E esta vem no Público, no suplemento de Economia e diz que a TV Cabo está a desinvestir nos clientes que não mudam para o digital.
Dá-se o exemplo do canal financeiro Bloomberg, que desapareceu do pacote televisivo dos clientes da ZON-TV Cabo, que se mantém fiéis ao sistema analógico de transmissão.
Porque ele tem os dias contados… é a explicação da ZON ao jornal Público. Segundo o calendário de Bruxelas, daqui a 3 anos, o mercado vai ser dominado pela televisão digital. O sistema analógico vai acabar em 2012 – é a certeza do responsável da ZON, entrevistado pelo jornal. É assim que explica, que tenha sido varrido do alinhamento, o único canal financeiro disponível para quem ainda não comprou a caixa – a box- que isto em estrangeiro soa sempre mais sério e até parece que funciona melhor… Justificou-se o desaparecimento do Bloomberg, com a entrada da TVI 24 no mercado. Diz que o Bloomberg só interessava a uma minoria de gente com dinheiro, que pode muito bem comprar e aderir ao serviço digital e que por isso resolveu, a ZON, despejar o Bloomberg, para dar lugar à TVI 24, que segundo a ZON, deve atrair muito mais espectadores.
Segue a noticia dizendo, que os últimos dados da própria empresa apontam para um número perto dos 500 mil subscritores do serviço digital, num universo de mais de milhão e meio de clientes do serviço básico. Ou seja, um pouco menos de um terço do total. E este já é um número que representa um aumento de cerca de 30% de aderentes ao digital e em relação ao ano anterior de 2007.
Ora contas aparte e explicações dadas, fica esta dúvida… que nome dar a este facto muito simples… um cliente adere à ZON TV Cabo e escolhe o chamado pacote de canais e serviços que mais lhe convém. Assina o contrato, onde essa mesma lista de canais vem enunciada. Paga o que deve e conforme os termos do próprio contracto e depois, imaginemos que se senta confortavelmente no aconchego da sala, pronto para ver os programas que lhe apetecer, dentro da oferta disponível nos canais que ele próprio escolheu. Acontece que, subitamente, com aviso prévio, sem dúvida, mas sem apelo nem recurso, a empresa fornecedora dos serviços resolve tirar, pôr, mexer, mudar, baralhar e voltar a dar o jogo ao seu próprio interesse e conveniência estratégica comercial. Não se pergunta se a pessoa quer… informa-se que já está.
Ora, em metáfora electrodoméstica, é como se comprássemos um micro ondas e, de repente, o vendedor nos invadisse a casa, pegasse no micro ondas e o substituísse, por exemplo, por um frigorífico, ou até mesmo por uma varinha mágica, daquelas de desfazer batatas para a sopa… Então e o micro ondas?! Oh amigo, nós é que sabemos, você precisa é de uma varinha mágica… seja moderno, homem, que diabo!
E o que preferem os meus amigos? Esta anedota estúpida, ou essa espécie de prepotência instituída?...
A manchete, no Diário de Notícias, diz que o padre Feytor Pinto acha que na Igreja há algumas vozes retrógradas sobre sexualidade… explica-se depois, em subtítulo, que o padre Feytor Pinto quer formação de pais e jovens.
O resto vem na página 13. Vamos lá então.
Aqui é em ante-título, que o padre Feytor Pinto é citado… diz que há muitos padres que não abordam a educação sexual. E, se já reparam, a notícia começa a ficar estranha… Como se pode falar de vozes retrógradas, quando se admite que há quem nem aborde a questão?! Se não falam do assunto, não são vozes retrógradas… são vozes caladas. Mudas. Ou porque não têm opinião formada, ou porque não lhes apetece falar sobre o assunto, ou seja lá porque for, mas, para todos os efeitos práticos, se uma pessoa não fala sobre um assunto, dificilmente se conclui o que ela realmente pensa sobre a matéria. Por isso adiante, que foi o que o DN fez também…
As declarações do padre Feytor Pinto foram recolhidas na Figueira da Foz, ante ontem durante uma tertúlia organizado no casino da cidade. Disse então, o padre Feytor Pinto, que há tantos padres, que acham que não devem abordar estas questões, que têm medo de encarar o problema... Disse também, que essa é a luta que trava há 27 anos… Disse que, por causa disso, se especializou, trabalhou, para dizer aos padres, aos bispos, o que se deve fazer nesta área, extremamente importante para a educação das novas gerações…
Acontece que o padre Feytor Pinto dá entretanto formação a crianças e pais sobre sexualidade, na paróquia do Campo Grande, em Lisboa. Pelas razões que já vimos e porque acha que são os pais, quem precisa urgentemente de formação para assumirem a educação sexual dos filhos.
E tudo parece fazer sentido, se passarmos ao lado desta circunstância. Vamos a ver...
O padre Feytor Pinto acha que há algumas vozes retrógradas no seio da Igreja, quando se fala de sexualidade… e acha também que os pais portugueses é que precisam urgentemente de formação na matéria… ou como se dissesse: tenho o esquentador avariado, o melhor é mandar o frigorífico para arranjar.
O DN relembra entretanto que, estas conferências do casino da Figueira, vão já ficando conhecidas, por declarações “politicamente incorrectas” – o jornal chama-lhes assim. E invoca por exemplo a declaração de D. José Policarpo, acerca dos casamentos de católicas e muçulmanos ou as de D. Saraiva Martins que considerou a homossexualidade uma coisa anormal…
Pelo que fica exposto, dá ideia que seria bem mais fácil, se discutíssemos o sexo dos anjos…!
No Correio da Manhã, o título quaseque induz em erro. “Fátima salva dinheiro depositado no BPP”. Temos milagre?!... Não consta. O dinheiro, de que se fala, é de economias próprias do santuário mariano de Fátima.
Ficamos, portanto, a saber que o Santuário de Fátima tinha conta no Banco Privado Português, o que se dizia só gerir as chamadas “grandes fortunas”. Não consta que fosse dinheiro aplicado em produtos financeiros de alto risco, mas antes numa conta normal. Daí, o ter podido salvá-lo, como escreve o Correio - “Fátima salva dinheiro depositado noBPP”. “O Santuário tinha conta de 5 milhões de euros no banco de João Rendeiro”, continua o sub título… tinha, “mas mudou-o para a Caixa Geral de Depósitos”. Que isto, meus irmãos, às escondidas de deus o diabo tece-as.
E temos aqui duas pequenas histórias curiosas. A primeira vem no Público e diz que a vila de Coruche tenta captar novos habitantes, pela proximidade do novo aeroporto.
O lema da campanha é “Coruche Inspira” e pretende promover, esse que é o maior município ribatejano, o município de Coruche, com mais de mil quilómetros quadrados.
Já para o ano, a Câmara de Coruche vai organizar alguns eventos para atrair os visitantes e, quem sabe, cativá-los e convencê-los a tornarem-se residentes no concelho. Tudo para provar que a vila e o concelho de Coruche são uma óptima escolha e alternativa de residência a Lisboa.
Agora, o curioso de que vos falava tem a ver com esta ideia expressa logo no título… se bem se lembram, dizia-se que “Coruche tenta captar novos habitantes pela proximidade do futuro aeroporto”. É bem verdade que há gostos para tudo! A partir daí, pode admitir-se que haja quem goste… quem goste mesmo muito… aliás, quem faça disso mesmo factor determinante da escolha… o viver ao pé de um aeroporto, com aviões a aterrar e a levantar a toda a hora e a passar por cima dos nossos telhados, fazendo tremer os vidros da janela às 6 da manhã, por exemplo... Provavelmente, aliciante maior só mesmo ir viver ao pé de uma cimenteira, ou uma oficina de bate chapas…
E agora o JN. O Jornal de Notícias diz que a sexóloga Marta Crawford está de regresso aos ecrãs de televisão, a fazer aquilo para que estudou… ou seja… para falar de sexo.
A estreia da sexóloga na televisão deu-se através da TVI e chamava-se, o programa na altura, “ABSexo”. Como o nome sugeria, era um programa em que, alegadamente, se falava, debatia e esclarecia dúvidas e questões consideradas como uma espécie de ABC, ou B, A, Ba do sexo e da sexologia. Desta vez é no novo canal da estação de Queluz de baixo, a TVI 24 – canal de informação. Quanto ao programa da sexóloga Marta Crawford … um programa de sexologia, coisa com uma intenção alegadamente pedagógica... (que não se imagina uma sexóloga a animar um programa de variedades, ou um qualquer divertimento erótico, ou mesmo soft core. Não que seja proibido, mas não seria necessário ir contratar um sexólogo para conduzir um programa desse teor e conteúdo… mas já nos estamos a desviar do assunto.) O programa da sexóloga Marta Crawford arranca hoje, ao princípio da madrugada, no tal canal da TVI e diz que se propõe responder a todas as dúvidas dos telespectadores. Coisa para derrubar tabus e arejar todos os falsos pudores. Enfim, à uma da manhã, não é tarde nem é cedo, é o que se arranja. Mas, catita, na mesma.
Agora, o nome escolhido para o programa. Pois vai chamar-se, ou chama-se, “Aqui há Sexo”. Assim mesmo. Se não fosse, sabermos do que se está a falar e se alguém maldosamente acrescentasse a esse anúncio qualquer coisa como “Aqui há Sexo - e agora com novas bailarinas acabadas de chegar de um país exótico”, ninguém estranhava.
E vem no Público, que a indústria pede corte de acesso à Internet, a quem piratear ficheiros. A verdade é que o alerta inclui a descarga de ficheiros de outras coisas que não só música, mas é de música que se vai falar hoje, no debate que terá lugar na Universidade Nova de Lisboa e subordinado ao tema – como se diz – “A Indústria da Música em Portugal”. O jornal cita as afirmações de um industrial do sector, no caso o músico Tó Zè Brito, que diz que as indústrias culturais não vão sobreviver, se não se tomar essa atitude – de que se fala no título, a de cortar o acesso à Internet aos utilizadores, que coloquem, ou descarreguem da Net ficheiros de música, vídeo, ou de livros, de forma ilegal e não autorizada. Lembra o produtor Tó Zé Brito que, Portugal já tem um quadro legislativo que proíbe os downloads ilegais, mas que não há aplicação no terreno, dessas mesmas leis.
Parece que a maior preocupação são os uploads, que são aos milhares. Para estes casos, Tó Zé Brito defende uma punição exemplar. Já no caso dos downloads, acha que o castigo deve ser proporcional ao número de ficheiros descarregados pelo infractor. Do número de ficheiros e da frequência ou intensidade – como lhe chama… a intensidade da actividade criminosa.
Tudo em nome e defesa dos direitos de autor. Convém que se explique, se ainda o não adivinharam.
Dá-se entretanto o exemplo de outros países da Europa, onde naturalmente o mesmo problema se põe… Inglaterra já ponderou medida idêntica a esta de que se fala agora, mas decidiu adiar a decisão para Outubro, quando se fizer a tal conferencia mundial sobre negócios criativos. Também a Nova Zelândia que se preparava já, no fim do mês passado para avançar com essa mesma medida – a do corte de acesso aos piratas da Internet – adiou a decisão. França e Irlanda é também por aí que se encaminham… e entretanto todos esperam que a indústria e os fornecedores de acesso à rede cheguem a acordo sobre uma espécie de código de boas práticas… aqui surge um outro problema… é que a França já fez as contas e cortar o acesso à Internet, aos infractores, pode resultar num prejuízo, para os fornecedores de acesso à Net… um prejuízo de 70 milhões de euros, nos primeiros 3 anos de aplicação do castigo.
Em remate e rodapé, o jornal volta a citar o produtor Tó Zé Brito, que explica, que o que as indústrias de conteúdos pretendem é que os operadores avisem os utilizadores, que estão prestes a fazer uma operação ilegal, antes de fazerem um download de conteúdo com direitos de autor.
E voltamos ao mesmo. Tudo em nome e defesa dos direitos de autor, que já agora e se me permitem, são parcela residual em todo este processo de criação dos assim chamados bens culturais. Mas é em nome deles que Tó Zé Brito se ergue e pronuncia. Nada a ver com a eventual quebra de receitas nas vendas, a que a indústria se expõe, com a concorrência desta nova e revolucionária ferramenta, que é a Internet. Nada a ver com a manifesta falta de resposta, que a indústria revela, face aos novos tempos e às novas leis de mercado. De forma alguma! Tudo em rigorosa defesa dos direitos de autor… e sabe deus, com que violência nós todos queremos acreditar que é mesmo assim.
E ora aí está uma hipótese de paz para o Médio Oriente! Vem no Público.
“Homens árabes procuram mulheres israelitas para casar”.
Diz que sim e não são poucos.
Dezenas de residentes em países árabes estão a enviar cartas ao ministério israelita dos Negócios Estrangeiros em Jerusalém, à procura de noivas judias. Vinha ontem num jornal de Telavive e é assim mesmo que o Público começa a prosa e a notícia.
Cartas deste género: “Solicito a vossa ajuda; gostaria de conhecer uma mulher israelita para fins matrimoniais…” Neste caso, o pedido é subscrito por um saudita, que o jornal identifica como Abdulah e que, continuando a citar, confessa ter ouvido dizer que as mulheres israelitas são muito bonitas e inteligentes e que por isso está disposto a pagar um dote em camelos, cabras, ou até mesmo dinheiro. Acaba a carta com este apelo pungente: “Por favor ajudem-me”.
Parece que, por ano, são às dezenas, as cartas e e-mails deste teor, que chegam ao ministério israelita dos Negócios Estrangeiros. Ao ponto do ministério ter sido obrigado a alertar as mulheres judias para o monte de problemas em que se metem, ao casar com um árabe muçulmano… Não! Nada disso. Estava a brincar. Isso é o que dizem alguns bispos católicos portugueses; o ministério israelita diz, educadamente, que não é nenhuma agência matrimonial…
Mas não adianta. As cartas continuam a chegar. Da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Iémen, do Iraque… Um árabe, de Bagdad, confessou mesmo que já tem 4 esposas árabes, mas que gostava de conhecer uma judia para casar, garantindo que a convivência entre todas elas será pacífica.
Diz o ministério, que ninguém se acanha a dar toda a informação necessária para ajustar o enlace … nomes completos, moradas, números de telefone e depois, claro, as vantagens. Dos Emirados Árabes, alguém escreveu apresentando-se como homem abastado, dono de uma frota de automóveis, à procura de uma noiva judia em Israel.
Devem ter uma extraordinária imagem no mundo árabe, as mulheres israelitas – é o comentário do Ministério dos Estrangeiros de Israel… Devem ter, já que os homens árabes não se cansam de lhes gabar a beleza e a inteligência, nas cartas que vão mandando.
Ora, o que falta agora? Talvez que, os judeus israelitas descubram a beleza e o encanto das mulheres árabes e comecem também a casar com elas…
Talvez assim se reinvente e resgate do mau augúrio a expressão: “dormir com o inimigo”…
O título é ambíguo, mas, se entrarmos no corpo da notícia, percebemos que se trata de uma máquina humana de venda. Ou seja, uma conhecida e reputadíssima marca de chocolates suíços instalou, na londrina estação de Vitória, uma máquina de distribuição de chocolates com esta particularidade… lá dentro, está um homem fechado, que espreita através do vidro e que através do vidro entrega os chocolates aos clientes transeuntes. O chocolate é entregue por um homem encaixado dentro da máquina. O slogan de publicidade dos chocolates em causa convida as pessoas a fazerem uma pausa, na corrida do dia a dia e comer um chocolate. É a partir daí, que o responsável pela campanha explica a ideia. Diz que – e citemos – “nesta época de crise, as pessoas estão submergidas pela monotonia do dia a dia e mais do que nunca precisam de uma pausa.” Ora aí está, uma declaração lapidar e redondamente falaciosa, como quase toda a publicidade aliás… Que monotonia se poderá instalar, na vida de uma pessoa confrontada com a dúvida, de como vai pagar as contas ao fim do mês, que dinheiro terá amanhã para comer, ou quando soará, para ela também, a hora do lay off, do lock out, do Armagedon, ou do que seja?!...
Já de saída, o DN cita o homem máquina, ou o homem dentro da máquina, ou a máquina humana… enfim, diz o homem, que nunca lhe tinham tirado tantas fotografias. “Conclui orgulhoso o homem máquina” – escreve o DN.
Também os saguins do Jardim Zoológico se fartam de ser fotografados. Também eles se devem sentir orgulhosos, só que ninguém os entrevista.
E em última hora, o DN dá hoje a noticia, da promulgação da lei da eutanásia no estado norte-americano de Washington. Aprovada em referendo, há 3 meses, a lei entra amanhã em vigor. Diz o jornal, que a eutanásia era já legal no estado do Oregon e que Washington vai agora activar todas as medidas necessárias, para evitar abusos na aplicação da lei.
Ora, acontece que de eutanásia nos fala também o JN de hoje. Aqui, a matéria da notícia é o debate promovido pelos estudantes de biologia, da universidade de Coimbra.
O JN cita a opinião do presidente da secção regional do centro da Ordem dos Médicos, o Dr. José Manuel Silva, que terá dito, durante o encontro, que a discussão da eutanásia é uma moda, que decorre das notícias e que o que importa discutir mesmo é o que leva as pessoas a desejarem a morte. Disse ainda o médico, que é muito mais fácil para a sociedade, a solução da eutanásia, do que criar condições para que essa questão não se ponha sequer. Terá dito, o Dr. José Manuel Silva, que é precisa maior humanidade por parte dos médicos, em relação aos doentes… E aqui, se concordarem, começa a conversa a entornar ligeiramente… A humanidade dos médicos, em relação aos doentes, haveria de ser matéria acima de qualquer dúvida ou hipótese de discussão. Mas avancemos e seja o que deus quiser.
Diz, o Dr. José Manuel Silva, que há casos em que o médico nem sequer olha para o doente e, assim sendo, “como é que o poderá sequer ouvir?! …” Defende por isso que, em vez da eutanásia, se deve discutir – isso sim – a distanásia: o prolongamento artificial da vida! Em resposta, Faria e Costa, presidente do conselho directivo da faculdade de direito da universidade de Coimbra... e quanto a ser moda, discutir a eutanásia… responde que essa é uma declaração que vale por um perfeito disparate.
Mas não nos dispersemos. Regressemos à dúvida essencial do Dr. José Manuel Silva. Estranha e interroga-se, porque é que as pessoas querem morrer… Diz que isso é que é preciso saber, descobrir, discutir… Ora, se tivermos como verdadeiras as declarações deste mesmo Dr. José Manuel Silva , ao dizer que há médicos que nem sequer olham para os doentes e que é precisa mais humanidade por parte dos médicos em relação aos doentes… Tomando estas declarações como verdadeiras… Que discussão haverá para fazer, sobre as razões que podem levar alguém a preferir a morte que tal sorte?!...
Adiante uma vez mais.
Vamos às declarações de um outro convidado para este debate. No caso, o padre Virgílio Miranda Neves.
Concordou com o Dr. José Manuel, mas fez questão em dar este exemplo pragmático. Disse, o padre Neves, que “há uma distinção entre matar e deixar morrer”. E não é que há mesmo!?, apesar de fazer uma diferença relativa, para quem morre… Ou talvez não! Em certas circunstâncias, pode ser mais doloroso deixar-se uma pessoa morrer, do que matá-la. Não será bem o caso, no caso da eutanásia passiva, ou seja, nos casos em que se suspende a alimentação, a medicação, a ventilação e outros suportes de vida, todo o processo é feito de forma a evitar ao máximo o sofrimento do doente, se bem que, na maioria dos casos, o doente em causa esteja já em coma, há tempo demais para haver qualquer esperança e a passagem para o outro lado – ninguém pode garantir – mas é bem possível que aconteça, sem que o próprio se aperceba, do que está a acontecer-lhe… Geralmente, são estes os casos em que se fala de eutanásia passiva, em deixar morrer. Os casos de comas irreversíveis.
O padre Virgílio Miranda Neves diz e muito bem, que há uma diferença, entre matar e deixar morrer. Mas a verdade é que, se tirarmos os suportes de vida essenciais à sobrevivência do doente, ele morre mesmo e por acção directa de nós outros, porque lhe cortámos todas as pontes, que o mantinham ligado à vida. Em condições dessas, só mesmo um milagre pode salvar. Claro que, de milagres estará o padre Neves bem mais habilitado a falar. Mas não consta que tenha falado.
Até talvez que eles já nem se lembrassem, os eleitores do grande Porto, mas o PCP lembra-se bem e está – digamos – pouco satisfeito, com o alegado roubo de um slogan de campanha, usado pela CDU no Porto, nos anos 90.
A acusação recai sobre a candidata socialista, Elisa Ferreira, que já disse que não tinha conhecimento, que o tal slogan já tinha sido usado pela coligação democrática unitária.
A frase, o slogan em questão é este: “Porto para todos”.
O JN publica uma fotografia, de um cartaz da campanha de Elisa Ferreira e lá está: “Porto para todos”. O jornal publica também uma cópia de um folheto da CDU, desses idos anos 90, onde se lê: “O Porto para Todos”. Há aqui uma pequena variante, ou seja, a campanha socialista deixou cair o “Ó”, que definia o Porto, a que a CDU se referia na altura, mas isso não chega para marcar a diferença, segundo a denúncia do PCP. O que conta é o essencial da mensagem. E nesse contexto, um “Ó” a mais, ou a menos não resolve nem redime o alegado plágio. O que conta é que alguém se aproveitou de uma ideia de outro, como se fosse sua. Ou, na mais benevolente das hipóteses, alguém se escusou ao trabalho, de tentar inventar qualquer coisa de seu e pendurou-se, no caso, num slogan alheio, mas de alegado sucesso, para fazer campanha em nome próprio. Em qualquer das hipóteses poder-se-á a gente perguntar como é possível um tal descaramento… Sim é possível. E poderemos nós, algum dia perceber porquê e como estas coisas acontecem? Sim, nós podemos.
O que custa mais a perceber é esta fotografia que vem no Diário de Notícias. Os factos resumem-se num instante.
Uma mulher de Vila Verde, freguesia de Arcozelo, terá asfixiado até à morte uma filha recém nascida e enterrado o corpo nas traseiras da casa, nos fundos do quintal. A mulher aguarda julgamento em liberdade, diz o Diário de Notícias.
Mas, a fotografia… A fotografia, que o Diário de Notícias hoje publica a ilustrar a história, mostra o padrinho de uma das filhas desta mulher, agora acusada de infanticídio.
O homem está acocorado junto à pequena cova, de onde a policia terá resgatado o corpo da criança recém nascida. Uma cova muito pequena e ainda aberta, junto a um muro. O homem, com o braço direito apoiado sobre um joelho, deixa cair o indicador em direcção ao buraco aberto a seus pés. Junto da cova está ainda um pequeno sacho, uma pequena enxada. E aqui começa o disparate. O que está ali a fazer aquela enxada? Que nos interessa saber, se a cova foi aberta com um sacho, ou com as mãos nuas da mulher?!...
Mas há mais. Enfim, a expressão não é de todo evidente, ou seja, o homem não está propriamente a rir à gargalhada, mas é com um sorriso que mais se parece, a expressão deste homem. Padrinho de uma das filhas da mulher de quem se fala. O homem está portanto acocorado junto à cova, onde uma enxada caída tenta explicar que aquele buraco foi aberto por mão humana e não por qualquer animal estranho. E sorri. Sorri como é normal que as pessoas façam, quando pousam para a fotografia. Sorri talvez por simpatia com o jornalista e o fotógrafo do DN. Gente que veio de fora, da grande cidade para o entrevistar e pedir mostre lá onde é que foi… E ele mostrou. Acocorou-se à beira da cova, onde a bebé recém nascida foi enterrada e apontando-lhe o dedo tímido, sorriu. Sorriu como se dissesse: “foi aqui”. Como se dissesse… “foi aqui, que a gente encontrámos então o tal pote cheio de moedas!”
Vem no Diário de Notícias, que os ateístas portugueses criticam a canonização de Nuno Álvares Pereira, o santo Condestável.
Em sub título, vai-se explicando que a Associação Ateísta Portuguesa aponta o dedo às provas clínicas do milagre, que levou à canonização do beato Nuno Álvares Pereira.
Dizem que estamos perante um aproveitamento do momento de crise e que, o anúncio da canonização, os deixou perplexos. Dizem também que esta contestação pretende combater o manto de obscurantismo, que vigora em Portugal. O presidente da Associação, Carlos Esperança, diz, em tom de alerta, que os portugueses correm o risco de se transformarem num grupo de beatos que assiste serenamente a tudo isto sem questionar a veracidade do milagre… o milagre, já agora, o milagre de que se fala foi ter curado as queimaduras de uma sexagenária, Guilhermina de Jesus, chamava-se a senhora, segundo rezam as crónicas, que afirmam que foram uns salpicos de óleo, que lhe provocaram as queimaduras… num olho… o esquerdo. Aqui, o presidente da Associação quase que se indigna. Diz-se surpreendido, Carlos Esperança, por a classe médica não ter ainda tomado uma posição na defesa da ciência e da medicina. Diz Carlos Esperança que, se os médicos acham mesmo que um guerreiro pode curar o olho da dona Guilhermina, então não fazem falta as unidades de queimados. Depois, já em tom irónico, diz o jornal, Carlos Esperança sublinha que um vulto histórico da dimensão de Nuno Álvares não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular, quando há tantos amputados, a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e, que isso sim, seria mais relevante para o prestígio de Nuno Álvares.
Ora bem, fica a informação e ainda duas pequenas dúvidas. O presidente da Associação Ateísta Portuguesa apela ao espírito crítico dos portugueses, para não acreditarem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade… isto porque, como também já se disse, os portugueses correm o risco de se transformarem num grupo de beatos, que assiste serenamente a tudo isto sem questionar a veracidade das provas do milagre. E chegamos então à primeira dúvida. Em havendo, as tais provas que a Associação exige e reclama, os ateístas, que a Associação representa, começariam eles também a acreditar em milagres?... A outra dúvida é esta… Nuno Álvares é beato desde 1918… a partir do mês que vem é santo – o santo Condestável. Ora acontece que, a menos que seja outro ( mas não é ), este Nuno Álvares já era santo Condestável pelo menos desde 1959, que foi quando começou a dar nome a uma freguesia do bairro de Campo d’Ourique. A freguesia de Santo Condestável, que nasceu do desmembramento da freguesia de santa Isabel. E também como a santa, o Condestável Nuno Álvares tem direito a uma igreja com o nome dele. A igreja do santo Condestável, em Campo de Ourique. A cúria romana e os ateístas portugueses, parece que foram ultrapassados pela direita nesta matéria.
Em sub título, vai-se dizendo que o homem tem 25 anos, vive sem abrigo na zona de Cascais e que, ao ser detido, mais uma vez pela polícia, e, ao ser ouvido pelo juiz do tribunal, pediu para ir preso, nem que fosse preventivamente. O juiz fez-lhe a vontade e mandou-o para a prisão de Caxias.
Ora, porque é que este sem abrigo de Cascais, toxicodependente – que isto, um mal nunca vem só, diz a sabedoria popular … – porque pediu ele para ir preso?... Porque já se conhece demasiado bem, para saber que, na rua, a tentação é muita e sente que corre um risco permanente, de reincidir no crime?... Por precaução, antes preso que à mercê de tentações perigosas?...
Não será tanto por aí. Diz o jornal, o 24 Horas, que o homem pediu para ir preso, porque, ao menos na prisão, tinha comida e um tecto para se abrigar do frio.
Diz o jornal, que o detido é suspeito de mais de dez assaltos a prédios e habitações e lojas na região de Cascais. Já em finais do ano passado tinha sido detido por essas mesmas razões, mas foi mandado em liberdade. Na altura, foi apanhado em flagrante, dentro de uma igreja na zona de Sintra. Tinha assaltado a caixa das esmolas e de caminho aproveitado para passar a noite na igreja. Antes disso, já tinha sido detido e preso durante dois anos por roubo.
Diz ainda, a noticia do 24, que o protagonista desta história nasceu e viveu parte da infância num bairro degradado da região de Cascais, que entretanto foi demolido para dar lugar a uma urbanização de luxo. Consta também que, nos últimos meses, terá voltado, de vez em quando, ao sítio onde antes se erguia o velho bairro, para assaltar alguns dos apartamentos, que vieram substituir as barracas – a polícia até ironizou a respeito, dizendo que ele nunca esqueceu as origens... Acontece que, segundo o 24 apurou em relação às origens deste homem, sabe-se que nunca conheceu a família. Viveu a infância e adolescência em orfanatos e centros de reinserção social, até chegar à idade adulta e ser largado à sua sorte.
Mas isto é o que diz o jornal… o que ele disse, ao juiz foi muito mais directo e pragmático, ao pedir que o mandassem para a prisão… “Pelo menos lá tenho comida, uma cama para dormir e não passo frio”.
Afinal talvez não! Ou seja, pode ser que não; que se tenha enganado e que as imagens não sejam assim tão pornográficas e atentatórias do pudor, da moral e bons costumes dos foliões que, este fim de semana, vão brincar no Carnaval de Torres Vedras…
Antes, já o Ministério Público de Torres tinha dado provimento, à queixa e mandado retirar, do ecrã do Magalhães, as tais imagens alegadamente pornográficas. O Correio da Manhã publica a fotografia do computador da discórdia. E digo do computador, já que, das imagens em causa, mal se percebe o que representam. Tanto podiam ser mulheres nuas, como foi alegado, como outra coisa qualquer. Duvido mesmo que, na euforia do cortejo e à distância a que os carros alegóricos passam na rua, alguém conseguisse aperceber-se do que realmente estava impresso no ecrã do computador Magalhães. Mas adiante.
Diz o jornal, que a queixa partiu de um morador de Torres, que se queixou à Câmara que, por sua vez, levou o caso a tribunal, onde a magistrada, Cristina Anjos, parece, decidiu que, as imagens em causa, eram pornográficas e como tal deveriam ser proscritas do cortejo. O presidente da Câmara de Torres diz entretanto, que essa mesma magistrada já considera a hipótese de se ter precipitado. Diz que a magistrada se mostrou incomodada, com a polémica e que é provável que venha ainda a despachar no sentido de retirar o labéu ao Magalhães e considerar que as imagens não são afinal pornográficas. A verdade é que – e citamos de novo o presidente da Câmara de Torres… a verdade é que o corpo de delito, ou seja, a queixa foi acompanhada por fotos – e estamos já em plena citação… foi acompanhada por fotos desfocadas, que terão enganado a magistrada, levando-a a pensar que eram imagens pornográficas. Ora, pelo que acaba de ser dito, temos que esta magistrada terá olhado para umas fotografias desfocadas, de umas mulheres alegadamente nuas e concluiu que estava perante um portfolio pornográfico, que deveria ser banido da festa de todos os excessos. Que o Carnaval é isso mesmo. Desde sempre, por tradição e sina.
Já agora e curiosamente, do desfile consta também uma efígie gigante, de Cristiano Ronaldo, vestido à futebolista e sentado, de perna aberta, em cima de uma merda qualquer. Por uma das pernas dos calções, bem visível aos olhos de todos os foliões e folionas de Torres Vedras, aparece um garboso testículo do campeão. Quanto a isso não consta que tenha havido queixas. A Comissão de Festas agradece, que sempre foi mais fácil, lavar a cara ao Magalhães, do que seria cortar os tomates ao Ronaldo!...
E agora salto para as páginas do Jornal de Notícias, onde o casamento homossexual continua a ser notícia, mas agora por causa de uma espécie de sessão de esclarecimento, ou antes, de um debate que aconteceu ontem no Instituto de Malaguês – Malaguês é o nome de uma freguesia de Coimbra.
O mote do debate – justiça lhes seja feita – partiu de uma iniciativa do próprio JN, em conjunto com a Câmara Municipal da Maia e mais um mecenas, no caso o El Corte Inglês. E a iniciativa chama-se, já agora: “Entre Palavras – Fórum da Leitura e do debate de Ideias”.
E foi o que aconteceu… o debate de ideias. De um lado, os que apoiam a ideia dos casamentos homossexuais, em nome do livre arbítrio e da liberdade individual de cada um e da igualdade de direitos… Do outro, os defensores do “não”. Diz o JN, que os adeptos do “não” se mostraram preocupados, com a quebra da natalidade e a eventual e consequente extinção da humanidade.
Ora bem, vamos lá a ver se a gente se entende! O argumento exposto assim desta maneira faz quase todo o sentido, para além de ser vagamente assustador, ao anunciar, de forma tão violenta, o fim do mundo. É bem verdade, que dois homens, por mais que tentem e à luz da ciência actual, não podem gerar descendência… mesmo isto, já vimos que não é bem verdade, que ainda não há muito tempo, um homem engravidou e achou tanta graça, que até consta que quer repetir a experiência. Também no caso das mulheres, a menos que se exclua a inseminação artificial, não é fácil uma mulher engravidar, sem a ajuda de um parceiro macho… Mas, para o caso, isso também não interessa nada. O que talvez fosse boa ideia lembrar a estes jovens alunos é que, não há razão nenhuma directa, ou evidente, para os casais heterossexuais deixarem de ter filhos, só porque os homossexuais resolveram começar a casar-se todos entre eles… Só se for por uma qualquer espécie de pirraça, ou então, mais correcto ainda se calhar, por uma questão de solidariedade… Vocês não conseguem ter filhos, então nós também não os fazemos. Estamos convosco, pá!
Quanto aos alunos, que participaram neste debate, andam no 8º e 9º ano… São miúdos dos seus 13… 14 anitos, por aí... Estão numa óptima idade, para aprenderem estas coisas.
Já se viram expressões mais estranhas, em fotografias de gente em perfeito estado de lucidez e boa saúde. Basta que a máquina dispare no exacto momento, em que o fotografado está a piscar os olhos e que o apanhe então, de olhos semicerrados, para que o resultado seja o de uma pessoa ficar com ar esgazeado, ou mesmo de quem está à beira de uma apoplexia…. Não terá sido esse, o caso. Que o próprio já confessou, que estava sob o efeito de uns comprimidos, que davam sonolência e lentidão de reflexos e raciocínio. Tê-los-á empurrado – como se costuma dizer – aos tais comprimidos, com um copo de vinho, o que se revelou como uma mistura explosiva. E estamos a falar do episódio, que envolveu o ministro japonês das Finanças. A personagem em questão apresentou-se, como se lembram, com manifestas dificuldades de expressão, numa conferência de imprensa, sábado passado, depois de uma reunião com ministros das finanças e responsáveis bancários dos países do G7…Agora, passada a tempestade inicial, acaba de pedir a demissão do cargo. Pedido já aceite e até já há um substituto para o cargo, mas isso é outra história. Para o que nos trás aqui, contam, para já, as declarações do próprio ex-ministro… "Sinto-me terrivelmente mal por ter provocado tais embaraços ao público japonês e ao Parlamento" – fim de citação. O Diário de Notícias continua o texto relembrando e citemos, que esta parte é importante: “o ministro nipónico surgiu, então (então no sábado, claro!) com um aspecto que se assemelhava muito a alguém que estivesse sob o efeito do álcool. O rosto apresentava-se congestionado, o olhar um tanto ou quanto errático…” e por aí fora. Agora, fixemo-nos nesta passagem, em que o DN escreve que o ministro surgiu com um aspecto que se assemelhava muito a alguém que estivesse sob o efeito do álcool. Não diz que o ministro estava visível e inequivocamente embriagado. Diz que se assemelhava muito a quem estivesse sob o efeito do álcool. Ora, o ser e o parecer não serão, parece, sempre e forçosamente a mesma coisa, mas, uma vez mais, não é isso que nos trás aqui.
O que chama a atenção – e é por isso que foram inventados – é o título da notícia. A letra gorda, a que resume o essencial da importância. A frase forte, a ideia central, a informação depurada de todo o acessório. Pois, e o título da notícia, desta que acabámos de ouvir e que o DN hoje publica, é este: “Ministro japonês pede demissão por ter ido bêbado à reunião do G7”. Informação privilegiada, esta a que o DN teve acesso. O jornal diz, lá pelo meio do texto, que este ex-ministro era já conhecido por – citemos: “gostar do seu copo e ser um provocador nato…” Isso já seria conhecido, o que é novidade é que, apesar de todas as declarações oficiais e do próprio jornal reconhecer que a personagem tinha um aspecto que se assemelhava…ao que já vimos… apesar disso, o DN escrever, em letra gorda, que o ministro foi bêbado para a reunião do G7!
Não diz que parecia que estava com o seu copo, nem que estava azamboado, por ter misturado anti histamínicos, ou lá o que, foi com vinho. Diz que o ministro estava bêbado. É verdade que não diz que estava bêbado que nem um casco… diz só que estava bêbado. O ministro, claro.
E, estes aqui, “Estão prestes a entrar em campo”, anuncia o título do 24 Horas. Quem?... A selecção nacional de futebol?!... Não! Quem está prestes a entrar em campo é um novo canal de televisão. Vai chamar-se TVI 24 e, como o nome denuncia, está ligado à TVI. O 24 quer dizer que vai funcionar 24 sobre 24 horas, o que já não é novidade há algum tempo e que se vai dedicar à Informação. A estreia está marcada para o próximo dia 26. A expectativa é naturalmente muita. O director da estação, José Eduardo Moniz, deseja chegar rapidamente aos portugueses. Diz que é essa a meta do novo canal. Um propósito duplamente compreensível. Chegar ao público e de preferência de forma rápida e eficiente é o objectivo de qualquer um, que se lança no mercado; mais ainda, quando o território em que o negócio se move é o da comunicação. Aí, se não se chega rapidamente ao consumidor – neste caso – ao receptor da mensagem… cai-se naquela situação, a que alguns académicos chamam: falar sozinho. É portanto mais que legítima, a aspiração de José Eduardo Moniz, de chegar rapidamente aos portugueses e ao público em geral. Legítima também, de certa forma irreverente e corajosa, a intenção expressa do director de informação deste novo canal. João Maia Abreu – é ele o director de informação – diz que a TVI vai mexer na pacatez da concorrência. E ora aí está uma das coisas boas, ou se quisermos, um dos efeitos estimulantes da livre concorrência e do mercado aberto. Obriga as pessoas a mexerem-se e a não adormecer à sombra dos louros, ou de qualquer bananeira metafórica. Obriga-as a quebrar os marasmos, a ser criativas, dinâmicas, inovadoras… e é isso que, segundo o 24 Horas, Maia Abreu acredita que este novo canal pode vir a fazer. Quebrar o marasmo – “a pacatez da concorrência”. E diz mais… (deveria ter dito "mas", em vez de "e"…) Mas, diz mais, Maia Abreu. Diz que, o objectivo desta TVI24, é ultrapassar a SIC Notícias – ao que parece, a concorrência mais directa. É mesmo essa, aliás, a frase que o jornal escolhe para título, que diz assim: “Objectivo – ultrapassar a SIC Noticias.”
E aqui paramos um pouco.
Do outro lado da porta elas conversam. Conversa de circunstância, conversa de mães… os filhos, a escola…”Então o miguelinho já sabe escrever o nomezinho dele?” “ O miguelinho?.. É o melhor aluno da turma!...” “Pois sim, mas já sabe escrever o nome dele, ou não?”
Diz o Correio da Manhã, que o homem se arrisca agora a uma pena de 3 anos de prisão. O homem é identificado como um ex–emigrante português, de 58 anos e um auto didacta da arqueologia. Diz o jornal que, há já 4 anos que Mário Tavares – é como se chama – escava em terrenos públicos de Valpaços e Chaves, em busca de vestígios de antigas civilizações. Terá encontrado mais de cem objectos de riqueza inestimável – diz o jornal – mas que nunca os tentou vender. Aliás, parece que, face à riqueza histórica dos achados, nem há cotação no mercado para eles. Não forçosamente por isso, mas a verdade é que não vendia, tinha-os guardado em casa. Seriam talvez o seu pequeno tesouro pessoal, o seu pecadilho. Moedas e objectos em barro, granito e bronze e ferro… vestígios das épocas romana e medieval. Diz que usava um detector de metais, para o ajudar nas buscas…
Acontece que a Policia Judiciária acaba de o constituir arguido por, à face da lei especial que regula a matéria, ser crime, o que se chama de violação de vestígio arqueológico. Será essa a moldura, no quadro da situação presente. E é por isso também que este arqueólogo amador – e aqui no sentido, se calhar, mesmo literal da palavra… amador, o que trabalha por amor à arte… é por isso então que, pode vir a ser condenado a 3 anos de prisão. O Correio da Manhã lembra que, já o ano passado, tinha chamado a atenção para este "entusiasmo" – como lhe chama – o "entusiasmo" de Mário Tavares. Foi em Março, que o jornal o entrevistou. Na altura, tinha acabado de descobrir uns artefactos romanos, num terreno particular. Disse, então, que tinha autorização do dono do terreno, para fazer as escavações e que o Estado não tinha, por isso, nada que se intrometer. No caso, a intromissão de que falava, era a do Instituto Português do Património. Disse também que, depois desse episódio, esperava que as instituições competentes promovessem um levantamento do local. Já que, sozinho não o conseguia fazer.
E a notícia acaba aqui. Não diz se, entretanto, as tais instituições, de que falava, promoveram ou não os levantamentos, ou o que fosse… Sabe-se é que, todo o espólio que guardava em casa, está agora à guarda do museu de Macedo de Cavaleiros e que a Judiciária o constituiu arguido, num processo crime de violação de vestígio arqueológico, que lhe pode valer 3 anos de prisão efectiva.
O que se sabe também, apesar de não ter grande coisa a ver com esta conversa, é que o património nacional continua a ser vendido, aos cacos e em peças, para enfeitar casas e jardins de gente com gosto requintado, o mesmo acontecendo a muita arte sacra, neste caso, claro, para gente de gosto requintado e também devotas paixões.
Só uma última questão, enfim, quase tão desgarrada do assunto, como a anterior… e se em vez de o mandar prender, o contratassem para ajudar nas escavações?!...
E, antes que me esqueça, deixem que vos cite Edward Estlin Cummings, poeta, pintor, ensaísta, dramaturgo e norte-americano.
E que o cite, tal como o Público hoje o faz. E diz assim: “Vivo tão acima dos meus rendimentos que se pode quase dizer que vivemos separados”.
Para bom entendedor, esta meia palavra só peca por tardia.
E já que estamos no Público, deixemo-nos ficar só mais um bocadinho, porque é justamente o jornal Público, que hoje anuncia, na primeira página, que mais de 35 mil imigrantes conseguiram a nacionalidade portuguesa, durante o ano passado. Um número 4 vezes superior, em relação ao ano de 2007. O jornal explica este aumento com a entrada em vigor da nova lei da nacionalidade. É por isso que, segundo o jornal, as faces dos portugueses estão a ficar cada vez mais heterogéneas… gente de África, dos Brasis, da Moldávia…
E depois, a fotografia, que o Público escolheu para ilustrar a notícia.
Presume-se que esta mesa, que aparece em primeiro plano cheia de papéis amontoados em pequenas pilhas ordenadas e mais ou menos classificadas segundo o assunto e o andamento do processo, tenha sido tirada numas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, assoberbado, como já se previu, de trabalho, por estes dias…
Não se sabe se a fotografia foi ou não encenada. Ou seja, não se sabe, se esta quantidade enorme de papéis amontoados numa certa ordem caótica sobre a mesa, em primeiro plano, foi de facto posta ali para ilustrar de forma simbólica a quantidade de trabalho com que o SEF se confronta, depois de Schengen e dos acordos de livre circulação. Não se sabe, portanto também e logicamente, se é mesmo assim que os documentos estão arrumados, ao monte em cima de uma secretária…O que se sabe é que, precisamente um dos montinhos empilhados sobre a mesa diz respeito a vistos de Schengen. Sabe-se, porque está lá escrito, garrafal, na página de rosto, que surge na fotografia. Um outro montinho, já quase fora do enquadramento, dirá respeito, por seu lado, aos chamados “Vistos de Estado”, também se consegue ler sem esforço. E pelos vistos há mais, só que na fotografia já se não consegue ver o que está escrito nesse outro que, este sim, já só deixa ver o início da frase. Vistos de… o resto já não se vê. Agora o que não deixa mesmo margem para dúvidas nenhumas é este outro que se destaca bem ao centro do instantâneo. E aqui, a primeira coisa que salta à vista é que, palavra Visto, não aparece. Em vez dela, temos a palavra “Títulos”.
“Títulos caducados…”, para ser mais preciso e rigoroso. E caducados, já agora, há quanto tempo?, para ser só um bocadinho mais exacto… Há muito tempo. É o que está aqui escrito: “Títulos caducados há muito tempo. “
Sejam lá esses títulos o que forem, para o que interessa e mais importa, já caducaram há muito tempo. Há tanto tempo, se calhar, que até já nos esquecemos de os arrumar onde não estorvem. É que, pela fotografia, o espaço livre em cima desta secretária é mesmo pouco para tanta papelada à espera de despacho.
Só mais uma dúvida aritmética… quanto tempo é muito tempo? E bastante tempo? E qual deles é mais tempo? Que pena não termos agora tempo para esclarecer esta quase angústia metafísica…