segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Vamos por aqui. É uma matéria que o 24 Horas hoje publica e que será assunto a merecer maior desenvolvimento na edição do mês que vem da revista da defesa do Consumidor. A DECO visitou perto de meia centena de estabelecimentos de venda de produtos dietéticos e naturais e quase metade chumbou no teste.

Fez-se a experiência do seguinte modo. Dois inspectores anónimos. Ele dizia que andava tenso e a dar-se mal com o antidepressivo que o médico lhe receitara. Pedia um chá de ervas . No caso, um chá de hipericão do Gerês. E venderam-lho. Acontece que o hipericão do Gerês é manifestamente incompatível com antidepressivos. Está lá escrito na literatura inclusa. O que foi letra morta para 18 dos estabelecimentos visitados. Apenas 23 recusaram a venda.

No outro caso ela apresentou-se visivelmente grávida e a pedir que lhe vendessem qualquer coisa para o cansaço e para a falta de memória e de apetite. E venderam. Enfim, apenas 19 desses estabelecimentos não o fez. Os restantes não hesitaram. Uns venderam-lhe um chá onde se dizia expressamente que não devia ser tomado por grávidas, ou pelo menos, não sem consulta prévia a um médico. Noutro caso, foi-lhe vendido um outro chá que contém uma substância que pode reduzir a actividade do feto.

O Jornal de Notícias escreve a negro carregado e em título que as ervanárias vendem produtos perigosos. O que sendo verdade não deixa de ser mentira. Diz também em ante título que é preciso ter cuidado com substâncias à base de ervas. Isso também já se sabe, pelo menos desde a Grécia de Sócrates (Claro que o que está aqui em causa é a falta de responsabilidade com que certos profissionais entendem e exercem a respectiva profissão. E isso, tanto faz ser em farmácias, como em qualquer outra actividade.) Porque produtos perigosos vendem elas todas, as farmácias. Posso-vos garantir, por exemplo – e posso porque li – que certos antidepressivos têm, como efeito secundário, despertar instintos suicidas no doente . Há medicamentos para o fígado que podem provocar hepatites fulminantes… por aí já vêem. Aliás, se lerem bem as indicações e contra-indicações de boa parte dos medicamentos que tendes em vossas casas, chegareis à conclusão que, em boa parte dos casos, se não morrermos do mal, há sempre a esperança de podermos vir a morrer da cura.


Outra notícia chega de Évora, onde, por estes dias, se vai realizar o encontro – o primeiro encontro gay cristão ibérico.

Diz, logo de entrada, o Jornal de Notícias, que são católicos e praticantes, mas que, por serem homossexuais, estão afastados da estrutura eclesiástica. Esse será, então, um dos primeiros propósitos do encontro: sensibilizar a Igreja para este assunto. Para já, segundo o JN, a hierarquia eclesiástica não comenta.

Diz o jornal que o movimento tem um ano de vida e reúne 5 colectivos religiosos de Portugal e Espanha. Segundo um dos dirigentes do movimento, as conclusões do encontro serão enviadas à Conferência Episcopal Portuguesa. Dizem- e citemos- que são católicos e querem participar na vida sacramental da Igreja. Dizem que Jesus nunca se pronunciou em relação à homossexualidade. Dizem que só a tradição da Igreja é que sim. Dizem que muitos elementos deste movimento estão integrados nas respectivas paróquias, alguns como orientadores pastorais, sem que ninguém desconfie das orientações sexuais. Dizem– e voltemos a citar – que a expressão da sexualidade alternativa não é incompatível com o catolicismo. Dizem que a Igreja se deve abrir a uma teologia sexual. Dizem – garantem – que a Igreja não considera a homossexualidade pecado… aqui parece que estamos perante , senão uma pequena contradição, pelo menos parece. Ora então a Igreja pronuncia-se sobre a homossexualidade, não a considerando pecado?! Então pronuncia-se como? Considera-a o quê? Doença incapacitante?

Do que se sabe, ou julga saber-se, a Igreja reprova a ligação amorosa , terrena, carnal, humana entre os seus sacerdotes e ponto final. O tão falado e discutido celibato dos padres. E falamos de relações heterossexuais, obviamente. A notícia não explica se a reivindicação destes militantes ibéricos tem a ver com o casamento entre homossexuais, ou simplesmente o reconhecimento público da sua existência, como quem declara a nacionalidade , as doenças de família ou até mesmo a religião, numa proposta de emprego… a notícia não diz…

Mas também, em verdade vos digo, desde quando é preciso ao empregador saber as tendências sexuais de cada um. A menos que essas tendências sejam de tal forma irreprimíveis e exuberantes que acabem por interferir e prejudicar o próprio trabalho. Mas a isso chama-se já assédio sexual, ou se quisermos, pouca vergonha, mesmo. Seja qual for o obscuro objecto de desejo.

domingo, 17 de agosto de 2008

há um sítio, em Portugal, onde, um polícia de cartão, em tamanho natural, posto à beira da estrada, fez diminuir consideravelmente os acidentes e as infracções ao Código. Mesmo os que já sabem, que o polícia é de cartão, refreiam instintivamente as acelerações e impulsos de campeão. a coisa funciona. a questão, portanto, não é essa. a questão é perceber porque é que ainda não puseram dois polícias fardados e à vista de toda a gente - bandidos, incluídos - em todas as dependências bancárias de Portugal. dois polícias de carne e osso. as poucas pessoas, a quem já coloquei esta questão, não me conseguiram dar ainda uma resposta convincente. falta de pessoal, excesso de burocracia, falta de coragem de alguns polícias, uma legislação desadequada, resquícios de má consciência envenenando discursos e alimentando demagogias pseudo-revolucionárias. tudo isso são boas razões para não fazer nada, mas, são ao mesmo tempo , razões para que se faça alguma coisa. a menos que a malta goste dessas emoções fortes, que abrem o telejornal e podem mesmo até interromper a emissão da Vila Faia.
em vez disso, reforçam-se e aperfeiçoam-se os meios electrónicos de vigilância. as câmaras de vídeo. que são de uma utilidade do caraças, quando se tem uma pistola apontada aos cornos. mas não se instala um detector de metais nas entradas dos bancos, para travar a pistoleta logo à entrada. os bancos, que se orgulham de apresentar lucros semestrais brilhantes e lustrosos, não têm dinheiro para investir nesses meios mínimos de prevenção e segurança.
eu até me podia estar nas tintas para esta merda, que nem tenho família que trabalhe em bancos, nem outras intimidades com essa notável instituição. só que me chateia. moloch vai vencendo. à letra.

houve tempos, em que trabalhar era um sacrifício.
hoje, tornou-se uma humilhação.

sábado, 16 de agosto de 2008

sair de fininho

sábado, 9 de agosto de 2008

SOPINHAS & DESCANSO

sábado, 26 de julho de 2008

o vidaúl

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vem no Público. Soldado da GNR processado por recusar lavar pratos.

Em subtítulo, explica-se ainda que o caso é sério. Tão sério que a Associação dos Profissionais da Guarda denunciou já o clima de intimidação, para obrigar os praças a desempenhar tarefas "indignas".

Poderíamos começar por aqui. Por esta revelação surpreendente. De lavar a loiça ser, pelo menos para os oficiais da Guarda Republicana, uma tarefa indigna. Mas isto, o melhor é continuar a ler.

E continuando, ficamos a saber que tudo se passou no quartel de Cavalaria da Ajuda, onde, ontem mesmo, um soldado foi constituído arguido por se ter recusado a acatar a ordem. A ordem de ir lavar a loiça. De ir de faxina para a cozinha, lavar a loiça. O comunicado da Associação dos Profissionais da Guarda diz que muitos soldados estão a aceitar tarefas para as quais não foram treinados, por medo a represálias dos oficiais superiores. O que está aqui escrito é que "estão a aceitar tarefas que não aquelas para as quais receberam formação”. Seria espantoso, isso sim, ficarmos a saber, que um dos exercícios de formação de recrutas da Guarda Republicana fosse…. lavar, ou aprender a lavar a loiça. É verdade que não seria nada do outro mundo, mas percebe-se que não conste do programa de treinos. O lavar a loiça – a menos que haja alguém de fora contratado para o fazer – haverá de ser feito pelo pessoal da casa. É assim em todo o lado. Já que a loiça não se lava sozinha. Tendo em conta que, para muitos pode ser uma tarefa desagradável, há quem recorra a estratagemas vários quando a hora se anuncia. Desde o tirar à sorte, até ao método da rotação de tarefas. Ou ainda, se quisermos, como castigo, para quem se porta mal. A notícia não explica se foi esse o caso, Se, o lavar a loiça de que se fala, aconteceu na sequência de uma qualquer sanção disciplinar. Não diz e o Público garante que também não conseguiu muitos mais pormenores junto do quartel da Ajuda. Mandam dizer que o caso está sob a alçada disciplinar e ponto final. O soldado em causa encontra-se neste momento com termo de identidade e residência e só não foi preso, na altura, porque na altura não havia nenhum oficial de serviço para lhe dar ordem de prisão. E agora sim, ponto final.

Aliás, ponto final, ainda não! Dois pontos. Dois pontos, para o que se segue, no tal comunicado da Associação Profissional da Guarda… “a situação deste profissional…” – o soldado que se recusou a lavar a loiça – “…tomou proporções verdadeiramente anómalas e caricatas.” Diz o comunicado. Disso já nós tínhamos suspeitado. Mas continua-se… e continua-se dizendo que “…a postura persecutória e intimidatória assumida merece o mais veemente repúdio e é em tudo exemplificativa da prepotência sem limites e da cultura de subserviência vigente nalguns sectores da Guarda, em que as hierarquias impõem trabalhos indignos e colocam os seus subordinados em situações profundamente humilhantes.”

E voltamos ao princípio. Lavar a loiça como tarefa indigna e profundamente humilhante … pois será, é uma opinião. Como haverá, no dia a dia de um quartel, ou na casa de qualquer um, outras tarefas de manutenção e limpeza ainda mais desagradáveis e eventualmente mais humilhantes. Muito mais que lavar pratos, ou lavar com a esfregona, o chão da cozinha.

Há de certeza e ninguém as quer, mas, alguém as terá de fazer, não?...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ora vamos a ver se nos entendemos…

A noticia vem da Austrália e diz que os gays, lésbicas ou transgéneros, que estiverem cansados, quiserem namorar, ter um momento romântico, sem heterossexuais a tentar perceber o que fazem duas pessoas do mesmo sexo juntas e como se podem entreter, podem ir para um aldeamento na Austrália, exclusivo para eles.

Diz ainda, a breve do Diário de Notícias, que este campo terá courts de ténis, pista de bowling, teatro ao ar livre, piscina, spa, ginásio, café, restaurante, sala de piano e centro de conferências. Não lhe falta quase nada, portanto. Já lhe chamam o paraíso homossexual e garante-se que a entrada é absolutamente vedada a heterossexuais.

Parece assim, à primeira vista, um caminho um pouco tortuoso e desviante, da reclamada igualdade e integração e reconhecimento social, que a comunidade gay e lésbica e transgenérica reclama…! Mas enfim, cada um sabe de si.

Depois e ainda à primeira vista não se percebe muito bem que incómodo é que um heterossexual pode causar a um homossexual, enquanto ele joga ténis ou bebe um café numa esplanada de um qualquer campo de férias. Diz que querem namorar à vontade, ter um momento romântico. Isso é coisa que toda a gente, de uma forma ou outra, por uma vez ou outra, quer e deseja. Namorar, ter um momento romântico a sós com a pessoa amada… São situações em que – regra geral e em nome também da privacidade dos outros – se escolhem sítios recatados, para dar largas à paixão. Claro que há situações, em que a única solução aconselhável é mesmo procurar a discrição de um tecto, o da própria casa de um dos enamorados, ou alguém amigo, ou, no mínimo e em casos de urgência extrema, o quarto de um hotel… É também claro, que se duas pessoas se pegam aos beijos arrebatados e em manifestações coloridas e extravagantes de ternura, é natural que os outros olhem, ou façam mesmo, se for caso disso, ou seja, se o espalhafato for grande, é normal que olhem e façam até, se calhar, um ou outro comentário. Comentários que todos já devemos ter ouvido em situações que não implicam forçosamente homossexuais apaixonados… comentários do género: “essas coisas fazem-se em casa” e coisas assim… Coisas, no fundo, que seriam escusadas de ser ditas, se houvesse aquela coisa que não sei o nome mas que nos leva a ter um determinado comportamento social distinto daquilo que fazemos em casa, no santus santorum da nossa intimidade. E mais que isso, não sei. É daquelas coisas difíceis de explicar, quando não se vai lá por instinto, educação, ou inteligência própria.

Poderia apenas dizer-se que, se os homossexuais se limitassem a apanhar sol e jogar ténis e bowling e tocar piano e mais o que for que esta praia australiana tem para dar… não haveria incómodo de maior. Duvido mesmo que alguém suspeitasse das tendências sexuais de cada um, se cada um se portasse de forma descontraída e digamos – normal (sem ofensa!) – em sociedade. Poderia, sem espanto nem problema de maior, assistir-se a uma renhida partida de ténis, entre gente homo e heterossexual.

E porque, a História já provou que depois das grandes revoluções muitas vezes as águas se dividem e o caldo se entorna, esperemos pelo dia, em que todos os direitos e regalias reivindicados pelas comunidades gay e lésbica do mundo sejam satisfeitos. Esperemos por esse dia. O dia em que, vencidos todos os inimigos comuns, gays e lésbicas de todo o mundo se virem uns contra os outros, acusando-se mutuamente de xenofobia, homofobia e outras fobias de género, ou do género.

1ªreflexão de rodapé-

Porque é que há, em português, uma palavra para a homossexualidade feminina?, é a comunidade das lésbicas; outra para os que estão ali a meio caminho, os transgenéricos e para os gajos se escolheu e usa uma palavra em inglês? Os Gay?!.. em português, isso é o quê? Os contentinhos? Os Felizes da Vida? Os pateta-

alegres?!... E vocês já viram coisa mais triste –oh ironia do caraças!- que um paneleiro português?

2ªreflexão de rodapé-

Tenho para mim que são os Gay, quem anda a dar má fama aos homossexuais em geral… Tenho, por instinto, que para levar no cu, um gajo não tem de se abanar tanto a andar no meio da rua. A verdade é que há putas mais discretas. E elas vivem disso! Do abanar o cu, digo eu.

3ªreflexão de rodapé-

E a partir de agora, nas praias vizinhas deste paraíso australiano, proíbe-se a entrada a gays, lésbicas e trangenéricos ?!...

4ª e última reflexão de rodapé-

E os bissexuais?! Tomam banho onde? Na praia dos hetero, ou na dos homo, mas só quando estiver maré vazia?...

terça-feira, 22 de julho de 2008


Receando tratar-se de um engenho explosivo, a PSP chegou a interromper o trânsito e a criar um perímetro de segurança, para proceder ao rebentamento do objecto. E o objecto suspeito era esta mala, abandonada, logo pelas primeiras horas da manhã, junto à garagem terminal dos autocarros em Setúbal.

Um telefonema anónimo avisou as autoridades. Quando a polícia chegou, fez o que já vimos. Cortou o trânsito e isolou o local. Ninguém entretanto reclamava a propriedade da enigmática mala. Todos responderam que não sabiam e que não tinham nada a ver com o assunto. Foi chamada a Brigada de Inactivação de explosivos, enquanto se mandava afastar os mais curiosos.

Depois das perícias iniciais, concluiu-se que havia qualquer coisa metálica, na suspeita mala. Foi isso que obrigou a polícia a redobrar os cuidados e a segurança. Procedeu-se então à explosão controlada. Depois do estrondo, dissipado o fumito da explosão, acabou por se verificar que a mala estava vazia. Podia não estar. Podia estar cheia de roupa para umas férias na praia, por exemplo. Mas não. Estava vazia. Quanto ao objecto metálico detectado pela polícia e que tornou a mala particularmente suspeita… pois a notícia não diz, mas é provável que fossem as próprias ferragens, dobradiças, fecho, ou outra qualquer peça componente da mala.

Consta que, depois de verem que afinal não havia perigo iminente, as pessoas respiraram fundo e até riram da situação. Diz que até gozaram com a situação, mas que, antes da polícia rebentar aquela coisa (foi como lhe chamou um lojista da zona, entrevistado pelo Diário de Notícias) “…antes da polícia rebentar aquela coisa, era ver o pessoal a fugir daqui.” O rosto dos polícias também não ajudava muito. Rosto fechado… parecia que o caso era sério.

Pois parecia e parece. Sério e preocupante. Não tanto pela virtual ameaça terrorista. Que por enquanto e felizmente é mesmo só disso que se tem tratado… ameaças virtuais… não tanto por isso, mas porque, nestes tempos, esquecer-se a gente da mala em qualquer terminal de transportes, ou na via pública é o mesmo que dizer-lhe adeus. Isto no mínimo. Que, se no entretanto nos chegarmos à frente reclamando o objecto perdido, ainda se corre o risco de ser acusado de distúrbio à ordem pública e à paz social.

Depois, pode-se esgotar todos os provérbios. Desde o do seguro que morreu de velho, ao do mais vale prevenir, passando por aquele do cantarinho que vai à fonte, até que um dia perde a asa, ou é rebentado por uma carga de dinamite…

É aliás, talvez a mesma lógica de raciocínio que levou o Fisco a traçar o perfil do devedor virtual. Ou seja, o Fisco vai traçar o perfil do potencial incumpridor dos seus deveres fiscais. Sejam empresas ou pessoas individuais. O perfil daqueles que – em linguagem popular – se não a fizeram, estão para a fazer.

Claro que se calcula que esse perfil não seja traçado literalmente tendo em conta o rosto, os traços fisionómicos de ninguém em particular. O despiste há-de ser feito pelas contas e transacções bancárias dos visados. Eventualmente através dos hábitos de consumo, sinais exteriores de riqueza, por aí...

Mas, chega-se ao mesmo sítio, vá por onde se for.

Que é – antes que a coisa aconteça – corta-se o mal pela raiz, ou, no mínimo, monta-se guarda apertada ao suspeito, seguem-se-lhe os movimentos, à espera de um passo em falso.

E é isso, no fundo, o que distingue um cidadão suspeito de evasão fiscal, de um saco esquecido num terminal de camionagem. No primeiro caso, a polícia não lhe cola uma carga de dinamite às costas.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

É o rosto da capa do 24 Horas desta segunda feira. O maior traficante de droga português, que acaba de ser detido pela Judiciária, depois de ter andado fugido algum tempo e com mandato de captura passado pelas polícias de Portugal e Espanha. Um dos principais barões do narcotráfico da península ibérica, como lhe chama o jornal. Em 96 já tinha sido preso aliás, em Cadiz, à ordem do juiz Baltazar Garzon, acusado de chefiar uma rede internacional de tráfico de droga. A primeira detenção remonta a 1976, por assalto à mão armada. Depois disso, entre fugas em saída precária e novas detenções, o role de acusações é variado. Desde o tráfico de droga, como já vimos, a ataques bombistas. No intervalo das fugas e detenções foi estrela por um dia, numa entrevista que deu a uma televisão. O programa chamava-se "Casos de Polícia". A polícia deve ter visto o programa e, ou porque de facto não sabia e ficou a saber onde ele estava, ou porque se sentiu um pouco talvez humilhada perante o desplante da entrevista, a verdade é que, passada uma semana, o voltou a prender. E, ao todo, passou já mais de 18 anos preso e, na semana passada, em Ponte da Barca, voltou a ser detido, diz que, sem opor resistência, quando saía de um super mercado. O jornal diz que se fazia transportar num jipe topo de gama e que comunicava com um telemóvel de satélite, para não ser localizado. Enfim, privilégios e ossos do ofício…

Agora… qual é a sensação de olhar assim nos olhos – mesmo em fotografia – o maior traficante de droga português?.. O barão do narcotráfico ibérico?... O homem que já atracou o iate particular em Viana do Castelo, com uma tonelada de cocaína a bordo? Qual a sensação de estar assim frente a frente, mesmo em fotografia, com este Pablo Escobar minhoto?... Nenhuma. Ou perto disso. Ou seja, se a legenda dissesse que este homem, que aqui vemos na capa, cabelo cortado rente, cigarro ao canto da boca, óculos e bigode era, por exemplo e absurdo, o novo coordenador nacional da luta contra o narcotráfico, a gente acreditava, sem esforço.

Como também não custa a acreditar – por razões outras, mas não menos óbvias – que, como diz o 24, ainda – a principal proveniência das armas ilegais, que andam aí pelo mercado negro, tem origem nas Forças Armadas, GNR e PSP. O roubo de armamento militar, garante o jornal, tem sido constante nos últimos anos.

Em legenda e subtítulo, o 24 Horas diz que há vários processos-crime, que estão instaurados a militares, que dizem que perderam a armas, mas que, todas as suspeitas apontam para que as tenham vendido para contrabando e até mesmo a gente com cadastro pouco recomendável.

O que seria mais difícil de acreditar seria que um criminoso do gabarito do nosso barão tivesse cara de bandido e mesmo assim conseguisse governar a vida, ou que as armas de guerra que andam por aí ilegais tivessem sido compradas com recibo e garantia, num qualquer supermercado, ou loja de ferragens…

No Correio da Manhã: “Médico tenta matar e volta ao trabalho.” Uma destas!?...

O médico em questão trabalhava em Alverca, no Centro de Saúde. É daí e do período entre 2004 e 2006, que remontam os factos. E os factos têm o seu episódio mais gritante em 2005, quando este médico agrediu um vizinho à machadada. Já no ano anterior corria um abaixo-assinado, dos vizinhos, contra o comportamento estranho deste médico. Consta aliás que foi em reacção a essa denúncia, que o médico terá agredido o vizinho com um machado.

Um comportamento já explicado e identificado clinicamente. O médico é esquizofrénico e precisa de tratamento psiquiátrico. Diz o jornal, que o Ministério Público, baseando-se nos pareceres clínicos, deu-o como inimputável. Ou seja, quanto ao processo, às acusações de ofensa, difamação, ameaça de agressão e tentativa de homicídio… pois, arquive-se! A Ordem dos Médicos diz que ainda não recebeu o despacho, onde este homem é considerado perigoso e que deve ser submetido a uma Junta Médica rigorosa. O bastonário diz que esse é o procedimento a seguir. Primeiro recebe-se o despacho do Ministério Público e depois convoca-se a Junta Médica. Se a conclusão for a de que o médico está impróprio para a função, então aí a Ordem pode retirá-lo de serviço…Portanto, como a Ordem ainda não recebeu a comunicação oficial, este médico, para todos os efeitos práticos e legais, pode voltar ao trabalho e é o que vai acontecer, a partir de 12 de Agosto.

Mas ainda não acabou. Falta o toque de requinte nesta história. O jornal diz que, este médico psicótico e paranóico, vive actualmente com uma jovem, doente psiquiátrica, ela também e que, o filho que entretanto nasceu dessa relação, esteve para ser entregue a uma instituição por denúncia ou suspeita de maus-tratos. O jornal diz ainda e entretanto que a anterior residência deste médico foi entregue a um outro filho. Doente. Um filho doente. Quanto à anterior mulher … já morreu. Terá morrido o ano passado e diz o Correio da Manhã que o corpo esteve 6 meses na morgue à espera de ser identificado.

A notícia não diz, mas num cenário destes é muito provável que no Inverno, lhe chova em casa, também.


Pois então: urtigas, beldroegas, dente-de-leão, alfaces de todas as cores e texturas, tomatinhos-bébé, cebolinhos, alecrim, alfazema, orégãos… de tudo um pouco, semeado pelos 1500 metros quadrados de estufas, que esta empresária de sucesso se orgulha de ter, em Vila Real de Trás os Montes.

O nome, para o caso seria quase irrelevante, mas se fazem caso, chama-se Graça Soares, tem 38 anos e uma licenciatura em Zootecnia. No entanto, e apesar da formação académica, é nas ervas finas que, há muito, se empenha de corpo e alma. “Ervas Finas” é aliás, o nome que escolheu para a empresa que gere e que já mal consegue dar conta das encomendas. Encomendas que lhe chegam da hotelaria topo de gama nacional e também de Espanha. Foram anos a recolher e coleccionar ervas de toda a espécie. Ervas, flores e legumes. Diz a notícia que a empresa de Graça Soares vende flores comestíveis e microvegetais, para os luxuosos restaurantes e hotéis do norte. O título anuncia, aliás, que as ervas finas de Graça Soares são vendidas como produto de luxo, calcula-se que com um preço a condizer com a condição e estatuto. Chamam-lhe pomposamente – “Frescos Gourmet” e garante-se que são cultivados no respeito pelas regras mais exigentes da agricultura biológica. Por aí poderia chamar-se Frescos Biológicos, ou Frescos Naturais, ou outra coisa qualquer, que sublinhasse essa garantia de qualidade. Mas não. Chamam-se “Frescos Gourmet”, o que, pelo senso comum, nos leva a concluir que , para além dos nomes artísticos e do tamanho dos espécimes… tomatinho bebé , cenourinhas miniatura, cebolinhas do tamanho de berlindes… para além disso, calcula-se que os produtos se vendam embalados em vistosas e elaboradas embalagens, com literatura explicativa e o selo que os classifica nesse panteão de honra, dos produtos Gourmet. Gourmet, que em português quer dizer: gastrónomo, apreciador de bons petiscos, provador de vinhos, isto segundo o Dicionário de Olívio de Carvalho, para a Porto Editora.

Donde se conclui, que o dicionário Francês – Português da Porto Editora está mesmo a pedir uma revisão urgente. Gourmet, em português, cada vez mais, quer dizer… uma coisa qualquer, eventualmente de tamanho reduzido, ou em versão anã, desde que embalada em doses mínimas e papel vistoso, para ser vendida a um preço disparatado, a pessoas de gosto requintado e pouco apetite.

É sempre bom fomentar o requinte e o bom gosto das pessoas. Que uma pessoa educada no bom gosto tem outro trato, outro panache, já que estamos em maré de galicismos… O problema é, com os ordenados gourmet da maior parte da população, não sobra grande margem para essas francesices…

quinta-feira, 17 de julho de 2008

a vida em geral

Então… às armas!

Nem sobre a terra, nem sobre o mar, ninguém sabe onde param, as duas metralhadoras Beretta de 9mm, que desapareceram do armeiro da esquadra da Belavista, em Setúbal.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia recusa-se a admitir que tenham sido roubadas, mas a verdade é que ninguém sabe onde elas param, nem que sumiço levaram.

O alerta foi dado, já em Maio, pela subcomissária responsável pela esquadra da Bela Vista. Duas pistolas metralhadora e respectivas munições tinham desaparecido do armário, onde estariam fechadas à chave e com acesso restrito e reservado à própria comissária, ou, na ausência dela, ao oficial que a substituísse. Logo na altura e após a denúncia foram accionadas todas as diligências para descobrir o paradeiro das armas. Abriu-se mesmo um processo disciplinar, enquanto se informava o Ministério Público da ocorrência. Da investigação interna em curso espera-se a maior celeridade. Em comunicado, a PSP afirma que a hierarquia da policia responsabiliza “todos os elementos policiais pelos actos praticados durante o serviço e que possam prejudicar a eficácia da força de segurança, nomeadamente o extravio ou destruição do material fornecido”. E neste caso, as hipóteses que se levantam são justamente essas. Roubo ou extravio. Sendo que, a hipótese de extravio, parece já, ela própria, um pouco extraviada! Como se extravia uma metralhadora?!... Esquecemo-nos dela no táxi, ou na Caixa do supermercado? Mandamo-la pelo correio para a prima na terra e os correios entregam-na a um estranho qualquer a 5oo quilómetros de distância?!...

Adiante. Já vimos que o presidente da associação sindical da polícia se recusa a admitir a hipótese de roubo. Ele diz que qualquer esquadra, por mais pequena que seja, tem sempre um armário seguro onde guardar este tipo de armamento, que é considerado já arma de guerra e usado em operações especiais mais perigosas, ou no patrulhamento automóvel da cidade. Paulo Rodrigues, chama-se o presidente, disse ao Diário de Notícias, que o mais certo é tratar-se de um “erro de contabilidade”. Ou seja, alguém se enganou a contar as armas. Diz Paulo Rodrigues: “eu apontaria para um erro de contabilidade, já que a policia ainda tem um modelo de gestão que vem dos anos 80”. Por isso, diz o sindicalista, é urgente adoptar uma gestão mais eficaz e simples. Diz que um modelo empresarial baseado nas novas tecnologias funcionaria muito bem e pouparia recursos humanos. Actualmente, diz Paulo Rodrigues, cada vez que é preciso saber do armamento disponível, há que fazer a contagem arma a arma e por várias pessoas, à vez e repetidamente.

Enfim, o processo de contagem unidade a unidade até à soma final, pode ser primitivo, mas se não houver distracções, parece relativamente seguro. Se é uma técnica dos anos 80 ou não… não sei, se bem que desconfie que é um pouco anterior, mesmo. Mas adiante.

Onde se quer chegar é a este ponto. Já se abriu um processo disciplinar, contra o quê, ou quem?... À comissária responsável, ao oficial que a substituiria eventualmente na ocasião? Aos dois? À esquadra por inteiro? O que se sabe é que o processo crime e a averiguação disciplinar – como lhe chama, no caso, o Correio da Manhã – estão em curso para saber se a comissária, ou algum subordinado poderão ser considerados responsáveis… neste caso, considerados irresponsáveis, já que é de incúria que se fala. Ficamos também e entretanto a saber que as armas estão a ser recontadas, para ver se afinal tudo não passa de um erro de conto. É verdade. Está aqui escrito. O alerta foi dado em Maio. Está um processo disciplinar em curso e entretanto e ainda, ou se quisermos, entretanto e só agora é que se está a recontar as armas, a ver se sempre falta alguma, ou antes pelo contrário, o que também seria pouco provável. Que sobrassem.

Provavelmente a contagem estará a ser feita ainda segundo o arcaico método usado em Portugal nos idos anos 80, pelo menos, ao que vimos, na polícia, do um mais um igual a dois, mais um, três e por aí fora...

Primitivo, mas eficiente na maioria dos casos, menos neste.

Entretanto também, acontece que a manchete, pelo menos a do Público, é também de armas que fala. Mas, neste caso, do milhão e 400 mil armas ilegais, que existem em Portugal. Um milhão e 400 mil é muita arma, ilegal ou não. Um milhão e 400 mil é quanto a PSP calcula que há, de armas ilegais espalhadas pelo território nacional. De certeza? Contaram-nas bem? Não será melhor contá-las outra vez?

salazar, o tal azar

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Antes de mais, e porque entretanto e apesar da discrição dos últimos tempos, calcula-se que ela ainda se mova… a investigação e julgamento do escândalo da Casa Pia e dos abusos sexuais sobre os menores internados na instituição…

Por isso mesmo e porque, mais que isso, Paulo Pedroso faz questão em não deixar cair o assunto, temos então que o deputado diz que vai responder ao arquivamento do processo contra seis antigos casapianos, com acusações particulares de difamação. Os jovens foram processados – escreve o Público – por terem envolvido Paulo Pedroso no escândalo de pedofilia, mas o processo foi arquivado. Pedroso não se conforma e quer que ele seja – eventualmente – reaberto… Ou seja, põe-se a hipótese de Paulo Pedroso avançar com novas queixas contra estes 6 ex-casapianos.

É bem possível que, se não fosse esta insistência de Pedroso, já pouca gente se lembrasse, que ele alguma vez foi implicado, ou indiciado no processo. Com mais um par de meses, ou vá lá, um anito, se calhar, então é que já ninguém se lembraria mesmo.

Entretanto, convém ser um bocadinho realista, também aqui nesta matéria. É que, se é de indemnizações que se trata…. um casapiano, ou um ex-casapiano, das duas uma: ou se deu muito bem na vida, depois de sair do colégio… ou então, duvido bastante que tenha dinheiro que chegue para pagar indemnizações. É que, a Casa Pia não é propriamente um colégio para meninos ricos.


E…duas boas notícias para desanuviar.

Comecemos pelo título do 24 Horas. “A culpa é da conjuntura”, é o que diz o título da notícia. E a notícia tem a ver com o Banco de Portugal ter dito que o crescimento económico se há-de ficar pelos 1,2% em Portugal e não nos 2%, previstos por governantes e alguns economistas.

Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, apresentou ontem, no Parlamento, o Boletim Económico de Verão e – segundo o 24 Horas – não trouxe boas notícias. Isto porque se conclui que vai haver menos crescimento e preços mais altos.

Bom, esta será talvez má notícia, quanto ao resto, permitam que discorde.

Isto, porque se, como se diz em título, a culpa é da conjuntura, tudo se explica e torna mais fácil. Pior… enfim, má notícia mesmo era chegar-se à conclusão que a culpa era de quem governa, ou de quem é governado, ou de quem gere e transacciona a riqueza produzida por ambos. Era muito pior – resumindo – se a culpa fosse nossa. Assim é muito melhor e é decerto uma excelente notícia saber que a culpa da tão cantada crise é da conjuntura. De um substantivo neutro. De uma coisa.

A outra boa notícia vem pela voz e declarações de José Sócrates.

Ontem ainda, à entrada para o jantar de celebração do primeiro aniversário de António Costa como presidente da Câmara de Lisboa… Foi aí que, questionado sobre a possibilidade de aumentos de salários na Função Pública, Sócrates terá respondido – como conta o Jornal de Notícias – que isso “só agravaria o problema e criaria uma espiral inflacionista”. Garantiu Sócrates, que esse seria “um erro” que nunca haveria de cometer, porque iria “prejudicar os mais pobres”. Aqui já a boa notícia se começa a desenhar… A preocupação manifesta de Sócrates pelos mais pobres, que o leva a recusar medidas, que até o poderiam tornar mais popular, mas que, como diz o primeiro-ministro, iriam prejudicar os mais pobres.

E porquê? Porque – continua Sócrates – a seguir ao aumento dos salários, aumentariam os preços. Seria um erro de política económica que este Governo - diz Sócrates – “que este Governo só para ser simpático não cometerá.” Claro que aqui, há que ter em conta a oralidade do discurso, que conduz a esta situação ambígua. Ou seja… diz Sócrates, que esse seria “um erro que o Governo, só para ser simpático, não cometerá”. Não cometerá o erro, só para ser simpático?!... Claro que não. Não impliquemos. Fiquemos antes pela boa notícia.

Diz Sócrates, que não aumenta os salários, porque senão teria de aumentar os preços. Era inevitável a relação de causa efeito. Excelente! Assim sendo e não havendo aumentos de salários para a Função Pública, isso só pode querer dizer, pela mesma lógica de raciocínio, que os preços não vão aumentar. Talvez não tão cedo. Não pelo menos até que a Função Pública seja aumentada. Coisa que o primeiro-ministro se recusa a fazer, pelo menos para já. E ainda bem, tendo em conta a inflação anunciada.


No Diário de Notícias, escreve-se que o Governo recusa assumir erros dos médicos. Lido assim, o que mais estranha é equacionar-se a hipótese contrária. Mas adiante.

Em sub título explica-se, que a inexistência de seguros pode levar médicos para o privado. É o alerta do bastonário da Ordem.

O que se passa é que o ministério da tutela, o da Saúde, atira para os hospitais a responsabilidade pelos erros dos médicos, mas o bastonário, Pedro Nunes acha que o Ministério se deve abrir ao debate, sobre a criação de seguros, que protejam os profissionais do ramo.

Segundo o novo regime de Responsabilidade Extracontratual do Estado – o que responsabiliza funcionários públicos pelos erros cometidos – torna-se mais exigente, o assacar de responsabilidades aos faltosos.

Médicos e enfermeiros estão a coberto de um seguro, garantido pelas respectivas Ordens, mas, segundo Pedro Nunes, é pouco. Não há grande capacidade financeira. O dinheiro é retirado das quotizações dos associados e mal cobre as despesas.

O ministério determina que, em caso de haver lugar a indemnizações por erros cometidos, por erros médicos cometidos, cabe ao hospital cobrir essa despesa. Acontece que, se se provar que o erro se deve a uma – como se diz – “negligência grosseira” do médico, este terá, por sua vez, de compensar o hospital.

O bastonário da Ordem dos médicos avisa que muitos clínicos – principalmente no privado e sobretudo cirurgiões – já decidiram por conta própria fazer os seus seguros de trabalho, ou de acidente de trabalho, ou de negligência grosseira no trabalho… enfim o que lhe chamarem…

Continua, Pedro Nunes que, se o Estado não der atenção a este assunto, ela vai intensificar-se, a fuga dos médicos, do serviço público para a medicina privada.

Conclui Pedro Nunes, que um médico que ganha mil e poucos euros não vai pagar ainda – atente-se no "ainda – “não vai pagar ainda um seguro, para cobrir as indemnizações altas a que pode estar sujeito”.

E concluímos, nós também, duas coisas simples e rápidas. Que há, em Portugal, médicos a ganhar mil e poucos euros por mês. É o que se depreende, com alguma boa vontade, das declarações do bastonário Nunes…

E ainda que, numa primeira leitura, o que preocupa mesmo estes médicos, é saber quem é que paga os estragos, se qualquer coisa correr mal, no exercício da profissão. Repare-se também, que não se falou nunca em acidente, em condições deficientes de trabalho que possam levar a qualquer problema grave e irremediável… falou-se em “erro médico”, em “negligência grosseira”. É esse, o ónus que os médicos se recusam a assumir em nome próprio e pretendem que um qualquer seguro, que alguém pague em nome deles, os proteja e guarde.

Para as vítimas desses mesmos erros será igual saber quem paga. Até porque, na maior parte das vezes, o que está em jogo, não tem preço.

terça-feira, 15 de julho de 2008

este post seria para ler depois do outro, que vem abaixo dele, mas isto, dos blogs, eles é que mandam!...

ALGUMAS SUGESTÕES DE PADRINHOS E MADRINHAS DO PRÓXIMO E FUTUROS SUBMARINOS DA GLORIOSA ARMADA NACIONAL
O Campeão nacional em título de mergulho em apneia

Mariza, a fadista

O chefe do Estado Maior da Armada (ou a mulher dele, vá...)

A múmia de Américo Tomás, sempre é a múmia de um contra-almirante, homem do ramo e qualificado, no seu tempo

Soraia Chaves, a jovem e meteórica actriz d'"O crime do padre Amaro", que não tem borbulhas como o champagne, mas, há quem garanta, que é capaz de albarroar um contra torpedeiro, só com um golpe de ancas.

José Castelo Branco, o popular e mediático, que adora inaugurações e festas em geral e é muito religioso, também

Vitor Constâncio, enquanto presidente do Banco de Portugal, deve achar interessante ver para onde vão as nossas economias, para depois poder rever à vontade, em alta, ou até mesmo debaixo de água, o défice orçamental português

José Sócrates, só para não ficar zangado, se fosse caso disso, que nós já o vimos zangado e é feio. assustador, mesmo

O Cardeal Patriarca de Lisboa, que, nisto de baptismos, nada como recorrer a um profissional, se bem que, aqui, o sacerdote teria de celebrar o acto com vinho espumante; não tanto por ser chique, ou tradição, mas porque, água e sal, como manda a praxis católica... isso, já o submarino vai ter com fartura, quando começar a navegar. só por isso

A minha prima Adelina, que ficou inconsolável, desde que era para ser madrinha do filho de uma colega lá do trabalho e afinal a cabra convidou a estúpida da sogra. se está à espera que a velha morra e lhe deixe a herança e o monte no alentejo, bem pode esperar sentada, que a velha está ali para as curvas e, deixar heranças não é com ela. forreta, como o raio que a partisse, era mais capaz de dar tudo aos porcos. nem nunca gramou o próprio filho, aliás, porque é que pensas que fez uma festa e andou 3 dias bêbada, quando ele se casou? só de vê-lo pelas costas!... isto é o que a minha prima diz . é só por isso. coitada, qualquer dia vai-se mesmo abaixo.

O despacho tem a data de 8 de Julho e os sindicatos da polícia já levantaram algumas dúvidas e contestam mesmo a legalidade da ordem de serviço. E o que é que ela ordena, a ordem de serviço? Em 13 pontos, ordena como se deve apresentar ao serviço, qualquer oficial da polícia, em Portugal.

E aqui chega-se à conclusão, que a ignorância é uma coisa terrível. A ignorância, a falta de informação. Explico já.

O 24 Horas publica algumas dessas 13 novas regras. Por exemplo – os homens não podem usar qualquer tipo de brincos ou piercings, em regiões corporais visíveis, ou expostas. Já as mulheres, brincos, só coisa discreta e no lóbulo inferior da orelha.

Também as tatuagens, a haver, devem ser cobertas pela roupa. O cabelo. Nos homens, barba e bigode e cabelo, há que os ter de cor natural ou discreta e uniforme. Às mulheres permite-se a vaidade de uma pequena nuance, ou madeixa, desde que dentro do socialmente comum ou aceitável… Seja lá isso o que for.

Voltemos aos bigodes. Pois já não estamos no século 19 e, bigodes agora, só com a parcimónia que não os deixe descair por sobre o lábio, ou retorcer as pontas em geometrias mais ou menos artísticas.

E até aqui, vamos indo. Agora…

Óculos de sol… diz que terão de ser dos convencionais e discretos, eles também… sendo que nunca devem ser usados quando o polícia está em formatura ou em contacto directo com a população. Isso vale para um polícia, como para qualquer civil, ou paisano. Falar com alguém de óculos escuros postos é das mais elementares regras de má educação.

O mesmo para o mascar de pastilha elástica, ou fumar… também aqui não deveria ser preciso chamar a atenção de ninguém. Mas continuemos, que a coisa refina-se. Diz assim: Evitar o uso abusivo e continuado de envio de mensagens SMS. Está a ficar melhor. Mais. Preservar a higiene pessoal e do uniforme. Eu não disse?... Está-se a compor! E agora, porque os meus amigos merecem o melhor que há no mundo… dou-vos mais esta última recomendação, expressa no despacho de que falamos. Diz assim:

Nas deslocações ao tribunal, ou em audiências de julgamento, ou outras diligências processuais, não é permitido o uso de chinelos, t-shirts, roupas rasgadas, ou camisolas de alças (!!!)

Todas as infracções serão castigadas. Sendo que, francamente, em relação a este último ponto, é capaz de ser talvez excesso de zelo. Que vos parece?

Só mais esta última nota final.

Ainda no 24 Horas e ainda na sequência do que vos dizia ao inicio, de que a falta de informação e a ignorância são coisas terríveis. E falo na ignorância, pela razão óbvia de que nunca me passaria pela cabeça que, por exemplo, fosse preciso fixar em despacho coisas como essa de não ir de chinelos e em serviço para uma audiência … mas há mais!...

Hoje na Alemanha é lançado às águas o “Trident”. O submarino português.

Uma encomenda de 2004, o “Trident” é o primeiro de dois submarinos encomendados por Portugal, para substituir os velhinhos “Delfim” e “Barracuda”. O primeiro, este “Trident”, chegará a Portugal só em 2010, mas hoje é o lançamento oficial à água. Na cidade de Kiel, nos estaleiros navais de Kiel.

Na cerimónia vai estar presente Severiano Teixeira, ministro da defesa e faz todo o sentido, claro. E também Jaime Gama, presidente da Assembleia da República. Enfim, a notícia do 24 Horas o que diz é isto: “A madrinha do Trident será Alda Taborda, mulher de Jaime Gama, presente na cerimónia.” Pela redacção, não se percebe bem se é da mulher de Jaime Gama que se fala, se do próprio, ou dos dois… Da esposa de Jaime Gama é de certeza, já que, ao que se lê, é quem vai baptizar o novo submarino.

Mas, para o que importa agora, será portanto, Alda Taborda, esposa de Jaime Gama a madrinha da embarcação.

É por isso que falava da ignorância e do terrível e, em certas profissões, imperdoável mesmo, que é a falta de informação.

Qual é a lógica da escolha destas coisas de apadrinhar navios, submarinos e outro género de embarcações, sejam vasos de guerra, ou veleiros de recreio? Sabeis vós?... Enfim, a uma escala doméstica, a lógica pode ser a da proximidade da madrinha ao afilhado, ou aos pais da criança… No caso de navios de guerra, propriedade do estado, aí será eventualmente outra qualquer, a lógica da escolha.

Mas, entretanto, quem é Alda Taborda?!

Terá alguma ligação especial e privilegiada à Marinha, ou à Defesa Nacional, ou, por absurdo e improvável, a alguma marca de champanhe, que é, pelo menos na marinha civil e mercante, com que se costuma celebrar este tipo de cerimónias ?!...

Quem é Alda Taborda? Alguém com uma paixão irrefreável por submarinos e baptizados?

Alda Taborda… Drª Alda Taborda é a esposa de Jaime Gama, presidente, por seu lado e inerência de funções, da Assembleia da República Portuguesa.

É o que vem, nesta breve biografia (não oficial, é certo) de Jaime Gama, na Internet. Casado com drª Alda Taborda. Se clicarmos no nome da senhora, entramos na página da própria, onde não consta sequer a especialidade que a doutorou, nem qualquer outra indicação útil, para além de que é casada com Jaime Gama, a 2ª figura da hierarquia do Estado português.

Ora, a partir de hoje, já se lhe pode incluir, que é também a madrinha do “Trident” – nome carinhoso para o U-209/PN, o primeiro de dois submarinos, que hão-de reforçar a frota nacional, a partir de 2010.

A notícia não diz, que não há espaço para tudo, se foi a madrinha quem escolheu o nome do neófito.

E, de repente, faz-se luz! Pois, não dizia que as madrinhas são escolhidas entre os mais próximos da família? E, a drª Alda Taborda, não é ela esposa de Jaime Gama?! Não foi, aliás, a única coisa que se concluiu, até ao momento? E, sendo Jaime Gama, o 2º da hierarquia do Estado, não o faz, de certa forma, também e juntamente com o ministro Severiano da Defesa, os pais da criança?. Então, pronto! A drª Alda Taborda é a madrinha, porque é casada com o pai da criança, ou com a mãe, para o caso, dá igual. É da família!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

“As bonecas deficientes podem ajudar as crianças?...” É a pergunta, em título e a toda a largura da página, esta segunda feira no jornal Público.

Bonecas deficientes como? Defeito de fabrico?!...

Nada disso. Têm os olhos amendoados, a língua ligeiramente de fora, as mãos sapudas. Explica-se em sub título, que são bonecas com o síndroma de Down.

Será brincadeira de mau gosto, ou, como se anuncia, a maneira de promover a diferença? As opiniões dividem-se. Há quem diga que roça o mau gosto.

Ora comecemos por aqui. O Jornal publica a fotografia do que se supõe serem dois exemplares destas bonecas, que começaram já a ser fabricadas e postas no mercado por uma empresa espanhola. Já se venderam 5 mil bonecas destas, em Espanha, onde, do lucro das vendas, a empresa doa 40% para a associação espanhola de apoio às crianças com o síndroma de Down.

Mas, não nos dispersemos. Dizia, que a ideia é controversa e divide opiniões. Primeiro que tudo – e regressemos às fotografias – as bonecas, que o jornal mostra, têm um ar absolutamente normal. Ou seja, são idênticas a centenas de outras, que já todos vimos, em outras tantas montras de loja. Se o jornal não dissesse que estas duas, estas duas em particular, foram desenhadas e construídas na imitação de uma criança com o síndroma de Down… ninguém lá chegaria por conclusão própria, ou por observação cuidada. Ninguém. Garanto-vos. Aliás, já todos vimos bonecas de aspecto bem mais estranho, sem etiqueta nenhuma em especial que indique o que elas pretendem retratar, ou significar, ou chamar a atenção para…

Mas, continuemos. Em Portugal, a “Diferenças” – associação de portadores de trissomia 21 e a “Raríssimas” – associação nacional de deficiências mentais e raras rejeitam estas bonecas. Diz o jornal, citando: “as meninas olham e admiram o perfeito, o ideal, a Barbie que não existe. Porquê retirar-lhes também esse sonho de se reverem nelas, como acontece com as meninas sem deficiência?” Este já é um raciocínio que me custa um bocado a acompanhar... Adiante.

Depois, há estes dois investigadores da Faculdade de Motricidade Humana – os nomes para já pouco adiantam – mas, que dizem que o ideal seria oferecer estas bonecas a crianças sem deficiência, para que percebam que há diversidade, que há diferença. Haver há, duvido um bocado é que as crianças consigam distingui-la, só de olhar para estas bonecas. Enfim, se se fizer mesmo questão em sublinhar essa diferença. Aí talvez lá cheguem.

Os fabricantes acham no entanto, que o público-alvo é mesmo o das crianças com deficiência. Para que elas tenham algo com que se identificar, para que construam a sua auto estima, para que se sintam mais integradas na sociedade. Continuo a dizer que os modelos apresentados na fotografia do jornal têm um aspecto absolutamente banal e idêntico a milhares de outros que já vimos. Tirando, claro, as Barbies.

Ora vamos às Barbies! Paula Costa, presidente da “Raríssimas” diz que esta ideia é má, porque – voltemos à citação – “as meninas olham e admiram o perfeito o ideal, a Barbie que não existe. Porquê…” – continua a presidente da “Raríssimas” – “…porquê retirar-lhes também esse sonho de se reverem nelas, como acontece com as meninas sem deficiência?” Ora bem, esta é fácil! Porque, ao menos as meninas com deficiência, talvez mereçam ser poupadas a esse sonho.

E por duas razões simples… Primeiro, por uma questão de honestidade. Porque por muito que façam, a condição genética nunca lhes há-de permitir ser uma Barbie. E ainda bem que não! Porque, ao contrário do que afirma Paula Costa, presidente da “Raríssimas” , a Barbie existe mesmo! E, se me permitem a opinião, é até bem mais desengraçada, benza-a deus!, que estas duas bonecas, que o Público hoje mostra em fotografia .

Depois, porque... Paula Costa ainda, diz que oferecer uma boneca destas a uma criança com o síndroma de Down é o mesmo que dizer: tu és assim, és diferente e só podes ter um dia um bebé como tu. Como se dissesse, “e isso é fodido, mas é assim mesmo. Estás condenada!" Diz ainda, Paula Costa, que não se quer promover a diferença, mas promover a beleza das crianças com síndroma de Down. Fazê-las crer que, por fora podemos ser diferentes, mas que, por dentro, somos todos iguais. Ora aí está um belo chavão cheio de pontas soltas e a segunda razão de que falava. É que, nem por dentro nós somos todos iguais. E daí? Qual é o problema?

Mas volto ao que importa. E o que importa é que estas bonecas são francamente mais bonitas que a escanzelada, que a inútil da Barbie. Têm, pelo menos, um ar mais saudável.

E em Portugal, é a batatinha frita, a pipoca em frente à televisão, é, mais que tudo, a ociosidade e a falta de assunto, o que leva as nossas crianças a ganhar peso até se tornarem, o que clinicamente se chama, obesas.

E em Portugal, conta o 24 Horas, há, a partir deste ano, um projecto pioneiro para combater a obesidade infantil. É um campo de férias especialmente organizado a pensar nas crianças com excesso de peso. Foi a médica Helena Fonseca quem teve a ideia e criou este campo de férias. A colónia de férias fica em S. Martinho do Porto. Funciona na pousada da Juventude de Alfeizeirão e recebe crianças entre os 10 e os 16 anos. E está a ser um sucesso.

As 30 crianças inscritas, diz que até já comem salada e até gostam. Diz a médica que as crianças já eram acompanhadas em espaço de consulta e que se tinha verificado que, o período entre o fim das aulas e as férias em família era o mais complicado. Isto porque é o período em que elas ficam entregues à própria sorte, sem outra companhia que não sejam os computadores, as consolas de jogos, ou a televisão. Um período em que a única actividade física é pestanejar, abrir e fechar a boca para comer e mexer os polegares para manipular os comandos dos videojogos e afins…

Era portanto urgente tirar as crianças dessa rotina entorpecedora e colocá-las num espaço onde fosse possível – diz a médica – trabalhar determinadas técnicas…

Para isso formou-se uma equipa de pediatras, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e especialistas em exercício físico.

Para já, os primeiros resultados são um sucesso rotundo. Diz a médica que é espantoso vê-los a comer com gosto, alface e cenoura em salada. Diz que está espantada com a quantidade e o gosto com que o fazem. Mais ainda. O gosto com que, depois das refeições, partem todos em grupo a fazer passeios a pé. Ninguém desiste e uns apoiam os outros, quando alguém dá sinais de cansaço, ou menos vontade.

A experiência foi planeada pelo Departamento da Criança e da Família do Hospital de Santa Maria e tem o apoio do Instituto da Juventude e da Plataforma contra a Obesidade da Direcção Geral de Saúde.

O projecto, nesta primeira edição, decorre até 19 de Julho e está aberto também aos pais, convidando-os a eles também a participar nas actividades físicas, juntamente com os filhos. Acabadas as férias e depois da passagem por este campo, as crianças vão continuar a ser monitorizadas pelos técnicos, que esperam sinceramente, que este exemplo os encoraje e dê força de vontade para, durante o resto do ano, continuarem a ter cuidado com a alimentação e a não cometer excessos.

E se calhar, aqui é que está o busílis da questão. É que, já vimos que, se tiverem, mais do que incentivo… se tiverem assunto, as crianças aderem com alegria – até comem alface, diz a médica. O problema é mesmo a falta de assunto. Ou se quisermos, a facilidade com que os pais destas crianças os deixam sozinhos e entregues à sorte, a imbecilizar aos poucos frente à televisão, ou agarrados à playstation. É mais fácil… Claro que todos eles, os pais, devem achar brilhante esta ideia e até parece que já os estamos a ver todos contentes a fazer ginástica com os filhos e a comer alface com eles, numa alegre e saudável confraternização macrobiótica. O pior é quando acabarem as férias e tudo voltar à rotina do dia a dia.



Nasceu ontem a União para o Mediterrâneo, escreve o Público a abrir a página – que aliás são duas – dedicadas à cimeira de Paris, deste fim-de-semana.

Uma União para enfrentar os grandes desafios do século. Uma União destinada a reforçar e impulsionar o Processo de Barcelona, que foi criado em 95, mas que não chegou a impor-se, devido sobretudo aos diferendos entre Israel e os Estados Árabes.

43 países, 750 milhões de cidadãos das duas margens do mar mediterrâneo, unidos – escreve o Público , citando a declaração final da cimeira… “unidos pela ambição comum de construir juntos um futuro de paz, democracia, prosperidade e compreensão humana , social e cultural.”

Continua-se depois, explicando que o projecto – o desta União para o Mediterrâneo - tem a ver com o assumir em mãos os grandes desafios do século. As alterações climáticas, a deterioração do ambiente, o acesso à água e à energia e ainda, as migrações e o diálogo entre civilizações… Aqui é que as águas se dividem, ou se quisermos, aqui é que o mar mediterrâneo estabelece a fronteira primordial. A ver…

Diz a notícia que " a primeira prioridade desta União para o Mediterrâneo vai ser despoluir o mar.” Para isso, há que eliminar em 80%, as fontes de poluição. Esgotos e lixeiras… um esforço que deve custar 2 mil milhões de euros até 2020. Isto, o esforço anunciado do lado europeu. Os desta margem pretendem igualmente avançar com o desenvolvimento da energia solar… mas neste caso, na outra margem, ou seja do lado africano. Bem como o reforço da protecção civil – aqui, fica-se sem saber de que lado, mas acredita-se que se estaria a pensar no reforço da protecção civil, nas praias e costas de desembarque dos imigrantes clandestinos… eventualmente. Outra prioridade na agenda europeia, para além de despoluir o mar, é reforçar os transportes marítimos entre as duas margens e a criação de uma Universidade Euro-Mediterrânica – que já foi, aliás, inaugurada na Eslovénia.

Agora as prioridades dos países da margem sul. Os da outra banda.

Em primeiro lugar… vistos de trabalho na Europa. Autorização para estudar na Europa.

Depois, possibilidade de vender a produção agrícola desses países, da outra margem, no mercado comunitário europeu.

Dois objectivos que, segundo o jornal, não estão por agora contemplados.

Ora, já vimos que há algumas diferenças entre os objectivos, que movem as duas margens do Mediterrâneo.

Sabe-se que o tal Processo de Barcelona terá encalhado justamente por se ter concluído que havia algum desequilíbrio, em favor da União Europeia e prejuízo dos outros países de fora do espaço comunitário. Pois agora e para colmatar essa grave falha, ter-se-á descoberto a pequena solução para o grande problema. E ela é – a presidência da recém criada União para o Mediterrâneo será bicéfala. Ou seja, uma presidência conjunta de um país do norte e outro do sul. Para já, esses cargos serão assumidos por Sarkozi, da França e Mubarak do Egipto. Também um secretariado-geral comum e bipartido se encarregará de definir projectos e angariar financiamentos.

E para já, também e apesar das diferenças substanciais e já referidas, dos propósitos, prioridades e objectivos das duas margens do mediterrâneo… apesar disso, que poderia levar a pensar que temos aí um problema. Por exemplo, o sul a querer vistos de trabalho e o norte a reforçar a protecção civil e as fronteiras… poderia ser um problema difícil de resolver. Ou o sul a querer ter acesso aos mercados comunitários e a comunidade mais preocupada em vender-lhes painéis solares… poderia ser, mas não é. Diz a noticia, que o problema maior e que aliás teve de ficar para outras núpcias… é o de decidir onde vai ficar a sede do futuro secretariado da União para o Mediterrâneo!

Há várias propostas… Espanha, Marrocos., Argélia, Tunísia, são os candidatos, mas, este fim de semana em Paris, não se chegou a consenso e a decisão ficou adiada para Novembro, para uma reunião de ministros de negócios estrangeiros que está agendada para essa altura. A grande decisão! Onde é que vai ficar a sede do secretariado da União para o Mediterrâneo. Tirando isso, tudo correu benzinho e o jornal garante até em título que, a Cimeira de Paris foi literalmente varrida por uma onda de optimismo quanto à paz no Médio Oriente.

Boa onda!