sexta-feira, 3 de julho de 2009

olh'ó cão!

E agora a televisão.

No Jornal de Notícias, diz-se que uma rábula, do humorista Nilton, desagradou à GNR e ao ponto mesmo da RTP ter retirado da Internet o pequeno clip, que reproduzia essa mesma graçola.

E a graçola em causa… para o que mais importa… apresentava um oficial da Guarda Republicana como se fosse um cão, de coleira ao pescoço, seguindo servilmente a outra personagem da rábula. A corporação achou que estava a ser humilhada e por isso fez queixa à Autoridade Reguladora do sector, para que interviesse e forçasse a retirada do referido clip da Internet. E assim foi feito.

O programa, em que a rábula se incluiu, foi para o ar na semana passada, por volta da meia noite e, responsáveis pela RTP2, que tudo isto se passa no 2º canal à volta da meia noite… já disseram que nunca pensaram que, o vídeo em questão, fosse interpretado fora da nota humorística, que caracteriza o programa. O próprio humorista concorda que pisou terreno escorregadio e arriscado, mas que nunca foi intenção ofender ninguém.

Portanto, diz a RTP, que nunca pensou que a rábula fosse entendida fora do contexto humorístico… parte-se do princípio que , se a GNR, como tal o tivesse entendido,,, falo do tal contexto humorístico... talvez não houvesse problema… ou pelo menos, a RTP quer acreditar que não. Mas, talvez não tenha sido o que aconteceu… talvez então a GNR tenha levado a coisa à letra e por isso se tenha ofendido e exigido a retirada do vídeo do espaço público da Internet…

Bom, a GNR não sei, mas conheço muito boa gente que, se sentisse que lhe estavam mesmo e realmente a chamar cão e que não era nem brincadeira, nem para fazer caricatura ou denúncia de qualquer outra coisa mais … que geralmente é assim que as anedotas e outras pantominices funcionam… conheço muito boa gente que se interpretasse uma coisa destas fora do tal contexto, ou nota humorística que a RTP diz… haveria certamente de ir um pouco mais longe, do que exigir a retirada do vídeo da rede… estou em crer que haveria mesmo de pedir contas ao humorista, mas na barra do tribunal, por ofensa e calúnia e falta de respeito, pelo menos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

t'árrenego, Maria Pandilha!!!

E vamos à bruxa.

Mas antes, deixem que recorde um caso, que já foi notícia não há muito tempo.

O caso de duas burlonas, que foram apanhadas quando tentavam convencer um casal de idosos a enterrarem no quintal, um lenço com todas as economias e todo o “ouro” que tinham. Prometiam-lhes que, com o tempo e umas rezas, os valores enterrados no quintal haveriam de multiplicar-se magicamente. Valeu na altura a curiosidade da senhora do casal, que quis ver o que estava dentro do lenço antes de ele ser enterrado e descobriu que as burlonas já tinham feito a troca à socapa e se preparavam para enterrar um pano cheio de lixo e papeis sem valor, enquanto tinham já metido ao bolso o dinheiro e o “ouro” todo…

Hoje, a história de que o DN, o JN e o Correio da Manhã dão notícia envolve este Mestre Dami, nome com que se apresenta, Diamantino Juarez, um bruxo luso-brasileiro, de 51 anos, que ontem foi presente ao tribunal de S. João Novo, no Porto, acusado de burla, num total de 318 mil euros.

Diz o DN, que chorou e pediu perdão às vítimas e que está disposto a devolver todo o dinheiro ganho com a mentira. Disse também que o fez, porque precisava desesperadamente de dinheiro, para ir ao Brasil fazer uma operação.

Os jornais destacam o nome de duas das vítimas… passemos isso por cima e fixemo-nos só que uma delas, que perdeu 50 mil euros, é uma jovem repórter da televisão, relativamente conhecida, a outra vítima- e essa é que foi mesmo a mais prejudicada - foi uma economista, que diz que teve de pedir dinheiro emprestado, não tanto para pagar os serviços do bruxo, mestre Dami, mas para que ele realizasse o esconjuro. 210 mil euros, para que mestre Dami a livrasse de um alegado enguiço, ou feitiço, ou mau olhado, ou por aí.

Diz o JN, que a vítima entregou os 210 mil euros ao bruxo, em notas, que haveriam de ser fechadas numa caixa, juntamente com um coelho morto. O Correio da Manhã adianta que, na altura de fechar a caixa, o cliente tinha de fechar os olhos e era aí que a troca era feita. Pelo meio havia umas rezas, uns rituais e uma visita ao cemitério. Para que o engrimanço resultasse, a vítima (chamemos-lhe assim, que não é mentira, seja vítima de burla, ou de um alegado feitiço, é vítima, de qualquer modo…) para que resultasse, portanto, a vítima tinha de dormir durante 7 dias sobre a caixa, que continha o dinheiro, sendo que aí já só havia papel sem valor.

No essencial a história fica contada.

Agora, o que sobra é o facto de uma economista, e esqueçamos o facto de ela acreditar em bruxarias e engrimanços,,, o que sobra é que esta economista estaria preparada, segundo o Jornal de Notícias, para dormir 7 dias em cima, ou pelo menos muito perto de uma caixa com um coelho morto lá dentro. Aqui já não é uma questão de fé, é uma questão de bom senso e saúde pública. Diz o JN, que esta economista resolveu abrir a caixa antes de tempo e reparou que não havia dinheiro. Diz também que mestre Dami, na altura, lhe disse que o dinheiro tinha sido comido pelas larvas… a notícia aqui é omissa quanto à sorte do coelho morto e ainda bem, porque chegados aqui, a história corre o risco de começar a – como se diz – a feder.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

serviço público é fixe uma verdadeira cavalidade



Estava a fazer a barba, por isso ouvi só o que o homem dizia, sem lhe ver a cara. Por isso também e ficando só pelo conteúdo do que foi dito, chamemos-lhe simplesmente Cavalo*.

E o que estava em causa era uma denúncia, do PSD, a pedir explicações, porque a RTP, televisão pública, tinha dado três vezes mais tempo de antena ao PS e ao Governo, do que ao PSD, ele próprio. O homem, cujo rosto não vi e cuja identificação me escapou, que a televisão, nestes casos, usa o truque da legenda e eu, como já disse, estava a fazer a barba e não vi... o homem falava em nome do PSD e, já tínhamos combinado, para o caso vamos identificá-lo por Cavalo*.
Dizia então o Cavalo* que a televisão de serviço público, por essa mesma razão, não deveria ter dado três vezes mais tempo de antena ao PS e ao Governo do que ao PSD. Dizia o Cavalo,* que por uma razão de serviço público.
Ora, por uma questão de serviço público, seja lá essa merda o que for, espera-se que a RTP tenha bons profissionais que saibam distinguir, no granel da Redacção, entre o que é de utilidade e serviço público ser noticiado e o que não vale a pena, porque, quanto mais não seja, meter o Rossio na rua de Betesga, venha o primeiro... Acrescente-se a eventualidade de boa parte dessa informação ser mesmo o que se chama "merda", o que, só mesmo a falta de assunto, ou uma caçadeira apontada aos cornos justificariam ser tornada pública. Ainda na onda do serviço público, se há a quem, mais do que esperar-se, se exige que seja matéria de notícia, porque tem obra a apresentar, porque toma decisões de âmbito verdadeiramente nacional, porque tem a responsabilidade outorgada por voto popular, de gerir o que é a Coisa Pública, quem é obrigado por lei a prestar o verdadeiro serviço público, mais do que este, ou aquele partido, por muito bem intencionado que seja e por muito próximo que assumidamente esteja de assumir o Poder... Se há alguém nessa posição, é o Governo, de esperar seria que, o Governo, acabasse por ter, sem favor, mas por matéria de facto, mais tempo de antena, do que um anhuca qualquer. Seria, pelo menos, sinal de que estava a trabalhar e tinha notícias para ir dando ao povo.
Quanto a números, contas e proporções e estatísticas e o caralho... isso é que é um aborrecimento.
Porque, se o PS e o Governo tem 3 vezes mais que o PSD sozinho, quantas vezes mais, ou menos tiveram esses dois primeiros, em relação aos outros todos, menos o PSD e em relação só ao PCP e ao Bloco de Esquerda e em relação aos Verdes e ao CDS, mais os independentes e o PSD em relação aos outros todos, menos o CDS e o Governo e o PSD mais o Governo, menos o PS, mais os Verdes, menos a magrinha de óculos?... é o caralho, tinha avisado. Um aborrecimento, mesmo, perdoem-me a linguagem.
Regressemos à cena do serviço público.
Obrigar a RTP, ou a PlayboyTV a dar o mesmo tempo de antena ao PSD sozinho, do que ao PS e ao Governo, os dois juntos, revela que, pelo menos para o Cavalo* que falou, a televisão deveria ser, não tanto de serviço público, como ele disse, por engano, mas de serviço privado. De serviço ao partido dele, para poder perorar galhardamente nessa fuçanguice de ter sempre qualquer coisa para dizer, como o eco e os papagaios.

*nome fictício

terça-feira, 30 de junho de 2009

e o Coelho é do pai?...

Dizem os jornais, que há uma nova responsável, na canonização de Francisco e Jacinta Marto, dois dos alegados videntes da Virgem Maria, aliás, Nossa Senhora de Fátima.

Ângela de Fátima Coelho é médica no hospital de Leiria e Superiora da Comunidade de Fátima e é ela quem vai, a partir de agora, continuar o trabalho de Luís Kondor, um padre de 81 anos, que actualmente está doente e acamado e não pode continuar, de forma eficiente, o trabalho que tem em mãos já desde 1960, ou seja, a causa destes dois candidatos a santos, Francisco e Jacinta Marto.

Diz o jornal, que o facto de Ângela de Fátima ser médica, pode ser uma mais valia para a causa. Tem o "olho clínico"! Porque, o que está aqui em causa é descobrir uma cura milagrosa, que convença o Vaticano a canonizar os dois pastores. Uma cura, que a ciência médica não consiga explicar, ou pelo menos que Ângela de Fátima não consiga explicar, o que já será meio caminho andado para o Vaticano e daí para a santidade. Havia um episódio, com a alegada cura de um bebé de um ano que sofria de diabetes, mas consta que essa prova não foi conclusiva.

Nomeada adjunta do vice-postulador das causas, o padre Kondor, Ângela de Fátima diz que a meta é chegar à canonização, mas que de momento a tarefa que se impõe é a de continuar a difundir as virtudes da vida de Francisco e Jacinta Marto.

Ora, ambos morreram novos e isso é histórico. Jacinta morreu com 9 anos de idade e Francisco com 10, vítima da gripe espanhola, mas também os jejuns, a que se obrigava, diz-se que não terão ajudado muito, enfraquecendo-o ainda mais do que a pobreza, que se vivia na região e no país, por essa altura. Poderiam ser talvez, o que não parece, crianças – como se diz – irrequietas… ou mesmo, perdoe-se-me a quase blasfémia no contexto… um pouco endiabradas mesmo… coisa normal naquelas idades… mas nada que os condenasse às penas do Inferno… ou seja, com dez anos de idade, ainda está uma pessoa bastante próxima de deus e dos anjos , na sua inocência, ou pelo menos naquela ignorância, que a resguarda até da própria noção de pecado… Mas isso, nem vem ao caso. Porque o que está aqui em causa é descobrir milagres… ou pelo menos , fenómenos estranhos, que só um milagre explicam… Diz, a nova adjunta da causa, que no imediato há que continuar a divulgar as virtudes da vida de ambos os pastorinhos. Que há que promover , cada vez mais, o culto da vida e da piedade cristã dos pastorinhos… Claro que, se a missão for bem sucedida, acaba por tornar-se mais fácil, imputar à intervenção divina, ou miraculosa, dos pastorinhos, qualquer fenómeno inexplicável à luz da ciência actual… É necessário, claro também, que o agraciado reconheça, que na hora da aflição foi mesmo a Francisco e Jacinta, que recorreu e não à prima Lúcia, ou outro qualquer beato, ou mesmo santo, já com reconhecimento oficial. Porque não basta a cura, é forçoso, estou em crer, que seja… forçoso, que esse milagre seja , sem dúvida, imputado a um deles e não a qualquer outro ser, vivo, ou morto, santo, ou nem tanto…

Que de resto, das duas uma… ou uma pessoa ter visto de facto a Virgem-mãe de Deus, ter recebido conselhos e até ser nomeada fiel depositária de segredos tão importantes para a salvação do Homem... não vale nada . É coisa corriqueira e que pode acontecer a qualquer um e por isso são precisos acontecimentos ainda mais extraordinários, para que alguém mereça um destaque tão especial, como a própria santidade, reconhecida oficialmente, por quem decide a tão alto nível…

Ou então, não.

Ou então … o que aconteceu, naquele 13 de Maio de 1917 na Cova da Iría, foi realmente qualquer coisa de muito especial, que eleva os 3 pastores a um patamar muito acima de qualquer lei dos homens… pelo menos dessa, que decide quem é santo e quem não é.

queremos sangue!

A história conta-se depressa.

Um jovem universitário, cuja namorada queria acabar o namoro com ele, um certo dia, chamou-a à parte para conversarem e, como ela insistisse na separação, ele esfaqueou-a, escondeu o cadáver entre uns arbustos, meteu-se no carro e entregou-se à primeira brigada de GNR, que encontrou no caminho. “Prendam-me que eu matei uma pessoa.”

O tribunal de Coimbra… que a história passa-se em Coimbra, decretou uma pena de 16 anos de prisão para o jovem homicida. Houve quem reclamasse uma pena maior, mas a decisão final ficou-se pelos 16 anos, porque, no entender do tribunal, não havia razão para o agravamento da pena. A primeira condenação aconteceu já em Janeiro, agora, a notícia é mesmo que , na repetição do julgamento, o tribunal concluiu que não havia de facto razão para aumentar a pena, para os 22 anos pedidos pela Relação. A história vem em mais do que um jornal, desta terça feira. E com fotografias. No DN, vê-se o jovem algemado, mãos à frente do corpo, ladeado por dois polícias e olhando para o chão. A fotografia pode ter sido tirada à entrada, ou saída do tribunal…

O Correio da Manhã, que entretanto acrescenta mais um pormenor à história- e já vamos à fotografia… acrescenta, dizia, que ficou provado, que não houve premeditação no crime, apesar de não ser muito normal –digo eu - uma pessoa ir para a escola, com uma faca de cozinha no bolso… O Tribunal de Júri concluiu, que o objectivo do jovem era só tentar a reconciliação e o retomar do namoro, só que a conversa seguiu outro rumo e as coisas precipitaram-se. Diz-se , e citemos… “a convicção é que no período temporal anterior à conversa que o arguido e a vítima tiveram na véspera do crime nada nos diz que o arguido já tinha a intenção de matar…”

E a fotografia. A fotografia, que o Correio da Manhã publica, para ilustrar o veredicto final … Aqui, o jovem homicida aparece de mãos algemadas, mas neste caso atrás das costas. Veste uma T-Shirt clara , mas suja. Na gola, no peito, nas mangas... A foto é a preto e branco, mas tudo leva a crer que, aquelas manchas que lhe sujam a camisola e o próprio rosto em mais de metade, sejam de sangue. Diz a legenda: “O homicida, no dia do crime.” Atrás, vê-se uma fita de plástico, daquelas que a policia usa para isolar recintos em casos destes … donde , tudo leva a crer, que a foto foi tirada não só no dia, como também eventualmente no próprio local, ou muito perto do local do crime.

Saudemos o esforço e sejamos solidários com o jornal… Foi de facto pena… um bocadinho mais cedo e ainda tinham apanhado o flagrante delito. Isso sim é que era capa para arrasar com toda a concorrência, carago!

segunda-feira, 29 de junho de 2009


INTERMEZZO

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Manuela, a refundadora da Nação

Vem no I , com fotografia da própria e este título breve:; “Manuela fala ao PSD”.

É natural que o faça, já que , a Manuela de que se fala, é dirigente máxima do partido. Manuela Ferreira Leite, que, diz o jornal, já sente que o PSD é uma alternativa de poder (bom, enfim, disso nunca ninguém teve dúvidas, que o PSD, quase desde que a democracia foi reinstaurada em Portugal, é uma alternativa de poder, neste regime de alternância, a que nos fomos habituando… PSD, PS, de vez em quando uma coligaçãozita ao centro, ou mais descaída para a direita, ou mais a pingar para a esquerda… por aí… mas prossigamos a leitura… que é uma alternativa ao poder e prometeu (Ferreira Leite, claro) ontem, aos militantes – abrem-se aspas… “romper com todas as soluções adoptadas pelo PS em termos de política económica e social”... fecham-se as aspas , para se reabrirem já de seguida, sublinhando uma declaração ainda mais fulminante: “Vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país”… aqui, o jornal diz que- garantiu.

Não vai portanto sobrar pedra sobre pedra… Porque, para a líder social democrata, parece não haver nada que se aproveite, nada que mereça ser sequer readaptado à ideologia e método de trabalho do partido que dirige.

Da última vez, que ouvimos assim um discurso tão radical, não foi ainda há tanto tempo assim. Lembram-se?... Isto está muito pior do que imaginávamos… isto não vai lá senão com duas legislaturas… é que o país está … isso … Que o país estava de tanga… um descalabro, que só se resolvia em dois mandatos… Do resto, também devem estar recordados.

Outro discurso, a que também já nos habituámos, é o que – enfim, não exigindo logo à partida essa garantia de prolongamento de tempo - vai dizendo, mesmo assim, que metade da legislatura se gasta a remendar os erros herdados da anterior gestão, do anterior governo… metade do tempo a reequilibrar a barca da Nação e a estabilizá-la no rumo certo… depois, claro, se quando chega a hora da verdade, o balanço deixa a desejar… pode sempre dizer-se que foi por falta de tempo e que foi culpa das Oposições, se não se conseguiram os resultados prometidos.

Mas agora não. Porque Ferreira Leite sabe que pode contar com uma nação valente, que não se intimida, nem vira a cara aos grandes desafios, aos heróicos feitos… uma nação que vergou Adamastores, uma nação que deu ao mundo a boa esperança, onde antes rugiam tormentas… É por isso que Manuela Ferreira Leite pode prometer aos militantes que, se chegar a S. Bento pela porta grande, vestirá essa personagem de exterminadora implacável .

Há-de ser – se for – muito mais estimulante, heróico mesmo, convenhamos, do que esse outro cenário, de um país de tanga e encolhido, escondendo as vergonhas, para a Europa e o resto do Mundo não verem.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

fuck off rockabilly

A iniciativa era do jornal, por isso acabou a chamar-se, ao encontro, o "Ifórum".

Um encontro realizado ontem, no museu do Oriente em Lisboa, patrocinado pelo jornal "I" e que se propunha discutir e debater o futuro de Portugal.

Por lá passaram figuras mais ou menos conhecidas e relevantes da actualidade… Biz Stone, o criador do Twiter, a mais recente e muito popular rede social da Internet. É considerado, pela Time, uma das pessoas mais influentes da actualidade.

Outra presença, aguardada com expectativa, era a de Nassim Taleb, o libanês radicado nos EUA, ex-corretor da bolsa, filósofo e autor do "Cisne Negro”, um livro que tem sido um êxito de vendas.

E entre as presenças portuguesas… chegamos ao que vínhamos… entre os convidados portugueses estava Joe Berardo. E foi enquanto empresário e investidor que tomou a palavra, no painel de arranque e – diz o jornal I, na edição de hoje, em balanço do encontro que… "Berardo foi igual a si próprio"… esta expressão é curiosa e magnânime… quer dizer, dá para dizer tudo, do melhor ao pior… vamos a ver o que será desta vez...

Diz então o jornal que Joe Berardo tomou a palavra e arrasou a regulação, usando, como ponto de partida , exemplos da sua própria vida profissional.

Passemos á citação… respeitem-se então as aspas : “ em 1998, o Banco Privado Português fez algo que me beneficiou, mas depois falei com o meu advogado e pedi-lhe: Sell those fucking shares." Fecham-se as aspas e volta-se ao jornal, que diz que foi assim que falou Joe Berardo, logo na intervenção inicial.

E comecemos então por aqui…a forma verbal em causa… Sell – neste contexto é um imperativo. Ora , há uma diferença substancial, entre pedir e mandar. Mas adiante… Diz então o jornal, que o empresário Joe Berardo, logo no painel de arranque do fórum internacional, onde se debatia o futuro de Portugal, terá dito, a propósito, já vimos do quê, que… "sell those fucking shares"…

Seria suposto ter graça, ou tornar o ambiente mais "cosy" – já que estamos com anglicismos… a verdade é que o que saiu foi uma expressão ordinária e sem graça, seja em inglês retorcido, francês erudito, ou português das docas. Uma alarvice a que só faltou a vigorosa coçadela dos testículos, ou um arroto, a acompanhar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

a ética é fodido

Ora, os testes da sida nas escolas... A ministra da Educação, escreve hoje o 24 horas, diz que as notícias são alarmistas e que não haverá testes da sida nas escolas.

Já antes, a ministra da Saúde tinha dito que os pais podem decidir, se consentem ou não os testes, mas criticou a posição dos que se opõe, ou levantam reservas… A Associação de Pais, citada pelo 24, responde que não está contra os testes de despistagem, o que está em causa é que é preciso preparar pais e filhos, para a eventualidade desses testes revelarem más notícias.

No JN, repega-se na mesma história e o título anuncia que 5 unidades móveis vão mesmo oferecer testes a jovens junto a escolas…

Continua-se depois explicando que, “ao contrário do inicialmente veiculado, os testes não serão oferecidos dentro das escolas, como fez insistentemente questão de desmentir, ontem, o Ministério da Educação”.

É que ontem, o DN tinha dito que a iniciativa do Instituto da Juventude ia estar em escolas, discotecas e festivais. Essa informação fez levantar uma série de dúvidas éticas, tanto de pais, como de alguns médicos… reclamava-se a autorização de um adulto responsável. O jornal cita depois a responsável pela campanha, a Alta Comissária da Saúde , Maria do Céu Machado, que diz que as unidades móveis vão oferecer atendimento anónimo e confidencial a quem o pedir e que apesar da campanha se dirigir a uma população entre os 12 e os 25 anos de idade… diz que só a partir dos 14 anos é que – do ponto de vista ético – um adolescente tem competência e autonomia para decidir sobre a sua saúde… Também o Secretário de Estado da Juventude se junta à polémica, lembrando que a única novidade aqui é as unidades serem móveis, que de resto, já desde o ano 2000 que se fazem testes e sessões de aconselhamento e com sucesso e sem autorização de ninguém, como requisito obrigatório…

Enfim, as polémicas são assim mesmo, quando começam e ganham balanço …

Pois, do ponto de vista ético, todas as reservas serão admissíveis, que a ética, cada um sabe de si… agora a saúde pública é outra conversa e tem a ver com todos…

E , tendo como seguro que a ninguém vai ser apontada nenhuma bazooka à cabeça, forçando a realização do teste… seria talvez de boa política, ficar a saber-se, do real estado de saúde de cada um , jovem adolescente, ou de maior idade…

Só há duas respostas possíveis, ou o resultado é negativo, ou se despista qualquer foco de infecção, ou doença. Neste caso, o que preferis? Ignorar até ao último momento, ou agir com informação, a tempo e horas?

Preparar-se a gente para as piores notícias…

Bom, esse parece ser um dos princípios básicos de sobrevivência e até se calhar de alguma felicidade, nesta terra. É porque assim, se as notícias, em vez de más, forem boas… a alegria há-de ser 50 vezes maior.

Só uma curiosidade académica… não é verdade, que a avestruz enterre a cabeça no chão para se esconder. É um mito e uma injustiça. Não é a avestruz quem enterra a cabeça na terra quando se assusta e se calhar também não são os macacos que, quando caem à água, se agarram às orelhas!...

terça-feira, 23 de junho de 2009

mais uma para a novela da loira

Isto dos blogues é muito giro mas é uma merda, porque este postigo era para ler-se depois do que lhe vem abaixo. Assim fazia mais sentido, mas que se lixe vai assim na mesma e tem a ver, portanto com a história que abaixo melhor se explica.
Esta é portanto mais uma achega ao que já se disse.
Da afronta, de que Pacheco Pereira fala e do pedido de desculpas que reclama. Também aqui não há uma relação directa de causa e efeito, já que, da afronta, diz o próprio que é o que foi publicado e que o apresentava como a loura do PSD. Diz também que disso não se espanta porque é o nível do costume do autarca de Gaia. O que o espanta, entretanto, se bem que não chegue a considerá-lo nomeadamente como afronta, é o jornal ter publicado essa frase como título, revelando assim uma seriedade abaixo das expectativas do próprio. O próprio, que se sente enganado. Pensava que o jornal era um jornal sério e parece que não. Enganou-se e exige desculpas. Ora, estou em crer que, quem se engana é que costuma pedir desculpa...
Pronto, era só mais isto.

o trolha e a loira burra

Confesso que não sei se o visado o fez nas páginas do próprio jornal, que protagonizou a ofensa. Se o fez ao abrigo de um qualquer direito de resposta, ou indignação. Fê-lo, contudo, no blog que mantém na Internet.

Pacheco Pereira, José Álvaro Machado Pacheco Pereira, historiador, professor universitário e político está indignado e exige um pedido de desculpas.

Mas vamos aos factos. E os factos recuam à edição de Sábado passado do jornal I, que puxava para manchete uma citação de Luís Filipe Menezes, em entrevista ao jornal… Lia-se na manchete- “Pacheco Pereira é a loira do PSD”. Aqui no DN está escrito – “loura” – enfim, é o mesmo, sendo que, acho eu, loura soa menos loira, que loira propiamente dito, mas é loura que aqui está e para o visado vai dar ao mesmo.

Pacheco Pereira não gostou do que leu e agora quer proibir a publicação da entrevista, que ele próprio, entretanto, deu também a este mesmo jornal. Como forma de protesto. Escreveu Pacheco Pereira, no blog pessoal, que não o surpreende a linguagem do autarca de Gaia, que o comparou a uma loura , mas que, um jornal que se pretende sério, escolha uma frase insultuosa para título... isso é afrontoso. Diz que acedeu, em conceder a entrevista, em parte por respeito à entrevistadora, a jornalista Maria João Avilez, mas que se sente enganado, quanto à seriedade do jornal e que, assim sendo, enquanto não houver um pedido de desculpas pela afronta, não autoriza a publicação da entrevista e que já o disse mesmo a Maria João Avilez…

O Diário de Notícias conferiu com algumas autoridades na matéria, desde Aarons de Carvalho, enquanto especialista e professor de Direito e Deontologia da Comunicação, até ao presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas e todos concordaram que, indignado pode estar, mas o que não pode é , legalmente, impedir a publicação da entrevista. Que os argumentos apresentados são paralelos à própria entrevista. Que é ao jornal, que compete decidir onde publicar e que título puxar, para a entrevista de Menezes, Pacheco, ou seja de quem for… Que a frase da polémica é uma citação do entrevistado, no caso, Luís Filipe Menezes e não um comentário, ou opinião do jornal…

E aqui, a verdade é esta… um dos bê à bás do jornalismo é justamente escolher para título “a frase” … aquilo que se destaca, seja pelo inédito, pelo horrível, pelo surpreendente, pelo importante, pela actualidade urgente, pela proximidade, pelo insólito, pelo controverso, pelo inesperado… enfim e em bom rigor também, pelo que mais obviamente impressiona o leitor de passagem e o faz parar e comprar este , em vez daquele jornal. Chamam-lhe, entre amigos… a lei do mercado. Dura lex, molaflex, como se diz...

Depois temos o insulto em si… a afronta, de que se queixa Pacheco Pereira. Sendo que aqui não se explica muito bem, de que afronta se queixa … De facto, pelo menos actualmente, loiro não é, loira ainda menos, que , muito mais que a barba na cara , tudo na fisionomia e vulto de Pacheco Pereira desfaz todas as dúvidas quanto ao sexo. É um homem, não uma mulher.

Sobra, claro, essa outra …a de se invocar a circunstância dessa coloração capilar, como sinónimo de menos clarividência, ou rapidez de raciocínio, ou alguma futilidade... o mito da loira burra. E isso, claro que é uma afronta… para as loiras, primeiro que tudo, para as mulheres em geral, logo a seguir, para quem lança a perfídia, por fim.

Enfim, é pelo menos uma graça de gosto duvidoso, se bem que as próprias pareçam conviver pacificamente com a blague… não havendo, para além disso, nenhum estudo científico, que comprove essa relação causa efeito…

De resto, espantemo-nos nós, já que o próprio diz que não se espanta e até já está habituado … citemos uma última vez Pacheco Pereira… “não me pronuncio, como é óbvio, sobre a entrevista de Menezes que está ao seu nível e que não me surpreende…”

Ora bem, diz que não se pronuncia e acabou por fazê-lo. Disse-o sem o dizer. Como Luís Filipe Menezes, afinal.

bezerrices revisited

E voltamos a ele, mas com cuidado, que isto é matéria sensível, já se percebeu. Muito sensível mesmo. Falo da bezerrada de quinta feira passada no Campo Pequeno em Lisboa, que prometia a presença do famoso bezerrista franco mexicano Michelito Lagravaré, de 11 anos.

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens pronunciou-se contra e a Inspecção Geral das Actividades Culturais acabou por assinar o despacho, que proibiu a participação do jovem toureiro na corrida de Lisboa e numa outra , sábado, em Portalegre.

Diz o Diário de Notícias, de onde recupero a história, que a decisão da Inspecção-geral se baseou no parecer desfavorável da Comissão de Crianças e Jovens… diz também, que agora o empresário do pequeno toureiro ameaça agir judicialmente contra a Comissão de Crianças. Quer que seja autorizado o cumprimento dos contractos que Michelito tem agendados para Portugal e se isso não acontecer, o caso segue para tribunal…

Acontece entretanto – está aqui escrito – que (o melhor mesmo é citar à letra e de meia praça) “o bezerrista franco mexicano foi impedido de tourear quinta feira em Lisboa, com base na inexistência de um atestado passado por um médico de Medicina no Trabalho.”

Perfeitamente. Partindo do princípio, que esse atestado não se limitava a confirmar a menoridade do jovem toureiro, que não é para isso que os atestados médicos servem, para isso há as certidões de nascimento... o que fica? Enfim, o que ficaria, se esse atestado tivesse aparecido a tempo e horas… provavelmente apareceria um documento garantindo que este Michelito estava de boa saúde e em condições de trabalhar… já que de Medicina no Trabalho se trata . E se assim tivesse sido, o que se seguiria? O jovem toureiro já podia entrar na arena do Campo Pequeno?

Ora, se a questão é a menoridade do artista, porque é que se vai dar esta volta sinuosa e acrobática? Porque é que não se diz , muito simplesmente, que em Portugal não há lugar para toureiros de menor idade e ponto final. É proibido e não se fala mais nisso...

E não tanto por ser considerado trabalho infantil, que isso é coisa que temos com alguma fartura em outras arenas , ao que se vai sabendo… uns mais bem pagos, outros nem por isso… uns com mais exposiçâo mediática e em horário nobre nas televisões, outros no discreto aconchego de oficinas semi clandestinas, ou mesmo no recato do lar, ao serão, em família…

Claro que, no caso deste Michelito, a história é decerto outra… deve estar melhor treinado, para lidar com toiros, que muitos meninos portugueses, para trabalhar com algumas máquinas e ferramentas… Deve ser francamente mais bem pago e melhor tratado, que todos esses meninos de que falo e até mesmo, eventualmente, os outros, os das telenovelas e os dos anúncios e os das passagens de modelos e por aí…

E já agora também, se a questão é mesmo a violência e crueldade do espectáculo, porque não se interditam as toiradas a espectadores de menor idade?...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

quando a palavra vale mais que mil imagens

Vem no Correio da Manhã e é uma história triste. Tristemente bela, também. Uma menina norte americana de dez anos tinha um cancro incurável e estava em fase terminal, mas não queria morrer sem ver um certo filme de desenhos animados, acabado de estrear, nos Estados Unidos… Desde Abril, quando visionou o trailer do filme, que deixou expresso esse desejo – esse último desejo – ver o filme antes de morrer. O jornal cita as palavras da própria – “Estou pronta para morrer, mas vou esperar pelo filme.” A empresa distribuidora tomou conhecimento desse desejo e resolveu mandar um funcionário a casa da menina, com uma cópia do filme, para uma projecção especial e privada, só para ela. Diz o Correio da Manhã, que a doença tinha-a já privado da visão, pelo que foi a mãe, quem lhe foi narrando toda a acção, enquanto ela ia ouvindo os diálogos e imaginando o resto.

Do enredo, diz o Correio que conta a história de um velho rabugento, que depois de enviuvar resolve conhecer a América do Sul. E resolve então fazê-lo desta forma original e espectacular… atando balões… milhares de balões à casa, por forma a fazê-la levantar voo…

Diz a notícia, que a menina acabou por falecer, 7 horas depois de ter visto o filme.

Fica essa imagem… uma casa elevando-se no ar, suspensa por milhares de balões coloridos, rumo a uma qualquer América do Sul, ou mais longe ainda, mais alto, mais magnífico, quem sabe… que aqui e ao contrário do que se diz normalmente… a palavra deve ter valido mais que um milhão de imagens.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

prometemos ser breves

andamos em arrumações.
prometemos ser breves.
se não cumprirmos, não será decerto por acaso. até lá, aproveitem para visitar alguns dos amigos do belfaghor, que o belfaghor em verdade não tem amigos, ninguém pode ser amigo de semelhante besta.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

anhucas de boca grande

A história, a notícia vem hoje em mais que um jornal, no de Notícias reza assim: “Cidadão de Leiria votou duas vezes.” Ao que parece, ou se suspeita, poderá não ter sido o único a fazê-lo, mas fiquemos por este exemplo.

O cidadão em causa diz que o fez só por curiosidade. Primeiro, votou na freguesia onde reside actualmente, apresentando o cartão do cidadão, depois – e por curiosidade – foi até à freguesia onde nasceu e reparou que o nome ainda constava nos cadernos eleitorais. Achou curioso e aproveitou para votar outra vez. E não só por curiosidade... diz que votou da segunda vez, porque receou que, não o fazendo nessa mesa de voto, considerassem que se tinha abstido e anulassem também o outro voto que tinha depositado na outra mesa, anteriormente…

Hoje diz que não sabia que estava a cometer uma ilegalidade e confessa-se arrependido. Diz que espera que nenhum mal lhe aconteça, por causa disso. Ora o mal, que lhe pode acontecer, é ter de pagar uma multa e ser condenado a prisão.

Aqui deixem que faça uma pequena pausa, que há aqui umas aspas curiosas… as aspas citam e sublinham o artigo 149 da lei eleitoral e diz assim – “prisão de 6 meses a 2 anos e multa de 20.000$00 a 100.000$00… é verdade que o câmbio em euros vem entre parêntesis (não sei se foi o jornal que o acrescentou, ou se está assim no original, agora o que não deixa de ser curioso é que, 10 anos depois de Portugal ter aderido à moeda única, ainda existam documentos oficiais a falar em escudos. Que é coisa que já não existe em Portugal, em circulação, pelo menos . Adiante.

Entretanto, o porta voz da Comissão Nacional de Eleições diz que, a ser verdade... – é verdade, que o próprio já o confessou – pois que, a ser verdade, este cidadão incorreu num crime de voto plúrimo, que é sancionado como já se viu… multa de 99 a quase 500 euros e a possibilidade de uma pena de prisão de 6 meses a 2 anos. Diz que, sendo pública a infracção – e já o é, os jornais publicam-na o próprio reconhece-a …pois assim sendo, o Ministério Público pode avançar com o processo-crime. Ora acontece também, que o mesmo porta-voz reconhece que houve uma falta séria e grave na Administração. Ou seja, admite um erro informático na base de dados, que controla o recenseamento e que esse erro deve ser corrigido, para se evitar que a situação se repita – de haver um cidadão recenseado em dois sítios diferentes… diz que a mudança de registo é feita automaticamente e que o erro em causa é muito importante e que decorre justamente da automatização do recenseamento eleitoral.

Esta é, por seu lado, matéria da responsabilidade da Direcção Geral da Administração Interna.. pois a Direcção-geral reconhece também, que estamos perante uma situação raríssima e grave e que o caso vai ser comunicado ao Ministério Público e que é urgente tomar as medidas, que evitem a repetição do erro.

O porta voz da Comissão Nacional de Eleições disse entretanto ao JN, que teria de haver muitos mais enganos como este, para que as eleições fossem impugnadas… Mas há essa hipótese em aberto… a de ter havido mais cidadãos a votar duas vezes.

O que acontece, ou o mais certo que vá acontecer é que os outros cidadãos, que eventualmente o tenham feito, o mais certo é deixarem-se ficar muito bem caladinhos… que apesar do erro sério, raro e gravíssimo, que a Administração Pública cometeu e reconhece, não parece que haja muita gente disposta a pagar sozinha o ónus do erro…

Seja em euros, em escudos, ou em géneros.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

touradas e bezerrices

E vamos à tourada.

Diz o JN, que a Associação Animal está contra a utilização de crianças em touradas. Lido assim, sem mais explicação, chega-se a temer o pior… Vamos ao título no Diário de Notícias. “Animal contra toureiro de 11 anos.” Ah bom, a criança é toureiro, afinal! É toureiro, é franco-mexicano , chama-se Michelito Lagravaré e tem 11 anos – isso já sabíamos. A tourada realiza-se amanhã em Lisboa, no Campo Pequeno. Chama-se o evento – “Novilhada de Promoção de Novos Valores” e inclui uma “Bezerrada”, ou seja, vai haver um bezerro na lide. Um bezerro, que há-de ser lidado pelo jovem Michelito.

E é justamente contra isso, que a Associação Animal fez já seguir a queixa para a Autoridade para as Condições de Trabalho. Denuncia-se a participação de um menor no espectáculo e cita-se o Código de Trabalho, que é inequívoco nesta matéria – “um menor só pode participar em espectáculos circenses desde que tenha pelo menos 12 anos de idade e a sua actividade decorra sob a vigilância de um dos progenitores, representante legal, ou irmão menor...” – é o que está aqui escrito – “irmão menor” – também acho que sim, que deve ser gralha… irmão maior, talvez… adiante.

Para a Animal é razoável, a partir daqui, que “a participação de menores em espectáculos tauromáquicos não poderá decorrer em condições menos exigentes”. Invoca-se a Convenção sobre os Direitos da Criança e alega-se que “o espectáculo pode prejudicar a saúde do menor ou o seu desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral, ou até mesmo social” – citámos a citação do JN…

Já o representante do jovem toureiro nega qualquer ilegalidade e lembra que muitas crianças começaram mais cedo até, nas lides tauromáquicas… o JN lembra, por seu lado, os casos dos toureiros portugueses João Moura, que se estreou com 11 anos de idade, ou Francisco Mascarenhas, que começou mais cedo ainda. Aos 10 anos. Este último, aliás, disse ao jornal que em Portugal basta um papel assinado por um dos pais do menor, para autorizar a participação da criança em espectáculos deste , ou outro teor e gabarito.

Agora, convenhamos que é sempre apaziguador e reconfortante saber-se que há quem olhe por nós, quem se preocupe, quem nos defenda, quem salte para a arena e se manifeste , quem nos ame… enfim…. Mesmo que essa dedicação, amor e empenho venham de quem mais habitualmente luta pelos direitos dos animais em geral e, neste caso em concreto, pelo bem estar de novilhos e vacas taurinas… Poderia, a Associação Animal, ter-se indignado só com o facto da tourada se realizar…. Poderia ter ido mais longe e denunciar que, nesta “Bezerrada” do Campo Pequeno, vai ser lidado um bezerro, o que, por outras palavras, vale por dizer que vai ser lidado um toiro de menor idade.

E daí , talvez o espanto seja absolutamente despropositado. Pois se a associação se chama “Animal”… o facto de nunca ter saído a terreiro em defesa de nenhum animal da espécie humana pode ter sido só porque ainda não se tinha proporcionado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

oh mãe! aquele menino bateu-me!

Ora, porque a intervenção em processos eleitorais não consta das atribuições correntes das organizações representativas de interesses, o ex candidato Vital Moreira escreve hoje no Público sobre eleições e grupos de interesse...

E é de facto interessante, o que o ex candidato escreve, nesta coluna regular que mantém no jornal.

Começa por sublinhar, que “uma das novidades das recentes eleições europeias entre nós...” – e estamos a citar –“... foi a interferência directa de algumas organizações representativas de interesses económico profissionais na própria campanha eleitoral. Qual o significado e quais as implicações deste fenómeno?” Pergunta o ex candidato.

E qual o significado e implicações deste outro fenómeno , o do ex candidato Vital Moreira chamar organização representativa de interesses económico-profissionais a uma coisa que toda a gente conhece como sindicatos, ou, no caso, como Central Sindical?...

Continua depois a prosa…

“Salvo erro, pela primeira vez desde a institucionalização do actual regime democrático, um grande sindicato (afinal, sempre era um sindicato!) e uma organização de agricultores convocaram manifestações de inequívoco cunho político em plena campanha eleitoral.” Ora, salvo erro também, contra o ex candidato Vital Moreira, talvez... talvez tenha sido a primeira vez que sindicatos e agricultores se manifestaram publica e ruidosamente, em plena campanha eleitoral, com invectivas de carácter político e não só... agora, contra outras coisas é que já não estou muito seguro, que anteriores campanhas eleitorais não tenham também sido invadidas – digamos assim- por manifestações de reivindicação ou protesto, paralelas ao próprio processo eleitoral em curso… mas isto, claro e sublinhe.-se... salvo erro, uma vez mais.

Continua, o ex candidato Vital Moreira, que uma organização de interesses económicos veio apelar publicamente ao voto contra um determinado partido. Realmente, aqui haverá que admitir que cada um no seu ofício e no seu lugar. Ou seja, apelar ao voto contra este ou aquele partido é tarefa… justamente, deste ou aquele partido, recíproca e eventualmente.

Já no terceiro parágrafo, o ex candidato Vital Moreira denuncia a intervenção directa, dessas organizações representativas de interesses, em processos eleitorais. E aqui o espanto abre a boca e não quer acreditar. Então, as organizações representativas de interesses não devem ter intervenção directa em actos eleitorais?!... E o que são os partidos políticos, senão organizações representativas de interesses?... Salvo erro, os interesses do povo!

A prosa segue por mais 8 parágrafos, página fora… mas fiquemo-nos nós por aqui. E admitamos, antes de mais, que chamar ex candidato ao professor Vital Moreira talvez não seja muito correcto. Porque um candidato a qualquer coisa corre sempre o risco – teórico que seja- de não ser escolhido. No caso de Vital Moreira esse era um risco de tal forma remoto, que nem vale a pena pensar nisso. Candidatos, no sentido mais rigoroso da palavra, poderá dizer-se dos restantes elementos da lista que encabeçou. Esses é que não tinham assim tão certo, o bilhete para Bruxelas. Vital Moreira, nem por isso, só se houvesse un coup d'État, ou o Parlamento Europeu declarasse falência técnica.

E já que de técnica se fala… uma questão técnica. Se em vez de apupos e insultos, nesse 1º de Maio, as tais organizações lhe tivessem saído ao caminho, aplaudindo e dando vivas… que diria o candidato?

“Vêem? As forças vivas estão comigo! Os legítimos representantes dos trabalhadores sabem que eu e o partido que represento etc etc etc...” e por aí fora até Estrasburgo.

Digo eu e salvo erro, pela última vez.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

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terça-feira, 9 de junho de 2009

o burro de Diógenes pisou merda

Tropecei quase por acaso na crónica de Nuno Azinheira, que, para quem não esteja por dentro, escreve sobre televisão, no Diário de Notícias.

O titulo da crónica de hoje é : “Palhaçadas europeias” e tem obviamente a ver com televisão e com as eleições europeias de domingo passado. No caso, reporta-se a crónica à emissão especial da SIC , onde, ao lado dos comentadores convidados, Maria João Avilez, Luís Delgado e Ricardo Costa, se sentou Ricardo Araújo Pereira, um humorista. Escreve então, Nuno Azinheira, que , ou a política é coisa com tão pouco interesse, que precisa de umas palhaçadas para animar… ou a Europa coisa tão árida, que precisa de um cómico de serviço, ou a SIC precisa tanto de audiências, que até se lembra de ter um humorista a comentar resultados eleitorais... A pergunta faz sentido, tanto quanto se a resposta fosse: isso mesmo! Isso mesmo, o quê?!... Isso mesmo, essas três razões ao mesmo tempo. Mas, adiante.

Escreve o cronista, que a aposta foi arriscada, mas acabou por resultar razoavelmente. Diz ainda, que ela retrata um pouco a realidade actual e em duas frentes distintas… Primeiro – revela a necessidade, a avidez (é o termo usado) a avidez da SIC, em surpreender. Bom, aqui deixem que me surpreenda eu também. É que, incluir um humorista no alinhamento do programa é coisa que já não deve surpreender muita gente. Aliás, o próprio humorista de quem se fala é já convidado residente, num programa de rádio, com pretensões também a comentar a realidade e a actualidae social e politica nacional… por isso, novidade, novidade… já foi.

Depois, continua o cronista do DN , revela-se também o retrato de um país divorciado da política. Uma país, onde a voz do povo acha que “eles são todos iguais e só para lá vão para se encherem, todos uns bandidos…” Que é assim, que o povo fala. Sem rodriguinhos e com o coração ao pé da boca. Sim, é certo, que muitas vezes sem o conhecimento correcto e suficiente das coisas sobre que se pronuncia.. É verdade e justo que se reconheça… mas cuidado, vamos agora com cuidado, que o que se segue é piso escorregadio… É que – escreve Nuno Azinheira – e citemos: “Ou seja...” (já estamos a citar) “...ou seja, entre os comentadores lúcidos e inteligentes do painel estava lá um de nós…”

Eu não disse?.. Estava lá portanto “um de nós”! Estavam lá os “lúcidos e inteligentes” e “um de nós”! Um dos, supostamente, não lúcidos, ou menos lúcidos e inteligentes…

Ora vamos lá a ver, camarada Azinheira! Informação é uma coisa… inteligência e lucidez são outra… e nem sempre andam de braço dado… não senhor, nem forçosamente e longe disso. Aliás, como dizia “uma de nós”, no caso, a minha avó, que Deus tem: Um burro carregado de livros até passa por doutor.

Já agora, camarada Azinheira e você, como é que é? É cá dos nossos?...