quinta-feira, 9 de julho de 2009

oh Zé, não me fodas!

E entremos pela capa do Correio da Manhã, que é onde a história mereceu o título mais intrigante… Diz que a agência Lusa censurou, do texto da notícia, os insultos ao primeiro ministro. Ou seja, numa segunda versão da notícia foram apagadas as transcrições das frases insultuosas, gritadas ontem em S. Bento, contra o primeiro ministro, pelos 200 estivadores manifestantes.

Um responsável pela agência noticiosa – a agência pública, como lhe chama o Correio – justifica-se com o livro de estilo e que, transcrever à letra os insultos e o asneiredo proferido, não adiantava nada à história. Isso e referir as frases inscritas nos dorsais dos coletes reflectores vestidos pelos manifestantes. Também essa referência desapareceu do texto definitivo da notícia da Lusa. A agência nega qualquer pressão externa, para a alegada censura. Diz ainda o Correio, que num dos despachos da agência se lia que o primeiro ministro não achava que fosse dever de um político dar lições de boa educação, aos estivadores que lhe chamaram fascista… Ora, para quem viu e ouviu, ontem nas televisões as reportagens feitas à porta do Parlamento , sabe que foram ditas coisas bem mais desagradáveis que isso, palavras de ordem, que convocavam mesmo para a luta dos estivadores a própria mãe de José Sócrates, de forma imperativa e desagradável.

Houve também petardos a explodir e bombas de fumo, o que é de certa forma inédito, neste tipo de manifestações. A polícia teve mesmo de chamar a Equipa de Intervenção Rápida, just in case…

E desatei agora a falar inglês, por uma razão simples. Os coletes reflectores.

Confesso que não estou por dentro do assunto – o dos coletes reflectores em geral – mas, estou em crer que estes – estes que os estivadores ontem vestiram para a manifestação de S. Bento - não estejam à venda no mercado, ou seja, foi preciso mandá-los fazer, ou até adaptá-los artesanalmente para o efeito.

E o que diziam nas costas, estes coletes, era em inglês que o diziam… Num português conveniente, diziam: “não me arruínes o emprego”.

Porque é isso que está em causa… os estivadores foram à Assembleia da República protestar contra a lei dos portos. Acusam o Governo de querer entregar o trabalho portuário a empresas amigas, nomeadamente à Mota–Engil, do ex ministro Jorge Coelho…

Não me arruínes o emprego – portanto… só que em inglês. E não num inglês qualquer… digamos que… num inglês corrente, pelo menos corrente em certos círculos menos diplomáticos.

Agora, os jornais falam em insulto ao primeiro ministro… dão os exemplos mais evidentes… de fascista, a coisas piores e mais íntimas mesmo… o que fica por saber é porque é que os estivadores não imprimiram nas costas dos coletes esse mesmo protesto em português, que toda a gente percebe, a começar pelo próprio insultado e ofendido...

Há excelentes frases idiomáticas em português, que expressam exactamente a mesma coisa e de forma – acho eu – bem mais radical e truculenta.

Estariam os estivadores a acrescentar mais qualquer subtil e refinada referência jocosa ao tão falado e até glosado inglês técnico do primeiro ministro?...

Enfim , é possível… Lendo o que lá está escrito, mais técnico do que aquilo , só um manual de instruções, em inglês, claro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

palhacinhos em geral

Ora, no essencial, a denúncia é que por causa de um certo rumor, de que os exames este ano seriam canja – perdoe-se-me o plebeísmo da expressão – os alunos ter-se-ão – digamos assim – descontraído demais e o resultado esta à vista: as notas caíram abaixo das expectativas, até dos melhores. A denúncia é da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no que terá sido secundada pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. No caso, fala-se dos exames de matemática, mas o descalabro foi transversal a outras disciplinas, como o português, sendo que a moléstia, se se pode chamar assim, contaminou até os melhores alunos das melhores escolas.

No DN, dá-se o exemplo dos alunos da secundária D. Maria, de Coimbra – exemplo de escola de sucesso. Aí, até os melhores alunos foram apanhados de surpresa, com as pautas de Português. Que neste caso concreto é o Português, a disciplina em causa.

Os exemplos vão desde este aluno, que trazia a média de 17, para se confrontar com um 9 no exame, a esta outra jovem que era aluna de 18 e se ficou pelos 12 e meio, na prova final. Num outro caso , uma outra aluna explica o fracasso com a facilidade do exame, o que não deixa de ser surpreendente. Diz estaoutra que - vou citar: “Achei o exame muito fácil, se calhar foi isso. Tinha média de 16 e agora tirei 13, 5.”

Uma conclusão, no mínimo curiosa e de longe menos interessante do que se tivesse acontecido o inverso, ou seja, se a aluna tivesse média de 13 e chegasse ao exame e arrancasse um 18… se bem que este último exemplo também aconteça, por vezes.

Há depois outros casos, como o deste jovem, que o jornal não diz que média trazia , mas que conseguiu um 18 na avaliação final. Ora bem, aqui o protesto é outro. Ele queria um 20 e é por isso que requer agora a revisão da prova. Mais, diz que se propõe ele próprio a fazê-la, para perceber onde é que o júri foi menos justo, ou correcto.

Citemos também este aluno da secundária D,.Maria, de Coimbra…

“Tive 18, mas queria 20...” - até aqui é de louvar a intenção… quem é que não quer um 20, seja qual for a tarefa a que se aventure?… quem se pode contentar com menos que isso?…

Pois continuemos. “...Se calhar foi na parte da composição em que era pedido para falar sobre a Liberdade , que os critérios de avaliação não me ajudaram.”

Ora portanto, a prova incluía uma composição, o que não é nada estranho, antes pelo contrário… O tema era a Liberdade, mas também lhe podiam ter pedido uma redacção sobre a chegada da Primavera, ou sobre as últimas férias de natal… o resultado seria o mesmo. Ou seja, não estamos aqui a falar de ciências exactas, onde 2 mais 2 têm pouca probabilidade de serem outra coisa que não um perfeito 4… estamos a falar da língua portuguesa e estamos a falar de um exercício de composição literária… E aqui, meus amigos… para chegar ao vinte, há quem gaste uma vida inteira e nunca lá chegue, não que isso, provavelmente impeça de continuar a escrever e ser até brilhante. O que dificilmente será o caso, se nos preocuparmos mais com a pose, do que com o conteúdo, ou se andarmos tão distraídos de nós próprios, ao ponto de nos confundirmos com outra pessoa. Diz o jovem aluno que se calhar foi da composição… pois se calhar foi mesmo. Se calhar nem podia ter sido outra coisa, palhaço!

o papa vai a todas, chispa-te ósório

Vem no DN, este título: “Economistas apoiam reforma da ONU defendida pelo Papa”.

Caridade na Verdade, é o nome em português da encíclica de Bento 16, divulgada ontem. E é a partir daqui que surge então a manchete . Diz o DN, que as propostas de Bento 16, para fazer face à situação económica e financeira mundial, têm o apoio dos técnicos, embora com algumas modificações. Acrescenta-se também que Jerónimo de Sousa, o secretário geral do Partido Comunista Português, defende que a origem do problema está no sistema capitalista e ponto final.

Agora, as propostas do Papa, que mereceram o apoio dos economistas, como anuncia o título…

Defende Bento 16 a criação de uma verdadeira autoridade política mundial, para sanear as economias atingidas pela crise, evitar o seu agravamento e desequilíbrios ainda mais profundos. Ora isto passa por uma reforma, não só do sistema económico, como das próprias Nações Unidas. Em Portugal, entretanto, César das Neves, economista , lembra que já João 23 defendia uma reforma da ONU…

Mas, para Bento 16, a nova ordem mundial tem que garantir uma supervisão da globalização, tendo, como objectivos prioritários, o governo da economia mundial, o desarmamento, a segurança alimentar, a protecção do ambiente e a regulação dos fluxos migratórios. Tudo isto haverá que consegui-lo a partir de um princípio básico e fundamental… a ética amiga da pessoa – palavras de Bento 16.

Esta encíclica, Caridade na Verdade, a 3ª do pontificado do papa alemão, surge na véspera de mais uma reunião do G8, que se realiza em Áquila, Itália, cidade destruída por um terramoto, nesta primavera.

E fiquemos-nos por aqui, que o essencial fica dito.

O resto, conseguir passar desta auspiciosa carta de intenções aos actos... À acção concreta... À realidade…

Ora, partindo do princípio de que nenhum líder mundial – ou pelo menos nenhum destes que compõem o Grupo dos 8 - alguma vez teria a coragem de prometer, ou propor qualquer coisa contrária, ao que o papa acaba de propor… ou seja, não sendo de prever, que algum defenda publicamente coisas como a corrida às armas, o desgoverno da economia, a barbárie no mercado alimentar, a destruição do ambiente, e a completa anarquia dos fluxos migratórios… nenhum deles teria coragem para o fazer, sendo que é justamente o contrário que defendem e garantem, pelo menos à boca do discurso… O que falta então? Ou, o que pode vir acrescentar, esta carta de intenções , que não esteja já nas declarações de princípios, de qualquer candidato a governante?... Ou antes, o que falta acrescentar?...

Talvez só um – “se deus quiser...”

terça-feira, 7 de julho de 2009

isto é um desassossego do escanfandro

No JN, até se publica a fotografia do cartaz, para que não restem dúvidas e se perceba melhor o efeito e o impacto da coisa… Sobre um fundo indistinto, duas mãos soltam em voo uma pomba branca. Ao lado, em colagem, a fotografia de um caixão e por cima a legenda . E o que diz o anúncio?... Diz assim: “Oiça a Rádio Santiago e ganhe um funeral”.

“Tenha o funeral dos seus sonhos” – é o que se ouve, entretanto, nas emissões da Rádio Santiago, de Guimarães, diz o JN… O grupo, que detém a rádio, é também proprietário do jornal “o Comércio de Guimarães” , do “Desportivo de Guimarães” e da revista “Bigger Magazine” e está, portanto, segundo o jornal, a promover um concurso, cujo prémio é a oferta de um funeral.

Ao JN, Häendel de Oliveira, o administrador, disse que a ideia surgiu “na linha de postura de inovação que a empresa tem seguido” e dá exemplos. Já se fizeram, na Rádio Santiago , passatempos que ofereciam vacas vivas, porcos ensebados , ou esse outro, que escondeu notas pelos jardins, para uma espécie de caça ao tesouro, calcula-se… Diz o administrador, que Portugal tem falta de ideias e que é preciso inovar e fazer coisas diferentes. E assim foi feito.

Para ganhar o funeral, basta recortar os cupões, que vêm impressos nas publicações do grupo e de que já falámos… o Comércio de Guimarães, o Desportivo e a tal revista com nome em estrangeiro. Diz ainda, o administrador, que sabe que esta é uma acção de choque, mas que há que reconhecer e admitir, que muita gente desconta todos os meses, qualquer coisinha, para pagar o próprio funeral, daí que, não ache nada do outro mundo, o passatempo que propõe. É o que se costuma chamar, juntar a fome com a vontade de comer… se me permitem o plebeísmo

E porque de uma campanha de marketing se trata, há que ter um slogan à altura. Directo e decisivo, fulminante e demolidor … para o caso escolheram este: “Rádio Santiago e os seus ouvintes… juntos até que a morte os separe.”

E os meus amigos o que acham?… quer dizer, qual preferem... Este , “juntos até que a morte os separe”…ou o outro que dizia… “tenha o funeral dos seus sonhos”… é melhor este não é ? O até que a morte os separe faz lembrar mais um casamento do que um funeral, não acham?


E o desassossego… no caso, o “Livro do Desassossego” de Pessoa.

Diz que “há frases do livro que pedem cinema” e foi por isso que, apesar de muitos considerarem que é impossível, passar o “Livro do Desassossego” ao cinema, João Botelho está apostado em fazê-lo.

O protocolo foi ontem assinado na Coelho da Rocha, na casa Pessoa. O protocolo com a Câmara de Lisboa, que vai financiar em 200 mil euros a realização do projecto.

Trinta anos depois da “Conversa Acabada”, João Botelho volta a Fernando Pessoa, para aquele que considera “o mais arriscado dos projectos”, em que até hoje se envolveu.

E temos a fotografia, que o Correio da Manhã publica para ilustrar o momento solene, dos cumprimentos entre o realizador João Botelho e o presidente da Câmara, António Costa. Diz a legenda: “António Costa cumprimenta João Botelho sob o olhar atento do produtor Alexandre Oliveira”. Ora, o que acontece é que, enquanto António Costa cumprimenta, sorridente e inclinado em reverência, o realizador João Botelho, este estica-lhe o braço, meio de esguelha, enquanto olha na direcção do fotógrafo. Ao lado, lá está de facto o produtor Alexandre Oliveira, da Ar Filmes… quanto ao olhar atento, já é outra coisa. Oliveira olha, declaradamente para fora de campo, de sorriso rasgado. Pode estar a olhar atentamente para alguma coisa, mas não seguramente, nem para o presidente da Câmara, nem para o realizador, nem para o efusivo cumprimento que ambos trocam. Aliás, pela fotografia, parece que a única pessoa que está atentamente a fazer qualquer coisa é o próprio presidente António Costa.

Mas, regressemos ao filme, para citar João Botelho, tal como o Correio da Manhã o faz, logo à entrada da prosa. Diz assim - João Botelho, claro – : “ Antes deram dinheiro ao Saura (Carlos Saura) para filmar e mal, o fado, agora que mo deram a mim, pode ser que eu filme e bem, Pessoa”.

Pode ser que sim… Esperemos todos que sim. Façamos todos um esforço colectivo de concentração solidária para que sim. Rezemos, para que sim. Acendamos as velas, que as nossas devoções permitam, para que sim. Invoque-se o próprio Pessoa e respectivos heterónimos, que é Hora!

E mesmo que não fosse, 200 mil euros sempre é dinheiro e o tempo não está para festas.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

olh'ó cão!

E agora a televisão.

No Jornal de Notícias, diz-se que uma rábula, do humorista Nilton, desagradou à GNR e ao ponto mesmo da RTP ter retirado da Internet o pequeno clip, que reproduzia essa mesma graçola.

E a graçola em causa… para o que mais importa… apresentava um oficial da Guarda Republicana como se fosse um cão, de coleira ao pescoço, seguindo servilmente a outra personagem da rábula. A corporação achou que estava a ser humilhada e por isso fez queixa à Autoridade Reguladora do sector, para que interviesse e forçasse a retirada do referido clip da Internet. E assim foi feito.

O programa, em que a rábula se incluiu, foi para o ar na semana passada, por volta da meia noite e, responsáveis pela RTP2, que tudo isto se passa no 2º canal à volta da meia noite… já disseram que nunca pensaram que, o vídeo em questão, fosse interpretado fora da nota humorística, que caracteriza o programa. O próprio humorista concorda que pisou terreno escorregadio e arriscado, mas que nunca foi intenção ofender ninguém.

Portanto, diz a RTP, que nunca pensou que a rábula fosse entendida fora do contexto humorístico… parte-se do princípio que , se a GNR, como tal o tivesse entendido,,, falo do tal contexto humorístico... talvez não houvesse problema… ou pelo menos, a RTP quer acreditar que não. Mas, talvez não tenha sido o que aconteceu… talvez então a GNR tenha levado a coisa à letra e por isso se tenha ofendido e exigido a retirada do vídeo do espaço público da Internet…

Bom, a GNR não sei, mas conheço muito boa gente que, se sentisse que lhe estavam mesmo e realmente a chamar cão e que não era nem brincadeira, nem para fazer caricatura ou denúncia de qualquer outra coisa mais … que geralmente é assim que as anedotas e outras pantominices funcionam… conheço muito boa gente que se interpretasse uma coisa destas fora do tal contexto, ou nota humorística que a RTP diz… haveria certamente de ir um pouco mais longe, do que exigir a retirada do vídeo da rede… estou em crer que haveria mesmo de pedir contas ao humorista, mas na barra do tribunal, por ofensa e calúnia e falta de respeito, pelo menos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

t'árrenego, Maria Pandilha!!!

E vamos à bruxa.

Mas antes, deixem que recorde um caso, que já foi notícia não há muito tempo.

O caso de duas burlonas, que foram apanhadas quando tentavam convencer um casal de idosos a enterrarem no quintal, um lenço com todas as economias e todo o “ouro” que tinham. Prometiam-lhes que, com o tempo e umas rezas, os valores enterrados no quintal haveriam de multiplicar-se magicamente. Valeu na altura a curiosidade da senhora do casal, que quis ver o que estava dentro do lenço antes de ele ser enterrado e descobriu que as burlonas já tinham feito a troca à socapa e se preparavam para enterrar um pano cheio de lixo e papeis sem valor, enquanto tinham já metido ao bolso o dinheiro e o “ouro” todo…

Hoje, a história de que o DN, o JN e o Correio da Manhã dão notícia envolve este Mestre Dami, nome com que se apresenta, Diamantino Juarez, um bruxo luso-brasileiro, de 51 anos, que ontem foi presente ao tribunal de S. João Novo, no Porto, acusado de burla, num total de 318 mil euros.

Diz o DN, que chorou e pediu perdão às vítimas e que está disposto a devolver todo o dinheiro ganho com a mentira. Disse também que o fez, porque precisava desesperadamente de dinheiro, para ir ao Brasil fazer uma operação.

Os jornais destacam o nome de duas das vítimas… passemos isso por cima e fixemo-nos só que uma delas, que perdeu 50 mil euros, é uma jovem repórter da televisão, relativamente conhecida, a outra vítima- e essa é que foi mesmo a mais prejudicada - foi uma economista, que diz que teve de pedir dinheiro emprestado, não tanto para pagar os serviços do bruxo, mestre Dami, mas para que ele realizasse o esconjuro. 210 mil euros, para que mestre Dami a livrasse de um alegado enguiço, ou feitiço, ou mau olhado, ou por aí.

Diz o JN, que a vítima entregou os 210 mil euros ao bruxo, em notas, que haveriam de ser fechadas numa caixa, juntamente com um coelho morto. O Correio da Manhã adianta que, na altura de fechar a caixa, o cliente tinha de fechar os olhos e era aí que a troca era feita. Pelo meio havia umas rezas, uns rituais e uma visita ao cemitério. Para que o engrimanço resultasse, a vítima (chamemos-lhe assim, que não é mentira, seja vítima de burla, ou de um alegado feitiço, é vítima, de qualquer modo…) para que resultasse, portanto, a vítima tinha de dormir durante 7 dias sobre a caixa, que continha o dinheiro, sendo que aí já só havia papel sem valor.

No essencial a história fica contada.

Agora, o que sobra é o facto de uma economista, e esqueçamos o facto de ela acreditar em bruxarias e engrimanços,,, o que sobra é que esta economista estaria preparada, segundo o Jornal de Notícias, para dormir 7 dias em cima, ou pelo menos muito perto de uma caixa com um coelho morto lá dentro. Aqui já não é uma questão de fé, é uma questão de bom senso e saúde pública. Diz o JN, que esta economista resolveu abrir a caixa antes de tempo e reparou que não havia dinheiro. Diz também que mestre Dami, na altura, lhe disse que o dinheiro tinha sido comido pelas larvas… a notícia aqui é omissa quanto à sorte do coelho morto e ainda bem, porque chegados aqui, a história corre o risco de começar a – como se diz – a feder.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

serviço público é fixe uma verdadeira cavalidade



Estava a fazer a barba, por isso ouvi só o que o homem dizia, sem lhe ver a cara. Por isso também e ficando só pelo conteúdo do que foi dito, chamemos-lhe simplesmente Cavalo*.

E o que estava em causa era uma denúncia, do PSD, a pedir explicações, porque a RTP, televisão pública, tinha dado três vezes mais tempo de antena ao PS e ao Governo, do que ao PSD, ele próprio. O homem, cujo rosto não vi e cuja identificação me escapou, que a televisão, nestes casos, usa o truque da legenda e eu, como já disse, estava a fazer a barba e não vi... o homem falava em nome do PSD e, já tínhamos combinado, para o caso vamos identificá-lo por Cavalo*.
Dizia então o Cavalo* que a televisão de serviço público, por essa mesma razão, não deveria ter dado três vezes mais tempo de antena ao PS e ao Governo do que ao PSD. Dizia o Cavalo,* que por uma razão de serviço público.
Ora, por uma questão de serviço público, seja lá essa merda o que for, espera-se que a RTP tenha bons profissionais que saibam distinguir, no granel da Redacção, entre o que é de utilidade e serviço público ser noticiado e o que não vale a pena, porque, quanto mais não seja, meter o Rossio na rua de Betesga, venha o primeiro... Acrescente-se a eventualidade de boa parte dessa informação ser mesmo o que se chama "merda", o que, só mesmo a falta de assunto, ou uma caçadeira apontada aos cornos justificariam ser tornada pública. Ainda na onda do serviço público, se há a quem, mais do que esperar-se, se exige que seja matéria de notícia, porque tem obra a apresentar, porque toma decisões de âmbito verdadeiramente nacional, porque tem a responsabilidade outorgada por voto popular, de gerir o que é a Coisa Pública, quem é obrigado por lei a prestar o verdadeiro serviço público, mais do que este, ou aquele partido, por muito bem intencionado que seja e por muito próximo que assumidamente esteja de assumir o Poder... Se há alguém nessa posição, é o Governo, de esperar seria que, o Governo, acabasse por ter, sem favor, mas por matéria de facto, mais tempo de antena, do que um anhuca qualquer. Seria, pelo menos, sinal de que estava a trabalhar e tinha notícias para ir dando ao povo.
Quanto a números, contas e proporções e estatísticas e o caralho... isso é que é um aborrecimento.
Porque, se o PS e o Governo tem 3 vezes mais que o PSD sozinho, quantas vezes mais, ou menos tiveram esses dois primeiros, em relação aos outros todos, menos o PSD e em relação só ao PCP e ao Bloco de Esquerda e em relação aos Verdes e ao CDS, mais os independentes e o PSD em relação aos outros todos, menos o CDS e o Governo e o PSD mais o Governo, menos o PS, mais os Verdes, menos a magrinha de óculos?... é o caralho, tinha avisado. Um aborrecimento, mesmo, perdoem-me a linguagem.
Regressemos à cena do serviço público.
Obrigar a RTP, ou a PlayboyTV a dar o mesmo tempo de antena ao PSD sozinho, do que ao PS e ao Governo, os dois juntos, revela que, pelo menos para o Cavalo* que falou, a televisão deveria ser, não tanto de serviço público, como ele disse, por engano, mas de serviço privado. De serviço ao partido dele, para poder perorar galhardamente nessa fuçanguice de ter sempre qualquer coisa para dizer, como o eco e os papagaios.

*nome fictício

terça-feira, 30 de junho de 2009

e o Coelho é do pai?...

Dizem os jornais, que há uma nova responsável, na canonização de Francisco e Jacinta Marto, dois dos alegados videntes da Virgem Maria, aliás, Nossa Senhora de Fátima.

Ângela de Fátima Coelho é médica no hospital de Leiria e Superiora da Comunidade de Fátima e é ela quem vai, a partir de agora, continuar o trabalho de Luís Kondor, um padre de 81 anos, que actualmente está doente e acamado e não pode continuar, de forma eficiente, o trabalho que tem em mãos já desde 1960, ou seja, a causa destes dois candidatos a santos, Francisco e Jacinta Marto.

Diz o jornal, que o facto de Ângela de Fátima ser médica, pode ser uma mais valia para a causa. Tem o "olho clínico"! Porque, o que está aqui em causa é descobrir uma cura milagrosa, que convença o Vaticano a canonizar os dois pastores. Uma cura, que a ciência médica não consiga explicar, ou pelo menos que Ângela de Fátima não consiga explicar, o que já será meio caminho andado para o Vaticano e daí para a santidade. Havia um episódio, com a alegada cura de um bebé de um ano que sofria de diabetes, mas consta que essa prova não foi conclusiva.

Nomeada adjunta do vice-postulador das causas, o padre Kondor, Ângela de Fátima diz que a meta é chegar à canonização, mas que de momento a tarefa que se impõe é a de continuar a difundir as virtudes da vida de Francisco e Jacinta Marto.

Ora, ambos morreram novos e isso é histórico. Jacinta morreu com 9 anos de idade e Francisco com 10, vítima da gripe espanhola, mas também os jejuns, a que se obrigava, diz-se que não terão ajudado muito, enfraquecendo-o ainda mais do que a pobreza, que se vivia na região e no país, por essa altura. Poderiam ser talvez, o que não parece, crianças – como se diz – irrequietas… ou mesmo, perdoe-se-me a quase blasfémia no contexto… um pouco endiabradas mesmo… coisa normal naquelas idades… mas nada que os condenasse às penas do Inferno… ou seja, com dez anos de idade, ainda está uma pessoa bastante próxima de deus e dos anjos , na sua inocência, ou pelo menos naquela ignorância, que a resguarda até da própria noção de pecado… Mas isso, nem vem ao caso. Porque o que está aqui em causa é descobrir milagres… ou pelo menos , fenómenos estranhos, que só um milagre explicam… Diz, a nova adjunta da causa, que no imediato há que continuar a divulgar as virtudes da vida de ambos os pastorinhos. Que há que promover , cada vez mais, o culto da vida e da piedade cristã dos pastorinhos… Claro que, se a missão for bem sucedida, acaba por tornar-se mais fácil, imputar à intervenção divina, ou miraculosa, dos pastorinhos, qualquer fenómeno inexplicável à luz da ciência actual… É necessário, claro também, que o agraciado reconheça, que na hora da aflição foi mesmo a Francisco e Jacinta, que recorreu e não à prima Lúcia, ou outro qualquer beato, ou mesmo santo, já com reconhecimento oficial. Porque não basta a cura, é forçoso, estou em crer, que seja… forçoso, que esse milagre seja , sem dúvida, imputado a um deles e não a qualquer outro ser, vivo, ou morto, santo, ou nem tanto…

Que de resto, das duas uma… ou uma pessoa ter visto de facto a Virgem-mãe de Deus, ter recebido conselhos e até ser nomeada fiel depositária de segredos tão importantes para a salvação do Homem... não vale nada . É coisa corriqueira e que pode acontecer a qualquer um e por isso são precisos acontecimentos ainda mais extraordinários, para que alguém mereça um destaque tão especial, como a própria santidade, reconhecida oficialmente, por quem decide a tão alto nível…

Ou então, não.

Ou então … o que aconteceu, naquele 13 de Maio de 1917 na Cova da Iría, foi realmente qualquer coisa de muito especial, que eleva os 3 pastores a um patamar muito acima de qualquer lei dos homens… pelo menos dessa, que decide quem é santo e quem não é.

queremos sangue!

A história conta-se depressa.

Um jovem universitário, cuja namorada queria acabar o namoro com ele, um certo dia, chamou-a à parte para conversarem e, como ela insistisse na separação, ele esfaqueou-a, escondeu o cadáver entre uns arbustos, meteu-se no carro e entregou-se à primeira brigada de GNR, que encontrou no caminho. “Prendam-me que eu matei uma pessoa.”

O tribunal de Coimbra… que a história passa-se em Coimbra, decretou uma pena de 16 anos de prisão para o jovem homicida. Houve quem reclamasse uma pena maior, mas a decisão final ficou-se pelos 16 anos, porque, no entender do tribunal, não havia razão para o agravamento da pena. A primeira condenação aconteceu já em Janeiro, agora, a notícia é mesmo que , na repetição do julgamento, o tribunal concluiu que não havia de facto razão para aumentar a pena, para os 22 anos pedidos pela Relação. A história vem em mais do que um jornal, desta terça feira. E com fotografias. No DN, vê-se o jovem algemado, mãos à frente do corpo, ladeado por dois polícias e olhando para o chão. A fotografia pode ter sido tirada à entrada, ou saída do tribunal…

O Correio da Manhã, que entretanto acrescenta mais um pormenor à história- e já vamos à fotografia… acrescenta, dizia, que ficou provado, que não houve premeditação no crime, apesar de não ser muito normal –digo eu - uma pessoa ir para a escola, com uma faca de cozinha no bolso… O Tribunal de Júri concluiu, que o objectivo do jovem era só tentar a reconciliação e o retomar do namoro, só que a conversa seguiu outro rumo e as coisas precipitaram-se. Diz-se , e citemos… “a convicção é que no período temporal anterior à conversa que o arguido e a vítima tiveram na véspera do crime nada nos diz que o arguido já tinha a intenção de matar…”

E a fotografia. A fotografia, que o Correio da Manhã publica, para ilustrar o veredicto final … Aqui, o jovem homicida aparece de mãos algemadas, mas neste caso atrás das costas. Veste uma T-Shirt clara , mas suja. Na gola, no peito, nas mangas... A foto é a preto e branco, mas tudo leva a crer que, aquelas manchas que lhe sujam a camisola e o próprio rosto em mais de metade, sejam de sangue. Diz a legenda: “O homicida, no dia do crime.” Atrás, vê-se uma fita de plástico, daquelas que a policia usa para isolar recintos em casos destes … donde , tudo leva a crer, que a foto foi tirada não só no dia, como também eventualmente no próprio local, ou muito perto do local do crime.

Saudemos o esforço e sejamos solidários com o jornal… Foi de facto pena… um bocadinho mais cedo e ainda tinham apanhado o flagrante delito. Isso sim é que era capa para arrasar com toda a concorrência, carago!

segunda-feira, 29 de junho de 2009


INTERMEZZO

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Manuela, a refundadora da Nação

Vem no I , com fotografia da própria e este título breve:; “Manuela fala ao PSD”.

É natural que o faça, já que , a Manuela de que se fala, é dirigente máxima do partido. Manuela Ferreira Leite, que, diz o jornal, já sente que o PSD é uma alternativa de poder (bom, enfim, disso nunca ninguém teve dúvidas, que o PSD, quase desde que a democracia foi reinstaurada em Portugal, é uma alternativa de poder, neste regime de alternância, a que nos fomos habituando… PSD, PS, de vez em quando uma coligaçãozita ao centro, ou mais descaída para a direita, ou mais a pingar para a esquerda… por aí… mas prossigamos a leitura… que é uma alternativa ao poder e prometeu (Ferreira Leite, claro) ontem, aos militantes – abrem-se aspas… “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social”... fecham-se as aspas , para se reabrirem já de seguida, sublinhando uma declaração ainda mais fulminante: “Vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país”… aqui, o jornal diz que- garantiu.

Não vai portanto sobrar pedra sobre pedra… Porque, para a líder social democrata, parece não haver nada que se aproveite, nada que mereça ser sequer readaptado à ideologia e método de trabalho do partido que dirige.

Da última vez, que ouvimos assim um discurso tão radical, não foi ainda há tanto tempo assim. Lembram-se?... Isto está muito pior do que imaginávamos… isto não vai lá senão com duas legislaturas… é que o país está … isso … Que o país estava de tanga… um descalabro, que só se resolvia em dois mandatos… Do resto, também devem estar recordados.

Outro discurso, a que também já nos habituámos, é o que – enfim, não exigindo logo à partida essa garantia de prolongamento de tempo - vai dizendo, mesmo assim, que metade da legislatura se gasta a remendar os erros herdados da anterior gestão, do anterior governo… metade do tempo a reequilibrar a barca da Nação e a estabilizá-la no rumo certo… depois, claro, se quando chega a hora da verdade, o balanço deixa a desejar… pode sempre dizer-se que foi por falta de tempo e que foi culpa das Oposições, se não se conseguiram os resultados prometidos.

Mas agora não. Porque Ferreira Leite sabe que pode contar com uma nação valente, que não se intimida, nem vira a cara aos grandes desafios, aos heróicos feitos… uma nação que vergou Adamastores, uma nação que deu ao mundo a boa esperança, onde antes rugiam tormentas… É por isso que Manuela Ferreira Leite pode prometer aos militantes que, se chegar a S. Bento pela porta grande, vestirá essa personagem de exterminadora implacável .

Há-de ser – se for – muito mais estimulante, heróico mesmo, convenhamos, do que esse outro cenário, de um país de tanga e encolhido, escondendo as vergonhas, para a Europa e o resto do Mundo não verem.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

fuck off rockabilly

A iniciativa era do jornal, por isso acabou a chamar-se, ao encontro, o "Ifórum".

Um encontro realizado ontem, no museu do Oriente em Lisboa, patrocinado pelo jornal "I" e que se propunha discutir e debater o futuro de Portugal.

Por lá passaram figuras mais ou menos conhecidas e relevantes da actualidade… Biz Stone, o criador do Twiter, a mais recente e muito popular rede social da Internet. É considerado, pela Time, uma das pessoas mais influentes da actualidade.

Outra presença, aguardada com expectativa, era a de Nassim Taleb, o libanês radicado nos EUA, ex-corretor da bolsa, filósofo e autor do "Cisne Negro”, um livro que tem sido um êxito de vendas.

E entre as presenças portuguesas… chegamos ao que vínhamos… entre os convidados portugueses estava Joe Berardo. E foi enquanto empresário e investidor que tomou a palavra, no painel de arranque e – diz o jornal I, na edição de hoje, em balanço do encontro que… "Berardo foi igual a si próprio"… esta expressão é curiosa e magnânime… quer dizer, dá para dizer tudo, do melhor ao pior… vamos a ver o que será desta vez...

Diz então o jornal que Joe Berardo tomou a palavra e arrasou a regulação, usando, como ponto de partida , exemplos da sua própria vida profissional.

Passemos á citação… respeitem-se então as aspas : “ em 1998, o Banco Privado Português fez algo que me beneficiou, mas depois falei com o meu advogado e pedi-lhe: Sell those fucking shares." Fecham-se as aspas e volta-se ao jornal, que diz que foi assim que falou Joe Berardo, logo na intervenção inicial.

E comecemos então por aqui…a forma verbal em causa… Sell – neste contexto é um imperativo. Ora , há uma diferença substancial, entre pedir e mandar. Mas adiante… Diz então o jornal, que o empresário Joe Berardo, logo no painel de arranque do fórum internacional, onde se debatia o futuro de Portugal, terá dito, a propósito, já vimos do quê, que… "sell those fucking shares"…

Seria suposto ter graça, ou tornar o ambiente mais "cosy" – já que estamos com anglicismos… a verdade é que o que saiu foi uma expressão ordinária e sem graça, seja em inglês retorcido, francês erudito, ou português das docas. Uma alarvice a que só faltou a vigorosa coçadela dos testículos, ou um arroto, a acompanhar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a ética é fodido

Ora, os testes da sida nas escolas... A ministra da Educação, escreve hoje o 24 horas, diz que as notícias são alarmistas e que não haverá testes da sida nas escolas.

Já antes, a ministra da Saúde tinha dito que os pais podem decidir, se consentem ou não os testes, mas criticou a posição dos que se opõe, ou levantam reservas… A Associação de Pais, citada pelo 24, responde que não está contra os testes de despistagem, o que está em causa é que é preciso preparar pais e filhos, para a eventualidade desses testes revelarem más notícias.

No JN, repega-se na mesma história e o título anuncia que 5 unidades móveis vão mesmo oferecer testes a jovens junto a escolas…

Continua-se depois explicando que, “ao contrário do inicialmente veiculado, os testes não serão oferecidos dentro das escolas, como fez insistentemente questão de desmentir, ontem, o Ministério da Educação”.

É que ontem, o DN tinha dito que a iniciativa do Instituto da Juventude ia estar em escolas, discotecas e festivais. Essa informação fez levantar uma série de dúvidas éticas, tanto de pais, como de alguns médicos… reclamava-se a autorização de um adulto responsável. O jornal cita depois a responsável pela campanha, a Alta Comissária da Saúde , Maria do Céu Machado, que diz que as unidades móveis vão oferecer atendimento anónimo e confidencial a quem o pedir e que apesar da campanha se dirigir a uma população entre os 12 e os 25 anos de idade… diz que só a partir dos 14 anos é que – do ponto de vista ético – um adolescente tem competência e autonomia para decidir sobre a sua saúde… Também o Secretário de Estado da Juventude se junta à polémica, lembrando que a única novidade aqui é as unidades serem móveis, que de resto, já desde o ano 2000 que se fazem testes e sessões de aconselhamento e com sucesso e sem autorização de ninguém, como requisito obrigatório…

Enfim, as polémicas são assim mesmo, quando começam e ganham balanço …

Pois, do ponto de vista ético, todas as reservas serão admissíveis, que a ética, cada um sabe de si… agora a saúde pública é outra conversa e tem a ver com todos…

E , tendo como seguro que a ninguém vai ser apontada nenhuma bazooka à cabeça, forçando a realização do teste… seria talvez de boa política, ficar a saber-se, do real estado de saúde de cada um , jovem adolescente, ou de maior idade…

Só há duas respostas possíveis, ou o resultado é negativo, ou se despista qualquer foco de infecção, ou doença. Neste caso, o que preferis? Ignorar até ao último momento, ou agir com informação, a tempo e horas?

Preparar-se a gente para as piores notícias…

Bom, esse parece ser um dos princípios básicos de sobrevivência e até se calhar de alguma felicidade, nesta terra. É porque assim, se as notícias, em vez de más, forem boas… a alegria há-de ser 50 vezes maior.

Só uma curiosidade académica… não é verdade, que a avestruz enterre a cabeça no chão para se esconder. É um mito e uma injustiça. Não é a avestruz quem enterra a cabeça na terra quando se assusta e se calhar também não são os macacos que, quando caem à água, se agarram às orelhas!...

terça-feira, 23 de junho de 2009

mais uma para a novela da loira

Isto dos blogues é muito giro mas é uma merda, porque este postigo era para ler-se depois do que lhe vem abaixo. Assim fazia mais sentido, mas que se lixe vai assim na mesma e tem a ver, portanto com a história que abaixo melhor se explica.
Esta é portanto mais uma achega ao que já se disse.
Da afronta, de que Pacheco Pereira fala e do pedido de desculpas que reclama. Também aqui não há uma relação directa de causa e efeito, já que, da afronta, diz o próprio que é o que foi publicado e que o apresentava como a loura do PSD. Diz também que disso não se espanta porque é o nível do costume do autarca de Gaia. O que o espanta, entretanto, se bem que não chegue a considerá-lo nomeadamente como afronta, é o jornal ter publicado essa frase como título, revelando assim uma seriedade abaixo das expectativas do próprio. O próprio, que se sente enganado. Pensava que o jornal era um jornal sério e parece que não. Enganou-se e exige desculpas. Ora, estou em crer que, quem se engana é que costuma pedir desculpa...
Pronto, era só mais isto.

o trolha e a loira burra

Confesso que não sei se o visado o fez nas páginas do próprio jornal, que protagonizou a ofensa. Se o fez ao abrigo de um qualquer direito de resposta, ou indignação. Fê-lo, contudo, no blog que mantém na Internet.

Pacheco Pereira, José Álvaro Machado Pacheco Pereira, historiador, professor universitário e político está indignado e exige um pedido de desculpas.

Mas vamos aos factos. E os factos recuam à edição de Sábado passado do jornal I, que puxava para manchete uma citação de Luís Filipe Menezes, em entrevista ao jornal… Lia-se na manchete- “Pacheco Pereira é a loira do PSD”. Aqui no DN está escrito – “loura” – enfim, é o mesmo, sendo que, acho eu, loura soa menos loira, que loira propiamente dito, mas é loura que aqui está e para o visado vai dar ao mesmo.

Pacheco Pereira não gostou do que leu e agora quer proibir a publicação da entrevista, que ele próprio, entretanto, deu também a este mesmo jornal. Como forma de protesto. Escreveu Pacheco Pereira, no blog pessoal, que não o surpreende a linguagem do autarca de Gaia, que o comparou a uma loura , mas que, um jornal que se pretende sério, escolha uma frase insultuosa para título... isso é afrontoso. Diz que acedeu, em conceder a entrevista, em parte por respeito à entrevistadora, a jornalista Maria João Avilez, mas que se sente enganado, quanto à seriedade do jornal e que, assim sendo, enquanto não houver um pedido de desculpas pela afronta, não autoriza a publicação da entrevista e que já o disse mesmo a Maria João Avilez…

O Diário de Notícias conferiu com algumas autoridades na matéria, desde Aarons de Carvalho, enquanto especialista e professor de Direito e Deontologia da Comunicação, até ao presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas e todos concordaram que, indignado pode estar, mas o que não pode é , legalmente, impedir a publicação da entrevista. Que os argumentos apresentados são paralelos à própria entrevista. Que é ao jornal, que compete decidir onde publicar e que título puxar, para a entrevista de Menezes, Pacheco, ou seja de quem for… Que a frase da polémica é uma citação do entrevistado, no caso, Luís Filipe Menezes e não um comentário, ou opinião do jornal…

E aqui, a verdade é esta… um dos bê à bás do jornalismo é justamente escolher para título “a frase” … aquilo que se destaca, seja pelo inédito, pelo horrível, pelo surpreendente, pelo importante, pela actualidade urgente, pela proximidade, pelo insólito, pelo controverso, pelo inesperado… enfim e em bom rigor também, pelo que mais obviamente impressiona o leitor de passagem e o faz parar e comprar este , em vez daquele jornal. Chamam-lhe, entre amigos… a lei do mercado. Dura lex, molaflex, como se diz...

Depois temos o insulto em si… a afronta, de que se queixa Pacheco Pereira. Sendo que aqui não se explica muito bem, de que afronta se queixa … De facto, pelo menos actualmente, loiro não é, loira ainda menos, que , muito mais que a barba na cara , tudo na fisionomia e vulto de Pacheco Pereira desfaz todas as dúvidas quanto ao sexo. É um homem, não uma mulher.

Sobra, claro, essa outra …a de se invocar a circunstância dessa coloração capilar, como sinónimo de menos clarividência, ou rapidez de raciocínio, ou alguma futilidade... o mito da loira burra. E isso, claro que é uma afronta… para as loiras, primeiro que tudo, para as mulheres em geral, logo a seguir, para quem lança a perfídia, por fim.

Enfim, é pelo menos uma graça de gosto duvidoso, se bem que as próprias pareçam conviver pacificamente com a blague… não havendo, para além disso, nenhum estudo científico, que comprove essa relação causa efeito…

De resto, espantemo-nos nós, já que o próprio diz que não se espanta e até já está habituado … citemos uma última vez Pacheco Pereira… “não me pronuncio, como é óbvio, sobre a entrevista de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende…”

Ora bem, diz que não se pronuncia e acabou por fazê-lo. Disse-o sem o dizer. Como Luís Filipe Menezes, afinal.

bezerrices revisited

E voltamos a ele, mas com cuidado, que isto é matéria sensível, já se percebeu. Muito sensível mesmo. Falo da bezerrada de quinta feira passada no Campo Pequeno em Lisboa, que prometia a presença do famoso bezerrista franco mexicano Michelito Lagravaré, de 11 anos.

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens pronunciou-se contra e a Inspecção Geral das Actividades Culturais acabou por assinar o despacho, que proibiu a participação do jovem toureiro na corrida de Lisboa e numa outra , sábado, em Portalegre.

Diz o Diário de Notícias, de onde recupero a história, que a decisão da Inspecção-geral se baseou no parecer desfavorável da Comissão de Crianças e Jovens… diz também, que agora o empresário do pequeno toureiro ameaça agir judicialmente contra a Comissão de Crianças. Quer que seja autorizado o cumprimento dos contractos que Michelito tem agendados para Portugal e se isso não acontecer, o caso segue para tribunal…

Acontece entretanto – está aqui escrito – que (o melhor mesmo é citar à letra e de meia praça) “o bezerrista franco mexicano foi impedido de tourear quinta feira em Lisboa, com base na inexistência de um atestado passado por um médico de Medicina no Trabalho.”

Perfeitamente. Partindo do princípio, que esse atestado não se limitava a confirmar a menoridade do jovem toureiro, que não é para isso que os atestados médicos servem, para isso há as certidões de nascimento... o que fica? Enfim, o que ficaria, se esse atestado tivesse aparecido a tempo e horas… provavelmente apareceria um documento garantindo que este Michelito estava de boa saúde e em condições de trabalhar… já que de Medicina no Trabalho se trata . E se assim tivesse sido, o que se seguiria? O jovem toureiro já podia entrar na arena do Campo Pequeno?

Ora, se a questão é a menoridade do artista, porque é que se vai dar esta volta sinuosa e acrobática? Porque é que não se diz , muito simplesmente, que em Portugal não há lugar para toureiros de menor idade e ponto final. É proibido e não se fala mais nisso...

E não tanto por ser considerado trabalho infantil, que isso é coisa que temos com alguma fartura em outras arenas , ao que se vai sabendo… uns mais bem pagos, outros nem por isso… uns com mais exposiçâo mediática e em horário nobre nas televisões, outros no discreto aconchego de oficinas semi clandestinas, ou mesmo no recato do lar, ao serão, em família…

Claro que, no caso deste Michelito, a história é decerto outra… deve estar melhor treinado, para lidar com toiros, que muitos meninos portugueses, para trabalhar com algumas máquinas e ferramentas… Deve ser francamente mais bem pago e melhor tratado, que todos esses meninos de que falo e até mesmo, eventualmente, os outros, os das telenovelas e os dos anúncios e os das passagens de modelos e por aí…

E já agora também, se a questão é mesmo a violência e crueldade do espectáculo, porque não se interditam as toiradas a espectadores de menor idade?...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

quando a palavra vale mais que mil imagens

Vem no Correio da Manhã e é uma história triste. Tristemente bela, também. Uma menina norte americana de dez anos tinha um cancro incurável e estava em fase terminal, mas não queria morrer sem ver um certo filme de desenhos animados, acabado de estrear, nos Estados Unidos… Desde Abril, quando visionou o trailer do filme, que deixou expresso esse desejo – esse último desejo – ver o filme antes de morrer. O jornal cita as palavras da própria – “Estou pronta para morrer, mas vou esperar pelo filme.” A empresa distribuidora tomou conhecimento desse desejo e resolveu mandar um funcionário a casa da menina, com uma cópia do filme, para uma projecção especial e privada, só para ela. Diz o Correio da Manhã, que a doença tinha-a já privado da visão, pelo que foi a mãe, quem lhe foi narrando toda a acção, enquanto ela ia ouvindo os diálogos e imaginando o resto.

Do enredo, diz o Correio que conta a história de um velho rabugento, que depois de enviuvar resolve conhecer a América do Sul. E resolve então fazê-lo desta forma original e espectacular… atando balões… milhares de balões à casa, por forma a fazê-la levantar voo…

Diz a notícia, que a menina acabou por falecer, 7 horas depois de ter visto o filme.

Fica essa imagem… uma casa elevando-se no ar, suspensa por milhares de balões coloridos, rumo a uma qualquer América do Sul, ou mais longe ainda, mais alto, mais magnífico, quem sabe… que aqui e ao contrário do que se diz normalmente… a palavra deve ter valido mais que um milhão de imagens.