sexta-feira, 24 de abril de 2009

"O meu nome é Tunes" -"Ahn?!.."-"Tunes!"

Antes de mais vamos esclarecer só este ponto. Vem no Público que o Parlamento europeu aprovou o alargamento dos direitos dos artistas de 50 para 70 anos.

Diz ainda que a decisão vem harmonizar a situação dos músicos com a dos autores, mas que esta directiva espera ainda a aprovação de Bruxelas. Continua-se explicando que o novo texto tem ainda de vencer e conquistar a aprovação de várias instâncias comunitárias antes de merecer a aprovação final.

Só que há aqui uma dúvida. Diz o Público que este projecto de alargamento de 50 para 70 anos do prazo de protecção dos artistas e produtores fonográficos se propõe assegurar que os autores e intérpretes musicais possam usufruir dos rendimentos do seu trabalho até ao final da vida… Ora aqui é que parece que há uma pequena confusão de leitura. 50, ou 70, ou 90, ou até mesmo 969 anos, que era a idade de Matusalém, quando morreu… quem acredita que alguma lei possa impedir um autor, ou músico, ou cantor, ou seja qual for o ramo de actividade, artística ou não… impedir alguém de receber, ou usufruir, como diz o jornal, dos rendimentos do seu trabalho?!… Não vos parece óbvio, que a um qualquer autor, enquanto for vivo, lhe são devidos os pagamentos dos direitos autorais?… A menos que o Público saiba mais qualquer coisa que aqui não diz… o que eventualmente se estará a passar por estes dias em Bruxelas é aprovar a passagem, de 50 para 70 anos, do tempo durante o qual, os herdeiros do autor recebem os direitos devidos em vida ao familiar falecido… Ou seja, depois de morrer o autor, os direitos são pagos aos herdeiros, a partir da aprovação deste proposta, durante 70 anos, em vez de 50, como actualmente. O tempo que passa a valer, até que as obras caiam no domínio público.

Ora, diz ainda o Público que a proposta partiu de um comissário inglês, que no início até tinha proposto um prazo maior… 95 anos… isto já em Fevereiro do ano passado, entretanto a ideia foi sendo reformulada e a versão final aponta então para os 70 anos…

Outra medida proposta no documento prevê a criação de um fundo de pensões para músicos de estúdio e contratados …

Há ainda esta outra proposta, que soa quase tão estranha como a dos rendimentos devidos até ao fim da vida do artista… é a que consagra o princípio que o jornal chama de tábua rasa… ou “Use it or loose it”… em português, ou em inglês fala-se do princípio que dá o direito ao artista de publicar ele próprio a sua obra se, ao fim de 50 anos, a editora o não fizer…

E soa estranha por nada em especial… admite-se que alguém esteja tão firmemente convencido do interesse, do valor, da necessidade de publicar este ou aquele trabalho muito em particular, que se submeta a uma espera de 50 anos para o fazer… o que parece mais estranho é que alguém espere 50 anos sentado por que alguma editora se convença a fazê-lo… o que parece estranho é que esse criador não feche contas com essa editora e não procure outra mais atenta, ou mais interessada no trabalho…

Adiante, sabe-se que houve forças de bloqueio à aprovação da proposta, mas houve também um cerrado lobby de apoio. Organizações representantes e de defesa de direitos de autores… só de Portugal, 3 associações se fizeram representar, a elas se juntou um abaixo assinado de 40 mil artistas de toda a Europa… enquanto isso, em Portugal, diz o Publico, que se tem alinhado a posição oficial do lado das forças de bloqueio ao projecto… o jornal cita o ministro português da cultura, que terá dito a propósito, que a votação de Estrasburgo vincula apenas o parlamento europeu e que “Portugal mostra abertura para a discussão de uma solução que se revele adequada ao tempo presente”.

Aguardemos então… 50, 70… os anos que forem precisos… aguardemos.

Três breves da actualidade nacional… no Público, ainda e todas elas. Comecemos por aqui…

Dados de inspectores nas bilheteiras da CP… a CP é a Companhia de Comboios Portugueses, obviamente e os inspectores de que se fala são agentes da polícia Judiciária nacional…

Conta-se, que os dados pessoais de centenas de operacionais e outros elementos da Judiciária estiveram acessíveis em 4 bilheteiras de Lisboa da CP, para efeitos de revalidação dos passes sociais. Diz o jornal, que a situação foi desvalorizada pela direcção da Judiciária, mas criticada pelos inspectores… A direcção da polícia disse mesmo, que todos os nomes dos agentes são publicados em Diário da República, coisa que, admitamos, é letra morta, ou pelo menos não será leitura comum e habitual da – como se diz – esmagadora maioria do povo português… o mesmo valerá eventualmente para os ficheiros, secretos ou não, dos serviços administrativos da CP… O que sobra nesta matéria é saber que solução defendem os agentes em causa, para garantir o tal anonimato, ou se quisermos, essa discrição e reserva de identidade… Será que pretendem um pseudónimo, ou nome de código para se identificarem no dia a dia e nos compromissos sociais da vida civil?... Não os tornaria ainda mais suspeitos se chegassem a uma bilheteira da CP para renovar o passe social e se identificassem como Bond… James Bond!?...

Esta outra vem a propósito do 25 de Abril… na passagem dos 35 anos da revolução de Abril, o grupo editorial de Pinto Balsemão fez um inquérito on line e concluiu do que os portugueses acham que eles, nós próprios, haveríamos de fazer para ajudar Portugal a ser um país mais livre e solidário.

Por exemplo… dizem os portugueses que cada um de nós devia prestar umas 50 horas de trabalho voluntário em Instituições de Solidariedade social. 50 horas por ano, no mínimo. E devia também acabar-se com as votações sujeitas a disciplina de voto, em S. Bento… Deveria levar-se a referendo todas as matérias de especial valor e importância a nível municipal... Referenda municipais, portanto e ainda se defende a criação de bancos de tempo. Um conceito que prevê a troca de serviços entre os cidadãos… a moeda de troca é o tempo que cada um tem para fazer o que for o que o outro precisa ver feito.

Diz o Público, que o resumo desta sondagem de opinião, será entregue a Jaime Gama, presidente da Assembleia da República… e Cavaco Silva, presidente da República, ela própria.

Jornais... Diz ainda o Público, que a 7 de Maio, próximo futuro, sai para os quiosques e bancas de jornais em geral o “I”.

“I”?!...

E, nada! É isso. “I” é o nome do jornal.

O director – adjunto do “I”, André Macedo, não adianta números de tiragem da primeira edição, mas garante que o “I” sai para a rua, com toda a vontade de conquistar novos leitores. Novos leitores… deve depreender-se que se esteja a falar de gente que não costuma ler jornais,,, que a outra forma de ler, a intenção do director do “I”, não faz grande, ou nenhum sentido… Que, se o jornal se estreia agora, todos os leitores que conseguir juntar, serão sempre para este “I”… novos leitores, já que, de momento não tem leitores nenhuns. Nem novos, nem velhos.

Mas não nos dispersemos, já que segundo a direcção deste “I”, citada pelo Público… “somos um jornal bem focado”… somos, os do “I”. O Público cita então André Macedo… “somos um jornal bem focado”… repete o Público, explicando que foi assim que se explicou também e aqui… pausa dramática, tempo de suspensão e vamos lá… diz o Público, que "assim explicou André Macedo, referindo-se à escolha dos temas deste título de referência." E repare-se que não estamos a falar do jornal Público, que já anda nas bancas há uns anos largos e toda a gente sabe o que vale. Estamos a falar de um jornal, que ainda não saiu e que apesar dos 70 e tais jornalistas, que diz ter na redacção e o investimento de mais de 10 milhões de euros… continua a ser uma carta fechada.

De referência… pois, a "referência" será a do jornal e a deferência é de quem?

Ora, claro que não tem porra nenhuma a ver e nem sei porque me lembrei agora disto, mas enfim, amanhã é sábado, está sol é dia de festa e celebração… deixem que cite Erasmo de Roterdão… “Fala a loucura: se ninguém te aplaude aplaude-te a ti próprio”.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

os companheiros da alegria

O primeiro-ministro italiano vai formar euro deputados, para concorrer com caras novas ao desafio de Estrasburgo.

No caso e para ser exacto - euro deputadas.

E rapidamente e em força, que, como se sabe, as eleições são já por um par de meses. A 7 de Junho.

Por isso e a notícia resgato-a do DN… por isso, porque o tempo urge, essas acções de formação resumem-se a 3 sessões e a primeira já foi. A primeira sessão foi ontem, em Roma, na sede do partido de Berlusconi, o “Popollo de la Libertá”.

E a notícia já soa estranha, mas falta ainda acrescentar o pormenor decisivo.

Vamos então… Sílvio Berlusconi quer renovar a imagem do partido na Itália e na Europa – escreve o DN – e para isso, segundo informaram os media italianos, pensou em vários modelos. Modelos, não de renovação da imagem ou estratégia do partido, mas modelos… nesse sentido, de gente que desfila por passerelles, exibindo as novas tendências da moda, ou que posa para fotografias, a olhar para o boneco. Esse género de modelo… e ainda: actrizes e concorrentes de programas televisivos e reality shows do género “Big Brother”. Para instruir as candidatas, estruturou então um programa de formação em 3 sessões.

Diz o jornal que, já ontem, as candidatas a euro deputadas começaram a ouvir explicar a história e o funcionamento da União Europeia e de outras organizações internacionais. Com mais duas sessões semelhantes, estarão prontas para conquistar a Europa, em nome do Povo da Liberdade.

Há dois jornais italianos, que avançam mesmo já com alguns nomes conhecidos, pelo menos em Itália, como é o caso da bailarina Barbara Matera, a actriz Eleonora Gaggioli, ou uma certa Angela Sozio, diz que, ex concorrente de um “Big Brother” local. Ontem, dizem os jornais italianos, que se apresentaram 30 jovens voluntárias e candidatas a candidatas… Diz também que, entre elas, algumas até eram já deputadas do partido de Berlusconi e tudo. Tinham, pelo menos e por curta que fosse, alguma instrução política primária.

Espantoso não é?! Em geral, digo eu! Cá em Portugal, por exemplo… Também por cá, vamos sabendo das dificuldades que há para arranjar candidatos e cabeças de lista e quórum para as mais variadas listas e escrutínios…

Só que, por cá, há quem ache que, mais do que um palminho de cara, mais do que a simpatia partidária, ou a filiação histórica, que cada um possa ter a este, ou aquele partido… a decisão dos portugueses eleitores deve ser esclarecida e não se deixar seduzir por cantos, ou encantos de sereia.

É o caso e o aviso da nota pastoral, que a Conferência Episcopal Portuguesa, reunida por estes dias em Fátima, creio eu. Para o caso é irrelevante. O que conta é o que está lá está escrito e que vai ser hoje oficialmente anunciado.

Pelo porta-voz da Conferência, o padre Manuel Morujão ficámos já, desde ontem, a saber que, para a Igreja, há que votar informado e em consciência. Disse o padre Morujão: “que o eleitor deve conhecer quais são os valores de cada partido, o que propõe nas respectivas campanhas e programas eleitorais, para que o País possa ficar melhor.” Ressalva que a Igreja não se quer substituir, naturalmente ao livre arbítrio dos seus fieis, ou seja, não lhes vai dizer onde pôr a cruz… mas alerta para a necessidade das pessoas estarem a par do que diz cada projecto eleitoral, em matérias, por exemplo, como a família, a sociedade, ou a economia, ou os mais pobres e desprotegidos…

Pois certamente que sim!

E houvesse o primeiro, que no programa eleitoral prometesse fazer a vida negra ao povo e expropriá-lo de toda a felicidade e riqueza e haveria de dar-se-lhe o benefício da dúvida ou não?!... Essa é que é a momentosa questão!

Mas detenhamo-nos ainda nesta questão de candidatos e candidaturas.

E já agora, com uma quase boa notícia. Tirando-lhe o quase, a parte boa é que parece provado à evidência, que Portugal tem pessoas de valor em quantidade e à altura de cargos tão importantes e isentos e acima de quaisquer suspeitas, como o de Provedor de Justiça.

O empecilho adverbial… o quase… justifica-se pela manifesta dificuldade, da classe politica nacional se decidir, perante tão qualificada e abundante oferta.

Diz o Diário de Notícias, que Paulo Rangel, em nome do PSD, exclui a hipótese de apoio a Jorge Miranda, o constitucionalista apoiado e proposto pelos socialistas do PS, enquanto considera como altamente credível, a proposta de candidatura do PCP, que avança com o nome de Guilherme da Fonseca.

Citemos a breve do DN: “O líder parlamentar social-democrata Paulo Rangel excluiu ontem a possibilidade de o PSD apoiar o candidato do PS a Provedor de Justiça, Jorge Miranda e considerou o candidato do PCP, Guilherme da Fonseca, altamente credível”. Aqui, o encómio vem entre aspas, o que garante que foi assim mesmo que foi dito.

Quanto a candidato próprio… o deputado Paulo Rangel disse ontem aos jornalistas que o partido, o PSD, está a avaliar esse assunto. Calcula-se que o partido social-democrata avance ele também com uma candidatura própria ao cargo. Porque, apoiar Jorge Miranda já vimos que está fora de questão e, por muito ingénuos que queiramos parecer, dificilmente vemos o PSD a apoiar um candidato comunista à provedoria de Justiça, ou ao que seja. Em principio!

Agora se for em resumo e segundo conta o DN, para Paulo Rangel, e por extensão, presume-se, para o PSD, cada partido tem a sua estratégia e o partido social democrata não vai alterar a sua própria estratégia só porque foi proposto um candidato, de resto altamente credível… como remata o DN, com as aspas que não deixam dúvidas.

Não deixam, ou deixam?! …

Quem é que é altamente credível afinal?! O candidato do PCP, Guilherme da Fonseca?... Esse, já vimos que sim, Paulo Rangel acha que sim. Mas o PS também apresentou um candidato… o constitucionalista Jorge Miranda, que Rangel diz que está fora de questão ser apoiado pelo PSD! E não é apoiado assim tão sem dúvidas porquê?! Porque Jorge Miranda não é credível para o cargo, pelo menos não tão altamente credível, quanto a função exige? … Bom, se não é… Ponto final. É indiferente quem o apoia. Não serve, procura-se outro.

Mas, enfim, sendo o critério a credibilidade, esperemos para ver…

Irá o PSD apoiar, por exemplo, o eventual e futuro candidato do CDS a Provedor de Justiça? Ou o dos Verdes? Ou o do Bloco de Esquerda?...

Enfim, claro, no caso de se concluir, que é daí que surge o nome mais credível deles todos…

quarta-feira, 22 de abril de 2009

saloiage!

Da notícia, já ontem vos tínhamos dado conta, aqui mesmo e por esta hora… hoje, o Público trás o assunto em chamada de capa, para a primeira página e diz assim: “Também em português”.

Explica depois, em maiúscula e a gordo e negro, que é da Biblioteca Global da UNESCO que se fala. Essa é que foi inaugurada ontem, on-line, juntando mais de 30 bibliotecas do mundo inteiro, incluindo a de Alexandria e a do Congresso norte-americano, que foi de onde, aliás, partiu a ideia original. O aceso é gratuito, também disso já sabíamos e que a morada é: www.wdl.org (WDL, de World Digital Library…) e o português! O português é uma das 7 línguas, em que o site está redigido e apresentado… “Também em português”, diz o título. E não mente, portanto.

O que se dá de barato é o facto do português, de que se fala e dos tais documentos que ilustram a chegada dos portugueses ao Brasil e coisas assim, foi justamente do Brasil que seguiu, para enriquecer o espólio desta biblioteca cibernética… Porque - e ontem também ficámos a saber isso - o director da Biblioteca Nacional, Jorge Couto, acha que, como Portugal já pertence a duas redes europeias de bibliotecas on line, seria uma redundância, Portugal aderir também a este projecto.

Daí que, dizer-se que a Biblioteca Global da UNESCO é também , ou está também, ou tem alguma coisa a ver também com Portugal, ou que é em português, como o Público anuncia… é verdade, mas é também verdade, que revela uma qualquer coisa que não sei se será este o local e hora mais próprios para nomear correctamente.

Quase pelo mesmo caminho segue esta outra que vem no 24 Horas… Tem a ver com a central foto voltaica da Amareleja, no concelho de Moura.

Diz o jornal, que ela é actualmente a maior central solar da Europa. Acontece que o Vaticano, a Santa Sé, está a pensar construir a sua própria central de produção de energia foto voltaica. E a fazê-lo, consta que essa é que passará a ser a maior da Europa. Diz o jornal que se isso acontecer, “o Vaticano passa uma rasteira á vila alentejana da Amareleja”. Fala-se ainda da eventual construção de uma central semelhante em Espanha, com veleidades de ser não a maior da Europa, mas do Mundo. O jornal cita o presidente da junta da Amareleja, que diz que a tal central de Espanha pode vir a ser a maior do mundo, mas por aquilo que sabe, há-de ficar abaixo da nossa… como o autarca disse. “Abaixo da nossa”.

E é nisso que se resume toda a tragédia! O meu pai é mais alto que o teu, se o teu chega ao tecto, o meu bate nas nuvens!

Já agora e ainda à volta da Santa Sé… sabia que? Como se costuma dizer… sabia que?...

Vem aqui no Público, que durante a 2ª Grande Guerra e para fugir à eventual ocupação nazi e o temido e suspeitado rapto do papa Pio 12, pelas tropas de Hitler… a Santa Sé pensou em mudar-se para Lisboa?...

A notícia saiu ontem, no Daily Telegraph. O plano era… se fosse raptado, o Papa resignava ao cargo, para que outro fosse eleito, enquanto os bispos da cúria romana se mudariam para um país seguro e sem partido tomado nessa guerra. Portugal era o país de que se falava.

A notícia não adianta mais nada, mas há já aqui uma coisa que sobressai de forma estranha e quase preocupante… Se o papa fosse raptado, demitia-se aquele e elegia-se outro, enquanto os bispos de Roma fugiam para local seguro…

Então e o próprio papa, no caso ex papa?!...

Era deixado à sorte e fosse o que deus quisesse? Já não és papa, vai p’ró diabo!

E hoje, quase todos os jornais dividem as capas entre a entrevista de José Sócrates, ontem, à RTP e as queixas e denúncias e processos levantados contra alguns bancos por alegadas e algumas – muitas – comprovadas ilegalidades, fraudes, enganos e embustes… enfim… engenharias financeiras suspeitas e reprováveis. Constâncio ordenou 303 inspecções em 2008 escreve o 24 Horas, não na capa, mas na página onde diz também que o Constâncio de que se fala, Vítor Constâncio, governador do banco de Portugal quer, talvez por isso mesmo… porque, como diz a sabedoria popular: quem não sabe é como quem não vê... será por isso, que Constâncio, Vítor Constâncio, quer realizar um inquérito à literacia financeira do povo português.

“Os conhecimentos financeiros vão ser avaliados” – anuncia o título.

Tendo em conta – ora aí está - tendo em conta, a subida do número de reclamações contra bancos, registada entre 2007 e 2008, diz o 24, que o governador do banco de Portugal decidiu realizar um inquérito à população. Quer-se aferir o real conhecimento dos clientes quanto, por exemplo, à linguagem utilizada pelos bancos e para descrever os – assim chamados – produtos financeiros que têm para vender.

Esta intenção, denunciou-a Constâncio, no relatório de Supervisão Comportamental, apresentado ontem. E diz que, a tomada de decisões racionais pelos clientes bancários, conscientes dos riscos envolvidos nos produtos e serviços, é um dos requisitos fundamentais para o funcionamento eficiente dos mercados financeiros… Continua depois, a denúncia do governador do banco central, sublinhando que “a divulgação de informação pode não ser suficiente, pois as decisões dos clientes são também condicionadas pelo grau de iliteracia financeira de cada um.”

Para fechar o assunto, resta dizer que pelas contas de Vítor Constâncio esse inquérito será realizado e apresentado ainda este ano, abrangendo todo o território nacional…

Excelente ideia. A seguir esperamos, que o governador do Banco de Portugal consiga convencer os banqueiros, a redigir os contractos em língua de gente. Porque a verdade é esta, em Portugal… já nem a missa se reza em latim.

terça-feira, 21 de abril de 2009

orgulhosamente sós

Ora então, eram umas 11 da manhã em Paris e apresentava-se hoje ao mundo, na sede da UNESCO, esta Biblioteca Digital Mundial.

Jorge Couto, o director da Biblioteca Nacional portuguesa, considera que não … ou seja, que não vale a pena, Portugal integrar este projecto, já que Portugal está já associado a outras redes semelhantes o que, alegadamente, já chega.

Diz também o director da Biblioteca Nacional que esta ideia, que partiu do Congresso norte-americano, é também uma fórmula politica, para Washington se reconciliar com a UNESCO. Se bem se lembram, durante o consulado de George Bush, os Estados Unidos romperam relações com a UNESCO, acusando a organização de servir objectivos terceiro-mundistas.

Mas vamos à biblioteca.

Diz o DN, que a partir de hoje se reúnem num só sítio, os acervos de diversas bibliotecas e arquivos mundiais, para consulta gratuita. Livros, manuscritos, mapas, gravuras, fotografias, pinturas, filmes, partituras… um mundo.

E é de todo o mundo que chegam as colaborações… menos de Portugal, já se viu.

Isto apesar do português ser uma das 7 línguas utilizadas no site. Português do Brasil, eventualmente, já que, tudo o que diz respeito a Portugal e que pode ser consultado nesta “World Digital Library”, será em brasileiro e de origem brasileira, desde fotografias, das mais antigas que se conhecem da América Latina, a cartas e mapas, que documentam os descobrimentos portugueses…

Diz o jornal, que apesar da chancela da UNESCO, o projecto partiu do director da biblioteca do Congresso norte-americano, com o propósito de promover a diversidade linguística e cultural e a união dos povos, reduzindo o chamado “fosso digital” entre os países… Segundo a própria UNESCO, pretende-se também aumentar a qualidade e variedade de oferta cultural na Internet. 32 Bibliotecas aderiram ao projecto, entre elas a de Alexandria, ou a da Suécia, que disponibiliza on-line o mais antigo manuscrito medieval que se conhece… o Codex Giga.

Ora Jorge Couto, director da Biblioteca Nacional, diz que não faz grande sentido Portugal aderir à iniciativa. Não, porque Portugal já integra outras redes semelhantes, mas a nível europeu e que por isso seria uma redundância, Portugal integrar também esta de âmbito mais alargado… e depois, porque também nenhuma das grandes bibliotecas europeias o faz… Nem a de França, nem a de Inglaterra… estas, como a portuguesa, lembra Jorge Couto, já fazem parte da rede europeia, aliás de duas redes europeias de bibliotecas on-line: a European Library e a Europeana e, para Jorge Couto, isso implica ainda uma outra responsabilidade…a da fidelidade aos 27 da União. Diz que Portugal, em matéria de cooperação internacional, não age autonomamente em relação à política adoptada na União Europeia.

Mas diz ainda, que não é assunto encerrado. Ou seja e citemos o DN que cita o director da Biblioteca Nacional… se surgisse alguma oportunidade excepcional, Jorge Couto admitia eventualmente colaborar com esta Biblioteca …

Excepcional de facto não será, mas podia ser uma oportunidade interessante, ver Portugal juntar-se a uma família – chamemos-lhe assim – de horizontes um pouco mais largos, que o território da comunidade económica europeia e, além disso e mesmo sabendo que para a Internet não há fronteiras… seria talvez de bom tom e boa vizinhança, se Portugal não negasse ao mundo a oportunidade de conhecer um pouco melhor a nossa cultura, que, como penso que estaremos de acordo, é um pouco mais rica e vasta e tem mais para mostrar, que essas cartas de marear que os portugueses deixaram no Brasil quando lá chegaram, há 500 anos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

basicamente, uns palhaços a armar ao efeito.

"Procuram-se pessoas criativas para escrever um livro."

No 24 Horas. O anúncio vem no 24 Horas e aqui abre-se logo esta questão… um anúncio, uma notícia, publicidade escondida com o rabo de fora?!...

Enfim, mesmo para quem esteja por fora do problema, parece ser do senso comum, a dificuldade que o mais anónimo, mesmo que genial criador literário, tem em romper as barreiras do mercado; em convencer editores a publicarem-lhe as prosas ou as rimas… Quando se confronta uma pessoa com tão generosa e urgente oferta – “Procuram-se pessoas criativas para escrever um livro” – aí, é de esperar que os eventuais interessados mergulhem logo na letra miúda do texto, a tentar perceber como, onde…

Ora o texto começa por dizer que vale tudo. Ou seja, conto, romance, policial, ficção em geral… já que, se bem se lembram, apela-se à criatividade, primeiro que tudo. Diz o texto: “…se gosta de escrever, se é uma pessoa criativa e anseia escrever um livro, aqui tem a oportunidade para concretizar esse desejo”. A proposta vem subscrita por uma editora literária, ora portanto, isso leva-nos a crer que todos os que se considerem minimamente criativos e que gostem de escrever e que anseiem por ver esse desejo concretizado em livro… tem agora a tal oportunidade que se anuncia em título – escrever de facto um livro e depois… Depois a editora garante que o livro será mesmo editado e que os autores haverão de receber os direitos autorais, que lhes forem devidos…

Mas vamos lá à verdade verdadeira dos factos.

O que esta breve coisa, que hesito entre chamar-lhe notícia, anúncio ou simplesmente publicidade escondida com o rabo de fora, seja o que for diz é que, para concretizar esse desejo, haverá o leitor que se inscrever primeiro, num curso de escrita criativa, organizado pela editora de que se fala! Pois.

Primeiro, há que comprar o curso, que lhe há-de custar 55 euros na inscrição e mais 60 euros por mês, durante 4 meses, sem juros (é o que diz aqui, sem juros…) Depois, reunido todo o material escrito, parte-se então para a edição literária, patrocinada pela editora, com direito a sessão de autógrafos e tudo.

Diz o 24 Horas que, tanto os conteúdos, como os formadores e datas do curso estão disponíveis na Internet no sítio da editora. As inscrições podem ser feitas através de um número de telemóvel, que o jornal também publica a negro e com destaque.

Portanto, que temos aqui não é uma oportunidade para pessoas criativas escreverem um livro e vê-lo publicado, mas antes mais uma - e apenas mais uma - oportunidade para qualquer pessoa, que gostaria de ser criativa e escrever livros muito interessantes, ir aprender a fazê-lo, em mais um curso de escrita criativa.

Entretanto e só para arrumar esse particular dos direitos de autor… para se falar deles, convém garantir que alguém vai fazer a promoção adequada e que a coisa não se fica só pela festa de apresentação e pela sessão de autógrafos… que só aqui, muito sinceramente, quem irá pedir autógrafos a estes neófitos da literatura, para além da família e amigos?!... Porque em verdade, se depois da festa, o livro for abandonado ao esquecimento… direitos de autor é prosa poética…mas adiante. Falava o chamariz da prosa em Pessoas Criativas para escrever um livro… e já agora também para inventar uma forma um pouco mais original de vender cursos de escrita. Que esta, da publicidade encapotada, ou enganosa, como os tribunais lhe chamam, para além de não ser original, nem criativa, é até considerada crime, em algumas instâncias mais sérias.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

como eu estava dizer... é das tais coisas!

Woody Allen exige 10 milhões de dólares, por alegado uso abusivo da sua – dele, claro está – imagem. Diz a noticia que o realizador processou uma empresa de vestuário por ter usado, numa campanha publicitária, imagens do “Annie Hall”, onde Woody Allen aparece de longas barbas e chapéu preto, como um devoto judeu.

Agora os argumentos dos advogados da empresa … Dizem que vão mesmo alegar estes motivos em tribunal… oiçamos: Depois dos vários escândalos sexuais, Woddy Allen já não tem reputação que possa ser arruinada. Diz o jornal, que esta acusação se refere ao casamento do realizador com a filha adoptiva. Percebe-se onde se quer chegar, mas, chamar a um casamento, escândalo sexual, parece uma leitura no mínimo interessante e curiosa.

Depois o argumento em si… será mesmo verdade que a defesa da tal empresa de vestuário se vai basear na alegada escandalosa vida privada e sexual de Woody Allen?!

É possível que sim, mas soa quase tão escandaloso quanto o argumento apresentado, ou mesmo a indemnização pedida pelo realizador…

Seja como for, o julgamento do caso está marcado para o próximo 18 de Maio em Nova Iorque.

É a crise que obriga a cultura a encontrar novos caminhos – avisa o Público hoje em manchete e com uma fotografia de capa que, pelo tamanho e espaço que ocupa, acaba por incluir o próprio logótipo do jornal. Menos dinheiro e uma nova relação com os públicos ditada pelas novas tecnologias… é isso que leva a cultura a ter de reinventar caminhos e soluções.

A matéria merece desenvolvimento no suplemento semanal do Público de hoje… Como a crise nos vai desafiar é aqui o título escolhido, porque lá dentro, é disso que se fala e dos cenários que nos esperam, dos cenários do que o jornal chama “uma Nova Era”!

Tempos difíceis, mas interessantes – ao que consta…

A nova era portanto, em suma.

É o que anuncia a capa… com fotografia de corpo inteiro, as duas, a primeira do jornal e a do suplemento, onde a matéria é desenvolvida, em ambas se publica a mesma fotografia. E a fotografia escolhida, para ilustrar a anunciada Nova Era, foi a de Elvis Presley, na versão pintada por cima de Andy Wahroll. Elvis Presley vestido à caubói e apontando uma 6 tiros, na direcção da objectiva. A face foi descolorada, empalidecida, os lábios avivados de um carmim que faz inveja ao vermelho desmaiado da camisa. As calças são de um roxo meio ferrugento… mas disso, não tem o Público a culpa, foi assim que Andy Wahroll o pintou e pintado está. Só que está assim vai para 50 anos, estou em crer e em contas por alto… Ora, anunciar uma Nova Era com figuras, por muito iconográficas que se mantenham, ou por muito revolucionárias e inovadoras que tenham sido há 50 anos atrás, é o que se costuma dizer… das tais coisas!

Chamar, para abrir novos caminhos, gente que está tranquilamente a descansar na galeria dos defuntos famosos, mesmo que venham maquilhados e tudo, de lábios pintados e pó de arroz na cara… é o que estava a dizer… é das tais coisas!

Mas adiante.

Como a crise nos vai desafiar dizia o título?...

Está na cara, de pistola em punho e vestida à caubói.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

públicos e notórios

“Momento da Verdade alvo de processo” é o que noticia o DN.

Ora, o “Momento da Verdade”, se bem sabem, ou ainda se lembram, era um concurso apresentado na SIC por Teresa Guilherme. Os concorrentes tinham de responder a uma série de perguntas de carácter pessoal e íntimo, para irem subindo numa escala de prémios, até chegar a um total, que não me lembro, mas devia ser tentador quanto bastasse.

Agora, a Entidade Reguladora da Comunicação Social instaurou um processo de contra ordenação à SIC por causa desse concurso.

A deliberação foi ontem divulgada e acusa o programa de ter violado, de forma flagrante, os limites à liberdade de programação e que a SIC desrespeitou de forma clara a obrigação a uma ética de antena. Segundo a lei, a estação pode ter de vir a pagar duas multas, que variam, conforme a falta, entre os 7500 e os 37500 euros, no primeiro caso, o da violação dos limites à liberdade de programação e de 20 mil a 150 mil euros por falta de ética em antena.

O programa acabou há 4 meses já, mas foi ainda durante o período de emissões, que a Entidade Reguladora iniciou as averiguações, Nessa altura foram recebidas algumas queixas e críticas que denunciavam a exploração da privacidade dos concorrentes, a troco de uma recompensa monetária. Segundo a Entidade Reguladora, esta decisão justifica-se com 3 enquadramentos legais distintos. A saber: protecção dos direitos dos concorrentes, protecção dos direitos dos familiares e ainda protecção de públicos mais sensíveis… ainda mais que o concurso era transmitido em horário nobre, como se costuma chamar-lhe. Diz ainda, que muitas das questões, das perguntas feitas aos concorrentes nessa via sacra para a pequena fortuna… que essas questões resultaram “numa intromissão na vida privada e íntima de terceiros, com flagrante instrumentalização da pessoa, para a qual a figura do consentimento não traz resposta satisfatória em todos os casos.”

E aqui chegados, faltaria só acrescentar que o modelo deste concurso é uma cópia de segunda ou terceira gerações, ou seja, foi copiado de um modelo norte americano, que por sua vez já tinha sido copiado de um formato colombiano, que foi exportado para uns 20 países. Isto é um facto e é também parte do argumento apresentado pela SIC para aplacar a indignação da Entidade Reguladora.

Ora… e diz a Entidade Reguladora, que não serve de desculpa, o facto dos concorrentes saberem ao que vão e consentirem nessa devassa da intimidade… diz a Entidade Reguladora que a SIC deve ser punida em nome dos públicos sensíveis… podia-se chamar-se-lhe assim, mas se falássemos apenas em nome do bom gosto e bom senso, também valia.

Diz ainda que é também em nome dos próprios concorrentes e familiares…

E aqui é que já não sei… é verdade que a vida está difícil e que o dinheiro não cai do céu, como na canção… mas também há muita gente, que não se humilha ao ponto de ir à televisão vender por pataca e meia a sua vida privada, pecadilhos e aberrações, inventadas ou não, que isto quanto mais aberrante mais espectacular e o público já aprendeu isso também… e onde quero chegar é aqui… esta Entidade Reguladora talvez não tenha poder para tanto, mas então quem terá? Quem há-de chamar à razão esses, que sem pudor nos entram pela casa adentro, funâmbulos, farroupilhas dum circo de aberrações… Quem nos defende do respeitável público?...

O Público!...

Pois diz o Público, em título, que há um estudo que garante que quanto maior o nível de educação, menor o de pobreza. E presume-se que não se fale aqui em pobreza de espírito ou de conhecimento em geral, mas dessa outra que tira o pão da boca, sem poesia.

Ora, o estudo de que se fala é o do departamento de estudos económicos do Banco de Portugal e baseia-se em números do INE. Diz que existem elevados retornos da educação no mercado de trabalho em Portugal…

E diz ainda, entre outras coisas, que a taxa de pobreza diminui consistentemente à medida que aumenta o número de anos de escolaridade completa e diz também que a pobreza afecta apenas 3% dos indivíduos com um curso superior.

Ora bem, neste contexto será que a educação tem mesmo esse efeito milagroso?!... E se colocássemos a questão de outra forma.

Por exemplo: a pobreza continua a impedir o acesso à educação... ou, que uma pessoa com formação académica tem outras capacidades, hipóteses e valias no mercado de trabalho… ou que, apesar de todas as dificuldades, há gente que se esforça e investe na sua própria formação académica superior, no caso, gente que representa 3% da população das Universidades portuguesas. Porque não dizer que, quanto maior for o nível de pobreza, menor o de educação e escolaridade, o que sendo óbvio e igualmente verdadeiro, soa, por estranho que pareça, muito mais real…

E o Público, ainda, dá hoje conta de outros números que podem, eles também, aferir um pouco da literacia nacional.

Consta que os jornais diários, nos últimos 3 meses, aumentaram as vendas. São números comparativos com os do ano anterior e trazem o certificado de uma reconhecida empresa de sondagens. O título do Público, a esta breve, é o seguinte: “Jornais diários reforçam audiências no primeiro trimestre.”

Abre depois o texto, começando por reiterar a afirmação: “Os jornais diários reforçaram as audiências nos primeiros 3 meses deste ano face a igual período do ano passado.” Ninguém duvida, que o tenham feito. Mas, e no caso concreto do Público, da citada audiência do jornal Público…onde e como é que os leitores o podem ouvir?!...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

e agora... flores!

Ainda na sequência do sismo em Itália, diz hoje o Público que o hospital de Aquila não tinha licença de habitação e que, por isso mesmo, será um dos primeiros alvos das investigações. Se bem se lembram, em Aquila, soube-se entretanto que uma boa parte das derrocadas se ficou a dever à má construção dos edifícios. Em Aquila, uma em cada duas casas ficou inabitável… Uma das preocupações neste momento é não deixar que a Camorra tome conta da reconstrução da cidade. Num artigo no República, Roberto Saviano, autor do livro Gomorra, que já foi até adaptado ao cinema… pois diz Roberto Saviano, aliás sublinha este facto curioso. Desde há anos que a máfia controla o sector do cimento na região e foi justamente a prisão de Aquila, onde estão detidos os chefes investidores do sector das cimenteiras, aquele que sofreu menores estragos, com o terramoto. Diz ainda que isso explica a forte presença da máfia na região, seja porque os chefes da Camorra empresarial estão quase todos detidos na prisão de Aquila, seja porque, e agora mais que nunca, a cidade precisa de obras de reconstrução.

E agora Queens. O bairro nova-iorquino de Queens. Deveria dizer a paróquia de Queens. Que foi justamente na igreja que tudo se passou. Diz o DN, que 7 lideres religiosos de uma igreja de Queens foram acusados de montar uma fraude, para extorquir dinheiro aos paroquianos mais idosos. Assim sendo e pelas contas entretanto apuradas, esses 7 padres terão conseguido juntar 12 milhões de dólares… O jornal não explica que género de fraude terá sido montada, mas se fala em burla, depreende-se que o dinheiro não tenha sido roubado de nenhuma caixa de esmolas, que aí, ninguém pode falar de burla, tanto como não espera decerto que o dinheiro vá mesmo para o santo patrono da caixa em questão.

Descendo no mapa, tropeçamos nesta polémica, que se agita já em cima da linha da fronteira com o México.

O caso tem a ver com uma campanha publicitária de uma conhecida marca de hambúrgueres… uma campanha que indignou as autoridades mexicanas e já fez mesmo o embaixador mexicano em Madrid pedir à empresa que cancele a campanha, por considerá-la injuriosa, para a imagem dos mexicanos no mundo.

Ora, a campanha anuncia um tipo de hambúrguer que, alegadamente, junta norte-americanos e mexicanos, como se estivessem unidos pelo destino, neste caso, unidos pelo destino, enquanto comedores de carne picada no pão. Calcula-se que, a sanduíche em questão, traga eventualmente umas malaguetas, ou qualquer outra especiaria, que remeta o consumidor para um qualquer universo, ou imaginário mexicano, seja lá isso o que for… Mas o que parece indignar as autoridades mexicanas nem será o slogan: “Unidos pelo Destino”, nem tão pouco a iguaria em si. O que deve estar a indignar o México é justamente a fotografia do anúncio…

Encostados a uma vara, onde se costumam estacionar os cavalos, dois homens encostam-se, em pose para a fotografia. Um deles é norte-americano. Mais não podia ser, vestido à cowboy, mão na cintura, segurando o cinto de balas, pose confiante. Ao lado, um sujeito para o gordito e baixinho chega pelo peito do cowboy. Veste uma espécie de poncho, ou baby-grow, ou por aí … com as cores da bandeira nacional do México. Aliás, a fatiota é a própria bandeira mexicana, enfiada pela cabeça… para que não restem dúvidas… de quem é quem… o alto e desempoeirado é o texano, o baixinho vestido á palhaço - que em verdade é com o que mais se parece no cartaz - é o mexicano.

Isto é a leitura que as autoridades mexicanas fizeram do cartaz e da campanha. Agora e se fosse ao contrário?... Porque não!? Quem garante, que o desempoeirado não é um mexicano vestido à cowboy e pequenitote um texano vestido à palhaço?!...

Palhaçada! Vamos por aí.

Temos então a Ordem dos Farmacêuticos contra a abertura de farmácias privadas, em hospitais públicos. A denúncia surgiu ontem, em forma de comunicado e reacção à abertura da farmácia do Hospital de Santa Maria. Uma farmácia que vai estar aberta ao público 24 horas por dia e que até, segundo consta, se propõe fazer descontos sazonais, em medicamentos e produtos cosméticos. O dono desta recém inaugurada farmácia espera atender 1500 pessoas por dia. O estabelecimento está situado junto às urgências do Santa Maria e é o maior espaço do género, até ao momento em Portugal. Pois a Ordem dos Farmacêuticos está frontalmente contra. Não só contra esta, mas contra todas as outras, que se inaugurem entretanto – e a ministra Ana Jorge, da Saúde, já prometeu que a próxima será no hospital de Faro, já no segundo trimestre deste ano…

Para a Ordem dos Farmacêuticos, farmácias deste tipo são desnecessárias em termos de benefício público – foi assim que falou a bastonária da Ordem Elisabete Faria – e também lesivas das farmácias de bairro, próximas do cliente e integradas na comunidade. Diz ainda a bastonária, que o processo de abertura sempre foi pouco claro e que o governo avançou com a medida contra a opinião da Ordem dos Farmacêuticos… por isso há uma queixa pendente na Comissão Europeia, subscrita pela Ordem.

Porque, como vimos, é pouco claro, por exemplo, que percentagem as farmácias vão pagar aos hospitais onde se instalarem… bom aqui e no caso, por exemplo de Faro, vai ser 26% da facturação… depois, o outro argumento, o de que as farmácias hospitalares abertas 24 horas por dia vão arruinar as farmácias de bairro… especialmente aquelas que estão abertas às 4 da manhã para atender o público sem taxa suplementar de serviço nocturno.

De resto, o receio é perfeitamente legítimo. Do mesmo se queixava o merceeiro do meu bairro, quando lhe abriram um supermercado, dois quarteirões abaixo da loja dele. Coitado do senhor Mário! Era o nome dele…

E agora flores! Girassóis.

Dizem os jornais que a Câmara de Lisboa se prepara para plantar girassóis, num terreno devoluto e cheio de lixo e ervas que há ali para os lados de Campolide. Será coisa provisória, segundo o vereador Sá Fernandes. A seu tempo, os girassóis serão arrancados, para dar lugar à plantação de trigo ou cevada. É o que está aqui escrito, no DN!

Diz o vereador, que a ideia é aproveitar o sítio e torná-lo aprazível para o passeio e o regalo da vista. A custo zero, defende o vereador. Enfim, a custo zero, zero, zero… mesmo, não será! As flores hão-de custar dinheiro, haverá que regá-las, ir limpando o sítio… despesas de manutenção… por aí.

Acontece entretanto que, os moradores vizinhos desse terreno, estão divididos quanto à ideia. Uns louvam a iniciativa, que lhes vai alindar a vizinhança e resgatar o baldio da triste e suja sina a que parecia condenado. Qualquer solução seria melhor, que deixá-lo ao abandono, a encher-se de lixo e ervas ruins… Para outros, esta é uma péssima ideia. Porque vai-se gastar muita água na rega e porque os girassóis vão encher o ar de pólen, o que alegada e supostamente é mau.

Talvez haja uma insuspeita concentração de gente, com alergias e febre dos fenos, na freguesia de Campolide, que justifique o alarme e a denúncia… Pode ser.

E, já gora, lembram-se daquele Natal – era na altura Santana Lopes o presidente da Câmara - em que foram distribuídos, pela baixa de Lisboa, altifalantes tocando música de natal?... Passadas as festas, a música ainda ficou por mais algum tempo e não faltaram logo vozes indignadas, contra o incómodo, exigindo o rápido silêncio da musiqueta. Que fazia confusão, que era poluição sonora, que não fazia sentido, música nas ruas… Imaginem agora se, com a música, o autarca tivesse mandado espalhar vasos com girassóis, pela rua Augusta! Havia de ser bonito. Tínhamos um outro 25 de Abril, quase certo

terça-feira, 14 de abril de 2009


Segundo os especialistas, e já que alguém resolveu fazer canja com a galinha os ovos d'oiro, o melhor é prepararmo-nos para começar a comer caramelos, que os tempos que se aproximam são de uma recessão pior que o pós 25 de Abril. Há também quem defenda que é uma excelente oportunidade para investir e especular. O mercado não podia estar mais aberto. O perigo da deflação não está ainda posto de parte e teme-se o dia em que, nem por 5 euros, se encontre quem queira comprar o mosteiro dos Jerónimos! Tempos difíceis, estes. Muito modernos, mas difíceis.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

o pai natal não existe!

Mais do que notícia do mundo, quase se poderia dizer que é uma notícia do outro mundo…

Pois diz o Diário de Notícias, citando o estudo dos neurocientistas da Universidade dinamarquesa de Aarhus, que falar com Deus é, para o comum dos mortais, coisa quase tão banal como uma conversa de café, entre amigos.

A questão que se colocava era justamente essa: o que acontece no cérebro de um crente quando fala com Deus, ou quando reza…

E, segundo acaba de ser publicado na New Scientist, revista da especialidade e de onde o DN recupera a história, os investigadores terão pedido a 20 voluntários cristãos que recitassem uma oração e uma rima infantil e que lhe juntassem ainda uma prece de carácter pessoal, coisa inventada e ainda, por último, que fizessem um pedido ao Pai Natal. Durante esse processo foi-se monitorizando a actividade cerebral dos voluntários, para se concluir que… nas duas primeiras tarefas – a do padre nosso, que foi a oração escolhida e a da rima infantil… as zonas cerebrais activadas foram as que se relacionam com a repetição e aprendizagem; nos casos da oração pessoal, foi activada a zona responsável pela comunicação com outros, a zona do córtex pré-frontal; já o pedido ao Pai Natal mostrou, pelas reacções cerebrais que provocou, que os voluntários não o consideravam coisa real, ao contrário da ideia de Deus.

Em resumo fica então essa conclusão - a de que falar com Deus activa as mesmas zonas cerebrais que uma conversa normal…ou seja, os investigadores concluíram, que falar com Deus não activa nenhum mecanismo em especial, não arrasta o cérebro humano para nenhum patamar particularmente místico, ou esotérico… o que poderá significar uma de duas coisas, ou até ambas, quem sabe... Ou seja: Deus é, para os crentes, uma figura que lhes é tão próxima e íntima, que é nesse registo de intimidade e descontracção que toda a conversa e convivência acontecem… ou Deus foi apeado da sua majestade e mistério, para ser tratado tu cá tu lá, entre dois croquetes e o resumo da jornada, da Taça da Liga.

Ressalve-se uma evidência… para todos os voluntários desta prova uma coisa é certa: Deus existe, o Pai Natal é que não!

E agora e antes que me esqueça, deixem que vos dê conta desta pequena perplexidade. Começa sábado que vem, mais uma edição da lisboeta Festa do Peixe. Como o nome indica é o peixe o rei da festa, neste festival, onde será também eleito, à semelhança de anos anteriores, o melhor pregão da cidade. O acontecimento vai realizar-se no Pavilhão de Portugal, no parque das Nações e vai reunir peixeiras de vários mercados de Lisboa. Diz o jornal, que a vencedora do ano passado regressa este ano a concurso, com uma banca de peixe e marisco e até aqui tudo corre como previsto e previsível. Mas diz ainda a notícia, que o Festival do peixe deste ano vai eleger o melhor pastel de nata. É uma iniciativa inovadora no programa deste ano.

E para o ano? O caldo verde?!...

E aqui, quase tão famosa como o histórico pastel de nata é a presença de Portugal no Mundo. E haveria de ser notícia, se lá chegássemos, a esse sítio remoto e perdido no mapa, onde não se conseguisse encontrar, por mais que se procurasse, um único português, residente, nem sequer um português de 3ª, 4ª ou 5ª gerações…

Não é o caso. E esta irresistível tentação de descobrir portugueses pelo mundo ganha, às vezes, contornos curiosos e intrigantes. É capaz de ser verdade, que essa busca nos pode tornar todos mais unidos, mais próximos… Descobrir um português, nem que seja já um tetraneto de portugueses, em qualquer parte do mundo, torna-o, a esse compatriota remoto, quase da família. Queremos saber dele, como se nos pertencesse também. Saber se é feliz, se tem sucesso, essas coisas… Essa podia ser a versão simpática do fenómeno. Também se poderia a gente envergonhar um pouco, com uma certa publicidade que se levanta muitas vezes à volta desses mesmos portugueses, só porque tiveram sucesso lá fora, são gente importante lá fora, ou então, mesmo que não sejam, convivem, pelo menos, de perto com gente conhecida, famosa, ou de importância assinalável. Nesses casos, é frase feita dizer-se que a personagem em causa… “ainda é português!”, com ponto de exclamação e tudo.

Mas vamos à actualidade e o DN de hoje publica esta breve notícia de Armando Sequeira, açoriano, que durante 5 anos trabalhou nas cozinhas do palácio presidencial de Bagdad. Diz o jornal que chegou mesmo a cozinhar refeições para o ditador Saddam Hussein. Diz que foi difícil, porque a passagem pelo Iraque coincidiu com o rebentar da guerra Irão-Iraque, em 80, mas que acabou por se habituar e que terá conquistado mesmo os iraquianos pelo estômago. Quanto a Saddam Hussein, prefere não falar, mas reconhece que guarda uma fotografia, daquele a que chama “um homem do povo”.

Fossem outras as circunstâncias e esta página da vida de Armando Sequeira teria abordagem bem diferente.

E depois outro português ilustre. Enfim, pela leitura do título, é nesse erro que caímos. Diz o título, no DN ainda, que se chama BO e é português, o cão de água que já chegou e encantou a família Obama na Casa Branca. É escusado repetir a história e relembrar que havia uma canicultora algarvia, que se preparava para oferecer um cão de água, nascido e criado em Portugal, ao presidente norte-americano.

O que acabou por acontecer é que este canito, que agora faz as alegrias da família presidencial, veio do Texas. Foi oferecido por Ted Kennedy, o senador que, ao que consta, faz também criação de cães d’água.

Ora portanto, o cão, de português tem o sangue e a raça, mas pouco ou nada mais que isso. É tão texano como o John Wayne. Será eventualmente um cão imigrante, de 4ª ou 5ª geração, mas é provavelmente mais americano, este cão de água português, que muitos dos próprios funcionários da Casa Branca.

Já agora, consta que o encantador Bo se portou à altura. Evitou descuidos, diz o jornal, e não roeu a mobília.

E nisso é quase português! Que é sabido que os portugueses, longe de casa, sabem-se portar à altura.