sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Deus já não estav' a dar despacho à criação
e deu consigo a pensar com o seu botão
do umbigo, essa mística covinha:
“E se eu, mas é, dormisse uma sestinha…?”
Era domingo e estava tudo fechado,
por isso, deus deixou-se ficar deitado,
o dia todo; deitadinho no divã…
“pois sim, está bem, o mund' acaba-s' amanhã!,
que eu, estas coisas, na forma com' as entendo,
não é p’ra fazer… é mais para s’ir fazendo!”
e isto, claro que é escusado d' explicar
que não sou eu, isto é deus a falar !
E nesse dia, em que deus não quis cansar-se,
deixou o homem fazer merda até fartar-se
e na segunda, já depois de bem dormido,
deus acordou e ia morrendo: “’tou fodido!”

domingo, 14 de outubro de 2007

a grassa de deus




os suspeitos do costume

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

o amor




os suspeitos do costume

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

sexta feira 13




...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

sr guarda dê-me um olho ao carro enquanto assalto o banco


a verdade é que nunca morri de amores por esta gente, nem p'lo ramo de actividade que representam e onde se mexem.

fica dito, p'ra que se saiba de que lado está o narrador contribuinte.

li num jornal económico desta segunda feira, que está pronta a ser aprovada a legislação que vai, alegadamente, pôr ordem nas contas e obrigações fiscais das empresas portuguesas. o fisco aperta a malha aos planeamentos financeiros agressivos. a coisa dita assim já soa estranha, mas se lermos o primeiro parágrafo, a coisa ainda se torna mais interessante. a ideia é obrigar as empresas, ou quem as represente, a declarar voluntáriamente as engenharias financeiras, legais, ou não, a que recorreram para fazer baixar os débitos da contribuição fiscal. em linguagem comum, o que fizeram para fugir aos impostos. legal, ou ilegalmente. e aqui, puta que os pariu!, quem é que - não estando bêbado, nem a gozar com o pagode - espera que um gajo, que arranjou um esquema mafioso para pagar menos impostos, vá declarar a vigarice, de ânimo leve, a quem o pode punir por isso? arre porra, que mesmo sem saber fazer contas, qualquer paisano sabe a resposta a essa merda!

e a verdade é que, notícias como estas, me tiram a pouca vontade que eu já tinha, de ir às Finanças declarar voluntàriamente o meu reinício de actividade e comprar o respectivo livrinho verde, que me permite resgatar o filha da puta do ordenado. Não é que me chateie que saibam o que ando a fazer, nem quanto ganho. Claro que tinham muitas maneiras de o saber, sem me chatearam, mas isso...
Não!, o que me chateia mesmo é ter de lá ir.
Nunca gramei aquela gente, nem o ramo de actividade que representam e onde se mexem.
Nunca.
estavam ali aqueles a falar de macrobiótica e o anhuca do apresentador perguntou à mulher o que queria dizer macrobiótica, para o caso de alguém não saber e ela disse que vinha do grego e queria dizer à letra grande vida, o que não teria forçosamente de ser a mesma coisa que uma vida grande. grande vida, como uma vida em grande. coisa de qualidade, portanto. não tanto em quantidade, mas seguramente em qualidade e então dei comigo a pensar e deixo-vo-la aqui, a pergunta: qual escolherias? morrer quando tivesse de ser e sem te doer nada, ou a garantia de mais uma vintena de anos, ou por aí, mas sempre cheio de dorezinhas, pequenas mazelas, dores de dentes, dores de costas, dores de barriga, enjoos matinais, vertigens e tonturas, ou mesmo uma doença incurável, daquelas que se arrastam a pílulas e xaropes por anos a fio...? hein?
isto, a macrobiótica é lixado!
Ao vivo, nunca vi. Só na televisão. Mas, para o caso, tanto faz; até porque é de televisão que vamos falar.
E para já, falo daqueles bares, onde raparigas se despem aos bocados e dançam, em pequenos palcos iluminados, ou por entre as mesas da sala, abanando-se, insinuando-se, desnudando-se, seduzindo os espectadores que, em reconhecimento, lhes vão entalando umas notas nos suportes disponíveis: ligas das meias, elásticos das cuecas, por aí... as raparigas têm, portanto, de sensibilizar a assistência de forma a fazê-la recompensá-las monetáriamente p'lo esforço e desempenho.
Isto, repito, só vi na televisão e nem sei se já temos bares destes em Portugal.
Agora, avós temos! Temos avós e até temos um passatempo na RTP, logo de manhã, que se chama mesmo o "Passatempo das Avós"...
As avós inscrevem-se, levam a família toda atrás e fotografias velhas e inenarráveis, de tão íntimas - ou, p'lo menos, deveriam sê-lo! E contam histórias e respondem a perguntas e encaixam trocadilhos e brejeirices avulsas, insinuações... Abanam as memórias sobre o nariz da assistência, desnudam segredos de família , seduzem a alma dos espectadores com histórias de vidas difíceis e infâncias complicadas... E depois o que acontece? Acontece mesmo que também elas acabam por receber dinheiro p'la prestação ao vivo. È verdade, que eu vi. No fim da conversa, a produção entrega, de presente à avó do dia, o dinheiro,ou parte dele, das chamadas telefónicas que, entretanto, os telespectadores foram fazendo a dizer não sei o quê, que isso escapou-me!
Não lhe chegam a entalar as notas no cinto de ligas, nem no elástico das cuecas e ainda bem, que a Avó desta segunda feira levou 700 euros, à conta do strip tease fadista! Imaginam a senhora a sair dali com 700 euros entalados nos elásticos! Haveria de parecer a Josephine Baker, o raio da velha!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007


DO MUNDO NADA INVEJO
QUE NO MUNDO NÃO HÁ IGUAL
A ESTA PONTE SOBRE O TEJO
ORGULHO DE PORTUGAL

ABERTA À CIRCULAÇÃO
VAI D’ALCÂNTARA ATÉ À PRAIA
DEUS NOS LIVRE DA AFLIÇÃO
DO DIA EM QUE ELA NOS CAIA

TEM DOIS SENTIDOS PERFEITOS
E SEIS FAIXAS DE RODAGEM
NAS DE FORA VÊ-SE O RIO
NAS OUTRAS VÊ-SE A PAISAGEM

E DEPOIS O CRISTO REI
ENORME NO CÉU AZUL
A PARECER QUE VAI SALTAR
EM BUNGEEJUMP DA MARGEM SUL

TAMBÉM TEM CERTA PIADA
O RAI’ DO PÁSSARO BISNAU
A MANDAR PARAR O TRÂNSITO
DE COSTAS P’RÀ CRUZ DE PAU

MAS OH PONTE SOBRE O TEJO
EM TI O QUE MAIS APRECIO
E DESDE JÁ MANDO-LHE UM BEIJO
É QUE ERA POR TI QUE EU IA
QUANDO DE FÉRIAS PARTIA
COM AS MINHAS PRIMAS E O TIO

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

a pega rabuda

Diz que, em Trás os Montes, foram detidos dois suspeitos, acusados de cultivo e posse de marijuana. Foram encontrados com droga já pronta a vender, outra ainda em fase de cultivo, outra ainda em semente e armas e munições e material diverso próprio deste tipo de actividades criminosas. Agora, o que se diz, também, é que foram igualmente apreendidas gaiolas e armadilhas de armar aos pássaros, para além de algumas aves, que foram entregues à guarda da Universidade de Vila Real ! Aves em vias de extinção? Espécies protegidas? Para posterior interrogatório, ou prova testemunhal?... É o que se fica sem saber! Sabe-se é que, no caso, foram duas rolas, dois melros, dois pintassilgos e uma pega rabuda.
É bem possível que seja até crime maior, que plantar droga no quintal, isto de ter passarada desta debaixo de telha... mas não deixa de surpreender. Resta saber que processo avança primeiro em tribunal; se o de posse e alegado tráfico de estupefacientes, ou o de posse e cativeiro de passarinhos...
Mas estranheza mesmo é essa minúcia, esse rigor de leitura e interpretação da lei - e é escusado acusar-se os jornalistas de alarmismo, ou manchete fácil - porque a verdade é que ele há condenados que podem e estão a ser libertados, alguns com pouco mais de meia dúzia de meses cumpridos de sentença e falamos de casos em que, porque foram considerados culpados da morte de pessoas , as penas aplicadas ultrapassavam os 20 anos de prisão efectiva... Alguns considerados perigosos, ou, p'lo menos, bastante violentozinhos.
Porque a letra do novo Código do Processo Penal o permite.
Alguns jornais dizem hoje que não deve haver, neste momento, detido nas cadeias portuguesas que não esteja a ver como interpor o recurso, que force a Justiça Portuguesa a reabrir o processo. E a abrir mais uns quantos dossiers e ficheiros e pastas. E a ouvir mais alegações e depoimentos. E a convocar mais umas quantas partes, algumas, se calhar, já em parte incerta, o que vai dar trabalho e levar tempo até conseguir juntar toda a gente...P'lo menos, o tempo suficiente para queimar os novos prazos legais e abrir a porta a uma eventual libertação incondicional.
É mentira! A Justiça não é cega, como na metáfora... Não é da vista, que ela sofre! Aliás, se repararmos bem nas imagens, que dela a História foi desenhando, vê-se claramente que ela tapa ostensivamente os olhos com uma venda de pano. Ela vê, tem é os olhos tapados! Vê perfeitamente, se lhe tirarem a venda. Vê até bem demais. VÊ o pormenor como mais ninguém vê. VÊ a letra pequena, a mais pequena que houver. A vírgula que tudo subverte. A sub alínea que tudo define e decide. E prende-se de tal forma à letra da Lei, que por vezes - não a acordem! - parece perdida num outro mundo, que, por muito perfeito e justo, não é este, onde vivemos.
Não, não. Não senhores, meus amigos, não é da vista que ela sofre. É da saia travada com que a vestiram para a posteridade e alegoria! Saia travada que lhe tolhe o passo, que a faz avançar assim, com passinhos de pintassilgo, ou pega rabuda. Tacteando, avançando a espada como bengala de cego; erguendo a balança como lanterna de Diógenes. Rezando a Deus para que nada se lhe atravesse no caminho e a faça cair.
A ela, ou aos belos edifícios semânticos, que vai construindo e arrumando em Códigos Penais e Penosas Sebentas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

o número da besta, de cú p'ra cima

Ele há anedotas que, p'la estupidez ou absurdo, fazem rir, mesmo assim. Ou por isso mesmo!
Há outras que, nem ao estalo, conseguem arrancar um esgar, uma careta, ou até mesmo um sorriso amarelo.
É o caso dos preços que acabam em vírgula 999.
Já toda a gente percebeu a mal disfarçada armadilha. o vírgula 999 já só existe para dificultar os trocos a toda a gente; sendo que, quando faltam os tostões para o troco, quem fica sempre a berrar é o cliente pagador.
É uma anedota. Ou, como dizem os americanos...
it's a fucking joke, porra!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

o Elogio da Humilhação


Porque é que não se limitam a dar o dinheiro às pessoas?! Porque é que têm sempre de as humilhar primeiro?!
Nestes passatempos, ou concursos, ou sorteios, ou lá como se pode chamar à coisa, que actualmente são muito famosos e profícuos nas nossas televisões, assiste-se a um miserável espectáculo de humilhação e perversidade.
Por exemplo: depois de passar umas quantas provas de sucesso aleatório e fortuito, o concorrente é confrontado com uma pergunta final que lhe dá acesso ao prémio. Um prémio que, em verdade, nunca chega a ser uma coisa fabulosa, mas, convenhamos que ganhar 500 euros ao custo de uma chamada de telefone, mesmo de valor acrescentado… é que é bem verdade também que, muita gente não ganha isso a trabalhar todos os dias!
Mas a questão não é essa. A questão é a própria questão que é posta ao concorrente! A questão que lhe abre a porta que falta, vencida que foi a fase das etapas de sucesso aleatório e fortuito!
Porque, das duas uma: ou 500 euros é considerado coisa que valha a pena sofrer os caprichos do acaso e desafiar todas as hipóteses de acertar num qualquer numero premiado e depois disso confrontar-se ainda com uma questão decisiva e esclarecedora do mérito do concorrente, ou 500 euros é dinheiro de bolso para quem patrocina este tipo de entretenimentos e, sendo assim, a coisa pode resumir-se a uma simples e divertida lotaria televisiva, onde se inscreve quem quer e aceita submeter-se à roda da sorte. E ponto final. Se a sorte lhe caiu, leva o pilim e volte sempre. Se teve azar, paciência. Volte sempre, na mesma…
Agora fazer-se perguntas do género: que programa é que vem a seguir? O telejornal? O “Oh mãe o Figueiredo é panilas!?, ou será que vamos transmitir em directo um transplante hepático por um cirurgião vesgo e notoriamente embriagado? Ahn?... o que é que vocês acham? Não pergunto se sabem a resposta, mesmo não sabendo do que estou a falar, nem a que horas, ou canal é que vai para o ar semelhante desafio à inteligência e cultura geral. Em geral. Pergunto o que é que acham de fazer depender de respostas a perguntas como estas o ganhar, ou perder 500 euros. Quinhentos euros que, já sabemos que não são merda que tire um gajo da miséria, mas se não desse jeito a alguém, ninguém se dava ao trabalho de telefonar para programas destes!?
Se não é por puro prazer e perversidade de humilhar os outros, então não faço ideia do que seja.
Mas há talvez pior!
Estão a levar em directo os concorrentes que chumbaram no apuramento para o concurso da “Família Superstar”. Os piores, desconfio eu. Os piores deles todos. Os que maior barraca e pior figura, ou p’lo menos a mais caricata e ridícula, fizeram.
Estão a levá-los de novo à luz da ribalta e da apreciação pública, com o pretexto de uma segunda oportunidade de mostrar o que o júri, severo e apressado, os não deixou mostrar até ao fim. Para que provem que talvez tivessem razão e só a pouca sorte lhes cortou o passo e atropelou o sonho… e põe-nos de novo a cantar. Mas antes fazem algo muito particular: é voltar a fazê-los ver a figura que fizeram na fase de apuramento! E fazê-los admitir que aquilo foi mesmo mau e que agora é que é!
Claro que não é agora e, na maior parte das vezes, não será nunca. Mas isso já toda a gente sabe. Já toda a gente sabia, aliás. Talvez não os próprios, ou os mais chegados, mas esta canalhada toda que os descobriu e expõe agora ao ridículo, todos eles sabiam. E aproveitaram-se disso. Agora fazem umas caretas entre o espantado e o apreensivo, entre o riso mal contido e o horror iminente… e toda a gente bate palmas no final e ri-se ao mesmo tempo e os desorientados cantores ficam sem saber se tudo aquilo é sinal para prosseguirem no sonho de uma carreira, ou se estão simplesmente a congratularem-se por não lhes ter chegado ainda a vez de ser o bombo da festa do que há de mais baixo e miserável na condição humana: fazer dinheiro fácil à custa da ingenuidade, ignorância, generosidade, ou miséria dos outros.

mais papista que o papa, o raio do homem!

Queira deus!...
No regresso às aulas, Sócrates promete nova banda larga em todas as escolas do país.
Mas, o que se vê na fotografia, de capa, no Público desta quarta feira, 12 de Setembro de 2007, ano da Graça… é, em primeiro plano, se bem que discreto, na esquerda baixa, um prelado, não identificado, da Igreja católica, a ler de um livro, supõe-se que sagrado; enquanto ergue a mão direita, pontuando a leitura.
Do lado direito, a ministra da Educação, mãos repousadas sobre o regaço, acompanha, em pé e de expressão atenta, a locução do ministro da Igreja.
Encostado a uma porta meio escondida, à esquerda alta, um cameraman de uma qualquer televisão, também não identificàvel, faz o que se espera de um cameraman: equilibra a câmara ao ombro, enquanto espera que aconteça alguma coisa…
Na parede, em fundo e a uns bons dois metros do chão, a placa comemora e identifica o local e propósito da situação: trata-se do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros, a ser inaugurado com a presença destes outros dois ministros: o Primeiro e a da Educação, de que já falàmos. Para além, diz ainda a placa, do presidente da Câmara local e do engenheiro António Borges. Um deles, presume-se, será o que ladeia Sócrates, que ocupa o centro da fotografia.
Com a mão esquerda ajusta a botoeira do casaco à solenidade do momento. A gravata é cinzenta e irrepreensível. Irrepreensível como o gesto que o primeiro ministro faz com a outra mão, a que lhe fica livre e à direita. É essa a mão que Sócrates leva à testa. Melhor, o indicador dessa mão, que Sócrates encosta àquela parte do rosto que fica exactamente entre as sobrancelhas, as duas. Um gesto que denuncia reflexão e recolhimento. Um gesto que – assim parado no tempo e sem mais legenda – poderia também denunciar uma enxaqueca súbita e incómoda. O gesto de alguém que acaba de se lembrar que se esqueceu de alguma coisa… Um gesto que poderia ser muita coisa, mas que, devido ao contexto e presença do sacerdote de que já também falàmos, também pode ser interpretado como o gesto que os católicos denominam como “o sinal da cruz”. Vulgarmente dito: o “benzer-se”…!
A ser… será o único que o faz, no momento em que a fotografia foi tirada! O próprio padre não o faz! Talvez o venha a fazer segundos depois do disparo do flash, ou o tenha já feito anteriormente… Mas, em verdade se diga que, de momento não o está fazendo. Isso é seguro e inegàvel. A fotografia mostra-o claramente.
O que ficaremos sempre sem saber, irremediàvelmente sem saber, é o real significado do gesto de Sócrates!
É o problema das fotografias: param no Tempo e a gente fica sem saber o que aconteceu a seguir !...

domingo, 9 de setembro de 2007

o padre rego é do caraças!

o padre antónio rego é do caraças!
logo a seguir à missa e enquanto se faz horas para o telejornal, o padre antónio rego aparece no ecrã a mexer as mãos, de fato e gravata a falar do Espírito. começa por perguntar se alguém sabe o que é o Espírito e depois passa a explicar, antes que alguém telefone a responder, o que é e como se define o Espírito. Começa por identificar dois géneros de Espírito. o que identifica com a alma e outras merdas voláteis e o outro, o Espírito Santo, o que vestiu a pele de pomba para mandar o cordeiro pascal para o matadouro terreno. claro que tudo isto é muito vago e foi há muito tempo. tudo o que se pode dizer, é cheio de gestos simbólicos de significados desconhecidos, como as mãos do padre rego não se cansam de repetir, enxotando moscas metafóricas para fora do ecrã. matéria do espírito é pano para divagações, iluminações e frases feitas. códigos complexos de tortuosos e ínvios significados. matéria do espírito não é para todos.e é tudo o que importa saber. matéria do espírito, seja ele santo ou não, é, finalmente,matéria que se escapa p'los intervalos dos dedos e da razão, que se evola no ar, como o esquecimento ou o fumo de uma panela onde se cozinhasse, por exemplo, favas.
o padre antónio rego e a sua dissertação sobre o Espírito não podia ter sido mais vaga e etérea, volátil mesmo, como o próprio espírito do conceito. o que só prova que o padre está mesmo por dentro do assunto

as gajas do coro da missa da TVI... arre gaita!

as gajas do coro da missa, p'los menos estas da missa da TVI, são feiiias como a puta que as pariu. assustadoras, quase. se aquilo é o coro dos anjos, se os anjos têm uma fronha daquelas, eu NÂO quero ir p'ró céu.

citando, de meia praça.

Vou citar, que não há outra maneira: "queria aproveitar esta oportunidade para agradecer a deus por estas bençãos..."
!!!assim mesmo!!! e tal e qual, falou o acólito que fechou a missa deste domingo, na TVI.
Depois agradeceu a deus por tudo e mais alguma coisa, incluindo o coro e o disco que o coro gravou e que, ao que parece, foi "lançado" durante a missa deste domingo e os técnicos de gravação e à própria TVI, equipa de produção incluída.
... a missa na televisão é outro mundo.

sábado, 8 de setembro de 2007

um hino para a selecção




SAUDEMOS TODOS A SELECÇÃO NACIONAL

EL’É QUE SUA EM NOME DE PORTUGAL
EL’É QUE SOFRE SARRAFADAS NA CANELA
DEVEMOS TODOS ESTAR MUIT’ORGULHOSOS DELA

EL’É QUE LEVA CAMISOLAS E CALÇÕES
LUVAS E BOTAS E OUTRAS APLICAÇÕES
E QUANDO CALHA TAMBÉM LEVA C’OS CARTÕES

PODE-NOS DAR ALGUMAS DESILUSÕES
MAS É A MAIOR DE TODAS AS SELECÇÕES
PORQUE NOS TRAZ A ALEGRIA AOS CORAÇÕES

SAUDEMOS TODOS COM CAGANÇA E PUDONOR
A SELECÇÃO DE TODOS NÓS SE FAZ FAVOR

será Putin uma couve?

“O NARRADOR DESTAS CRÓNICAS”



Há informação que surpreende p’la sua bizarria…
Na edição deste sábado do Pravda, em quadrado, junto ao canto superior esquerdo, abre-se a janela para uma galeria de fotografias. Para que ninguém vá ao engano, por essa mesma janela vê-se já Vladimir Putin, de cócoras, parado a meio de uma não identificada alameda, olhando sem grande convicção para fora do enquadramento e com a cara encostada ao focinho de um cão . A legenda explica o resto - a intenção e o roteiro que espera o visitante, ao entrar por essa janela indiscreta. Diz a legenda: "Putin mistura-se facilmente no mundo animal".
Mas entremos. Entremos então para ver, em 7 instantâneos, ou não tanto, como Putin, Vladimir Putin, o presidente da Federação Russa, se mistura no mundo animal.
Ficamos logo esclarecidos na primeira fotografia! Como peixe na água. Putin está francamente feliz e em plena brincadeira com os dois golfinhos, que o ladeiam, apontando-lhe os focinhos pontiagudos, chapinhando num tanque, também aqui não identificado.
Na foto seguinte percebe-se que é Natal, p’la árvore decorada, ao fundo da sala, com todos os atavios da época. A sala propriamente dita é difícil de identificar. Ampla, com o aspecto de ser divisão de passagem ou entrada para qualquer outro sítio. Ao fundo, uma porta austera de carvalho claro. Dois quadros nas paredes, mas em primeiro plano, o que conta é Putin, de joelho no chão, com ar apaziguador, passando a mão sobre o pescoço de uma cabra branca.
A cabra tem uma fita ao pescoço e a pata anterior direita ligeiramente levantada...
E abreviemos.
Depois vem a tal foto de capa, só que aqui percebe-se que a acção (Putin encostando a cara ao focinho do cão) é seguida p’lo olhar complacente de George Bush pai.
Mais uma foto com cão. Desta vez num parque , como que conversando e mais outra… esta aqui é espantosa. Num hall luxuoso, aos pés de uma sumptuosa escadaria, o presidente cruza-se, em caminho, com um enorme cão negro, de pêlo escandalosamente brilhante. O presidente sorri, mas o brilho no pêlo daquele cão, o branco nos olhos, a rigidez e ameaça com que espeta o focinho, tornam a cena quase preocupante. Poderia bem ser, aquele cão, que parece quase colado ali, como se não fosse dali, poderia bem ser esse terrível cão que guarda as portas do inferno. Mas claro que isto é já delírio do narrador destas crónicas.
Claro, também, que depois de emoções tão fortes haveria de desanuviar e descontrair. Vamos na quinta fotografia, elas são sete. A próxima traz Putin de camisa imaculadamente branca, luvas igualmente assépticas, um ar entre o entendido, o interessado e o apreensivo, segurando um peixe. Um peixe que poderia ser um tubarão pequenino, coisa de menos de um metro, esbranquiçado e hirto. Observando a cena, fotografada, tudo indica, a bordo de um navio, um jovem, louro de cabelo cortado á beatle e sorriso adolescente no rosto.
A fechar, Putin não passeia sobre as águas. É sobre um carreiro de pedras que o presidente caminha, botas militares e calças de camuflado, tronco nu e musculado, passo decidido olhando, uma vez mais para fora do enquadramento, desta vez com um ar mais desconfiado. Talvez seja aí que está o animal que falta a esta última fotografia da série que o Pravda publica na edição deste sábado, já que na fotografia, propriamente dita, não está.
Há definitivamente informação que surpreende p’la sua bizarria

terça-feira, 4 de setembro de 2007

o melhor da Música Idiota de Intervenção

Deixo-vos, seguidamente, com um alinhamento de 10 cantigas compostas e interpretadas p'lo ensemble Belfaghor e seus Eunucos. É uma série que poderiamos incluir no ciclo "Danos Morais", no entanto, não seria dispiciendo, classificá-lo como obra experimental no campo da Música Idiota de Intervenção. Claro que as opiniões nunca hão-de ser consensuais a este respeito, nem a respeito de quase coisa nenhuma, em boa verdade.
Fiquem-se então com "o Melhor até à data do Jovial e Irrequieto Artista", que o mesmo é dizer, se acharem que dentro do género, nunca ouviram nada do estilo, já me considerarei gratificado e esclarecido.
Disfrutai e saciai-vos !

adeus mundo




faixa 01

desta vida




faixa 02