Na fotografia, que o DN hoje publica, o enorme cartaz aparece sujo de tinta branca, que alguém lhe lançou para cima, em gesto de desprezo. A tinta escorre por sobre o número de telefone e da morada da internet, para onde se deveriam encaminhar todas as informações e escorre também por sobre o rosto e os espantados olhos azuisda pequena Madeleine McCann.
O cartaz é um dos que recentemente a família McCann fez afixar na aldeia da Luz, no Algarve. Diz o jornal, que o descontentamento dos comerciantes acusa, esta nova edição da campanha “Find Madeleine”, de lhes estar a afastar a clientela, principalmente os turistas ingleses, que são, como se sabe, âncora de boa parte da economia turística algarvia.
O jornal cita um operador turístico , que diz que, “além do caso Maddie, que terá sempre repercussões negativas enquanto não for encontrada a criança viva ou morta, existe também, em muitos britânicos, um sentimento de insegurança, devido à criminalidade, com a vaga de assaltos que tem ocorrido no Algarve”. Diz que muitos residentes, na Praia da Luz e em Lagos, estão já a abandonar as casas e a voltar para Inglaterra. Já este Inverno se registou alguma quebra em relação a anos anteriores. Uma quebra que chegou aos 30%. No Verão calcula-se que o prejuízo se fixe nos 15% de quebra. Muitos ingleses estão a preferir agora Espanha, Cuba, ou o México para passarem férias.
Um proprietário de um bar na Praia da Luz também reconhece a quebra, mas recusa-se a admitir que seja o caso Maddie, que está a afugentar a clientela. É a crise, que toca a todos… Quanto ao presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, António Pina diz que não entende esta nova investida do casal Mccann, na Praia da Luz e o objectivo deste tipo de campanha sobre Madeleine McCann. Diz que não percebe, mas admite que deve ser dificuldade dele próprio.
Agora o cartaz. A fotografia é a mesma que circulou pelo mundo, Algarve incluído, à altura do desaparecimento e nos tempos que se seguiram. O tipo de apelo é rigorosamente o mesmo. A aldeia da Luz, presume-se que também… Que também seja a mesma e com mais ou menos a mesma população que lá residia nesses Maio de 2007. A mesma que nessa altura se comoveu, chorou, acendeu velas, rezou pela vida e salvação de Madeleine Mccann Queriam-na de volta, quem sabe para a cobrirem de beijos e aclamarem como heroína da sua própria tragédia…
Hoje, 2 anos passados, rezam para que lhes desampare a loja!
É a manchete do Público de hoje e diz que os gestores de empresas falidas vão ser obrigados a pagar multas fiscais. Reporta-se a decisão a um despacho de 12 de Março, do Tribunal Constitucional. Diz o despacho, que a Direcção Geral de Impostos pode continuar a exigir, aos administradores e gerentes, o pagamento de coimas, aplicadas às empresas que dirigiam, sempre e mesmo que elas se encontrem falidas e sem meios para as pagar. Diz o Público, que esta decisão já mereceu o repúdio de vários fiscalistas, que a vêem como um novo retrocesso nos direitos dos contribuintes e uma medida que deixa os administradores e gerentes sem meios de defesa. Baseiam, em parte, este parecer, num outro idêntico, o do Supremo Tribunal Administrativo, que já tinha considerado a decisão anti constitucional. Para o fiscalista Pedro Amorim, por exemplo, esta medida pode levar a que qualquer gerente possa ver a situação patrimonial seriamente afectada, muito antes de se poder defender.
No desenvolvimento da notícia, lembra-se que, até aqui e na prática, sempre que uma empresa era penalizada com multa por falta de pagamento de impostos, ou de entrega de declarações, a Direcção Geral, ao tentar a cobrança, confrontava-se com a situação de falências e de empresas que garantiam não ter bens que permitissem saldar a dívida. Nesses casos, o Fisco remetia a responsabilidade para os gestores. Segundo as normas em vigor, eram eles os responsáveis pelo pagamento das multas e em duas situações muito concretas: ou quando a dívida era provadamente da responsabilidade do actual gestor, ou vinha já de trás, mas se considerava que era culpa do actual gestor, o facto da empresa não ter bens e património suficiente para cobrir a dívida… ou então, em casos em que a dívida vem de anteriores gestões, mas que só agora é que os tribunais se decidiram sobre a coima a aplicar, recaindo sobre a actual gestão o ónus do pagamento, ou, no caso, o crime de falta de pagamento.
Já antes dos fiscalistas, os próprios visados se tinham insurgido e classificado a decisão de anticonstitucional. Face a essas contestações, também o Supremo Tribunal Administrativo, como já vimos aliás, se pronunciou no mesmo sentido… citando o artigo, onde se lê que a responsabilidade penal é insusceptível de transmissão e que todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado, devendo o julgamento ser feito no mais curto prazo de tempo compatível com as garantias de defesa…
Agora, o Tribunal Constitucional vem decidir que o que está aqui em causa não é a mera transmissão, de uma responsabilidade, mas antes a imposição, de um dever indemnizatório – e passamos a citar: “um dever indemnizatório, que deriva de facto ilícito e culposo que é praticado pelo administrador ou gerente e que constitui causa adequada do dano que resulta, para a administração fiscal, da não obtenção da receita em que se traduzia o pagamento da multa ou coima que eram devidas.” Ora, com a devida distância e sacudindo a prosa de rodriguinhos técnicos, dá ideia que, o que fica dito, é o que espera qualquer cidadão comum, que tenha contas em aberto com o Fisco… o fantasma das penhoras, das execuções ficais, das multas por relaxe ou incumprimento… Mesmo que o cidadão em causa esteja para todos os efeitos falido e sem património penhorável. No caso dos gerentes e administradores de empresas, dos responsáveis, daqueles que haveriam de responder… a resposta é: “não há!, paciência!… e além do mais não fui eu!” e quem disser o contrário está a ferir a Constituição e a protagonizar um novo retrocesso nos direitos dos contribuintes – ou pelo menos de alguns.
E, já que estamos com a mão na massa…
No 24 Horas, com muito discreta chamada de capa, diz-se que Sócrates - José Sócrates, obviamente - não prescinde de aumento de 161 euros.
Lá dentro, o título é outro e mais irónico: “Sócrates não abdica do aumentozinho”.
“O primeiro-ministro recusa congelar ajustes salariais do governo”. Anuncia o ante título. “Ao contrário do que aconteceu noutros países…” continua o 24 “…o governo português não acha que o congelamento dos salários seja uma boa ideia no actual contexto de crise.”
A ver… Se der resultado, talvez a medida e o conceito se possam alargar ao resto da sociedade…
Oh musa, porque me tratas assim, dessa forma tão cruel e desprezível ?!... dás-me sopa, quando te peço pudim... dia sim, dia sim, sempre irascível !
és capaz de me deixar na rua, ao frio, como um cão, cheio de pulgas, sem calor... Oh musa, quem te vê e quem te viu, constata logo, que já não me tens amor.
Oh musa, não suporto mais, viver na dúvida que vejo a acenar na sombra desse teu riso escarninho.
que mal é que eu te fiz, queres me dizer ?! isso é mesmo só vontade de embirrar, ou será que pisei merda no caminho ?!...
Poderia chamar-se o efeito escaldão. Ou seja, aquele que faz com que se torne insuportável, até mesmo o passar de uma penugem de colibri, pela nossa pele devastada pelos ultra violetas do sol… É talvez isso, que faz reagir desta forma indignada o sindicalista Carvalho da Silva da CGTP.
Está indignado contra a campanha publicitária da Antena 1, na RTP. A campanha começou, diz o Público, no princípio deste mês, mas só agora a CGTP, pela voz do seu secretário-geral, torna pública a alegada ofensa.
No anúncio em causa, um automobilista está preso no trânsito, alegadamente por causa de uma manifestação de trabalhadores… a locutora, no caso Eduarda Maio, jornalista da estação e já se vai ver porque é que o nome da jornalista é aqui importante… a locutora, portanto, explica que a manifestação é contra quem, como ele, o automobilista do anúncio, quer chegar a horas ao trabalho. É daqui que parte a indignação de Carvalho da Silva. Diz que se está a atacar o sindicalismo e a Intersindical terá já mesmo apresentado queixa, contra o “spot” em questão. Carvalho da Silva fala em subserviência ao Governo. Que não é apenas uma crítica velada, mas um ataque expresso ao sindicalismo. E aqui explica-se, porque é que o nome de Eduarda Maio parece ser importante neste desaguisado, porque, como lembra Carvalho da Silva, Eduarda Maio é também a autora, da primeira biografia autorizada do 1º ministro – “o menino de ouro do PS”, como a jornalista lhe chamou, no livro de que se fala.
Carvalho da Silva acha que, a concepção individualista apresentada no “spot”, não configura a missão de serviço público, a que a rádio pública está adstrita, antes parece reflectir uma atitude de subserviência, a posições de incómodo, manifestadas pelo governo relativamente à contestação das suas politicas… – foi o que disse Carvalho da Silva, ao jornal Público.
Já João Proença, da UGT, diz que ainda não viu o anúncio, mas também acha, pelo que lhe contaram, que se trata de um anúncio infeliz e que põe em causa um direito fundamental, que é o direito de manifestação.
Do lado da Antena 1, a resposta é que a encomenda foi feita a uma agência de publicidade bastante cotada no mercado. A agência apresentou várias propostas e a rádio escolheu as que achou melhores.
Daquilo que se sabe, ou que nos lembre, nem são as manifestações de trabalhadores, quem mais ensarilha e engarrafa o trânsito das nossas cidades… Já aí, o anúncio peca por uma ligeira ignorância da realidade. Mas talvez não seja essa a função da publicidade – retratar a realidade – mas antes, talvez, a sua caricatura, ou a sua própria mistificação. Adiante e recuemos.
Recuemos à nossa História nacional para admitir que, desde dobermen, a pastores alemães, canhões de água, polícia a cavalo, carros de assalto ninguém conseguiu ainda, em 8 séculos e tal de História, fechar o povo português dentro de casa, quando ele tem vontade, ou mais que isso, a necessidade urgente de sair para a rua, a reclamar os seus direitos. Haveria de ser agora uma campanha publicitária, idiota, admitamos, mas uma campanha publicitária, de que aliás só a custo e com boa vontade se percebe , no meio do disparate, a finalidade e objectivo, que iria desmotivá-los, ou sequer sujar a honra e a dignidade do movimento sindical…!
Mas… João Proença, não é?...
Diz que ainda não viu o anúncio. Não é portanto disso que se está a rir, nas páginas do JN. Aí o assunto é a crise.
E o jornal publica a fotografia do sindicalista a rir-se, com ar matreiro, quase traquinas. A rir-se de quê, almas de deus?!
Diz a legenda que, segundo João Proença, o ano de 2009 vai ser ano de grande preocupação e diz ainda que, para a UGT, é de sublinhar que há ainda muitas situações de empresários, que tentam impor soluções à margem da lei, para enfrentar a crise.
E foi para ilustrar estas declarações e evidências, que o Jornal de Notícias escolheu uma fotografia de João Proença a rir. A rir de quê?!!!... Da miséria da classe operária?! Feio, muito feio! Ou deverá acusar-se antes o JN, por ter escolhido fotografia tão pícara, para ilustrar assunto tão sério. Cínico, muito cínico.
A história é notícia em todos os jornais desta quinta. A história, o resumo das reacções, e do impacto que provocaram, a nível mundial e nos mais variados sectores da sociedade, as palavras de Bento 16, ao aterrar nos Camarões.
Escusado repeti-las… as palavras do papa, quanto ao uso dos preservativos e o combate à sida. Oficialmente, a França foi um dos primeiros países a reagir contra as palavras assassinas do papa. Palavras assassinas, é como lhes chama o 24 Horas. O jornal ouviu teólogos e padres portugueses, que também eles se mostraram surpreendidos com as declarações de Bento 16. O jornal garante que as opiniões recolhidas deixam o santo padre com as orelhas a arder. Diz também, em anexo à noticia principal , que o governo espanhol vai abrir concurso público, para comprar e enviar para África, em breve, mais de um milhão de preservativos, num esforço de combater a propagação da sida e fomentar a prevenção da doença…
No DN, escreve-se que esta questão e as declarações do papa puseram a própria ONU contra Bento 16. Seja como for, escreve o outro de notícias, o JN, que a posição da Igreja sobre esta matéria não vai mudar durante esta incursão do papa a África.
No Público, o papa surge na fotografia entre os anfitriões, o presidente camaronês e a esposa. O título da notícia diz que o Vaticano tenta emendar a posição, depois de quase todos os governos da Europa terem caído em cima do papa, cobrindo-o de críticas e havendo mesmo muitas organizações internacionais exigindo que retire as afirmações que fez…
Pois a fotografia… No caso do 24 Horas e do Diário de Notícias, a escolha da fotografia recaiu no instantâneo, recolhido durante o dia de ontem, no palácio presidencial dos Camarões.
E nesta fotografia, Bento 16, com um sorriso, diria que vagamente timorato, avança a mão em carícia tímida, na direcção de um leão. Chega mesmo a tocar-lhe numa orelha com a ponta dos dedos. Um funcionário do palácio presidencial baixa os olhos para o chão, com ar reservado. A legenda explica… o Papa afaga um leão empalhado no palácio presidencial.
É talvez natural, se bem que por vezes condenável, uma pessoa tocar, ou mexer nos objectos expostos, em determinados locais e circunstâncias… museus, por exemplo. É óbvio que, se o leão em causa – que já agora, pela juba que não tem, tudo indica que seja uma leoa e não um leão, mas isso para o caso, é irrelevante, o que conta é que se o leão – estivesse vivo, não haveria problema. Enfim, não haveria esse problema, do visitante teimar em mexer e tocar nos objectos expostos. Haveria, eventualmente, outro...
Mas o problema do papa de momento não é esse. O problema é convencer o mundo, da razoabilidade dos seus argumentos, quanto à matéria dos preservativos e da luta contra a sida. Esse é que é o problema e Bento 16, estendendo a mão em gesto timorato, mas conciliador para esta leoa empalhada do palácio presidencial dos Camarões, parece dizer… só tu me compreendes.
E esta vem no Público, no suplemento de Economia e diz que a TV Cabo está a desinvestir nos clientes que não mudam para o digital.
Dá-se o exemplo do canal financeiro Bloomberg, que desapareceu do pacote televisivo dos clientes da ZON-TV Cabo, que se mantém fiéis ao sistema analógico de transmissão.
Porque ele tem os dias contados… é a explicação da ZON ao jornal Público. Segundo o calendário de Bruxelas, daqui a 3 anos, o mercado vai ser dominado pela televisão digital. O sistema analógico vai acabar em 2012 – é a certeza do responsável da ZON, entrevistado pelo jornal. É assim que explica, que tenha sido varrido do alinhamento, o único canal financeiro disponível para quem ainda não comprou a caixa – a box- que isto em estrangeiro soa sempre mais sério e até parece que funciona melhor… Justificou-se o desaparecimento do Bloomberg, com a entrada da TVI 24 no mercado. Diz que o Bloomberg só interessava a uma minoria de gente com dinheiro, que pode muito bem comprar e aderir ao serviço digital e que por isso resolveu, a ZON, despejar o Bloomberg, para dar lugar à TVI 24, que segundo a ZON, deve atrair muito mais espectadores.
Segue a noticia dizendo, que os últimos dados da própria empresa apontam para um número perto dos 500 mil subscritores do serviço digital, num universo de mais de milhão e meio de clientes do serviço básico. Ou seja, um pouco menos de um terço do total. E este já é um número que representa um aumento de cerca de 30% de aderentes ao digital e em relação ao ano anterior de 2007.
Ora contas aparte e explicações dadas, fica esta dúvida… que nome dar a este facto muito simples… um cliente adere à ZON TV Cabo e escolhe o chamado pacote de canais e serviços que mais lhe convém. Assina o contrato, onde essa mesma lista de canais vem enunciada. Paga o que deve e conforme os termos do próprio contracto e depois, imaginemos que se senta confortavelmente no aconchego da sala, pronto para ver os programas que lhe apetecer, dentro da oferta disponível nos canais que ele próprio escolheu. Acontece que, subitamente, com aviso prévio, sem dúvida, mas sem apelo nem recurso, a empresa fornecedora dos serviços resolve tirar, pôr, mexer, mudar, baralhar e voltar a dar o jogo ao seu próprio interesse e conveniência estratégica comercial. Não se pergunta se a pessoa quer… informa-se que já está.
Ora, em metáfora electrodoméstica, é como se comprássemos um micro ondas e, de repente, o vendedor nos invadisse a casa, pegasse no micro ondas e o substituísse, por exemplo, por um frigorífico, ou até mesmo por uma varinha mágica, daquelas de desfazer batatas para a sopa… Então e o micro ondas?! Oh amigo, nós é que sabemos, você precisa é de uma varinha mágica… seja moderno, homem, que diabo!
E o que preferem os meus amigos? Esta anedota estúpida, ou essa espécie de prepotência instituída?...
A manchete, no Diário de Notícias, diz que o padre Feytor Pinto acha que na Igreja há algumas vozes retrógradas sobre sexualidade… explica-se depois, em subtítulo, que o padre Feytor Pinto quer formação de pais e jovens.
O resto vem na página 13. Vamos lá então.
Aqui é em ante-título, que o padre Feytor Pinto é citado… diz que há muitos padres que não abordam a educação sexual. E, se já reparam, a notícia começa a ficar estranha… Como se pode falar de vozes retrógradas, quando se admite que há quem nem aborde a questão?! Se não falam do assunto, não são vozes retrógradas… são vozes caladas. Mudas. Ou porque não têm opinião formada, ou porque não lhes apetece falar sobre o assunto, ou seja lá porque for, mas, para todos os efeitos práticos, se uma pessoa não fala sobre um assunto, dificilmente se conclui o que ela realmente pensa sobre a matéria. Por isso adiante, que foi o que o DN fez também…
As declarações do padre Feytor Pinto foram recolhidas na Figueira da Foz, ante ontem durante uma tertúlia organizado no casino da cidade. Disse então, o padre Feytor Pinto, que há tantos padres, que acham que não devem abordar estas questões, que têm medo de encarar o problema... Disse também, que essa é a luta que trava há 27 anos… Disse que, por causa disso, se especializou, trabalhou, para dizer aos padres, aos bispos, o que se deve fazer nesta área, extremamente importante para a educação das novas gerações…
Acontece que o padre Feytor Pinto dá entretanto formação a crianças e pais sobre sexualidade, na paróquia do Campo Grande, em Lisboa. Pelas razões que já vimos e porque acha que são os pais, quem precisa urgentemente de formação para assumirem a educação sexual dos filhos.
E tudo parece fazer sentido, se passarmos ao lado desta circunstância. Vamos a ver...
O padre Feytor Pinto acha que há algumas vozes retrógradas no seio da Igreja, quando se fala de sexualidade… e acha também que os pais portugueses é que precisam urgentemente de formação na matéria… ou como se dissesse: tenho o esquentador avariado, o melhor é mandar o frigorífico para arranjar.
O DN relembra entretanto que, estas conferências do casino da Figueira, vão já ficando conhecidas, por declarações “politicamente incorrectas” – o jornal chama-lhes assim. E invoca por exemplo a declaração de D. José Policarpo, acerca dos casamentos de católicas e muçulmanos ou as de D. Saraiva Martins que considerou a homossexualidade uma coisa anormal…
Pelo que fica exposto, dá ideia que seria bem mais fácil, se discutíssemos o sexo dos anjos…!
No Correio da Manhã, o título quaseque induz em erro. “Fátima salva dinheiro depositado no BPP”. Temos milagre?!... Não consta. O dinheiro, de que se fala, é de economias próprias do santuário mariano de Fátima.
Ficamos, portanto, a saber que o Santuário de Fátima tinha conta no Banco Privado Português, o que se dizia só gerir as chamadas “grandes fortunas”. Não consta que fosse dinheiro aplicado em produtos financeiros de alto risco, mas antes numa conta normal. Daí, o ter podido salvá-lo, como escreve o Correio - “Fátima salva dinheiro depositado noBPP”. “O Santuário tinha conta de 5 milhões de euros no banco de João Rendeiro”, continua o sub título… tinha, “mas mudou-o para a Caixa Geral de Depósitos”. Que isto, meus irmãos, às escondidas de deus o diabo tece-as.
E temos aqui duas pequenas histórias curiosas. A primeira vem no Público e diz que a vila de Coruche tenta captar novos habitantes, pela proximidade do novo aeroporto.
O lema da campanha é “Coruche Inspira” e pretende promover, esse que é o maior município ribatejano, o município de Coruche, com mais de mil quilómetros quadrados.
Já para o ano, a Câmara de Coruche vai organizar alguns eventos para atrair os visitantes e, quem sabe, cativá-los e convencê-los a tornarem-se residentes no concelho. Tudo para provar que a vila e o concelho de Coruche são uma óptima escolha e alternativa de residência a Lisboa.
Agora, o curioso de que vos falava tem a ver com esta ideia expressa logo no título… se bem se lembram, dizia-se que “Coruche tenta captar novos habitantes pela proximidade do futuro aeroporto”. É bem verdade que há gostos para tudo! A partir daí, pode admitir-se que haja quem goste… quem goste mesmo muito… aliás, quem faça disso mesmo factor determinante da escolha… o viver ao pé de um aeroporto, com aviões a aterrar e a levantar a toda a hora e a passar por cima dos nossos telhados, fazendo tremer os vidros da janela às 6 da manhã, por exemplo... Provavelmente, aliciante maior só mesmo ir viver ao pé de uma cimenteira, ou uma oficina de bate chapas…
E agora o JN. O Jornal de Notícias diz que a sexóloga Marta Crawford está de regresso aos ecrãs de televisão, a fazer aquilo para que estudou… ou seja… para falar de sexo.
A estreia da sexóloga na televisão deu-se através da TVI e chamava-se, o programa na altura, “ABSexo”. Como o nome sugeria, era um programa em que, alegadamente, se falava, debatia e esclarecia dúvidas e questões consideradas como uma espécie de ABC, ou B, A, Ba do sexo e da sexologia. Desta vez é no novo canal da estação de Queluz de baixo, a TVI 24 – canal de informação. Quanto ao programa da sexóloga Marta Crawford … um programa de sexologia, coisa com uma intenção alegadamente pedagógica... (que não se imagina uma sexóloga a animar um programa de variedades, ou um qualquer divertimento erótico, ou mesmo soft core. Não que seja proibido, mas não seria necessário ir contratar um sexólogo para conduzir um programa desse teor e conteúdo… mas já nos estamos a desviar do assunto.) O programa da sexóloga Marta Crawford arranca hoje, ao princípio da madrugada, no tal canal da TVI e diz que se propõe responder a todas as dúvidas dos telespectadores. Coisa para derrubar tabus e arejar todos os falsos pudores. Enfim, à uma da manhã, não é tarde nem é cedo, é o que se arranja. Mas, catita, na mesma.
Agora, o nome escolhido para o programa. Pois vai chamar-se, ou chama-se, “Aqui há Sexo”. Assim mesmo. Se não fosse, sabermos do que se está a falar e se alguém maldosamente acrescentasse a esse anúncio qualquer coisa como “Aqui há Sexo - e agora com novas bailarinas acabadas de chegar de um país exótico”, ninguém estranhava.
E vem no Público, que a indústria pede corte de acesso à Internet, a quem piratear ficheiros. A verdade é que o alerta inclui a descarga de ficheiros de outras coisas que não só música, mas é de música que se vai falar hoje, no debate que terá lugar na Universidade Nova de Lisboa e subordinado ao tema – como se diz – “A Indústria da Música em Portugal”. O jornal cita as afirmações de um industrial do sector, no caso o músico Tó Zè Brito, que diz que as indústrias culturais não vão sobreviver, se não se tomar essa atitude – de que se fala no título, a de cortar o acesso à Internet aos utilizadores, que coloquem, ou descarreguem da Net ficheiros de música, vídeo, ou de livros, de forma ilegal e não autorizada. Lembra o produtor Tó Zé Brito que, Portugal já tem um quadro legislativo que proíbe os downloads ilegais, mas que não há aplicação no terreno, dessas mesmas leis.
Parece que a maior preocupação são os uploads, que são aos milhares. Para estes casos, Tó Zé Brito defende uma punição exemplar. Já no caso dos downloads, acha que o castigo deve ser proporcional ao número de ficheiros descarregados pelo infractor. Do número de ficheiros e da frequência ou intensidade – como lhe chama… a intensidade da actividade criminosa.
Tudo em nome e defesa dos direitos de autor. Convém que se explique, se ainda o não adivinharam.
Dá-se entretanto o exemplo de outros países da Europa, onde naturalmente o mesmo problema se põe… Inglaterra já ponderou medida idêntica a esta de que se fala agora, mas decidiu adiar a decisão para Outubro, quando se fizer a tal conferencia mundial sobre negócios criativos. Também a Nova Zelândia que se preparava já, no fim do mês passado para avançar com essa mesma medida – a do corte de acesso aos piratas da Internet – adiou a decisão. França e Irlanda é também por aí que se encaminham… e entretanto todos esperam que a indústria e os fornecedores de acesso à rede cheguem a acordo sobre uma espécie de código de boas práticas… aqui surge um outro problema… é que a França já fez as contas e cortar o acesso à Internet, aos infractores, pode resultar num prejuízo, para os fornecedores de acesso à Net… um prejuízo de 70 milhões de euros, nos primeiros 3 anos de aplicação do castigo.
Em remate e rodapé, o jornal volta a citar o produtor Tó Zé Brito, que explica, que o que as indústrias de conteúdos pretendem é que os operadores avisem os utilizadores, que estão prestes a fazer uma operação ilegal, antes de fazerem um download de conteúdo com direitos de autor.
E voltamos ao mesmo. Tudo em nome e defesa dos direitos de autor, que já agora e se me permitem, são parcela residual em todo este processo de criação dos assim chamados bens culturais. Mas é em nome deles que Tó Zé Brito se ergue e pronuncia. Nada a ver com a eventual quebra de receitas nas vendas, a que a indústria se expõe, com a concorrência desta nova e revolucionária ferramenta, que é a Internet. Nada a ver com a manifesta falta de resposta, que a indústria revela, face aos novos tempos e às novas leis de mercado. De forma alguma! Tudo em rigorosa defesa dos direitos de autor… e sabe deus, com que violência nós todos queremos acreditar que é mesmo assim.
E ora aí está uma hipótese de paz para o Médio Oriente! Vem no Público.
“Homens árabes procuram mulheres israelitas para casar”.
Diz que sim e não são poucos.
Dezenas de residentes em países árabes estão a enviar cartas ao ministério israelita dos Negócios Estrangeiros em Jerusalém, à procura de noivas judias. Vinha ontem num jornal de Telavive e é assim mesmo que o Público começa a prosa e a notícia.
Cartas deste género: “Solicito a vossa ajuda; gostaria de conhecer uma mulher israelita para fins matrimoniais…” Neste caso, o pedido é subscrito por um saudita, que o jornal identifica como Abdulah e que, continuando a citar, confessa ter ouvido dizer que as mulheres israelitas são muito bonitas e inteligentes e que por isso está disposto a pagar um dote em camelos, cabras, ou até mesmo dinheiro. Acaba a carta com este apelo pungente: “Por favor ajudem-me”.
Parece que, por ano, são às dezenas, as cartas e e-mails deste teor, que chegam ao ministério israelita dos Negócios Estrangeiros. Ao ponto do ministério ter sido obrigado a alertar as mulheres judias para o monte de problemas em que se metem, ao casar com um árabe muçulmano… Não! Nada disso. Estava a brincar. Isso é o que dizem alguns bispos católicos portugueses; o ministério israelita diz, educadamente, que não é nenhuma agência matrimonial…
Mas não adianta. As cartas continuam a chegar. Da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Iémen, do Iraque… Um árabe, de Bagdad, confessou mesmo que já tem 4 esposas árabes, mas que gostava de conhecer uma judia para casar, garantindo que a convivência entre todas elas será pacífica.
Diz o ministério, que ninguém se acanha a dar toda a informação necessária para ajustar o enlace … nomes completos, moradas, números de telefone e depois, claro, as vantagens. Dos Emirados Árabes, alguém escreveu apresentando-se como homem abastado, dono de uma frota de automóveis, à procura de uma noiva judia em Israel.
Devem ter uma extraordinária imagem no mundo árabe, as mulheres israelitas – é o comentário do Ministério dos Estrangeiros de Israel… Devem ter, já que os homens árabes não se cansam de lhes gabar a beleza e a inteligência, nas cartas que vão mandando.
Ora, o que falta agora? Talvez que, os judeus israelitas descubram a beleza e o encanto das mulheres árabes e comecem também a casar com elas…
Talvez assim se reinvente e resgate do mau augúrio a expressão: “dormir com o inimigo”…
O título é ambíguo, mas, se entrarmos no corpo da notícia, percebemos que se trata de uma máquina humana de venda. Ou seja, uma conhecida e reputadíssima marca de chocolates suíços instalou, na londrina estação de Vitória, uma máquina de distribuição de chocolates com esta particularidade… lá dentro, está um homem fechado, que espreita através do vidro e que através do vidro entrega os chocolates aos clientes transeuntes. O chocolate é entregue por um homem encaixado dentro da máquina. O slogan de publicidade dos chocolates em causa convida as pessoas a fazerem uma pausa, na corrida do dia a dia e comer um chocolate. É a partir daí, que o responsável pela campanha explica a ideia. Diz que – e citemos – “nesta época de crise, as pessoas estão submergidas pela monotonia do dia a dia e mais do que nunca precisam de uma pausa.” Ora aí está, uma declaração lapidar e redondamente falaciosa, como quase toda a publicidade aliás… Que monotonia se poderá instalar, na vida de uma pessoa confrontada com a dúvida, de como vai pagar as contas ao fim do mês, que dinheiro terá amanhã para comer, ou quando soará, para ela também, a hora do lay off, do lock out, do Armagedon, ou do que seja?!...
Já de saída, o DN cita o homem máquina, ou o homem dentro da máquina, ou a máquina humana… enfim, diz o homem, que nunca lhe tinham tirado tantas fotografias. “Conclui orgulhoso o homem máquina” – escreve o DN.
Também os saguins do Jardim Zoológico se fartam de ser fotografados. Também eles se devem sentir orgulhosos, só que ninguém os entrevista.
E em última hora, o DN dá hoje a noticia, da promulgação da lei da eutanásia no estado norte-americano de Washington. Aprovada em referendo, há 3 meses, a lei entra amanhã em vigor. Diz o jornal, que a eutanásia era já legal no estado do Oregon e que Washington vai agora activar todas as medidas necessárias, para evitar abusos na aplicação da lei.
Ora, acontece que de eutanásia nos fala também o JN de hoje. Aqui, a matéria da notícia é o debate promovido pelos estudantes de biologia, da universidade de Coimbra.
O JN cita a opinião do presidente da secção regional do centro da Ordem dos Médicos, o Dr. José Manuel Silva, que terá dito, durante o encontro, que a discussão da eutanásia é uma moda, que decorre das notícias e que o que importa discutir mesmo é o que leva as pessoas a desejarem a morte. Disse ainda o médico, que é muito mais fácil para a sociedade, a solução da eutanásia, do que criar condições para que essa questão não se ponha sequer. Terá dito, o Dr. José Manuel Silva, que é precisa maior humanidade por parte dos médicos, em relação aos doentes… E aqui, se concordarem, começa a conversa a entornar ligeiramente… A humanidade dos médicos, em relação aos doentes, haveria de ser matéria acima de qualquer dúvida ou hipótese de discussão. Mas avancemos e seja o que deus quiser.
Diz, o Dr. José Manuel Silva, que há casos em que o médico nem sequer olha para o doente e, assim sendo, “como é que o poderá sequer ouvir?! …” Defende por isso que, em vez da eutanásia, se deve discutir – isso sim – a distanásia: o prolongamento artificial da vida! Em resposta, Faria e Costa, presidente do conselho directivo da faculdade de direito da universidade de Coimbra... e quanto a ser moda, discutir a eutanásia… responde que essa é uma declaração que vale por um perfeito disparate.
Mas não nos dispersemos. Regressemos à dúvida essencial do Dr. José Manuel Silva. Estranha e interroga-se, porque é que as pessoas querem morrer… Diz que isso é que é preciso saber, descobrir, discutir… Ora, se tivermos como verdadeiras as declarações deste mesmo Dr. José Manuel Silva , ao dizer que há médicos que nem sequer olham para os doentes e que é precisa mais humanidade por parte dos médicos em relação aos doentes… Tomando estas declarações como verdadeiras… Que discussão haverá para fazer, sobre as razões que podem levar alguém a preferir a morte que tal sorte?!...
Adiante uma vez mais.
Vamos às declarações de um outro convidado para este debate. No caso, o padre Virgílio Miranda Neves.
Concordou com o Dr. José Manuel, mas fez questão em dar este exemplo pragmático. Disse, o padre Neves, que “há uma distinção entre matar e deixar morrer”. E não é que há mesmo!?, apesar de fazer uma diferença relativa, para quem morre… Ou talvez não! Em certas circunstâncias, pode ser mais doloroso deixar-se uma pessoa morrer, do que matá-la. Não será bem o caso, no caso da eutanásia passiva, ou seja, nos casos em que se suspende a alimentação, a medicação, a ventilação e outros suportes de vida, todo o processo é feito de forma a evitar ao máximo o sofrimento do doente, se bem que, na maioria dos casos, o doente em causa esteja já em coma, há tempo demais para haver qualquer esperança e a passagem para o outro lado – ninguém pode garantir – mas é bem possível que aconteça, sem que o próprio se aperceba, do que está a acontecer-lhe… Geralmente, são estes os casos em que se fala de eutanásia passiva, em deixar morrer. Os casos de comas irreversíveis.
O padre Virgílio Miranda Neves diz e muito bem, que há uma diferença, entre matar e deixar morrer. Mas a verdade é que, se tirarmos os suportes de vida essenciais à sobrevivência do doente, ele morre mesmo e por acção directa de nós outros, porque lhe cortámos todas as pontes, que o mantinham ligado à vida. Em condições dessas, só mesmo um milagre pode salvar. Claro que, de milagres estará o padre Neves bem mais habilitado a falar. Mas não consta que tenha falado.
Até talvez que eles já nem se lembrassem, os eleitores do grande Porto, mas o PCP lembra-se bem e está – digamos – pouco satisfeito, com o alegado roubo de um slogan de campanha, usado pela CDU no Porto, nos anos 90.
A acusação recai sobre a candidata socialista, Elisa Ferreira, que já disse que não tinha conhecimento, que o tal slogan já tinha sido usado pela coligação democrática unitária.
A frase, o slogan em questão é este: “Porto para todos”.
O JN publica uma fotografia, de um cartaz da campanha de Elisa Ferreira e lá está: “Porto para todos”. O jornal publica também uma cópia de um folheto da CDU, desses idos anos 90, onde se lê: “O Porto para Todos”. Há aqui uma pequena variante, ou seja, a campanha socialista deixou cair o “Ó”, que definia o Porto, a que a CDU se referia na altura, mas isso não chega para marcar a diferença, segundo a denúncia do PCP. O que conta é o essencial da mensagem. E nesse contexto, um “Ó” a mais, ou a menos não resolve nem redime o alegado plágio. O que conta é que alguém se aproveitou de uma ideia de outro, como se fosse sua. Ou, na mais benevolente das hipóteses, alguém se escusou ao trabalho, de tentar inventar qualquer coisa de seu e pendurou-se, no caso, num slogan alheio, mas de alegado sucesso, para fazer campanha em nome próprio. Em qualquer das hipóteses poder-se-á a gente perguntar como é possível um tal descaramento… Sim é possível. E poderemos nós, algum dia perceber porquê e como estas coisas acontecem? Sim, nós podemos.
O que custa mais a perceber é esta fotografia que vem no Diário de Notícias. Os factos resumem-se num instante.
Uma mulher de Vila Verde, freguesia de Arcozelo, terá asfixiado até à morte uma filha recém nascida e enterrado o corpo nas traseiras da casa, nos fundos do quintal. A mulher aguarda julgamento em liberdade, diz o Diário de Notícias.
Mas, a fotografia… A fotografia, que o Diário de Notícias hoje publica a ilustrar a história, mostra o padrinho de uma das filhas desta mulher, agora acusada de infanticídio.
O homem está acocorado junto à pequena cova, de onde a policia terá resgatado o corpo da criança recém nascida. Uma cova muito pequena e ainda aberta, junto a um muro. O homem, com o braço direito apoiado sobre um joelho, deixa cair o indicador em direcção ao buraco aberto a seus pés. Junto da cova está ainda um pequeno sacho, uma pequena enxada. E aqui começa o disparate. O que está ali a fazer aquela enxada? Que nos interessa saber, se a cova foi aberta com um sacho, ou com as mãos nuas da mulher?!...
Mas há mais. Enfim, a expressão não é de todo evidente, ou seja, o homem não está propriamente a rir à gargalhada, mas é com um sorriso que mais se parece, a expressão deste homem. Padrinho de uma das filhas da mulher de quem se fala. O homem está portanto acocorado junto à cova, onde uma enxada caída tenta explicar que aquele buraco foi aberto por mão humana e não por qualquer animal estranho. E sorri. Sorri como é normal que as pessoas façam, quando pousam para a fotografia. Sorri talvez por simpatia com o jornalista e o fotógrafo do DN. Gente que veio de fora, da grande cidade para o entrevistar e pedir mostre lá onde é que foi… E ele mostrou. Acocorou-se à beira da cova, onde a bebé recém nascida foi enterrada e apontando-lhe o dedo tímido, sorriu. Sorriu como se dissesse: “foi aqui”. Como se dissesse… “foi aqui, que a gente encontrámos então o tal pote cheio de moedas!”
Vem no Diário de Notícias, que os ateístas portugueses criticam a canonização de Nuno Álvares Pereira, o santo Condestável.
Em sub título, vai-se explicando que a Associação Ateísta Portuguesa aponta o dedo às provas clínicas do milagre, que levou à canonização do beato Nuno Álvares Pereira.
Dizem que estamos perante um aproveitamento do momento de crise e que, o anúncio da canonização, os deixou perplexos. Dizem também que esta contestação pretende combater o manto de obscurantismo, que vigora em Portugal. O presidente da Associação, Carlos Esperança, diz, em tom de alerta, que os portugueses correm o risco de se transformarem num grupo de beatos que assiste serenamente a tudo isto sem questionar a veracidade do milagre… o milagre, já agora, o milagre de que se fala foi ter curado as queimaduras de uma sexagenária, Guilhermina de Jesus, chamava-se a senhora, segundo rezam as crónicas, que afirmam que foram uns salpicos de óleo, que lhe provocaram as queimaduras… num olho… o esquerdo. Aqui, o presidente da Associação quase que se indigna. Diz-se surpreendido, Carlos Esperança, por a classe médica não ter ainda tomado uma posição na defesa da ciência e da medicina. Diz Carlos Esperança que, se os médicos acham mesmo que um guerreiro pode curar o olho da dona Guilhermina, então não fazem falta as unidades de queimados. Depois, já em tom irónico, diz o jornal, Carlos Esperança sublinha que um vulto histórico da dimensão de Nuno Álvares não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular, quando há tantos amputados, a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e, que isso sim, seria mais relevante para o prestígio de Nuno Álvares.
Ora bem, fica a informação e ainda duas pequenas dúvidas. O presidente da Associação Ateísta Portuguesa apela ao espírito crítico dos portugueses, para não acreditarem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade… isto porque, como também já se disse, os portugueses correm o risco de se transformarem num grupo de beatos, que assiste serenamente a tudo isto sem questionar a veracidade das provas do milagre. E chegamos então à primeira dúvida. Em havendo, as tais provas que a Associação exige e reclama, os ateístas, que a Associação representa, começariam eles também a acreditar em milagres?... A outra dúvida é esta… Nuno Álvares é beato desde 1918… a partir do mês que vem é santo – o santo Condestável. Ora acontece que, a menos que seja outro ( mas não é ), este Nuno Álvares já era santo Condestável pelo menos desde 1959, que foi quando começou a dar nome a uma freguesia do bairro de Campo d’Ourique. A freguesia de Santo Condestável, que nasceu do desmembramento da freguesia de santa Isabel. E também como a santa, o Condestável Nuno Álvares tem direito a uma igreja com o nome dele. A igreja do santo Condestável, em Campo de Ourique. A cúria romana e os ateístas portugueses, parece que foram ultrapassados pela direita nesta matéria.
Em sub título, vai-se dizendo que o homem tem 25 anos, vive sem abrigo na zona de Cascais e que, ao ser detido, mais uma vez pela polícia, e, ao ser ouvido pelo juiz do tribunal, pediu para ir preso, nem que fosse preventivamente. O juiz fez-lhe a vontade e mandou-o para a prisão de Caxias.
Ora, porque é que este sem abrigo de Cascais, toxicodependente – que isto, um mal nunca vem só, diz a sabedoria popular … – porque pediu ele para ir preso?... Porque já se conhece demasiado bem, para saber que, na rua, a tentação é muita e sente que corre um risco permanente, de reincidir no crime?... Por precaução, antes preso que à mercê de tentações perigosas?...
Não será tanto por aí. Diz o jornal, o 24 Horas, que o homem pediu para ir preso, porque, ao menos na prisão, tinha comida e um tecto para se abrigar do frio.
Diz o jornal, que o detido é suspeito de mais de dez assaltos a prédios e habitações e lojas na região de Cascais. Já em finais do ano passado tinha sido detido por essas mesmas razões, mas foi mandado em liberdade. Na altura, foi apanhado em flagrante, dentro de uma igreja na zona de Sintra. Tinha assaltado a caixa das esmolas e de caminho aproveitado para passar a noite na igreja. Antes disso, já tinha sido detido e preso durante dois anos por roubo.
Diz ainda, a noticia do 24, que o protagonista desta história nasceu e viveu parte da infância num bairro degradado da região de Cascais, que entretanto foi demolido para dar lugar a uma urbanização de luxo. Consta também que, nos últimos meses, terá voltado, de vez em quando, ao sítio onde antes se erguia o velho bairro, para assaltar alguns dos apartamentos, que vieram substituir as barracas – a polícia até ironizou a respeito, dizendo que ele nunca esqueceu as origens... Acontece que, segundo o 24 apurou em relação às origens deste homem, sabe-se que nunca conheceu a família. Viveu a infância e adolescência em orfanatos e centros de reinserção social, até chegar à idade adulta e ser largado à sua sorte.
Mas isto é o que diz o jornal… o que ele disse, ao juiz foi muito mais directo e pragmático, ao pedir que o mandassem para a prisão… “Pelo menos lá tenho comida, uma cama para dormir e não passo frio”.