quarta-feira, 9 de abril de 2008


Vi há tempos um documentário na televisão . Uma reportagem com uma tribo de índios brasileiros que comiam as cinzas dos antepassados mortos , diz que, por uma questão de respeito.
A História das civilizações é exemplar em casos semelhantes. Desde guerreiros que comem as vísceras, ou bebem o sangue dos adversários caídos em combate, para lhes absorver a valentia e a "anima", a toda uma série infindável e variada de superstições e amuletos para todos os medos e situações. A essas pessoas costuma chamar-se (paternal e carinhosamente ) bárbaros.
Também é pródiga, a História das religiões, em relíquias. De santos, para já. Pedaços da roupa, fragmentos de osso, objectos pessoais… por aí. Relíquias de culto e devoção.
Pois a igreja polaca quer agora exumar o coração de João Paulo 2º. O papa morreu, fez 3 anos, este Abril. O ex presidente da Conferência Episcopal da Polónia não exclui a hipótese de, depois da beatificação, o coração de João Paulo 2º ser exumado e levado como relíquia, para ser exposto na catedral de Cracóvia, cidade onde CarolVoitila foi arcebispo.
Um porta voz do actual arcebispo de Cracóvia já disse que não é forçoso que seja o coração do papa. A igreja reconhece como relíquia sagrada qualquer objecto que tenha pertencido ao beato, ou santo, ou mártir em questão. Garante, no entanto, que certo, certo é que Cracóvia há-de receber qualquer coisa que valha como relíquia de João Paulo 2º, para veneração dos fiéis polacos e outros que queiram peregrinar até Cracóvia para o fazer.
A decisão final cabe ao actual papa, Bento 16. A decisão sobre a hipotética exumação do coração de João Paulo 2º.

E deixemo-nos ficar, um pouco mais, no reino dos mortos.
O cemitério de Copenhaga tem, a partir de agora, um talhão próprio para homosexuais.
Diz a notícia, que o espaço reservado pode receber 45 urnas, ao preço de 267 euros por cada lote.
A Associação Arco íris, que arrendou o espaço no cemitério de Copenhaga, diz que o objectivo é que os homosexuais e as lésbicas possam ser sepultados uns ao lado dos outros. O espaço será decorado de forma simbólica, por um triângulo de cascalho desenhado no chão, no meio do qual será colocada uma pedra. E em cima da pedra, a bandeira que os identifica. Os identifica enquanto movimento. A bandeira com um arco íris pintado. Será decerto uma alegria para os olhos de quem visitar o cemitério de Copenhaga, mas parece ao mesmo tempo, um pequeno recuo, na luta pela igualdade. Isto para não dizer que, ao que me soa mesmo é a uma valente paneleirice.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vários tibetanos raparam o cabelo, como forma de protesto pacífico contra a China. Escreve o Público, nas centrais. Cabeças rapadas para dar nas vistas. O protesto é transnacional, por onde a chama olímpica tem passado, as manifestações têm – se sucedido, em protesto contra a política chinesa no Tibete e contra as violações dos direitos humanos dentro da própria China.
E podemos estar a ver muito mal a situação, mas a impressão que fica é a de que, nunca como agora, a chama haveria de arder com violência mesmo, para que não restassem dúvidas quanto ao espírito dos Jogos. Para que o exemplo iluminasse os homens, a começar pelos que têm responsabilidades políticas.
Em Londres tentou-se e em Paris os manifestantes conseguiram mesmo apagar o facho olímpico. Ironicamente, o gesto reflecte, mais que um protesto, a realidade dos factos. A extinção anunciada desse espírito de união, de celebração da vitória pessoal e colectiva sobre todas as barreiras. As que se vêem e as outras…
Os protestos são mais que legítimos, disso estaremos todos, ou quase todos de acordo. E ninguém põe em causa a autoridade que assiste aos populares, às organizações não governamentais, aos movimentos cívicos e de solidariedade, aos próprios cidadãos chineses e tibetanos de aproveitar a oportunidade para desinquietar as consciências e a própria normalidade dos Jogos Olímpicos. Houve quem o fizesse já, por razões idênticas durante os próprios Jogos, como os Panteras Negras, em 68, no México. Ou antes ainda e quase sem querer, Jesse Owens, em 36, subindo ao podium perante o olhar angustiado de Adolf Hitler. Já antes, em 33, o Comité Olímpico Internacional tinha tido muitas e sérias dúvidas quanto à Alemanha nazi ser a organizadora dos Jogos. Desde então, pouco se terá aprendido na matéria.
Porque a verdade, por difícil de tragar que seja, é esta; passados os Jogos, a China vai continuar a ocupar o Tibete e alegadamente a tratar mal os seus cidadãos portas adentro e o resto do mundo vai continuar a manter relações diplomáticas e comerciais e outras com Pequim e a receber com honras de estado os políticos chineses em visita oficial e a estender-lhes a mão e a passadeira sempre que cá vierem almoçar.
A verdade é que os Jogos Olímpicos se realizam de 4 em 4 anos e o mundo tem, todos os anos, 365 dias para fazer a vida negra ao governo chinês.
366, nos anos bissextos.


sexta-feira, 4 de abril de 2008



Chegou então o fim do mundo. Pelo menos para Piotr Kouznetsov, o líder da seita ortodoxa russa que se refugiou, há 5 meses, numa caverna à espera do Dia do Juízo.
Ele, mais os seguidores, claro está. 34 pessoas ao todo. Barricaram-se num abrigo subterrâneo, na região de Penza, que fica a uns 700 km a sudoeste de Moscovo, já que perguntam… E chegaram mesmo a ameaçar fazer-se explodir, se a polícia os tentasse fazer sair do buraco. Acontece que longa se tornava a espera e o mundo não havia meio de acabar. Foi isso que fez perder a paciência aos fiéis e voltarem-se contra o profeta do apocalipse.
Acontece que parte do tecto da gruta terá entretanto caído, o que é sempre desagradável, mesmo quando se está à espera que o mundo acabe e nós com ele.
Uns começaram a desistir, discreta e pacificamente, saindo da gruta e voltando ao mundo exterior…
E agora foi a vez dos últimos se fartarem e revoltarem-se mesmo e violentamente contra o líder da seita. Diz o jornal que o guru sofreu mesmo um traumatismo craniano grave, no meio da refega. Enquanto isso, os sobreviventes do holocausto, que afinal não houve, abandonaram a gruta e regressaram à vida normal.
Agora a verdade é que, para o líder da seita a profecia realizou-se mesmo, de certa forma, ou seja, o mundo acabou mesmo. Pelo menos, o dele. Ou seja, para ele próprio, a diferença não há-de ser muita.

E já agora, para que não se diga que nunca se dá destaque, nestas efémeras crónicas, à actualidade económica, que faz as manchetes dos jornais da especialidade, pois paremos então hoje aqui mesmo nesta inequívoca capa do Diário Económico.
Uma capa que não deixa margem para dúvidas. A fotografia ocupa por inteiro a capa do jornal. A legenda que a explica foi reduzida ao mínimo. Meia dúzia de palavras de sentido vago, quase encriptado, o que só pode querer dizer que a imagem vale aqui, de facto, mais que mil palavras.
E que diz a imagem? Que o actor e modelo fotográfico Paulo Pires fez a barba. É a primeira e mais óbvia conclusão a que se chega quando se chega à capa do Diário Económico desta 6ª feira. É verdade que a podia ter feito um pouco melhor para a fotografia. À barba. A cara do actor podia de facto estar mais escanhoada, mas, se calhar, se assim fosse, já não seria notícia, nem merecia a capa do Diário Económico.
Mas assim, tal e qual como está, com a cara de quem fez a barba com uma gilette já com meia dúzia de barbas no currículo, o actor Paulo Pires recebe os leitores na capa do Diário Económico, como se essa fosse de facto a notícia mais importante que o jornal tem para dar hoje aos leitores. É esta a face visível do jornal, nos expositores dos quiosques e tabacarias. Claro que, quem quiser saber mesmo o que é que o jornal tem para dizer hoje aos leitores, das duas uma, ou compra o jornal, às cegas, ou, se quisermos, confiando cegamente em que o que o jornal trás para contar vale mesmo 1 euro e 50 cêntimos e depois seja o que deus quiser… Ou então pode sempre tentar discretamente folhear o jornal, ainda no expositor, para saber o que vem lá dentro.
Ora acontece que esse é um gesto que muitos vendedores não gostam. E se calhar com razão. Se toda a gente pegasse e folheasse os jornais antes de os comprar, ao fim de um bocado os jornais haveriam de estar num tal estado de sujidade e desalinho que já ninguém os quereria comprar, nem por 15 tostões, dos antigos.
Mas adiante que, hoje, de fotografias estamos bem.
Durão Barroso acusado de saber da utilização de barcos com prisioneiros suspeitos de terrorismo. Depois dos voos da CIA que sobrevoaram e utilizaram mesmo território nacional português para o transporte de prisioneiros a caminho de Guantanamo, agora a Reprive, organização de defesa dos direitos humanos, veio denunciar a utilização de um navio prisão norte americano, que terá cruzado as nossas águas e feito escala em portos portugueses. A denúncia da organização acusa Durão Barroso, enquanto primeiro-ministro de Portugal, de estar ao corrente destas movimentações.
O Diário de Notícias trás a história e a fotografia que a ilustra.
Diz a legenda: Durão visado sobre navio prisão. E na fotografia, Durão Barroso aparece meio escondido atrás do que pode ser a ombreira de uma porta. Tem as mãos nos bolsos e uma expressão que pode denunciar alguma apreensão. Eventualmente até a expressão de quem diz, ou pensa, oh diacho, como é que eu vou agora convencer esta gente de que não tenho culpa nenhuma naquilo de que me acusam?...
Pois já no Jornal de Notícias a fotografia que ilustra a mesma notícia é bem diferente. Aqui Durão aparece, como presidente da Comissão, percebe-se que sim por causa da plaquinha colocada sobre a mesa à frente e que o identifica como tal.
A fotografia foi tirada durante uma sessão de trabalho de uma qualquer instância comunitária. Percebe-se que sim pelo aparato e pelas outras personagens que se sentam ao lado dele. E aqui não há dúvidas que Durão já ultrapassou o susto, ou a expectativa que lhe ensombrava o rosto na foto do DN. Aqui Durão sorri aberta e francamente. Quase como se dissesse… o quê?!... Que já foi tudo esclarecido e provado como um enorme mal entendido?... Ou então não! Ou então, que sabia sim senhor, e daí?!...

Mas enfim, o que Portugal precisa mesmo é de mais licenciados. Pelo menos é o que garante a manchete do JN, citando Mariano Gago, o ministro das ciências tecnologias e ensino superior.
Foi ontem, à saída do ISCTE, onde falou durante a Conferência Internacional, na apresentação do relatório da OCDE sobre o Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento. E disse então o ministro que Portugal acordou tarde para o Superior. Só muito tardiamente percebeu – e estamos a citar – Portugal só muito tardiamente percebeu que precisa de muitas mais pessoas com formação superior e que o número de licenciados não chega para fazer uma economia mais desenvolvida e um país mais culto. Isso é tudo capaz de ser bem verdade, mas permito-me uma pequena ressalva. Essa do país mais culto…. Tenho para mim que, Portugal deve ser um dos países mais cultos de toda a Europa civilizada. Pelo menos se atentarmos no número de licenciados que anda a vender pizzas pelo telefone ou atender reclamações em Call Centers! Dificilmente se encontra pessoal mais qualificado, mesmo em pizzarias italianas.

Também é verdade que há sempre alternativas, para quem se dê mal com pepperonis e afins. É que a Agência Espacial Europeia tem 8 vagas para astronautas!
Esperam-se umas 50 mil candidaturas. É obra. Tanto mais que durante 9 anos as admissões estiveram fechadas.
O concurso está aberto aos 17 países que pertencem à organização – a ESA. Portugal incluído.
Não se pense em grandes viagens inter galácticas. O objectivo destes novos recrutas fica-se pela Estação Espacial Internacional. Mas são missões consideradas de longa duração. Três meses e um trabalho de grande complexidade técnica e científica. O que pode implicar passeios no espaço, em tarefas de manutenção do material e dos diversos módulos da estação.
Diz a notícia que a idade ideal é entre os 27 e os 37 anos e o contracto é válido o compromisso é por 20 anos.
Informação mais em pormenor é conferi-la no sítio da organização na Internet: aqui fica – http://www.esa.int
Só uma última informação, para os candidatos masculinos, mas não forçosamente só para eles… enfim, para quem for mais desenvolvido de musculatura, mais encorpado e robusto não haverá grande hipótese à partida. E só por uma razão. O espaço útil no interior da Estação Espacial é reduzido e cada centímetro cúbico é valioso demais para ser ocupado pelos bíceps e peitorais de qualquer Tarzan Taborda com aspirações a Neil Armstrong.
A selecção é naturalmente rigorosa neste e outros aspectos mais técnicos e de preparação física. Por exemplo, da última vez, dos 22 mil candidatos, só 4 foram escolhidos.
Mas vale sempre tentar. Apesar de tudo é capaz de ser mais divertido do que vender Pizzas pelo telefone…

quarta-feira, 2 de abril de 2008

30-3-8


Margarida Oliveira é a única reumatologista no interior, de Faro até Bragança. Diz o Público como exemplo.
A manchete, essa diz que os hospitais em zonas periféricas não conseguem atrair clínicos e que só foram preenchidas 10, das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas.
Continua-se depois explicando que a maior parte das unidades fica no interior e serve uma população cada vez mais envelhecida. Diz-se ainda que é a concorrência dos hospitais-empresa quem vem aumentar estas dificuldades todas.
O jornal dá o exemplo do hospital de Castelo Branco, onde em Fevereiro abriram vagas para 6 médicos de várias especialidades e nenhuma delas foi preenchida até hoje. Todos os anos abrem dois concursos para preencher vagas de especialidades várias em hospitais mais carenciados. No último concurso, só 10 das mais de 100 vagas foram preenchidas.
Para o presidente do hospital de Castelo Branco contractar, o ano passado, um pneumologista e conseguir fixá-lo no posto de trabalho foi quase uma lança em África. Foi a excepção que confirma a regra.
Para um outro clínico, neste caso o presidente do hospital da Guarda, a falta de especialistas pode não chegar a comprometer o funcionamento das unidades hospitalares, mas, com uma população envelhecida (que os novos, já se sabe, procuram vida noutras urbes…) a situação pode complicar-se com as listas de espera a aumentar exponencialmente. Na Guarda, dos 124 especialistas necessários, o quadro fica-se pelos 70. Ao todo, entre internos e contratados, o hospital da Guarda tem 108 médicos no activo, mesmo assim, abaixo das necessidades.
Para o bastonário a culpa é do sistema, que avança a duas velocidades. Com a criação dos hospitais-empresa o mercado sofreu uma mudança substancial. Uma mudança que se reflecte não só nos ordenados, como também nas próprias condições de trabalho, tanto em instalações como equipamentos. É por isso e é só mesmo por isso. Diz o bastonário.
Para o bastonário, a abertura de vagas carenciadas – escreve o Público - é a herança de um tempo em que todo o sistema era público e era possível fazer uma "gestão centralizada das carências a nível nacional". Com a livre contratação dos Hospitais Empresa passa-se a um sistema de planificação central para funcionar o mercado, o que quer dizer… ganha – diz o bastonário - quem consegue atrair profissionais. A única coisa que os hospitais de gestão pública podem oferecer neste momento é um vínculo ao Estado. À função pública e esse foi já um chão que deu uvas. Não convence os médicos actualmente. Diz o presidente do Hospital da Guarda, que hoje só uma minoria se deixe encantar por essa regalia. Muitos, a maioria, preferem um vínculo precário à entidade empregadora, desde que isso os mantenha nos grandes centros urbanos. E mesmo isso… Em Faro, as 8 vagas abertas no concurso deste ano ficaram todas por preencher. E Faro nem fica propriamente por detrás dos montes…
Ora a solução entretanto encontrada tem sido a de contratar médicos de empresas externas e que prestam serviços pontuais para resolver questões, que essas, de pontual não têm nada. São tarefas e necessidades do dia a dia de qualquer hospital.
Em Beja a solução é aliciar os jovens médicos com prémios em dinheiro para os fixar ao posto de trabalho. Aos jovens médicos que ficarem por 3 ou 5 anos no hospital de Beja, a administração oferece incentivos remuneratórios no internato. Mas, apesar de ser um hospital-empresa, Beja avisa já que não tem orçamento milionário para pagar a médicos com dúvidas existenciais, ou outras…
O presidente do Conselho Nacional do Médico Interno faz o diagnóstico da crise e é sem reservas que diz que o problema é que a liberalização do sector veio na pior altura. Com a alegada falta de mão-de-obra, o que acontece é que os jovens médicos preferem, mesmo assim, ou por isso mesmo, aceitar contractos individuais de trabalho nesses hospitais-empresa, ou então virarem-se definitivamente para o privado. Esses hospitais do interior são pouco atractivos, têm más condições de trabalho e condições nenhumas de renovação ou de formação dos mais novos na profissão. Um quadro clínico da situação que é preocupante e prenúncio de morte para os hospitais do interior do país.
Fica portanto a informação para todos os eventuais futuros utilizadores das especialidades em défice nos hospitais públicos, portugueses… a culpa é do sistema, que ainda pensa que os médicos vivem do ar e que não têm mais nada que fazer que tratar de gente com problemas de saúde, perdida lá para os confins desse Portugal profundo, ou lá o que é, que era só mesmo o que mais faltava …

sexta-feira, 28 de março de 2008

E a demência.
Diz o Diário de Notícias, que a polícia de giro, ontem à noite no Bairro Alto, deu com este casal a tentar roubar um automóvel. Eram umas 2 e meia da manhã e na rua da Academia das Ciências até nem havia grande movimento. A patrulha da polícia deu então com eles. Um casal na casa dos 30 anos à volta de um automóvel que aparentemente não lhes pertencia mesmo. Acontece que o obscuro objecto do desejo deste casal não era nem o próprio carro, nem o auto rádio, ou alguma mala, ou carteira esquecida lá dentro… o alvo era uma cadeira de bebé. Dessas desenhadas para transportar as crianças em segurança durante as viagens de automóvel. Uma peça que em primeira-mão e no comércio normal custará uns 300 euros.
E para que quereria este casal a cadeirinha? Que destino lhe iria dar se não tivesse sido preso entretanto?... Para uso próprio? Quer dizer então que têm automóvel, só lhes falta é o dinheiro para a cadeirinha?… E, antes de mais até, terão para já filho, sobrinho, ou afilhado que dê uso à cadeirinha ? Ou a ideia era vendê-la no mercado negro?
Aqui chegados, saltamos o desalento do legítimo dono da cadeirinha, quando chegasse ao carro e visse o que se tinha passado. Ficaria, neste caso literalmente, com a criança nos braços… pois saltemos isso, que isso é coisa que não passa pela cabeça dos ladrões… que mais que o valor do roubo é o desrespeito, o abuso de mexer em coisas que são doutros, que lhe têm o cheiro e a história e que isso é se calhar e para muita gente bem pior que ficar sem a carteira…
Saltemos isso e fixemo-nos só no bizarro da situação. Um sujeito de ar suspeito e comprometido chega-se ao pé de mim. Pára, hesita, olha à volta e com um gesto lento leva a mão à botoeira do sobretudo. Olha-me por cima dos óculos de lentes quase negras. Entreabre o casaco discretamente e é num sussurro terrível que me lança, como uma ameaça: “queres comprar uma cadeirinha de bebé?”

quinta-feira, 20 de março de 2008

ai o arre gaita do caraças, xiça

é só no meu computador, ou o blogger passou-se mesmo e agora não toca os "widgets" que lhe pendurei aqui ao lado ?!!!...

terça-feira, 18 de março de 2008


O representante da classe diz que o caso está a ter uma elevada cobertura mediática por ser um taxista, o protagonista da notícia.
Ora aí está uma grande verdade. É justamente por ser um taxista que o assunto merece a tal cobertura mediática especial de que fala o tal representante da classe. E aqui, a palavra justamente não foi escolha do azar, é mesmo uma questão de justeza, ou de justiça, se quisermos. E passemos por cima a questão de saber se o verbo é o mais correcto quando se diz que o representante da classe "fala" da cobertura mediática e não que o representante da classe se "queixa" da cobertura mediática… por isso, adiante.
Adiante, porque a verdade é que a história está a merecer sim senhor a cobertura mediática de todos os jornais desta manhã. Com mais ou menos destaque, mas está. A história do atropelamento de 4 crianças, sábado que passou, à tarde, na Praça das Flores, no Porto. Crianças entre os 4 e os 12 anos que atravessavam a rua, parece que fora da passadeira, quando foram colhidas pelo táxi. O condutor tinha uma percentagem de 0,92 de álcool no sangue. O limite máximo previsto na lei é de 0,5, se bem se lembram. Ontem dizia-vos eu que o pai do condutor que é também, ao que consta o patrão, saía em defesa do filho/empregado dizendo… enfim, reconhecendo que ele estaria ligeiramente embriagado, quando do acidente… Sabe-se também que quando se apresentou finalmente, uma hora depois do acidente, na esquadra da Campanhã, o motorista foi intimado a pagar uma multa de 500 euros e mandado para casa, sem mais e até ver.
Hoje, dizem os jornais que a Secretária de Estado dos Transportes considera gravíssimo o que aconteceu, mas garante que são cada vez mais exigentes as condições de admissão à profissão. Os certificados de aptidão profissional não se passam assim a qualquer um. Diz mesmo, a secretária de Estado que essa é uma exigência que até nem agrada muito e por aí além aos profissionais do sector. Em resposta temos o representante da classe, de que vos falava ao princípio, a dizer que o tal certificado é uma perfeita fantochada – com aspas.
Augusto Santos, o presidente da Associação de Defesa e Segurança dos Motoristas de Táxi do Porto diz que o tal certificado de aptidão só existe para os fazer gastar dinheiro e fazer perder tempo. Acha despropositado pagar 1100 euros para obter o documento e depois 80 euros pela renovação, de 5 em 5 anos. Isto, para além do tempo que se perde. Diz ele que perde umas boas 6 horas de cada vez que tem de renovar a licença.
E depois, voltamos ao princípio. Diz Augusto Santos que os jornais estão a fazer esta cobertura – pelos vistos e na opinião dele – excessiva do acontecimento porque ele envolve um motorista de táxi.
Ora aí está uma evidência redundante. Pois é justamente por se tratar de um motorista de táxi que tudo se torna particularmente mais grave e exemplar. Porque um motorista de táxi não pode pegar num carro, muito menos um táxi, com 0,92 de álcool no sangue, quando o limite é 0,5. Um motorista de táxi deveria acusar um redondíssimo zero no teste do balão. Sem desculpas nem rodeios. Um zero absoluto.
Para que depois, se por qualquer azar do destino, se despistasse e atropelasse alguém, não se pudesse culpar a embriaguez e a falta de respeito.
E isto é muito importante que se perceba. É que um taxista a conduzir com os copos não pode nem deve comprometer uma classe inteira. Agora enquanto algum corporativismo serôdio mandar mais que o bom senso, então sim… paga a classe toda por inteiro e muito injustamente (quero crer que sim) e disso, meus amigos, nós não temos culpa nenhuma.

Isto hoje parece o dia das conclusões inúteis.
Temos então agora Dick Cheney a dizer que houve "mudanças fenomenais" no Iraque, desde que os Estados Unidos invadiram o país para derrubar Saddam, ou capturar Bin Laden… uma dessas coisas. Houve certamente mudanças fenomenais. Toda a gente já viu isso, a começar pelos próprios iraquianos.
Na fotografia que o Jornal de Notícias publica a ilustrar a visita do vice-presidente a Bagdad, vê-se Dick Cheney a descer as escadas do avião, ladeadas por dois seguranças de óculos escuros à Matrix e metralhadoras aperradas. Diz a legenda que Cheney acredita que o Iraque está a subir os degraus da normalidade. Reparam no trocadilho? Cheney desce as escadas do avião enquanto o Iraque sobe os degraus da normalidade!... Só mesmo um trocadilho destes para nos distrair da blague. A da normalidade, digo eu.
Depois temos essa outra afirmação curiosa que se costuma fazer nestas ocasiões. A da visita surpresa. Claro que é mentira. Estas visitas não são surpresa para ninguém, rigorosamente ninguém. Preparadas até ao mais pequeno pormenor, mobilizando dispositivos de segurança de que nós nem fazemos uma pequena ideia. Que surpresa resta e para quem? Para as populações civis do Iraque? Duvido que se surpreendam, de há 5 anos para cá, com quem entra e sai no país.
E John McCain, o candidato republicano à presidência também foi a Bagdad. Este numa visita mais de passeio. De contacto com as tropas… E disse que era de elogiar os progressos conseguidos com o apoio norte americano e com a determinação dos iraquianos na luta contra a al Qaeda… Aos soldados, em Mossul, McCain disse mesmo que estava feliz por perceber que o povo norte americano está a entender cada vez melhor a estratégia do "para o Iraque rapidamente e em força"
Também aqui ninguém acredita na tese da visita surpresa… É inconcebível que, se ninguém soubesse que John McCain ia chegar a Bagdad, o candidato se pudesse passear tão sorridente e à vontade pelas ruas da cidade, a ver as tropas e as tais mudanças fenomenais de que Cheney fala, enquanto o país sobe os degraus da normalidade…
Em Kerbala mais um atentado matou 40 pessoas. Em Bagdad e enquanto Cheney e McCain andavam lá nas suas voltas, explodiram pelo menos 4 bombas. Que diabo de forma mais ruidosa de subir escadas!...
Quanto a Dick Cheney encontrou-se com representantes políticos iraquianos e com o próprio primeiro-ministro Al Maliki. E acha então Dick Cheney que é especialmente significativo poder voltar ao Iraque para assinalar o 5º aniversário do início da campanha que libertou o povo da tirania de Saddam Hussein. Na televisão, ontem à noite, e enquanto o povo celebrava nas ruas a liberdade e as mudanças fenomenais, via-se o vice-presidente norte-americano em conversa com os representantes iraquianos. Uma sala ricamente decorada. Diria mesmo luxuosamente. Tapeçarias pesadas e lindíssimas, cadeirões dourados. Uma luz requintada e suave. Uma tranquilidade propícia a todos os optimismos. Um ambiente também relativamente próprio, se bem que talvez um pouco luxuoso demais para jogar playsation, por exemplo. Um daqueles jogos, como o que ainda ontem aqui vos falei… o tal Manhunt, em que se matam pessoas à machadada, para ganhar pontos e passar de nível. Um jogo de gosto muito duvidoso, mas enfim, é só a brincar, ninguém se aleija realmente e depois tudo se esquece depois do computador desligado e entre dois donuts e uma laranjada fresquinha.

Esta é uma informação quase paralela à própria história, mas fica para que conste. E ao que consta são precisos pelo menos dois milagres para ganhar a santidade. Um milagre – beatificação. Dois milagres - santidade. É o que se depreende da notícia. E a notícia diz que o papa reconheceu as virtudes heróicas de Joaquim Alves Brás, o fundador do Instituto das Cooperadoras da Família – considerado o apóstolo tutelar das empregadas domésticas – e põe a hipótese de beatificar o padre português se se provarem que foram milagrosas e não explicadas, o que para o caso parece valer como "impossíveis" pela medicina tradicional e conhecida, as curas atribuídas à influência de Joaquim Alves Brás.
Já vimos que se se contabilizarem, pelo menos, duas curas miraculosas, o padre Joaquim Brás pode passar de imediato à categoria de santo. Ora a questão que – com todo o respeito – fica em aberto é esta: como o próprio papa reconheceu, as tais virtudes heróicas do padre Joaquim não lhe bastariam já para ser considerado um santo? È que nem sempre é fácil… manter a virtude, ainda mais com heroísmo, o que só vem provar o que acaba de ser dito. Nem sempre é fácil.
Outra história que cruza os matutinos desta 3ª feira é a do alegado recuo socialista quanto à questão dos piercings e tatuagens nos menores de idade.
PS já aceita piercings em menores. Diz o Público
PS disposto a recuar na lei dos piercings, é o título do Jornal de Notícias.
Temos então que o partido socialista português se manifestou ontem disponível para aceitar que menores de 18 anos sejam autorizados a usar piercings ou tatuagens, desde que as respectivas famílias assumam a responsabilidade.
Havia portanto essa ideia de proibir estas práticas em menores, e em nome da saúde pública e dos próprios.
Ora no que toca a saúde pública o caso tem a ver com o risco de contágios e transmissão de doenças. Isto parece ter mais a ver com as condições de higiene que os profissionais respeitam, ou não, no exercício dos respectivos misteres: seja a tatuagem ou espetar pregos no corpo das pessoas… e nisso tanto faz que a pessoa seja menor ou já vá na terceira idade…
Quanto à autorização das famílias… Claro que pode-se passar a pedir uma autorização escrita, na hora da tatuagem. E se os pais autorizarem, acaba-se o perigo, de repente e por milagre?! Ou talvez não, mas isso para já não importa nada…?
Para já e para o que importa temos o PS a reacertar o tiro e a dizer que está aberto a rever a ideia de proibir os cidadãos em geral – já não se fala só nos menores – os cidadãos em geral de aplicarem piercings em zonas mais sensíveis, como a língua, perto de vasos sanguíneos, nervos, músculos, ou feridas cutâneas. Nestes casos – e já que não se pede a autorização ou conhecimento prévio dos pais – pede-se que as pessoas sejam alertadas para os riscos a que se estão a expor.
Tudo isto, diz a notícia, em nome da saúde e para regular uma actividade que está, ao que parece, em saudável crescimento. Há que garantir – cita o Jornal de Notícias – garantir as boas práticas no que respeita à aplicação de elementos estranhos ao corpo humano.
Longe da ideia dos socialistas portugueses – garante o deputado citado pelo jornal (Renato Sampaio, chama-se ele, já agora…) longe disso, diz o deputado. A ideia do PS nunca foi proibir por proibir. Aquilo a que se chama o proibicionismo. A intenção é mesmo zelar pela saúde das pessoas e garantir as boas práticas.
O livre arbítrio é uma faca de dois gumes.
Com o tabaco é quase a mesma coisa. Ainda alguém nos há-de explicar um dia, como é que uma coisa que é manifestamente tão venenosa e prejudicial à saúde pública e privada de cada um ainda é de venda livre na nossa terra… ai as boas práticas, as boas práticas

segunda-feira, 17 de março de 2008

E o “JN” faz – não diria um escândalo – mas a manchete desta segunda feira com a notícia da polémica. É assim que lhe chama: polémica. E grita: "Deputado beneficiou empresa que lhe paga."
Explica-se logo abaixo, que o deputado em causa é social-democrata e se chama Pereira Coelho e que, enquanto presidente de um organismo público, atribuiu mais de 500 mil euros de fundos europeus a um grupo privado, em que viria a trabalhar um ano depois.
Abre-se o jornal e fica-se a saber que o que está em causa é o programa Lusitanea, uma empreitada que haveria de ter sido sujeita a concurso público e não adjudicada directamente, como parece que foi o caso.
O contracto de adjudicação rendeu 700 mil euros à empresa onde, um ano depois, o deputado se ligaria profissionalmente.
Diz o jornal, que a Europa está desconfiada e pede explicações…
E nós por cá ficamos sem saber de que é que o jornal se queixa… do facto da empreitada ter sido feita à revelia de qualquer concurso público, ou do deputado ter acabado a trabalhar na tal empresa a quem adjudicou directa e alegadamente a empreitada. É que, neste segundo caso, o mais que se pode apontar é a visão de futuro do deputado!

Ora polémica a sério está a levantar a ideia deste inspector da Scotland Yard. Quer ele criar uma base de dados de ADN das crianças do 1º ciclo. Não todas, só aquelas que revelarem um comportamento mais instável, ou difícil, ou irrequieto…. Enfim e em poucas palavras – aquelas que possam eventualmente vir a desenvolver comportamentos desviantes ou criminosos.
Gary Pugh dirige o departamento de Ciências Forenses da Scotland Yard e acha que é necessário um debate sério e urgente sobre a matéria. Saber até onde o Reino Unido pode ir, na identificação de possíveis delinquentes. Diz que há provas científicas que garantem ser possível fazer essa despistagem logo a partir dos 5 anos de idade de uma criança… Diz que quanto mais cedo esses jovens futuros e eventuais alegados criminosos forem identificados tanto melhor para todos.
O inspector está consciente da controvérsia da proposta e sabe também que – a fazer-se – podemos ter um problema: é que as crianças indexadas nessa tal lista dos criminosos virtuais podem vir a ser discriminadas – um bocadito só que seja – pelos professores e colegas…
Dados concretos: a Inglaterra tem a maior base de dados de ADN da Europa, com 4 milhões e meio de indivíduos recenseados, mas a polícia acha ainda pouco. Desde 2004 qualquer cidadão, com mais de 10 anos e que seja detido, pode ser indexado nessa lista. Uma lista onde já está milhão e meio de nomes de pessoas entre os 10 e os 18 anos.

Ora, falamos portanto de gente que se porta mal… ou antes, de gente que pode vir a portar-se mal… se o ADN não engana… Há sempre também a hipótese das más companhias e más influências virem a ter um papel um pouco importante na matéria… Tanto, ou até pode ser que mais até que a própria herança genética… Dando mesmo de barato a máxima do bom selvagem ou a do padre Américo, que garantia não haver maus rapazes… mesmo assim , é bem possível que as influências externas… a chamada educação, por exemplo, tenha um bocado a ver com o futuro que espera a cada um…
Viramos a página do jornal e aterramos em plena cena do crime.
Em decúbito lateral, escondendo a cabeça com os braços, o homem encolhe-se em pânico evidente. O caso não é para menos. O outro ergue o machado acima da cabeça e tudo leva a crer que o golpe que se segue há de ser fatal. Todo o chão está já vermelho do sangue que há de jorrar depois do golpe criminoso. A cena é de um realismo bastante apreciável, tendo em conta que se trata de um jogo de computador.
Chama-se “Manhunt” e nem sabia que já tinha levantado esta polémica toda. “Censura perde batalha”… diz o titulo.
Temos portanto que o jogo em causa… “Manhunt 2” - portanto já houve uma 1ª edição… “Manhunt 2”, o videojogo começa a ser comercializado amanhã em Inglaterra, colocando fim à batalha judicial de 9 meses entre a Rockstar e os responsáveis pela classificação de videojogos. Ora sendo assim, conclui a legenda do jornal… “Manhunt 2” é só para adultos. E ainda bem… que para as crianças, nunca se sabe que danos é que jogos destes lhes poderiam fazer ao ADN…

Vem no Correio da Manhã e é forçosamente um bom sinal. Talvez até o melhor sinal do real pulsar da nação. Longe das depressões a que a alma lusitana tantas vezes cede. Longe de guerras e polémicas, tantas vezes descabidas e inúteis…
Pois tudo aconteceu ontem de manhã em Lisboa e tem o 1º ministro e o da das Obras Públicas como protagonistas.
Diz o Correio da Manhã que Sócrates prometera reagir ao chumbo do diploma de transferência da zona ribeirinha de Lisboa para a Câmara, decidido por Cavaco Silva, mas que, acabou passando a palavra a Mário Lino, para que o ministro explicasse o ponto da situação e real verdade dos factos…
O resto da notícia, para já, deixemos estar, porque o que importa é este pormenor que o jornal até puxa para título… é que Sócrates, ao passar a palavra para o ministro Mário Lino, ter-lhe-á chamado – em tom de brincadeira – explica o jornal e ainda bem que explica - chamou-lhe então José Sócrates a Mário Lino… Mário Jamé… Evocando, explica ainda o Correio da Manhã… evocando a frase Alcochete Jamais (leia-se “jamé”, à francesa), que Lino proferiu há tempos, a propósito da localização do futuro aeroporto internacional de Lisboa.

Ao que tudo indica, ou senão, a notícia deixa de fazer grande sentido - esta do Mário Jamé terá sido dita em público, durante um acto público e com a comunicação social a ouvir, para depois contar…
Ao que tudo indica, também, o ministro Mário Lino terá respondido ao vocativo e respondeu ao que se lhe pedia, o que para o caso, como já vimos e para já, deixemos estar. Porque o que realmente interessa aqui reter é esta bonomia… este tom descontraído e folgazão que só pode dar confiança e pensamentos positivos a toda a gente… E é assim mesmo que devia ser… os exemplos, os bons e os maus, claro – é de cima que hão-de vir, se se pretende boa safra… Sócrates ao chamar Mário Jamé a Mário Lino, revela uma certa… como dizer?... joie de vivre, de que todos nós precisamos, mais ainda, se calhar , do que de obras públicas, ou progresso social. Enfim a joie de vivre de Sócrates e o fair play de Mário Lino, já agora. E se me lembrasse de mais algum chavão em estrangeiro, garanto que era agora que aproveitava para o incluir aqui. Há que aproveitar a maré. Não é todos os dias que vemos os nossos governantes tão bem dispostos. Até estava quase a sugerir que daqui para a frente, ou só no próximo 10 de Junho, a tropa marchasse ao som do Glen Miller, em vez daquele 2 por 4 quadrado e sem swing. Nem que fosse só para experimentar. A ver se, depois não se haveria de dizer, como Sócrates, noutra ocasião… -Então que tal o 10 de Junho?... -Foi porreiro pá!

Há uma vaga impressão que fica a pairar nas nossas cabeças quando se pensa no assunto.
A de que há profissões que exigem ao profissional que as exerce, um pouco mais que a outro qualquer cidadão comum. Conduzir um automóvel é uma delas.
Vem isto a propósito e sem entrar em grande pormenores, da notícia do atropelamento, sábado passado, de quatro meninas, no Porto.
Foram atropeladas por um táxi, quando atravessavam a rua, diz que, fora da passadeira. Consta também que o táxi lhes acertou para se desviar de um outro automóvel que lhe apareceu sem pedir licença e desrespeitando a lei das prioridades.
Quatro meninas foram atropeladas e uma delas está em coma induzido e com prognóstico reservado.
Agora temos o pai do motorista do táxi a sair em defesa do filho, dizendo que apesar de ex toxicodependente e de ter sido mesmo detido, em tempos, por narco tráfico… isso são tudo águas passadas e agora o filho está, o que em gíria se diz: limpo. Há 4 anos já.
A verdade é que lhe foi feito – ao motorista – um teste de despistagem de estupefacientes e o resultado foi negativo. O mesmo não se pode dizer do teste de alcoolemia. Deu 0,92. Uma ligeira embriaguez… chamou-lhe o pai do taxista. Mais, logo a seguir voltaram a fazer-lhe o teste e os resultados tinham descido quase 0,12%.... O que, para o pai do taxista, denuncia que os balões do teste deviam estar avariados….
Diz a notícia, entretanto, que o taxista – que na altura do acidente fugiu, com medo de ser linchado pela população – ao ser apresentado na polícia, na esquadra da Campanhã, foi-lhe passada uma multa de 500 euros, pela tal ligeira alcoolemia e mandado para casa, sem que a carta de condução lhe tivesse sido apreendida, ou suspensa. Diz também a notícia – enfim, alega o pai do taxista – que ele vinha devagar, mas que bastava vir a 50 para projectar qualquer peão a 20 ou 30 metros em lhe acertando. Diz que vinha devagar e que foi a guinada para fugir a outro carro, o que fez o táxi acertar nas 4 crianças e atropelá-las.
O pai do taxista espera que os tribunais sejam sensíveis a estes argumentos e seja feita justiça.

E a tal vaga impressão de desconforto que vos falava ao princípio que não passa, hem?!...

É que depois temos este policia de Leiria que – ao que consta - acidentalmente disparou e matou um assaltante , anteontem de madrugada, numa fábrica abandonada do vale do Lena.
Os alegados ladrões não respeitaram a ordem da polícia e começaram a fugir, foi então que este agente disparou. Primeiro para o ar, depois, já durante a perseguição, um segundo tiro – este, diz que acidental…
Mas foi este 2º tiro que acertou e acabou por matar um dos assaltantes em fuga.
Ora temos agora um processo disciplinar interno em curso na PSP de Leiria e, diz o jornal, que o agente em causa vai continuar ao serviço enquanto as averiguações se fazem. Diz também que o agente em causa terá ficado "agastado com o sucedido". Este "agastado" vem com aspas no jornal, o que quer dizer que deve ter sido mesmo assim, que o polícia disse e falou sobre o assunto. Está a ser acompanhado por uma equipa de psicólogos, entretanto e, pelo menos nos próximos tempos, deverá ser afastado do serviço de patrulha…
Agora chegamos a este ponto curioso. Diz o jornal que o agente levava na mão uma pistola-metralhadora que pesa uns 4 quilos e que já tem 30 anos de vida e de serviço… Diz ainda que segundo os vários sindicatos de policia, esta arma de que se fala é uma arma instável e que deve ser empunhada firmemente com ambas as mãos… Diz o jornal que, o policia em causa, na altura levava uma lanterna numa das mãos e na outra a tal metralhadora instável…

Sorte não ter tido de fazer nenhuma chamada para a central, durante a perseguição, senão ainda a metralhadora começava a ter ideias e vontade próprias e quem sabe quem mais se teria aleijado durante o assalto frustrado.
É isso… a tal sensação esquisita. Deve ser de ser 2ª feira!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Apostar na língua, no património e nas artes. É bastante vago, mas, à partida, soa bem.
E António Pinto Ribeiro, o actual ministro da Cultura, promete serem essas as prioridades do ministério que tutela.
Ora vamos à notícia. Vem no "DN", que, quarta-feira que vem, o ministro vai a S. Bento, aí pelo meio/fim da manhã para ser ouvido pela Comissão de Ética, Cultura e Sociedade. Deverá ser abordado o dossier "ensino artístico em Portugal", mas antes disso e entretanto, o Diário de Notícias já conseguiu que Pinto Ribeiro adiantasse algumas das linhas mestras do seu mandato próximo futuro… E, a saber, as áreas prioritárias são então a língua, o património e as artes… O que é um pouco vago, como já vimos, mas soa bem, como também estou em crer que concordarão.
Agora, o jornal esclarece que o que o ministro começou por dizer, quando o entrevistaram, foi que "a vinda para o Governo negoceia-se politicamente".
Ora, resta saber a que pergunta é que esta resposta corresponde… Ter-lhe-á sido perguntado: Como é que se negoceia a vinda para o Governo?!... Ou antes se a vinda para o Governo se negoceia politicamente?.. Ou ainda, por exemplo e absurdo, se a entrada no Governo se negoceia por mérito dos candidatos, reconhecida autoridade na matéria que se propõem ministrar, ou… ou quê? Por exemplo.
Também a verdade é que, tratando-se de um cargo político, faz todo o sentido que as negociações a haver se façam politicamente. Por isso adiante e vamos às prioridades.
Disse o ministro ao “DN” que tenciona influenciar o ministério da cultura em duas vertentes.
Primeiro, que é importante assegurar a cultura como eixo de crescimento económico, para que as artes e as indústrias culturais possam contribuir para o PIB nacional.
A cultura como eixo de crescimento… sempre o foi. Até mesmo económico, pelo menos nas civilizações que o perceberam a tempo. Que a cultura até pode dar dinheiro, desde que não a vendam a pataco.
A outra vertente de que se fala, será, segundo o “DN”, citando o ministro, "a afirmação internacional de que a nossa cultura precisa"…
Por outras palavras, ou quase… “haverá que aprofundar a nossa própria identidade do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos”… terá sido o que o ministro disse ao “DN”. Que há que aprofundar a nossa própria identidade do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos… Ora aí está o que faz as pressas. Dizia que era um pouco vaga a presunção enunciada… pois havia que ler até ao fim. A língua, a arte, o património… a questão resume-se afinal a isto: a aprofundar a nossa identidade (presume-se que nacional) do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos. Sem nos diluirmos em quê!?


E talvez já não se lembrem da história que aqui vos contei ontem, de um cidadão inglês, que trouxe colada á sola do sapato um baguito de uva esborrachado. Tê-lo-á – diz ele – pisado quando andava às compras no supermercado. Lá dentro não houve surpresas, mas cá fora escorregou, caiu e rompeu um tendão de uma perna. Diz que a culpa foi da uva. Diz que a uva é culpa do supermercado, donde, é o supermercado quem tem de o indemnizar pelo prejuízo. Prejuízo físico e moral e psíquico e tudo isso soma 400 mil euros. Diz ele. Ora de indemnizações nos fala também o Correio da Manhã desta quinta feira.
Fala, ou relembra, melhor dito. A indemnização pedida pelo ex ministro e parlamentar socialista Paulo Pedroso.
Uma indemnização de 800 mil euros por ter sido detido preventivamente durante 5 meses, na consequência do processo Casa Pia.
Na altura, o deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual. Na altura também, não chegou a ir a tribunal, sequer, por uma decisão da juíza instrutora do processo. Na altura, corria o ano de 2004.
Ora, 4 anos passados, Pedroso quer 800 mil euros de indemnização. Diz que é um imperativo ético sentar o Estado no banco dos réus e responsabilizar a Justiça.
Enfim, responsabilizar a Justiça é coisa que não se espera que alguém ponha em dúvida que se faça. Sempre e em qualquer circunstância. Quanto mais não seja, porque, ou muito me engano, ou o próprio conceito de Justiça passa um bocado por aí. Pelo assumir de responsabilidades.
Quanto aos 5 meses de prisão preventiva…. Se formos a fazer contas, quanto poderão pedir de indemnização ao Estado os outros cidadãos, presos preventivamente por períodos um pouco mais extensos?... Por exemplo, um ano. Daria, portanto: 5 mais 5 são dez – dava 1 milhão e 600 mil euros, mais dois meses a 160 mil por mês dá 320 mil, a somar ao milhão e 600 mil dá portanto… enfim, é fazer as contas.
Mas deixemo-nos de brincadeiras, é sempre um imperativo ético sentar o Estado no banco dos réus – se lhe quisermos chamar assim, nem que seja metaforicamente – para que o Estado assuma as responsabilidades que lhe competem, em coisas tão elementares como o respeito pela dignidade de cada um. Nem que a dignidade de cada um… o bom nome, como se costuma dizer, valha, cá em Portugal, o mesmo – pelo menos para alguns –o mesmo, a dignidade, quanto as pernas de um qualquer cidadão inglês que tenha escorregado numa casca de uva, à saída do supermercado, caído desamparado e magoado ambas as supracitadas e já referidas, á razão de 400 mil euros por cada perna.



Fica só por saber em que seminário é que este padre se formou, mas vamos à história. Diz o 24 Horas que foi condenado a prisão perpétua, um padre considerado culpado nos massacres do Ruanda, em 94.
O Padre é de etnia hutu. O abade Atahane Seromba. E é o primeiro sacerdote católico a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional para os Crimes no Ruanda. Julgado e condenado por crimes contra a Humanidade.
Já em finais de 2006, num primeiro julgamento, tinha sido condenado a 15 anos de prisão, por – abrem-se as aspas – " ajuda e incentivo" – fecham-se aspas – nas matanças da minoria tutsi do Ruanda. Agora os juízes reconsideraram e chegaram à conclusão que este padre fez um pouco mais que dar só uma ajuda e incentivo aos massacres. Ou então, que essa ajuda e incentivo foi um pouco longe demais. O exemplo. Foi o próprio padre quem autorizou as autoridades locais a destruírem a igreja onde se tinham refugiado 1.500 tutsis. A igreja veio abaixo esmagando e soterrando até à morte os 1.500 fiéis.
Dos livros de História, mesmo a mais antiga e bárbara, sobe de repente a memória de outras guerras, onde os templos religiosos eram o último refúgio e inviolável. Nenhum soldado se atreveria a violar solo sagrado. Nenhum se atreveria a desafiar a cólera divina, perseguindo e matando os filhos de Deus dentro da própria casa do Pai. Fosse por antigas leis da guerra, fosse por simples medo e superstição…
Neste caso, foi o próprio padre quem autorizou a blasfémia e a traição. Pensavam os refugiados que ali estariam em segurança… Ou talvez não. Talvez, por qualquer estranho e inexplicável pressentimento, tivessem percebido que a Hora tinha chegado e fosse, justamente aí que, abandonados por todos, se entregassem ao Sacrifício. Aceitando a loucura dos homens como sinal da ira divina? Ou vice-versa?...
Para o que importa agora é que o sacerdote ruandês foi condenado pelo tribunal Internacional, a prisão perpétua. Sendo ele um homem da Fé, faz ainda mais sentido o voto que fica expresso: que Deus lhe dê muita vida e saúde.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Informação útil e de última hora!
A China já não é um dos piores violadores dos direitos humanos.
Provavelmente já foi, mas já não é.
A garantia vem de Washington, no relatório anual do Departamento de Estado norte-americano.
Temos então que, para Washington, a lista negra dos violadores dos direitos humanos contempla actualmente a Coreia do Norte, o Irão (países que acumulam o estatuto com o de colaboradores do Eixo do Mal…) e ainda a Birmânia, Zimbabwé, Cuba, Bielorússia e Eritreia, para além dos recém incluídos Síria, Sudão e Uzbequistão.
Esta é a lista negra. Quanto à China, segundo o relatório, a situação melhorou um pouco, o que lhe retira o labéu, mas não livra do reparo…
Passou então de “pior violador sistemático dos direitos humanos”, para o de “país autoritário em plena reforma económica que viveu mudanças económicas rápidas, mas não procedeu a reformas políticas e continua a negar aos seus cidadãos os direitos do homem e as liberdades fundamentais básicas”!!! Vamos ler outra vez?... Embora.
“País autoritário em plena reforma económica que viveu mudanças económicas rápidas, mas não procedeu a reformas políticas e continua a negar aos seus cidadãos os direitos do homem e as liberdades fundamentais básicas”.
Outra vez?... Não me parece.
Ora acontece que Tom Casey, porta-voz do mesmo Departamento de Estado, que redigiu o relatório e a lista, diz que ela – a lista – não tem qualquer valor estatutário. Seja lá isso o que for…
E Portugal?... Ah pois, a menos que nos tenham confundido no mapa com os nossos vizinhos espanhóis – o que não era a primeira vez - diz o relatório do amigo americano, que em Portugal há “problemas nalgumas áreas, nomeadamente agressões e abusos ocasionais a detidos e más condições prisionais”. A cada um o seu Guantanamo.
Mas voltemos à China.
“A China promete reduzir poluição até Agosto.”
Ora acontece que isso sucede, ao que parece, em reacção à atitude de um atleta etíope, que disse que não corria a maratona olímpica por causa da poluição em Pequim.
Logo no dia seguinte, a organização dos Jogos prometia que ia conseguir limpar o ar sobre Pequim antes do 8 de Agosto. A China está confiante nos planos anti poluição que estão em marcha e garante que a qualidade do ar em Pequim será boa quando se acender a chama olímpica. O responsável chinês para a Protecção do Ambiente garantiu ontem isso mesmo: “0s nossos peritos prevêem que a qualidade do ar normal pode ser garantida.”
Ora aí está outra informação útil e de última hora. É fácil limpar o ar sobre as nossas cidades. Basta querer, ou então, estar à espera de visitas de cerimónia.

E vamos à capa do “24 Horas”, que hoje trás em manchete uma daquelas histórias que não interessam a ninguém.
Ou que pelo menos não deveriam interessar a ninguém, para além dos próprios intervenientes protagonistas dessa mesma história. Seja à luz do interesse público, seja à do interesse do público; conversa académica muito querida da classe jornalística e escrevedora de jornais, em geral.
Diz assim, o título. Aliás, deveria dizer grita assim: “Irmã de Alexandra Lencastre perdeu um filho”.
Em legenda mais pequena, fica-se ainda a saber que o namorado da referida irmã de Alexandra Lencastre terá revelado, ou vai revelar um segredo íntimo em tribunal.
Portanto, temos que na letra grande nem se identifica sequer a personagem de quem se fala. Diz-se simplesmente que é irmã de alguém, que, essa sim, é bastante popular na nossa terra: a actriz Alexandra Lencastre. A história, para quem não sabe, ou não se lembra, começou pela descoberta, que algum jornalista mais empenhado e laborioso fez, de que Alexandra Lencastre tinha uma meia irmã de que não se falava, ou desconhecia até – pelo menos o grande público – a existência… Percebeu-se na altura que tanto uma como outra não gostavam muito de falar no assunto. Se gostassem já o teriam feito, decerto. Mas mesmo assim o folhetim continuou.
Tanto que, se saltarmos a capa do “24” e mergulharmos no corpo do jornal vamos cair numa página 7, toda ela dedicada a esta mesma matéria.
Entra-se … e entra-se despudoradamente para ficar a saber dos problemas emocionais passados da jovem em questão – uma jornalista que tem andado um pouco afastada dos ecrãs de televisão por razões que só a ela deveriam dizer respeito. Fica-se a saber que ela esteve grávida e perdeu o filho. Fica-se a saber que está em tribunal um processo que opõe a jovem ao ex namorado. Fala-se em ofensas à integridade física, fala-se em coisas que são de tal maneira íntimas e pessoais que nunca deveriam sair daí mesmo. Da esfera dos assuntos pessoais da vida de cada um. E, no caso, do fórum da justiça e dos tribunais.
Porque, a servir de exemplo, ou denúncia de alguma coisa… da violência doméstica, ou conjugal, ou de género… há, infelizmente, todos os dias casos para contar e sem o espalhafato gratuito de uma capa, como a que o “24 Horas” hoje publica.
Por mais ingénuos que sejamos, dificilmente se compra a ideia de que foi só isso, o que levou o “24” a fazer o estardalhaço que faz com a capa de hoje… o de denunciar exemplarmente – já que os protagonistas são figuras mais ou menos públicas e conhecidas – denunciar exemplarmente esse tipo de situações violentas e confrangedoras.
É também verdade, que nos tempos que correm, a blague Wahroliana, dos 5 minutos, ou 15 de fama se tornou, para alguns, uma quase obsessão. Mas recusemo-nos a pensar que, neste caso, a jovem jornalista de que se fala, poderia chegar a este ponto só para aparecer nos jornais.

Agora sim, finalmente uma informação útil!
Vem no “JN”, que os Acidentes Vasculares Cerebrais fazem 500 vítimas mortais por mês, em Portugal; e isto à média de 6 AVC’s por hora, sendo 3 deles fatais.
O jornal, que cita as afirmações de Pedro Marques Silva, um especialista na matéria, clínico do hospital de Santa Marta, ilustra o exemplo: “o número de vítimas mortais de acidentes vasculares cerebrais equivale à queda de um Boeing 747, em Lisboa”.
E ora aí está! Estávamos a ir tão bem … Apesar da notícia ser preocupante e não se prestar a graçolas, a verdade é que estávamos a ir tão bem e logo aparece essa irreprimível necessidade de fazer estilo e pronto.
Ora então equivale à queda um 747 em Lisboa!? Parte-se do pressuposto de que, nessa eventual queda, morria toda a gente e que toda a gente seria 500 pessoas, que é do que se fala – 500 mortos por mês, vítimas de AVC. Ou então o avião até podia ir vazio, desde que apanhasse as vítimas cá em baixo, na queda…
Depois… porquê em Lisboa?! Se o avião caísse em Vila Nova de Foz Côa, o resultado seria diferente?! Claro que, se as 500 alegadas vítimas fossem os passageiros do avião, ia dar ao mesmo. Se estamos a contar com as pessoas cá em baixo que eventualmente poderiam levar com o avião em cima, … aí… apesar de tudo, em Vila Nova de Foz Côa, o impacto seria eventualmente menor. Ainda mais se o avião caísse mais por cima do rio, perto das gravuras, ou assim…
Finalmente sobra só e ainda a questão das 500 baixas de que se fala ocorrerem ao longo de um mês. No caso dos AVC. Já no caso do Boeing, seria muito mais cruel. È que já viram bem? O avião caía e as pessoas, as tais 500 pessoas, levavam um mês inteiro para morrer por completo. Ou agonizavam pelo marquês do Pombal, ou arrastavam-se para ir morrer longe, vítimas de horríveis e desconhecidas sequelas!

Mas voltemos ao que realmente interessa. Diz o médico que a prevenção é a chave primeira. Controlar a pressão arterial e depois e para já cortar no sal. Em Portugal come-se o dobro do sal que é preciso e que as autoridades internacionais de saúde recomendam.
Vá lá, mas é!

E aproveitemos o Boeing, antes que ele caia e voemos até ao Rio.
Rio de Janeiro, precisamente.
E se no princípio era o verbo, para o clero brasileiro, o verbo só, não chega e invoca-se o princípio de que uma imagem vale mais que mil palavras.
Vamos à história.
Vem no Correio da Manhã que a arquidiocese do Rio de Janeiro lançou uma campanha agressiva na luta contra o aborto. Uma campanha que levantou polémica mesmo entre os próprios fiéis católicos do Rio.
Durante as missas de domingo, os sacerdotes exibem, no altar, réplicas em resina sintética de fetos humanos e passam vídeos com cenas reais de intervenções cirúrgicas de aborto.
Algumas cenas são de tal violência que os próprios fiéis se sentem mal dispostos, choram e chegam mesmo, alguns, a vomitar a meio da missa.
Foram feitas 600 réplicas de fetos humanos para serem distribuídas pelas 260 paróquias do Rio. Nalgumas igrejas, os bonecos ficam em exposição nos altares, mesmo depois do “Ite Missa est” e durante toda a semana até ao domingo seguinte.
Para os defensores da interrupção voluntária da gravidez, esta campanha é uma forma inqualificável de terrorismo psicológico.
Será? Se for só isso, é como o outro.

Só para acabar …
O 24 horas na coluna do planeta bizarro conta a história de um cidadão inglês que quer 300 mil libras – 400 mil euros de indemnização da “Marks and Spencer”, a cadeia de supermercados, por se ter ferido numa queda que deu no estacionamento da loja. Diz que trazia colado à sola do sapato um bago de uva, que foi o que o fez escorregar, cair e romper um tendão da perna. Diz que trazia o bago de uva colado ao sapato e que foi na loja que o baguito se lhe colou à sola. Foi a uva a culpada, a uva era dos “Marks and Spencer” agora o “Marks and Spencer” que assuma a responsabilidade e lhe pague os tais 400 mil euros.
Diz que os prejuízos foram para além dos danos físicos. Fala em perda de confiança e depressão. Diz que agora nem consegue trabalhar em condições…
Também não precisa. Se vencer o processo em tribunal… 400 mil euros dão-lhe uma folga considerável. Pode tirar umas férias e ir até à praia, apanhar sol na tendinite. Tem é de ter cuidado com as cascas de laranja, ou outro lixo! Que, na praia, se escorrega e estraga a outra perna, vai processar quem? O cabo de mar?!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vem no Correio da Manhã e se não é gralha, vamos ter de rever uma ou duas coisas sobre, por exemplo, o que é um hospital psiquiátrico.
Diz assim: Hospitais vão ter salas para inimputáveis. Até aqui, vamos indo. Mas, se entrarmos no corpo da notícia, lemos que, Três hospitais psiquiátricos vão ter, nos próximos 5 anos, serviços de internamento para doentes inimputáveis e difíceis. Isto segundo o Plano Nacional de Saúde Mental, que prevê ainda a criação de unidades de tratamento para perturbações do comportamento alimentar, nas regiões de Lisboa, norte e centro de Portugal…
Continua, a notícia, dizendo que esses serviços para inimputáveis serão criado nos hospitais Júlio de Matos, em Lisboa, Magalhães Lemos, no Porto e Sobral Cid, em Coimbra.
Do que se sabia até hoje, é justamente nos hospitais psiquiátricos que se costuma internar os doentes que, por razões inerentes à própria doença, são considerados o que vulgarmente se chama de inimputáveis…

Agora o Público traz outra versão, provavelmente da mesma história…
O plano de saúde mental prevê unidades de saúde mental para crianças e adolescentes até 2016 – EM TODOS OS HOSPITAIS –
Quanto aos psiquiátricos, pois a ideia é justamente desactivar alguns e ir distribuindo progressivamente os serviços por todo o território. Para que os serviços fiquem obviamente mais próximos dos utentes e, também, como forma de ir desmistificando alguns fantasmas que ainda persistem a rondar as doenças de foro psicológico e mental…
O ambicioso objectivo do plano aprovado pelo Governo é – segundo o Público – ter nos próximos 6 anos novas unidades de psiquiatria da infância e adolescência em todos os hospitais centrais e distritais.
Já o ano passado, a comissão nomeada para reorganizar os serviços, propôs que os médicos dos 6 hospitais psiquiátricos, que existem actualmente, fossem progressivamente transferidos para departamentos da especialidade, nos hospitais gerais portugueses. A meta é o ano de 2012. Aí espera-se que sobrevivam apenas os hospitais de Júlio de Matos, Sobral Cid e Magalhães Lemos. O documento publicado ontem em Diário da República garante que nenhum dos hospitais psiquiátricos actualmente em funcionamento será desactivado antes dos novos serviços estarem prontos para funcionar. Quanto aos médicos… Isso pode ser um pequeno problema. Diz o Público que as entradas de novos médicos em Lisboa, Porto e Coimbra terão de ser restringidas, por forma a evitar a concentração nas grandes cidades, em prejuízo do resto do país e do próprio plano aprovado e em marcha… Por outro lado, continua ainda o jornal, "para facilitar a fixação dos médicos fora dos grandes centros, há que criar incentivos financeiros e promover a vinculação aos serviços numa fase precoce”. O mesmo é dizer – garantir-lhes o emprego e o contratozinho, logo enquanto estão ainda na fase do internato.
O mesmo é dizer: pendurar umas cenouritas aí pelos hospitais e centros de saúde, a ver se alguém se convence.
Profissões há muitas… umas são profissões de fé… outras nem por isso.

De Tóquio a Londres. Os protestos contra a caça à baleia.
Em Tóquio, militantes da Greenpeace vestiram-se de baleia, em Londres, militantes da Sea Shepherd acorrentaram-se à varanda da embaixada japonesa… Isso enquanto, em Londres também, a Comissão Baleeira Internacional começava uma reunião de 3 dias, para tentar conciliar as partes e os interesses dos que se opõe e dos que defendem a caça à baleia.
É uma reunião informal. O ano passado conseguiu-se convencer o Japão a suspender a caça à baleia de bossa, que seria retomada agora, após uma moratória de 40 anos.
Em defesa da caça à baleia surge entretanto uma outra arma. Um argumento "ecologista"… o de comer carne de baleia como forma de salvar o planeta. Uma ideia que surgiu do lobby pró-baleeiro norueguês. Coma baleia e salve o planeta – dizem eles. E isto porque – e parece que é verdade – sai muito mais em conta produzir carne de baleia para a alimentação do que carne de vaca, ou de outras espécies mais comuns à mesa da refeição.
Por exemplo: para se conseguir um quilo de carne de baleia emitem-se 1 quilo e novecentos gramas de gases com efeito de estufa… para um quilo de carne de vaca, os valores sobem aos 15 quilos e 800. Seis quilos e meio para a carne de porco e 4 quilos e meio para a de galinha. O estudo foi apresentado pela High North Alliance, organização que representa as comunidades do Árctico.
A Greenpeace já desmontou este estudo, alegando que: comer carne tem sempre efeitos negativos para o clima e para o ambiente.

Ora então, comer carne tem sempre efeitos negativos para o clima e para o ambiente?!…
Para o clima e para o ambiente, para além da própria pessoa que a come, ao que consta e alguns defendem – os vegetarianos, por exemplo.
Agora, quanto ao clima mesmo e ao ambiente, ficamos curiosos por saber, o que acha a Greenpeace do próprio vegetarianismo, de que falava agora mesmo…
Se deixarmos de comer carne e desatarmos a comer, por exemplo, só verduras… quem travará o avanço dos desertos?

quarta-feira, 5 de março de 2008

E no Irão?
Diz que os manuais escolares estão feitos para doutrinar os alunos na guerra santa global. A denúncia vem de uma organização não governamental norte americana – o Centro para a Monitorização da Paz no Médio Oriente. Segundo esta organização, os livros escolares iranianos tentam inculcar a ideia de que o mundo está dividido entre bons e maus. E este será justamente o tema de uma conferência, que está agendada para estes dias em Washington, moderada pela directora deste Centro de Monitorização da Paz no Médio Oriente.
Ora temos então que, os manuais escolares iranianos, dividem o mundo entre bons e maus, o que para a organização de que falamos é – eventualmente – mau sinal e má pedagogia.
Enfim, a verdade é que o mundo está mesmo divido entre bons e maus. A dificuldade está às vezes só em distinguir uns dos outros.

“O padre italiano Piero Gelmini, acusado de abusos sexuais, foi afastado do sacerdócio pelo Vaticano”. É assim que abre a breve do “24 Horas” de hoje.
O sacerdote foi acusado de ter violado 9 jovens. A “BBC” deu a notícia e explicou que a decisão partiu do próprio Papa – o que provavelmente é normal nestes casos…
Temos portanto que o padre fica proibido de celebrar missas e de ministrar sacramentos como baptismos e comunhões. Pode, no entanto, continuar a dirigir a comunidade de apoio a toxicodependentes, criada por ele próprio e onde foram cometidas as violações. A acusação era justamente essa: a violação de 9 jovens que estiveram internados numa das casas, das mais de 150, que a Comunidade tem. Os abusos terão ocorrido desde 97 e até ao ano passado. Portanto não pode é celebrar casamentos e baptizados, nem dar missas. Enfim, situações em que seria muito pouco provável que o padre tivesse oportunidade de molestar sexualmente alguém… mas isso também nunca se sabe… Para já, salvou-se a honra do convento.

Ora, sem sair do “24 Horas”, deixo os olhos escapar para a fotografia, pequenita, que está aqui ao lado. Uma jovem, em lingerie preta e extravagante, ajoelha-se sobre um canapé de cabedal, segurando um chicote. Na outra mão, uma almofada onde se lê, a vermelho baton: “Chicotes e correntes são para o quarto, não para o circo”. A provocação é assinada pela “PETA”, organização de defesa dos animais. E é justamente essa a ideia. Sair, de forma engenhosa, em defesa dos direitos dos animais. Que, segundo a organização, têm o direito a não usar correntes, nem obedecer a ordens de chicote, para serem exibidos num circo. A dar-lhes algum uso, aos chicotes e correntes, que o façamos em jogos eróticos sado masoquistas.
A campanha está já curso na Índia. Fica por saber qual será a tradição de sexo sado masoquista na Índia… Do tântrico já ouvimos falar e vem daí… agora o sado masoquismo… Se não for ofensivo para a moral e costumes locais é já uma sorte, mas enfim, alguém deve ter estudado o mercado antes de avançar com a campanha…

E saltemos agora para o “Diário de Notícias”, mas sem largar o chicote. É que é justamente sob o silvo do látego que ele vai ser castigado.
“Cento e oitenta chicotadas para o professor que foi surpreendido a beber um café com uma aluna”.
A notícia vem da Arábia Saudita e consta que lá é crime, este tipo de atitudes. O professor em causa lecciona psicologia numa universidade de Meca. A polícia religiosa apanhou-o a beber um café com uma aluna e o castigo aí está: 8 meses de prisão e 180 chicotadas. O suspeito já admitiu a falta, o que o constituiu rapidamente em réu e acusado. Há também, diz o jornal, quem considere o professor inocente do crime de que o acusam… o de ter sido surpreendido a beber um café com uma mulher. No caso uma aluna.
Mas o surpreendente nesta notícia ainda não vos contei. É a forma como ela própria foi redigida. Sei que o jornalista assina com as iniciais C. F. e que, pelo que fica escrito, deve ser uma sumidade internacional em moral e bons costumes. Vamos ouvir?... É subtil, mas se ouvirmos com atenção ela está lá a insinuaçãozinha bacoca…
“Chama-se Abu Ruzaiz, é professor de Psicologia e bebeu um café com uma aluna. Hélas!” - escreve o periodista a itálico… "terá sido o pior erro da sua vida…"
E continua: “a polícia religiosa, que quase se cola às paredes à procura destas banalidades, ficou a saber do “crime”. E a palavra crime vem entre aspas. Mas não devia. Apesar do jornal ser português, o crime de que se fala passou-se na Arábia Saudita e lá dispensa aspas. É mesmo crime, sem ironiazinhas insidiosas.
Pois a questão é essa. Não há tempo. Se houvesse, tempo e paciência, talvez pudéssemos fazer esse exercício de comparação. Seja em relação à nossa própria História recente e lembrarmo-nos das bizarrias de costumes e de leis a que Portugal esteve sujeito, ainda não há muito tempo e mais ainda e para além disso, repararmos bem em certos usos e costumes – não forçosamente ilícitos – mas que devem fazer rir a bom rir muito cidadão de outras praias e culturas. Enfim, se forem bem-educados, riem baixinho. E se forem mesmo bem-educados, não vão para os jornais fazer trocadilhos serôdios com a cultura de outros povos. Claro que uma pessoa ser chicoteada por beber um café com outra do sexo oposto é muito desagradável e não fará muito sentido, seja à luz de que século e civilização, mas isso não cabe a nós julgar e muito menos fazer piadola, com aspas ou sem elas.

terça-feira, 4 de março de 2008

As palavras. As palavras têm significados próprios. Quando querem dizer alguma coisa, dizem. E dizendo, fazem por não deixar margem para dúvidas, sobre o que querem dizer. Tomemos o exemplo da palavra: Paleozóico. Diz o dicionário que paleozóico é um adjectivo relativo à era primária, ou paleozóica. Sendo a era paleozóica aquela era geológica, que sucede à proterozóica. Quanto à palavra, deriva do grego.
E isto tudo porque, esta terça feira, o “Diário de Notícias”, acompanhando o desenvolvimento da luta dos professores, reproduz, com sublinhado, duas páginas da ficha de avaliação de desempenho que, ao que parece, é um dos pomos de toda esta discórdia.
A legenda da fotografia alerta para, o que o jornal chama, “parâmetro de avaliação político”. E chama-lhe assim, porque, ao que consta, é assim que os próprios professores classificam algumas alíneas da tal ficha de avaliação. Vamos aos sublinhados.
A legenda explica que são critérios políticos, como os que o jornal sublinha, que obrigam os professores a calar a insatisfação, se não estiverem de acordo com as políticas de educação do Governo.
Isto é o que diz a legenda. O sublinhado o que diz, ou melhor, pergunta, é o seguinte: se o docente é visto como um factor condicionante da aprendizagem do aluno… Se for, a nota é zero.
Se o docente teve um papel neutro no processo de aprendizagem do educando… Se teve, a nota é três e meio…
E se o docente actuou de forma a ter um papel de incentivo no processo de aprendizagem do educando… aí a nota é 8 valores, ou 8 pontos, não sei.
Não sei, mas até aqui, parece quase lógico que, o professor que incentiva o processo de aprendizagem, mereça uma avaliação superior àquele que, não só não puxa, não desperta no aluno o gosto pelo saber e pelo aprender, como ainda se constitui como "factor condicionante da aprendizagem”.
Agora o outro ponto da discórdia.
Pergunta a ficha de avaliação se o docente verbaliza a sua insatisfação, ou satisfação, face a mudanças ocorridas no sistema educativo e ou na escola… Se o faz através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares… aí é um zero redondo.
Se verbaliza a insatisfação, ou satisfação, de forma serena e fundamentada através de críticas construtivas potenciadoras de reflexão… nesse caso é nota 7.
Em última hipótese, saber se a insatisfação, ou satisfação, se manifesta afirmando-se o docente como um agente de mudança, apresentando sugestões nos órgãos próprios, que visem a melhoria da qualidade do ensino e da educação que se pratica na escola. E esta é a postura que merece a nota máxima: 10 valores. E é isto.
Valoriza-se portanto quem se apresenta com uma postura pró activa. Sugerindo medidas que possam melhorar o funcionamento da escola e a qualidade do ensino. Isso, em desprimor da outra atitude de críticas destruidoras que possam destabilizar a escola e o trabalho dos colegas… Coisa estranha, esta!... Bizarra, quase.
É aqui que o jornal e, ao que parece, os professores vêem o tal juízo político. A alegada lei da rolha… E até podem ter toda a razão. Há mesmo quem defenda que tudo na vida do Homem é político. Se formos por aí, está tudo certo. Agora, se a intenção é denunciar uma perseguição, ou vigilância repressiva do livre pensamento… aí, teremos forçosamente de abrandar a marcha. Pelo menos, no que fica exposto e citado das tais fichas mal amadas, o único motivo de desconfiança que sobressalta é esse mesmo… o da desconfiança, ela própria. O de, quase historicamente, desconfiarmos sempre e à partida de quase tudo o que surge de novo, ou determinado por hierarquias superiores. Nesta última parte, a das hierarquias superiores, o de desafiar a autoridade…o comportamento é saudável e natural… mas, na adolescência! Depois, com a idade, costuma passar. Já quanto à primeira parte do enunciado – desconfiar de tudo o que soe a novidade – também já não é grande novidade! E já não é desde o velho do Restelo! Há quanto tempo é que isso já foi?...
Enfim, na mesma linha de frases sonantes e palavras redondas, diria que, em Portugal, a desconfiança é um comportamento talvez um pouco… paleozóico?!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Vem no “24Horas”. Discreta, mas vem. Que, na Alemanha, os médicos fazem mea culpa.
Diz que, numa acção sem precedentes, vários médicos e enfermeiros confessaram em público erros cometidos no exercício das respectivas profissões. Foi ontem e, segundo o jornal, pretende-se assim criar um clima de maior abertura no debate sobre erros clínicos.
Isto na Alemanha… conta o "24Horas".

Do “Público” resgato estoutra…
“Ordem reprova nefrologista que fez lipoaspiração fatal”. É o caso da morte de uma jovem de 24 anos, na sequência e consequência de uma lipoaspiração que correu mal.
A operação foi em Faro e feita por um médico nefrologista. Médico dos rins, portanto…
O presidente do Colégio da Especialidade da Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética da Ordem dos Médicos (é espantoso o vasto campo das especializações! Simplesmente fantástico, mas adiante…) pois o presidente do colégio da especialidade disse ao "Público”, que um nefrologista não está habilitado para fazer lipoaspirações, mas que, no entanto, no domínio das leis, essa é uma questão complicada, porque não está definido o que é o acto médico.
Diz mais… que o que está assente como norma é o que dita o código deontológico da classe: que diz, que o médico não deve exceder o limite das suas competências nas suas práticas. Nem um médico, nem nenhum profissional de nenhum ofício, esperemos, mas adiante, que há mais… Diz o presidente do colégio da especialidade que "a realidade dos factos é que o dinheiro, às vezes, fala mais alto"!
A família da vítima já apresentou queixa ao Ministério da Saúde, com cópia endereçada ao Ministério Público. Para o Ministério da Saúde, o processo estará concluído até final de Março, em todas as suas vertentes… A burocracia tem uma maneira curiosa de falar!...
O presidente da ARS do Algarve diz que “só soube do caso depois da queixa apresentada pelos familiares” da vítima e que remeteu o caso para as autoridades competentes, sendo que terá recebido do Ministério da Saúde, “uma resposta pronta para averiguar as circunstâncias da morte.”
A circunstância, ao que se sabe, foi que a jovem começou logo a queixar-se mal chegou a casa, onde foi encontrada morta no chão, a 15 de Janeiro passado. O relatório da autópsia fala de obstrução de uma artéria… O presidente do colégio da especialidade, voltemos a ele, diz que, neste tipo de intervenções, “o problema é quando as coisas correm mal e é preciso ter mão” .
O problema é quando as coisas correm mal e é preciso ter mão!
Porque haverá, certamente, outro tipo de problemas que surgem quando as coisas correm bem! Como haverá decerto também situações em que as coisas correm mal e, não chegando a ser problema, não é preciso ter mão! Ou ainda aqueloutras em que as coisas não correm nem bem nem mal e toda a gente pode meter os pés pelas mãos à vontade, que não há problema.

Mas, finalmente uma luz ao fundo do túnel!
Falo da guerra dos professores. O “Público” hoje abre o destaque à matéria em causa.
Já saíram à rua mais de 10 mil professores. Diz o título.
Será muito difícil travar este movimento, diz Manuela Teixeira, ex sindicalista.
O acesso à categoria de titular, avaliação e alterações à gestão escolar são alguns dos motivos na origem dos protestos desta semana, é o que dizem.
Ontem, o protesto foi em Aveiro, lembra a reportagem de Maria José Santana.
A plataforma sindical, que coordena o protesto, espera mais de 25 mil manifestantes em Lisboa.
Ao topo da página corre a legenda – “sindicatos e movimentos espontâneos pressionam Governo com acções diárias” por baixo, a fotografia ilumina o centro da página.
Ontem à noite em Aveiro. Os manifestantes seguram velas, como nas procissões, dando um ar solene e trágico ao desfile… E em primeiro plano, um dos manifestantes ergue este cartaz extraordinário e surpreendente! Coisa rudimentar: um cartão pregado em duas ripas de madeira, mas surpreendente no que grita e diz assim: “Maria de Lurdes dá-me a tua camisola!”
Faça-se luz, que ainda há esperança no meu país! O sentido de humor está vivo e manifesta-se.

Será?!...
E esta senhora de 70 anos que vai a tribunal no próximo 1º de Abril por, alegadamente, ter tentado roubar um creme para as mãos de 1 euro e 39, num LIDL de Paços de Ferreira?!...
A administração do supermercado alega que a senhora tentou roubar o creme.
A arguida garante que foi esquecimento. Nem reparou no creme, esquecido no fundo do saco, entre o pacote de sal grosso e o de massinha para a canja.
Consta que, abordada por um segurança, já à saída, a senhora ter-se-á disposto prontamente a reparar a falta, mas o caso seguiu mesmo para tribunal. Vai a julgamento no próximo 1º de Abril. Dia das mentiras, dia das partidas, dia da galhofa, enfim, dia da parvoíce.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O tema é actual.
Ocupa pelo menos as duas páginas da respectiva secção do Diário de Notícias de hoje.
"Anti depressivos têm pouco ou nenhum efeito"… grita o título da notícia, como se soubesse que o assunto é sério . Avisa-se logo à entrada, que os medicamentos devem ser usados, sobretudo nos casos mais graves.
O ante-título explica entretanto que estamos a falar de um estudo – melhor - a análise de 47 estudos – que levou a Universidade de Hull, em Inglaterra, a concluir que os anti depressivos não são eficazes nos casos mais ligeiros da doença, acabando por ter um efeito semelhante ao de um placebo.
Ora aqui teremos forçosamente de parar. O medicamento em si pode não ter grande efeito real, físico ou químico no doente, mas, o segredo do placebo é justamente, não agredindo fisicamente o paciente, levá-lo à cura, por sugestão, em casos em que a doença é toda ela fruto de ordens disparatadas que o cérebro dá ao resto do corpo… Um processo idêntico, se quisermos, ao de certas curas milagrosas… Se falamos de eficácia… penso que ficamos eficazmente conversados.
Mas continuemos.
Escreve o “DN” que os médicos portugueses consideram que é pouco frequente dar-se anti depressivos a doentes ligeiros e que as práticas médicas vão de encontro ao estudo…
Ora isto dos anti depressivos começou a ganhar grande popularidade nos anos 80, quando apareceram no mercado produtos menos tóxicos e com menos efeitos secundários desagradáveis. Só no ano passado, os portugueses terão gasto mais de 100 milhões de euros em anti depressivos. Actualmente não se sabe quantos portugueses andam a comprimidos, embora, diz o “DN”, sejam as situações menos graves, as predominantes. E então em que é que ficamos?! Se é raro medicar-se depressões ligeiras com pastilhas, como é que o mercado é dominado justamente por essas patologias?!...

No Público, o título diz que nem mesmo o popular Prozac escapa ao labéu: “Prozac não é eficaz na maioria dos doentes de depressão”, diz o estudo e titula o Público.
O trabalho analisou tanto os resultados dos ensaios clínicos publicados, como outros que as empresas farmacêuticas não divulgaram. As empresas já criticaram o estudo… Umas dizem que o estudo não deve ser usado para alarmar os doentes. A fabricante do Prozac, por exemplo, diz que os estudos e a experiência demonstraram já que o medicamento é eficaz e um dos mais estudados, desde que foi sintetizado no laboratório, em 72. O curioso, neste caso, é que o Prozac era, no início, um medicamento para curar a tuberculose. Falhou na tuberculose, mas triunfou na depressão. Os anos 80 acabaram mesmo por consagrà-lo como campeão dos anti depressivos da moda. Jonhy Dep, o actor, toma Prozac; Winona Ryder, a actriz toma Prozac; Anna Nicole Smith, modelo e artista, também ela, à sua maneira e da sua própria arte, tomava Prozac. Tomava, que já não toma. Morreu disso, diz-se.
E se o "DN" não os referia, já o Público tem os números.
Em Portugal, há mais de 2 milhões de deprimidos, nos vários graus de depressão. Os números não são definitivos, já que muita gente sofre em silêncio.Mas não enganam, os números… Muito ou pouco deprimidos, e segundo dados do Infarmed, e depois de uma ligeira recessão, que já passou… a verdade é que se estão a vender umas 20 milhões de embalagens, em média por ano… entre ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, barbitúricos e anti depressivos em geral.
Volto ao “DN”, onde Marques Teixeira, presidente do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, diz que, 8 em cada 10 casos são de depressão ligeira, casos portanto em que os anti depressivos seriam escusados, segundo o estudo de que falamos… O título garante que os médicos portugueses garantem também que é pouco frequente dar-se anti depressivos a doentes ligeiros…

E pode ser tudo verdade.
E pode ser mesmo tudo rigorosamente verdade.
E se repetirmos esta afirmação mais uma dezena e meia de vezes talvez acabemos por acreditar…
Acreditar que o Xanax é açúcar pilé, que o Lorenin é massapão, que o Lexotan é pastilha elástica para os nervos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O que é que Paulo Pitta e Cunha tem, que o normal cidadão contribuinte pagador de impostos não tem?... Tem direito a página inteira e chamada de capa, na edição de hoje do Público!
Pitta e Cunha é fiscalista e o pai do IRS e do IRC. É assim que o Público o identifica, na chamada de capa: "O pai do IRS e do IRC penhorado pelo fisco depois de pagar dívida".
A Direcção Geral de Impostos terá penhorado uma conta bancária de Pitta e Cunha, por alegada dívida de pouco mais de 340 euros.
O jornal continua, na mesma chamada de capa, que a penhora ilegal nunca foi devidamente comunicada ao contribuinte e que foi efectuada já depois da alegada dívida ter sido paga.
Continua – e ainda não saímos da capa – que a penhora foi entretanto anulada, depois do fiscalista ter escrito ao, na altura, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Amaral Tomaz, e ao novo responsável pela pasta, Carlos Lobo. As Finanças garantem que o levantamento da penhora não tem nada a ver com as cartas de reclamação escritas pelo fiscalista Pitta e Cunha…
E poderíamos ficar por aqui. Poderíamos até dizer: ainda bem que tudo se resolveu! E pronto. Ficaríamos sempre sem saber porque é que a notícia tem o destaque de capa, que o Público lhe dá… mas, ficaríamos esclarecidos para todos os efeitos práticos.
Acontece que a notícia traz desenvolvimento de página inteira, na secção de Economia. Em ante-título anuncia-se que a Fazenda foi obrigada a recuar… isso já sabíamos. Vinha na capa. Diz que o pai do IRS foi vítima de penhora após pagar dívida… também já nos tinham dito. Que o fisco mandou congelar a conta do fiscalista e que ele denunciou a situação e que entretanto a penhora foi anulada…. Idem aspas, também já sabíamos.
Entremos então no corpo da notícia, à procura de novidades, obviamente. Desenvolvimentos…Informação que não tenha cabido na chamada de capa e que justifique a página inteira… E o que se fica a saber?... Pouco mais do que, tudo teve a ver com alegados desencontros burocráticos. Cartas que chegaram fora de tempo, ou quando os destinatários estavam de férias e a casa sem ninguém para receber o correio. Ficamos a saber também que Pitta e Cunha pagou o que se lhe pediu e nem reclamou dos juros de mora, só para não atrasar mais o processo e encerrar o assunto de vez. Ficamos finalmente a saber que, só à terceira é que o fisco se convenceu que Pitta e Cunha tinha as contas em dia e lhe levantou a penhora.
Processo kafkiano, diz o fiscalista. Na carta que enviou ao fisco, Pitta e Cunha denuncia a arrogância da administração para com o contribuinte, o desprezo pelas regras mais elementares de informação e comunicação, a grosseira desproporção entre as acções determinadas e as situações e valores em causa, a atitude atrabiliária fiscal. Pitta e Cunha fala numa espécie de sanha da administração contra o contribuinte, considerado pelo sistema como um presumível criminoso.

Ora bom, vamos lá a ver se a gente se entende!

O que aconteceu a Pitta e Cunha, acontece diariamente a muito bom contribuinte deste país. Uns reclamam, outros pagam e calam.
Nenhum deles terá algum dia o destaque que Pitta e Cunha merece na edição de hoje do jornal Público.
Porquê? Talvez nunca o venhamos a saber. Como talvez nunca cheguemos a saber o que é que o Público viu de tão transcendente na história, que lhe merecesse o destaque de capa e a página inteira.
Pitta e Cunha nunca poderia ser excepção, quando se fala em sobressaltos fiscais da natureza deste de que se fala… Ainda se se provasse que o fiscalista estava realmente em falta… ainda poderia servir de proveito a alguém, o mau exemplo... Mas não; quem falhou foi a máquina fiscal, a burocracia das finanças…e isso…. Desde quando é notícia?

E assinala-se hoje o 2º aniversário da lei das armas.
Vem, por exemplo, no Diário de Notícias, que, 2 anos passados sobre a aprovação da lei, diminuiu a procura, o pedido de licenciamento de armas, em Portugal.
O jornal conferiu os dados com a PSP, que justifica estes dados com o rigor da lei, que exige, por exemplo, um curso de formação específica, aos candidatos à licença de uso e porte de arma.
Hoje, a Comissão Nacional Justiça e Paz reúne-se com o secretário de Estado da Administração Interna, em audição pública, para esclarecer melhor algumas pontas soltas… a saber: como é que os mecanismos de registo, formação e acompanhamento do comércio estão a ser aplicados pelas autoridades.
Em 2006, a polícia apreendeu 6500 armas de fogo não licenciadas. Duas mil eram ilegais. Deste total, dois terços – se não foram destruídas, ou incluídas no museu da PSP – estão a ser analisadas para serem ou não legalizadas e devolvidas aos donos.
Para a Comissão Justiça e Paz, mais ainda que saber quantas armas foram apreendidas, ou registadas, importa saber como é que a polícia controla e acompanha o comércio das armas e o uso que se lhes dá. Saber até que ponto a polícia controla o uso criminoso dessas armas e ainda – não menos importante – saber porque é que as pessoas as compram! Conhecer os factores de medo e insegurança, que levam as pessoas a comprar uma arma de fogo.

Outros relatórios, estudos, avaliações… Mais de mil portugueses inquiridos e o resultado diz que “os ciganos continuam malvistos, pelos que não se acham racistas”.
È assim que o DN abre a notícia.
Os portugueses terão interiorizado esse conceito de que ser racista é feio e não faz sentido. Uma coisa racional, inteligente, adquirida. Sabem que não é bom ser preconceituoso, mas… se lhe perguntarem, 61% acha que os ciganos são maliciosos… 70% acha-os preguiçosos… 67,5% que são mentirosos e, em 44% dos casos, o português não quer os filhos a brincar com os filhos dos ciganos, ou que se lhe cheguem perto sequer…
O estereótipo tem muita da culpa nestes casos… Manuel Carlos Silva, da Universidade do Minho, reconhece que são barreiras difíceis de vencer… um incidente isolado, diz o investigador,
“valida o estereótipo que 40 ou 50 casos contrários não conseguem reverter”.

Chama-se: Relações Interétnicas, o estudo. Foi elaborado há 2 anos e vai ser hoje debatido, num seminário sobre migrações e preconceito, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Quanto ao resultado … tem o valor de referência que tem e a mais não pode ser obrigado, já que – e voltamos ao princípio – muita gente terá viciado a resposta só para ficar bem vista… porque aceita, como consensual e politicamente correcto, afastar toda a sombra de pecado, quando se fala em racismo, discriminação, xenofobia, segregação…
Mesmo que na prática se tenha um comportamento bem diverso.
Ou se quisermos… o facto de não o reconhecer publicamente não quer dizer nada… é como ter em casa uma Kalachnicov por registar…

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


Homicídios, já se sabe, há os voluntários e os outros… por negligência. Disso já todos ouvimos falar. Portanto aqui, estaríamos perante um homicídio por negligência. Enfim a hipótese punha-se… Existia esse risco real. O de algumas partes do engenho não se desintegrarem, ou incendiarem, na reentrada na atmosfera e acabar contaminando áreas densamente habitadas, cá em baixo. Falamos do tal satélite espião norte-americano que foi abatido, ontem, durante a nossa madrugada. Um único míssil, disparado do Lake Erie, ao largo do Havai, destruiu o satélite em pleno voo, fazendo cair os destroços nas águas do Pacífico. Os tanques do satélite – satélite que afinal nunca chegou a fazer espionagem nenhuma, já que, alegadamente, um computador de bordo avariou e tornou o satélite inútil para todos os efeitos previstos… pois os tanques do satélite estavam cheios de hidrazina. Quase meia tonelada de hidrazina. Um combustível tóxico, que poderia contaminar populações no Canadá, Irlanda, Escócia e América do Sul. Queimar-lhes os pulmões até à morte… E isso poderia acabar por acontecer, já a 1 de Março, se não se tivesse apressado a destruição do engenho. As autoridades garantem que a hipótese de sucesso da operação se fixa entre os 80 e os 90%. Mas só as 15 horas a seguir à explosão podem assegurar o êxito. 15 horas é o tempo que demoram os primeiros destroços a cair na Terra.
Ora, acontece que esta operação já provocou reacções de preocupação e denúncia.
Moscovo diz que se tratou de um teste balístico camuflado… Também a China, que já usou um processo semelhante para se livrar de algum lixo astronáutico… também Pequim considera que estamos perante uma operação militar e pede mais explicações a Washington. Teme-se que, o que está em causa, seja uma experiência para avaliar a capacidade norte-americana de destruir satélites e outras geringonças semelhantes de outros países. Uma espécie de remake da "Guerra das Estrelas"!
Washington já desmentiu a insinuação, garantindo que não foi testado nenhum novo sistema de abate de satélites, próprios ou alheios… E que também não era a intenção, destruir componentes secretos deste satélite em particular, já que, na reentrada na atmosfera, toda a informação classificada haveria de arder no impacto.
Para a NASA, o objectivo é e sempre foi muito claro! Abater o satélite e prevenir o desastre e, por outro lado, ensaiar o sistema balístico anti-míssil…
Seja como for, a discussão está relançada, sobre o uso de armas no espaço.
Para a União dos Cientistas Preocupados (UCP), a destruição do satélite está a anos-luz de ser uma boa solução. Sejam quais forem os motivos, a demonstração de um sistema anti-satélites é contraproducente para os interesses norte-americanos a longo prazo. Disse-o Laura Grego, da UCP. Que, se o Pentágono demonstra que os seus sistemas de defesas com mísseis podem destruir satélites, será muito difícil convencer outros países, que não devem desenvolver capacidades semelhantes…
E isso são, entretanto, outras guerras. Para já, as populações do Canadá, Irlanda, Escócia e alguma América do Sul podem dizer que venceram uma batalha… o de não serem envenenadas, nem que seja por negligência, por essa arma de destruição em massa, que, ao que parece, pode ser a combustível hidrazina!

E agora outros voos…
“Londres acaba de reconhecer a paragem de voos da CIA em território inglês.”
O ministro dos negócios estrangeiros assumiu que dois aviões fizeram escala de reabastecimento na ilha Diego Garcia, território britânico, no oceano Índico.
Dois voos, que transportavam suspeitos de terrorismo, fizeram escala em Diego Garcia, em 2002. O ministro lamentou que essa informação tivesse sido negada até agora.
Washington já disse que foi um erro administrativo…
De acordo com a administração norte-americana, a que o governo inglês terá tido acesso, na semana passada, a base do Índico foi mesmo utilizada pelos aviões ao serviço da CIA. O ministro Miliband, dos negócios estrangeiros ingleses, pediu desculpa e lamentou ter de corrigir e actualizar agora a informação… Disse que, as primeiras informações que tinha, as passou de boa fé… De boa fé, com base nas informações norte-americanas. Disse mesmo, que se recusava a admitir que Washington tivesse querido enganar Londres. O ministro insistiu que queria acreditar que foi de boa fé que Washington garantiu não haver evidência do uso da base de Diego Garcia. Um porta-voz do departamento de Estado também lamentou ter sido passada informação errada a um bom amigo… Neste caso o amigo inglês. Amigo e aliado, disse. Não se pode falar em encobrimento de dados, mas antes de um erro administrativo. O director da CIA também já explicou que foi uma falha no registo dos dois voos. Disse que o governo tinha informado Londres, de que nenhum voo com suspeitos de terrorismo tinha usado chão, ou espaço aéreo britânico depois do 11 de Setembro, só que depois se provou que a informação estava errada…

A ver se não se conclui o mesmo quanto ao tal satélite espião! Só faltava agora, depois deste trabalho todo, concluir-se que afinal, hidrazina coisa nenhuma, o que o satélite gasta é gasóleo agrícola. Ora batatas!


Não é fria, é requentada… a guerra!
“Israel é uma democracia estável e as armas que detém são para se defender.”
E foi assim que se defendeu, o vice-presidente de um grupo britânico de amigos de Israel: o Labour Friends of Israel. Mas o melhor é contar a história como deve de ser.
Londres acaba de reconhecer que manteve secreta uma referência ao nuclear israelita, como forma de não comprometer as relações com Telavive. Essa referência foi omissa, no primeiro rascunho do dossier em que o Iraque era acusado de desrespeitar a ONU, ao tentar obter armas de destruição massiva… Enfim, dá-se de barato a construção verbal: tentar obter… que do resto e do que ficou provado, tudo se terá ficado por aí… pela tentativa.
O dossier em causa foi redigido em Setembro de 2002, mas só foi publicado na semana passada. O Foreign Office terá mesmo convencido o Tribunal de Informação a manter secreta a referência manuscrita a Israel. O tribunal acatou a sugestão. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros inglês, revelar a referência a Israel iria, não só comprometer a diplomacia, como, alegadamente, prejudicar a capacidade do próprio ministério de prevenir conflitos. Conflitos diplomáticos, subentende-se…
Juntamente com referências desfavoráveis aos próprios Estados Unidos e Japão, a nota referente a Israel tinha sido acrescentada à margem e à mão, por alguém, comentando a afirmação de abertura que garantia que, nenhum outro país, além do Iraque, teria desafiado tão frontal e descaradamente a autoridade das Nações Unidas, nesta guerra das armas de destruição em massa…
Isto é o que diz a notícia. Notícia de hoje. Agora, o que a memória recente diz e relembra é que o tal argumento da defesa pessoal, de que se falava ao início, tem umas barbas quase do tamanho das do próprio Karl Marx… mais hirsutas que o bigode de Estaline.
Barbas, do tempo em que o medo se escondia, fazendo negaças aterradoras por trás de uma cortina de ferro.
“Israel é uma democracia estável... O Iraque é instável e uma ameaça.” Foi o que disse o vice-presidente do Labour Friends of Israel. E que pensam que responderia, se lhe perguntassem sobre o seu próprio regime, qualquer dirigente político no poder, em qualquer país ao cimo da Terra, neste preciso momento em que vos falo; mesmo os mais sinistros e criminosos?!...
Todos, mas todos, haveriam de responder que o pecado mora ao lado.


E a cada um a sua guerra…
(gancho fraco, mas é o que se arranja para passarmos à actualidade nacional…)

O “Diário de Notícias” abre hoje duas páginas inteiras ao assunto: a desigualdade de salários entre os mais ricos e os mais pobres em Portugal. Fica-se a saber que o fosso já foi maior, mas que mesmo assim, os 6,8% – que é a diferença, em número de vezes, entre o salário mais alto e o mais baixo, este ano em Portugal – essa diferença ainda preocupa e indigna muita gente. Ontem, o ministro das Finanças foi a S. Bento, responder à interpelação do Bloco de Esquerda, sobre a Política de Rendimentos e Preços e o Agravamento das Desigualdades Sociais.
O ministro acabou por defender a divulgação dos salários dos mais bem pagos, como forma até de estimular a opinião pública e a pressão social para evitar as tais elevadas discrepâncias…
Francisco Louçã fez as contas por alto e foi directo ao assunto: os gestores, em Portugal, levam para casa, cerca de 32 vezes mais dinheiro de ordenado do que os trabalhadores menos classificados. Classificados, não confundir com qualificados…

Mas a questão não é essa. É que Louçã terá levado à letra o conceito: “estás a perceber, ou queres que te faça um boneco? …”
Mostra o DN, a fotografia de Louçã, ontem, no Parlamento, segurando e exibindo duas fotografias. Na mão esquerda, um retrato pequeno, do tamanho da palma da mão. Na outra, a direita, segura um poster, que se desenrola, revelando também a fotografia de um cavalheiro, bem posto e sorridente. Portanto a ideia era retratar, com a imagem do poster enorme, a figura de um gestor, ou aliás, do ordenado de um gestor, ou do seu poder de compra … E na fotografia mais pequenina, a de um trabalhador, ou antes, do seu poder de compra… Supostamente, a relação de grandeza entre as duas fotografias será, ou seria, de 32 para 1, que é o fosso que o deputado pretende ilustrar…
O fotografado na foto mais pequena é impossível de identificar, pelo menos a esta distância; o da fotografia maior também, mas por outras razões. É que é mesmo uma personagem sem história ou identidade reconhecida publicamente. Provavelmente alguém recrutado para o efeito. Ou talvez a fotografia tenha sido recortada de alguma revista e reaproveitada para o poster metafórico… Depois, foi só fazê-la imprimir em escala ampliada. O poster, enfim, nem é bem poster… é mais no género calendário de parede, com duas finas réguas de madeira, nos topos para o manter aberto e esticado. Réguas de madeira, onde, numa das extremidades se atou uma guita, que permitiria, se fosse esse o caso, pendurar a fotografia numa parede. Mas não é esse o caso. No caso, a guita, o fio, o cordel, se quisermos, serve para Louçã segurar, entre os dedos, o poster da denúncia… e exibi-lo às bancadas e aos representantes do governo.
E é assim, que o DN o mostra, na edição de hoje e nestas duas páginas que dedica ao assunto. O do fosso salarial entre gestores e geridos…
Francisco Louçã, ontem no Parlamento, a falar para o boneco.