terça-feira, 20 de maio de 2008

“Os hamburgers fizeram a fama da McDonalds e os seus produtos têm o mesmo sabor em qualquer continente.” Começa bem, a notícia do 24 Horas!
Sabem todos ao mesmo, seja qual for a latitude e a qualidade e gosto das carnes autóctones de cada país, ou região. Prodigioso, no mínimo.
Mas menti-vos. Menti, porque o lead da notícia não é esse. Diz assim, a manchete: “Sai um McTuga.”
E porquê? Porque, diz o jornal, depois do sucesso, ou melhor, aproveitando o sucesso das sopas e o Euro 2008, a McDonalds decidiu criar uma série de novos produtos, exclusivamente a partir da gastronomia nacional.
Para começar fala-se em 3 sanduíches, preparadas exclusivamente com produtos tradicionais portugueses. Não se sabe ainda quais, que o segredo sempre foi a alma do negócio. Desde a especulação na bolsa até às sandes de torresmos, ao que parece.
O que se sabe é que as novidades devem sair para o mercado já a 2 de Junho e serão baptizadas com o nome genérico de “Portugal.” Fonte da empresa adiantou ao jornal, que foram feitos estudos de mercado, para saber qual a preferência dos consumidores. O jornal especula sobre se as sandes serão de choco frito, ou queijo e marmelada, ou de pataniscas de bacalhau… Seja como for, fica a expectativa… respeitando a lógica e a tradição da McDonalds, será que as pataniscas, o queijo com marmelada, os torresmos, as sandes de leitão da Bairrada vão saber mesmo ao que dizem, ou acabam todos a saber a carne de vaca texana?
E, por outro lado, se a iniciativa for mesmo às raízes da gastronomia portuguesa, será que Bruxelas, ou a lusa ASAE vão fechar os olhos à entremeada no pão, e à tripa enfarinhada?... Enfim, pode-se sempre alegar que a iniciativa é de uma empresa estrangeira e aí invocar a não ingerência, em assuntos externos ao País.

Depois, logo aqui ao lado, na página direita abre-se a fotografia. No meio de uma assistência variada e jovem, duas personagens se erguem empunhando o que poderia ser uma trompa alpina, ou um djiridu australiano… mas não. O que a fotografia ilustra são dois jovens fazendo que fumam dois gigantescos cigarros. Dois gigantescos cigarros de marijuana. E depois o título: “Porta quase aberta para a cannabis.”
E isto porque, explica-se em ante-título – “os especialistas portugueses admitem o uso da cannabis como medicamento.” Explica-se depois, que a investigação vem da Catalunha e há especialistas portugueses, que admitem ser uma solução a ter em conta. A do uso da cannabis como medicamento. A experiência espanhola deu resultados animadores no tratamento de doentes com esclerose múltipla e nos efeitos secundários da quimioterapia. Resultados também a nível analgésico. Em Portugal já se fez uma experiência idêntica, com um medicamento feito a partir da cannabis, para controlar a dor, mas consta que teve pouca saída. Foi por isso retirado de circulação, diz o jornal.
A Associação Nacional de Esclerose Múltipla diz que não está provado que a cannabis seja eficaz e relembra que a morfina é ainda o método mais eficiente para combater a dor e é mais barata, desde que não comprada no mercado negro. O que de tão óbvio escusava de ser referido. Aliás, ninguém espera que, se a hipótese da cannabis fosse avante, os médicos e os hospitais a fossem comprar ao Casal Ventoso!
Agora o que espanta e quase desilude é esta manchete.
Porque, no corpo da notícia e com sublinhado do próprio jornal, se cita João Goulão, o responsável pelo Instituto das Drogas, que diz que o que "só não quer é que, à boleia da abertura à utilização clínica, se abra passo ao consumo lúdico da droga.” Isto foi o que disse João Goulão. Os outros especialistas na matéria reconheceram que há potenciais benefícios no uso da planta com fins terapêuticos e admitem vir a usá-la como novo medicamento… Mas o jornal preferiu puxar para manchete essa frase demolidora: “Portas quase abertas para a cannabis”… o que seria uma boa entrada, se a fotografia não mostrasse os tais jovens a fumar um cigarro gigante de faz de conta que cannabis!
Porque não é para isso que as portas estão quase abertas. Não é essa a ideia. Não foi esse o susto maior revelado pelos médicos e especialistas entrevistados. Não é para isso que as portas estão quase abertas, quanto mais não seja porque, para isso, quando as portas se fecham, a rapaziada entra pela janela…
Enfim, não é essa a notícia.

É actual e vem no Diário de Notícias.
Vão faltar médicos em Portugal dentro de 4 anos. É um alerta, é um alarme?... É o mais certo, diz o jornal, que explica que Portugal não está a formar médicos suficientes para responder a todas as solicitações, tanto nos hospitais públicos, como nos privados. E tanto mais que, continua o DN, até 2009, o ano que vem, portanto, vão abrir portas mais umas 20, ou 25 unidades privadas de saúde. Isso vai realçar o problema.
Os dois sistemas estão cada vez mais em concorrência aberta no mercado da saúde…
O jornal publica o índice das vantagens e desvantagens de ambos… O público tem um corpo de médicos experiente em várias especialidades. Tem equipamento topo de gama, tem urgências adaptadas a todo o tipo de situação. Tem o serviço gratuito ou quase e tem uma cobertura alargada a todo o território. Ter, tem. O problema aqui não é esse. O problema aqui é que o próprio Sindicato Independente dos Médicos acha que a solução para o interior do País é abrir vagas e obrigar os médicos a cumprir serviços mínimos nessas unidades.
No particular é a rapidez a palavra de ordem. Rapidez na marcação de consultas, rapidez na marcação de cirurgias, instalações modernas atendimento personalizado – parece um SPA… E, se não há listas de espera, também não há resposta para algumas situações de urgência e – falando de urgências – esse é um serviço onde os privados têm menos treino e capacidade de resposta.
Portanto e voltando ao título… vão faltar médicos em Portugal daqui a 4 anos.
Pois a verdade é que já estão a faltar médicos em Portugal … no Interior pelo menos há quem diga que só à força é que eles lá vão… os médicos.
Depois, o facto de se anunciar a abertura de mais uma vintena de hospitais privados não vai realçar coisa nenhuma, como diz o jornal. Citemos: “até 2009, mais 20 a 25 unidades de saúde privadas vão abrir portas, realçando esta realidade …”A de Portugal estar em défice de novos médicos. É que, nesses novos hospitais privados, o défice muito dificilmente se irá sentir, quase de certeza…
Resumindo e concluindo. Não vão faltar médicos em Portugal dentro de 4 anos. Já faltam. Pelo menos onde são mais precisos. Nas terras onde há menos oferta, onde os privados não acham interessante investir, onde tudo fica mais longe de tudo…
Não faltam médicos em Portugal; estão é mal distribuídos… ia a dizer mal habituados… o que era obviamente um lapso, espero que perdoável, tendo em conta a invernia que vai lá fora…

E adiante.
No DN ainda, a páginas 17, surge Cavaco Silva a pedir aos portugueses que superem a descrença.
Foi ontem, entrevistado na Escola Superior de Comunicação de Benfica em Lisboa.
Cavaco disse que esta fase da economia pode criar um certo sentimento de descrença nos portugueses, mas que não nos podemos resignar, nem desistir…
Pois não e haja saúde!

domingo, 18 de maio de 2008




e então...


uma vez mais...



o fim de semana!



ah, o fim de semana, o fim de semana...
o fim de semana, a mim, é p'ra descansar!



sexta-feira, 16 de maio de 2008




George Bush esteve ontem no parlamento israelita, a discursar durante as celebrações do aniversário do Estado de Israel.
Estava na agenda da visita oficial. Agora, o que disse é que talvez não estivesse na agenda de ninguém; pelo menos na dos deputados árabes israelitas e os palestinianos em geral. Esperavam que o amigo americano pudesse servir de alguma forma como mediador entre os irmãos desavindos, árabes e israelitas, mas, o que o presidente disse acabou por desiludir a nação árabe.
Bush terá invocado a promessa de Deus – de Jeová, presume-se – de uma pátria ao povo eleito de Israel – os israelitas judeus, presume-se, uma vez mais… e fez um juramento, George Walker Bush – passemos à citação: “A América estará ao vosso lado…” – isto é Bush a dirigir-se aos deputados judeus israelitas no Knesset de Jerusalém… “a América estará ao vosso lado para destruir as redes terroristas e privar os extremistas dos seus santuários.”
Continuou dizendo, que a população de Israel é de 7 milhões mas, quando enfrentar o terror e o mal, passará os 300 milhões, já que toda a América se levantará para combater ao lado dos filhos de David.
Quem se levantou e saiu da sala, entretanto, foram os filhos de Alá, os deputados árabes israelitas.

Mas, de regresso a casa… no caso a casa de Bush, os Estados Unidos, ficamos a saber que Washington acaba de reconhecer o perigo e classificar o urso polar como espécie ameaçada…
Espécie ameaçada e como tal a exigir protecção especial. Foi isso que o secretário americano do Interior anunciou, em comunicado oficial. Oficial também e entretanto é a intenção norte americana de continuar a explorar o petróleo no Ártico. Habitat natural do urso, que agora se quer proteger.
O ano passado, a plataforma glaciar ártica perdeu 39% do gelo, em relação aos valores médios registados entre 79 e 2000. A plataforma glaciar ártica, para além de habitat natural do urso polar, é também o território de caça que lhe assegura a sobrevivência… O sobreaquecimento provocado pela emissão de gases com efeito de estufa está literalmente a tirar-lhes o chão de debaixo dos pés.
É a primeira vez que uma espécie entra na lista negra por efeito directo e comprovado das alterações climáticas.
Acontece que, para a administração norte americana, o problema há de ser visto e combatido em duas frentes distintas. A ver: para o secretário de Interior, a protecção da espécie não pode ser confundida com a luta contra o aquecimento global. Ou seja, citemos – “listar o urso polar como espécie ameaçado pode reduzir a perda de animais, mas não deve abrir a porta à utilização abusiva da lei, para reduzir as emissões de gases, com efeito de estufa de automóveis, centrais eléctricas e outras fontes.”
Dificilmente se poderia estar mais de acordo. Nem os ursos polares, nem ninguém ao cimo deste planeta em banho-maria pode, ou deve abrir a porta à utilização abusiva da lei… seja ela qual for. Quanto aos ursos… que lhes aproveite a informação. Acaba de lhes ser reconhecido o estatuto de espécie ameaçada. Se desaparecerem da face da Terra, pelo menos sabem porque é que foi. Limitaram-se a cumprir o seu próprio destino.
Claro que em rigor e boa verdade, pode-se sempre perguntar que falta realmente podem fazer os ursos polares, fora dos Jardins Zoológicos, e para além da própria família ou vizinhos mais chegados?!... Controlar a explosão demográfica das focas nos mares do Ártico?!... Talvez. Agora, a verdade é que, no dia em que o último urso polar desaparecer da face da terra, é bom que comecemos a fazer a malinha, que nunca se sabe quem será o cavalheiro que se segue. E mais que isso, quando esse dia chegar, quem decide os que merecem ser salvos? Quem decide quem é filho de Deus e quem deve ser perseguido até ao santus santorum do seu próprio fado. Quem nos diz qual a espécie protegida?...


A nota é breve, mas é oficial. Bruto da Costa, presidente do Conselho Económico e Social, diz que entre 1995 e 2000 metade das famílias portuguesas viveu em estado que se pode classificar de pobreza.
A publicação do estudo e respectivas conclusões está prevista para o mês que vem. E diz que metade das famílias observadas nesse período de 5 anos, 48% delas, foi pobre. Ou seja, sofreu privações devido à falta de recursos. 48% das famílias observadas, o que dá uns 20% da população nacional. Sempre é menos, mas não menos tranquilizador.
E menos tranquilizador ainda se atentarmos que, destes pobres, só 10% está desempregado. 35% trabalha, tem emprego. O que, para Bruto da Costa, só revela uma coisa: que “os políticos não sabem nada de pobreza e estudam muito pouco.”
Relembra ainda um célebre estudo europeu de 2002, onde se verificou que um terço dos portugueses atribuía a pobreza à preguiça. Se fosse verdade, diz Bruto da Costa, estaríamos perante um problema mais de saúde pública, com 2 milhões de portugueses preguiçosos. Em resumo, Bruto da Costa aposta na qualificação profissional e no ensino, como forma de vencer a pobreza.

E vamos lá então até à semana académica de Faro!
Só por um pequeno pormenor, que se despacha já num instante. A polícia fez uma rusga entre os alegres foliões, que se concentraram no, assim chamado, País das Maravilhas… uma espécie de “Queimódromo” algarvio dos académicos de Faro. Fez a rusga e notificou uns quantos consumidores de hashish.. Foram apanhados em flagrante posse e consumo e vão ter de se apresentar na Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência… Até aqui, tudo mais ou menos normal. Até aqui. Que aqui chegados, tropeçamos nas afirmações que o presidente da Associação Académica deixou ao Correio da Manhã. Diz então Pedro Barros, que é normal o consumo de hashish e afins num local visitado por tanta gente, mas fez questão de deixar bem claro, que os notificados não pertencem à comunidade estudantil… Ora aí está uma afirmação absolutamente desnecessária, para dizer o mínimo. Que mais que isso, já nos levava para o campo do corporativismo serôdio. E isso é coisa que não queremos, pois não, meninos?

Papoilas. Papoilas brancas e opiáceas, foi o que a polícia descobriu num canteiro do jardim da rua das Águas, em S. João da Madeira. Os moradores nem sabiam o que aquilo era. Era bonito e isso chegava. Chegava para as arrancar e levar para casa para enfeitar as jarras …
Mas agora já sabem. Depois que a policia fez os testes laboratoriais e chegou à conclusão que são mesmo papoilas opiáceas, já todo o povo de S. João da Madeira sabe que, a partir daquelas papoilas, se pode extrair e produzir ópio. E, agora que sabem, já toda a gente diz que se soubesse antes, nunca as teria arrancado para levar para casa, antes as teria arrancado, não um punhado para enfeitar as jarras, mas todas por junto e atacado, para mandar para o lixo.
Talvez alguém pudesse explicar entretanto que as papoilas, se ninguém as manipular convenientemente, não dão ópio sozinhas! Consta que, só mesmo em grande concentração de plantas, o aroma exalado pode eventualmente provocar alguma sonolência, ou torpor estupefaciente. De resto, se formos a arrancar pela raiz e mandar para o lixo tudo o que é erva bravia, que cresce por aí nos baldios e que tem propriedades estupefacientes, ou alucinógenas… ficaríamos talvez com os baldios e matas nacionais muito mais limpos, mas também muito mais desflorestados.
Mas, como dizia Bruto da Costa, a pobreza não é só falta de dinheiro. Longe disso.

E no meio de tudo isto continua a guerra surda entre editores e livreiros, alegadamente por causa dos pavilhões a construir e utilizar na Feira do Livro de Lisboa.
Consta que a APEL está contra os módulos propostos pelo grupo editorial Leya.
O grupo Leya diz que, os pavilhões que escolheu, pouco diferem dos que habitualmente habitam o parque Eduardo 7º, por esta altura. Consta que serão abertos, de forma a permitir a circulação dos clientes por entre os livros e os expositores…
A APEL faz questão em que todos os participantes da feira usem pavilhões idênticos, mas que, mesmo assim, está aberta ao diálogo. Sendo que o problema… continua a APEL, através da voz do presidente Batista Lopes, citado, por exemplo, pelo 24 Horas… sendo que, diz Batista Lopes da APEL, o problema é que “há sempre muita coisa a ter em conta, como a arquitectura.”
Em nome da Câmara Municipal, António Costa já disse que não está disposto a continuar a financiar uma feira que se torna num palco de guerras comerciais. Não está em causa a autorização para que a Feira se realize, mas assim não. Assim, a Câmara poderá vir a retirar o financiamento.
Ora portanto, pelo menos para a APEL, o problema prende-se com a arquitectura.
Fica por saber que apego tão particular poderá alguém ter àquelas barracas velhas e sem conforto, nem para visitantes, nem para vendedores!...
Fica por saber, qual a vantagem de uma feira cujos pavilhões, ou expositores, ou barraquinhas se parecem mais com mini casernas da tropa alinhadas na parada, todas iguais, velhas e sujas como o mais deprimente bairro social…?!

quinta-feira, 15 de maio de 2008


E nuns já deixou, noutros diz que vai deixar. José Sócrates volta a merecer chamada de capa em todos os jornais, esta manhã.
Sócrates jura que vai largar o vício do tabaco – escreve o 24 Horas, em título à fotografia, tipo passe, onde o primeiro-ministro aparece, com ar distraído… coçando um olho. No caso, o olho direito.
No Público, sem fotografia, Sócrates pede desculpa por ter fumado no avião, que o levou em visita de Estado à Venezuela…
No Jornal de Notícias, Sócrates pede desculpa e diz que vai deixar de fumar. Aqui, na fotografia, Sócrates aparece ao lado de Hugo Chavez, acenando para os fotógrafos. A foto foi tirada durante a visita ao campo petrolífero do Orinoco. Dizem os jornais – só p'ra fazerem ideia – que o chão do recinto foi regado com gasóleo, para fazer assentar a poeira. Na Venezuela a gasolina custa 3 cêntimos, o litro. Mais barata que a água.
O mesmo, ou quase, faz a capa do Correio da Manhã, sendo que aqui, o destaque e a fotografia, são bem mais pequenos e discretos, na capa do jornal…
No Diário de Notícias, a foto ocupa a mancha central da capa. Sócrates, visivelmente satisfeito, dá uma cabeçada numa bola, perante o olhar curioso da assistência. Na legenda não se explica grande coisa quanto ao conteúdo da própria fotografia, em vez disso explica-se que “a polémica leva Sócrates a prometer deixar de fumar.”
Nem 8 nem 80, como se costuma dizer. Ou se quisermos, não haveria necessidade de ir tão longe, nem prometer medidas tão drásticas e radicais. Bastaria que o primeiro-ministro se comprometesse a não fumar em transportes públicos e recintos públicos fechados, que é o que a lei manda.
Na última do Público, o cronista Miguel Gaspar diz que a democracia portuguesa cresceu um bocadinho, com o pedido de desculpas de Sócrates…
Os comunistas e os bloquistas de esquerda insistem que o primeiro-ministro deveria pagar a multa, que a lei prevê para estes casos…
Ainda no Público, outro cronista, no caso, Constança Cunha e Sá fala em impunidades e lamenta que a visita oficial à Venezuela tenha, de súbito, ficado reduzida a um maço de tabaco… E diz ainda que, o que transparece neste episódio é a nossa lusitana subserviência por quem manda, o desprezo pela lei que nos caracteriza, os habilidosos artifícios que inventamos e a terna cumplicidade em que vivemos…
Só para encerrar o dossier Sócrates e os cigarros… O 24 Horas publica uma fina coluna com algumas dicas, conselhos e possíveis soluções para o êxito dessa empresa. São então, sugestões para o primeiro-ministro deixar de fumar. Umas mais eficientes que outras, mas todas com provas dadas na matéria. Desde as pastilhas de nicotina, à acupunctura, a hipnose, o aconselhamento individual… Ora, era bem bom, que o jornal tivesse também resposta pronta para algumas outras promessas que o primeiro ministro foi fazendo ao país, ao longo destes 3 anos, que leva de mandato… Pastilhas para conter a subida dos impostos. Hipnose para criar os tais 150 mil novos postos de trabalho. Mas, já agora, trabalho que as pessoas aceitem e lhes seja útil, que, criar empregos que, de tão mal pagos, ou de tão precários, ninguém lhes pega, é quase como chover no molhado, por isso adiante… Adiante, que ainda falta, por exemplo, a acupunctura para prevenir os incêndios florestais…
Quanto a Sócrates, prometeu que ia deixar de fumar.
José Sócrates, ou o primeiro-ministro?! E isto é importante que se esclareça. Quem é que prometeu que ia deixar de fumar? José Sócrates, ou o primeiro-ministro? É que não faltará - algum cidadão mais céptico e – quiçá - mal formado… que queira saber, se foi o primeiro ministro quem prometeu que ia deixar de fumar… É que se foi…aí… enfim… a ver… A conjuntura internacional está difícil… e um objectivo, é como se costuma dizer… um objectivo é um objectivo.

Outras contas. Surpreendentes, estas. Sabem quantas fotocópias está o ministério da Justiça a pensar tirar nos próximos quatro anos?... Pergunta estranha?! Será. Mas sabem, ou não?...
Bom, também não sei, mas é coisa para custar mais de 2 milhões de euros.
Enfim, a informação poderá ser digna de Almanaque de curiosidades. Agora o curioso mesmo é que o ministério… aliás, o Governo vai lançar um concurso público para contratar externamente serviços de impressão e fotocópias para o ministério da Justiça. Um contracto por 48 meses, com um tecto máximo de despesa de 2 milhões e 100 mil euros. Serviços externos de impressão e fotocópia… Quer dizer que as mandam fazer fora, ou terão funcionários externos ao ministério, especialmente destacados e em exclusivo para tirar fotocópias?

E do mundo vem a notícia do bloqueio, no apoio às vítimas do ciclone Nargis, pela junta militar birmanesa. O protesto saiu à rua em Hong Kong. Os manifestantes percorreram várias ruas da cidade, até se concentrarem frente à Embaixada da Birmânia. E a fotografia. A fotografia de um manifestante segurando, ele também, uma fotografia. No caso, a foto de um general da Junta Militar, que governa o país. O rosto do manifestante está meio oculto pela fotografia do general.
Acontece que a fotografia, em tons cinza/sépia, está cruzada na diagonal por dois riscos de caneta. Ou talvez tenha sido um lápis grosso e negro, o que traçou essa cruz de santo André sobre a cara do general. Sem palavras, sem gritaria. Tão simples e definitivo quanto isso. Dois riscos em cruz. Sem legenda, nem perdão.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Duas breves: O Pentágono retirou as acusações a Muhamad al-Qahtani, suspeito de envolvimento nos ataques do 11 de Setembro e detido e torturado em Guantanamo, diz o Correio da Manhã. O que o jornal não diz, porque não sabe, é o que levou Washington a retirar al-Qahtani da lista negra do terrorismo. Era o 20º da lista. Agora já nem suspeito é.

Em Inglaterra e quase por acaso descobriram-se os restos mortais de dois bebés em caixas de brinquedos. Têm mais de 50 anos e a policia diz que as caixas foram confundidas durante muito tempo, como se guardassem enfeites de natal, até que, durante umas limpezas, se descobriu o que realmente continham…

E o Vaticano diz que podem haver extraterrestres, que em boa hora se terão livrado desta cruz… a do pecado.
O director do Observatório do Vaticano, em Castel Gandolfo, disse ao Osservatore, o Romano, que a existência de Deus não é incompatível com a existência de seres vivos e inteligentes fora da Terra, ou seja, extraterrestres, mesmo. Sendo que neste caso, o astrónomo alega que esses extraterrestres terão sido poupados à vergonha do pecado original.
Sendo Deus o criador do Universo, o padre astrónomo não se choca com a hipótese de Deus ter espalhado a sua obra por outros mundos, que não só este em que habitamos. Para já não há provas físicas que assim tenha sido, mas, no campo das hipóteses e não só teológicas, ou metafísicas, o padre astrónomo acredita que sim … que, assim como há uma enorme variedade de criaturas sobre a Terra, também é de admitir a existência de outros seres, igualmente inteligentes, criados por Deus, noutros planetas. O padre sugere mesmo que tomemos o exemplo de S. Francisco de Assis e passemos a referir essas criaturas, como o monge fazia com os animais e as pedras… tratá-los por irmãos e irmãs… o irmão extraterrestre, portanto.
Tudo isto está quase a fazer sentido, se perdoarmos, nós outros pecadores renitentes, o facto de nos ter sido ocultada, durante estes 20 séculos de evangelização, a existência de outros filhos de Deus, habitando outros Édenes. É no mínimo estranho, que a própria Bíblia nunca o tenha referido de forma sequer insinuada, aos leitores vulgares, ou mesmo aos estudiosos dos livros sagrados!...
A notícia não conta em que factos, observações, ou estudos se baseia o padre astrónomo, para chegar a esta conclusão. Para José Gabriel Funes, padre jesuíta, já agora fica a identificação da personagem… Gabriel Funes deixa tudo no campo da hipótese académica. Da especulação filosófica. Coisa que, como se sabe, é relativamente pouco compatível com a ciência, se bem que seja sempre um excelente ponto de partida…
Agora o pecado, que isso sim é matéria do ofício do padre jesuíta... Pois diz então que esses alienígenas estarão isentos do pecado original! E que por isso mesmo estão isentos de Redenção. Diz o padre que talvez tenham ficado em paz com o Criador. Numa relação de amizade, sem sombra de pecado. O original, entenda-se.
O padre não explica, nem o poderia fazer para já, se os tais habitantes isentos de pecado original não terão entretanto, por conta própria, cometido outros pecados, talvez menos originais, mas condenáveis na mesma… Pelo menos à luz da lei de Deus.
Ou não. Que o padre põe também a hipótese de afinal esses seres terem, sim senhor, caído em tentação. Ou melhor, serem filhos do mesmo Adão e da mesma Eva, que Deus expulsou do Paraíso. Sendo esse o caso e à falta de registos que autentiquem a presença, ou influência do Deus cristão nesse planeta, que não lhes dê cuidado, aos nossos irmãos extraterrestres, que a incarnação e calvário de Cristo na Terra também serve para os salvar, ou redimir dos pecados.
E talvez o pecado maior seja afinal só este: precisarmos de acreditar que há umas criaturas reais, gente como nós, não anjos nem querubins, nem santos nem mártires visionários, mas gente real, gente comum, gente de todos os dias, seres fisicamente reais, que eventualmente vivem sem pecado e na graça de Deus e que nos deviam envergonhar a todos, pelo mau exemplo de que somos prova viva.
Como se a fé, só, já não bastasse.

“Lei do tabaco não é cumprida nos voos oficiais de Sócrates e Cavaco” – diz o Público, a toda a largura da manchete.
Depois, em sub título: que os constitucionalistas e os partidos condenam, enquanto a TAP diz que estes são casos normais.
Jorge Miranda e Vital Moreira, os constitucionalistas citados pelo jornal, terão dito que José Sócrates terá dado um mau exemplo à Nação, ao ter fumado a bordo do avião que o levou à Venezuela. Diz a notícia que o primeiro-ministro e o da economia se terão refugiado por detrás de uma cortina, para fumar o tal cigarrito criminoso. Diz também que no início do vôo foi projectado um pequeno filme, que alertava para a proibição de fumar a bordo. A companhia esclarece, que o filme é costume passar em todos os vôos e neste, em particular, o que aconteceu foi que não houve tempo para alterar o “alinhamento” – chamemos assim – o alinhamento normal das operações a bordo. Que de resto – e tratando-se de um voo fretado para uma viagem especial – fumar a bordo é tão normal como pedir uma refeição especial, à margem do menu. E, aparentemente, a questão estaria esclarecida e arrumada, não fosse Portugal um país onde, felizmente, pouco mais há com que nos preocupemos do que os cigarritos que o primeiro-ministro fuma às escondidas. Graças a Deus!

Que do resto e no que à lei diz respeito… podemos ficar descansados que ele há quem zele por ela e a faça respeitar, à letra, à sílaba, à mais pequena inflexão semântica.
O tribunal da Relação do Porto acaba de condenar a 6 anos e meio de prisão, o homem que, durante 4 anos, violou a filha, menor à altura dos factos. Aliás, as violações só terminaram quando a jovem chegou aos 17 anos e abandonou a casa do pai. Durante o julgamento o homem negou todas as acusações, mas o tribunal conseguiu provar que houve de facto – e aqui é que a fineza da interpretação não deixa margem para dúvidas, se bem que abra caminho a umas quantas perplexidades… diz assim: ficou provado que “o arguido cometeu um crime de abuso sexual de criança agravado”. Deixou-se cair, continua o jornal, a acusação de “crime de abuso sexual de menor dependente”. E isto porque o colectivo de juízes entendeu ter havido “uma única resolução criminosa” – a de “crime continuado de abuso sexual.”
Conseguem distinguir a diferença?! Olhem mais de perto, que talvez consigam.
Sabe-se que os exames médicos revelaram lesões físicas inequívocas na vítima e sabe-se também que tanto o pai, como outros familiares terão dado, em tribunal, uma imagem de leviandade da vítima. Sabe-se também e finalmente que o arguido vai interpor recurso e que até lá fica em liberdade à espera da resposta.

E as crianças. Ainda.
As crianças e a preservação de identidade…
Vem no 24 Horas, que um canal de televisão juntou alguns cantores conhecidos e mais umas quantas figuras públicas e crianças, para gravar uma cantiga que celebra o dia da criança que há-de vir…
Na fotografia que ilustra a notícia vêem-se algumas caras conhecidas… Janita Salomé, Bárbara Guimarães, a jovem ex-Floribela, aliás Luciana Abreu e mais 3 personagens cujos rostos foram ocultados pela tal grelha estratégica, que se usa nestes casos… de ocultação de identidade. No caso são os rostos de 3 das crianças, convidadas para a gravação da cantiga.
E taparam-lhes a cara, como se o assunto em causa fosse qualquer coisa de pecaminoso, degradante e pouco próprio para crianças, a começar pelas próprias, cuja identidade se esconde.
Esperemos que não seja esse o caso!

terça-feira, 13 de maio de 2008

CHANSON DE DIMANCHE

MORTE DE CLEÓPATRA

POR cLAUDETTE cOLBERT

TEMOS, ENTÃO, NOVIDADES!?!!...

o ladrão de bagdad

por sir Douglas Fairbanks

a night in casablanca 1946

harpo marx

segunda-feira, 12 de maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O dom da ubiquidade! Desde sempre me impressionou este estranho dom da ubiquidade. Não que o não chegasse a compreender! Com o tempo… claro que sim. Mas agora o conceito ganha outro significado. Bem mais pragmático.
A ver: diz a breve do DN, que o papa Bento 16 vai enviar mensagens de telemóvel para catequizar os jovens. Para já, os jovens que vão participar, na Austrália, nas Jornadas Mundiais da Juventude. O encontro realiza-se em Julho, em Sidney.
E o Papa tenciona então enviar mensagens diárias. Mensagens religiosas.
O Vaticano diz que esta é uma forma da Igreja chegar às audiências apaixonadas pelas novas tecnologias. Diz ainda que, para além dos SMS, a organização do encontro prevê alargar esta catequese virtual também ao ciberespaço. À Internet. Hão-de ser as Jornadas da Juventude mais inovadoras realizadas até à data. Pelo menos, virtualmente.

E ainda no DN, dá-se conta do achamento daquele que pode ter sido o mítico reino da rainha do Sabá. O achado foi feito na zona de Axum Dungur, na Etiópia.
Era até hoje um dos grandes mistérios da humanidade. Um segredo cheio de lendas, que alimentou relatos mirabolantes e argumentos épicos… Em 1959, Hollywood rendeu-se ao mistério da lenda e King Vidor chegou mesmo a ficcionar a história, no filme “Salomão e a Rainha do Sabá”. Adiante.
A descoberta, do que terá sido o reino de Sabá, foi feita por um grupo de cientistas e arqueólogos alemães. As ruínas do palácio datam-no do século 10º, depois de Cristo… As ruínas foram desenterradas de debaixo das ruínas de um outro palácio, que entretanto lhe foi construído em cima. Enfim, o costume.
Este segundo palácio pertenceria já a um rei cristão. Uma vez mais, o costume.
Este, agora desenterrado do silêncio da História, terá sido mandado construir por Menelik 1º, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão de Jerusalém. Foi Menelik 1º, quem mandou construir o palácio na sua localização definitiva, orientado na direcção da estrela Sirius. Assim mandava o culto. O culto de Sothis, ligado á deusa egípcia Sopdet e à estrela Sirius.
Já desde 99, que esta equipa estuda a história do reino da Etiópia e da igreja ortodoxa etíope.
No palácio descobriu-se o altar onde, rezam as crónicas e a lenda, terá sido depositada a própria Arca da Aliança! O cofre de madeira de acácia, forrado a oiro e, onde, ainda segundo a tradição, se guardavam as Tábuas da Lei. Os dez mandamentos que Deus terá entregue a Moisés, no alto do Monte Sinai. Entregue em mão, dizem os textos sagrados. Que naquela altura ainda não havia telemóveis, nem essa facilidade de catequizar on line, ou mandar dicas por SMS…

quinta-feira, 8 de maio de 2008




Está tudo nos provérbios e há um que diz que só quem está no convento, sabe o que lá vai dentro. Ou seja, cada um sabe de si, apesar de haver quem nem isso saiba. Paciência e adiante.
Saibam então, qual a primeira prioridade de Boris Johnson, à frente da Câmara de Londres. Pois diz o recém-eleito presidente, que a primeira coisa a fazer é acabar com o consumo de bebidas alcoólicas e o transporte ostensivo de garrafas, no metro e nos autocarros. Diz que é uma tentativa de acabar com a delinquência juvenil. Com a criminalidade juvenil – é assim que escreve o Diário de Notícias. Então, pressupõe-se que a medida não abranja eventualmente cidadãos adultos! Esses poderão eventualmente continuar a viajar bêbados de metro ou autocarro, em Londres…
Entretanto, e muito a sério, os trabalhadores dos transportes colectivos já disseram que vai ser bonito, vai. Ou seja, já é difícil muitas vezes actuar em apoio à própria polícia, quanto mais, sozinhos, terem de expulsar dos veículos gente provavelmente embriagada e agressiva!

Ainda no DN, logo ali na página ao lado, a fotografia mostra o que ficou, depois do Nargis ter varrido a Birmânia.
Os jornais falam já em cem mil mortos; falam da ajuda urgente e necessária às populações afectadas e falam, agora também e com alerta, da pilhagem!
O relato vem de um intérprete inglês que, ante ontem de manhã, deu com militares birmaneses pilhando cadáveres. Diz que os viu a despir os corpos dos mortos e a revirar-lhes os bolsos, guardando todo o dinheiro e objectos de valor que encontravam. O alerta e o receio são saber se o mesmo não acontecerá à ajuda humanitária, que o mundo decidir enviar para as vítimas.

Outras guerras. Esteve ontem em Lisboa, não sei se já foi embora… Ian Lesler, especialista norte-americano na matéria. E a matéria é o terrorismo. A matéria do congresso internacional, que termina hoje, na Universidade Nova de Lisboa. "Terrorismo – Desafios e Respostas”, é esse o mote do encontro. E ontem foi então a vez de Ian Lesler tomar a palavra. Ian Lesler trabalha para a fundação German Marshal e veio a Lisboa a convite do Observatório de Segurança e Criminalidade Organizada e Terrorismo – só o nome já assusta. E disse então, o especialista, que a Europa é um alvo prioritário da Al Qaeda.
Diz o Diário de Notícias que o estratega – é assim que lhe chama – sublinhou o facto da Europa acolher grandes comunidades muçulmanas e que tem fronteiras permeáveis e portas meias com as chamadas periferias do extremismo islâmico, ou seja, terá dito mr. Lesler, com o Magreb.
Esperemos todos que o estratega se engane redondamente, mas entretanto ficam só duas pequenas observações de fugida. Não foi na Europa que caíram os aviões, nem as torres gémeas. E Madrid e o 11 de Março e Londres e os autocarros… só aconteceram depois de Washington ter declarado guerra, primeiro aos talibans e depois a Saddam Hussein e ter convencido, para essa missão, alguns parceiros europeus.
De resto, o argumento de na Europa viverem grandes comunidades muçulmanas… Enfim, sabe-se que os atentados suicidas são uma das armas do terrorismo internacional, em particular o extremismo islâmico… mas não exageremos. Que ladrão, com dois dedos de inteligência, se põe a fazer assaltos no bairro onde vive?!


Outras guerras. Vem na capa do Público, com chamada para as páginas interiores, que o Jornal de Angola sugeriu ontem, que o BES – Banco Espírito Santo – tem de ver quem convida – e passamos à citação : “tem de ver quem convida para falar de desenvolvimento sustentado”. Mesmo sem ir às páginas indexadas, percebe-se que esta é a reacção do jornal de Angola às críticas de Bob Geldof ao governo de Luanda.
Curioso, que o que o músico irlandês disse foi, que era o governo de Luanda, que era criminoso e responsável pelas gritantes disparidades sociais e económicas no país. Que me lembre, Bob Geldof não disse que a culpa era do jornal de Angola! O jornal que, pelo meio da prosa, terá chamado a Bob Geldof um espertalhaço malcriado.
Quanto à embaixada angolana em Lisboa, diz o Público, que se considera a hipótese de processar judicialmente o orador.

E entretanto ela move-se.
É capa do Jornal de Negócios: “BIC português abre hoje portas em Portugal.”
Em entrevista ao jornal, Fernando Teles, o presidente do BIC de Angola diz que o Banco tem um espaço de ligação entre os dois países e que no final do 1º trimestre deste ano já representava mais de 30% do movimento cambial de Angola. O ano passado, o Banco movimentou 7 milhões e meio de dólares.
O negócio parece próspero, tanto que Fernando Teles confessa que já se decidiu abrir delegações no Congo e Namíbia e daqui a um par de anos… no Brasil.
Quanto a Angola, o BIC, do grupo Espírito Santo, tem em Angola 91 agências, com cerca de mil trabalhadores e perto de 250 mil clientes, entre privados e empresas. A grande maioria – 227 mil são particulares. Ora aí está! De que se queixam, se até têm dinheiro para pôr no banco?!...

Porque a verdade é que é difícil contentar certas pessoas. Gente exigente. De uma insatisfação quase doentia…
Há que perceber que, por muito negro que seja o cenário, podia sempre ser pior. E essa é uma filosofia desesperada!?... Talvez. Mas é uma filosofia. Por exemplo Josef Fritzl – o diabo austríaco, como lhe chama a revista Visão, em chamada de capa… Josef Fritzl, que há já quem queira dar como inimputável… Enfim, distúrbios mentais terá decerto mas, o caso agora é que Josef Fritzl sai em defesa própria com este argumento demolidor. Diz que não é um monstro, pelo menos não como o pintam e porquê? Porque podia ter sido bem pior. Como? Podia tê-los matado a todos… Incluindo, obviamente a filha, que manteve sequestrada durante 24 anos, enquanto a obrigava a ter 7 filhos dele próprio… Diz então que podia ter sido pior.
Pois podia, mas pior para quem?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"'tá bonito, não 'tá?..."




Ora bem, Bob Geldof, sir Bob Geldof esteve em Lisboa a convite do semanário Expresso e do Banco Espírito Santo. Veio falar de como "Fazer a Diferença" no combate à fome e à discriminação no mundo e neste tão aclamado século 21… O debate era sobre o desenvolvimento sustentável.
Já é História, a visita do músico irlandês a Lisboa e porque, a meio da intervenção e quando falava das relações privilegiadas entre Portugal e África e a responsabilidade acrescida que isso implica… Bob Geldof interpelou directamente o governo de Luanda, dizendo que Angola está a ser governada por criminosos. Lembrou, como exemplo, que se constroem na baía de Luanda as casas mais ricas do mundo, mais caras que em Park Lane, Chelsea, bairros chiques de Londres. Disse que Angola tem potencial para ser o país mais rico do mundo e no entanto… não é, pelas razões que já percebemos. Porque, para Bob Geldof, Angola está a ser gerida por criminosos, que permitem este tipo de disparidades.
Ora a declaração caiu que nem uma bomba. A embaixada angolana já condenou as afirmações, classificando-as de manifesta má fé e reveladoras de um total desconhecimento do esforço do governo de Luanda, para melhorar as condições de vida das populações. Enfim, terá feito o que lhe competia, que, isto, quem não se sente, diz-se que não é filho de boa gente...
As agências de notícias e os jornais tentaram entretanto e naturalmente recolher reacções, também dos organizadores do evento. Do lado do semanário Expresso não houve qualquer comentário às afirmações de Bob Geldof… Diz o jornal que em nome da liberdade de expressão.
Já da parte do banco anfitrião, o Espírito Santo, a reacção foi surpreendente. O Banco diz-se totalmente alheio às afirmações, continuando, que não se identifica com as afirmações injuriosas do orador convidado.
Ora vamos lá a ver se nos entendemos! Se de facto o BES se afirmasse completamente alheio às afirmações de Bob Geldof, o que tinha a fazer era dizer, como o Expresso, que não tinha nada a dizer. Em nome da liberdade de expressão, por exemplo. Não lhe ficava mal. Não o comprometia e nem espantava ninguém. Agora dizer que se distancia inequivocamente das afirmações injuriosas, já parece um pouco mais suspeito. Para dizer o mínimo.
Ao classificá-las de injuriosas, revela logo uma tomada de posição. Uma opinião formada e definitiva. Um juízo de valor, esse sim, inequívoco. Está, sim senhor, a imiscuir-se nas declarações do orador.
O mesmo para esse distanciamento anunciado. Como se o assunto só pudesse, ou devesse ser tocado com uma vara de 5 metros, por mor de contágios infectos, ou coisa ainda pior.
A verdade é que, se o BES tivesse respondido como o Expresso o fez, ninguém, rigorosamente ninguém poderia levar a mal. Porque Bob Geldof já é homem feito e responde pelo que diz e faz. Porque ninguém poderia, nem mesmo – supostamente – os parceiros comerciais que o Banco possa ter em Angola poderiam ou deveriam levar a mal o silêncio. Não é o sigilo a alma do negócio?!... Então, porque não guardaram em segredo o que realmente pensam do assunto?! Teriam ficado bem melhor na fotografia.

Fotografias…
O Diário de Notícias pergunta hoje, logo na capa, porque é que não há fotografias de mortos de um ciclone que matou mais de 22 mil pessoas.
O ciclone de que se fala é o que varreu a Birmânia, naturalmente. Explica-se depois, em legenda, que a ausência de jornalistas estrangeiros na Birmânia, os maus acessos às zonas atingidas e os generais que temem a reacção das famílias famintas podem explicar a ausência de imagens, que revelem a real dimensão do desastre.
Entra-se depois pelo jornal e, aí sim, caímos – ou ela nos cai em cima, a fotografia dos mortos no ataque aéreo a Hiroxima, nesse 8 de Agosto de 1945.
São aliás 4 fotografias, das 10 agora divulgadas por um oficial norte-americano, que esteve no Japão durante a ocupação, entre 45 e 49.
Dez fotografias do horror que ficou, depois da bomba atómica ter descido dos céus sobre Hiroxima. Como dizia o filme: tu não viste nada em Hiroxima! … Pois este oficial descobriu as fotografias nessa altura e resolveu agora mostrá-las ao mundo.
Um número indeterminado de corpos disformes amontoados num cenário de destruição absoluta. De real destruição em massa.
As fotografias terão sido tiradas por um japonês, de que se desconhece a identidade e que não deve, aliás, ter sobrevivido muito ao bombardeamento. As fotos foram tiradas pouco depois. Numa população de 450 mil pessoas, Hiroxima perdeu nesse dia 120 mil; perto de um quarto da população.
As fotografias que o DN hoje publica são obviamente horríveis e estranhas de perceber, ou "encaixar"… Mas se calhar, tinham mesmo de ser publicadas e não só pelo inédito da revelação…
Depois, e em todos os jornais desta manhã, se publica a fotografia do “pedófilo dos olhos azuis”. A Interpol já lançou a caça ao homem, depois do sucesso alcançado com um procedimento semelhante e em relação a um outro cidadão, procurado por violação e abusos sexuais sobre menores. Divulgou-se a fotografia pelo mundo e o homem acabou por ser denunciado e preso. No caso deste, escusa-se mesmo a identificação, idade, ou país de origem. O que conta é o rosto que, ao contrário do caso anterior, o acusado nem se preocupou em disfarçar ou distorcer nas imagens, onde aparece explicitamente abusando sexualmente de 3 crianças asiáticas.
Mas isto dos rostos distorcidos também trás que se lhe diga!
Por exemplo, ontem nos telejornais passou, que eu vi, as imagens do chamado Matador das Aldeias. Um homem que matou 4 idosos e cometeu mais 18 homicídios e sevícias várias e foi ontem condenado à pena máxima pelo tribunal de Vila do Conde.
À saída do tribunal o condenado aparecia na televisão com a cara distorcida com aquele truque da pequena grelha quadriculada, que supostamente preserva a identidade da pessoa. Neste caso, o da pessoa já ter sido condenada e ir até mesmo já a caminho da prisão efectiva, pode-se perguntar para quê tapar-lhe a cara?!... Mas enfim são critérios. Acontece é que, na capa do Correio da Manhã de hoje, o tal Matador das Aldeias aparece de cara descoberta, a fazer o mesmo percurso a caminho do carro celular e onde ontem as televisões acharam que lhe deveriam tapar o rosto. De ontem para hoje o que terá acontecido?!...
Enfim, de ontem para hoje aconteceu muita coisa. No mundo e cá em casa também. Que o mundo anda depressa. Tão depressa que, por exemplo, o jovem que ontem alegadamente terá empurrado a avó da janela, fazendo-a cair desamparada sobre um telheiro…. Foi em Lisboa. A senhora está no hospital mas livre de perigo. O jovem diz que é problemático e já esteve numa instituição de menores em risco e a polícia levou-o para averiguações… Pois na capa do Diário de Notícias, diz-se que o jovem tem 12 anos. O resto, a chamada remete-nos para a página 24. E nós vamos. E 24 páginas depois… note-se que não foram 24 horas, foram 24 páginas depois, lê-se que o jovem, adolescente que terá empurrado a avó de um terceiro andar para a rua, tem entre os 16 e os 18 anos. Isto é que é crescer depressa!
Mas há mais. Há a fotografia! 12 ou 16anos, tanto faz. Na fotografia, o jovem aparece saindo de casa, acompanhado por dois polícias. Mãos nos bolsos e sem grande alarido. A cara aparece tapada com a tal grelha quadriculada que, intencionalmente, oculta a identidade do jovem. Muito mal, mas a ideia é ocultar mesmo. Ao lado, passando-lhe um braço pelo ombro, um polícia encaminha o jovem. Atrás, uma mulher polícia ergue o braço para a câmara, com a mão fazendo o sinal para que se não fotografe o jovem. Enfim, foi tarde demais. Já estava. Não se sabe o que terá feito ou dito, a seguir e entretanto, a jovem mulher policia, ao fotógrafo do DN. Não se sabe se o interpelou, dizendo porque é que não devia tirar fotografias... O que se sabe, é que a fotografia, apesar de completamente inútil, acabou por ser publicada. Ou seja, a polícia disse que não se podia tirar, ou que não se devia tirar, ou por favor, para não tirar fotografias ao jovem …. Mas se já está, já está. E, citando um outro filme, no caso, o Páteo das Cantigas… "‘tá bonito, não ‘tá? "

terça-feira, 6 de maio de 2008

ISTO ESTAVA A FICAR MUITO PARADO..,.









cuidado com a torneira !!!

Vem no Público e diz assim: “Sociedade de Oftalmologia questiona operações em Cuba.”
Foi o presidente Jorge Breda, quem o disse ontem. Primeiro tentou tranquilizar a classe, quanto a alguma turbulência recente à volta da questão, depois passou ao ataque criticando, ou, melhor, mostrando-se preocupado com a qualidade dos serviços prestados em Cuba e as eventuais sequelas para os doentes.
Diz Jorge Breda, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que todas as cirurgias comportam riscos e que gostava de saber quem é que segue as eventuais complicações pós operatórias, de uma cirurgia às cataratas. Ou seja, continua o médico, quem vê os doentes que ficam com glaucoma, ou com edema da retina?...
Ora bem, essa é fácil. Os médicos! No caso, creio eu que hão-de ser os médicos oftalmologistas. Se não os portugueses, talvez os cubanos que os operaram em primeiro lugar.
Avisa entretanto, que operar as cataratas não é a mesma coisa que apertar um parafuso.
Claro que depende do parafuso. Que ele há parafusos que mal apertados podem – quiçá – fazer descarrilar o mundo, mas isso é só uma hipótese…
No campo ainda das hipóteses, avança o médico que, sem querer imiscuir-se nos "motivos paralelos" que levam os autarcas a encaminhar os doentes para Cuba, tem sérias reservas aos relatos que lhe vão chegando … Diz que, garantidamente, Cuba não obedece às técnicas mais avançadas de cirurgia às cataratas. Portugal obedece.
Cuba não tem as tecnologias de ponta, nem os equipamentos mais sofisticados do mundo. Portugal tem.
Outra coisa que Portugal tem é uma taxa de 33% de cidadãos, que prefere a medicina privada ao Serviço Nacional de Saúde. Diz também que o Estado não está à altura de atender os 67% que sobram. Que é uma questão política e económica também. E que por isso mesmo já há entidades bancárias e Misericórdias a defender uma rápida alteração do modelo e funcionamento do Serviço Nacional de Saúde português…
E tudo isso é provavelmente uma verdade esmagadora. Agora, o que deixa um travo esquisito na boca é a crítica quase arrasadora aos hospitais cubanos. Aos hospitais, espera-se… Que aos médicos nada se lhes poderá ser apontado. É ter em conta a quantidade de cirurgias que conseguem, com êxito aparente e em tão precárias condições de trabalho, como o médico português denuncia.

Voltando só rapidamente um pouco atrás… quanto aos motivos paralelos que levam as autarquias a encaminhar os doentes para Cuba e em que Jorge Breda não se quer imiscuir… respeitemos a vontade do clínico.

Mas entretanto ela move-se e o hospital da Cruz Vermelha diz que está à altura das encomendas. E a encomenda são as quase 3 mil cirurgias às cataratas previstas no protocolo de cooperação assinado com o Ministério da Saúde: 2900 operações, 22 mil consultas e 18 mil exames complementares de diagnóstico. Sendo as cirurgias de oftalmologia as mais frequentes, ao abrigo do acordo.
O Conselho de Ministros aprovou na semana passada a resolução que autoriza estes actos médicos (que não só de oftalmologia, como já se percebeu…)
O protocolo vem já de 98 e desde então já se fizeram mais de 40 mil operações, mais de 90 mil consultas, quase 40 mil exames de diagnóstico. Os doentes são encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde para o hospital da Cruz Vermelha e este ano – apesar de ainda não se saber quantos pedidos de cirurgia é que há - o hospital diz que está preparado para responder a todos eles.
E a todos, como já se viu, com tecnologia de ponta e os equipamentos mais sofisticados do mundo. Chique, não?!

Ora bem…violência nas salas de aula.
Atente-se então no exemplo de Bragança.
Na de Ensino Básico Augusto Moreno de Bragança, o Conselho Directivo condenou, a 5 dias de suspensão e um mês de serviço cívico no refeitório da Escola, o aluno que empurrou a professora e a fez cair, também aqui, por causa de um telemóvel.
O aluno em causa tem 15 anos. A professora já lhe tinha chamado a atenção várias vezes para largar o telefone e tomar atenção à aula… Consta que estava a ouvir música pelo telemóvel. Como o aluno não lhe ligou nenhuma, a professora chamou o Conselho Directivo e a polícia.
Fácil e exemplar.
Os pais do aluno acataram a decisão da escola sem reserva. A Associação de Pais, questionada pelo Diário de Notícias preferiu não comentar.
E quem não se sente não é filho de boa gente. Diz-se.

Avancemos então um pouco mais pelo DN adentro até à página 23.
Pois bem, diz que mais de cem condutores foram apanhados com álcool. Enfim, com álcool a mais no sangue, claro está.
Dos 685 condutores testados este fim-de-semana, a nível nacional, mais de cem conduziam em estado de semi embriaguez … desses, 39 foram mesmo detidos, por excederem até valores considerados criminosos, de percentagem de álcool no sangue.
Continua a notícia, dizendo que os números estão um pouco acima da média, mas que se explicam, pelo facto do patrulhamento das estradas ter sido mais intenso neste fim-de-semana prolongado. Ao mesmo tempo, diz-se que o tráfego nas estradas até foi normal. Ou seja, não houve um excesso significativo de carros na estrada, que possa explicar o aumento de condutores em falta. Seria mais natural, no campo da matemática e das probabilidades que, num número maior de criaturas, fosse também maior o número de faltosos, mesmo sem ferir a percentagem…. Mas não. A notícia diz que o número de carros foi mais ou menos normal, sem grandes enchentes. Portanto, a variável que se alterou foi mesmo e só a do número de condutores bêbados ao volante.
Por outro lado e ao mesmo tempo, a explicação adiantada pelo jornal é também um pouco estranha. Diz então que o aumento de condutores fora da lei se explica pelo aumento de patrulhas na estrada. É mentira! O aumento de condutores bêbados ao volante tem só a ver com uma coisa. É que houve de facto, pelo menos entre os que foram fiscalizados, um número maior de condutores bêbados a sair para a estrada ao volante de um automóvel.

E passemos ao Correio da Manhã. Que ele sim sabe descobrir a notícia onde mais ninguém deu por ela!
Então não é que no Bombarral um homem se aleijou e ficou ferido ao bater com a cabeça na torneira de uma pipa de vinho?!...
Tem 50 anos. O homem. O jornal faz questão em deixar isto bem claro e que sofreu traumatismos graves ao bater com a cabeça da torneira do pipo. Diz que foi ontem, enquanto limpava uma adega. Diz que a pancada foi de tal forma, que o homem perdeu os sentidos de imediato e teve de ir de helicóptero para o hospital. E pronto. Está em Santa Maria, já que, segundo o Correio da Manhã, teve de receber cuidados médicos diferenciados. Quanto à adega, a notícia não diz, mas das duas uma: ou alguém a acabou de limpar por ele, ou então, fica-se à espera que tenha alta e regresse a casa para acabar as limpezas.
Cuidado é com a torneira!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Última hora e a ver se é desta!
Vem no Correio da Manhã e diz assim: Amanhã… – porque remete para a edição de amanhã - “Amanhã: o que se passou na noite em que a menina desapareceu.”
Ora a menina em causa é a pequena Madeleine McCann, desaparecida do Algarve, está agora a fazer um ano. E se o jornal cumprir o que promete, vamos então finalmente ficar a saber o que se passou com a pequena Maddie McCann. Nós, os pais da criança, as polícias que investigam o caso e o mundo inteiro que o tem seguido à distância pela comunicação social… Já não era sem tempo.

Ora, outras guerras…
Na ilha de Lesbos, na Grécia, 3 habitantes – o Diário de Notícias diz que são mesmo só 3, os habitantes que se indignaram e avançaram com a queixa para o tribunal. Eles querem o exclusivo do uso do termo "lésbica” e “lésbico”. Um dos protestantes é membro de um grupo nacionalista pagão da ilha de Lesbos e quer que a Justiça proíba, por exemplo, a União Grega dos Homossexuais e Lésbicas de usar o nome para identificarem as respectivas vocações sexuais.
Claro que sim, que a lenda diz que foi em Lesbos que viveu Sapho, a poetisa inspiradora de alguma corrente de pensamento – no caso o da homossexualidade feminina… mas daí até terem usurpado a designação… Os cidadãos de Lesbos redigiram a reclamação num texto a que chamaram: “A infelicidade de ser lésbico/ lésbica”. Dizem que são vítimas de uma violação psíquica e moral. Acusam os homossexuais de lhes terem roubado um nome que indica uma referência geográfica e que, por causa deles, se vêem envolvidos, eles, os verdadeiros lésbicos e lésbicas, numa enorme confusão e promiscuidade semântica.
O caso é mesmo sério e já tem audiência marcada para Julho, no tribunal de Atenas. Quanto aos homossexuais gregos, da referida organização, esses já disseram que acham ridícula a acusação, mas que, se forem chamados a depor, que lá irão alegremente e sem problemas, dizer de sua justiça.
A ilha de Lesbos fica no nordeste do mar Egeu. A estância de Eressos, estância balnear, é de facto muito procurada por lésbicas de todo o mundo – diz a notícia. Lésbicas … enfim, sexualmente falando, claro, que as outras já o são por nascimento e registo civil… Acontece entretanto que a cidade capital da ilha se chama Lesboa, diz ainda o DN. Ora então acabe-se com a contenda! Os habitantes de Lesboa, porque não se passam eles a chamar Lesboetas, que acabava-se de uma vez com a… enfim, com a zanga, vá.


E agora o Irão. O procurador-geral do Irão está indignado, preocupado e decidido a fazer frente à invasão do país por essa insidiosa tropa de elite de Barbies, Batmen e Homens-Aranha…
Diz que é um verdadeiro assalto! O Harry Potter, o Super-Homem…no fundo a importação incontrolada desses brinquedos ícones de uma certa cultura ocidental está a minar os alicerces da cultura islâmica. Tem efeitos culturais e sociais nefastos – disse o procurador. Ainda mais, que a maioria é importação de contrabando. O protesto já seguiu em forma de carta para a presidência da república. O procurador exige medidas de urgência para travar a invasão, para proteger a cultura islâmica e os valores da revolução.
E é que não são só as Barbies e os Harry Potters… ele são jogos e vídeos e filmes e banda desenhada… é toda a cultura – ou pelo menos uma certa cultura ocidental – que vai ganhando terreno no Irão e isso, para o procurador é um preocupante sinal de alarme.
Já se tentou quase tudo. Proibir a venda. Rusgas nas lojas. Os comerciantes disfarçavam a mercadoria. Contra-atacar com versões nacionais da Barbie americana. Sara e Dara, as Barbies árabes foram um fracasso comercial, apesar da semelhança com as primas do ocidente. E com isto tudo, até agora só se conseguiu mesmo expulsar a diabólica boneca, virtualmente, digamos. Ou seja, o site da Barbie foi barrado aos internautas iranianos. Foi só até onde se conseguiu chegar.
Mais que boicotes económicos, diplomáticos, ou o que seja… Mais que ameaças militares, ou de sanções internacionais… Teerão ter-se-á apercebido da real e mais sinistra ameaça que paira sobre o país e a civilização islâmica. Um pelotão de Barbies … uma legião de Homens-Aranha… uma frota de Super-Homens de collants e toalha ao pescoço… um esquadrão de miúdos amarelentos e franzinos, de óculos, montados numa vassoura sobrevoando os lares e invadindo os quartos das crianças…
Já se imaginou exército mais fraldiqueiro e destruidor? Não há! Sem ironia, mesmo. Não há.

E já de saída, abro a Visão … “A PT promete a televisão mais barata do mercado em Abril de 2009”… e não nos demoramos muito. Só para dizer que a questão não é essa! Enfim, ser a mais barata do mercado até pode ser uma boa notícia, acontece que há coisas que não se medem aos palmos, nem se pesam aos quilos, nem se avaliam ao tostão. O que quero dizer é que, se a qualidade não acompanhar o esforço, até de borla ela seria demasiado cara, a televisão… digital, analógica, a pilhas, ou a carvão de coque.

terça-feira, 29 de abril de 2008




Conta-me como foi. É o nome de uma série que a RTP passa por estes domingos, já ao fim da noite e que retrata o Portugal dos anos 60. Miguel Guilherme é o actor que representa o papel do pai da família protagonista da série. Até aqui tudo bem e reticências. Reticências porque a história começa aqui. No momento em que o jornal 24 Horas se cruza com Miguel Guilherme no Bairro Alto. Miguel Guilherme ele próprio, o actor, neste caso o cidadão. Diz assim a breve do 24, na página dedicada aos famosos: Miguel Guilherme passou pelo Bairro Alto este fim-de-semana. Continua a breve dizendo que foi visto a subir a rua do elevador da Bica. E diz ainda que ia sozinho. Mas de copo na mão. A notícia é clara nesse particular, Miguel Guilherme levava um copo na mão, na madrugada de sábado, quando o 24 Horas o viu a subir o elevador da Bica. Remata a notícia que Miguel Guilherme, apesar de estar sozinho, o actor se terá cruzado com alguns colegas de profissão com quem ficou à conversa.
E pronto. É só isto. A notícia não diz mais nada. O que é francamente preocupante e quase grave. Então Miguel Guilherme foi visto a subir a rua do elevador da Bica sozinho!? Na fotografia, que ilustra a breve, o actor aparece de casaco beije e camisa rosa desabotoada e sem gravata. A expressão é de facto de quem foi visto a subir o elevador da Bica sozinho. A verdade é que também podia retratar a cara de quem tivesse subido o elevador do Lavra, ou o da Glória. Podia mesmo ter até acabado de descer pelo de Santa Justa, que a cara não o haveria de desmentir, se fosse esse o caso. Mas não. Foi o da Bica, que aí vale o texto da breve para nos esclarecer. Por esclarecer fica entretanto a questão do copo que o actor alegadamente levava na mão. Cheio? Vazio? Meio cheio, ou meio vazio que, como se sabe, é uma velha questão filosófica que já fez secar muitas gargantas, sem grande consequência, para além de avaliar o estado de espírito de cada um?... Sabe-se que há quem prefira a primeira versão, quem prefira a segunda, conforme o optimismo da hora e da personagem em questão. Por isso adiante. E na hipótese do copo estar cheio?... Cheio de quê? E terá Miguel Guilherme conseguido vencer a subida com o copo cheio na mão e sem verter uma gota?
E o “apesar”, que abre o último período da prosa?... "Apesar de estar sozinho, o actor cruzou-se com alguns colegas de profissão, com quem ficou à conversa.” E se fosse acompanhado, excluía-se a hipótese de Miguel Guilherme encontrar mais alguém conhecido na rua, nessa madrugada e ficar à conversa? Claro que se fosse já acompanhado, enquanto subia a Bica, Miguel Guilherme talvez se demorasse um pouco menos na conversa com quem quer que fosse que encontrasse no caminho. E claro está – e ainda mais por maioria de razões – se a companhia fosse uma namorada – vamos supor – é também muito provável que o actor fizesse, o que se chama, vista grossa, aos transeuntes, que em matéria de amores e namoricos, mais que dois é já um engarrafamento…
Mas não. O jornal diz que o actor ia sozinho e que apesar disso encontrou uns amigos e ficou à conversa. É estranho. Quase insólito, mas foi o que aconteceu. A garantia é dada pelo jornal e nós só temos de acreditar, por mais bizarro que pareça.
Talvez a urgência do fecho de edição tenha impedido o intrépido repórter do 24 Horas de seguir o curso dos acontecimentos e respectivo desfecho.
Ficamos sem saber coisas fundamentais como: que levava Miguel Guilherme no misterioso copo? E o copo, ele próprio, era daqueles de plástico ordinário, ou cristal de Alcobaça?
E a tal conversa? Falaram de quê? E cumprimentaram-se como? E quantos amigos eram? Amigos recentes, ou de longa data? E cumprimentaram-se como? Um abraço efusivo e ruidoso? Um curto aceno de cabeça? Um aperto seco de mãos? E quem, cumprimentou primeiro quem? E com que mão o fez?
Enfim, são esta e outras angustiantes perguntas que nos ficam sem resposta. A menos que se consiga chegar à fala com o próprio. Com o actor Miguel Guilherme e pedir-lhe humildemente: Conta-me como foi…

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As boas práticas lembram-me sempre, por qualquer estranho fenómeno inexplicável, a “Ensinança de bem cavalgar em toda a sela” de d. Duarte, o rei filósofo.
Mas neste caso, as boas práticas de que se fala são as de requerer. De requerer e perguntar, que não são propriamente a mesma coisa. Na Assembleia da República Portuguesa a diferença é mesmo decisiva.
Diz o jornal, no caso o Diário de Notícias, que S. Bento vai dispor de um "guia de boas práticas" para a realização de requerimentos e perguntas, por parte dos deputados. A medida foi já aprovada pelas bancadas socialista, social-democrata e do CDS-PP.
Durante uma conferência de líderes, os parlamentares terão concluído que as perguntas são instrumentos de fiscalização e actos de controlo político e que só podem ser feitas ao Governo e à Administração Pública, não podendo, por isso, ser dirigidas à administração regional e local. Já os requerimentos destinam-se a obter informações, elementos e publicações oficiais que sejam úteis para o exercício do mandato de deputado e podem ser dirigidas a qualquer entidade pública.
E pronto.
E pronto não! Falta dizer que o prazo para resposta às perguntas e requerimentos é de 30 dias, salvo na presente legislatura, em que o prazo se dilata para os 60 dias, por se estar ainda, segundo dizem, numa fase de adaptação ao novo regimento.
A verdade também é que já não têm muito tempo para se adaptarem às boas práticas. O actual executivo já leva 3 anos de governação e mais um bocadito e vai ter de ir novamente a eleições… e com ele, S. Bento e respectivos deputados.
Mas não é para já. Para já, PCP e Bloco de Esquerda manifestam algumas reservas em relação ao proposto. No caso, discordam mesmo que não se possa interpelar directamente entidades públicas independentes do Poder Central, sendo que essa mesma interpelação já pode ser feita se, em vez de tomar a forma de pergunta, se apresentar como requerimento.
Digamos que é só, ou quase, questão de rebaptizar a própria questão. Dar-lhe outra embalagem, colar-lhe outra etiqueta.
Agora a utilidade desta informação, para o público em geral… para além de ficarmos a saber que ele há uma diferença substancial e determinante entre uma pergunta e um requerimento e que essa diferença, pelo menos ao mais alto nível, é coisa de radical importância… essa fica por esclarecer -a utilidade da informação.
Pode-se sempre perguntar directamente aos protagonistas da história. Sendo o Parlamento um órgão do poder central, dispensa-se o requerimento.
Agora aos meus amigos é que, mesmo sem requerimento, deixem que pergunte se esta coisa das Boas Práticas, de que agora subitamente tanto se fala, não vos começa já a parecer um pouco uma espécie de Aloé Vera da Administração Pública?...

E Otelo!?...
Otelo Saraiva de Carvalho. Em entrevista de página inteira ao El País, Otelo apresenta-se como o guionista, protagonista e realizador do 25 de Abril, em Portugal. O 25 de Abril de 74, obviamente!
Lá mais pelo meio lê-se que a participação de Otelo nos acontecimentos – e citemos – “teve mais a ver com vocação de actor e realizador do que com a mente de estratego.”
Que Otelo Saraiva de Carvalho queria mesmo era ter sido actor! Foi para militar por influência e conselho do avô. Disso, já tínhamos ouvido falar, agora este protagonismo quase exclusivo de Otelo na Revolução é que é de facto surpreendente. Voltemos rapidamente às aspas: "Fui o autor do guião, da decoração, o protagonista, o director e não precisei de anotador… " terá dito Otelo.
E nós a pensar que o 25 de Abril e o Movimento dos Capitães tinham alguma coisa a ver um com o outro e se calhar nem tem assim tanto. Foi Otelo, ele próprio, homem dos sete ofícios e instrumentos… Otelo, um verdadeiro mouro de trabalho, nessa fria e leda madrugada.

quinta-feira, 24 de abril de 2008


“Boneco de Adolfo Hitler escandaliza ucranianos”.
É o que diz o título da pequena notícia do Público. Pequena, mas com direito a fotografia, não fosse pensar-se, quiçá, que o boneco em causa fosse eventualmente algum brinquedo, memorabilia dos tempos de infância do ex ditador.
Do que se trata é de um pequeno boneco, de uns 40 centímetros de altura, em material plástico, como as Barbies e os Action Men, só que representa a figura do próprio Adolf Hitler, bigode e tudo. Bigode e guarda-roupa. Camisa e chapéu castanhos, fardas do início da carreira de Hitler, uniforme de guerra, com medalhas e galões. Ora acontece que o boneco deve sair para as lojas no princípio deste Verão, mas já está disponível em Kiev, em algumas lojas para coleccionadores e a polémica saiu para as ruas.
Três milhões de ucranianos podem ter morrido durante a 2ª Grande Guerra e essa memória é dolorosa e difícil de apagar. A maioria dos símbolos e imagens que invoquem ou façam lembrar Hitler e o nacional-socialismo são proibidas na Ucrânia, bem como toda a representação, considerada positiva, do regime nazi.
Acontece que, segundo um jornalista ucraniano terá dito à BBC, o governo de Kiev está a tomar medidas que podem levar a algum revivalismo neonazi, como ter distinguido recentemente um ex oficial do exército hitleriano com a medalha de Herói da Ucrânia. Isso pode levar as crianças a desejar ter em casa, não a reprodução do tal herói nacional ucraniano, mas a do próprio comandante em chefe, que o inspirou e conduziu.
Uma cidadã de Kiev, entrevistada pelo Público, terá dito que a ideia do boneco é parva - são estas as palavras reproduzidas pelo jornal. Uma ideia parva. Diz ela que todas as famílias ucranianas sofreram com os nazis e se hoje alguém comprar o tal boneco de que se fala… será mesmo e só para mostrar que o pode comprar.
O que, enfim, não será mau de todo. Saber que estão todos vivos, que o pesadelo já passou e que hoje têm saúde e poder de compra para gastar em bonequinhos de plástico com a efígie do próprio diabo.
E essa é uma comparação tudo menos casual. Que, com todo o respeito pela memória dos que sofreram e morreram aos pés da bota nazi, proibir a representação do diabo não lhe acaba com a raça e a peçonha.

De outra bonecada catita nos dá hoje conta o 24 Horas.
Diz assim, à laia de título: “Teixeira Pinto vai assinar contracto de pintor.”
Teixeira Pinto, se se lembram, já foi administrador do BCP, saiu e agora, diz que por insistência dos amigos, resolveu divulgar os quadros que foi pintando, por gosto e vocação, ao longo do tempo - consta que alguns deles terão mesmo sido pintados no pequeno atelier que montou no escritório do banco… foi o que li , não hoje, mas li.
Hoje, diz o 24 Horas que Teixeira Pinto assinou, ou vai assinar, um contracto de pintor. Enfim, se não soubéssemos do que se está a falar nem nos fosse familiar o nome da personagem em questão… um contracto de pintor, só assim… mais rapidamente nos remeteria para a construção civil do que para as Belas Artes, mas, não. É de Belas Artes que se fala. E diz o jornal que o galerista Agostinho Cordeiro, dono de uma das, diz o jornal que, mais conceituadas galerias do Porto se prepara para assinar um contracto com, diz o jornal, Teixeira Pinto. O galerista, esse diz que, com toda a justiça, temos pintor! E de primeira água! O galerista afirma mesmo que é sem reservas que poderá expor Teixeira Pinto ao lado de Antoni Tapiés, o mestre catalão e actualmente considerado como o melhor pintor do mundo, ou Vieira da Silva, ou outros de igual estatura e prestígio!!!
Ora aí está uma descoberta quase tão surpreendente como a notícia de que Carolina Salgado se prepara para escrever um 2º livro, na sua curta mas já auspiciosa carreira de escritora…


Sem fugir muito ao tema, saltemos no entanto de jornal. No Diário Económico não é novas vocações, ou talentosas revelações que se trata, mas antes de como sobreviver com sucesso em meio laboral assalariado, em geral.
Na página 57 ao canto diz assim: “Carreiras”.
É de carreiras que se fala. Que fala a jornalista Rita Saldanha da Gama. E escreve ela que mentir no escritório pode trazer benefícios. São portanto dicas para sobreviver com êxito em meio laboral. Começa por avisar que é aí, no trabalho que a maior parte das pessoas passa um terço da vida.
Ora para vencer sem sofrimento na progressão profissional recomenda a jornalista:
Não estar sempre do contra, mesmo que se ache que as ideias do chefe não têm pés nem cabeça, ou são mesmo um perfeito disparate.
Fazer um esforço para ser compreensivo, respondendo sempre com evasivas e expressões dúbias, pouco claras.
Usar o maior número possível de clichés, frases feitas, banalidades… juntar ao arrazoado quantidade q.b. de termos técnicos e palavrões arrevesados, palavras difíceis, para dar um ar entendido.
Aconselha-se também a tratar toda a gente pelo nome, para dar um ar de quem se interessa realmente e… delegar.
Delegar, delegar e delegar… o que também deve dar um ar de quem se preocupa com alguma coisa.
A intenção é das melhores e pode estar cientificamente comprovada.
Se esta é a imagem de um trabalhador cordato e bem sucedido… vista assim de repente, parece mais o fotolito de um cretino.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Não sei se é novidade para alguém. Para mim é. Olá se é!
Diz o Correio da Manhã que os Estados Unidos estão a mandar condenados para a frente iraquiana. E cada vez mais. Em 2006 eram uns 250 mobilizados para a guerra do Iraque sob a bandeira dos Estados Unidos da América do Norte. 249 criminosos, para ser mais exacto. O ano passado o número mais que duplicou, ultrapassando os 500, sendo que pode aumentar ainda mais durante este ano.
Neste momento, escreve o jornal, há na frente de guerra 87 condenados por agressão violenta ou mutilação, 130 que cumpriram pena por narcotráfico, ou consumo de estupefacientes, mais 7 condenados por ameaças terroristas e 2 pederastas. A denúncia do Correio da Manhã diz que foi notícia no New York Times, que afirma ainda que o Pentágono infiltrou analistas políticos, comentadores "reciclados" – digamos assim – a partir de militares na reserva, nos meios de comunicação social por forma a ir conduzindo a opinião pública no sentido de apoiar a guerra norte americana no Iraque. Por aqui não virá grande surpresa ao mundo… agora a história dos criminosos e dos condenados, não me lembra de ouvir nada parecido desde que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

E para que se não pense que só João Jardim tem declarações tonitruantes e assombrosas, atente-se na reacção do jornal russo Moskovki Korrespondent, que publicou a notícia da separação conjugal e do alegado namoro de Vladimir Putin com uma atleta ou ex atleta… enfim, o jornal chama-lhe uma amante.
Acontece que o mesmo jornal acaba de publicar um mea culpa e desmentido categórico, afirmando que a história da separação foi engano e a da amante de Putin foi "invenção de jornalistas embriagados".
Só uma sugestão. A esses tais jornalistas embriagados, porque não os mandam como repórteres de guerra para o Iraque? Assim como assim…

Depois não se queixem. Diz assim e é rápido: “O artista regressa”.
“Herman José está de regresso ao horário nobre da SIC”. “Em Maio, o canal de Carnaxide estreia "Chamar a Música", um concurso que põe os participantes a cantar, mas onde o que verdadeiramente conta é não ter boa voz, desde que se saiba a letra da cantiga…” Deixo só esta questão: o prémio vai ser o quê? A gravação de um disco? É que se for, é bem capaz de estar condenado ao sucesso. Adiante

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ora aí está uma iniciativa que não sei se vos diga se vos conte.
É uma iniciativa do Diário Económico e traz chamada de capa na edição de hoje.
Diz assim: “Conheça as leis para se proteger do Fisco”. Depois explica-se em sub título que se trata, não de matéria de reportagem, ou artigo de fundo, mas de um livro. Um livrito que o Diário Económico tem para vender por 6 euros. Sendo que o preço inclui a aquisição do próprio jornal. É então um livrinho que, segundo explica o Económico, se propõe ensinar ao leitor as defesas possíveis contra os abusos da administração fiscal. Ora vamos lá então a ver se nos entendemos. Porque diabo haveríamos nós, em primeiro lugar, protegermo-nos do Fisco? Então os impostos não são eles – se quisermos – um mal necessário para que o País funcione, nem que seja em serviços mínimos?... Pode custar um bocadinho mais, ou menos a todos e a cada um, mas é uma despesa que se impõe, até à descoberta de melhor processo, para custear as despesas todas inerentes ao governo de uma casa. Regatear o pagamento de impostos seria quase como ir ao talho e vir embora sem pagar as costeletas.
Por outro lado e ao mesmo tempo, podemos pôr a hipótese – que o jornal denuncia – de haver abusos por parte da Administração Fiscal?... Abusos, nesse sentido em que o alegado abusador está consciente do próprio abuso? Intencionalmente. Ou seja, não há hipótese de desculpa, ou dizer-se que foi só uma pequena distracção. Não, fala-se em abuso, contra o qual o cidadão se deve defender. Aqui, ingratamente, quase apetecia desejar que assim fosse e não essa coisa terrível que é a incompetência, o laxismo e a falta de responsabilidade. Isso são coisas mais difíceis de julgar, ou pelo menos de levar à barra dos tribunais. Os fiscais e os outros. Porque o abuso, seja ele de Poder, ou do que for é matéria palpável. Pode-se acusar alguém por isso, porque o próprio conceito da coisa implica alguma acção, uma intervenção activa do alegado criminoso. Agora a incompetência, o laxismo, a falta de responsabilidade são coisas diferentes. É um crime pasmado. Uma falta que não tem por onde se pegue. Um crime sem criminoso quase. Ou seja, o criminoso é tão parado de raciocínio que nem se apercebe do crime que comete. É quase desesperantemente inimputável.
Enfim, temos ainda uma outra hipótese em aberto para este livrinho que o Diário Económico traz hoje para vender por 6 euros, mais o jornal… A de que ele se destina a ensinar pequenos truques e dicas para dar a volta ao assunto. Ou seja, para o cidadão contribuinte renitente fintar o Fisco. Declarar, sem mentir, coisas que não são verdade, mas que para todos os efeitos fiscais conferem perfeitamente e ninguém vai preso, ou é incomodado por causa disso. Claro que aqui já entrámos num território pouco recomendável.
A verdade é que entre um Fisco que alegadamente abusa do cidadão contribuinte e um pagador de impostos que mente ao fisco e o engana nas contas… venha o diabo e escolha, que ambos estão bem um para o outro e não me parece que precisem de manual de instruções para coisa nenhuma

segunda-feira, 21 de abril de 2008


E vamos ao que importa, que de repente a história ganhou fórum de parábola de bom proveito e exemplo. Enfim, o bom proveito não tem forçosamente a ver com o facto da matéria em análise ser matéria comestível.
Falamos obviamente do caracol. Que hoje foi noticia, porque uma empresa de Torres Vedras quer ser líder europeia no sector. O da produção e venda de caracóis.
Os caracóis de Torres Vedras, da Escargot Oeste. De momento a empresa tem uns 20 mil exemplares reprodutores em cativeiro e quer aumentar a colónia para os 100 mil. É um aumento de peso. Mais… e chegamos ao que importa – a Escargot Oeste quer ser líder europeia na exportação da baba do caracol! Nem mais. É que a baba do caracol está a revelar-se como a nova coqueluche da cosmética. A baba do caracol é usada cada vez mais em cremes e loções e bálsamos variados. Mas há que atentar neste essencial! É que a baba em questão há que recolhê-la de caracóis sob pressão psicológica. Vulgo: caracóis em stress. Consta – cientificamente, parece – que, sob stress, os caracóis, como nós todos, afinal, segregam uma qualquer substância que – ela sim - terá as tais propriedades cosméticas, que já se vão anunciando em embalagens avulsas de cremes e outros unguentos…
Será adrenalina. A não muito falada, mas ao que consta bem real, adrenalina do caracol?... Será.
Ora, se for, temos aqui já um problema… é que se exclui da lista, pelo menos à partida, os caracóis que vivem em estado selvagem. Enfim, também terão as suas razões para stress, como todos nós, no dia a dia, mesmo sem restrições especiais à nossa liberdade. Claro que, num ambiente de reclusão, a ansiedade será forçosamente maior e a tal secreção há-de aumentar à proporção do estado de nervos da criatura em questão. Daí que, obviamente, a baba dos caracóis em cativeiro será forçosamente a mais indicada para o propósito. Vivem em ambientes fechados e sobrelotados, sem muito mais que fazer que comer, dormir e procriar… o estado de insatisfação e ansiedade há-de atingir níveis insuportáveis, até mesmo para um caracol.
Se, avisadamente, o criador lhes criar um ambiente de vida ainda mais insuportável, por exemplo ir-lhes infernizando diariamente a vida com notícias desagradáveis, ou pequenas contrariedades , então aí a produção há-de subir em flecha e superar todos os mais altos padrões de excelência.
Claro que sobra entretanto um outro pequeno problema.
É que a situação … enfim, o mercado exige que a baba seja colhida de um animal sob stress… ora tendo em conta o terrorismo psicológico que qualquer detenção arbitrária – como é o caso dos viveiros de caracol – implica , é de prever uma reacção enérgica e inequívoca dos defensores e protectores dos direitos dos animais. É de esperar. É de toda a justiça e pertinência.
Por outro lado há ainda este pequeno pormenor. O do caracol que não se baba. Nestes casos as hipóteses são poucas. Não a de um caracol não se babar, que já vos deve ter acontecido ver alguns… pois nestes casos, das duas uma, se o caracol não se baba é porque: ou está a hibernar, ou atingiu finalmente o estado de Buda. Sem stress.
E é sem stress que vos aconselho a guardar esse exemplo que a fábula nos deixa: se levarmos a vida com uma certa calma, podemos poupar-nos a muitos e desagradáveis problemas. A alguns vexames, mesmo.