sábado, 1 de novembro de 2008

MOLOCH & os ORIUNDOS


NO PRINCÍPIO ERA O VERBO
MAS NO FIM FALTA DIZER
SE O TAL VERBO DO PRINCÍPIO
É O VERBO SER OU NÃO SER
QUANDO NÃO FICA EM ABERTO
O QUE PODE ACONTECER
VIR AÍ UM CHICO-ESPERTO
DIZER QUE É O VERBO D'ENCHER

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

É particularmente estranho

É particularmente estranho, o facto de uma notícia destas, não sendo de última hora, não merecer o destaque de manchete na primeira página.

Mas é o que acontece. Não só não abre o jornal, como surge publicada, quase a medo, na direita baixa da última página. È verdade que o jornal, no caso, o Correio da Manhã, fez questão em publicar também a fotografia, aliás, duas fotografias da protagonista da notícia, mas, mesmo essas não trazem, não retratam a maravilhada surpresa, a mais que justificada alegria que haveria de inundar o rosto de Antónia Garrido, a miraculada. Porque é disso que se trata, de um milagre!

Antónia Garrido tem 62 anos, é espanhola e no último 13 de Outubro veio a Fátima, em peregrinação. Foi pedir à virgem que a curasse e lhe concedesse a graça de voltar a andar pelo próprio pé. Antónia Garrido, de 62 anos, diz a notícia que há 30 anos que não conseguia andar. E a Virgem de Fátima operou o milagre. Diz o Correio da Manhã, citando Antónia Garrido, que "quando chegou a casa voltou a andar".

E é tudo. Tudo o que a notícia diz. Das fotografias já vos disse que, também elas deixam uma sensação de que falta qualquer coisa. Numa, a senhora está de pé, apoiada a um pequeno altar de madeira, onde se encontra uma pequena figura da senhora de Fátima. Estará em oração. Como, na fotografia a senhora está em pé, encostada ao altar, fica-se sem saber se a fotografia foi tirada já depois do milagre, ou antes. O facto da senhora estar em pé, não quer dizer nada. Não quer pelo menos dizer que ela já consiga andar pelo próprio pé. Pode simplesmente ter-se encostado ao altar, em equilíbrio delicado, enquanto orava à Virgem. Ou não, pode estar já a agradecer-lhe a graça concedida. Na outra fotografia, tudo leva a crer que estamos já em Espanha, na casa de Antónia Garrido. Sentada num sofá, ela conversa com o jornalista, dando-lhe conta da cura milagrosa. E aqui, já que o momento não requer nenhum recolhimento ou solenidade em particular, seria de esperar que a expressão na cara da senhora fosse iluminada e feliz. Que diabo, segundo se conta, a senhora esteve 30 anos sem conseguir andar!... Hoje tem 62 anos de idade, o que quer dizer que quase metade da vida esteve paralisada até que, a 13 de Outubro passado, numa peregrinação a Fátima, o milagre deu-se e a Virgem devolveu-lhe o dom da marcha.

Ora, onde se quer chegar é aqui. Será assim uma coisa tão vulgar, o que acaba de ser relatado? Falo de milagres. Será assim uma coisa tão vulgar, aquilo a que se pode chamar um milagre? Tão vulgar a ponto de só merecer uma breve referência em fecho de edição. Ou será que em verdade e bom rigor ninguém leva muito a sério relatos destes?... O mesmo será dizer que ninguém acredita realmente muito em milagres e noticias destas o mais que merecem é essa breve nota, quase em pé de página?... Talvez só por uma réstia de respeito, ou porque os factos não aconteceram numa qualquer terra distante, onde nos habituámos a acreditar que vivem os bárbaros e os incivilizados, talvez só por isso é que esta noticia não saltou para as páginas dos acontecimentos bizarros…

Depois, a verdade é que não se devia a gente admirar, se milagres não acontecem mais vezes. Lembram-se da expressão quase apagada de Antónia Garrido? Ela, que havia de transbordar luz e alegria. Que havia de ser o espelho da gratidão e o mais que faz é olhar para o jornalista, como se estivesse a comentar o preço do pão, ou o aumento da pensão de reforma… É normal que não haja mais milagres… com gente tão mal agradecida.

O cronista social.

O cronista social.

Há profissões curiosas e há outras que têm de si, muito mais que aquilo que à primeira vista podem parecer.

No caso, a profissão é a de cronista social.

Uma profissão que requer muito mais que uma redacção escorreita – que isso é quase o mínimo que se pede a quem faz da escrita ganha-pão, ou manifesto.

A um cronista social pede-se ainda uma atenção muito especial, que se distingue e demarca daquela que é exigida a outro qualquer jornalista, ou cronista em geral. Uma atenção dirigida a pequenos e subtis pormenores, a imperceptíveis gestos. Um certo olhar sobre a actualidade e quem a habita. Um olhar que vê, o que escapa ao comum cidadão. Um olhar que vê através do fumo das aparências e não se deixa enganar.

Pois o cronista social do Correio da Manhã tem-no. Esse certain regard.

E, com toda a justiça, o jornal concede-lhe diariamente uma página inteira, onde sob a classificação genérica de Famosos, o cronista social escreve sobre tudo o que sabe, vai sabendo, viu, ou ouviu dizer sobre gente famosa.

Hoje ficamos a saber, por exemplo que a filha de Carlos e Letizia, príncipes de Espanha e das Astúrias, faz hoje 3 anos e já está uma mulherzinha. Famosos sem dúvida e felicidades à jovem princezinha…

Ou então estoutra. E estoutra é que é verdadeiramente interessante, intrigante, e crê-se que particularmente importante. E importante para toda a gente. Não só para aqueles clientes normais e costumeiros deste tipo de informação. Importante mesmo para quem ache que a chamada crónica social é informação menor, descartável… para quem ache que a imprensa cor-de-rosa – como às vezes também se lhe chama – é coisa de gente com pouca cultura e ainda menores aspirações. Coisa menor, coisa sem valor de nenhuma espécie. Pois bem, atentemos então nesta breve. Rita Guerra, para quem não saiba é uma cantora de música ligeira bastante popular entre os amantes do género. Não é de todo uma desconhecida. É famosa, mesmo. Por isso aparece hoje aqui, nesta página de gente famosa. E o que se diz?

Que Rita Guerra tem passado várias vezes na zona do marquês de Pombal, sempre sozinha e apressada. E que na quarta-feira voltou a ser vista no seu carro na rua Rodrigues Sampaio. Continua-se dizendo que é difícil não dar pela passagem da Rita Guerra por aquelas ruas, já que conduz um jipe preto cheio de malmequeres brancos estampados por todo o lado. O cronista acaba a breve nota com a pergunta. Que andará Rita a fazer?...

Pode ser uma pergunta, pode ser uma provocação, apenas inteligível para iniciados…

E também pode ser só uma pergunta académica. Uma figura de estilo.

Pode ser muita coisa. Mas, se por um lado, há uma parte de nós que deseja que a jovem cantora ande a fazer qualquer coisa estranha e quase sobrenatural, ou absurda, às voltas no marquês de Pombal… uma qualquer actividade muito secreta, ou muito proibida – que a vida precisa destes mistérios para nos animar… por outro lado, o mais certo é o cronista ter surpreendido a jovem artista à procura de um sítio para estacionar o jipe. O que, na zona do marquês não é fácil.

Bebés assim só em Vilar de Maçada

Bebés assim só em Vilar de Maçada, diz António Ribeiro Ferreira, o jornalista do Correio da Manhã. Fala de José Sócrates, que terá afirmado em entrevista recente, que se lembra muito bem do debate que houve na América – nos Estados Unidos da América do Norte, entenda-se – quando, pela primeira vez um católico se candidatou à Casa Branca. Foi em 1960 e o católico de que se fala era John Fitzgerald Kennedy, que haveria de vencer a corrida e ser eleito, contra Richard Nixon. Diz Sócrates, que é da geração de Kennedy – admita-se que sim. Diz Sócrates que a eleição de John Kennedy representou um momento histórico. Consta, pelo relato do jornalista, que esta afirmação causou espanto mesmo entre os pares socialistas de José Sócrates. Como se pode lembrar o primeiro-ministro com tanta clareza de uma coisa que aconteceu quando ele tinha apenas 3 anos de idade?... Nasceu em 57, em Vilar de Maçada, daí o título… O jornalista deixa a farpa: ou Sócrates é um sobredotado, ou alguém se enganou no registo de nascimento do primeiro-ministro e ele é mais velho do que pensa.

Mas Sócrates é hoje notícia em todos os jornais por outras razões. Ontem discursou na assembleia da Cimeira Ibero Americana em San Salvador. Dez minutos a falar do verdadeiro computador ibero-americano. O Magalhães.

22 mini computadores foram oferecidos aos chefes de Estado e de governo presentes na assembleia. Um computador para cada um menos para Hugo Chavez, que já tem um e que aliás, por razões de segurança, nem foi à cimeira. Adiante.

Dizem os jornais que Sócrates comparou o Magalhães ao Tin Tin da banda desenhada. Disse que, tal como o pequeno herói belga, este Magalhães é também para todos, dos 7 aos 77 anos. E o encómio foi mais longe. As imagens das televisões mostravam ontem José Sócrates louvando as virtudes do pequeno computador. Num tom pausado e bastante pedagógico, Sócrates não se esqueceu de sublinhar que o Magalhães é resistente à água.

Na fotografia que, por exemplo, o DN hoje publica, o primeiro-ministro ergue o computador, com ar sorridente e confiante. Um sorriso que vale por uma garantia de 5 anos, no mínimo. E que é resistente à queda. Disse-o com exemplos demolidores. Isso, eu ouvi Sócrates dizer, em discurso directo: que o Magalhães pode cair ao chão que não se estraga. Deu o exemplo. O presidente Hugo Chavez já atirou um ao chão e não se partiu.

Poderia perguntar-se porque razão atirou o presidente venezuelano o Magalhães ao chão. Note-se que não se disse que Chavez o deixou cair. Nada disso. O presidente Hugo Chavez atirou-o um dia ao chão e não se partiu. Atirar ao chão é radicalmente diferente de deixar cair. Nisto estamos de acordo.

Sobra sempre a explicação do presidente ter querido comprovar a resistência do material e lançar o Magalhães ao chão a ver se sempre é tão rijo quanto o pintam. E com razão. Convenhamos. Chavez já encomendou um milhão de Magalhães.

É uma encomenda de vulto e nestas coisas toda a prudência é pouca. É que, apesar da operação de marketing se poder assemelhar vagamente, um Magalhães… pior! Um milhão de Magalhães é investimento bem mais vultuoso que uma colecção de caixas da Tupperware.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Capucho quer Cascais a ser palco da solução para a crise.

Capucho quer Cascais a ser palco da solução para a crise. Ora, a crise de que se fala dispensa apresentações. O Capucho também as dispensava, mas fica para que não sobrem dúvidas: António Capucho, o presidente da Câmara de Cascais, que terá afirmado ontem – conta o DN – que Cascais pretende ser um ponto fulcral na procura de respostas para a actual crise mundial.

Supõe-se, que a crise mundial de que se fala, seja a mesma em que estamos a pensar. E é bem provável que seja, já que, o que está aqui em causa são as anunciadas Conferências do Estoril, que se hão-de realizar em Maio do ano que vem e que se destinam, preferencialmente a governantes, políticos, empresários, gestores, académicos, estudantes, jornalistas e lideres de opinião... É o que está aqui escrito.

E que no painel de convidados, nacionais e estrangeiros, se encontram Tony Blair. Aznar. Gerard Schroeder, Fernando Henrique Cardoso e ainda... David Held, professor de Ciência Politica e economista e o director do Instituto de Estudos Internacionais de Pequim e o do Fórum do terceiro Mundo em Dakar e o presidente do Fórum Mundial para alternativas.

E vai haver prémios. Em cada edição destas conferências – a de Maio próximo futuro é a primeira da série - em cada edição haverá um prémio de 70 mil euros para a melhor publicação original sobre o tema do encontro e outro de 30 mil euros, em bolsa de estudo, para o jovem que apresentar o melhor projecto de investigação dentro das áreas em apreço.

Ora as áreas em questão, se bem se lembram, têm a ver com a crise mundial. É o que se propõe, ou pelo menos deseja António Capucho – que Cascais seja o palco da solução para a crise mundial. Seria óptimo que para a História ficasse a cidade de Cascais como o palco de tão notável feito. Poder dizer-se que foi em Cascais que tudo se resolveu. Que foi depois das Conferências do Estoril que o mundo pôde finalmente respirar em paz. Foi em Cascais que se encontrou finalmente a solução para a crise que abalou o mundo. Poder dizer-se: foi em Cascais e eu estive lá!...

Seria reconfortante para a auto estima nacional, mas tem um porém. É que, porém, da última vez que Portugal embandeirou em arco com feitos semelhantes, o resultado final frustrou um pouco as expectativas. Lembram-se da assinatura do Tratado de Lisboa? A assinatura até correu benzinho, os Jerónimos, as canetas de souvenir, o carro eléctrico, o almoço no dos Coches…o pior foi o resto. Por isso, se queremos mesmo o sucesso, desta vez talvez seja melhor não encomendar já os foguetes. É que distrai …e as pessoas, estas, pelo menos – políticos, académicos, gestores e empresários, não se podem distrair; têm mais em que pensar. Têm uma crise mundial para resolver, que diabo!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Talvez o título não tenha sido o mais feliz…

Talvez o título não tenha sido o mais feliz… Mas corre o risco de ser o mais apelativo. E diz assim, o Diário Económico em chamada de capa: “Os melhores cursos para subir depressa na carreira”. É o anúncio a uma pequena revista, que o jornal hoje edita em suplemento gratuito. Mas convém, antes de avançarmos, dizer que os cursos que se anunciam se destinam a Executivos. È essa a carreira de que se fala. A carreira de Executivo. Toda a oferta de formação para Executivos disponível em Portugal. Conheça os cursos – convida a chamada de capa – “Conheça as melhores escolas e a cara dos protagonistas.”

Ora a revista, essa puxa para a capa este título: “Novas tendências chegam a Portugal” E de repente, se não soubéssemos ao que íamos, poderíamos julgar termo-nos enganado na porta e que estávamos prestes a entrar no mundo da moda, da alta-costura, ou por aí… mas não. As novas tendências, de que se fala, passam pelas empresas e escolas de negócios, que trabalham cada vez mais em conjunto, para satisfazer necessidades específicas dos alunos. O objectivo – continua a chamada de capa – continua a ser formar executivos, para decidir bem e de forma rápida. O convite é conhecer todos os cursos do mercado e saber o que os distingue e como financiá-los.

Lá dentro, fica-se a saber, por exemplo, que, em 3 anos, os cursos tecnológicos cresceram 16 vezes… Que há cada vez mais alunos, a recorrer ao crédito para financiar a formação académica; que a Universidade Católica está – segundo o Finantial Times – entre as melhores do mundo (uma boa notícia, valha-nos isso); que a chamada Geração Y, uma nova geração de alunos, está a forçar as escolas a uma pequena revolução e que, para se adaptarem a essa realidade, as escolas apostam em cursos cada vez mais criativos.

A Geração Y! Diz que são jovens e talentosos e sabem bem o que querem. E o que querem, garante o Económico – é alcançar o sucesso rapidamente. Uma nova geração de Executivos. Porque convém não esquecer que é deste nicho de actividade profissional que se fala... É neste território que, segundo o jornal, a nova geração de futuros quadros está a obrigar os gestores a desenvolverem novas formas criativas de liderança.

Formas criativas de liderança! Vamos lá então.

Team Building – o conceito se calhar também, o nome esse é, indubitavelmente, estrangeiro. Team Building, como quem diz "Formar Equipa". Como construir uma equipa de trabalho.

Andar de canoa é uma ideia. Andar de canoa, procurar tesoiros escondidos, ou participar numa aula de culinária são actividades, garante o Diário Económico, ao contrário de roubarem tempo e dinheiro às empresas, podem tornar-se grandes mais-valias. Diz que uma sessão deste so called (honra se faça ao estrangeirismo) Team Building pode acelerar os resultados, ao nível do ganho de confiança, constituição de redes, partilha de conhecimento e trabalho em equipa. Claro que, todas estas actividades, que acabámos de enunciar, se supõem que terão lugar fora do local de trabalho. Em, se quisermos, alegres fins-de-semana temáticos. A fazer lembrar os acampamentos de escuteiros, por aí…

Ora, o essencial fica dito. Falta só lembrar duas coisas.

Primeiro, que a actual crise financeira, ou económica, ou o que seja, parece consensual que se deve, aos gestores e executivos do mais alto gabarito que, eles também, sonharam um sucesso rápido e acabaram por dar o passo maior que a perna. Partindo deste pressuposto, é de toda a conveniência que se formem novos executivos e gestores. Estes verdadeiramente competentes e capazes de não repetir os mesmo erros. Tanto mais que, a este nível de competências, a culpa, antes de morrer solteira, já matou metade da família e alguns vizinhos.

A segunda coisa, para que gostava de vos invocar a memória era...(lembram-se do título?.. “Os melhores cursos para subir depressa na carreira” …) para o antigo adágio, que garante que: "Depressa e bem, não há quem".

Nem para gerir uma empresa, nem para fritar um ovo. Que um ovo, para ficar bem estrelado… a clara tostadinha e a gema meio crua, tem muito que se lhe diga e requer o seu tempo e até mesmo, ousaria dizê-lo, algum carinho.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

uma espécie de pagamento

“PS abandona proposta que previa pagamento em espécie sem acordo do trabalhador.”

É o título da notícia, no Público, de hoje.

Diz que o partido socialista já entregou 140 sugestões de alteração à proposta do Governo sobre a revisão do Código de Trabalho. E que ainda vai entregar mais. Ora, uma das alterações propostas é então suspender o pagamento em espécie , sem acordo do trabalhador. Era essa portanto a proposta inicial. Pagamento em espécie. E que espécie de pagamento seria esse? Ou melhor… será esse?, já que a proposta de alteração se limita ao consentimento do trabalhador… Ou seja, o pagamento em espécie continua a ser possível, desde que o trabalhador concorde. Concorde, por exemplo receber em agrafos, ou – no caso da rádio, por exemplo, em fitas magnéticas, ou CD's do Quim Barreiros, o ordenado, ou parte dele.

E aqui, um pequeno desvio de percurso. Diz o Jornal de Notícias, que Sócrates não vai fazer chantagem com a maioria absoluta, nas eleições do ano que vem. O Público diz mesmo que Sócrates admite governar em minoria. E é o melhor que ele faz. Não tanto porque o resultado nas urnas lhe possa ser eventualmente pouco favorável, mas porque, como vimos, a própria bancada do partido que o suporta insiste em lhe tirar o tapete debaixo dos pés, em matérias tão sensíveis como o Código de Trabalho. Lembram-se do lead da noticia?: “o PS já entregou 140 sugestões de alteração do Código, elaborado pelos socialistas do Governo e vai entregar ainda mais umas quantas…

Mas adiante.

Avançamos um par de páginas e sem sair do Público chegamos a Famalicão. Foi aí, que em 2001, durante as praxes na Universidade Lusíada, um caloiro acabou por morrer.

A relação causa efeito há-de ser julgada em tribunal. A próxima sessão do julgamento está marcada para 14 de Novembro. Ora, acontece que a mãe do aluno falecido espera que, durante o processo, se descubram novos elementos, que levem ao apuramento final e inequívoco de responsabilidades, na morte do filho. Mas acontece também que, para já e à cabeça, a senhora reclama uma indemnização , não em espécie, que seria complicado de fazer, mas em dinheiro vivo. 210 mil euros de indemnização pela morte do filho, é quanto ela pede.

E Óscar Wilde!

É ele o eleito para as citações que diariamente o Público edita em coluna própria. E diz assim:

Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.

Óscar Wilde nasceu em 1854, morreu em 1900… há mais de cem anos, portanto. Parece que foi ontem? Ou se calhar nem tanto

Doc Lisboa polémico – é o que diz o Correio da Manhã.

Mas Sérgio Truffaut, o organizador do evento, já desfez o equívoco. Ora, a polémica de que se fala tem a ver com a atribuição do prémio para uma primeira obra a uma realizadora, que já tinha ganho um prémio , com um outro documentário, em 2005, há 3 anos, portanto.

Truffaut diz que não recebeu nenhuma queixa, ou reclamação e lembra que o regulamento permite concorrer com uma segunda obra.

Mas diz mais e o mais que diz é que é surpreendente. Diz Sérgio Truffaut que – e citemos – " o que se passa no DocLisboa passa-se em qualquer festival de cinema mundial – os prémios para primeira obra abrangem as segundas. É assim no Cámera d'Or e no Indie Lisboa.”

Desfeito o equívoco, fica para os académicos fazer rever o conceito de “primeira”.


E no 24 Horas, ficamos a saber que as operações de mudança de sexo em Portugal saem próximas do custo zero, aos interessados.

“Mudar de sexo é grátis” – é o que anuncia o título.

O Serviço Nacional de Saúde comparticipa em 100% as cirurgias necessárias, para a operação.

A revelação foi feita ao jornal pela própria Ordem dos Médicos, que é a entidade responsável por conceder as autorizações necessárias para este tipo de cirurgias.

De acordo com a Ordem e desde 2003 foram apresentados apenas 36 pedidos de autorização. Foram todos aprovados. A Ordem diz que o número é limitado porque o processo é complexo. O jornal diz que apurou que a morosidade do processo se explica, com o facto de ser fundamental perceber, se a mudança de sexo é o caminho certo para os pacientes, tanto mais que os custos associados são muito elevados.

Ora fixemo-nos entretanto no título da notícia: “Mudança de sexo é grátis em Portugal.”

E porque – se nos outros países a operação se pode fazer em hospitais privados, onde custa entre 10 mil e 15 mil euros, em Portugal ela só pode ser feita em hospitais públicos, sendo, por isso, totalmente comparticipada pelo Estado. Já o resto… hormonas e todas as cirurgias estéticas que eventualmente se lhe sigam, ficam por conta do doente, já que não são determinantes para a mudança de sexo. Enfim, no caso das hormonas, o Estado também comparticipa, mas só em parte.

A única questão que fica em aberto é saber se estes pacientes também são sujeitos a taxa moderadora, quando vão ao hospital, durante as consultas, ou estão isentos. É que as consultas devem ser mesmo fundamentais neste caso da mudança de sexo. Consultas prévias com psicólogos e endocrinologistas… Se bem se lembram dizia-se aí atrás que primeiro que tudo há que consultar o doente e perceber se a mudança de sexo é o caminho certo.

E então? As consultas pagam taxa moderadora, ou estão isentas?..

.

É o destaque das primeiras páginas do Diário de Notícias de hoje.

Os meninos mendigos. Os meninos mendigos que devem ficar com os pais – como avisa o título.

Logo de entrada, vai-se explicando que usar crianças para pedir esmola é crime. A lei portuguesa prevê mesmo 3 anos de prisão, para quem o faça…Mas, continua o ante texto da notícia – Quem leva os filhos para a mendicidade pode também estar a evitar deixá-los sozinhos e abandonados à sorte. É por isso, que os magistrados portugueses de família e de menores do distrito de Lisboa aconselham cautela, na hora de tomar medidas que possam separar as crianças dos pais. É urgente – conclui-se – que, antes de mais, se preste auxílio às famílias, para ajudar no sentido destas situações de mendicidade não voltarem a repetir-se. E as situações de que se fala chegam a atingir contornos terríveis, como o exemplo que o DN destaca, de um pai que queimava o filho com um cigarro para ele chorar e comover os transeuntes.

O jornal dá depois exemplos soltos, como o de uma rede desmantelada há 6 anos pelo serviço de Estrangeiros e que explorava umas 25 crianças e mulheres, levando-as a mendigar nas principais ruas de Lisboa. Fala ainda desse cidadão belga que terá raptado as próprias filhas e as trouxe para Portugal, para pedirem esmola. Lembram-se do caso? Foi em Viseu, há pouco tempo. Fala também de um grupo de romenos, que usava dois bebés durante os assaltos – e foram mais de cem, os assaltos que terão feito pelo país fora. O grupo foi entretanto detido no princípio deste mês… E deste, lembram-se? A notícia passou em todas as televisões…

Das denúncias…a linha SOS Criança diz que este ano só recebeu 39 alertas. Em 4 anos foram condenadas 6 pessoas, num total de 12 processos-crime, que entraram nos tribunais, envolvendo 15 arguidos.

E agora a fotografia!

Diz a legenda, que as crianças conseguem atrair mais atenções. E de que maneira!

A fotografia foi tirada na Rua Augusta, em Lisboa, onde certamente muitos de nós já vimos crianças a tocar acordeão – bastante mal diga-se, mas deve ser de propósito – do género, quanto pior melhor… adiante - a tocar acordeão na companhia de um pequenino cão – podia ser um pequinois, mas eu de cães pouco percebo - um pequeno cão que, ora se equilibra sobre o ombro do tocador, segurando nos dentes um pequeno copo de plástico onde recolhe as moedas, ora se deixa ficar, sentado no chão, fazendo companhia ao dono, como é o caso que a foto ilustra.

E acontece que na fotografia temos ainda mais 4 personagens curiosas.

4 turistas , supõe-se. Dois casais em férias.

Um dos homens do casal ajoelha-se ao lado do miúdo, a fotografá-lo. O outro, de cócoras, avança a mão para acariciar o pequeno cão, sentado obediente e resignado, montando guarda à caixa das esmolas.

Elas… uma, de pé, abre a mão que levou à mala para retirar – dá ideia que – uma moedita.

A outra ajoelha-se, sorrindo, ao lado do que se prepara para fazer uma festa ao cão do jovem mendigo. Ele também sorri. Do bolso de trás das costas assoma, meio amachucado, o que parece ser um mapa da cidade. Mas o que é fantástico é este sorriso. Não haveria, na redacção do DN ,um fotoshop que lhes apagasse este sorriso alarve da cara? E o que pensa fazer o outro? O que tira a fotografia? Mostra-la lá na terra dele e dizer que Portugal é que é! Um país tão desenvolvido, que até tropeçamos em Piazzolas de palmo e meio, ao virar de cada esquina, a tocar no meio da rua, em pequenos concerto “promenade”?!...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Haider era gay, o paneleiro!...

É capa do Diário de Notícias de hoje e diz assim: Sucessor revela que Haider era gay. Ora o Haider de que se fala é Jörg Haider, ex líder da extrema-direita austríaca, recentemente falecido num desastre de automóvel. O sucessor é Stefan Petzner, que diz ter chorado a morte de Haider, do "homem da sua vida" – escreve o DN, com as devidas aspas. Petzner foi, entretanto demitido e a polémica está lançada.

Em entrevista a uma rádio e um jornal austríacos, Petzner, de 27 anos, confessou que a relação com Haider, 58, era mais que amizade e que a mulher de Haider sabia e não se importava. Diz o jovem Petzner, que sentiu uma atracção magnética por Haider, mal o viu. Diz também, que se sentia seguro ao pé do líder, que passou a seguir para todo o lado. Era-lhe também remédio para o alegado medo do escuro, que Petzner diz ter, ou ter tido…

A noticia remata dizendo, que o acidente terá acontecido quando , depois de uma discussão com Petzner num bar gay, Haider se encheu de vodka e saiu para a estrada, a acelerar ao dobro da velocidade permitida. Ou antes. A noticia deixa em aberto a hipótese da discussão ter acontecido já depois do vodka. O acidente, esse foi depois. Definitivamente.

E a notícia seria quase um abuso, uma perversa invasão de privacidade, se não fosse alguns movimentos de opinião serem tão pragmáticos e radicais em relação a certas matérias…

E depois, já que de sexo se fala, fiquemos um pouco mais pelo DN.

Ginecologista deve ter assistente para vigiar. Diz o título. E para vigiar o quê? Perguntamos nós. Para vigiar o colega. Nem mais. Para prevenir desvarios – chamemos-lhe crime, que foi o que o tribunal lhe chamou – crimes como o de abuso sexual sobre as pacientes.

Em ante título à notícia, o DN cita o bastonário da Ordem, que terá defendido que, a presença de uma terceira pessoa protege o médico e o paciente.

E tudo isto surge na sequência do caso do médico de Faro, condenado por abuso sexual sobre uma doente incapaz de resistência. Tudo se passou na clínica privada do médico em causa, mas, mesmo depois de condenado a 3 anos de pena suspensa – o que não obriga de facto a suspender funções – o médico continua a trabalhar, não só na clínica, como também no hospital público da cidade. A Ordem dos médicos diz que a pena não é aplicada, porque o serviço público não cumpre as regras. Diz Pedro Nunes, que a Ordem estabelece regras enquanto reguladora da actividade médica, mas depois não pode aplicar coimas a quem não as cumpre. Diz ainda, que a única forma é o Governo tornar obrigatório esse procedimento, mas – diz ainda o bastonário – o Governo não o faz, porque isso implicaria contratar mais pessoal – subentende-se que - para substituir os médicos em falta por suspensão, ou outro castigo semelhante.

Chegamos aqui e a confusão instalou-se. Diz o bastonário, que a presença de uma terceira pessoa durante as consultas é para evitar situações de abuso sexual, como a que aconteceu em Faro. Já isto é estranho e duvidoso. Quem garante, que o terceiro homem, ou até mesmo mulher, não é também tarado sexual?...

Também a frieza de apreciação, sobre os trâmites legais deste tipo de ocorrências, soa um pouco distante da realidade e quase cínico.

E depois, partir do pressuposto que o Governo não torna obrigatória a aplicação dos castigos, com medo de ficar sem médicos disponíveis para as encomendas, é traçar um cenário pouco lisonjeiro da classe. Pouco lisonjeiro, para não dizer… fraldiqueiro, mesmo. No entanto, vindo de quem vem, não deixa de ser preocupante.

Adiante!

Foi um recorde de queixas, o que choveu sobre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Mais de meia centena de queixas, contra a paródia, que o grupo humorista Gato Fedorento fez ao computador Magalhães, num dos últimos programas, que passou na televisão. Enfim, o que indignou mesmo alguns telespectadores foi, no contexto da anedota, se ter brincado com a Igreja, com a comunhão e com a hóstia consagrada pela fé católica.

Revejamos o episódio que disparou a polémica: Louvado sejas oh Magalhães – dizia um dos cómicos, a fazer de padre. Depois, como se fosse uma hóstia, era entregue um disco e dito qualquer coisa como: instalai isto em memória de mim. Ora o padre Manuel Morujão, da Conferencia Episcopal, diz que nada é intocável, mas algumas matérias devem ser tocadas com algum respeito. Diz por isso, que acha muito bem que, quem se sentiu ofendido se manifeste, mas, cuidado, que a contestação não se transforme em propaganda ao programa.

D. Januário Torgal Ferreira, bispo das forças armadas, diz que viu o programa e que, neste caso em particular, até nem se sentiu ofendido. Cita o DN: “em nada me feriu e quem não tiver humor não veja.”

Na queixa, que entretanto está a ser apreciada pela Entidade Reguladora, fala-se em ofensa à Igreja Católica e sublinha-se o facto, de que com o Islão haveria mais cautela na abordagem. Falta só esclarecer, se esse tal cuidado acrescido, se deveria ao respeito pela fé islâmica, ou por medo de uma qualquer eventual represália do fundamentalismo islâmico terrorista armado…

Adiante. Em Israel continua a guerra santa contra a beatificação de Pio 12.

O ministro israelita dos assuntos sociais considera inaceitável a beatificação , tendo em conta o alegado silêncio do papa sobre o regime nazi e a morte em massa de judeus nos campos de concentração e nos guetos. Diz o ministro que o Vaticano sabia muito bem o que se passava e não se pronunciou contra, como mandam, aliás, os preceitos bíblicos. Enquanto cardeal, Eugénio Pacelli , foi núncio apostólico de Berlim, quando Hitler subiu ao poder. Há documentos recentes, que provam que já eleito Papa, Pio 12 terá tido intervenções públicas, condenando o 3º Reich e o nacional-socialismo de Adolf Hitler e muito em particular se terá manifestado publicamente contra a perseguição aos judeus. Mas parece que estes argumentos não chegaram ainda para convencer Israel.

Israel onde se encontra de visita Bettina Göering. Nem mais! Göering. É sobrinha neta de Herman Göering. Prepara-se para assistir ao Festival de Cinema Judaico. No programa do Festival está um documentário, que segue os encontros entre Bettina Göering e uma artista judia, cuja família desapareceu nos campos nazis.

Mas para o que nos traz aqui, consta que Bettina Göering – que visita Israel pela primeira vez - terá sentido uma vergonha insuportável quando descobriu – ou melhor – quando se deu realmente conta das ligações do apelido de família ao extermínio dos judeus durante a 2ª Grande Guerra. Vergonha e culpa. Diz que foi isso, que a empurrou para o consumo de drogas, quando tinha 13 anos e a submeter-se mesmo à esterilização, aos 30 anos, para não gerar descendência, de tão infame apelido. Hoje vive em Santa Fé, diz que entre duas famílias judias, que não se falam – que se odeiam mesmo – e que ela tenta reconciliar. Do resto, adianta que o pior já passou, mas que ainda se sente um pouco mal quando – e passemos à transcrição fiel do que escreve o DN – sente-se muito mal, quando descobre que o judeu, com quem acaba de fazer amor, é um sobrevivente do Holocausto, com um número tatuado no braço.

Espera lá aí só um bocadinho, oh Bettina e faz lá esta conta comigo...

Ora a guerra acabou em 45… os sobreviventes devem ter hoje que idades?... Os nascidos nesse ano terão hoje 63 anos, os outros… andarão em média… nos 80, 90…? Por aí.

Era só isso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Atenção, internauta amigo, Moloch acaba de editar 3 novas canções de subtil acutilância e absoluta actualidade. Poderás escutá-las no sítio do costume, entre a moviola do oliveira e o movimento perpétuo, que por tal sinal, até têm estado bastante paradinhos, ultimamente!...

O rosto na fotografia não chega a ser aquilo a que se costuma chamar de "poucos amigos". Será mais a expressão de quem tem mais que fazer e coisas mais importantes com que gastar o tempo, ou mesmo perdê-lo.

E o rosto da fotografia é o de Max Mosley, inglês, 68 anos e presidente da Federação Internacional do Automóvel, a FIA.

Escreve o Público que, depois de ter sido exibido numa sessão de sadomasoquismo, uma orgia nazi, como lhe chamaram, com 5 prostitutas e ter ganho uma indemnização de 60 mil libras do News of the World, por ter publicado as imagens da alegada "orgia nazi", Max Mosley diz que não vai mudar os hábitos sexuais, por causa disso.

Em entrevista ao Guardian, Mosley terá reconhecido que o caso e a publicação das notícias lhe causaram alguma turbulência familiar, mas que, apesar de tudo e entretanto, continua a não ver mal nenhum no sadomasoquismo, desde que praticado entre adultos e de livre vontade. Quanto à encenação da tal orgia sado masoquista… orgia nazi – lembram-se? -foi como lhe terá chamado o News of the World- Mosley volta a reconhecer que é verdade , os pais teriam – chamemos-lhe – uma simpatia particular com o ideário nacional socialista, mas ele próprio demarca-se clara e inequivocamente desse género de simpatia, ou afinidade politica. Diz que o cenário da festa foi pensado e montado pelas 5 raparigas , que, já agora e ao contrário do que também se terá afirmado, não são prostitutas do leste europeu.

Entretanto e para o que realmente importa a Max Mosley, ele promete que vai seguir para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos com a denúncia e a reclamação, para que todos os tablóides e editores em geral sejam obrigados sempre a contactar o objecto das respectivas reportagens, antes de as publicar, para que os visados tenham oportunidade de se pronunciar, ou defender, se for caso disso.

No caso dele próprio, não parece muito que precise de quem interceda por ele, ou o defenda. Independentemente da matéria em apreço, ressalve-se essa tranquila frontalidade… essa desarmante frontalidade de Max Mosley. “Presidente da FIA não muda hábitos” – anunciava-se em título. Pois poderia não o fazer, mas não precisava de dizê-lo, assim sem rodeios. Como quem quer matar ali a conversa e a polémica. A verdade é que Max Mosley poderia ter respondido que não foi bem uma orgia , mais um convívio descontraído, ou que não era bem sadomasoquismo, antes uma festa temática; ou podia ter jurado que sim, mas que nunca mais! Sexo, nunca mais! Nem sadomasoquista nem sexo de qualidade nenhuma… Que ia aliás e até e fazer voto de castidade e ingressar num convento. Mas, sem cilícios! Não fosse depois começar-se a pensar e a dizer-se …

Saltemos agora para a última página do Correio da Manhã, que é aí que vem a boa notícia. Do mundo e para o mundo.

O prémio é internacional, por isso faz todo o sentido falar-se dele aqui, nesta página onde espreitamos o mundo lá fora. O Prémio Internacional da Mulher por Resultados Humanos. Um prémio internacional é sempre coisa de importância maior, pressupõe que o premiado foi sujeito a uma qualquer comparação de mérito e virtude. No caso, fala-se do prémio internacional da mulher por resultados humanos. Portanto, é óbvio que este prémio em particular é para mulheres e só para mulheres. Mas não uma qualquer mulher. Há-de ser para uma, que se tenha feito notar por alegados Resultados Humanos. Concordemos que a classificação é um tanto vaga e ambígua. Será de direitos humanos que se fala?! Da luta pela dignidade e pelo respeito dos direitos humanos?... Por outros feitos heróicos de realização pessoal ou colectiva, onde o espírito, a raça, o génio humano foram postos à prova e se distinguiram?...

Para o caso pouco importa. O que verdadeiramente importa é que o prémio foi atribuído – o Internacional da Mulher por Resultados Humanos e foi-o ontem, na ilha da Madeira, durante a cerimónia do 20º aniversário da Fundação da Associação Madeirense de Mulheres Empresárias… Aqui talvez se começasse a fazer uma pequena luz… mulheres empresárias… talvez. Não interessa, anuncie-se pois a galardoada. E a vencedora é Dolores Aveiro! E quem é Dolores Aveiro?! Empresária de sucesso?... Que resultados humanos terá esta mulher alcançado, que a notícia teima em não nos querer revelar?... Uma vez mais, não interessa. Dolores Aveiro é mãe de Cristiano Ronaldo, o jogador de futebol. Isso é público e garantido. Tão certo como a expressão enigmática da galardoada, ao receber o prémio. Na fotografia, a senhora segura o galardão que lhe é entregue em mãos pelas - julga-se – representantes da Fundação madeirense de mulheres empresárias. O objecto parece um pequeno obelisco de vidro transparente. Coisa para medir uns 40 centímetros de altura, quando posto em cima de, por exemplo, um psiché. Parece vidro! Podia ser cristal, mas também se fosse acrílico, com a austeridade que por aí grassa, não espantaria ninguém.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Não é um sonho irrealizável, quanto mais não seja porque um Nobel custa menos que um jogador de futebol. Ora o argumento é quase demolidor.

A ideia em si, é então contratar prémios Nobel – os melhores entre os melhores de todas as áreas do saber - para formar uma super-universidade em Portugal. Em Portugal, que não forçosamente para portugueses!

Mas vamos do princípio.

A notícia merece uma breve no Público, um desenvolvimento um bocadinho maior no DN e quase página inteira no 24…

Paulo Teixeira Pinto – ex presidente do banco comercial português e diz que pintor e escritor e antigo professor universitário - terá confidenciado à agência Lusa, que defende uma super-universidade. Uma universidade para o topo dos rankings internacionais. Já vimos que não uma universidade para portugueses, mas uma universidade em Portugal para o mundo. Uma universidade que tenha a capacidade de atrair talentos, cérebros, os melhores investigadores, independentemente do pais onde estejam. Bastava para isso contratar alguns prémios Nobel… 8 ou 10 pessoas com o prémio Nobel em várias áreas científicas não lhe parece uma tarefa impossível, tanto mais que, sai mais barato, como já se viu, do que contratar um jogador de futebol. Porque o dinheiro, os custos são sempre argumento e empecilho a muitas obras, Teixeira Pinto defende que, se esta universidade vier a custar tanto quanto todo o ensino público português, ou metade da auto estrada para Bragança, não é caro. Não será portanto por aí… É tudo uma questão de prioridades e aceitação.

O ex professor e ex gerente bancário salienta ainda o que chama de efeito multiplicador, que uma universidade desta dimensão teria. Diz Teixeira Pinto, que colocaria Portugal no mapa, no que refere ao ranking universitário.

Para o conseguir, Teixeira Pinto acha que os privados têm obrigação de contribuir, já que o beneficio não seria exclusivamente público.

Para resumir razões, Teixeira Pinto acha – sublinha mesmo, diz o 24 Horas - que só um tolo é que não quer uma universidade destas em Portugal.

Mas fiquemos pelo essencial, pelo que há a reter de essencial, pela conclusão mais óbvia e imediata que se tira da proposta de Teixeira Pinto… e ela é que, se o ensino superior em Portugal não satisfaz, a culpa é dos professores. Contrate-se gente capaz e tudo muda. Enfim, é uma declaração forte , mas Teixeira Pinto deve saber do que fala, tanto mais que já foi, ele também, ao que consta, professor universitário.

Parece que está a ficar na moda – o chinês.

Diz o Público, que mais de uma centena de alunos do superior aprendem chinês. Diz ainda, que já não há vagas nos cursos da Universidade do Minho e no politécnico de Leiria. Diz que há outras escolas, que oferecem cursos livres de chinês. Explica-se também, que este súbito interesse pelo mandarim se deve sobretudo ao crescimento da importância da China, na vida económica e política internacional.

E chegamos à pequena caixinha, do Público – que mudou o mundo a esta jovem de 17 anos, que passou 15 dias na China, por ter vencido o concurso internacional promovido pelo governo chinês, para promover a língua e cultura chinezas. Diz a jovem que agora até já lê o Harry Potter em mandarim.

Enfim, fácil , fácil não deve ser – aprender mandarim. Mas , há que admiti-lo , nenhum esforço é demais. Nenhum sacrifício é inútil perante essa expectativa magnífica: a de conseguir ler o Harry Potter em chinês.

E estoutra vem do parlamento europeu. Diz o Diário de Noticias que 4 dezenas de deputados de países escandinavos lançaram uma campanha para que o parlamento europeu deixe de utilizar hotéis que recorram a prostitutas, ou que transmitam filmes pornográficos.

É um assunto sério – escreve o DN , citando o porta voz da euro câmara. Confirma-se que o presidente do parlamento já recebeu a carta, onde se pede que só se utilizem hotéis que garantam que não estão implicados no comércio do sexo e que sejam dadas novas ordens a todo o pessoal, desde eurodeputados a funcionários com outras funções no parlamento europeu.

Acontece que – como se sabe – o parlamento europeu alterna as reuniões entre Bruxelas e Estrasburgo e tem – obviamente- de reservar alojamento para os funcionários nessas deslocações. E ao que parece, também , essas reservas recaem, pelo menos às vezes, em hotéis com esse tipo de serviços, que a noticia refere.

Falta só dizer que, para além de fornecer os serviços, esses hotéis obrigam os hóspedes a visionar os referidos filmes hard core e a ter encontros íntimos com as referidas prostitutas. Obriga-os mesmo de forma violenta. Chega a apontar-lhes uma pistola à cabeça para os obrigar a ter sexo com meretrizes de luxo. Mesmo aos impotentes e aos homossexuais, que também os deve haver, em tão alargado fórum internacional... O que deve ser, para além do mais e apesar de tudo, uma situação aflitiva, mesmo para um eurodeputado, habituado a lidar com situações delicadas e dossiers de muitas páginas… alguns, se calhar, escritos em mandarim, ou coisa assim.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Antes que me esqueça… Portugal tem má nota em trabalho temporário – é o título do JN. Depois segue dizendo que em 24 países analisados, Portugal ficou em 23º. Pior que nós, só os espanhóis. Um estudo acabado de publicar pela Organização Internacional do Trabalho vem expor os defeitos da era das finanças globais. Abre-se o fosso entre o salário dos mais ricos e o dos mais pobres… uma desigualdade que aumentou de forma dramática na maioria dos países e regiões do mundo, diz o JN. Ou seja e resumindo: a Globalização prejudica a maioria da população - é o que garante o Jornal de Notícias.

E agora o azeite. Ou melhor os galheteiros de azeite.

Galheteiros antigos podem voltar às mesas, é o que se anuncia em quase todos os jornais desta sexta feira. O Diário de Notícias puxa mesma essa frase para título.

Diz que o ministro Jaime Silva da Agricultura acaba de anunciar a revogação da polémica portaria, que obrigava os restaurantes a usar garrafas de abertura inviolável. O ministro disse mesmo que nunca concordou com essa medida. Os donos dos restaurantes ainda menos. Diz que lhes sai mais caro e que também não é bom para o ambiente. Presume-se que, porque produz uma maior quantidade de vasilhame para deitar fora, na melhor das hipóteses, para a reciclagem … Seja como for, a verdade é que – segundo consta – Portugal era o único país da União Europeia que se obrigava a este procedimento. E isto porquê? Porque é que era o único?... Não! Porque é que se obrigavam os restaurantes ao uso de garrafas invioláveis para levar o azeite à mesa... Para evitar falsificações! Para evitar que o azeite fosse adulterado. Para garantir a qualidade e a fiabilidade da origem do produto. Numa palavra para garantir e defender a saúde pública.

O ministro garante que , graças à inspecção económica, Portugal pode garantir o mais alto padrão de segurança alimentar. E garante também, o ministro, que vai revogar a presente portaria, mas!... Mas e aqui pára tudo. Mas, só quando os restaurantes tiverem uma carta de azeites – ao estilo das cartas de vinhos – onde o cliente possa escolher e saber as características do que vai consumir. Diz o ministro que aceita o regresso dos tradicionais galheteiros de azeite, mas só quando os restaurantes tiverem uma carta, onde estejam claramente impressas a composição e origem do azeite.

Ora, voltemos ao princípio. As embalagens invioláveis surgiram porque havia quem fizesse – o que se chama - falcatrua com o azeite. Aproveitando a facilidade de transvase da embalagem original para os pequenos galheteiros de mesa. Enchendo-os com suspeitas misturas de composição duvidosa... Agora o ministro concorda que se volte ao uso dos galheteiros tradicionais, desde que haja uma carta, onde se garanta a qualidade e origem do azeite.

Parece que estamos já a ver… temos este, muito bom, alentejano e mais este, que é também excelente, é de trás da orelha, é de Trás-os-montes e temos também este, para os apreciadores, que tem parte de azeite, parte de óleo de colza e o resto é basicamente gasóleo industrial...

Ladrões de bicicleta.

Literalmente. Conta o jornal que foi de bicicleta, que dois homens chegaram e partiram depois de assaltar a loja e levar a caixa registadora. Tudo se passou nos arredores de Sintra. Enfim, consta que tiveram de fugir a pé, já que o povo cá fora os impediu de voltar a montar nas bicicletas. Acabaram, entretanto, por ser apanhados pela policia. Estavam armados. Uma faca e uma pistola. E a máquina registadora com 100 euros lá dentro . A policia apanhou um dos assaltantes e apreendeu as duas bicicletas. A notícia não diz se as bicicletas eram também roubadas. É que, nestes casos e segundo os relatos mais recentes, é esse o procedimento habitual. Rouba-se um carro de alta cilindrada – pelo método de carjacking - e parte-se depois em alta velocidade, a roubar caixas de supermercado, caixas de gasolineiras, caixas de Multibanco. Enfim, aqui foi tudo mais em pequenito. De bicicleta com fuga a pé de registadora às costas para roubar 100 euros. Ou pelo menos para tentar roubar 100 euros. Em pequenino e em trapalhão. Em azeiteiro, portanto. Como se costuma dizer...