sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ora, gente de boa vontade… vamos por aí.

Ora, gente de boa vontade… vamos por aí.

Viana do Castelo. Fecha-se o zoom e estamos na aldeia de Darque, Viana do Castelo.

Foi aí, num contentor de 10 metros quadrados, que, nos últimos 20 anos, viveu Maria Augusta. Hoje tem 90 anos. 50 deles foram vividos a trabalhar na seca do bacalhau. Quando se reformou ficou a receber uma pensão de 15 euros por mês.

Por isso, passou a viver num contentor abandonado na berma da estrada, que leva à passagem de nível da Seca, na aldeia de Darque… No Verão não se pode com o calor, no Inverno é um gelo de morte.

Pois finalmente, Maria Augusta vai abandonar o contentor, onde viveu nos últimos 20 anos, e vai ter finalmente uma casa digna. Foi a Câmara de Viana do Castelo quem se encarregou de arranjar a casa e logo ali perto e mais ainda, será a própria autarquia a pagar a renda. Quer isto dizer que alguém de boa vontade acordou para a situação em que vivia esta senhora de 90 anos e resolveu interceder, em nome da solidariedade, em nome da dignidade, em nome de outra qualquer piedosa virtude?... Não tanto. O que acontece é que se vai construir uma passagem subterrânea da linha do comboio. O que faz com que a estrada, à beira da qual Maria Augusta vivia, vai ser fechada. O que faz com que as máquinas já estejam prontas para avançar com as obras. O que faz com que o contentor tenha que sair dali para fora. Para a sucata, para o lixo. Claro que ninguém teria coragem de nenhuma de duas coisas. Deixar a senhora ao relento, ou mandá-la para o lixo, juntamente com o ferro velho. Por isso lhe deram finalmente uma casa. Por isso finalmente repararam que havia alguém a viver num caixão de ferro de 2 por 5, à beira da estrada.



Afogamento, armas de fogo e enforcamento.

Sendo que, o enforcamento é o método mais utilizado, entre os suicidas de 16 países europeus, Portugal incluído. Porque é disso que o DN dá conta, na notícia que hoje ocupa quase meia página do jornal.

As mulheres usam métodos menos letais, enquanto os homens optam pelos mais eficazes.

Em Portugal, quase metade dos suicidas opta pelo enforcamento. Em segundo lugar surgem as armas de fogo – isto no caso dos homens, já as mulheres, no caso português e julga-se que pela extensão da costa portuguesa - as mulheres portuguesas escolhem o afogamento para consumar o suicídio. No resto da Europa é a sobre dosagem de medicamentos, a 2ª causa de suicídio entre as mulheres – em Portugal são muito poucas.

Tudo isto se conclui do estudo agora divulgado e que se chama "Métodos de Suicídio na Europa" e que pretende ajudar a identificar e limitar o acesso aos recursos disponíveis e mais comuns na prática do suicídio.

Ora bom, regressemos ao princípio. E no princípio anuncia-se – em título mesmo -que metade dos suicidas (subentenda-se: portugueses) opta pelo enforcamento. É também o que se pode ler na legenda da fotografia que ilustra a noticia. Diz assim: “52,3% dos homens portugueses optam pelo enforcamento” (poderíamos começar por aqui, pela concordância verbal – estou em crer que se deveria ter escrito que 52,3 % dos portugueses opta por… por aí fora, adiante.) A fotografia. Também fica por saber até que ponto ela fazia aqui alguma falta. Mas saltemos esse ponto e vamos à fotografia. De um enforcado?... Seria de muito mau gosto, mas faria sentido, atendendo à legenda. Mas não. A fotografia não é de um enforcado.

A fotografia foi tirada à beira de uma estrada. Isso percebe-se. E até podia ser à beira da estrada que cruza o vale de Alcântara. Mais concretamente sobre o viaduto Duarte Pacheco. Enfim podia ser, nada garante.

Há um muro baixo, protegido por uma rede e, pela copa das árvores em fundo, percebe-se que do outro lado do muro a altura deve ser considerável. Portanto, aquele homem, que ali está de costas para nós, em pé sobre o muro, olhando para baixo, braços caídos ao longo do corpo, estará a preparar-se para saltar. Prepara-se para se suicidar, saltando. Portanto e para já, ficamos a saber que este alegado suicida não pertence aos tais 50 e pouco por cento de que fala a própria legenda. Portanto, ou a fotografia não é dali, ou a legenda não tem muito a ver. Mas, a questão adensa-se, quando pensamos neste pequeno detalhe. Este homem, que aparece na fotografia, vai mesmo suicidar-se ou está só em pose para a fotografia?... O primeiro caso parece improvável, o segundo é de gosto duvidoso. Mas há mais. O homem que aparece na fotografia, alegadamente prestes a cometer suicídio, despiu a camisola, que pendurou na rede metálica atrás dele. E despiu mais. Despiu também as calças e descalçou sapatos e meias. Ou seja, o que se vê na fotografia é um homem, de costas para nós em pé em cima de um pequeno muro de pedra, vestido apenas com uns calções, que lhe dão pelos joelhos e com um padrão vistoso e colorido às riscas verticais. Enfim, como um vulgar calção de banho de praia. Ou seja, o homem que aparece na fotografia parece mais que vai saltar para uma piscina, do que para uma morte certa.

Ou seja, se uma imagem vale mais que mil palavras, também é verdade que, às vezes, mais vale ficar caladinho.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

e a tenda dos estábulos tem ar condicionado

Estreia hoje e o “Público” puxa para título esta frase lapidar: “Cavalia já conquistou Lisboa.”

“Cavalia” é o nome do espectáculo, o maior espectáculo itinerante do mundo, diz-se, e que mistura artes equestres e circenses. Imaginado e posto em cena por um cavalheiro que foi co-fundador do Cirque du Soleil. “Cavalia”, portanto.

Foi visto por mais de 2 milhões de espectadores, na América do Norte e na Europa e, desde que foi estreado pela primeira vez, há 5 anos, já foi apresentado mais de 10 mil vezes, por esse mundo fora.

Em Portugal, em Lisboa, estreia hoje, no passeio marítimo de Algés. O aparato de tendas – enormes, de oleado branco – criou um cenário quase das arábias, ali junto ao Tejo.

Escreve o “24”, que já se venderam 15 mil bilhetes. Um sucesso tal, que a companhia admite prolongar a estadia em Lisboa, se o público assim o pedir.

Mas regressemos ao título. “Cavalia já conquistou Lisboa”. Qinze mil bilhetes vendidos… Já agora, os bilhetes andam entre os 20 e os 155 euros… e já se venderam 15 mil bilhetes e foi uma loucura tal que até surpreendeu o próprio director do evento.

Ora, do que se sabe do espectáculo é que já correu mundo e que foi visto por 2 milhões de pessoas, em 11 mil representações e que foi encenado por um ex membro e fundador do Cirque du Soleil. E que mete cavalos. Muitos cavalos. Aliás, do que se sabe realmente de concreto e seguro, é pouco mais que isso… números. E tudo em grande, como as tendas e a publicidade que se lhe vai fazendo. Números. 60 cavalos, 37 artistas, 8 tendas, 200 camiões, mais 120 pessoas a dar apoio nos bastidores e as toneladas de fava e palha que são precisas para manter os animais…

Sabe-se que, antes de embarcar para Lisboa, os cavalos repousaram vários dias numa quinta do sul de França; sabe-se que a tenda dos estábulos tem ar condicionado; sabe-se que nesta pequena aldeia itinerante há também uma cafetaria e uma tenda VIP para receber os convidados famosos. Do espectáculo mesmo – e se já reparam na campanha que tem passado nas televisões … sabe-se que – segundo o New York Times, (que a campanha faz questão de citar, como sentença do mais alto e insuspeito valor…) segundo o New York Times, “Cavalia” é – cito de cor – um conto de fadas concebido por um dos fundadores do Cirque du Soleil. Uma vez mais, cita-se uma entidade – no caso o Cirque du Soleil – como se lhe reconhecesse uma autoridade, ou garantia de excelência acima de qualquer discussão ou suspeita… mas do espectáculo mesmo o que é que se sabe?...

Do próprio espectáculo diz-se, para além do que já se ouviu, que é romântico e alegre e que mistura cavalos com acrobacias e fantásticas projecções… Diz-se também, que em Lisboa já se venderam 15 mil bilhetes a preços que se ficam entre os 20 e os 150 euros, contas redondas…

Mas, enfim, resumindo, tudo o que se sabe são pormenores paralelos à própria função.

São números grandes… 2 milhões de espectadores, 200 camiões, 60 cavalos, tendas gigantescas… Tudo impressionante. Como os 15 mil bilhetes já vendidos, que até impressionaram o director da companhia…

Enfim, a verdade é que perante o sucesso já conseguido, mesmo antes da estreia… “Cavalia já conquistou Lisboa”, lembram-se do título?... e Lisboa por enquanto só viu números e tendas de oleado… pois se, mesmo assim, já é o sucesso que se vê… deixo a questão, se será mesmo preciso levá-lo à cena… Se não poderíamos ficar só por este delicioso suspense, este maravilhoso basbaquismo…?



Outro que se estreia ...

“Filme baseado em obra de José Saramago dá polémica nos Estados Unidos.”

É o ante-título, no 24 Horas. Depois em letra maior: “Protestos contra "Ensaio sobre a Cegueira" – porque é disso que se trata. Do filme do brasileiro Fernando Meirelles com Julian Moore, que há de estrear em Portugal lá para 13 de Novembro, mas que, antes disso, amanhã mesmo, estreia nos Estados Unidos da América do Norte.

E é essa estreia que está a dar polémica.

Polémica entre os invisuais – escreve o jornal. A Federação Nacional dos Invisuais dos Estados Unidos está a preparar um protesto contra o filme, porque, alegadamente, trata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira. Disse Marc Maurer, o presidente da federação à Associated Press. Disse que “a cegueira não transforma as pessoas decentes em monstros”. Terá ainda acrescentado que o filme “não é uma alegoria muito inteligente para falar sobre o colapso da sociedade”. Os estúdios já lamentaram esta reacção e o anunciado protesto. Defenderam-se dizendo que o realizador teve a preocupação de respeitar a história original de Saramago. E o que a história original conta, em traços largos, é sobre uma estranha epidemia de cegueira branca, que gera o caos no seio de uma comunidade e leva o instinto de sobrevivência a opor-se à civilização.

Ora, para a Federação Nacional dos Invisuais dos Estados Unidos, estamos aqui perante um manifesto evidente. O de que a cegueira transforma as pessoas decentes em monstros. O que é uma rotunda mentira.

Claro que Saramago podia ter escolhido outro exemplo para ilustrar a parábola. Poderia ter-se recorrido dos surdos, por exemplo. Uma sociedade surda aos avisos gritantes, que lhe anunciam a barbárie e o fim da civilização, tal como a conhecíamos.

Mas, aí teríamos, nesta mesma lógica, uma qualquer associação de deficientes auditivos a reclamar…

Poderia Saramago ter usado a imagem de um louco. Um misterioso surto de loucura varrendo as cidades e semeando o caos nas nações… Mas aí, outros se ergueriam em protesto igualmente legítimo e em defesa dos psiquiatricamente loucos, dos alienados a sério, com diagnóstico feito e ficha clínica…

E depois poderia também, José Saramago, ter escrito um Ensaio sobre a Estupidez…

O quem em verdade e bom rigor não iria mexer muito com o essencial da história. Em vez de um surto de cegueira … uma pandemia de estupidez. Para todos os efeitos práticos, iria dar rigorosamente ao mesmo… a estupidez conduzindo as massas para o precipício, para o caos, para a morte. Estou mesmo em crer que só um cego é que não vê, que se lhe chamássemos Ensaio sobre a Estupidez, a moral da história mantinha-se intacta.

Seja como for, o filme estreia amanhã em 75 salas de 21 estados unidos da América do Norte.

Até lá, deixo-vos um provérbio chinês: Quando o sábio aponta para a Lua, o idiota olha-lhe para o dedo.

os tempos vão difíceis.

A casa já tem mais de cem anos de porta aberta, mas os tempos vão difíceis. Este Mercado de S. João, em Braga, sobreviveu à crise da 2ª Guerra Mundial, mas treme agora perante o avanço das grandes superfícies, que ameaçam de extinção o comércio tradicional. Mas vamos ao que importa. No Mercado de S. João, em Braga, a especialidade é o bacalhau. Sempre foi. Mas agora, reclama o actual dono, estamos no tempo do sem qualidade, verde, de secagem insuficiente, que se vende barato nos supermercados. Um insulto. Um ultraje àquele que já foi considerado o recurso dos mais pobres. Tempo houve em que, quem não tinha mais nada, tinha sempre e pelo menos uma postinha de bacalhau para coser. Tempo houve. Hoje os tempos são definitivamente outros e para repor alguma justiça e devolver alguma dignidade ao fiel amigo, o Mercado de S. João de Braga vende bacalhau pela Internet. Bacalhau do bom, garantem. Nada a ver com esse tal outro mal seco e esverdeado. Desde que o site foi criado, há 3 anos, já recebeu 9 mil visitas. Recebem encomendas de todo o mundo. Mails de muitos emigrantes fazendo encomenda. Acontece que muitas delas acabam retidas nas fronteiras dos países para onde são expedidas, mas quanto a isso, o proprietário do negócio diz que não pode fazer nada. Os clientes ficam por sua conta e risco quanto a esse pormenor. Quer dizer, quanto a isso, batatas.

E saltemos agora para o Correio da Manhã. Já quase em fecho de edição, o jornal publica esta breve e sublime notícia. Rádio Sim. Diz o título. E aqui não se trata de nenhuma afirmação, ou manifesto de intenções. Rádio Sim é mesmo o nome da nova Rádio que ora se anuncia. E anuncia-se como a primeira Rádio dedicada a pessoas com mais de 55 anos. Comecemos por anotar este pormenor fundamental. Para maiores de 55 anos. Não maiores de 50, ou de 65 anos, que é a idade da reforma. Não é portanto uma Rádio para reformados, nem uma Rádio para os que venceram a barreira dos 50. Enfim, 50 sempre é metade de cem e o número cem conserva uma certa mística muito própria e conveniente, para, por exemplo, centenários e coisas assim. Portanto esta Rádio Sim distingue-se à partida de qualquer outra que exista ou venha a existir dirigida a auditórios de 50 anos, ou já na reforma. Esta Rádio Sim é só para quem tem mais de 55 anos. Claro que, assim sendo, os de 65 anos estão incluídos. O que já não acontece, obviamente com os de 50, já que 50, como se sabe é menos de 55.

Esta Rádio Sim emite em duas frequências, a partir de Lisboa e Évora e a partir deste mês, também. A directora de programação desta nova Rádio diz que o programa da manhã vai ser de informação e opinião. E ora aqui está a primeira grande inovação! Informação e opinião logo de manhã. Coisa de que a Rádio portuguesa bem precisada estava. Enfim, se há que começar por algum lado, comecemos pelos ouvintes de 55 anos. Servem de cobaia. Se a ideia pegar, a de abrir as manhãs da Rádio com informação e opinião, pode ser que o modelo se abra depois a auditórios mais vastos e diversificados. Porque eles são muito diversificados, os auditórios de Rádio. Por isso ele há Rádios dirigidas a públicos específicos. Desta já vimos. É para maiores de 55 anos. Mas há as Rádios jovens, só para jovens, há as eruditas e as ditas clássicas, as que só passam jazz, as que só passam fado… o mesmo para as Televisões que só passam desporto, só passam documentários de viagens ou de descobertas científicas e outras… enfim, a Comunicação Social especializa-se e dispara tiros cirúrgicos ao público alvo.

E é nesse sentido que saudamos o nascimento da Rádio Sim. Sim, decerto. Claro que sim. Ficamos entretanto à espera de uma Rádio para maiores de 65 anos, mas com espírito jovem. Uma outra para os que gostam de ópera e futebol de salão ao mesmo tempo. Outra para os que gostam de futebol de salão, mas preferem o jazz. Mais uma para os jovens, mas daqueles de quem se diz que pareces um velho, pá, valha-te deus e gostam de fado e crónicas de viagem. E mais uma para os jovens, mas daqueles de quem se diz pareces um velho, pá, valha-te deus e gostam de pingue-pongue e fado vadio e… e o horizonte é vasto e o disparate é o limite. Mais uma rádio para os que só ouvem rádio entre o meio-dia e as 4 da tarde e mais uma para os que não ouvem rádio e uma última para os que não ouvem de todo. Nem rádio nem coisa nenhuma, os chamados surdos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

(chamemos-lhe assim, que é mais prático)

Vem no “Público” e em página inteira.

Em ante-título explica-se que, na generalidade dos casos, é o director geral dos impostos quem permite o acesso às contas.

Em letra maior, adianta-se depois que, no caso das contas dos advogados, é precisa uma autorização judicial, para que se levante o sigilo bancário.

Ora, não está aqui em questão saber que direito terá a Direcção Geral de Contribuições e Impostos para investigar as contas e os movimentos bancários de cada um. Há casos em que esse procedimento é necessário e justificado. Casos que respeitam entretanto uns quantos requisitos prévios e bem explícitos. O que acontece é que - segundo a notícia - o Supremo Tribunal Administrativo considera que, sempre que um advogado invoque o segredo profissional, o fisco fica impedido de levantar o sigilo bancário de forma administrativa. Mais que isso, considera que a Direcção Geral de Contribuições e Impostos não tem competência para decidir sobre o que é, ou deixa de ser segredo profissional.

Assim sendo, o Fisco (chamemos-lhe assim, que é mais prático) o Fisco só pode aceder às contas bancárias dos advogados, para confirmar, por exemplo, as declarações de rendimentos, depois dos tribunais verificarem que essa consulta não põe em causa o segredo profissional, a que os advogados estão sujeitos.

O jornal evoca um caso concreto, passado em Agosto, quando o Supremo Tribunal Administrativo acabou por dar razão ao queixoso – um advogado – e recusou o recurso interposto pelo próprio director geral dos impostos. Azevedo Pereira tinha interposto o recurso, depois do Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé ter decidido que a conta bancária desse advogado não podia ser divulgada, por razões de segredo profissional.

Na altura, Azevedo Pereira argumentou que apenas se pretendia consultar “os extractos bancários e os documentos que os suportam, os quais não são susceptíveis de revelar qualquer informação sigilosa relativamente ao negócio do cliente que consta, designadamente, dos recibos emitidos pelos advogados pelos serviços que prestam” – acabámos de citar.

Continua o “Público”, dizendo que o Supremo defende a tese contrária. A de que “há um regime diferenciado quando o acesso à informação está protegido pelo sigilo profissional, ou qualquer outro dever de sigilo e quando apenas esteja em causa o sigilo bancário.

Neste caso, o do sigilo profissional, é mesmo precisa a autorização judicial expressa.

E passemos de novo ao discurso directo. Do acórdão do Supremo o jornal sublinha esta passagem: "tendo, o ora recorrido, alegado que não poderia disponibilizar as contas bancárias, porque nas mesmas existiriam movimentos cobertos pelo sigilo profissional, não se revelaria admissível, que a administração tributária, não especialmente vocacionada para a ponderação do complexo de valores e direitos envolvidos, tivesse a possibilidade de derrogar administrativamente a protecção conferida por esse dever de sigilo, sem prévia sindicância judicial.” Citàmos.

Ora bem! Segredos todas as profissões os têm e algumas bem ciosas deles o são! Desde as cozinheiras, que guardam a sete chaves o segredo, por exemplo de um bom bacalhau à Brás , ou do molho das francezinhas, até… por aí fora.

No caso concreto dos advogados, a questão é obviamente outra e percebe-se que a discrição, o segredo mesmo, sejam a alma do negócio, ou pelo menos, uma recorrente ferramenta de trabalho. Percebe-se. Como, com um pequeno esforço, ou se calhar só com um pouco mais de informação, também acabaremos por perceber, porque é que o sigilo profissional dos advogados os obriga a reagir como um vulgar narcotraficante que, este por razões óbvias, também poderá invocar o segredo profissional, para se recusar a divulgar extractos e movimentos bancários. “É que era só mesmo o que mais faltava!” – isto era já o narco traficante a falar…

E já lhe chamam “Lisboagate” e todos os jornais de hoje falam disso.

Já houve devoluções voluntárias. 18 casas foram já devolvidas à Câmara de Lisboa.

Falamos claro do caso das casas camarárias, alugadas a baixo custo a pessoas que alegadamente teriam possibilidades financeiras para pagar uma renda normal.

Há vários dirigentes da Câmara de Lisboa nessa situação e ontem mesmo António Costa garantiu que todos esses casos serão analisados e corrigidos a seu tempo. Mas foi ontem também, que Sara Brito, vereadora, falou à comunicação social, para explicar e defender o seu caso concreto.

E o caso concreto de Sara Brito , segundo a própria, foi que recebeu a casa de Kruz Abecassis em 87. Na altura era vereadora da Acção Social e que por isso não havia impedimento legal para o fazer. Não havia – segundo a própria – problema ético. E não havia porque, sendo vereadora da Acção Social, o problema ético só se punha se a casa fosse de habitação social. O que não era o caso e o que também quer dizer que se não era habitação social, seria de qualidade um bocadinho superior. Eventualmente… Aí viveu durante 20 anos, até ao fim do ano passado, quando ocupou o pelouro da habitação. Então sim, havia um impedimento legal e a vereadora entregou a casa de volta à Câmara. Diz que não podia ser inquilina e senhoria ao mesmo tempo, o que aconteceria se continuasse a viver no apartamento da rua do Salitre, sendo vereadora da habitação. Esse foi o argumento – segundo as palavras da própria: “Iria criar uma complicação.”

Os jornais garantem entretanto que, para além de figuras mais ou menos conhecidas da vida pública portuguesa, há também sedes de partidos, que pagam à Câmara de Lisboa rendas que chegam aos 5 euros por mês.

Mas voltemos rapidamente a Sara Brito e só por uma outra razão quase paralela.

A autarca diz que nunca viveu clandestina e que por isso não se sente culpada, nem com razões para se demitir. Sempre pagou as rendas que lhe foram pedidas, incluindo as respectivas actualizações. Portanto legalmente já vimos que parece que está tudo bem e eticamente, pelo menos para a vereadora, também.

Agora o que se passa é que os jornais – o “Público”, por exemplo – puxa para título esta frase espantosa: “Vereadora que pagava 146 euros de renda à Câmara de Lisboa recebe reforma de 3350 euros.”

Esta é que é a grande surpresa! Um funcionário do Estado na reforma – e para o caso nem interessa se a reforma é folgadita ou não… é a que se lhe deve, certamente… - mas , para todos os efeitos, temos um funcionário público reformado que continua a trabalhar , no caso, na mesma função pública. Enfim, a verdade é que a notícia não explica muito bem se a reforma é da função pública, ou de uma qualquer anterior profissão que Sara Brito tenha exercido; há 20 anos, ou mais; enfim, antes de trabalhar na Câmara de Lisboa. Isso, não consegui perceber bem, mas o que é evidente é que – casas da Câmara aparte - Sara Brito está reformada e continua a trabalhar. E na função pública.

Ético deve ser, mas será legal?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vamos por aqui. É uma matéria que o 24 Horas hoje publica e que será assunto a merecer maior desenvolvimento na edição do mês que vem da revista da defesa do Consumidor. A DECO visitou perto de meia centena de estabelecimentos de venda de produtos dietéticos e naturais e quase metade chumbou no teste.

Fez-se a experiência do seguinte modo. Dois inspectores anónimos. Ele dizia que andava tenso e a dar-se mal com o antidepressivo que o médico lhe receitara. Pedia um chá de ervas . No caso, um chá de hipericão do Gerês. E venderam-lho. Acontece que o hipericão do Gerês é manifestamente incompatível com antidepressivos. Está lá escrito na literatura inclusa. O que foi letra morta para 18 dos estabelecimentos visitados. Apenas 23 recusaram a venda.

No outro caso ela apresentou-se visivelmente grávida e a pedir que lhe vendessem qualquer coisa para o cansaço e para a falta de memória e de apetite. E venderam. Enfim, apenas 19 desses estabelecimentos não o fez. Os restantes não hesitaram. Uns venderam-lhe um chá onde se dizia expressamente que não devia ser tomado por grávidas, ou pelo menos, não sem consulta prévia a um médico. Noutro caso, foi-lhe vendido um outro chá que contém uma substância que pode reduzir a actividade do feto.

O Jornal de Notícias escreve a negro carregado e em título que as ervanárias vendem produtos perigosos. O que sendo verdade não deixa de ser mentira. Diz também em ante título que é preciso ter cuidado com substâncias à base de ervas. Isso também já se sabe, pelo menos desde a Grécia de Sócrates (Claro que o que está aqui em causa é a falta de responsabilidade com que certos profissionais entendem e exercem a respectiva profissão. E isso, tanto faz ser em farmácias, como em qualquer outra actividade.) Porque produtos perigosos vendem elas todas, as farmácias. Posso-vos garantir, por exemplo – e posso porque li – que certos antidepressivos têm, como efeito secundário, despertar instintos suicidas no doente . Há medicamentos para o fígado que podem provocar hepatites fulminantes… por aí já vêem. Aliás, se lerem bem as indicações e contra-indicações de boa parte dos medicamentos que tendes em vossas casas, chegareis à conclusão que, em boa parte dos casos, se não morrermos do mal, há sempre a esperança de podermos vir a morrer da cura.


Outra notícia chega de Évora, onde, por estes dias, se vai realizar o encontro – o primeiro encontro gay cristão ibérico.

Diz, logo de entrada, o Jornal de Notícias, que são católicos e praticantes, mas que, por serem homossexuais, estão afastados da estrutura eclesiástica. Esse será, então, um dos primeiros propósitos do encontro: sensibilizar a Igreja para este assunto. Para já, segundo o JN, a hierarquia eclesiástica não comenta.

Diz o jornal que o movimento tem um ano de vida e reúne 5 colectivos religiosos de Portugal e Espanha. Segundo um dos dirigentes do movimento, as conclusões do encontro serão enviadas à Conferência Episcopal Portuguesa. Dizem- e citemos- que são católicos e querem participar na vida sacramental da Igreja. Dizem que Jesus nunca se pronunciou em relação à homossexualidade. Dizem que só a tradição da Igreja é que sim. Dizem que muitos elementos deste movimento estão integrados nas respectivas paróquias, alguns como orientadores pastorais, sem que ninguém desconfie das orientações sexuais. Dizem– e voltemos a citar – que a expressão da sexualidade alternativa não é incompatível com o catolicismo. Dizem que a Igreja se deve abrir a uma teologia sexual. Dizem – garantem – que a Igreja não considera a homossexualidade pecado… aqui parece que estamos perante , senão uma pequena contradição, pelo menos parece. Ora então a Igreja pronuncia-se sobre a homossexualidade, não a considerando pecado?! Então pronuncia-se como? Considera-a o quê? Doença incapacitante?

Do que se sabe, ou julga saber-se, a Igreja reprova a ligação amorosa , terrena, carnal, humana entre os seus sacerdotes e ponto final. O tão falado e discutido celibato dos padres. E falamos de relações heterossexuais, obviamente. A notícia não explica se a reivindicação destes militantes ibéricos tem a ver com o casamento entre homossexuais, ou simplesmente o reconhecimento público da sua existência, como quem declara a nacionalidade , as doenças de família ou até mesmo a religião, numa proposta de emprego… a notícia não diz…

Mas também, em verdade vos digo, desde quando é preciso ao empregador saber as tendências sexuais de cada um. A menos que essas tendências sejam de tal forma irreprimíveis e exuberantes que acabem por interferir e prejudicar o próprio trabalho. Mas a isso chama-se já assédio sexual, ou se quisermos, pouca vergonha, mesmo. Seja qual for o obscuro objecto de desejo.

domingo, 17 de agosto de 2008

há um sítio, em Portugal, onde, um polícia de cartão, em tamanho natural, posto à beira da estrada, fez diminuir consideravelmente os acidentes e as infracções ao Código. Mesmo os que já sabem, que o polícia é de cartão, refreiam instintivamente as acelerações e impulsos de campeão. a coisa funciona. a questão, portanto, não é essa. a questão é perceber porque é que ainda não puseram dois polícias fardados e à vista de toda a gente - bandidos, incluídos - em todas as dependências bancárias de Portugal. dois polícias de carne e osso. as poucas pessoas, a quem já coloquei esta questão, não me conseguiram dar ainda uma resposta convincente. falta de pessoal, excesso de burocracia, falta de coragem de alguns polícias, uma legislação desadequada, resquícios de má consciência envenenando discursos e alimentando demagogias pseudo-revolucionárias. tudo isso são boas razões para não fazer nada, mas, são ao mesmo tempo , razões para que se faça alguma coisa. a menos que a malta goste dessas emoções fortes, que abrem o telejornal e podem mesmo até interromper a emissão da Vila Faia.
em vez disso, reforçam-se e aperfeiçoam-se os meios electrónicos de vigilância. as câmaras de vídeo. que são de uma utilidade do caraças, quando se tem uma pistola apontada aos cornos. mas não se instala um detector de metais nas entradas dos bancos, para travar a pistoleta logo à entrada. os bancos, que se orgulham de apresentar lucros semestrais brilhantes e lustrosos, não têm dinheiro para investir nesses meios mínimos de prevenção e segurança.
eu até me podia estar nas tintas para esta merda, que nem tenho família que trabalhe em bancos, nem outras intimidades com essa notável instituição. só que me chateia. moloch vai vencendo. à letra.

houve tempos, em que trabalhar era um sacrifício.
hoje, tornou-se uma humilhação.

sábado, 16 de agosto de 2008

sair de fininho

sábado, 9 de agosto de 2008

SOPINHAS & DESCANSO

sábado, 26 de julho de 2008

o vidaúl

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vem no Público. Soldado da GNR processado por recusar lavar pratos.

Em subtítulo, explica-se ainda que o caso é sério. Tão sério que a Associação dos Profissionais da Guarda denunciou já o clima de intimidação, para obrigar os praças a desempenhar tarefas "indignas".

Poderíamos começar por aqui. Por esta revelação surpreendente. De lavar a loiça ser, pelo menos para os oficiais da Guarda Republicana, uma tarefa indigna. Mas isto, o melhor é continuar a ler.

E continuando, ficamos a saber que tudo se passou no quartel de Cavalaria da Ajuda, onde, ontem mesmo, um soldado foi constituído arguido por se ter recusado a acatar a ordem. A ordem de ir lavar a loiça. De ir de faxina para a cozinha, lavar a loiça. O comunicado da Associação dos Profissionais da Guarda diz que muitos soldados estão a aceitar tarefas para as quais não foram treinados, por medo a represálias dos oficiais superiores. O que está aqui escrito é que "estão a aceitar tarefas que não aquelas para as quais receberam formação”. Seria espantoso, isso sim, ficarmos a saber, que um dos exercícios de formação de recrutas da Guarda Republicana fosse…. lavar, ou aprender a lavar a loiça. É verdade que não seria nada do outro mundo, mas percebe-se que não conste do programa de treinos. O lavar a loiça – a menos que haja alguém de fora contratado para o fazer – haverá de ser feito pelo pessoal da casa. É assim em todo o lado. Já que a loiça não se lava sozinha. Tendo em conta que, para muitos pode ser uma tarefa desagradável, há quem recorra a estratagemas vários quando a hora se anuncia. Desde o tirar à sorte, até ao método da rotação de tarefas. Ou ainda, se quisermos, como castigo, para quem se porta mal. A notícia não explica se foi esse o caso, Se, o lavar a loiça de que se fala, aconteceu na sequência de uma qualquer sanção disciplinar. Não diz e o Público garante que também não conseguiu muitos mais pormenores junto do quartel da Ajuda. Mandam dizer que o caso está sob a alçada disciplinar e ponto final. O soldado em causa encontra-se neste momento com termo de identidade e residência e só não foi preso, na altura, porque na altura não havia nenhum oficial de serviço para lhe dar ordem de prisão. E agora sim, ponto final.

Aliás, ponto final, ainda não! Dois pontos. Dois pontos, para o que se segue, no tal comunicado da Associação Profissional da Guarda… “a situação deste profissional…” – o soldado que se recusou a lavar a loiça – “…tomou proporções verdadeiramente anómalas e caricatas.” Diz o comunicado. Disso já nós tínhamos suspeitado. Mas continua-se… e continua-se dizendo que “…a postura persecutória e intimidatória assumida merece o mais veemente repúdio e é em tudo exemplificativa da prepotência sem limites e da cultura de subserviência vigente nalguns sectores da Guarda, em que as hierarquias impõem trabalhos indignos e colocam os seus subordinados em situações profundamente humilhantes.”

E voltamos ao princípio. Lavar a loiça como tarefa indigna e profundamente humilhante … pois será, é uma opinião. Como haverá, no dia a dia de um quartel, ou na casa de qualquer um, outras tarefas de manutenção e limpeza ainda mais desagradáveis e eventualmente mais humilhantes. Muito mais que lavar pratos, ou lavar com a esfregona, o chão da cozinha.

Há de certeza e ninguém as quer, mas, alguém as terá de fazer, não?...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ora vamos a ver se nos entendemos…

A noticia vem da Austrália e diz que os gays, lésbicas ou transgéneros, que estiverem cansados, quiserem namorar, ter um momento romântico, sem heterossexuais a tentar perceber o que fazem duas pessoas do mesmo sexo juntas e como se podem entreter, podem ir para um aldeamento na Austrália, exclusivo para eles.

Diz ainda, a breve do Diário de Notícias, que este campo terá courts de ténis, pista de bowling, teatro ao ar livre, piscina, spa, ginásio, café, restaurante, sala de piano e centro de conferências. Não lhe falta quase nada, portanto. Já lhe chamam o paraíso homossexual e garante-se que a entrada é absolutamente vedada a heterossexuais.

Parece assim, à primeira vista, um caminho um pouco tortuoso e desviante, da reclamada igualdade e integração e reconhecimento social, que a comunidade gay e lésbica e transgenérica reclama…! Mas enfim, cada um sabe de si.

Depois e ainda à primeira vista não se percebe muito bem que incómodo é que um heterossexual pode causar a um homossexual, enquanto ele joga ténis ou bebe um café numa esplanada de um qualquer campo de férias. Diz que querem namorar à vontade, ter um momento romântico. Isso é coisa que toda a gente, de uma forma ou outra, por uma vez ou outra, quer e deseja. Namorar, ter um momento romântico a sós com a pessoa amada… São situações em que – regra geral e em nome também da privacidade dos outros – se escolhem sítios recatados, para dar largas à paixão. Claro que há situações, em que a única solução aconselhável é mesmo procurar a discrição de um tecto, o da própria casa de um dos enamorados, ou alguém amigo, ou, no mínimo e em casos de urgência extrema, o quarto de um hotel… É também claro, que se duas pessoas se pegam aos beijos arrebatados e em manifestações coloridas e extravagantes de ternura, é natural que os outros olhem, ou façam mesmo, se for caso disso, ou seja, se o espalhafato for grande, é normal que olhem e façam até, se calhar, um ou outro comentário. Comentários que todos já devemos ter ouvido em situações que não implicam forçosamente homossexuais apaixonados… comentários do género: “essas coisas fazem-se em casa” e coisas assim… Coisas, no fundo, que seriam escusadas de ser ditas, se houvesse aquela coisa que não sei o nome mas que nos leva a ter um determinado comportamento social distinto daquilo que fazemos em casa, no santus santorum da nossa intimidade. E mais que isso, não sei. É daquelas coisas difíceis de explicar, quando não se vai lá por instinto, educação, ou inteligência própria.

Poderia apenas dizer-se que, se os homossexuais se limitassem a apanhar sol e jogar ténis e bowling e tocar piano e mais o que for que esta praia australiana tem para dar… não haveria incómodo de maior. Duvido mesmo que alguém suspeitasse das tendências sexuais de cada um, se cada um se portasse de forma descontraída e digamos – normal (sem ofensa!) – em sociedade. Poderia, sem espanto nem problema de maior, assistir-se a uma renhida partida de ténis, entre gente homo e heterossexual.

E porque, a História já provou que depois das grandes revoluções muitas vezes as águas se dividem e o caldo se entorna, esperemos pelo dia, em que todos os direitos e regalias reivindicados pelas comunidades gay e lésbica do mundo sejam satisfeitos. Esperemos por esse dia. O dia em que, vencidos todos os inimigos comuns, gays e lésbicas de todo o mundo se virem uns contra os outros, acusando-se mutuamente de xenofobia, homofobia e outras fobias de género, ou do género.

1ªreflexão de rodapé-

Porque é que há, em português, uma palavra para a homossexualidade feminina?, é a comunidade das lésbicas; outra para os que estão ali a meio caminho, os transgenéricos e para os gajos se escolheu e usa uma palavra em inglês? Os Gay?!.. em português, isso é o quê? Os contentinhos? Os Felizes da Vida? Os pateta-

alegres?!... E vocês já viram coisa mais triste –oh ironia do caraças!- que um paneleiro português?

2ªreflexão de rodapé-

Tenho para mim que são os Gay, quem anda a dar má fama aos homossexuais em geral… Tenho, por instinto, que para levar no cu, um gajo não tem de se abanar tanto a andar no meio da rua. A verdade é que há putas mais discretas. E elas vivem disso! Do abanar o cu, digo eu.

3ªreflexão de rodapé-

E a partir de agora, nas praias vizinhas deste paraíso australiano, proíbe-se a entrada a gays, lésbicas e trangenéricos ?!...

4ª e última reflexão de rodapé-

E os bissexuais?! Tomam banho onde? Na praia dos hetero, ou na dos homo, mas só quando estiver maré vazia?...

terça-feira, 22 de julho de 2008


Receando tratar-se de um engenho explosivo, a PSP chegou a interromper o trânsito e a criar um perímetro de segurança, para proceder ao rebentamento do objecto. E o objecto suspeito era esta mala, abandonada, logo pelas primeiras horas da manhã, junto à garagem terminal dos autocarros em Setúbal.

Um telefonema anónimo avisou as autoridades. Quando a polícia chegou, fez o que já vimos. Cortou o trânsito e isolou o local. Ninguém entretanto reclamava a propriedade da enigmática mala. Todos responderam que não sabiam e que não tinham nada a ver com o assunto. Foi chamada a Brigada de Inactivação de explosivos, enquanto se mandava afastar os mais curiosos.

Depois das perícias iniciais, concluiu-se que havia qualquer coisa metálica, na suspeita mala. Foi isso que obrigou a polícia a redobrar os cuidados e a segurança. Procedeu-se então à explosão controlada. Depois do estrondo, dissipado o fumito da explosão, acabou por se verificar que a mala estava vazia. Podia não estar. Podia estar cheia de roupa para umas férias na praia, por exemplo. Mas não. Estava vazia. Quanto ao objecto metálico detectado pela polícia e que tornou a mala particularmente suspeita… pois a notícia não diz, mas é provável que fossem as próprias ferragens, dobradiças, fecho, ou outra qualquer peça componente da mala.

Consta que, depois de verem que afinal não havia perigo iminente, as pessoas respiraram fundo e até riram da situação. Diz que até gozaram com a situação, mas que, antes da polícia rebentar aquela coisa (foi como lhe chamou um lojista da zona, entrevistado pelo Diário de Notícias) “…antes da polícia rebentar aquela coisa, era ver o pessoal a fugir daqui.” O rosto dos polícias também não ajudava muito. Rosto fechado… parecia que o caso era sério.

Pois parecia e parece. Sério e preocupante. Não tanto pela virtual ameaça terrorista. Que por enquanto e felizmente é mesmo só disso que se tem tratado… ameaças virtuais… não tanto por isso, mas porque, nestes tempos, esquecer-se a gente da mala em qualquer terminal de transportes, ou na via pública é o mesmo que dizer-lhe adeus. Isto no mínimo. Que, se no entretanto nos chegarmos à frente reclamando o objecto perdido, ainda se corre o risco de ser acusado de distúrbio à ordem pública e à paz social.

Depois, pode-se esgotar todos os provérbios. Desde o do seguro que morreu de velho, ao do mais vale prevenir, passando por aquele do cantarinho que vai à fonte, até que um dia perde a asa, ou é rebentado por uma carga de dinamite…

É aliás, talvez a mesma lógica de raciocínio que levou o Fisco a traçar o perfil do devedor virtual. Ou seja, o Fisco vai traçar o perfil do potencial incumpridor dos seus deveres fiscais. Sejam empresas ou pessoas individuais. O perfil daqueles que – em linguagem popular – se não a fizeram, estão para a fazer.

Claro que se calcula que esse perfil não seja traçado literalmente tendo em conta o rosto, os traços fisionómicos de ninguém em particular. O despiste há-de ser feito pelas contas e transacções bancárias dos visados. Eventualmente através dos hábitos de consumo, sinais exteriores de riqueza, por aí...

Mas, chega-se ao mesmo sítio, vá por onde se for.

Que é – antes que a coisa aconteça – corta-se o mal pela raiz, ou, no mínimo, monta-se guarda apertada ao suspeito, seguem-se-lhe os movimentos, à espera de um passo em falso.

E é isso, no fundo, o que distingue um cidadão suspeito de evasão fiscal, de um saco esquecido num terminal de camionagem. No primeiro caso, a polícia não lhe cola uma carga de dinamite às costas.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

É o rosto da capa do 24 Horas desta segunda feira. O maior traficante de droga português, que acaba de ser detido pela Judiciária, depois de ter andado fugido algum tempo e com mandato de captura passado pelas polícias de Portugal e Espanha. Um dos principais barões do narcotráfico da península ibérica, como lhe chama o jornal. Em 96 já tinha sido preso aliás, em Cadiz, à ordem do juiz Baltazar Garzon, acusado de chefiar uma rede internacional de tráfico de droga. A primeira detenção remonta a 1976, por assalto à mão armada. Depois disso, entre fugas em saída precária e novas detenções, o role de acusações é variado. Desde o tráfico de droga, como já vimos, a ataques bombistas. No intervalo das fugas e detenções foi estrela por um dia, numa entrevista que deu a uma televisão. O programa chamava-se "Casos de Polícia". A polícia deve ter visto o programa e, ou porque de facto não sabia e ficou a saber onde ele estava, ou porque se sentiu um pouco talvez humilhada perante o desplante da entrevista, a verdade é que, passada uma semana, o voltou a prender. E, ao todo, passou já mais de 18 anos preso e, na semana passada, em Ponte da Barca, voltou a ser detido, diz que, sem opor resistência, quando saía de um super mercado. O jornal diz que se fazia transportar num jipe topo de gama e que comunicava com um telemóvel de satélite, para não ser localizado. Enfim, privilégios e ossos do ofício…

Agora… qual é a sensação de olhar assim nos olhos – mesmo em fotografia – o maior traficante de droga português?.. O barão do narcotráfico ibérico?... O homem que já atracou o iate particular em Viana do Castelo, com uma tonelada de cocaína a bordo? Qual a sensação de estar assim frente a frente, mesmo em fotografia, com este Pablo Escobar minhoto?... Nenhuma. Ou perto disso. Ou seja, se a legenda dissesse que este homem, que aqui vemos na capa, cabelo cortado rente, cigarro ao canto da boca, óculos e bigode era, por exemplo e absurdo, o novo coordenador nacional da luta contra o narcotráfico, a gente acreditava, sem esforço.

Como também não custa a acreditar – por razões outras, mas não menos óbvias – que, como diz o 24, ainda – a principal proveniência das armas ilegais, que andam aí pelo mercado negro, tem origem nas Forças Armadas, GNR e PSP. O roubo de armamento militar, garante o jornal, tem sido constante nos últimos anos.

Em legenda e subtítulo, o 24 Horas diz que há vários processos-crime, que estão instaurados a militares, que dizem que perderam a armas, mas que, todas as suspeitas apontam para que as tenham vendido para contrabando e até mesmo a gente com cadastro pouco recomendável.

O que seria mais difícil de acreditar seria que um criminoso do gabarito do nosso barão tivesse cara de bandido e mesmo assim conseguisse governar a vida, ou que as armas de guerra que andam por aí ilegais tivessem sido compradas com recibo e garantia, num qualquer supermercado, ou loja de ferragens…

No Correio da Manhã: “Médico tenta matar e volta ao trabalho.” Uma destas!?...

O médico em questão trabalhava em Alverca, no Centro de Saúde. É daí e do período entre 2004 e 2006, que remontam os factos. E os factos têm o seu episódio mais gritante em 2005, quando este médico agrediu um vizinho à machadada. Já no ano anterior corria um abaixo-assinado, dos vizinhos, contra o comportamento estranho deste médico. Consta aliás que foi em reacção a essa denúncia, que o médico terá agredido o vizinho com um machado.

Um comportamento já explicado e identificado clinicamente. O médico é esquizofrénico e precisa de tratamento psiquiátrico. Diz o jornal, que o Ministério Público, baseando-se nos pareceres clínicos, deu-o como inimputável. Ou seja, quanto ao processo, às acusações de ofensa, difamação, ameaça de agressão e tentativa de homicídio… pois, arquive-se! A Ordem dos Médicos diz que ainda não recebeu o despacho, onde este homem é considerado perigoso e que deve ser submetido a uma Junta Médica rigorosa. O bastonário diz que esse é o procedimento a seguir. Primeiro recebe-se o despacho do Ministério Público e depois convoca-se a Junta Médica. Se a conclusão for a de que o médico está impróprio para a função, então aí a Ordem pode retirá-lo de serviço…Portanto, como a Ordem ainda não recebeu a comunicação oficial, este médico, para todos os efeitos práticos e legais, pode voltar ao trabalho e é o que vai acontecer, a partir de 12 de Agosto.

Mas ainda não acabou. Falta o toque de requinte nesta história. O jornal diz que, este médico psicótico e paranóico, vive actualmente com uma jovem, doente psiquiátrica, ela também e que, o filho que entretanto nasceu dessa relação, esteve para ser entregue a uma instituição por denúncia ou suspeita de maus-tratos. O jornal diz ainda e entretanto que a anterior residência deste médico foi entregue a um outro filho. Doente. Um filho doente. Quanto à anterior mulher … já morreu. Terá morrido o ano passado e diz o Correio da Manhã que o corpo esteve 6 meses na morgue à espera de ser identificado.

A notícia não diz, mas num cenário destes é muito provável que no Inverno, lhe chova em casa, também.


Pois então: urtigas, beldroegas, dente-de-leão, alfaces de todas as cores e texturas, tomatinhos-bébé, cebolinhos, alecrim, alfazema, orégãos… de tudo um pouco, semeado pelos 1500 metros quadrados de estufas, que esta empresária de sucesso se orgulha de ter, em Vila Real de Trás os Montes.

O nome, para o caso seria quase irrelevante, mas se fazem caso, chama-se Graça Soares, tem 38 anos e uma licenciatura em Zootecnia. No entanto, e apesar da formação académica, é nas ervas finas que, há muito, se empenha de corpo e alma. “Ervas Finas” é aliás, o nome que escolheu para a empresa que gere e que já mal consegue dar conta das encomendas. Encomendas que lhe chegam da hotelaria topo de gama nacional e também de Espanha. Foram anos a recolher e coleccionar ervas de toda a espécie. Ervas, flores e legumes. Diz a notícia que a empresa de Graça Soares vende flores comestíveis e microvegetais, para os luxuosos restaurantes e hotéis do norte. O título anuncia, aliás, que as ervas finas de Graça Soares são vendidas como produto de luxo, calcula-se que com um preço a condizer com a condição e estatuto. Chamam-lhe pomposamente – “Frescos Gourmet” e garante-se que são cultivados no respeito pelas regras mais exigentes da agricultura biológica. Por aí poderia chamar-se Frescos Biológicos, ou Frescos Naturais, ou outra coisa qualquer, que sublinhasse essa garantia de qualidade. Mas não. Chamam-se “Frescos Gourmet”, o que, pelo senso comum, nos leva a concluir que , para além dos nomes artísticos e do tamanho dos espécimes… tomatinho bebé , cenourinhas miniatura, cebolinhas do tamanho de berlindes… para além disso, calcula-se que os produtos se vendam embalados em vistosas e elaboradas embalagens, com literatura explicativa e o selo que os classifica nesse panteão de honra, dos produtos Gourmet. Gourmet, que em português quer dizer: gastrónomo, apreciador de bons petiscos, provador de vinhos, isto segundo o Dicionário de Olívio de Carvalho, para a Porto Editora.

Donde se conclui, que o dicionário Francês – Português da Porto Editora está mesmo a pedir uma revisão urgente. Gourmet, em português, cada vez mais, quer dizer… uma coisa qualquer, eventualmente de tamanho reduzido, ou em versão anã, desde que embalada em doses mínimas e papel vistoso, para ser vendida a um preço disparatado, a pessoas de gosto requintado e pouco apetite.

É sempre bom fomentar o requinte e o bom gosto das pessoas. Que uma pessoa educada no bom gosto tem outro trato, outro panache, já que estamos em maré de galicismos… O problema é, com os ordenados gourmet da maior parte da população, não sobra grande margem para essas francesices…

quinta-feira, 17 de julho de 2008

a vida em geral

Então… às armas!

Nem sobre a terra, nem sobre o mar, ninguém sabe onde param, as duas metralhadoras Beretta de 9mm, que desapareceram do armeiro da esquadra da Belavista, em Setúbal.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia recusa-se a admitir que tenham sido roubadas, mas a verdade é que ninguém sabe onde elas param, nem que sumiço levaram.

O alerta foi dado, já em Maio, pela subcomissária responsável pela esquadra da Bela Vista. Duas pistolas metralhadora e respectivas munições tinham desaparecido do armário, onde estariam fechadas à chave e com acesso restrito e reservado à própria comissária, ou, na ausência dela, ao oficial que a substituísse. Logo na altura e após a denúncia foram accionadas todas as diligências para descobrir o paradeiro das armas. Abriu-se mesmo um processo disciplinar, enquanto se informava o Ministério Público da ocorrência. Da investigação interna em curso espera-se a maior celeridade. Em comunicado, a PSP afirma que a hierarquia da policia responsabiliza “todos os elementos policiais pelos actos praticados durante o serviço e que possam prejudicar a eficácia da força de segurança, nomeadamente o extravio ou destruição do material fornecido”. E neste caso, as hipóteses que se levantam são justamente essas. Roubo ou extravio. Sendo que, a hipótese de extravio, parece já, ela própria, um pouco extraviada! Como se extravia uma metralhadora?!... Esquecemo-nos dela no táxi, ou na Caixa do supermercado? Mandamo-la pelo correio para a prima na terra e os correios entregam-na a um estranho qualquer a 5oo quilómetros de distância?!...

Adiante. Já vimos que o presidente da associação sindical da polícia se recusa a admitir a hipótese de roubo. Ele diz que qualquer esquadra, por mais pequena que seja, tem sempre um armário seguro onde guardar este tipo de armamento, que é considerado já arma de guerra e usado em operações especiais mais perigosas, ou no patrulhamento automóvel da cidade. Paulo Rodrigues, chama-se o presidente, disse ao Diário de Notícias, que o mais certo é tratar-se de um “erro de contabilidade”. Ou seja, alguém se enganou a contar as armas. Diz Paulo Rodrigues: “eu apontaria para um erro de contabilidade, já que a policia ainda tem um modelo de gestão que vem dos anos 80”. Por isso, diz o sindicalista, é urgente adoptar uma gestão mais eficaz e simples. Diz que um modelo empresarial baseado nas novas tecnologias funcionaria muito bem e pouparia recursos humanos. Actualmente, diz Paulo Rodrigues, cada vez que é preciso saber do armamento disponível, há que fazer a contagem arma a arma e por várias pessoas, à vez e repetidamente.

Enfim, o processo de contagem unidade a unidade até à soma final, pode ser primitivo, mas se não houver distracções, parece relativamente seguro. Se é uma técnica dos anos 80 ou não… não sei, se bem que desconfie que é um pouco anterior, mesmo. Mas adiante.

Onde se quer chegar é a este ponto. Já se abriu um processo disciplinar, contra o quê, ou quem?... À comissária responsável, ao oficial que a substituiria eventualmente na ocasião? Aos dois? À esquadra por inteiro? O que se sabe é que o processo crime e a averiguação disciplinar – como lhe chama, no caso, o Correio da Manhã – estão em curso para saber se a comissária, ou algum subordinado poderão ser considerados responsáveis… neste caso, considerados irresponsáveis, já que é de incúria que se fala. Ficamos também e entretanto a saber que as armas estão a ser recontadas, para ver se afinal tudo não passa de um erro de conto. É verdade. Está aqui escrito. O alerta foi dado em Maio. Está um processo disciplinar em curso e entretanto e ainda, ou se quisermos, entretanto e só agora é que se está a recontar as armas, a ver se sempre falta alguma, ou antes pelo contrário, o que também seria pouco provável. Que sobrassem.

Provavelmente a contagem estará a ser feita ainda segundo o arcaico método usado em Portugal nos idos anos 80, pelo menos, ao que vimos, na polícia, do um mais um igual a dois, mais um, três e por aí fora...

Primitivo, mas eficiente na maioria dos casos, menos neste.

Entretanto também, acontece que a manchete, pelo menos a do Público, é também de armas que fala. Mas, neste caso, do milhão e 400 mil armas ilegais, que existem em Portugal. Um milhão e 400 mil é muita arma, ilegal ou não. Um milhão e 400 mil é quanto a PSP calcula que há, de armas ilegais espalhadas pelo território nacional. De certeza? Contaram-nas bem? Não será melhor contá-las outra vez?