, por erro de diagnóstico.
A família protestou e o tribunal acabou por condenar dois dos médicos envolvidos no processo. É a manchete de hoje no Jornal de Notícias: “Tribunal condena dois médicos por homicídio.”
“A negligência clínica provocou a morte de mulher de 76 anos, no hospital de Viseu”, explica depois o sub título… “o tribunal decretou uma multa de 25 mil euros a cada um dos dois médicos condenados”. A multa substitui assim , uma pena de prisão de 6 meses.
Ora, no desenvolvimento da notícia, conta-se um pouco do atribulado processo que levou à morte da senhora.
Chegou ao hospital de Viseu, no dia 16 de Julho de 2001- já lá vão 8 anos, portanto – o problema era uma hérnia crural estrangulada na coxa. Faltaria um quarto para o meio dia, mais ou menos. O problema da hérnia constava já no historial clínico da doente… nada de novo portanto. O problema eram as dores abdominais muito fortes, acompanhadas de vómitos e febre. Consta que, logo na triagem, a remeteram para o Centro de Saúde da área de residência, onde a medicaram como se tivesse apenas uma indigestão, provocada por qualquer coisa estragada, que tivesse comido e mandaram-na para casa. As dores não passaram , antes pelo contrário e a senhora voltou às urgências. Eram quase 8 da noite, nesse 19 de Julho – 3 dias depois… Foi então vista por estes dois cirurgiões, agora condenados… Disseram-lhe na altura que o problema era uma reacção aos anti inflamatórios e dispensaram exames complementares de diagnóstico. Diz o JN que , já com sinais de desidratação, a doente foi mandada para casa, com uma carta para o médico de família, aconselhando uma endoscopia.
Passados dois dias, a 21 de Julho, as dores violentas levaram-na a um médico particular, onde, diz o jornal, a senhora acabou por desfalecer a meio da consulta. O INEM levou-a de emergência para o hospital… directamente para a sala de ressuscitação.
Morreu no dia seguinte, logo pelas 7 e meia da manhã, de um edema pulmonar agudo.
Ao todo, havia 8 médicos implicados neste percurso e neste processo, mas o tribunal acabou por sentenciar apenas dois deles… O hospital foi também sancionado e obrigado a pagar uma indemnização de 16 mil euros à filha da vítima…
Ficou provado, que a morte se teria evitado com um diagnóstico correcto e uma terapia adequada.
Quanto à sentença… já vimos. 25 mil euros de multa a cada um dos médicos, para lhes evitar os tais 6 meses de prisão efectiva… Ficou também a perceber-se, que se passaram 8 anos, desde o dia dos acontecimentos, até ontem, dia em que foi conhecida a sentença do tribunal… mas isso talvez não seja assim tanto de espantar, a morosidade da Justiça... A interessante novidade é ficarmos a saber quanto custa em Portugal um crime de homicídio por negligência… 25 mil euros… ou, talvez mais correctamente, 66 mil euros…. 25 mil de cada médico, mais os 16 mil do hospital.
Outro pormenor – talvez despiciente – é este.
Lembram-se?... Faltava um quarto para o meio dia, quando a senhora foi pela primeira vez às Urgências… umas 8 da noite, quando lá voltou a segunda vez e a mandaram para casa, sem mais exames do que a recomendação, que fizesse uma endoscopia, que aquilo era estômago, ou por aí…
Onde quero chegar é aqui. Pelo sim, pelo não...não guardem as vossas urgências para as horas das refeições.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
num julgamento em alto mar, o juíz disse: "levante-se a ré" e o barco afundou-se...
Hoje é inaugurada oficialmente a nova Cidade Judiciária, no Parque das Nações, em Lisboa.
E diz o Diário de Notícias que há juízes, que vão faltar à cerimónia, em protesto contra as novas instalações… Diz também, que esta nova Cidade Judiciária custa, ao Estado português , um milhão de euros de renda, por mês…
Mas não consta que seja esse o motivo do protesto dos juízes… Pelo menos destes juízes, que o jornal diz que vão hoje faltar à cerimónia de inauguração… Diz-se, que protestam contra as novas instalações… E elas, as novas instalações, compreendem 11 edifícios, alojando 21 tribunais e serviços, para uma população de 2400 magistrados.
Alguns dos protestos têm a ver com a segurança. Se bem se lembram, ainda há dias se falava do gabinete do magistrado encarregue de dossiers bastante sensíveis, como o caso Freeport e a operação Furacão e outros ligados ao crime violento, que trabalhava num gabinete sem segurança especial e de montra escancarada para a rua…
Mas há outro pormenor, que indigna os magistrados e os leva a protestar, faltando hoje à cerimónia oficial…
E a indignação tem a ver justamente com a falta de dignidade.
Diz o DN, que são 16 juízes das varas Criminais de Lisboa, incluindo a própria juíza presidente, Ana Teixeira da Silva.
O jornal cita a carta, que a magistrada enviou para o ministro António Costa… E diz assim: “Deixámos um edifício histórico, para passar a ocupar um imóvel sem dignidade para albergar um órgão de soberania.”
Ora, a Boa Hora, se bem se lembram, é de facto um edifício com muita História, ao contrário desta Cidade Judiciária, acabada de estrear e concebida para o efeito.
A Boa Hora começou por ser um convento.
Foi fundado em 1633, por D. Luís de Castro do Rio, no antigo sítio conhecido por “Pátio das Comédias”, mesmo ao lado do Palácio do Conde de Barbacena. Aí viveram os padres dominicanos irlandeses até 1659, altura em que foram transferidos para uma nova casa no Corpo Santo. O convento foi então cedido aos irmãos da Congregação de S. Filipe de Néri até 1677 e aos Reverendos Agostinhos Descalços, que entraram em Portugal sob a protecção da rainha D. Luísa de Gusmão.
O terramoto de 1755 danificou muito o edifício, obrigando a sua reconstrução. Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, o convento serviu de quartel ao 1º Batalhão dos Voluntários do Comércio, de sede da Guarda Nacional de Lisboa, para finalmente ficar na dependência do Ministério da Justiça, transformando-se no Tribunal da Boa Hora.
E isto, que acabei de escrever, copiei da Internet, de um site do departamento de arquivos da Câmara Municipal de Lisboa.
Ora, convenhamos que um edifício assim terá forçosamente uma outra dignidade. Dignidade que lhe é conferida por uma longa História de acontecimentos. Por ali passou muita gente , por ali passou já muita coisa, umas mais dignas que outras, eventualmente… consta que os julgamentos sumários, os Tribunais Plenários que aí se fizeram durante o Estado Novo, não seriam coisa para dignificar grandemente ninguém, a começar por alguns dos próprios magistrados envolvidos nesses processos... mas isso já lá vai.
Agora a questão é que, esta nova Cidade Judiciária, no parecer de alguns, não tem a dignidade necessária a um órgão de soberania.
Talvez não tenha.
Um tijolo, só por si, ou uma viga de cimento, ou até mesmo uma porta envidraçada, de abertura automática, pouca dignidade poderão ter, à vista desarmada; mas também a esses, só se pede que funcionem e cumpram a sua função. Se o fizerem, condignamente, talvez o reconhecimento e o louvor acabem por chegar.
Talvez depois e não antes, se possa olhar e dizer: “Sim senhor! Isto é que é uma viga de cimento em que se pode confiar… coisa digna! Digna de se ver.”
Mas primeiro, há que prestar e vencer a prova… estar à altura da distinção.
Mas enfim, para não fugir ao assunto e em homenagem e memória do Velho Convento dominicano da Boa Hora, deixem que cite um provérbio português que diz assim:
“O hábito não faz o monge.”
terça-feira, 21 de julho de 2009
amén ...doím! e oxalá.
Vem no Público, que o abaixo assinado vai ser hoje entregue, em carta aberta aos partidos...
Um abaixo assinado de mais de 60 personalidades católicas, que reclamam saber o que pensam os partidos com aspirações parlamentares sobre os chamados temas fracturantes, como a protecção da família, ou o respeito incondicional pela vida humana.
Tudo em nome de uma responsável tomada de consciência do cidadão eleitor, quanto à escolha acertada, na hora de ir a votos. Para que os eleitores saibam, clara e inequivocamente, o que cada partido pensa e pensa fazer, em relação a essas matérias.
Já em 2005, em período pré eleitoral, se lançou uma carta aberta, apelando ao voto com discernimento responsável. Na altura a preocupação – escreve o Público – era o aborto, os casamentos homossexuais ou a adopção por casais homossexuais.
Hoje, o problema da adopção foi adiado para outras núpcias e legislaturas, enquanto a interrupção voluntária da gravidez já foi a refendo, com o resultado que todos conhecemos.
Em 2005, a carta era dirigida aos eleitores, desta feita é dirigida aos partidos.
Pedem-se respostas claras, para que o eleitor cristão não traia a sua consciência, no acto de votar…
Por isso querem…. Deixem que vos leia a transcrição: “saber o que pensam os partidos sobre a defesa e a protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher e o que pensam do respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas.”
A carta aberta, continua o Público citando os subscritores do documento… a carta aberta é um contributo para que as opções dos partidos sejam mais transparentes, sobre matérias de grande importância para todos os cidadãos e não só para os católicos…
Ora, acontece que, nesse particular do respeito incondicional da vida humana em todas as suas etapas… há um pormenor que, mais que a vontade dos partidos , foi já objecto de veredicto popular… falo da lei da interrupção voluntária da gravidez. Já foi a referendo e tudo o que os partidos prometam ou defendam, nessa matéria, terá de levar em linha de conta – creio eu – a vontade popular, expressa em referendo…
Do resto - e o resto inclui ainda o caso do testamento vital, ou o desemprego, ou o combate á corrupção…
Do resto, os partidos podem responder o que quiserem, podem comprometer-se com o que quiserem, podem prometer e garantir o que quiserem…e geralmente - quanto mais não seja por uma questão de sobrevivência – todas as promessas são de bom augúrio… Aos católicos, resta-lhes talvez rezar, para que os partidos as cumpram a todas, religiosamente.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
vá de retro... (em geral)
Antes que me esqueça, deixem que vos conte desta investigação em curso, da polícia de Nuremberga
Tudo por causa de um pequeno gnomo, de uma pequena estatueta de um gnomo exposta numa galeria da cidade. Acontece que o gnomo em causa, um dos 700 gnomos expostos, tem o braço direito esticado em frente … diz que, como se estivesse a fazer a saudação nazi. A lei alemã proíbe qualquer símbolo que remeta vagamente que seja para essa memória… É por isso que agora se pede ao autor da obra e ao dono da galeria que expliquem claramente qual o significado desse braço esticado… Esticado, como se estivesse a mandar parar um táxi, ou um autocarro.
Esta outra vem na última página do DN de hoje, a fotografia. Diz a legenda: Catadores da vergonha em Maputo. E a fotografia mostra 3 rapazes cobrindo o rosto com vergonha.
Chamam-lhes os catadores do lixo e chegam a ser aos milhares na lixeira do Hulene, que recebe todo o lixo da capital moçambicana. Mulheres, crianças procuram tudo o que possa ser reaproveitado em casa, ou vendido para reciclagem…
Este 3 rapazes, na fotografia, cobrem o rosto com vergonha, diz o jornal…
Que o dia nunca chegue, o dia em que estes rapazes se deixem fotografar de rosto descoberto. Já sem vergonha de serem apanhados a catar no meio do lixo, a sobrevivência… sem vergonha, resignados e vencidos e sem esperança.
E agora a gripe A e os rituais da missa católica.
Faz capa no Público hoje e diz que o cancelamento de rituais abre polémica na Igreja.
Ainda na capa lê-se que ontem, pelo menos nalgumas igrejas, o ar cheirava à solução alcoólica, com que os sacerdotes lavavam as mãos, no altar, antes de começarem a distribuir as hóstias… Diz que os ajudantes receberam instruções para lavar as mãos com água e sabão na sacristia , antes de as passarem pela tal solução alcoólica desinfectante.
Por causa do perigo de contágio, há cada vez menos pessoas a pedir aos sacerdotes a comunhão na boca… o que, convenhamos, se as mãos do sacerdote não estiverem convenientemente desinfectadas, de pouco deve adiantar… O que , aliás, levanta outra questão… onde se lê que os ajudantes da missa receberam instruções para lavarem as mãos antes da cerimónia… uma cerimónia que implica, como vimos manipular objectos de uso partilhado, ou mesmo hóstias, que hão-de ser ingeridas pelos fieis… ora, onde se lê, que receberam instruções para lavarem as mãos com água e sabão antes … deverá ler-se que, “antes” não o faziam? Ou que esse princípio básico de higiene era deixado ao livre arbítrio de cada um?...
Depois temos ainda D. José Policarpo, que no meio da polémica vem esclarecer o assunto com esta frase lapidar, que o Público transcreve… diz o patriarca de Lisboa que “a Pastoral da Saúde não tem competência para alterar ritos, nem para dar normas de alterações das regras da liturgia”…
Pois, a Pastoral da Saúde talvez não tenha, mas o bom senso e a saúde pública, pode ser que seja já outra conversa.
Porque, se o reino de Cristo não era deste mundo, o vírus AH1N1 é deste mundo e é neste mundo que ele faz os estragos. Um vírus sem deus nem Pátria, que não se intimida com esconjuros nem com exorcismos.
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
mais que brilhante, uma ideia reluzente!
O Diário de Notícias puxa a matéria para a primeira página e é a negro carregado, que o título anuncia, que os médicos portugueses vão ser pagos para reduzir as listas de espera do cancro…
Enfim, não é certo. É só uma hipótese… aliás, uma das hipóteses em aberto.
Ora, no essencial, o que se passa é o seguinte. Disse Pedro Pimentel, ao DN – Pedro Pimentel é o coordenador das doenças oncológicas… Disse então que está a ser estudada uma solução, para diminuir os tempos de espera por uma cirurgia, em casos de doenças oncológicas. Neste momento já ninguém tem dúvidas que, em 5 dos 11 hospitais, com maior actividade cirúrgica, 40% dos doentes espera mais do que a lei prevê e determina. A conclusão é oficial e é subscrita pelo Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia--- o SIGIC, com quem aliás, este programa está a ser estudado.
E o programa…. A ideia… passa então por atribuir incentivos às unidades do Serviço Nacional de Saúde e às respectivas equipas médicas… ou seja, segundo Pedro Pimentel… “contratualizar produção adicional às unidades através de incentivos às equipas médicas”… soa a horas extraordinárias… como quando um empreiteiro precisa de acabar uma obra mais depressa para uma qualquer inauguração, ou quando há uma qualquer urgência em descarregar um contentor, num armazém de secos e molhados… ressalvando, claro está, todas as distâncias e diferenças. A começar pela própria matéria prima em questão.
Mas, neste caso, "contratualizar produção adicional" soa a que, da mesma forma, se houver dinheiro para pagar umas horas extraordinárias, o problema das listas de espera resolve-se.
O próprio responsável, Pedro Pimentel, reconheceu, às televisões, que está convencido que o Serviço Nacional de Saúde tem condições instaladas para o fazer.
Mas!
Diz aqui que… mas.
Mas , outra solução será talvez a mais provável…
Um programa semelhante ao da cirurgia da banda gástrica, em que se propõe o pagamento de um pacote de tratamento completo, que inclui as consultas, a cirurgia, o internamento e eventualmente a quimioterapia, ou radioterapia… Acrescenta-se que, se a ideia for aprovada pelo Ministério da Saúde, entrará em vigor para o ano e – espera-se – vai acabar com os atrasos na resposta.
E, pelo que aqui está escrito, esta será a opção mais provável.
Na prática, explica-se entretanto, as unidades receberiam determinada verba, organizariam os recursos necessários e teriam de assumir resposta num tempo pré-determinado, de acordo com as recomendações…
Ora, do que se sabe, as recomendações já são conhecidas e há, ao que parece uma percentagem razoável de casos em que de pouco servem…. As recomendações. Lembram-se? Em 5, dos 11 hospitais com maior actividade cirúrgica, 40% dos casos ultrapassa o tempo de espera, que essas mesmas recomendações determinam… aliás , mais que recomendações, trata-se de uma portaria – que o meu dicionário diz que é um diploma oficial assinado por um ou mais ministros, em nome do Chefe do Estado.
Mas não. Considera Pedro Pimentel que – nas condições que vimos… pagando de avanço todo o processo -o pacote, como lhe chamaram… o pacote de tratamento… aí, as unidades já conseguiriam organizar as equipas médicas, de forma a reduzir as lista de espera, ou melhor, o tempo de espera para essas cirurgias.
E, se bem repararam, estamos de novo a falar em dinheiro. Em pagando, arranja-se.
Contornemos tranquilamente a lógica, que suporta tão curioso raciocínio e engenhoso expediente e deixem que invoque, uma vez mais, a sabedoria popular, que diz que:
“Quem paga adiantado é mal servido.”



