DIZEM-SE COISAS TERRÍVEIS NA TELEVISÃO.
O CARDEAL PATRIARCA ACABA DE DIZER QUE AS NAÇÕES NÃO SÃO SÓ OS SEUS GOVERNOS, MAS TAMBÉM OS SEUS POVOS.
É FANTÁSTICA, A DECLARAÇÃO E A EMINÊNCIA !
dos Anjos Desolados, deles todos, ele era o mais Cruel, o mais Perverso. capaz de quase tudo, sem pecado. a imagem do Diabo & seu reverso.

ela nunca percebeu como as bebidas foram ali parar, mas segurou o copo e, sorrindo com um ar confiante, preparava-se para o levar à boca, quando qualquer coisa a fez mudar de ideias. a expressão transfigurou-se-lhe subitamente. a pose tornou-se hirta e desconfiada. e se tudo aquilo não passasse de uma encenação para a apanharem? uma enorme e tremenda conspiração para a comprometer e levarem a cometer o erro fatal ? poisou o copo lentamente sobre o balcão e deixou deslizar o corpo p'las costas do banco. conhecia o estratagema. pensou: pois sim, meus ricos, conheço muito bem o vosso estratagema, mas comigo não cola. lançou um olhar em volta. agora atenta, observadora e obrigada. e pôs-se à coca.


o tempo não está para festas! - disse ele, coçando a sobrancelha. primeiro pensei que era mais uma daquelas crises de depressão, muito comuns nele, ou ainda mais simplesmente, uma daquelas banalidades que se dizem só p'ra não ficar calado. foi a expressão no olhar e a transpiração que começava a brilhar-lhe na testa e a tremer-lhe nas mãos, que o denunciaram de que algo de mais grave se passava. ainda tentei responder e desanuviar o ambiente: pois não, está uma ventania do caraças e chove que deus a dá! aí, limitou-se a repetir,com a mesma expressão obsessiva nos olhos: o tempo não está p'ra festas. parecia que olhava através de mim, como se eu não estivesse verdadeiramente ali! como se fixasse alguma coisa e alguma coisa aterradora que se revelasse mesmo atrás das minhas costas. decididamente, aquilo já não era um comportamento normal. resolvi contra-atacar!: pois não! festas agora só no Natal! aí, desviou o olhar e virou-se para a janela, num gesto lento e dramático demais, até mesmo para uma criatura naquela posição. imitei-lhe o gesto e o que vi gelou-me o sangue e a alma. insinuando-se p'lo silêncio do beco, avançava a sombra ameaçadora do Homem Aranha