quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Capucho quer Cascais a ser palco da solução para a crise.

Capucho quer Cascais a ser palco da solução para a crise. Ora, a crise de que se fala dispensa apresentações. O Capucho também as dispensava, mas fica para que não sobrem dúvidas: António Capucho, o presidente da Câmara de Cascais, que terá afirmado ontem – conta o DN – que Cascais pretende ser um ponto fulcral na procura de respostas para a actual crise mundial.

Supõe-se, que a crise mundial de que se fala, seja a mesma em que estamos a pensar. E é bem provável que seja, já que, o que está aqui em causa são as anunciadas Conferências do Estoril, que se hão-de realizar em Maio do ano que vem e que se destinam, preferencialmente a governantes, políticos, empresários, gestores, académicos, estudantes, jornalistas e lideres de opinião... É o que está aqui escrito.

E que no painel de convidados, nacionais e estrangeiros, se encontram Tony Blair. Aznar. Gerard Schroeder, Fernando Henrique Cardoso e ainda... David Held, professor de Ciência Politica e economista e o director do Instituto de Estudos Internacionais de Pequim e o do Fórum do terceiro Mundo em Dakar e o presidente do Fórum Mundial para alternativas.

E vai haver prémios. Em cada edição destas conferências – a de Maio próximo futuro é a primeira da série - em cada edição haverá um prémio de 70 mil euros para a melhor publicação original sobre o tema do encontro e outro de 30 mil euros, em bolsa de estudo, para o jovem que apresentar o melhor projecto de investigação dentro das áreas em apreço.

Ora as áreas em questão, se bem se lembram, têm a ver com a crise mundial. É o que se propõe, ou pelo menos deseja António Capucho – que Cascais seja o palco da solução para a crise mundial. Seria óptimo que para a História ficasse a cidade de Cascais como o palco de tão notável feito. Poder dizer-se que foi em Cascais que tudo se resolveu. Que foi depois das Conferências do Estoril que o mundo pôde finalmente respirar em paz. Foi em Cascais que se encontrou finalmente a solução para a crise que abalou o mundo. Poder dizer-se: foi em Cascais e eu estive lá!...

Seria reconfortante para a auto estima nacional, mas tem um porém. É que, porém, da última vez que Portugal embandeirou em arco com feitos semelhantes, o resultado final frustrou um pouco as expectativas. Lembram-se da assinatura do Tratado de Lisboa? A assinatura até correu benzinho, os Jerónimos, as canetas de souvenir, o carro eléctrico, o almoço no dos Coches…o pior foi o resto. Por isso, se queremos mesmo o sucesso, desta vez talvez seja melhor não encomendar já os foguetes. É que distrai …e as pessoas, estas, pelo menos – políticos, académicos, gestores e empresários, não se podem distrair; têm mais em que pensar. Têm uma crise mundial para resolver, que diabo!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Talvez o título não tenha sido o mais feliz…

Talvez o título não tenha sido o mais feliz… Mas corre o risco de ser o mais apelativo. E diz assim, o Diário Económico em chamada de capa: “Os melhores cursos para subir depressa na carreira”. É o anúncio a uma pequena revista, que o jornal hoje edita em suplemento gratuito. Mas convém, antes de avançarmos, dizer que os cursos que se anunciam se destinam a Executivos. È essa a carreira de que se fala. A carreira de Executivo. Toda a oferta de formação para Executivos disponível em Portugal. Conheça os cursos – convida a chamada de capa – “Conheça as melhores escolas e a cara dos protagonistas.”

Ora a revista, essa puxa para a capa este título: “Novas tendências chegam a Portugal” E de repente, se não soubéssemos ao que íamos, poderíamos julgar termo-nos enganado na porta e que estávamos prestes a entrar no mundo da moda, da alta-costura, ou por aí… mas não. As novas tendências, de que se fala, passam pelas empresas e escolas de negócios, que trabalham cada vez mais em conjunto, para satisfazer necessidades específicas dos alunos. O objectivo – continua a chamada de capa – continua a ser formar executivos, para decidir bem e de forma rápida. O convite é conhecer todos os cursos do mercado e saber o que os distingue e como financiá-los.

Lá dentro, fica-se a saber, por exemplo, que, em 3 anos, os cursos tecnológicos cresceram 16 vezes… Que há cada vez mais alunos, a recorrer ao crédito para financiar a formação académica; que a Universidade Católica está – segundo o Finantial Times – entre as melhores do mundo (uma boa notícia, valha-nos isso); que a chamada Geração Y, uma nova geração de alunos, está a forçar as escolas a uma pequena revolução e que, para se adaptarem a essa realidade, as escolas apostam em cursos cada vez mais criativos.

A Geração Y! Diz que são jovens e talentosos e sabem bem o que querem. E o que querem, garante o Económico – é alcançar o sucesso rapidamente. Uma nova geração de Executivos. Porque convém não esquecer que é deste nicho de actividade profissional que se fala... É neste território que, segundo o jornal, a nova geração de futuros quadros está a obrigar os gestores a desenvolverem novas formas criativas de liderança.

Formas criativas de liderança! Vamos lá então.

Team Building – o conceito se calhar também, o nome esse é, indubitavelmente, estrangeiro. Team Building, como quem diz "Formar Equipa". Como construir uma equipa de trabalho.

Andar de canoa é uma ideia. Andar de canoa, procurar tesoiros escondidos, ou participar numa aula de culinária são actividades, garante o Diário Económico, ao contrário de roubarem tempo e dinheiro às empresas, podem tornar-se grandes mais-valias. Diz que uma sessão deste so called (honra se faça ao estrangeirismo) Team Building pode acelerar os resultados, ao nível do ganho de confiança, constituição de redes, partilha de conhecimento e trabalho em equipa. Claro que, todas estas actividades, que acabámos de enunciar, se supõem que terão lugar fora do local de trabalho. Em, se quisermos, alegres fins-de-semana temáticos. A fazer lembrar os acampamentos de escuteiros, por aí…

Ora, o essencial fica dito. Falta só lembrar duas coisas.

Primeiro, que a actual crise financeira, ou económica, ou o que seja, parece consensual que se deve, aos gestores e executivos do mais alto gabarito que, eles também, sonharam um sucesso rápido e acabaram por dar o passo maior que a perna. Partindo deste pressuposto, é de toda a conveniência que se formem novos executivos e gestores. Estes verdadeiramente competentes e capazes de não repetir os mesmo erros. Tanto mais que, a este nível de competências, a culpa, antes de morrer solteira, já matou metade da família e alguns vizinhos.

A segunda coisa, para que gostava de vos invocar a memória era...(lembram-se do título?.. “Os melhores cursos para subir depressa na carreira” …) para o antigo adágio, que garante que: "Depressa e bem, não há quem".

Nem para gerir uma empresa, nem para fritar um ovo. Que um ovo, para ficar bem estrelado… a clara tostadinha e a gema meio crua, tem muito que se lhe diga e requer o seu tempo e até mesmo, ousaria dizê-lo, algum carinho.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

uma espécie de pagamento

“PS abandona proposta que previa pagamento em espécie sem acordo do trabalhador.”

É o título da notícia, no Público, de hoje.

Diz que o partido socialista já entregou 140 sugestões de alteração à proposta do Governo sobre a revisão do Código de Trabalho. E que ainda vai entregar mais. Ora, uma das alterações propostas é então suspender o pagamento em espécie , sem acordo do trabalhador. Era essa portanto a proposta inicial. Pagamento em espécie. E que espécie de pagamento seria esse? Ou melhor… será esse?, já que a proposta de alteração se limita ao consentimento do trabalhador… Ou seja, o pagamento em espécie continua a ser possível, desde que o trabalhador concorde. Concorde, por exemplo receber em agrafos, ou – no caso da rádio, por exemplo, em fitas magnéticas, ou CD's do Quim Barreiros, o ordenado, ou parte dele.

E aqui, um pequeno desvio de percurso. Diz o Jornal de Notícias, que Sócrates não vai fazer chantagem com a maioria absoluta, nas eleições do ano que vem. O Público diz mesmo que Sócrates admite governar em minoria. E é o melhor que ele faz. Não tanto porque o resultado nas urnas lhe possa ser eventualmente pouco favorável, mas porque, como vimos, a própria bancada do partido que o suporta insiste em lhe tirar o tapete debaixo dos pés, em matérias tão sensíveis como o Código de Trabalho. Lembram-se do lead da noticia?: “o PS já entregou 140 sugestões de alteração do Código, elaborado pelos socialistas do Governo e vai entregar ainda mais umas quantas…

Mas adiante.

Avançamos um par de páginas e sem sair do Público chegamos a Famalicão. Foi aí, que em 2001, durante as praxes na Universidade Lusíada, um caloiro acabou por morrer.

A relação causa efeito há-de ser julgada em tribunal. A próxima sessão do julgamento está marcada para 14 de Novembro. Ora, acontece que a mãe do aluno falecido espera que, durante o processo, se descubram novos elementos, que levem ao apuramento final e inequívoco de responsabilidades, na morte do filho. Mas acontece também que, para já e à cabeça, a senhora reclama uma indemnização , não em espécie, que seria complicado de fazer, mas em dinheiro vivo. 210 mil euros de indemnização pela morte do filho, é quanto ela pede.

E Óscar Wilde!

É ele o eleito para as citações que diariamente o Público edita em coluna própria. E diz assim:

Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.

Óscar Wilde nasceu em 1854, morreu em 1900… há mais de cem anos, portanto. Parece que foi ontem? Ou se calhar nem tanto

Doc Lisboa polémico – é o que diz o Correio da Manhã.

Mas Sérgio Truffaut, o organizador do evento, já desfez o equívoco. Ora, a polémica de que se fala tem a ver com a atribuição do prémio para uma primeira obra a uma realizadora, que já tinha ganho um prémio , com um outro documentário, em 2005, há 3 anos, portanto.

Truffaut diz que não recebeu nenhuma queixa, ou reclamação e lembra que o regulamento permite concorrer com uma segunda obra.

Mas diz mais e o mais que diz é que é surpreendente. Diz Sérgio Truffaut que – e citemos – " o que se passa no DocLisboa passa-se em qualquer festival de cinema mundial – os prémios para primeira obra abrangem as segundas. É assim no Cámera d'Or e no Indie Lisboa.”

Desfeito o equívoco, fica para os académicos fazer rever o conceito de “primeira”.


E no 24 Horas, ficamos a saber que as operações de mudança de sexo em Portugal saem próximas do custo zero, aos interessados.

“Mudar de sexo é grátis” – é o que anuncia o título.

O Serviço Nacional de Saúde comparticipa em 100% as cirurgias necessárias, para a operação.

A revelação foi feita ao jornal pela própria Ordem dos Médicos, que é a entidade responsável por conceder as autorizações necessárias para este tipo de cirurgias.

De acordo com a Ordem e desde 2003 foram apresentados apenas 36 pedidos de autorização. Foram todos aprovados. A Ordem diz que o número é limitado porque o processo é complexo. O jornal diz que apurou que a morosidade do processo se explica, com o facto de ser fundamental perceber, se a mudança de sexo é o caminho certo para os pacientes, tanto mais que os custos associados são muito elevados.

Ora fixemo-nos entretanto no título da notícia: “Mudança de sexo é grátis em Portugal.”

E porque – se nos outros países a operação se pode fazer em hospitais privados, onde custa entre 10 mil e 15 mil euros, em Portugal ela só pode ser feita em hospitais públicos, sendo, por isso, totalmente comparticipada pelo Estado. Já o resto… hormonas e todas as cirurgias estéticas que eventualmente se lhe sigam, ficam por conta do doente, já que não são determinantes para a mudança de sexo. Enfim, no caso das hormonas, o Estado também comparticipa, mas só em parte.

A única questão que fica em aberto é saber se estes pacientes também são sujeitos a taxa moderadora, quando vão ao hospital, durante as consultas, ou estão isentos. É que as consultas devem ser mesmo fundamentais neste caso da mudança de sexo. Consultas prévias com psicólogos e endocrinologistas… Se bem se lembram dizia-se aí atrás que primeiro que tudo há que consultar o doente e perceber se a mudança de sexo é o caminho certo.

E então? As consultas pagam taxa moderadora, ou estão isentas?..

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É o destaque das primeiras páginas do Diário de Notícias de hoje.

Os meninos mendigos. Os meninos mendigos que devem ficar com os pais – como avisa o título.

Logo de entrada, vai-se explicando que usar crianças para pedir esmola é crime. A lei portuguesa prevê mesmo 3 anos de prisão, para quem o faça…Mas, continua o ante texto da notícia – Quem leva os filhos para a mendicidade pode também estar a evitar deixá-los sozinhos e abandonados à sorte. É por isso, que os magistrados portugueses de família e de menores do distrito de Lisboa aconselham cautela, na hora de tomar medidas que possam separar as crianças dos pais. É urgente – conclui-se – que, antes de mais, se preste auxílio às famílias, para ajudar no sentido destas situações de mendicidade não voltarem a repetir-se. E as situações de que se fala chegam a atingir contornos terríveis, como o exemplo que o DN destaca, de um pai que queimava o filho com um cigarro para ele chorar e comover os transeuntes.

O jornal dá depois exemplos soltos, como o de uma rede desmantelada há 6 anos pelo serviço de Estrangeiros e que explorava umas 25 crianças e mulheres, levando-as a mendigar nas principais ruas de Lisboa. Fala ainda desse cidadão belga que terá raptado as próprias filhas e as trouxe para Portugal, para pedirem esmola. Lembram-se do caso? Foi em Viseu, há pouco tempo. Fala também de um grupo de romenos, que usava dois bebés durante os assaltos – e foram mais de cem, os assaltos que terão feito pelo país fora. O grupo foi entretanto detido no princípio deste mês… E deste, lembram-se? A notícia passou em todas as televisões…

Das denúncias…a linha SOS Criança diz que este ano só recebeu 39 alertas. Em 4 anos foram condenadas 6 pessoas, num total de 12 processos-crime, que entraram nos tribunais, envolvendo 15 arguidos.

E agora a fotografia!

Diz a legenda, que as crianças conseguem atrair mais atenções. E de que maneira!

A fotografia foi tirada na Rua Augusta, em Lisboa, onde certamente muitos de nós já vimos crianças a tocar acordeão – bastante mal diga-se, mas deve ser de propósito – do género, quanto pior melhor… adiante - a tocar acordeão na companhia de um pequenino cão – podia ser um pequinois, mas eu de cães pouco percebo - um pequeno cão que, ora se equilibra sobre o ombro do tocador, segurando nos dentes um pequeno copo de plástico onde recolhe as moedas, ora se deixa ficar, sentado no chão, fazendo companhia ao dono, como é o caso que a foto ilustra.

E acontece que na fotografia temos ainda mais 4 personagens curiosas.

4 turistas , supõe-se. Dois casais em férias.

Um dos homens do casal ajoelha-se ao lado do miúdo, a fotografá-lo. O outro, de cócoras, avança a mão para acariciar o pequeno cão, sentado obediente e resignado, montando guarda à caixa das esmolas.

Elas… uma, de pé, abre a mão que levou à mala para retirar – dá ideia que – uma moedita.

A outra ajoelha-se, sorrindo, ao lado do que se prepara para fazer uma festa ao cão do jovem mendigo. Ele também sorri. Do bolso de trás das costas assoma, meio amachucado, o que parece ser um mapa da cidade. Mas o que é fantástico é este sorriso. Não haveria, na redacção do DN ,um fotoshop que lhes apagasse este sorriso alarve da cara? E o que pensa fazer o outro? O que tira a fotografia? Mostra-la lá na terra dele e dizer que Portugal é que é! Um país tão desenvolvido, que até tropeçamos em Piazzolas de palmo e meio, ao virar de cada esquina, a tocar no meio da rua, em pequenos concerto “promenade”?!...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Haider era gay, o paneleiro!...

É capa do Diário de Notícias de hoje e diz assim: Sucessor revela que Haider era gay. Ora o Haider de que se fala é Jörg Haider, ex líder da extrema-direita austríaca, recentemente falecido num desastre de automóvel. O sucessor é Stefan Petzner, que diz ter chorado a morte de Haider, do "homem da sua vida" – escreve o DN, com as devidas aspas. Petzner foi, entretanto demitido e a polémica está lançada.

Em entrevista a uma rádio e um jornal austríacos, Petzner, de 27 anos, confessou que a relação com Haider, 58, era mais que amizade e que a mulher de Haider sabia e não se importava. Diz o jovem Petzner, que sentiu uma atracção magnética por Haider, mal o viu. Diz também, que se sentia seguro ao pé do líder, que passou a seguir para todo o lado. Era-lhe também remédio para o alegado medo do escuro, que Petzner diz ter, ou ter tido…

A noticia remata dizendo, que o acidente terá acontecido quando , depois de uma discussão com Petzner num bar gay, Haider se encheu de vodka e saiu para a estrada, a acelerar ao dobro da velocidade permitida. Ou antes. A noticia deixa em aberto a hipótese da discussão ter acontecido já depois do vodka. O acidente, esse foi depois. Definitivamente.

E a notícia seria quase um abuso, uma perversa invasão de privacidade, se não fosse alguns movimentos de opinião serem tão pragmáticos e radicais em relação a certas matérias…

E depois, já que de sexo se fala, fiquemos um pouco mais pelo DN.

Ginecologista deve ter assistente para vigiar. Diz o título. E para vigiar o quê? Perguntamos nós. Para vigiar o colega. Nem mais. Para prevenir desvarios – chamemos-lhe crime, que foi o que o tribunal lhe chamou – crimes como o de abuso sexual sobre as pacientes.

Em ante título à notícia, o DN cita o bastonário da Ordem, que terá defendido que, a presença de uma terceira pessoa protege o médico e o paciente.

E tudo isto surge na sequência do caso do médico de Faro, condenado por abuso sexual sobre uma doente incapaz de resistência. Tudo se passou na clínica privada do médico em causa, mas, mesmo depois de condenado a 3 anos de pena suspensa – o que não obriga de facto a suspender funções – o médico continua a trabalhar, não só na clínica, como também no hospital público da cidade. A Ordem dos médicos diz que a pena não é aplicada, porque o serviço público não cumpre as regras. Diz Pedro Nunes, que a Ordem estabelece regras enquanto reguladora da actividade médica, mas depois não pode aplicar coimas a quem não as cumpre. Diz ainda, que a única forma é o Governo tornar obrigatório esse procedimento, mas – diz ainda o bastonário – o Governo não o faz, porque isso implicaria contratar mais pessoal – subentende-se que - para substituir os médicos em falta por suspensão, ou outro castigo semelhante.

Chegamos aqui e a confusão instalou-se. Diz o bastonário, que a presença de uma terceira pessoa durante as consultas é para evitar situações de abuso sexual, como a que aconteceu em Faro. Já isto é estranho e duvidoso. Quem garante, que o terceiro homem, ou até mesmo mulher, não é também tarado sexual?...

Também a frieza de apreciação, sobre os trâmites legais deste tipo de ocorrências, soa um pouco distante da realidade e quase cínico.

E depois, partir do pressuposto que o Governo não torna obrigatória a aplicação dos castigos, com medo de ficar sem médicos disponíveis para as encomendas, é traçar um cenário pouco lisonjeiro da classe. Pouco lisonjeiro, para não dizer… fraldiqueiro, mesmo. No entanto, vindo de quem vem, não deixa de ser preocupante.

Adiante!

Foi um recorde de queixas, o que choveu sobre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Mais de meia centena de queixas, contra a paródia, que o grupo humorista Gato Fedorento fez ao computador Magalhães, num dos últimos programas, que passou na televisão. Enfim, o que indignou mesmo alguns telespectadores foi, no contexto da anedota, se ter brincado com a Igreja, com a comunhão e com a hóstia consagrada pela fé católica.

Revejamos o episódio que disparou a polémica: Louvado sejas oh Magalhães – dizia um dos cómicos, a fazer de padre. Depois, como se fosse uma hóstia, era entregue um disco e dito qualquer coisa como: instalai isto em memória de mim. Ora o padre Manuel Morujão, da Conferencia Episcopal, diz que nada é intocável, mas algumas matérias devem ser tocadas com algum respeito. Diz por isso, que acha muito bem que, quem se sentiu ofendido se manifeste, mas, cuidado, que a contestação não se transforme em propaganda ao programa.

D. Januário Torgal Ferreira, bispo das forças armadas, diz que viu o programa e que, neste caso em particular, até nem se sentiu ofendido. Cita o DN: “em nada me feriu e quem não tiver humor não veja.”

Na queixa, que entretanto está a ser apreciada pela Entidade Reguladora, fala-se em ofensa à Igreja Católica e sublinha-se o facto, de que com o Islão haveria mais cautela na abordagem. Falta só esclarecer, se esse tal cuidado acrescido, se deveria ao respeito pela fé islâmica, ou por medo de uma qualquer eventual represália do fundamentalismo islâmico terrorista armado…

Adiante. Em Israel continua a guerra santa contra a beatificação de Pio 12.

O ministro israelita dos assuntos sociais considera inaceitável a beatificação , tendo em conta o alegado silêncio do papa sobre o regime nazi e a morte em massa de judeus nos campos de concentração e nos guetos. Diz o ministro que o Vaticano sabia muito bem o que se passava e não se pronunciou contra, como mandam, aliás, os preceitos bíblicos. Enquanto cardeal, Eugénio Pacelli , foi núncio apostólico de Berlim, quando Hitler subiu ao poder. Há documentos recentes, que provam que já eleito Papa, Pio 12 terá tido intervenções públicas, condenando o 3º Reich e o nacional-socialismo de Adolf Hitler e muito em particular se terá manifestado publicamente contra a perseguição aos judeus. Mas parece que estes argumentos não chegaram ainda para convencer Israel.

Israel onde se encontra de visita Bettina Göering. Nem mais! Göering. É sobrinha neta de Herman Göering. Prepara-se para assistir ao Festival de Cinema Judaico. No programa do Festival está um documentário, que segue os encontros entre Bettina Göering e uma artista judia, cuja família desapareceu nos campos nazis.

Mas para o que nos traz aqui, consta que Bettina Göering – que visita Israel pela primeira vez - terá sentido uma vergonha insuportável quando descobriu – ou melhor – quando se deu realmente conta das ligações do apelido de família ao extermínio dos judeus durante a 2ª Grande Guerra. Vergonha e culpa. Diz que foi isso, que a empurrou para o consumo de drogas, quando tinha 13 anos e a submeter-se mesmo à esterilização, aos 30 anos, para não gerar descendência, de tão infame apelido. Hoje vive em Santa Fé, diz que entre duas famílias judias, que não se falam – que se odeiam mesmo – e que ela tenta reconciliar. Do resto, adianta que o pior já passou, mas que ainda se sente um pouco mal quando – e passemos à transcrição fiel do que escreve o DN – sente-se muito mal, quando descobre que o judeu, com quem acaba de fazer amor, é um sobrevivente do Holocausto, com um número tatuado no braço.

Espera lá aí só um bocadinho, oh Bettina e faz lá esta conta comigo...

Ora a guerra acabou em 45… os sobreviventes devem ter hoje que idades?... Os nascidos nesse ano terão hoje 63 anos, os outros… andarão em média… nos 80, 90…? Por aí.

Era só isso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Atenção, internauta amigo, Moloch acaba de editar 3 novas canções de subtil acutilância e absoluta actualidade. Poderás escutá-las no sítio do costume, entre a moviola do oliveira e o movimento perpétuo, que por tal sinal, até têm estado bastante paradinhos, ultimamente!...

O rosto na fotografia não chega a ser aquilo a que se costuma chamar de "poucos amigos". Será mais a expressão de quem tem mais que fazer e coisas mais importantes com que gastar o tempo, ou mesmo perdê-lo.

E o rosto da fotografia é o de Max Mosley, inglês, 68 anos e presidente da Federação Internacional do Automóvel, a FIA.

Escreve o Público que, depois de ter sido exibido numa sessão de sadomasoquismo, uma orgia nazi, como lhe chamaram, com 5 prostitutas e ter ganho uma indemnização de 60 mil libras do News of the World, por ter publicado as imagens da alegada "orgia nazi", Max Mosley diz que não vai mudar os hábitos sexuais, por causa disso.

Em entrevista ao Guardian, Mosley terá reconhecido que o caso e a publicação das notícias lhe causaram alguma turbulência familiar, mas que, apesar de tudo e entretanto, continua a não ver mal nenhum no sadomasoquismo, desde que praticado entre adultos e de livre vontade. Quanto à encenação da tal orgia sado masoquista… orgia nazi – lembram-se? -foi como lhe terá chamado o News of the World- Mosley volta a reconhecer que é verdade , os pais teriam – chamemos-lhe – uma simpatia particular com o ideário nacional socialista, mas ele próprio demarca-se clara e inequivocamente desse género de simpatia, ou afinidade politica. Diz que o cenário da festa foi pensado e montado pelas 5 raparigas , que, já agora e ao contrário do que também se terá afirmado, não são prostitutas do leste europeu.

Entretanto e para o que realmente importa a Max Mosley, ele promete que vai seguir para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos com a denúncia e a reclamação, para que todos os tablóides e editores em geral sejam obrigados sempre a contactar o objecto das respectivas reportagens, antes de as publicar, para que os visados tenham oportunidade de se pronunciar, ou defender, se for caso disso.

No caso dele próprio, não parece muito que precise de quem interceda por ele, ou o defenda. Independentemente da matéria em apreço, ressalve-se essa tranquila frontalidade… essa desarmante frontalidade de Max Mosley. “Presidente da FIA não muda hábitos” – anunciava-se em título. Pois poderia não o fazer, mas não precisava de dizê-lo, assim sem rodeios. Como quem quer matar ali a conversa e a polémica. A verdade é que Max Mosley poderia ter respondido que não foi bem uma orgia , mais um convívio descontraído, ou que não era bem sadomasoquismo, antes uma festa temática; ou podia ter jurado que sim, mas que nunca mais! Sexo, nunca mais! Nem sadomasoquista nem sexo de qualidade nenhuma… Que ia aliás e até e fazer voto de castidade e ingressar num convento. Mas, sem cilícios! Não fosse depois começar-se a pensar e a dizer-se …

Saltemos agora para a última página do Correio da Manhã, que é aí que vem a boa notícia. Do mundo e para o mundo.

O prémio é internacional, por isso faz todo o sentido falar-se dele aqui, nesta página onde espreitamos o mundo lá fora. O Prémio Internacional da Mulher por Resultados Humanos. Um prémio internacional é sempre coisa de importância maior, pressupõe que o premiado foi sujeito a uma qualquer comparação de mérito e virtude. No caso, fala-se do prémio internacional da mulher por resultados humanos. Portanto, é óbvio que este prémio em particular é para mulheres e só para mulheres. Mas não uma qualquer mulher. Há-de ser para uma, que se tenha feito notar por alegados Resultados Humanos. Concordemos que a classificação é um tanto vaga e ambígua. Será de direitos humanos que se fala?! Da luta pela dignidade e pelo respeito dos direitos humanos?... Por outros feitos heróicos de realização pessoal ou colectiva, onde o espírito, a raça, o génio humano foram postos à prova e se distinguiram?...

Para o caso pouco importa. O que verdadeiramente importa é que o prémio foi atribuído – o Internacional da Mulher por Resultados Humanos e foi-o ontem, na ilha da Madeira, durante a cerimónia do 20º aniversário da Fundação da Associação Madeirense de Mulheres Empresárias… Aqui talvez se começasse a fazer uma pequena luz… mulheres empresárias… talvez. Não interessa, anuncie-se pois a galardoada. E a vencedora é Dolores Aveiro! E quem é Dolores Aveiro?! Empresária de sucesso?... Que resultados humanos terá esta mulher alcançado, que a notícia teima em não nos querer revelar?... Uma vez mais, não interessa. Dolores Aveiro é mãe de Cristiano Ronaldo, o jogador de futebol. Isso é público e garantido. Tão certo como a expressão enigmática da galardoada, ao receber o prémio. Na fotografia, a senhora segura o galardão que lhe é entregue em mãos pelas - julga-se – representantes da Fundação madeirense de mulheres empresárias. O objecto parece um pequeno obelisco de vidro transparente. Coisa para medir uns 40 centímetros de altura, quando posto em cima de, por exemplo, um psiché. Parece vidro! Podia ser cristal, mas também se fosse acrílico, com a austeridade que por aí grassa, não espantaria ninguém.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Não é um sonho irrealizável, quanto mais não seja porque um Nobel custa menos que um jogador de futebol. Ora o argumento é quase demolidor.

A ideia em si, é então contratar prémios Nobel – os melhores entre os melhores de todas as áreas do saber - para formar uma super-universidade em Portugal. Em Portugal, que não forçosamente para portugueses!

Mas vamos do princípio.

A notícia merece uma breve no Público, um desenvolvimento um bocadinho maior no DN e quase página inteira no 24…

Paulo Teixeira Pinto – ex presidente do banco comercial português e diz que pintor e escritor e antigo professor universitário - terá confidenciado à agência Lusa, que defende uma super-universidade. Uma universidade para o topo dos rankings internacionais. Já vimos que não uma universidade para portugueses, mas uma universidade em Portugal para o mundo. Uma universidade que tenha a capacidade de atrair talentos, cérebros, os melhores investigadores, independentemente do pais onde estejam. Bastava para isso contratar alguns prémios Nobel… 8 ou 10 pessoas com o prémio Nobel em várias áreas científicas não lhe parece uma tarefa impossível, tanto mais que, sai mais barato, como já se viu, do que contratar um jogador de futebol. Porque o dinheiro, os custos são sempre argumento e empecilho a muitas obras, Teixeira Pinto defende que, se esta universidade vier a custar tanto quanto todo o ensino público português, ou metade da auto estrada para Bragança, não é caro. Não será portanto por aí… É tudo uma questão de prioridades e aceitação.

O ex professor e ex gerente bancário salienta ainda o que chama de efeito multiplicador, que uma universidade desta dimensão teria. Diz Teixeira Pinto, que colocaria Portugal no mapa, no que refere ao ranking universitário.

Para o conseguir, Teixeira Pinto acha que os privados têm obrigação de contribuir, já que o beneficio não seria exclusivamente público.

Para resumir razões, Teixeira Pinto acha – sublinha mesmo, diz o 24 Horas - que só um tolo é que não quer uma universidade destas em Portugal.

Mas fiquemos pelo essencial, pelo que há a reter de essencial, pela conclusão mais óbvia e imediata que se tira da proposta de Teixeira Pinto… e ela é que, se o ensino superior em Portugal não satisfaz, a culpa é dos professores. Contrate-se gente capaz e tudo muda. Enfim, é uma declaração forte , mas Teixeira Pinto deve saber do que fala, tanto mais que já foi, ele também, ao que consta, professor universitário.

Parece que está a ficar na moda – o chinês.

Diz o Público, que mais de uma centena de alunos do superior aprendem chinês. Diz ainda, que já não há vagas nos cursos da Universidade do Minho e no politécnico de Leiria. Diz que há outras escolas, que oferecem cursos livres de chinês. Explica-se também, que este súbito interesse pelo mandarim se deve sobretudo ao crescimento da importância da China, na vida económica e política internacional.

E chegamos à pequena caixinha, do Público – que mudou o mundo a esta jovem de 17 anos, que passou 15 dias na China, por ter vencido o concurso internacional promovido pelo governo chinês, para promover a língua e cultura chinezas. Diz a jovem que agora até já lê o Harry Potter em mandarim.

Enfim, fácil , fácil não deve ser – aprender mandarim. Mas , há que admiti-lo , nenhum esforço é demais. Nenhum sacrifício é inútil perante essa expectativa magnífica: a de conseguir ler o Harry Potter em chinês.

E estoutra vem do parlamento europeu. Diz o Diário de Noticias que 4 dezenas de deputados de países escandinavos lançaram uma campanha para que o parlamento europeu deixe de utilizar hotéis que recorram a prostitutas, ou que transmitam filmes pornográficos.

É um assunto sério – escreve o DN , citando o porta voz da euro câmara. Confirma-se que o presidente do parlamento já recebeu a carta, onde se pede que só se utilizem hotéis que garantam que não estão implicados no comércio do sexo e que sejam dadas novas ordens a todo o pessoal, desde eurodeputados a funcionários com outras funções no parlamento europeu.

Acontece que – como se sabe – o parlamento europeu alterna as reuniões entre Bruxelas e Estrasburgo e tem – obviamente- de reservar alojamento para os funcionários nessas deslocações. E ao que parece, também , essas reservas recaem, pelo menos às vezes, em hotéis com esse tipo de serviços, que a noticia refere.

Falta só dizer que, para além de fornecer os serviços, esses hotéis obrigam os hóspedes a visionar os referidos filmes hard core e a ter encontros íntimos com as referidas prostitutas. Obriga-os mesmo de forma violenta. Chega a apontar-lhes uma pistola à cabeça para os obrigar a ter sexo com meretrizes de luxo. Mesmo aos impotentes e aos homossexuais, que também os deve haver, em tão alargado fórum internacional... O que deve ser, para além do mais e apesar de tudo, uma situação aflitiva, mesmo para um eurodeputado, habituado a lidar com situações delicadas e dossiers de muitas páginas… alguns, se calhar, escritos em mandarim, ou coisa assim.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Antes que me esqueça… Portugal tem má nota em trabalho temporário – é o título do JN. Depois segue dizendo que em 24 países analisados, Portugal ficou em 23º. Pior que nós, só os espanhóis. Um estudo acabado de publicar pela Organização Internacional do Trabalho vem expor os defeitos da era das finanças globais. Abre-se o fosso entre o salário dos mais ricos e o dos mais pobres… uma desigualdade que aumentou de forma dramática na maioria dos países e regiões do mundo, diz o JN. Ou seja e resumindo: a Globalização prejudica a maioria da população - é o que garante o Jornal de Notícias.

E agora o azeite. Ou melhor os galheteiros de azeite.

Galheteiros antigos podem voltar às mesas, é o que se anuncia em quase todos os jornais desta sexta feira. O Diário de Notícias puxa mesma essa frase para título.

Diz que o ministro Jaime Silva da Agricultura acaba de anunciar a revogação da polémica portaria, que obrigava os restaurantes a usar garrafas de abertura inviolável. O ministro disse mesmo que nunca concordou com essa medida. Os donos dos restaurantes ainda menos. Diz que lhes sai mais caro e que também não é bom para o ambiente. Presume-se que, porque produz uma maior quantidade de vasilhame para deitar fora, na melhor das hipóteses, para a reciclagem … Seja como for, a verdade é que – segundo consta – Portugal era o único país da União Europeia que se obrigava a este procedimento. E isto porquê? Porque é que era o único?... Não! Porque é que se obrigavam os restaurantes ao uso de garrafas invioláveis para levar o azeite à mesa... Para evitar falsificações! Para evitar que o azeite fosse adulterado. Para garantir a qualidade e a fiabilidade da origem do produto. Numa palavra para garantir e defender a saúde pública.

O ministro garante que , graças à inspecção económica, Portugal pode garantir o mais alto padrão de segurança alimentar. E garante também, o ministro, que vai revogar a presente portaria, mas!... Mas e aqui pára tudo. Mas, só quando os restaurantes tiverem uma carta de azeites – ao estilo das cartas de vinhos – onde o cliente possa escolher e saber as características do que vai consumir. Diz o ministro que aceita o regresso dos tradicionais galheteiros de azeite, mas só quando os restaurantes tiverem uma carta, onde estejam claramente impressas a composição e origem do azeite.

Ora, voltemos ao princípio. As embalagens invioláveis surgiram porque havia quem fizesse – o que se chama - falcatrua com o azeite. Aproveitando a facilidade de transvase da embalagem original para os pequenos galheteiros de mesa. Enchendo-os com suspeitas misturas de composição duvidosa... Agora o ministro concorda que se volte ao uso dos galheteiros tradicionais, desde que haja uma carta, onde se garanta a qualidade e origem do azeite.

Parece que estamos já a ver… temos este, muito bom, alentejano e mais este, que é também excelente, é de trás da orelha, é de Trás-os-montes e temos também este, para os apreciadores, que tem parte de azeite, parte de óleo de colza e o resto é basicamente gasóleo industrial...

Ladrões de bicicleta.

Literalmente. Conta o jornal que foi de bicicleta, que dois homens chegaram e partiram depois de assaltar a loja e levar a caixa registadora. Tudo se passou nos arredores de Sintra. Enfim, consta que tiveram de fugir a pé, já que o povo cá fora os impediu de voltar a montar nas bicicletas. Acabaram, entretanto, por ser apanhados pela policia. Estavam armados. Uma faca e uma pistola. E a máquina registadora com 100 euros lá dentro . A policia apanhou um dos assaltantes e apreendeu as duas bicicletas. A notícia não diz se as bicicletas eram também roubadas. É que, nestes casos e segundo os relatos mais recentes, é esse o procedimento habitual. Rouba-se um carro de alta cilindrada – pelo método de carjacking - e parte-se depois em alta velocidade, a roubar caixas de supermercado, caixas de gasolineiras, caixas de Multibanco. Enfim, aqui foi tudo mais em pequenito. De bicicleta com fuga a pé de registadora às costas para roubar 100 euros. Ou pelo menos para tentar roubar 100 euros. Em pequenino e em trapalhão. Em azeiteiro, portanto. Como se costuma dizer...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

É o título e manchete do Diário de Notícias:”Pensões acima de 611 euros perdem poder de compra.”

Passemos adiante a questão de perceber que poder de compra sobra, aos que recebem menos de 611 euros de pensão. Fiquemos só na chamada de capa do DN, que diz que os reformados, que recebem entre os tais 611 euros de pensão e os 2445, vão receber um aumento de 2,4% - inferior à inflacção prevista, que é 2,5 - e daí o dizer-se que vão perder poder de compra.

Os que recebem até 4889 euros serão aumentados em 2,15%... um pouco menos, portanto.

E os outros?! Perguntar-se-à… Pois os outros, diz o jornal, receberão aumento zero. Ou seja, não recebem aumento nenhum. Falta só esclarecer – talvez e se quisermos ser ingénuos – falta só saber de que outros estamos a falar... Dos que recebem mais de 5 mil euros de pensão? Ou dos que recebem menos de 600 euros?

O Público é mais discreto. Diz assim: “Professores fazem música de louvor ao Magalhães e colocam-nas no Youtube.”

O 24 Horas, esse faz a festa logo na capa: “Professores ridicularizados por causa do Magalhães.” O Magalhães, claro que é o computador. Em antetítulo à manchete, o 24 explica que a acção de formação pôs os docentes a cantar e a dançar canções de propaganda ao computador.

Regressemos ao Público. Foram 850, entre professores e coordenadores de Tecnologias de Educação e Informação, os convocados para essa tal Acção de Formação que decorreu, durante dois dias e pelo pais fora. Um dos professores terá filmado com o telemóvel, uma dessas acções e colocou as imagens na Internet. Dentro do contexto, pode dizer-se que está a ser um sucesso.

Vamos aos factos, tal como os relata o jornal.

Foi nos dias 25 e 26 de Setembro que 200 professores se reuniram, no caso descrito por este professor, em Cantanhede para a tal acção de formação. Acontece que lhes foi entretanto pedido que inventassem uma canção que falasse do Magalhães. Desde o Malhão do Magalhães, até a versões adaptadas de outras cantigas conhecidas, como a Grândola de José Afonso… e com coreografia. Com encenação dramática. Por exemplo, a Grândola… no filme que corre na Net podem ver-se os professores sentados numa escada, fingindo que remam, enquanto cantam qualquer coisa como: “um PC de encantar, que já não há volta a dar, veio para ficar...” Ou então, com outra música também conhecida, mas que para o caso pouco interessa, e onde se cantava que – subentende-se o Magalhães – “a trabalhar é um desembaraço, para nós foi uma alegria, para dar mais um passo , com esta nova tecnologia…” Diz o professor, que teve de sair a meio, farto do que chamou um “circo ridículo”. Queixa-se ainda de que os formadores nem português falavam, tirando um deles, que era brasileiro. Foi preciso um intérprete. Os formadores, no caso, eram 3 senhoras, que vieram dos Estados Unidos, da INTEL, a empresa que fabrica e vende o Magalhães em bruto e aos bocados.

Ora, um responsável português da INTEL disse ao Público, que as 3 senhoras são professoras "especialistas na utilização das novas tecnologias na sala de aula e no método colaborativo". Diz que foi pedido aos participantes que entrassem num jogo, que pode ser desenvolvido nas salas de aula, por crianças de 6 , ou 10 anos...

O sindicato dos professores não se manifesta por enquanto, porque diz que não tem nenhuma denúncia do caso. Já o Ministério da Educação terá prometido ao 24 horas e consta que depois de muita insistência uma reacção da parte do Plano Tecnológico. Uma reacção que ainda não terá chegado à redacção do jornal, pelo menos, não até à hora do fecho da edição. Não chegou ao 24 , mas chegou ao Público e a resposta foi que, para os professores, estas acções de formação constituíram uma “mais valia”.

Ora, pois se não mais valia... Oh Sócrates, atina, pá!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

População reclama mais médicos. É assim que o Correio da Manhã dá o alerta, em título à notícia que vem de Alpiarça, com carimbo de urgência.

Há já mesmo um abaixo assinado a correr na povoação reclamando melhores condições de assistência no Centro de Saúde local. O Correio da Manhã diz que a população de Alpiarça está a constituir uma comissão de utentes. Mais médicos e melhores condições de atendimento é o que se reclama.

E o jornal dá depois exemplos e relata episódios avulsos que ilustram o ponto da situação.

Do doente cardíaco que terá tido de se deslocar às Urgências de Santarém, com um princípio de enfarte, depois do médico do Centro de Saúde lhe ter negado assistência. Conta-se também que um outro doente terá esperado 8 horas por uma receita médica que no fim acabou por lhe ser negada. Não a receita, mas a própria consulta. Neste caso, adianta o jornal, quando pediu o Livro de Reclamações ter-lhe-ão respondido que se não estava contente com o serviço que subscrevesse o abaixo assinado que corre pela vila. Isto é o que conta o Correio da Manhã que garante que quando tentou conferir o ponto da situação com os responsáveis do Centro de Saúde lhe terá sido respondido que o director está de férias e só volta para a semana. Diz que também a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo se terá escusado a comentar a situação do Centro de Saúde Alpiarça.


Outra história que hoje corre pelos matutinos é a da saída de 12 médicos do Instituo da Droga e da Toxicodependência.

Segundo o Diário de Notícias, nos últimos meses houve 32 pedidos de saída, 13 dos quais autorizados e 19 ainda pendentes. O jornal lembra que deu conta do facto na altura e que na altura também José Goulão, presidente do Instituto, terá dito que, a aceitar todos os pedidos de saída, alguns centros de atendimento ficariam inoperacionais.

Bom , hoje a notícia é definitiva. O próprio presidente José Goulão admite aos jornais, que 12 médicos terão já saído mesmo, do Instituto da Droga e da Toxicodependência.

A razão é simples . Tanto José Goulão, como a própria ministra Ana Jorge da Saúde já fizeram questão de esclarecer toda a gente. Os médicos são funcionários públicos e como tal estão a usar a lei da passagem à disponibilidade, que é um direito que têm – disse ontem a ministra. José Goulão diz que são as janelas de oportunidade. José Goulão disse ontem à Agência Lusa, que esses 12 médicos cujos pedidos de saída foram aceites não estão insatisfeitos com nada em especial. O que estão a fazer é a aproveitar a janela de oportunidade da mobilidade especial . Quanto a Ana Jorge, uma vez mais, diz também que estas mudanças não são um desinvestimento , mas um investimento de forma diferente.

Ora nada garante que a mobilidade especial destes 12 médicos os leve eventualmente a Alpiarça, onde já se viu que eles estão em falta.
Do resto é quase uma questão filosófica. Para uns o copo está meio cheio, para outros, meio vazio.


E esta é uma matéria que pontua em todos os jornais, sendo que os títulos deles todos não fogem muito disto: Associação de Bioética defende referendo sobre a eutanásia. É o que escreve o JN. Um referendo sobre a morte medicamente assistida na próxima legislatura e após um período de debate plural e participado. O anúncio foi feito ontem no Porto, pelo presidente da Associação Portuguesa de Bioética.

O Público adianta que a questão a colocar aos portugueses no desejado referendo ainda não está pronta. Sabe-se só que, segundo Rui Nunes, o presidente, a palavra eutanásia não deverá constar do enunciado. Antes, mais qualquer coisa dentro do “concorda ou não com a liberalização ou legalização da morte medicamente assistida”...

O 24 Horas garante por seu lado e entretanto que o modelo defendido pela Associação Portuguesa de Bioética é o holandês. Em sub-título explica-se que os doentes terminais podem pedir a morte medicamente assistida, já os menores e os desencantados – como lhes chama o 24 – esses , não. Para o presidente da Associação de Bioética há que deixar de fora os doentes incapazes de uma decisão, como é o caso dos doentes em estado de coma. De fora também os recém nascidos, as crianças e adolescentes, bem como os deprimidos, ou aqueles que pedem a eutanásia devido a sentimentos de abandono familiar ou exclusão social. Na fotografia que o jornal publica, Rui Nunes garante, entretanto, que os médicos portugueses mostram já uma maior abertura a este tema.

O Correio da Manhã, por seu lado, assegura que a proposta de referendo vai ser apresentada ainda esta semana em S. Bento. Espera-se então que o debate suba a discussão parlamentar na próxima legislatura.

Ora o Diário de Notícias é quem abre o espaço maior na edição de hoje a esta matéria. As centrais. Em letra grande e negra anuncia-se o que já vos tinha dito, que a Associação de Bioética quer referendo à eutanásia.

Continua-se em sub título que a Lei para pôr termo à vida não pode ser decisão do estado.

Em ante-título fala-se de morte a pedido e que é um tema fracturante o que a Associação de Bioética pretende introduzir, ao lançar o debate na sociedade portuguesa. Diz também que para o bastonário da Ordem dos Médicos tudo isto é um redondo disparate – lá pelo corpo da notícia fica-se a perceber que, para o bastonário Pedro Nunes, é um disparate porque “não há necessidade nenhuma de provocar um debate dessa natureza, pois a eutanásia é um debate do passado”. No presente, o bastonário defende e aposta numa boa rede de cuidados paliativos. Pedro Nunes vai mesmo mais longe – vertiginosamente mais longe, diria… diz Pedro Nunes, que é muito perigoso legitimar a eutanásia, pois “mais tarde ou mais cedo, ia levantar-se a questão de se o médico está interessado em tratar o doente, ou em que ele morra o mais depressa possível, para poupar dinheiro ao Estado”. Paremos só um segundo para reler esta afirmação… diria mesmo esta aflição do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes- “mais tarde ou mais cedo...” ( estou a manter as aspas do DN) “...mais tarde ou mais cedo levantar-se-ia a questão de se o médico está interessado em tratar o doente, ou em que ele morra o mais depressa possível para poupar dinheiro ao Estado.”

Já está, adiante!

O Diário de Notícias – já que o assunto há-de subir a apreciação parlamentar – o DN foi também perguntar a alguns deputados o que pensam sobre o assunto. E as respostas são esclarecedoras. Primeiro as perguntas, se bem que para o caso pareça um pouco irrelevante o que se pergunta. Mas vá lá. “Concorda com a realização da eutanásia medicamente assistida?” Segunda pergunta: “concorda que se faça um refendo nacional?…”

Maria de Belém Roseira, do PS, acha que o tema é demasiado complexo para uma resposta tão simples; quanto ao referendo, alerta para o fantasma da abstenção.

Para João Semedo, do Bloco de Esquerda, o problema é a palavra eutanásia. Diz que não concorda. Morte medicamente assistida é outra coisa. Acha bem que se faça uma lei sobre a matéria. Refendo também não, porque a questão envolve direitos individuais.

Teresa Caeiro, do CDS PP, diz que qualquer discussão sobre eutanásia deve ser feita com seriedade. Diz que para isso é preciso resolver todas as opções anteriores. Do referendo diz que os portugueses já mostraram que não têm grande apreço por esse tipo de consultas. Enfim não chega a responder a nenhuma das perguntas, mas concordemos que o faz com alguma elegância.

Agora Carlos Miranda, do PSD. Acha que não é absolutamente indispensável que se recorra ao referendo nesta matéria. E quanto a esta matéria e a título pessoal, diz Carlos Miranda que tende a ser favorável à eutanásia – a palavra não o assusta como ao colega do Bloco de Esquerda, mas há um senão. Para Carlos Miranda, a eutanásia medicamente assistida sim, mas desde que devidamente acompanhada. Que parte da palavra assistida é que o deputado não percebeu?!!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

É um fenómeno que está a aumentar em Portugal, avisa logo o Diário de Notícias, em ante-título. Depois, abrem-se as maiúsculas para dizer que há "900 queixas de assédio moral no trabalho". Assédio moral. Não sexual. Que desse já muito se tem falado. Assédio moral. O que está aqui em causa é o chamado assédio moral. E o que é o assédio moral? Para a Inspecção-geral do Trabalho, assédio moral é um processo de destruição premeditado do indivíduo. Como e por exemplo?... "O trabalhador é colocado a ler um jornal num cubículo e não lhe é distribuído trabalho durante um determinado período de tempo. Há muitas situações que nós detectamos e o número tem aumentado...” – como já repararam estava a citar alguém. No caso, o inspector-geral, Paulo Morgado de Carvalho.

Diz que, nos últimos 3 anos, a Inspecção-geral recebeu mais de 900 queixas e instaurou mais de 200 autos e 150 acções de fiscalização direccionada para estes casos concretos e específicos.

Para o advogado Fausto Leite, especialista em Direito do trabalho, o chamado assédio moral no trabalho “é uma realidade do quotidiano que se agrava em tempos de crise económica e de precariedade e desemprego”. Diz o advogado que, este estratagema das empresas, para se livrarem dos trabalhadores considerados excedentários, afecta 16 milhões de pessoas por essa Europa e 100 mil, só em Portugal. E que os que rondam os 50 anos de idade são os mais afectados. Diz que lida diariamente com situações destas, em que falsos acordos de cessação de serviços escondem despedimentos sumários precedidos, o mais das vezes, por essa tal guerrilha psicológica.

Segundo o Código do Trabalho, assédio moral é “qualquer comportamento que afecte a dignidade do trabalhador, ou crie um ambiente hostil, intimidativo e degradante, humilhante ou desestabilizador”. Diz a experiência e verificação dos factos que, o método mais comum é colocar o trabalhador confinado a uma secretária minimalista sem computador e muitas vezes sem telefone nem nada para fazer, dias a fio, até o vencer pelo cansaço . O Diário de Notícias dá, em coluna aparte, o exemplo de um funcionário a quem terá sido dito que o único lugar que lhe restava naquela empresa era o vão de escada. Foi despromovido do lugar de chefia que ocupava há 11 anos e destacado para uma espécie de degredo, num departamento onde não faz praticamente nada. Diz que aproveita o tempo que lhe sobra para estudar, já que entretanto resolveu acabar um mestrado e prepara-se já para o doutoramento. E tudo isto terá acontecido porque – e isto, consta que aconteceu há já 17 anos… há 17 anos portanto que foi o que, em gíria se chama ser posto na prateleira… e aconteceu, dizia, porque se terá recusado a aceitar a rescisão proposta pelo patrão. Na altura, este funcionário que o DN puxa para exemplo , era o director financeiro da empresa.

Ora, o jornal diz que há 17 anos que , apesar do alegado assédio moral, este trabalhador se mantém em funções. É o que se depreende do título: “Há 17 anos metido na prateleira.” O que, a ser verdade, façamos as contas... Foi director financeiro durante 11 anos e está na prateleira há 17… contas feitas, quem estará a fazer a vida negra a quem, neste momento e ao fim destes anos todos.

E a crise! Diz o JN que a crise pode levar mais publicidade ao horário nobre inglês.

A crise financeira afecta também o mercado das comunicações, explica o jornal. E por isso, em Inglaterra os operadores de televisão estão a pensar em carregar no peso da publicidade durante os horários chamados nobres de emissão. Ou seja, passar dos actuais 8 minutos por hora, para 12 minutos por hora. Pelas contas feitas isso dará um lucro acrescido de 120 milhões de libras, ou seja , mais de 150 milhões de euros, por ano. Segundo as novas regras, as televisões passam a poder emitir uma hora de publicidade, ao todo e no período entre as 6 da tarde e as 11 da noite. Acontece que, no cômputo geral, o peso da publicidade mantém-se igual ao fim das 24 horas, o que se vai fazer é concentrar a publicidade nos horários de maior audiência.

Esta é a ideia. Esta é a solução das televisões inglesas para vencer a crise económica e financeira que as ameaça.

Já vimos que as alterações podem render mais de 150 milhões de euros ao ano.

O que falta conferir é , desde quando a nobreza de qualquer coisa se mede e pesa e avalia desta forma original… ou seja, por que carga de água se chama horário nobre ao período em que mais gente se encontra concentrada, parada, pasmada a olhar para um ecrã de televisão... Que nobreza pode haver numa atitude dessas?! Uma nobreza catatónica? Ah! Essa...