sexta-feira, 26 de junho de 2009

Manuela, a refundadora da Nação

Vem no I , com fotografia da própria e este título breve:; “Manuela fala ao PSD”.

É natural que o faça, já que , a Manuela de que se fala, é dirigente máxima do partido. Manuela Ferreira Leite, que, diz o jornal, já sente que o PSD é uma alternativa de poder (bom, enfim, disso nunca ninguém teve dúvidas, que o PSD, quase desde que a democracia foi reinstaurada em Portugal, é uma alternativa de poder, neste regime de alternância, a que nos fomos habituando… PSD, PS, de vez em quando uma coligaçãozita ao centro, ou mais descaída para a direita, ou mais a pingar para a esquerda… por aí… mas prossigamos a leitura… que é uma alternativa ao poder e prometeu (Ferreira Leite, claro) ontem, aos militantes – abrem-se aspas… “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social”... fecham-se as aspas , para se reabrirem já de seguida, sublinhando uma declaração ainda mais fulminante: “Vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país”… aqui, o jornal diz que- garantiu.

Não vai portanto sobrar pedra sobre pedra… Porque, para a líder social democrata, parece não haver nada que se aproveite, nada que mereça ser sequer readaptado à ideologia e método de trabalho do partido que dirige.

Da última vez, que ouvimos assim um discurso tão radical, não foi ainda há tanto tempo assim. Lembram-se?... Isto está muito pior do que imaginávamos… isto não vai lá senão com duas legislaturas… é que o país está … isso … Que o país estava de tanga… um descalabro, que só se resolvia em dois mandatos… Do resto, também devem estar recordados.

Outro discurso, a que também já nos habituámos, é o que – enfim, não exigindo logo à partida essa garantia de prolongamento de tempo - vai dizendo, mesmo assim, que metade da legislatura se gasta a remendar os erros herdados da anterior gestão, do anterior governo… metade do tempo a reequilibrar a barca da Nação e a estabilizá-la no rumo certo… depois, claro, se quando chega a hora da verdade, o balanço deixa a desejar… pode sempre dizer-se que foi por falta de tempo e que foi culpa das Oposições, se não se conseguiram os resultados prometidos.

Mas agora não. Porque Ferreira Leite sabe que pode contar com uma nação valente, que não se intimida, nem vira a cara aos grandes desafios, aos heróicos feitos… uma nação que vergou Adamastores, uma nação que deu ao mundo a boa esperança, onde antes rugiam tormentas… É por isso que Manuela Ferreira Leite pode prometer aos militantes que, se chegar a S. Bento pela porta grande, vestirá essa personagem de exterminadora implacável .

Há-de ser – se for – muito mais estimulante, heróico mesmo, convenhamos, do que esse outro cenário, de um país de tanga e encolhido, escondendo as vergonhas, para a Europa e o resto do Mundo não verem.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

fuck off rockabilly

A iniciativa era do jornal, por isso acabou a chamar-se, ao encontro, o "Ifórum".

Um encontro realizado ontem, no museu do Oriente em Lisboa, patrocinado pelo jornal "I" e que se propunha discutir e debater o futuro de Portugal.

Por lá passaram figuras mais ou menos conhecidas e relevantes da actualidade… Biz Stone, o criador do Twiter, a mais recente e muito popular rede social da Internet. É considerado, pela Time, uma das pessoas mais influentes da actualidade.

Outra presença, aguardada com expectativa, era a de Nassim Taleb, o libanês radicado nos EUA, ex-corretor da bolsa, filósofo e autor do "Cisne Negro”, um livro que tem sido um êxito de vendas.

E entre as presenças portuguesas… chegamos ao que vínhamos… entre os convidados portugueses estava Joe Berardo. E foi enquanto empresário e investidor que tomou a palavra, no painel de arranque e – diz o jornal I, na edição de hoje, em balanço do encontro que… "Berardo foi igual a si próprio"… esta expressão é curiosa e magnânime… quer dizer, dá para dizer tudo, do melhor ao pior… vamos a ver o que será desta vez...

Diz então o jornal que Joe Berardo tomou a palavra e arrasou a regulação, usando, como ponto de partida , exemplos da sua própria vida profissional.

Passemos á citação… respeitem-se então as aspas : “ em 1998, o Banco Privado Português fez algo que me beneficiou, mas depois falei com o meu advogado e pedi-lhe: Sell those fucking shares." Fecham-se as aspas e volta-se ao jornal, que diz que foi assim que falou Joe Berardo, logo na intervenção inicial.

E comecemos então por aqui…a forma verbal em causa… Sell – neste contexto é um imperativo. Ora , há uma diferença substancial, entre pedir e mandar. Mas adiante… Diz então o jornal, que o empresário Joe Berardo, logo no painel de arranque do fórum internacional, onde se debatia o futuro de Portugal, terá dito, a propósito, já vimos do quê, que… "sell those fucking shares"…

Seria suposto ter graça, ou tornar o ambiente mais "cosy" – já que estamos com anglicismos… a verdade é que o que saiu foi uma expressão ordinária e sem graça, seja em inglês retorcido, francês erudito, ou português das docas. Uma alarvice a que só faltou a vigorosa coçadela dos testículos, ou um arroto, a acompanhar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a ética é fodido

Ora, os testes da sida nas escolas... A ministra da Educação, escreve hoje o 24 horas, diz que as notícias são alarmistas e que não haverá testes da sida nas escolas.

Já antes, a ministra da Saúde tinha dito que os pais podem decidir, se consentem ou não os testes, mas criticou a posição dos que se opõe, ou levantam reservas… A Associação de Pais, citada pelo 24, responde que não está contra os testes de despistagem, o que está em causa é que é preciso preparar pais e filhos, para a eventualidade desses testes revelarem más notícias.

No JN, repega-se na mesma história e o título anuncia que 5 unidades móveis vão mesmo oferecer testes a jovens junto a escolas…

Continua-se depois explicando que, “ao contrário do inicialmente veiculado, os testes não serão oferecidos dentro das escolas, como fez insistentemente questão de desmentir, ontem, o Ministério da Educação”.

É que ontem, o DN tinha dito que a iniciativa do Instituto da Juventude ia estar em escolas, discotecas e festivais. Essa informação fez levantar uma série de dúvidas éticas, tanto de pais, como de alguns médicos… reclamava-se a autorização de um adulto responsável. O jornal cita depois a responsável pela campanha, a Alta Comissária da Saúde , Maria do Céu Machado, que diz que as unidades móveis vão oferecer atendimento anónimo e confidencial a quem o pedir e que apesar da campanha se dirigir a uma população entre os 12 e os 25 anos de idade… diz que só a partir dos 14 anos é que – do ponto de vista ético – um adolescente tem competência e autonomia para decidir sobre a sua saúde… Também o Secretário de Estado da Juventude se junta à polémica, lembrando que a única novidade aqui é as unidades serem móveis, que de resto, já desde o ano 2000 que se fazem testes e sessões de aconselhamento e com sucesso e sem autorização de ninguém, como requisito obrigatório…

Enfim, as polémicas são assim mesmo, quando começam e ganham balanço …

Pois, do ponto de vista ético, todas as reservas serão admissíveis, que a ética, cada um sabe de si… agora a saúde pública é outra conversa e tem a ver com todos…

E , tendo como seguro que a ninguém vai ser apontada nenhuma bazooka à cabeça, forçando a realização do teste… seria talvez de boa política, ficar a saber-se, do real estado de saúde de cada um , jovem adolescente, ou de maior idade…

Só há duas respostas possíveis, ou o resultado é negativo, ou se despista qualquer foco de infecção, ou doença. Neste caso, o que preferis? Ignorar até ao último momento, ou agir com informação, a tempo e horas?

Preparar-se a gente para as piores notícias…

Bom, esse parece ser um dos princípios básicos de sobrevivência e até se calhar de alguma felicidade, nesta terra. É porque assim, se as notícias, em vez de más, forem boas… a alegria há-de ser 50 vezes maior.

Só uma curiosidade académica… não é verdade, que a avestruz enterre a cabeça no chão para se esconder. É um mito e uma injustiça. Não é a avestruz quem enterra a cabeça na terra quando se assusta e se calhar também não são os macacos que, quando caem à água, se agarram às orelhas!...

terça-feira, 23 de junho de 2009

mais uma para a novela da loira

Isto dos blogues é muito giro mas é uma merda, porque este postigo era para ler-se depois do que lhe vem abaixo. Assim fazia mais sentido, mas que se lixe vai assim na mesma e tem a ver, portanto com a história que abaixo melhor se explica.
Esta é portanto mais uma achega ao que já se disse.
Da afronta, de que Pacheco Pereira fala e do pedido de desculpas que reclama. Também aqui não há uma relação directa de causa e efeito, já que, da afronta, diz o próprio que é o que foi publicado e que o apresentava como a loura do PSD. Diz também que disso não se espanta porque é o nível do costume do autarca de Gaia. O que o espanta, entretanto, se bem que não chegue a considerá-lo nomeadamente como afronta, é o jornal ter publicado essa frase como título, revelando assim uma seriedade abaixo das expectativas do próprio. O próprio, que se sente enganado. Pensava que o jornal era um jornal sério e parece que não. Enganou-se e exige desculpas. Ora, estou em crer que, quem se engana é que costuma pedir desculpa...
Pronto, era só mais isto.

o trolha e a loira burra

Confesso que não sei se o visado o fez nas páginas do próprio jornal, que protagonizou a ofensa. Se o fez ao abrigo de um qualquer direito de resposta, ou indignação. Fê-lo, contudo, no blog que mantém na Internet.

Pacheco Pereira, José Álvaro Machado Pacheco Pereira, historiador, professor universitário e político está indignado e exige um pedido de desculpas.

Mas vamos aos factos. E os factos recuam à edição de Sábado passado do jornal I, que puxava para manchete uma citação de Luís Filipe Menezes, em entrevista ao jornal… Lia-se na manchete- “Pacheco Pereira é a loira do PSD”. Aqui no DN está escrito – “loura” – enfim, é o mesmo, sendo que, acho eu, loura soa menos loira, que loira propiamente dito, mas é loura que aqui está e para o visado vai dar ao mesmo.

Pacheco Pereira não gostou do que leu e agora quer proibir a publicação da entrevista, que ele próprio, entretanto, deu também a este mesmo jornal. Como forma de protesto. Escreveu Pacheco Pereira, no blog pessoal, que não o surpreende a linguagem do autarca de Gaia, que o comparou a uma loura , mas que, um jornal que se pretende sério, escolha uma frase insultuosa para título... isso é afrontoso. Diz que acedeu, em conceder a entrevista, em parte por respeito à entrevistadora, a jornalista Maria João Avilez, mas que se sente enganado, quanto à seriedade do jornal e que, assim sendo, enquanto não houver um pedido de desculpas pela afronta, não autoriza a publicação da entrevista e que já o disse mesmo a Maria João Avilez…

O Diário de Notícias conferiu com algumas autoridades na matéria, desde Aarons de Carvalho, enquanto especialista e professor de Direito e Deontologia da Comunicação, até ao presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas e todos concordaram que, indignado pode estar, mas o que não pode é , legalmente, impedir a publicação da entrevista. Que os argumentos apresentados são paralelos à própria entrevista. Que é ao jornal, que compete decidir onde publicar e que título puxar, para a entrevista de Menezes, Pacheco, ou seja de quem for… Que a frase da polémica é uma citação do entrevistado, no caso, Luís Filipe Menezes e não um comentário, ou opinião do jornal…

E aqui, a verdade é esta… um dos bê à bás do jornalismo é justamente escolher para título “a frase” … aquilo que se destaca, seja pelo inédito, pelo horrível, pelo surpreendente, pelo importante, pela actualidade urgente, pela proximidade, pelo insólito, pelo controverso, pelo inesperado… enfim e em bom rigor também, pelo que mais obviamente impressiona o leitor de passagem e o faz parar e comprar este , em vez daquele jornal. Chamam-lhe, entre amigos… a lei do mercado. Dura lex, molaflex, como se diz...

Depois temos o insulto em si… a afronta, de que se queixa Pacheco Pereira. Sendo que aqui não se explica muito bem, de que afronta se queixa … De facto, pelo menos actualmente, loiro não é, loira ainda menos, que , muito mais que a barba na cara , tudo na fisionomia e vulto de Pacheco Pereira desfaz todas as dúvidas quanto ao sexo. É um homem, não uma mulher.

Sobra, claro, essa outra …a de se invocar a circunstância dessa coloração capilar, como sinónimo de menos clarividência, ou rapidez de raciocínio, ou alguma futilidade... o mito da loira burra. E isso, claro que é uma afronta… para as loiras, primeiro que tudo, para as mulheres em geral, logo a seguir, para quem lança a perfídia, por fim.

Enfim, é pelo menos uma graça de gosto duvidoso, se bem que as próprias pareçam conviver pacificamente com a blague… não havendo, para além disso, nenhum estudo científico, que comprove essa relação causa efeito…

De resto, espantemo-nos nós, já que o próprio diz que não se espanta e até já está habituado … citemos uma última vez Pacheco Pereira… “não me pronuncio, como é óbvio, sobre a entrevista de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende…”

Ora bem, diz que não se pronuncia e acabou por fazê-lo. Disse-o sem o dizer. Como Luís Filipe Menezes, afinal.

bezerrices revisited

E voltamos a ele, mas com cuidado, que isto é matéria sensível, já se percebeu. Muito sensível mesmo. Falo da bezerrada de quinta feira passada no Campo Pequeno em Lisboa, que prometia a presença do famoso bezerrista franco mexicano Michelito Lagravaré, de 11 anos.

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens pronunciou-se contra e a Inspecção Geral das Actividades Culturais acabou por assinar o despacho, que proibiu a participação do jovem toureiro na corrida de Lisboa e numa outra , sábado, em Portalegre.

Diz o Diário de Notícias, de onde recupero a história, que a decisão da Inspecção-geral se baseou no parecer desfavorável da Comissão de Crianças e Jovens… diz também, que agora o empresário do pequeno toureiro ameaça agir judicialmente contra a Comissão de Crianças. Quer que seja autorizado o cumprimento dos contractos que Michelito tem agendados para Portugal e se isso não acontecer, o caso segue para tribunal…

Acontece entretanto – está aqui escrito – que (o melhor mesmo é citar à letra e de meia praça) “o bezerrista franco mexicano foi impedido de tourear quinta feira em Lisboa, com base na inexistência de um atestado passado por um médico de Medicina no Trabalho.”

Perfeitamente. Partindo do princípio, que esse atestado não se limitava a confirmar a menoridade do jovem toureiro, que não é para isso que os atestados médicos servem, para isso há as certidões de nascimento... o que fica? Enfim, o que ficaria, se esse atestado tivesse aparecido a tempo e horas… provavelmente apareceria um documento garantindo que este Michelito estava de boa saúde e em condições de trabalhar… já que de Medicina no Trabalho se trata . E se assim tivesse sido, o que se seguiria? O jovem toureiro já podia entrar na arena do Campo Pequeno?

Ora, se a questão é a menoridade do artista, porque é que se vai dar esta volta sinuosa e acrobática? Porque é que não se diz , muito simplesmente, que em Portugal não há lugar para toureiros de menor idade e ponto final. É proibido e não se fala mais nisso...

E não tanto por ser considerado trabalho infantil, que isso é coisa que temos com alguma fartura em outras arenas , ao que se vai sabendo… uns mais bem pagos, outros nem por isso… uns com mais exposiçâo mediática e em horário nobre nas televisões, outros no discreto aconchego de oficinas semi clandestinas, ou mesmo no recato do lar, ao serão, em família…

Claro que, no caso deste Michelito, a história é decerto outra… deve estar melhor treinado, para lidar com toiros, que muitos meninos portugueses, para trabalhar com algumas máquinas e ferramentas… Deve ser francamente mais bem pago e melhor tratado, que todos esses meninos de que falo e até mesmo, eventualmente, os outros, os das telenovelas e os dos anúncios e os das passagens de modelos e por aí…

E já agora também, se a questão é mesmo a violência e crueldade do espectáculo, porque não se interditam as toiradas a espectadores de menor idade?...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

quando a palavra vale mais que mil imagens

Vem no Correio da Manhã e é uma história triste. Tristemente bela, também. Uma menina norte americana de dez anos tinha um cancro incurável e estava em fase terminal, mas não queria morrer sem ver um certo filme de desenhos animados, acabado de estrear, nos Estados Unidos… Desde Abril, quando visionou o trailer do filme, que deixou expresso esse desejo – esse último desejo – ver o filme antes de morrer. O jornal cita as palavras da própria – “Estou pronta para morrer, mas vou esperar pelo filme.” A empresa distribuidora tomou conhecimento desse desejo e resolveu mandar um funcionário a casa da menina, com uma cópia do filme, para uma projecção especial e privada, só para ela. Diz o Correio da Manhã, que a doença tinha-a já privado da visão, pelo que foi a mãe, quem lhe foi narrando toda a acção, enquanto ela ia ouvindo os diálogos e imaginando o resto.

Do enredo, diz o Correio que conta a história de um velho rabugento, que depois de enviuvar resolve conhecer a América do Sul. E resolve então fazê-lo desta forma original e espectacular… atando balões… milhares de balões à casa, por forma a fazê-la levantar voo…

Diz a notícia, que a menina acabou por falecer, 7 horas depois de ter visto o filme.

Fica essa imagem… uma casa elevando-se no ar, suspensa por milhares de balões coloridos, rumo a uma qualquer América do Sul, ou mais longe ainda, mais alto, mais magnífico, quem sabe… que aqui e ao contrário do que se diz normalmente… a palavra deve ter valido mais que um milhão de imagens.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

prometemos ser breves

andamos em arrumações.
prometemos ser breves.
se não cumprirmos, não será decerto por acaso. até lá, aproveitem para visitar alguns dos amigos do belfaghor, que o belfaghor em verdade não tem amigos, ninguém pode ser amigo de semelhante besta.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

anhucas de boca grande

A história, a notícia vem hoje em mais que um jornal, no de Notícias reza assim: “Cidadão de Leiria votou duas vezes.” Ao que parece, ou se suspeita, poderá não ter sido o único a fazê-lo, mas fiquemos por este exemplo.

O cidadão em causa diz que o fez só por curiosidade. Primeiro, votou na freguesia onde reside actualmente, apresentando o cartão do cidadão, depois – e por curiosidade – foi até à freguesia onde nasceu e reparou que o nome ainda constava nos cadernos eleitorais. Achou curioso e aproveitou para votar outra vez. E não só por curiosidade... diz que votou da segunda vez, porque receou que, não o fazendo nessa mesa de voto, considerassem que se tinha abstido e anulassem também o outro voto que tinha depositado na outra mesa, anteriormente…

Hoje diz que não sabia que estava a cometer uma ilegalidade e confessa-se arrependido. Diz que espera que nenhum mal lhe aconteça, por causa disso. Ora o mal, que lhe pode acontecer, é ter de pagar uma multa e ser condenado a prisão.

Aqui deixem que faça uma pequena pausa, que há aqui umas aspas curiosas… as aspas citam e sublinham o artigo 149 da lei eleitoral e diz assim – “prisão de 6 meses a 2 anos e multa de 20.000$00 a 100.000$00… é verdade que o câmbio em euros vem entre parêntesis (não sei se foi o jornal que o acrescentou, ou se está assim no original, agora o que não deixa de ser curioso é que, 10 anos depois de Portugal ter aderido à moeda única, ainda existam documentos oficiais a falar em escudos. Que é coisa que já não existe em Portugal, em circulação, pelo menos . Adiante.

Entretanto, o porta voz da Comissão Nacional de Eleições diz que, a ser verdade... – é verdade, que o próprio já o confessou – pois que, a ser verdade, este cidadão incorreu num crime de voto plúrimo, que é sancionado como já se viu… multa de 99 a quase 500 euros e a possibilidade de uma pena de prisão de 6 meses a 2 anos. Diz que, sendo pública a infracção – e já o é, os jornais publicam-na o próprio reconhece-a …pois assim sendo, o Ministério Público pode avançar com o processo-crime. Ora acontece também, que o mesmo porta-voz reconhece que houve uma falta séria e grave na Administração. Ou seja, admite um erro informático na base de dados, que controla o recenseamento e que esse erro deve ser corrigido, para se evitar que a situação se repita – de haver um cidadão recenseado em dois sítios diferentes… diz que a mudança de registo é feita automaticamente e que o erro em causa é muito importante e que decorre justamente da automatização do recenseamento eleitoral.

Esta é, por seu lado, matéria da responsabilidade da Direcção Geral da Administração Interna.. pois a Direcção-geral reconhece também, que estamos perante uma situação raríssima e grave e que o caso vai ser comunicado ao Ministério Público e que é urgente tomar as medidas, que evitem a repetição do erro.

O porta voz da Comissão Nacional de Eleições disse entretanto ao JN, que teria de haver muitos mais enganos como este, para que as eleições fossem impugnadas… Mas há essa hipótese em aberto… a de ter havido mais cidadãos a votar duas vezes.

O que acontece, ou o mais certo que vá acontecer é que os outros cidadãos, que eventualmente o tenham feito, o mais certo é deixarem-se ficar muito bem caladinhos… que apesar do erro sério, raro e gravíssimo, que a Administração Pública cometeu e reconhece, não parece que haja muita gente disposta a pagar sozinha o ónus do erro…

Seja em euros, em escudos, ou em géneros.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

touradas e bezerrices

E vamos à tourada.

Diz o JN, que a Associação Animal está contra a utilização de crianças em touradas. Lido assim, sem mais explicação, chega-se a temer o pior… Vamos ao título no Diário de Notícias. “Animal contra toureiro de 11 anos.” Ah bom, a criança é toureiro, afinal! É toureiro, é franco-mexicano , chama-se Michelito Lagravaré e tem 11 anos – isso já sabíamos. A tourada realiza-se amanhã em Lisboa, no Campo Pequeno. Chama-se o evento – “Novilhada de Promoção de Novos Valores” e inclui uma “Bezerrada”, ou seja, vai haver um bezerro na lide. Um bezerro, que há-de ser lidado pelo jovem Michelito.

E é justamente contra isso, que a Associação Animal fez já seguir a queixa para a Autoridade para as Condições de Trabalho. Denuncia-se a participação de um menor no espectáculo e cita-se o Código de Trabalho, que é inequívoco nesta matéria – “um menor só pode participar em espectáculos circenses desde que tenha pelo menos 12 anos de idade e a sua actividade decorra sob a vigilância de um dos progenitores, representante legal, ou irmão menor...” – é o que está aqui escrito – “irmão menor” – também acho que sim, que deve ser gralha… irmão maior, talvez… adiante.

Para a Animal é razoável, a partir daqui, que “a participação de menores em espectáculos tauromáquicos não poderá decorrer em condições menos exigentes”. Invoca-se a Convenção sobre os Direitos da Criança e alega-se que “o espectáculo pode prejudicar a saúde do menor ou o seu desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral, ou até mesmo social” – citámos a citação do JN…

Já o representante do jovem toureiro nega qualquer ilegalidade e lembra que muitas crianças começaram mais cedo até, nas lides tauromáquicas… o JN lembra, por seu lado, os casos dos toureiros portugueses João Moura, que se estreou com 11 anos de idade, ou Francisco Mascarenhas, que começou mais cedo ainda. Aos 10 anos. Este último, aliás, disse ao jornal que em Portugal basta um papel assinado por um dos pais do menor, para autorizar a participação da criança em espectáculos deste , ou outro teor e gabarito.

Agora, convenhamos que é sempre apaziguador e reconfortante saber-se que há quem olhe por nós, quem se preocupe, quem nos defenda, quem salte para a arena e se manifeste , quem nos ame… enfim…. Mesmo que essa dedicação, amor e empenho venham de quem mais habitualmente luta pelos direitos dos animais em geral e, neste caso em concreto, pelo bem estar de novilhos e vacas taurinas… Poderia, a Associação Animal, ter-se indignado só com o facto da tourada se realizar…. Poderia ter ido mais longe e denunciar que, nesta “Bezerrada” do Campo Pequeno, vai ser lidado um bezerro, o que, por outras palavras, vale por dizer que vai ser lidado um toiro de menor idade.

E daí , talvez o espanto seja absolutamente despropositado. Pois se a associação se chama “Animal”… o facto de nunca ter saído a terreiro em defesa de nenhum animal da espécie humana pode ter sido só porque ainda não se tinha proporcionado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

oh mãe! aquele menino bateu-me!

Ora, porque a intervenção em processos eleitorais não consta das atribuições correntes das organizações representativas de interesses, o ex candidato Vital Moreira escreve hoje no Público sobre eleições e grupos de interesse...

E é de facto interessante, o que o ex candidato escreve, nesta coluna regular que mantém no jornal.

Começa por sublinhar, que “uma das novidades das recentes eleições europeias entre nós...” – e estamos a citar –“... foi a interferência directa de algumas organizações representativas de interesses económico profissionais na própria campanha eleitoral. Qual o significado e quais as implicações deste fenómeno?” Pergunta o ex candidato.

E qual o significado e implicações deste outro fenómeno , o do ex candidato Vital Moreira chamar organização representativa de interesses económico-profissionais a uma coisa que toda a gente conhece como sindicatos, ou, no caso, como Central Sindical?...

Continua depois a prosa…

“Salvo erro, pela primeira vez desde a institucionalização do actual regime democrático, um grande sindicato (afinal, sempre era um sindicato!) e uma organização de agricultores convocaram manifestações de inequívoco cunho político em plena campanha eleitoral.” Ora, salvo erro também, contra o ex candidato Vital Moreira, talvez... talvez tenha sido a primeira vez que sindicatos e agricultores se manifestaram publica e ruidosamente, em plena campanha eleitoral, com invectivas de carácter político e não só... agora, contra outras coisas é que já não estou muito seguro, que anteriores campanhas eleitorais não tenham também sido invadidas – digamos assim- por manifestações de reivindicação ou protesto, paralelas ao próprio processo eleitoral em curso… mas isto, claro e sublinhe.-se... salvo erro, uma vez mais.

Continua, o ex candidato Vital Moreira, que uma organização de interesses económicos veio apelar publicamente ao voto contra um determinado partido. Realmente, aqui haverá que admitir que cada um no seu ofício e no seu lugar. Ou seja, apelar ao voto contra este ou aquele partido é tarefa… justamente, deste ou aquele partido, recíproca e eventualmente.

Já no terceiro parágrafo, o ex candidato Vital Moreira denuncia a intervenção directa, dessas organizações representativas de interesses, em processos eleitorais. E aqui o espanto abre a boca e não quer acreditar. Então, as organizações representativas de interesses não devem ter intervenção directa em actos eleitorais?!... E o que são os partidos políticos, senão organizações representativas de interesses?... Salvo erro, os interesses do povo!

A prosa segue por mais 8 parágrafos, página fora… mas fiquemo-nos nós por aqui. E admitamos, antes de mais, que chamar ex candidato ao professor Vital Moreira talvez não seja muito correcto. Porque um candidato a qualquer coisa corre sempre o risco – teórico que seja- de não ser escolhido. No caso de Vital Moreira esse era um risco de tal forma remoto, que nem vale a pena pensar nisso. Candidatos, no sentido mais rigoroso da palavra, poderá dizer-se dos restantes elementos da lista que encabeçou. Esses é que não tinham assim tão certo, o bilhete para Bruxelas. Vital Moreira, nem por isso, só se houvesse un coup d'État, ou o Parlamento Europeu declarasse falência técnica.

E já que de técnica se fala… uma questão técnica. Se em vez de apupos e insultos, nesse 1º de Maio, as tais organizações lhe tivessem saído ao caminho, aplaudindo e dando vivas… que diria o candidato?

“Vêem? As forças vivas estão comigo! Os legítimos representantes dos trabalhadores sabem que eu e o partido que represento etc etc etc...” e por aí fora até Estrasburgo.

Digo eu e salvo erro, pela última vez.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

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terça-feira, 9 de junho de 2009

o burro de Diógenes pisou merda

Tropecei quase por acaso na crónica de Nuno Azinheira, que, para quem não esteja por dentro, escreve sobre televisão, no Diário de Notícias.

O titulo da crónica de hoje é : “Palhaçadas europeias” e tem obviamente a ver com televisão e com as eleições europeias de domingo passado. No caso, reporta-se a crónica à emissão especial da SIC , onde, ao lado dos comentadores convidados, Maria João Avilez, Luís Delgado e Ricardo Costa, se sentou Ricardo Araújo Pereira, um humorista. Escreve então, Nuno Azinheira, que , ou a política é coisa com tão pouco interesse, que precisa de umas palhaçadas para animar… ou a Europa coisa tão árida, que precisa de um cómico de serviço, ou a SIC precisa tanto de audiências, que até se lembra de ter um humorista a comentar resultados eleitorais... A pergunta faz sentido, tanto quanto se a resposta fosse: isso mesmo! Isso mesmo, o quê?!... Isso mesmo, essas três razões ao mesmo tempo. Mas, adiante.

Escreve o cronista, que a aposta foi arriscada, mas acabou por resultar razoavelmente. Diz ainda, que ela retrata um pouco a realidade actual e em duas frentes distintas… Primeiro – revela a necessidade, a avidez (é o termo usado) a avidez da SIC, em surpreender. Bom, aqui deixem que me surpreenda eu também. É que, incluir um humorista no alinhamento do programa é coisa que já não deve surpreender muita gente. Aliás, o próprio humorista de quem se fala é já convidado residente, num programa de rádio, com pretensões também a comentar a realidade e a actualidae social e politica nacional… por isso, novidade, novidade… já foi.

Depois, continua o cronista do DN , revela-se também o retrato de um país divorciado da política. Uma país, onde a voz do povo acha que “eles são todos iguais e só para lá vão para se encherem, todos uns bandidos…” Que é assim, que o povo fala. Sem rodriguinhos e com o coração ao pé da boca. Sim, é certo, que muitas vezes sem o conhecimento correcto e suficiente das coisas sobre que se pronuncia.. É verdade e justo que se reconheça… mas cuidado, vamos agora com cuidado, que o que se segue é piso escorregadio… É que – escreve Nuno Azinheira – e citemos: “Ou seja...” (já estamos a citar) “...ou seja, entre os comentadores lúcidos e inteligentes do painel estava lá um de nós…”

Eu não disse?.. Estava lá portanto “um de nós”! Estavam lá os “lúcidos e inteligentes” e “um de nós”! Um dos, supostamente, não lúcidos, ou menos lúcidos e inteligentes…

Ora vamos lá a ver, camarada Azinheira! Informação é uma coisa… inteligência e lucidez são outra… e nem sempre andam de braço dado… não senhor, nem forçosamente e longe disso. Aliás, como dizia “uma de nós”, no caso, a minha avó, que Deus tem: Um burro carregado de livros até passa por doutor.

Já agora, camarada Azinheira e você, como é que é? É cá dos nossos?...

sábado, 6 de junho de 2009

reflecão


hoje é dia de reflectir,
a que cão dar o biscoito...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Portugal tem futuro. Um dia destes...

Não consta que o chamem para o 10 de Junho, mesmo assim, deixem que vos apresente Arménio da Silva Santos… O JN faz dele o protagonista da última página, que é onde se publicam as histórias de vida de alguns portugueses ilustres desconhecidos. Como é o caso deste canalizador de 58 anos, que passou boa parte da vida a reerguer e a devolver a vida à aldeia onde nasceu, Casal de S. João, concelho de Arganil.

Uma aldeia condenada à desertificação, mas que Arménio Santos, com trabalho, destreza e ousadia – escreve o jornal – conseguiu salvar da morte anunciada.

Sem electricidade, nem água canalizada, a aldeia ia morrendo aos poucos, já que a agricultura e a floresta não chegavam para garantir o sustento do povo. Muitos partiram, mas ele ficou.

O mais próximo que esteve da política, foi quando passou pela Assembleia Municipal, de resto, preferiu meter mãos à obra de forma mais prática e pragmática. Começou por reactivar a Comissão de Melhoramentos da terra… nos tempos livres, ele próprio se lançava à obra de recuperar edifícios e infra estruturas. A custo zero, quer dizer, sem cobrar um real pela mão de obra.

Enquanto isso, ia inventando soluções para angariar fundos e recuperar tradições e promover o desenvolvimento cultural e social das pessoas de Casal de S. João. Hoje, não só já se voltaram a ver crianças a brincar nas ruas , coisa impensável há um par de anos, com há já quem queira investir na terra, até estrangeiros, que já vão chegando, para aí construir casa e se fixarem a viver…

Mas há mais. Já há uma casa museu, uma associação cultural e desportiva com bar e tudo, um parque de lazer, novos arruamentos, electricidade, saneamento básico…

Falta ainda uma coisa. Enfim, hão-de faltar muitas mais, mas falta também e ainda este pequeno embroglio a resolver. É que há um terreno, que foi oferecido por um habitante de Casal de S. João para ser loteado e vendido a preço simbólico, para quem queira construir habitações a custos reduzidos… o terreno há, mas há também e entretanto um problema. Falta resolver uma questão burocrática. para que esse loteamento possa ser feito.

Arménio dos Santos teme que, demoras destas, possam entravar o processo em marcha e que os jovens comecem a desistir de Casal de S. João e remetam de novo a aldeia à condenação e morte…

Arménio da Silva Santos, já vimos que nunca se quis meter muito em política, mas parece que a política insiste em se meter na vida dele… ou antes, a burocracia, a velha prima coxa da política.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

condecora-me as miudezas, oh maravilhosa Marimila

Vem no Público, que a eleição das 7 Maravilhas de Portugal no Mundo está a ser criticada, por escamotear o esclavagismo. Assinam por baixo personalidades como Boaventura Sousa Santos, António Hespanha, ou Miguel Portas. Enfim, a subscrição de protesto já passou as 400 assinaturas e está disponível na Internet, para quem quiser assinar também.

O protesto vem subscrito por professores e académicos das 7 partidas do mundo e critica principalmente o facto de não se incluir, na ficha dos monumentos candidatos, a informação sobre o papel desses monumentos e sítios, na rota internacional do tráfico de escravos. Os exemplos citados são os da Fortaleza de S. Jorge da Mina, no Gana, ou a Cidade Velha da Ilha de Santiago em Cabo Verde, ou a ilha de Moçambique… lugares historicamente ligados à escravatura… Relembra-se que Portugal e Brasil são responsáveis por quase metade, dos 12 milhões de escravos transportados pelo Atlântico… Lamenta-se, que o Governo de Lisboa e as instituições que patrocinam o acontecimento o façam sem cuidar – e citemos – “da dor daqueles que tiveram antepassados seus deportados nesses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”…

Em defesa do projecto, sai o historiador Pedro Dias, da Universidade de Coimbra, o responsável cientifico pela escolha dos sítios a concurso… diz que, o que está causa é uma dimensão estética e lúdica, que do resto, praticamente até ao século 19, houve comércio de escravos em todos esses sítios, o que não é relevante para o concurso. Diz que não se está a esconder, nem escamotear coisa nenhuma; que a escravatura não marcou só a história portuguesa, mas a de toda a humanidade.

E assim se chega ao 10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades – creio que ainda se diz assim...

E o Jornal de Notícias avança já hoje a lista dos que Cavaco Silva, enquanto presidente da República, irá agraciar – creio que ainda se diz assim...

36 personalidades – diz o jornal… este ano serão condecoradas 36 personalidades.

Num dia de Portugal, vamos então ficar a conhecer mais alguns portugueses ilustres, que, por qualquer feito notável, merece a distinção e a honra…

Álvaro Cassuto, o maestro... José Duarte, o do jazz... Francisco José Viegas, jornalista e escritor... Joana Vasconcelos, artista plástica e escultora... Cruzeiro Seixas, Ana Hatherly—estou a deixar de fora e de propósito os nomes de empresários, militares e outros mesteres… mas este não posso passar ao lado. Moita Flores.

Francisco Moita Flores vai ser agraciado no dia de Portugal.
O jornal apresenta-o como criminologista e autarca—é, de facto, o presidente da Câmara de Santarém, onde a cerimónia se há-de realizar. Não é decerto essa a razão… Agora, qual delas será?… A razão. Por ser um autarca exemplar, um criminologista de excelência?... Talvez. A verdade é que, para a maioria do povo português, o autarca criminologista é bem mais conhecido como comentador de televisão e guionista de telenovelas e mini séries...

Mas, regressando rapidamente ao assunto e já que não é de prever que se convoque algum referendo, para se apurar quem é que merece ou não, na opinião do povo português, ser distinguido no dia de Portugal… até lá, fica a sugestão. Para o ano, condecore-se o próprio Povo Português.

Quem, com mais justiça, haveria de ser celebrado no dia de Portugal?!...

Se não sabem onde pendurar a comenda... pendurem-na numa caralho das Caldas, que é um símbolo nacional incontestado.

terça-feira, 2 de junho de 2009

há gajos que não se inteiram...

Duas breves curiosidades… a primeira tem a ver com a campanha eleitoral para as europeias e com a campanha de Vital Moreira, ontem por Mortágua e Santa Comba. Diz o JN que – citemos – “ após um café rápido numa esplanada próxima do largo Salazar, uma mulher saiu ao caminho de Vital Moreira e lhe disse:”Senhor presidente, olhe por nós, faça qualquer coisa pela gente”... ao que o candidato respondeu: “para já é só deputado, depois, quem sabe…” Pois, para começar, deputado ainda não é. Para já é só candidato. Adiante. Ora, uma coisa que esta mulher de Santa Comba já sabe é que Vital Moreira, ou, por outras palavras, aquele senhor de cabelo branco, óculos e bigode não é presidente de coisa nenhuma, pelo menos, segundo o próprio, para já.

Não sei se repararam que, entretanto, o ilustre candidato, a brilhante criatura, a refinada personagem, em vez de parar e gastar nem que fosse o resto do caralho do dia todo a explicar áquela senhora o que andava realmente ali a fazer e o que é que realmente esperam que ela vote e , nem que fosse numa parábola, comparando a merda de parlamento para onde quer ir, a uma colectividade de cultura e recreio, ou outra merda que ela percebesse... preferiu dizer que ainda não era presidente, enquanto seguia caminho, sorrindo como um ciclista, ou uma estrela de Holliwood...

A outra resgato-a ainda do JN e tem a ver com o julgamento, que começou ontem em Gaia, da mulher acusada de ter estrangulado o filho recém nascido e o ter escondido num arca frigorífica.

Foi a própria quem confessou o crime, alegando que não tinha condições para educar mais uma criança – já tinha 3 filhos…

Ontem o tribunal ouviu o depoimento do filho mais velho da arguida. Tem 15 anos e pediu a absolvição da mãe… o pormenor curioso nesta história é que a mulher de quem se fala está outra vez grávida. Em estado avançado de gravidez, diz aqui.

E hoje , é curioso haver mais que um jornal que fala dele, se atentarmos que a efeméride nem é das mais redondas.. vejamos nasceu em 1740, a 2 de Junho, é certo, mas há 269 anos…não rima com nada, mas pouco importa.

Donatien Alphonse François… é dele que o Público hoje celebra o aniversário… e foi ele quem disse – transcrição do Correio da Manhã – que “não há outro inferno para o homem, além da estupidez, ou da maldade dos seus semelhantes”.

O marquês de Sade, morreu aos 74 anos, sendo que, 27 desses anos os passou preso em cadeias, ou hospícios… já fizeram a conta? Dá mais de um terço da vida, encarcerado! Consta que tinha um dom especial, para ser desagradável e inconveniente para toda a gente… desde as autoridades do antigo regime, aos revolucionários de 1789, até chegarmos a Napoleão Bonaparte. Ninguém gramava o filho da puta.

homens e ratos e o fim da macacada

“Gene humano muda o timbre do chiar dos ratinhos” – escreve o I, em título à matéria, que preenche toda a última página da edição de hoje.

A experiência foi feita na Alemanha, nos laboratórios do Instituo de Antropologia Evolucionária Max Planck, em Leipzig.

Criou-se uma estirpe de ratinhos cujo gene FOXP2 – um dos responsáveis pela linguagem – foi trocado pela variante humana…. A versão humana do gene FOXP2 difere da dos ratinhos e chimpanzés e , no fundo, o que se pretende mesmo é descobrir as diferenças essenciais entre macacos e homens… Algumas são geralmente óbvias a olho nu, outras, muitas que, ao que consta nem tanto. Há 20 milhões de diferenças de ADN entre os genomas humano e dos chimpanzés, por exemplo. Mas, para despistar que alterações são realmente importantes… isso só pode ser feito, ao que parece, fazendo experiências noutras espécies animais… e foi o que se fez.

Trocar o gene dos ratinhos pela variante humana não os pôs a falar, mas alterou alguma coisa… por exemplo, sabe-se que os ratinhos pequenos emitem assobios ultrasónicos, quando são separados das mães…quando se sentem sozinhos e assustados… depois desta experiência, o timbre desse apelo baixou de tom e tornou-se mais grave… duplamente grave, diria, já que assim é muito possível que a mãe o não consiga ouvir. Enfim, mesmo se o ouvisse, de pouco lhe valeria, por isso, adiante.

O responsável por esta experiência, já há alguns anosque tinha prometido que, assim que o projecto estivesse concluído, os humanos iam falar com o ratinho cobaia, não prometeu que o ratinho respondesse, até porque a linguagem humana depende de muito mais … da alteração dos genes humanos ao longo da sua evolução , mas o que é surpreendente é que apenas a troca de um gene.. este FOXP2 tenha de facto alterado os sons que os ratos usam para comunicar entre eles…

Seria igualmente interessante, não tanto talvez para a Ciência, mas interessante de igual modo, se se tivesse descoberto a forma de comunicar com ratos e macacos e cães e gatos, mas na linguagem deles e de forma a que eles percebessem rigorosamente o que se lhes dissesse, sendo que também não será menos interessante, no dia em que as cobaias de laboratório conseguirem falar língua de gente , ficar a saber o que elas têm finalmente a dizer, dessa convivência com a espécie humana…