terça-feira, 13 de maio de 2008

CHANSON DE DIMANCHE

MORTE DE CLEÓPATRA

POR cLAUDETTE cOLBERT

TEMOS, ENTÃO, NOVIDADES!?!!...

o ladrão de bagdad

por sir Douglas Fairbanks

a night in casablanca 1946

harpo marx

segunda-feira, 12 de maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O dom da ubiquidade! Desde sempre me impressionou este estranho dom da ubiquidade. Não que o não chegasse a compreender! Com o tempo… claro que sim. Mas agora o conceito ganha outro significado. Bem mais pragmático.
A ver: diz a breve do DN, que o papa Bento 16 vai enviar mensagens de telemóvel para catequizar os jovens. Para já, os jovens que vão participar, na Austrália, nas Jornadas Mundiais da Juventude. O encontro realiza-se em Julho, em Sidney.
E o Papa tenciona então enviar mensagens diárias. Mensagens religiosas.
O Vaticano diz que esta é uma forma da Igreja chegar às audiências apaixonadas pelas novas tecnologias. Diz ainda que, para além dos SMS, a organização do encontro prevê alargar esta catequese virtual também ao ciberespaço. À Internet. Hão-de ser as Jornadas da Juventude mais inovadoras realizadas até à data. Pelo menos, virtualmente.

E ainda no DN, dá-se conta do achamento daquele que pode ter sido o mítico reino da rainha do Sabá. O achado foi feito na zona de Axum Dungur, na Etiópia.
Era até hoje um dos grandes mistérios da humanidade. Um segredo cheio de lendas, que alimentou relatos mirabolantes e argumentos épicos… Em 1959, Hollywood rendeu-se ao mistério da lenda e King Vidor chegou mesmo a ficcionar a história, no filme “Salomão e a Rainha do Sabá”. Adiante.
A descoberta, do que terá sido o reino de Sabá, foi feita por um grupo de cientistas e arqueólogos alemães. As ruínas do palácio datam-no do século 10º, depois de Cristo… As ruínas foram desenterradas de debaixo das ruínas de um outro palácio, que entretanto lhe foi construído em cima. Enfim, o costume.
Este segundo palácio pertenceria já a um rei cristão. Uma vez mais, o costume.
Este, agora desenterrado do silêncio da História, terá sido mandado construir por Menelik 1º, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão de Jerusalém. Foi Menelik 1º, quem mandou construir o palácio na sua localização definitiva, orientado na direcção da estrela Sirius. Assim mandava o culto. O culto de Sothis, ligado á deusa egípcia Sopdet e à estrela Sirius.
Já desde 99, que esta equipa estuda a história do reino da Etiópia e da igreja ortodoxa etíope.
No palácio descobriu-se o altar onde, rezam as crónicas e a lenda, terá sido depositada a própria Arca da Aliança! O cofre de madeira de acácia, forrado a oiro e, onde, ainda segundo a tradição, se guardavam as Tábuas da Lei. Os dez mandamentos que Deus terá entregue a Moisés, no alto do Monte Sinai. Entregue em mão, dizem os textos sagrados. Que naquela altura ainda não havia telemóveis, nem essa facilidade de catequizar on line, ou mandar dicas por SMS…

quinta-feira, 8 de maio de 2008




Está tudo nos provérbios e há um que diz que só quem está no convento, sabe o que lá vai dentro. Ou seja, cada um sabe de si, apesar de haver quem nem isso saiba. Paciência e adiante.
Saibam então, qual a primeira prioridade de Boris Johnson, à frente da Câmara de Londres. Pois diz o recém-eleito presidente, que a primeira coisa a fazer é acabar com o consumo de bebidas alcoólicas e o transporte ostensivo de garrafas, no metro e nos autocarros. Diz que é uma tentativa de acabar com a delinquência juvenil. Com a criminalidade juvenil – é assim que escreve o Diário de Notícias. Então, pressupõe-se que a medida não abranja eventualmente cidadãos adultos! Esses poderão eventualmente continuar a viajar bêbados de metro ou autocarro, em Londres…
Entretanto, e muito a sério, os trabalhadores dos transportes colectivos já disseram que vai ser bonito, vai. Ou seja, já é difícil muitas vezes actuar em apoio à própria polícia, quanto mais, sozinhos, terem de expulsar dos veículos gente provavelmente embriagada e agressiva!

Ainda no DN, logo ali na página ao lado, a fotografia mostra o que ficou, depois do Nargis ter varrido a Birmânia.
Os jornais falam já em cem mil mortos; falam da ajuda urgente e necessária às populações afectadas e falam, agora também e com alerta, da pilhagem!
O relato vem de um intérprete inglês que, ante ontem de manhã, deu com militares birmaneses pilhando cadáveres. Diz que os viu a despir os corpos dos mortos e a revirar-lhes os bolsos, guardando todo o dinheiro e objectos de valor que encontravam. O alerta e o receio são saber se o mesmo não acontecerá à ajuda humanitária, que o mundo decidir enviar para as vítimas.

Outras guerras. Esteve ontem em Lisboa, não sei se já foi embora… Ian Lesler, especialista norte-americano na matéria. E a matéria é o terrorismo. A matéria do congresso internacional, que termina hoje, na Universidade Nova de Lisboa. "Terrorismo – Desafios e Respostas”, é esse o mote do encontro. E ontem foi então a vez de Ian Lesler tomar a palavra. Ian Lesler trabalha para a fundação German Marshal e veio a Lisboa a convite do Observatório de Segurança e Criminalidade Organizada e Terrorismo – só o nome já assusta. E disse então, o especialista, que a Europa é um alvo prioritário da Al Qaeda.
Diz o Diário de Notícias que o estratega – é assim que lhe chama – sublinhou o facto da Europa acolher grandes comunidades muçulmanas e que tem fronteiras permeáveis e portas meias com as chamadas periferias do extremismo islâmico, ou seja, terá dito mr. Lesler, com o Magreb.
Esperemos todos que o estratega se engane redondamente, mas entretanto ficam só duas pequenas observações de fugida. Não foi na Europa que caíram os aviões, nem as torres gémeas. E Madrid e o 11 de Março e Londres e os autocarros… só aconteceram depois de Washington ter declarado guerra, primeiro aos talibans e depois a Saddam Hussein e ter convencido, para essa missão, alguns parceiros europeus.
De resto, o argumento de na Europa viverem grandes comunidades muçulmanas… Enfim, sabe-se que os atentados suicidas são uma das armas do terrorismo internacional, em particular o extremismo islâmico… mas não exageremos. Que ladrão, com dois dedos de inteligência, se põe a fazer assaltos no bairro onde vive?!


Outras guerras. Vem na capa do Público, com chamada para as páginas interiores, que o Jornal de Angola sugeriu ontem, que o BES – Banco Espírito Santo – tem de ver quem convida – e passamos à citação : “tem de ver quem convida para falar de desenvolvimento sustentado”. Mesmo sem ir às páginas indexadas, percebe-se que esta é a reacção do jornal de Angola às críticas de Bob Geldof ao governo de Luanda.
Curioso, que o que o músico irlandês disse foi, que era o governo de Luanda, que era criminoso e responsável pelas gritantes disparidades sociais e económicas no país. Que me lembre, Bob Geldof não disse que a culpa era do jornal de Angola! O jornal que, pelo meio da prosa, terá chamado a Bob Geldof um espertalhaço malcriado.
Quanto à embaixada angolana em Lisboa, diz o Público, que se considera a hipótese de processar judicialmente o orador.

E entretanto ela move-se.
É capa do Jornal de Negócios: “BIC português abre hoje portas em Portugal.”
Em entrevista ao jornal, Fernando Teles, o presidente do BIC de Angola diz que o Banco tem um espaço de ligação entre os dois países e que no final do 1º trimestre deste ano já representava mais de 30% do movimento cambial de Angola. O ano passado, o Banco movimentou 7 milhões e meio de dólares.
O negócio parece próspero, tanto que Fernando Teles confessa que já se decidiu abrir delegações no Congo e Namíbia e daqui a um par de anos… no Brasil.
Quanto a Angola, o BIC, do grupo Espírito Santo, tem em Angola 91 agências, com cerca de mil trabalhadores e perto de 250 mil clientes, entre privados e empresas. A grande maioria – 227 mil são particulares. Ora aí está! De que se queixam, se até têm dinheiro para pôr no banco?!...

Porque a verdade é que é difícil contentar certas pessoas. Gente exigente. De uma insatisfação quase doentia…
Há que perceber que, por muito negro que seja o cenário, podia sempre ser pior. E essa é uma filosofia desesperada!?... Talvez. Mas é uma filosofia. Por exemplo Josef Fritzl – o diabo austríaco, como lhe chama a revista Visão, em chamada de capa… Josef Fritzl, que há já quem queira dar como inimputável… Enfim, distúrbios mentais terá decerto mas, o caso agora é que Josef Fritzl sai em defesa própria com este argumento demolidor. Diz que não é um monstro, pelo menos não como o pintam e porquê? Porque podia ter sido bem pior. Como? Podia tê-los matado a todos… Incluindo, obviamente a filha, que manteve sequestrada durante 24 anos, enquanto a obrigava a ter 7 filhos dele próprio… Diz então que podia ter sido pior.
Pois podia, mas pior para quem?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"'tá bonito, não 'tá?..."




Ora bem, Bob Geldof, sir Bob Geldof esteve em Lisboa a convite do semanário Expresso e do Banco Espírito Santo. Veio falar de como "Fazer a Diferença" no combate à fome e à discriminação no mundo e neste tão aclamado século 21… O debate era sobre o desenvolvimento sustentável.
Já é História, a visita do músico irlandês a Lisboa e porque, a meio da intervenção e quando falava das relações privilegiadas entre Portugal e África e a responsabilidade acrescida que isso implica… Bob Geldof interpelou directamente o governo de Luanda, dizendo que Angola está a ser governada por criminosos. Lembrou, como exemplo, que se constroem na baía de Luanda as casas mais ricas do mundo, mais caras que em Park Lane, Chelsea, bairros chiques de Londres. Disse que Angola tem potencial para ser o país mais rico do mundo e no entanto… não é, pelas razões que já percebemos. Porque, para Bob Geldof, Angola está a ser gerida por criminosos, que permitem este tipo de disparidades.
Ora a declaração caiu que nem uma bomba. A embaixada angolana já condenou as afirmações, classificando-as de manifesta má fé e reveladoras de um total desconhecimento do esforço do governo de Luanda, para melhorar as condições de vida das populações. Enfim, terá feito o que lhe competia, que, isto, quem não se sente, diz-se que não é filho de boa gente...
As agências de notícias e os jornais tentaram entretanto e naturalmente recolher reacções, também dos organizadores do evento. Do lado do semanário Expresso não houve qualquer comentário às afirmações de Bob Geldof… Diz o jornal que em nome da liberdade de expressão.
Já da parte do banco anfitrião, o Espírito Santo, a reacção foi surpreendente. O Banco diz-se totalmente alheio às afirmações, continuando, que não se identifica com as afirmações injuriosas do orador convidado.
Ora vamos lá a ver se nos entendemos! Se de facto o BES se afirmasse completamente alheio às afirmações de Bob Geldof, o que tinha a fazer era dizer, como o Expresso, que não tinha nada a dizer. Em nome da liberdade de expressão, por exemplo. Não lhe ficava mal. Não o comprometia e nem espantava ninguém. Agora dizer que se distancia inequivocamente das afirmações injuriosas, já parece um pouco mais suspeito. Para dizer o mínimo.
Ao classificá-las de injuriosas, revela logo uma tomada de posição. Uma opinião formada e definitiva. Um juízo de valor, esse sim, inequívoco. Está, sim senhor, a imiscuir-se nas declarações do orador.
O mesmo para esse distanciamento anunciado. Como se o assunto só pudesse, ou devesse ser tocado com uma vara de 5 metros, por mor de contágios infectos, ou coisa ainda pior.
A verdade é que, se o BES tivesse respondido como o Expresso o fez, ninguém, rigorosamente ninguém poderia levar a mal. Porque Bob Geldof já é homem feito e responde pelo que diz e faz. Porque ninguém poderia, nem mesmo – supostamente – os parceiros comerciais que o Banco possa ter em Angola poderiam ou deveriam levar a mal o silêncio. Não é o sigilo a alma do negócio?!... Então, porque não guardaram em segredo o que realmente pensam do assunto?! Teriam ficado bem melhor na fotografia.

Fotografias…
O Diário de Notícias pergunta hoje, logo na capa, porque é que não há fotografias de mortos de um ciclone que matou mais de 22 mil pessoas.
O ciclone de que se fala é o que varreu a Birmânia, naturalmente. Explica-se depois, em legenda, que a ausência de jornalistas estrangeiros na Birmânia, os maus acessos às zonas atingidas e os generais que temem a reacção das famílias famintas podem explicar a ausência de imagens, que revelem a real dimensão do desastre.
Entra-se depois pelo jornal e, aí sim, caímos – ou ela nos cai em cima, a fotografia dos mortos no ataque aéreo a Hiroxima, nesse 8 de Agosto de 1945.
São aliás 4 fotografias, das 10 agora divulgadas por um oficial norte-americano, que esteve no Japão durante a ocupação, entre 45 e 49.
Dez fotografias do horror que ficou, depois da bomba atómica ter descido dos céus sobre Hiroxima. Como dizia o filme: tu não viste nada em Hiroxima! … Pois este oficial descobriu as fotografias nessa altura e resolveu agora mostrá-las ao mundo.
Um número indeterminado de corpos disformes amontoados num cenário de destruição absoluta. De real destruição em massa.
As fotografias terão sido tiradas por um japonês, de que se desconhece a identidade e que não deve, aliás, ter sobrevivido muito ao bombardeamento. As fotos foram tiradas pouco depois. Numa população de 450 mil pessoas, Hiroxima perdeu nesse dia 120 mil; perto de um quarto da população.
As fotografias que o DN hoje publica são obviamente horríveis e estranhas de perceber, ou "encaixar"… Mas se calhar, tinham mesmo de ser publicadas e não só pelo inédito da revelação…
Depois, e em todos os jornais desta manhã, se publica a fotografia do “pedófilo dos olhos azuis”. A Interpol já lançou a caça ao homem, depois do sucesso alcançado com um procedimento semelhante e em relação a um outro cidadão, procurado por violação e abusos sexuais sobre menores. Divulgou-se a fotografia pelo mundo e o homem acabou por ser denunciado e preso. No caso deste, escusa-se mesmo a identificação, idade, ou país de origem. O que conta é o rosto que, ao contrário do caso anterior, o acusado nem se preocupou em disfarçar ou distorcer nas imagens, onde aparece explicitamente abusando sexualmente de 3 crianças asiáticas.
Mas isto dos rostos distorcidos também trás que se lhe diga!
Por exemplo, ontem nos telejornais passou, que eu vi, as imagens do chamado Matador das Aldeias. Um homem que matou 4 idosos e cometeu mais 18 homicídios e sevícias várias e foi ontem condenado à pena máxima pelo tribunal de Vila do Conde.
À saída do tribunal o condenado aparecia na televisão com a cara distorcida com aquele truque da pequena grelha quadriculada, que supostamente preserva a identidade da pessoa. Neste caso, o da pessoa já ter sido condenada e ir até mesmo já a caminho da prisão efectiva, pode-se perguntar para quê tapar-lhe a cara?!... Mas enfim são critérios. Acontece é que, na capa do Correio da Manhã de hoje, o tal Matador das Aldeias aparece de cara descoberta, a fazer o mesmo percurso a caminho do carro celular e onde ontem as televisões acharam que lhe deveriam tapar o rosto. De ontem para hoje o que terá acontecido?!...
Enfim, de ontem para hoje aconteceu muita coisa. No mundo e cá em casa também. Que o mundo anda depressa. Tão depressa que, por exemplo, o jovem que ontem alegadamente terá empurrado a avó da janela, fazendo-a cair desamparada sobre um telheiro…. Foi em Lisboa. A senhora está no hospital mas livre de perigo. O jovem diz que é problemático e já esteve numa instituição de menores em risco e a polícia levou-o para averiguações… Pois na capa do Diário de Notícias, diz-se que o jovem tem 12 anos. O resto, a chamada remete-nos para a página 24. E nós vamos. E 24 páginas depois… note-se que não foram 24 horas, foram 24 páginas depois, lê-se que o jovem, adolescente que terá empurrado a avó de um terceiro andar para a rua, tem entre os 16 e os 18 anos. Isto é que é crescer depressa!
Mas há mais. Há a fotografia! 12 ou 16anos, tanto faz. Na fotografia, o jovem aparece saindo de casa, acompanhado por dois polícias. Mãos nos bolsos e sem grande alarido. A cara aparece tapada com a tal grelha quadriculada que, intencionalmente, oculta a identidade do jovem. Muito mal, mas a ideia é ocultar mesmo. Ao lado, passando-lhe um braço pelo ombro, um polícia encaminha o jovem. Atrás, uma mulher polícia ergue o braço para a câmara, com a mão fazendo o sinal para que se não fotografe o jovem. Enfim, foi tarde demais. Já estava. Não se sabe o que terá feito ou dito, a seguir e entretanto, a jovem mulher policia, ao fotógrafo do DN. Não se sabe se o interpelou, dizendo porque é que não devia tirar fotografias... O que se sabe, é que a fotografia, apesar de completamente inútil, acabou por ser publicada. Ou seja, a polícia disse que não se podia tirar, ou que não se devia tirar, ou por favor, para não tirar fotografias ao jovem …. Mas se já está, já está. E, citando um outro filme, no caso, o Páteo das Cantigas… "‘tá bonito, não ‘tá? "

terça-feira, 6 de maio de 2008

ISTO ESTAVA A FICAR MUITO PARADO..,.









cuidado com a torneira !!!

Vem no Público e diz assim: “Sociedade de Oftalmologia questiona operações em Cuba.”
Foi o presidente Jorge Breda, quem o disse ontem. Primeiro tentou tranquilizar a classe, quanto a alguma turbulência recente à volta da questão, depois passou ao ataque criticando, ou, melhor, mostrando-se preocupado com a qualidade dos serviços prestados em Cuba e as eventuais sequelas para os doentes.
Diz Jorge Breda, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que todas as cirurgias comportam riscos e que gostava de saber quem é que segue as eventuais complicações pós operatórias, de uma cirurgia às cataratas. Ou seja, continua o médico, quem vê os doentes que ficam com glaucoma, ou com edema da retina?...
Ora bem, essa é fácil. Os médicos! No caso, creio eu que hão-de ser os médicos oftalmologistas. Se não os portugueses, talvez os cubanos que os operaram em primeiro lugar.
Avisa entretanto, que operar as cataratas não é a mesma coisa que apertar um parafuso.
Claro que depende do parafuso. Que ele há parafusos que mal apertados podem – quiçá – fazer descarrilar o mundo, mas isso é só uma hipótese…
No campo ainda das hipóteses, avança o médico que, sem querer imiscuir-se nos "motivos paralelos" que levam os autarcas a encaminhar os doentes para Cuba, tem sérias reservas aos relatos que lhe vão chegando … Diz que, garantidamente, Cuba não obedece às técnicas mais avançadas de cirurgia às cataratas. Portugal obedece.
Cuba não tem as tecnologias de ponta, nem os equipamentos mais sofisticados do mundo. Portugal tem.
Outra coisa que Portugal tem é uma taxa de 33% de cidadãos, que prefere a medicina privada ao Serviço Nacional de Saúde. Diz também que o Estado não está à altura de atender os 67% que sobram. Que é uma questão política e económica também. E que por isso mesmo já há entidades bancárias e Misericórdias a defender uma rápida alteração do modelo e funcionamento do Serviço Nacional de Saúde português…
E tudo isso é provavelmente uma verdade esmagadora. Agora, o que deixa um travo esquisito na boca é a crítica quase arrasadora aos hospitais cubanos. Aos hospitais, espera-se… Que aos médicos nada se lhes poderá ser apontado. É ter em conta a quantidade de cirurgias que conseguem, com êxito aparente e em tão precárias condições de trabalho, como o médico português denuncia.

Voltando só rapidamente um pouco atrás… quanto aos motivos paralelos que levam as autarquias a encaminhar os doentes para Cuba e em que Jorge Breda não se quer imiscuir… respeitemos a vontade do clínico.

Mas entretanto ela move-se e o hospital da Cruz Vermelha diz que está à altura das encomendas. E a encomenda são as quase 3 mil cirurgias às cataratas previstas no protocolo de cooperação assinado com o Ministério da Saúde: 2900 operações, 22 mil consultas e 18 mil exames complementares de diagnóstico. Sendo as cirurgias de oftalmologia as mais frequentes, ao abrigo do acordo.
O Conselho de Ministros aprovou na semana passada a resolução que autoriza estes actos médicos (que não só de oftalmologia, como já se percebeu…)
O protocolo vem já de 98 e desde então já se fizeram mais de 40 mil operações, mais de 90 mil consultas, quase 40 mil exames de diagnóstico. Os doentes são encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde para o hospital da Cruz Vermelha e este ano – apesar de ainda não se saber quantos pedidos de cirurgia é que há - o hospital diz que está preparado para responder a todos eles.
E a todos, como já se viu, com tecnologia de ponta e os equipamentos mais sofisticados do mundo. Chique, não?!

Ora bem…violência nas salas de aula.
Atente-se então no exemplo de Bragança.
Na de Ensino Básico Augusto Moreno de Bragança, o Conselho Directivo condenou, a 5 dias de suspensão e um mês de serviço cívico no refeitório da Escola, o aluno que empurrou a professora e a fez cair, também aqui, por causa de um telemóvel.
O aluno em causa tem 15 anos. A professora já lhe tinha chamado a atenção várias vezes para largar o telefone e tomar atenção à aula… Consta que estava a ouvir música pelo telemóvel. Como o aluno não lhe ligou nenhuma, a professora chamou o Conselho Directivo e a polícia.
Fácil e exemplar.
Os pais do aluno acataram a decisão da escola sem reserva. A Associação de Pais, questionada pelo Diário de Notícias preferiu não comentar.
E quem não se sente não é filho de boa gente. Diz-se.

Avancemos então um pouco mais pelo DN adentro até à página 23.
Pois bem, diz que mais de cem condutores foram apanhados com álcool. Enfim, com álcool a mais no sangue, claro está.
Dos 685 condutores testados este fim-de-semana, a nível nacional, mais de cem conduziam em estado de semi embriaguez … desses, 39 foram mesmo detidos, por excederem até valores considerados criminosos, de percentagem de álcool no sangue.
Continua a notícia, dizendo que os números estão um pouco acima da média, mas que se explicam, pelo facto do patrulhamento das estradas ter sido mais intenso neste fim-de-semana prolongado. Ao mesmo tempo, diz-se que o tráfego nas estradas até foi normal. Ou seja, não houve um excesso significativo de carros na estrada, que possa explicar o aumento de condutores em falta. Seria mais natural, no campo da matemática e das probabilidades que, num número maior de criaturas, fosse também maior o número de faltosos, mesmo sem ferir a percentagem…. Mas não. A notícia diz que o número de carros foi mais ou menos normal, sem grandes enchentes. Portanto, a variável que se alterou foi mesmo e só a do número de condutores bêbados ao volante.
Por outro lado e ao mesmo tempo, a explicação adiantada pelo jornal é também um pouco estranha. Diz então que o aumento de condutores fora da lei se explica pelo aumento de patrulhas na estrada. É mentira! O aumento de condutores bêbados ao volante tem só a ver com uma coisa. É que houve de facto, pelo menos entre os que foram fiscalizados, um número maior de condutores bêbados a sair para a estrada ao volante de um automóvel.

E passemos ao Correio da Manhã. Que ele sim sabe descobrir a notícia onde mais ninguém deu por ela!
Então não é que no Bombarral um homem se aleijou e ficou ferido ao bater com a cabeça na torneira de uma pipa de vinho?!...
Tem 50 anos. O homem. O jornal faz questão em deixar isto bem claro e que sofreu traumatismos graves ao bater com a cabeça da torneira do pipo. Diz que foi ontem, enquanto limpava uma adega. Diz que a pancada foi de tal forma, que o homem perdeu os sentidos de imediato e teve de ir de helicóptero para o hospital. E pronto. Está em Santa Maria, já que, segundo o Correio da Manhã, teve de receber cuidados médicos diferenciados. Quanto à adega, a notícia não diz, mas das duas uma: ou alguém a acabou de limpar por ele, ou então, fica-se à espera que tenha alta e regresse a casa para acabar as limpezas.
Cuidado é com a torneira!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Última hora e a ver se é desta!
Vem no Correio da Manhã e diz assim: Amanhã… – porque remete para a edição de amanhã - “Amanhã: o que se passou na noite em que a menina desapareceu.”
Ora a menina em causa é a pequena Madeleine McCann, desaparecida do Algarve, está agora a fazer um ano. E se o jornal cumprir o que promete, vamos então finalmente ficar a saber o que se passou com a pequena Maddie McCann. Nós, os pais da criança, as polícias que investigam o caso e o mundo inteiro que o tem seguido à distância pela comunicação social… Já não era sem tempo.

Ora, outras guerras…
Na ilha de Lesbos, na Grécia, 3 habitantes – o Diário de Notícias diz que são mesmo só 3, os habitantes que se indignaram e avançaram com a queixa para o tribunal. Eles querem o exclusivo do uso do termo "lésbica” e “lésbico”. Um dos protestantes é membro de um grupo nacionalista pagão da ilha de Lesbos e quer que a Justiça proíba, por exemplo, a União Grega dos Homossexuais e Lésbicas de usar o nome para identificarem as respectivas vocações sexuais.
Claro que sim, que a lenda diz que foi em Lesbos que viveu Sapho, a poetisa inspiradora de alguma corrente de pensamento – no caso o da homossexualidade feminina… mas daí até terem usurpado a designação… Os cidadãos de Lesbos redigiram a reclamação num texto a que chamaram: “A infelicidade de ser lésbico/ lésbica”. Dizem que são vítimas de uma violação psíquica e moral. Acusam os homossexuais de lhes terem roubado um nome que indica uma referência geográfica e que, por causa deles, se vêem envolvidos, eles, os verdadeiros lésbicos e lésbicas, numa enorme confusão e promiscuidade semântica.
O caso é mesmo sério e já tem audiência marcada para Julho, no tribunal de Atenas. Quanto aos homossexuais gregos, da referida organização, esses já disseram que acham ridícula a acusação, mas que, se forem chamados a depor, que lá irão alegremente e sem problemas, dizer de sua justiça.
A ilha de Lesbos fica no nordeste do mar Egeu. A estância de Eressos, estância balnear, é de facto muito procurada por lésbicas de todo o mundo – diz a notícia. Lésbicas … enfim, sexualmente falando, claro, que as outras já o são por nascimento e registo civil… Acontece entretanto que a cidade capital da ilha se chama Lesboa, diz ainda o DN. Ora então acabe-se com a contenda! Os habitantes de Lesboa, porque não se passam eles a chamar Lesboetas, que acabava-se de uma vez com a… enfim, com a zanga, vá.


E agora o Irão. O procurador-geral do Irão está indignado, preocupado e decidido a fazer frente à invasão do país por essa insidiosa tropa de elite de Barbies, Batmen e Homens-Aranha…
Diz que é um verdadeiro assalto! O Harry Potter, o Super-Homem…no fundo a importação incontrolada desses brinquedos ícones de uma certa cultura ocidental está a minar os alicerces da cultura islâmica. Tem efeitos culturais e sociais nefastos – disse o procurador. Ainda mais, que a maioria é importação de contrabando. O protesto já seguiu em forma de carta para a presidência da república. O procurador exige medidas de urgência para travar a invasão, para proteger a cultura islâmica e os valores da revolução.
E é que não são só as Barbies e os Harry Potters… ele são jogos e vídeos e filmes e banda desenhada… é toda a cultura – ou pelo menos uma certa cultura ocidental – que vai ganhando terreno no Irão e isso, para o procurador é um preocupante sinal de alarme.
Já se tentou quase tudo. Proibir a venda. Rusgas nas lojas. Os comerciantes disfarçavam a mercadoria. Contra-atacar com versões nacionais da Barbie americana. Sara e Dara, as Barbies árabes foram um fracasso comercial, apesar da semelhança com as primas do ocidente. E com isto tudo, até agora só se conseguiu mesmo expulsar a diabólica boneca, virtualmente, digamos. Ou seja, o site da Barbie foi barrado aos internautas iranianos. Foi só até onde se conseguiu chegar.
Mais que boicotes económicos, diplomáticos, ou o que seja… Mais que ameaças militares, ou de sanções internacionais… Teerão ter-se-á apercebido da real e mais sinistra ameaça que paira sobre o país e a civilização islâmica. Um pelotão de Barbies … uma legião de Homens-Aranha… uma frota de Super-Homens de collants e toalha ao pescoço… um esquadrão de miúdos amarelentos e franzinos, de óculos, montados numa vassoura sobrevoando os lares e invadindo os quartos das crianças…
Já se imaginou exército mais fraldiqueiro e destruidor? Não há! Sem ironia, mesmo. Não há.

E já de saída, abro a Visão … “A PT promete a televisão mais barata do mercado em Abril de 2009”… e não nos demoramos muito. Só para dizer que a questão não é essa! Enfim, ser a mais barata do mercado até pode ser uma boa notícia, acontece que há coisas que não se medem aos palmos, nem se pesam aos quilos, nem se avaliam ao tostão. O que quero dizer é que, se a qualidade não acompanhar o esforço, até de borla ela seria demasiado cara, a televisão… digital, analógica, a pilhas, ou a carvão de coque.

terça-feira, 29 de abril de 2008




Conta-me como foi. É o nome de uma série que a RTP passa por estes domingos, já ao fim da noite e que retrata o Portugal dos anos 60. Miguel Guilherme é o actor que representa o papel do pai da família protagonista da série. Até aqui tudo bem e reticências. Reticências porque a história começa aqui. No momento em que o jornal 24 Horas se cruza com Miguel Guilherme no Bairro Alto. Miguel Guilherme ele próprio, o actor, neste caso o cidadão. Diz assim a breve do 24, na página dedicada aos famosos: Miguel Guilherme passou pelo Bairro Alto este fim-de-semana. Continua a breve dizendo que foi visto a subir a rua do elevador da Bica. E diz ainda que ia sozinho. Mas de copo na mão. A notícia é clara nesse particular, Miguel Guilherme levava um copo na mão, na madrugada de sábado, quando o 24 Horas o viu a subir o elevador da Bica. Remata a notícia que Miguel Guilherme, apesar de estar sozinho, o actor se terá cruzado com alguns colegas de profissão com quem ficou à conversa.
E pronto. É só isto. A notícia não diz mais nada. O que é francamente preocupante e quase grave. Então Miguel Guilherme foi visto a subir a rua do elevador da Bica sozinho!? Na fotografia, que ilustra a breve, o actor aparece de casaco beije e camisa rosa desabotoada e sem gravata. A expressão é de facto de quem foi visto a subir o elevador da Bica sozinho. A verdade é que também podia retratar a cara de quem tivesse subido o elevador do Lavra, ou o da Glória. Podia mesmo ter até acabado de descer pelo de Santa Justa, que a cara não o haveria de desmentir, se fosse esse o caso. Mas não. Foi o da Bica, que aí vale o texto da breve para nos esclarecer. Por esclarecer fica entretanto a questão do copo que o actor alegadamente levava na mão. Cheio? Vazio? Meio cheio, ou meio vazio que, como se sabe, é uma velha questão filosófica que já fez secar muitas gargantas, sem grande consequência, para além de avaliar o estado de espírito de cada um?... Sabe-se que há quem prefira a primeira versão, quem prefira a segunda, conforme o optimismo da hora e da personagem em questão. Por isso adiante. E na hipótese do copo estar cheio?... Cheio de quê? E terá Miguel Guilherme conseguido vencer a subida com o copo cheio na mão e sem verter uma gota?
E o “apesar”, que abre o último período da prosa?... "Apesar de estar sozinho, o actor cruzou-se com alguns colegas de profissão, com quem ficou à conversa.” E se fosse acompanhado, excluía-se a hipótese de Miguel Guilherme encontrar mais alguém conhecido na rua, nessa madrugada e ficar à conversa? Claro que se fosse já acompanhado, enquanto subia a Bica, Miguel Guilherme talvez se demorasse um pouco menos na conversa com quem quer que fosse que encontrasse no caminho. E claro está – e ainda mais por maioria de razões – se a companhia fosse uma namorada – vamos supor – é também muito provável que o actor fizesse, o que se chama, vista grossa, aos transeuntes, que em matéria de amores e namoricos, mais que dois é já um engarrafamento…
Mas não. O jornal diz que o actor ia sozinho e que apesar disso encontrou uns amigos e ficou à conversa. É estranho. Quase insólito, mas foi o que aconteceu. A garantia é dada pelo jornal e nós só temos de acreditar, por mais bizarro que pareça.
Talvez a urgência do fecho de edição tenha impedido o intrépido repórter do 24 Horas de seguir o curso dos acontecimentos e respectivo desfecho.
Ficamos sem saber coisas fundamentais como: que levava Miguel Guilherme no misterioso copo? E o copo, ele próprio, era daqueles de plástico ordinário, ou cristal de Alcobaça?
E a tal conversa? Falaram de quê? E cumprimentaram-se como? E quantos amigos eram? Amigos recentes, ou de longa data? E cumprimentaram-se como? Um abraço efusivo e ruidoso? Um curto aceno de cabeça? Um aperto seco de mãos? E quem, cumprimentou primeiro quem? E com que mão o fez?
Enfim, são esta e outras angustiantes perguntas que nos ficam sem resposta. A menos que se consiga chegar à fala com o próprio. Com o actor Miguel Guilherme e pedir-lhe humildemente: Conta-me como foi…

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As boas práticas lembram-me sempre, por qualquer estranho fenómeno inexplicável, a “Ensinança de bem cavalgar em toda a sela” de d. Duarte, o rei filósofo.
Mas neste caso, as boas práticas de que se fala são as de requerer. De requerer e perguntar, que não são propriamente a mesma coisa. Na Assembleia da República Portuguesa a diferença é mesmo decisiva.
Diz o jornal, no caso o Diário de Notícias, que S. Bento vai dispor de um "guia de boas práticas" para a realização de requerimentos e perguntas, por parte dos deputados. A medida foi já aprovada pelas bancadas socialista, social-democrata e do CDS-PP.
Durante uma conferência de líderes, os parlamentares terão concluído que as perguntas são instrumentos de fiscalização e actos de controlo político e que só podem ser feitas ao Governo e à Administração Pública, não podendo, por isso, ser dirigidas à administração regional e local. Já os requerimentos destinam-se a obter informações, elementos e publicações oficiais que sejam úteis para o exercício do mandato de deputado e podem ser dirigidas a qualquer entidade pública.
E pronto.
E pronto não! Falta dizer que o prazo para resposta às perguntas e requerimentos é de 30 dias, salvo na presente legislatura, em que o prazo se dilata para os 60 dias, por se estar ainda, segundo dizem, numa fase de adaptação ao novo regimento.
A verdade também é que já não têm muito tempo para se adaptarem às boas práticas. O actual executivo já leva 3 anos de governação e mais um bocadito e vai ter de ir novamente a eleições… e com ele, S. Bento e respectivos deputados.
Mas não é para já. Para já, PCP e Bloco de Esquerda manifestam algumas reservas em relação ao proposto. No caso, discordam mesmo que não se possa interpelar directamente entidades públicas independentes do Poder Central, sendo que essa mesma interpelação já pode ser feita se, em vez de tomar a forma de pergunta, se apresentar como requerimento.
Digamos que é só, ou quase, questão de rebaptizar a própria questão. Dar-lhe outra embalagem, colar-lhe outra etiqueta.
Agora a utilidade desta informação, para o público em geral… para além de ficarmos a saber que ele há uma diferença substancial e determinante entre uma pergunta e um requerimento e que essa diferença, pelo menos ao mais alto nível, é coisa de radical importância… essa fica por esclarecer -a utilidade da informação.
Pode-se sempre perguntar directamente aos protagonistas da história. Sendo o Parlamento um órgão do poder central, dispensa-se o requerimento.
Agora aos meus amigos é que, mesmo sem requerimento, deixem que pergunte se esta coisa das Boas Práticas, de que agora subitamente tanto se fala, não vos começa já a parecer um pouco uma espécie de Aloé Vera da Administração Pública?...

E Otelo!?...
Otelo Saraiva de Carvalho. Em entrevista de página inteira ao El País, Otelo apresenta-se como o guionista, protagonista e realizador do 25 de Abril, em Portugal. O 25 de Abril de 74, obviamente!
Lá mais pelo meio lê-se que a participação de Otelo nos acontecimentos – e citemos – “teve mais a ver com vocação de actor e realizador do que com a mente de estratego.”
Que Otelo Saraiva de Carvalho queria mesmo era ter sido actor! Foi para militar por influência e conselho do avô. Disso, já tínhamos ouvido falar, agora este protagonismo quase exclusivo de Otelo na Revolução é que é de facto surpreendente. Voltemos rapidamente às aspas: "Fui o autor do guião, da decoração, o protagonista, o director e não precisei de anotador… " terá dito Otelo.
E nós a pensar que o 25 de Abril e o Movimento dos Capitães tinham alguma coisa a ver um com o outro e se calhar nem tem assim tanto. Foi Otelo, ele próprio, homem dos sete ofícios e instrumentos… Otelo, um verdadeiro mouro de trabalho, nessa fria e leda madrugada.

quinta-feira, 24 de abril de 2008


“Boneco de Adolfo Hitler escandaliza ucranianos”.
É o que diz o título da pequena notícia do Público. Pequena, mas com direito a fotografia, não fosse pensar-se, quiçá, que o boneco em causa fosse eventualmente algum brinquedo, memorabilia dos tempos de infância do ex ditador.
Do que se trata é de um pequeno boneco, de uns 40 centímetros de altura, em material plástico, como as Barbies e os Action Men, só que representa a figura do próprio Adolf Hitler, bigode e tudo. Bigode e guarda-roupa. Camisa e chapéu castanhos, fardas do início da carreira de Hitler, uniforme de guerra, com medalhas e galões. Ora acontece que o boneco deve sair para as lojas no princípio deste Verão, mas já está disponível em Kiev, em algumas lojas para coleccionadores e a polémica saiu para as ruas.
Três milhões de ucranianos podem ter morrido durante a 2ª Grande Guerra e essa memória é dolorosa e difícil de apagar. A maioria dos símbolos e imagens que invoquem ou façam lembrar Hitler e o nacional-socialismo são proibidas na Ucrânia, bem como toda a representação, considerada positiva, do regime nazi.
Acontece que, segundo um jornalista ucraniano terá dito à BBC, o governo de Kiev está a tomar medidas que podem levar a algum revivalismo neonazi, como ter distinguido recentemente um ex oficial do exército hitleriano com a medalha de Herói da Ucrânia. Isso pode levar as crianças a desejar ter em casa, não a reprodução do tal herói nacional ucraniano, mas a do próprio comandante em chefe, que o inspirou e conduziu.
Uma cidadã de Kiev, entrevistada pelo Público, terá dito que a ideia do boneco é parva - são estas as palavras reproduzidas pelo jornal. Uma ideia parva. Diz ela que todas as famílias ucranianas sofreram com os nazis e se hoje alguém comprar o tal boneco de que se fala… será mesmo e só para mostrar que o pode comprar.
O que, enfim, não será mau de todo. Saber que estão todos vivos, que o pesadelo já passou e que hoje têm saúde e poder de compra para gastar em bonequinhos de plástico com a efígie do próprio diabo.
E essa é uma comparação tudo menos casual. Que, com todo o respeito pela memória dos que sofreram e morreram aos pés da bota nazi, proibir a representação do diabo não lhe acaba com a raça e a peçonha.

De outra bonecada catita nos dá hoje conta o 24 Horas.
Diz assim, à laia de título: “Teixeira Pinto vai assinar contracto de pintor.”
Teixeira Pinto, se se lembram, já foi administrador do BCP, saiu e agora, diz que por insistência dos amigos, resolveu divulgar os quadros que foi pintando, por gosto e vocação, ao longo do tempo - consta que alguns deles terão mesmo sido pintados no pequeno atelier que montou no escritório do banco… foi o que li , não hoje, mas li.
Hoje, diz o 24 Horas que Teixeira Pinto assinou, ou vai assinar, um contracto de pintor. Enfim, se não soubéssemos do que se está a falar nem nos fosse familiar o nome da personagem em questão… um contracto de pintor, só assim… mais rapidamente nos remeteria para a construção civil do que para as Belas Artes, mas, não. É de Belas Artes que se fala. E diz o jornal que o galerista Agostinho Cordeiro, dono de uma das, diz o jornal que, mais conceituadas galerias do Porto se prepara para assinar um contracto com, diz o jornal, Teixeira Pinto. O galerista, esse diz que, com toda a justiça, temos pintor! E de primeira água! O galerista afirma mesmo que é sem reservas que poderá expor Teixeira Pinto ao lado de Antoni Tapiés, o mestre catalão e actualmente considerado como o melhor pintor do mundo, ou Vieira da Silva, ou outros de igual estatura e prestígio!!!
Ora aí está uma descoberta quase tão surpreendente como a notícia de que Carolina Salgado se prepara para escrever um 2º livro, na sua curta mas já auspiciosa carreira de escritora…


Sem fugir muito ao tema, saltemos no entanto de jornal. No Diário Económico não é novas vocações, ou talentosas revelações que se trata, mas antes de como sobreviver com sucesso em meio laboral assalariado, em geral.
Na página 57 ao canto diz assim: “Carreiras”.
É de carreiras que se fala. Que fala a jornalista Rita Saldanha da Gama. E escreve ela que mentir no escritório pode trazer benefícios. São portanto dicas para sobreviver com êxito em meio laboral. Começa por avisar que é aí, no trabalho que a maior parte das pessoas passa um terço da vida.
Ora para vencer sem sofrimento na progressão profissional recomenda a jornalista:
Não estar sempre do contra, mesmo que se ache que as ideias do chefe não têm pés nem cabeça, ou são mesmo um perfeito disparate.
Fazer um esforço para ser compreensivo, respondendo sempre com evasivas e expressões dúbias, pouco claras.
Usar o maior número possível de clichés, frases feitas, banalidades… juntar ao arrazoado quantidade q.b. de termos técnicos e palavrões arrevesados, palavras difíceis, para dar um ar entendido.
Aconselha-se também a tratar toda a gente pelo nome, para dar um ar de quem se interessa realmente e… delegar.
Delegar, delegar e delegar… o que também deve dar um ar de quem se preocupa com alguma coisa.
A intenção é das melhores e pode estar cientificamente comprovada.
Se esta é a imagem de um trabalhador cordato e bem sucedido… vista assim de repente, parece mais o fotolito de um cretino.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Não sei se é novidade para alguém. Para mim é. Olá se é!
Diz o Correio da Manhã que os Estados Unidos estão a mandar condenados para a frente iraquiana. E cada vez mais. Em 2006 eram uns 250 mobilizados para a guerra do Iraque sob a bandeira dos Estados Unidos da América do Norte. 249 criminosos, para ser mais exacto. O ano passado o número mais que duplicou, ultrapassando os 500, sendo que pode aumentar ainda mais durante este ano.
Neste momento, escreve o jornal, há na frente de guerra 87 condenados por agressão violenta ou mutilação, 130 que cumpriram pena por narcotráfico, ou consumo de estupefacientes, mais 7 condenados por ameaças terroristas e 2 pederastas. A denúncia do Correio da Manhã diz que foi notícia no New York Times, que afirma ainda que o Pentágono infiltrou analistas políticos, comentadores "reciclados" – digamos assim – a partir de militares na reserva, nos meios de comunicação social por forma a ir conduzindo a opinião pública no sentido de apoiar a guerra norte americana no Iraque. Por aqui não virá grande surpresa ao mundo… agora a história dos criminosos e dos condenados, não me lembra de ouvir nada parecido desde que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

E para que se não pense que só João Jardim tem declarações tonitruantes e assombrosas, atente-se na reacção do jornal russo Moskovki Korrespondent, que publicou a notícia da separação conjugal e do alegado namoro de Vladimir Putin com uma atleta ou ex atleta… enfim, o jornal chama-lhe uma amante.
Acontece que o mesmo jornal acaba de publicar um mea culpa e desmentido categórico, afirmando que a história da separação foi engano e a da amante de Putin foi "invenção de jornalistas embriagados".
Só uma sugestão. A esses tais jornalistas embriagados, porque não os mandam como repórteres de guerra para o Iraque? Assim como assim…

Depois não se queixem. Diz assim e é rápido: “O artista regressa”.
“Herman José está de regresso ao horário nobre da SIC”. “Em Maio, o canal de Carnaxide estreia "Chamar a Música", um concurso que põe os participantes a cantar, mas onde o que verdadeiramente conta é não ter boa voz, desde que se saiba a letra da cantiga…” Deixo só esta questão: o prémio vai ser o quê? A gravação de um disco? É que se for, é bem capaz de estar condenado ao sucesso. Adiante

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ora aí está uma iniciativa que não sei se vos diga se vos conte.
É uma iniciativa do Diário Económico e traz chamada de capa na edição de hoje.
Diz assim: “Conheça as leis para se proteger do Fisco”. Depois explica-se em sub título que se trata, não de matéria de reportagem, ou artigo de fundo, mas de um livro. Um livrito que o Diário Económico tem para vender por 6 euros. Sendo que o preço inclui a aquisição do próprio jornal. É então um livrinho que, segundo explica o Económico, se propõe ensinar ao leitor as defesas possíveis contra os abusos da administração fiscal. Ora vamos lá então a ver se nos entendemos. Porque diabo haveríamos nós, em primeiro lugar, protegermo-nos do Fisco? Então os impostos não são eles – se quisermos – um mal necessário para que o País funcione, nem que seja em serviços mínimos?... Pode custar um bocadinho mais, ou menos a todos e a cada um, mas é uma despesa que se impõe, até à descoberta de melhor processo, para custear as despesas todas inerentes ao governo de uma casa. Regatear o pagamento de impostos seria quase como ir ao talho e vir embora sem pagar as costeletas.
Por outro lado e ao mesmo tempo, podemos pôr a hipótese – que o jornal denuncia – de haver abusos por parte da Administração Fiscal?... Abusos, nesse sentido em que o alegado abusador está consciente do próprio abuso? Intencionalmente. Ou seja, não há hipótese de desculpa, ou dizer-se que foi só uma pequena distracção. Não, fala-se em abuso, contra o qual o cidadão se deve defender. Aqui, ingratamente, quase apetecia desejar que assim fosse e não essa coisa terrível que é a incompetência, o laxismo e a falta de responsabilidade. Isso são coisas mais difíceis de julgar, ou pelo menos de levar à barra dos tribunais. Os fiscais e os outros. Porque o abuso, seja ele de Poder, ou do que for é matéria palpável. Pode-se acusar alguém por isso, porque o próprio conceito da coisa implica alguma acção, uma intervenção activa do alegado criminoso. Agora a incompetência, o laxismo, a falta de responsabilidade são coisas diferentes. É um crime pasmado. Uma falta que não tem por onde se pegue. Um crime sem criminoso quase. Ou seja, o criminoso é tão parado de raciocínio que nem se apercebe do crime que comete. É quase desesperantemente inimputável.
Enfim, temos ainda uma outra hipótese em aberto para este livrinho que o Diário Económico traz hoje para vender por 6 euros, mais o jornal… A de que ele se destina a ensinar pequenos truques e dicas para dar a volta ao assunto. Ou seja, para o cidadão contribuinte renitente fintar o Fisco. Declarar, sem mentir, coisas que não são verdade, mas que para todos os efeitos fiscais conferem perfeitamente e ninguém vai preso, ou é incomodado por causa disso. Claro que aqui já entrámos num território pouco recomendável.
A verdade é que entre um Fisco que alegadamente abusa do cidadão contribuinte e um pagador de impostos que mente ao fisco e o engana nas contas… venha o diabo e escolha, que ambos estão bem um para o outro e não me parece que precisem de manual de instruções para coisa nenhuma

segunda-feira, 21 de abril de 2008


E vamos ao que importa, que de repente a história ganhou fórum de parábola de bom proveito e exemplo. Enfim, o bom proveito não tem forçosamente a ver com o facto da matéria em análise ser matéria comestível.
Falamos obviamente do caracol. Que hoje foi noticia, porque uma empresa de Torres Vedras quer ser líder europeia no sector. O da produção e venda de caracóis.
Os caracóis de Torres Vedras, da Escargot Oeste. De momento a empresa tem uns 20 mil exemplares reprodutores em cativeiro e quer aumentar a colónia para os 100 mil. É um aumento de peso. Mais… e chegamos ao que importa – a Escargot Oeste quer ser líder europeia na exportação da baba do caracol! Nem mais. É que a baba do caracol está a revelar-se como a nova coqueluche da cosmética. A baba do caracol é usada cada vez mais em cremes e loções e bálsamos variados. Mas há que atentar neste essencial! É que a baba em questão há que recolhê-la de caracóis sob pressão psicológica. Vulgo: caracóis em stress. Consta – cientificamente, parece – que, sob stress, os caracóis, como nós todos, afinal, segregam uma qualquer substância que – ela sim - terá as tais propriedades cosméticas, que já se vão anunciando em embalagens avulsas de cremes e outros unguentos…
Será adrenalina. A não muito falada, mas ao que consta bem real, adrenalina do caracol?... Será.
Ora, se for, temos aqui já um problema… é que se exclui da lista, pelo menos à partida, os caracóis que vivem em estado selvagem. Enfim, também terão as suas razões para stress, como todos nós, no dia a dia, mesmo sem restrições especiais à nossa liberdade. Claro que, num ambiente de reclusão, a ansiedade será forçosamente maior e a tal secreção há-de aumentar à proporção do estado de nervos da criatura em questão. Daí que, obviamente, a baba dos caracóis em cativeiro será forçosamente a mais indicada para o propósito. Vivem em ambientes fechados e sobrelotados, sem muito mais que fazer que comer, dormir e procriar… o estado de insatisfação e ansiedade há-de atingir níveis insuportáveis, até mesmo para um caracol.
Se, avisadamente, o criador lhes criar um ambiente de vida ainda mais insuportável, por exemplo ir-lhes infernizando diariamente a vida com notícias desagradáveis, ou pequenas contrariedades , então aí a produção há-de subir em flecha e superar todos os mais altos padrões de excelência.
Claro que sobra entretanto um outro pequeno problema.
É que a situação … enfim, o mercado exige que a baba seja colhida de um animal sob stress… ora tendo em conta o terrorismo psicológico que qualquer detenção arbitrária – como é o caso dos viveiros de caracol – implica , é de prever uma reacção enérgica e inequívoca dos defensores e protectores dos direitos dos animais. É de esperar. É de toda a justiça e pertinência.
Por outro lado há ainda este pequeno pormenor. O do caracol que não se baba. Nestes casos as hipóteses são poucas. Não a de um caracol não se babar, que já vos deve ter acontecido ver alguns… pois nestes casos, das duas uma, se o caracol não se baba é porque: ou está a hibernar, ou atingiu finalmente o estado de Buda. Sem stress.
E é sem stress que vos aconselho a guardar esse exemplo que a fábula nos deixa: se levarmos a vida com uma certa calma, podemos poupar-nos a muitos e desagradáveis problemas. A alguns vexames, mesmo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008


Duvidosa?!... Muito duvidosa mesmo.
Exagerada e alarmista?!...
Pois esse, meus amigos, é um dos segredos e alma do negócio!
O da publicidade, entenda-se. Havia mesmo, em tempos, um reclame que perguntava, a propósito acho eu de uma espuma de barbear, perguntava porque é que os publicitários eram todos uns exagerados. A pergunta era feita por um cavalheiro que ensaboava a cara com o novo produto que prometia espuma superabundante. O consumidor em causa duvidava da propaganda e era isso que ia comentando à medida que espalhava o sabão na cara e a espuma ia crescendo até lhe tornar quase ininteligível a fala …
Mas o que importa agora é que a polícia de segurança pública – vulgo PSP - está a investigar as circunstâncias em que uma empresa de segurança está a promover os seus serviços em alguns locais do concelho de Cascais. É assim, tal e qual que escreve o Público desta 5ª feira.
A campanha em causa alerta para – e abrem-se aspas – o "aumento de assaltos e actos de vandalismo”.
Ora o jornal fez questão em conferir a informação com a própria PSP e acontece que o comando metropolitano da corporação terá confirmado ao Público que as estatísticas de 2007 e deste ano não justificam qualquer alarmismo, embora se tenham registado alguns aumentos. Ora, aqui vamos introduzir, sub-repticiamente um " de facto" na expressão e ver como fica: embora se tenham – de facto – registado aumentos. O que continua a não ser caso para alarme.
Aliás, um responsável da própria empresa já reconheceu que o tom da campanha é talvez um pouco alarmista, mas devolve a responsabilidade à agência responsável. Enfim, também é verdade que, se achassem mesmo que o tom da campanha podia assustar alguém ou era menos próprio, podiam sempre ter dito a tempo e horas que obrigado, mas não obrigado, tentem lá de outra maneira… o que não foi feito.
E que, para o caso também será de menor importância. O que preocupa mesmo e muito a sério é o futuro de alguns homens políticos da nossa coisa pública. Esses que, quantas vezes até no próprio Parlamento, interpelam o governo e a Nação, lançando justamente esse alarme da insegurança crescente e sem controle. A ver se a policia os não leva ainda para averiguações e responso.

Sem alarme, mas definitivo e pragmático o Provedor da Arquitectura – sabiam que havia um? Adiante. – Francisco Silva Dias, o provedor da Ordem dos Arquitectos acha que a projectada ponte Chelas/Barreiro… não é o caso de não se parecer com nada, o problema é que se parece demasiado com as outras duas que já lá estão sobre o Tejo.
Diz o provedor que a qualidade estética daquelas obras de arte ficará comprometida. Bom, comecemos por aí. De engenharia serão, agora de arte, talvez pudéssemos deixar essa apreciação para outra altura, por isso adiante. Diz Francisco Silva Dias que " uma das características das obras de arte é serem singulares, mas, se temos 3 pontes iguais é a repetição do mesmo objecto e a sua desvalorização”.
Enfim, depende. Se pintarmos cada uma de cor diferente e suficientemente berrante e em vez de mais uma, construirmos mais umas 3 ou 4, todas iguais e todas diferentes na cor – berrante – isso é fundamental… podemos sempre dizer que é um tributo a Andy Wahrol.
Isso podemos dizer, agora dizer se é arte ou não, o melhor é perguntar a quem esteja mais por dentro do assunto.

quarta-feira, 16 de abril de 2008


Ora temos então que para a Europa e quase de um dia para o outro é a China e já não tanto os Estados Unidos da América do Norte o inimigo público nº 1. Enfim, talvez a linguagem seja aqui um pouco forte. O que se passa é que para 35% dos europeus, a China passou a ser encarada como a maior ameaça mundial, da actualidade.
A questão tibetana e o comércio são as pontas de lança dessa ameaça. Isto segundo um inquérito publicado pelo Financial Times. A sondagem foi feita em 5 países europeus: Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Espanha. Até hoje eram os Estados Unidos quem ocupava este lugar de honra. Depois da sondagem, apenas os espanhóis se mostraram fiéis a essa suspeita – a de que são os Estados Unidos a nação mais perigosa, mais ameaçadora da paz e estabilidade no mundo.
Enquanto isso, nos Estados Unidos a reacção é obviamente diferente, se bem que venha dar ao mesmo, em termos práticos e finais. Ou seja, para Washington, o perigo eminente que a China representa vem substituir e amenizar o labéu que até hoje pendia sobre alguns históricos do eixo do mal – a saber: Irão e Coreia do Norte. Ou seja, ou os americanos sabem de algum plano chinês para derrubar o Empire State Building, ou então o receio é que Pequim lhes tome de assalto os McDonald.


E é justamente nos Estados Unidos da América do Norte que o Papa está em visita de Estado, por estes dias.
Ontem, voando a caminho de Nova Iorque Bento 16 disse que estava envergonhado e que os padres pedófilos não deveriam ser padres. Ou antes que os pedófilos não podem ser padres. Ficou prometida uma homilia para sábado que vem a propósito do assunto. Um assunto que já custou, à Igreja Católica, 2 mil milhões de dólares em indemnizações às vítimas.
O papa disse então que estava profundamente envergonhado. Dificilmente poderia ter dito outra coisa qualquer … a verdade é essa. Garantiu entretanto que crimes destes nunca mais hão-de acontecer no seio da Igreja a que preside. Disse também que não consegue compreender como é que houve padres que puderam trair assim as obrigações a que estão sujeitos. Disse ainda, o Papa, que a prevenção é a melhor forma de combater a pedofilia. E que essa prevenção deve começar nos seminários, com uma profunda preparação espiritual, humana e intelectual dos aspirantes ao sacerdócio. Deus o oiça, que apesar de tudo e mesmo sem as aberrações pedófilas de que se fala, a preparação espiritual, humana e intelectual é coisa que dá sempre jeito, seja a um padre, ou a qualquer pessoa com responsabilidades de contacto directo com o público. Com as pessoas. Com o resto do mundo. É o nosso sacerdócio. De nós todos.


E, de repente, li assim: alunos processados por computador. Mas era obviamente um erro de leitura. E isto, meus amigos, erros de leitura são uma coisa terrível e de resultados por vezes assombrosos e surpreendentes. Mas antes disso vamos a um exemplo prático. Por exemplo, eu ligava o computador e escrevia no meu blogue, ou num desses sites de conversação em linha, de opinião avulsa… escrevia, identificando-me como, por exemplo, bispo de Cracóvia, escrevia, por exemplo que o Papa era um ladrão de cavalos, ou que andava a roubar couves para fazer sopa. Pela mesma ordem de razões a que se prende a notícia, não era o tribunal dos homens o que me esperava, mas a excomunhão, o degredo, o fogo do Inferno, a condenação eterna!
Mas vamos à história. E a história passa-se em Sintra, mais concretamente na secundária da Portela de Sintra.
O conselho executivo da escola não gostou de ler os comentários que alguns alunos publicaram na Internet, num site muito popular de conversação e troca de opiniões e delírios poéticos e românticos.
Acontece que os comentários publicados se referiam a alguns professores da escola. Os alunos iam dizendo, uns para os outros e para quem aterrasse, por acidente que fosse, na página em causa, o que realmente pensavam dos professores que tinham, o que realmente lhe ia na alma.
Os comentários não são dos mais lisonjeiros, convenhamos – por exemplo chama-se labrega a uma professora, a outra, levanta-se a questão se ela – e passamos a citar – baterá bem. Em forma de desafio lança-se a questão: quem achar que a professora de Biologia não bate bem venha comentar aqui… e a questão põe-se porque alegadamente a referida professora tem o hábito de dançar enquanto dá a matéria. Noutro caso, a questão que se levanta é sobre uma outra professora, a de ginástica, que os alunos criticam e acusam de pouca compreensão com a pouca preparação física de alguns alunos. Chegando-se mesmo a acusá-la de discriminação em relação a um dos estudantes da escola.
Por estas e por outras é que o caso ameaça seguir para os tribunais. A presidente do conselho directivo terá já convocado uma reunião com os pais dos alunos para lhes dar conta do processo disciplinar em curso. Um processo a cada aluno. E mais ainda, a escola vai avançar com um processo cível por difamação dos professores em causa.
O jornal Correio da Manhã escreve que tentou saber, junto da escola, porquê uma reacção tão – violenta quase – esta do processo cível. A escola terá respondido que só tem obrigação de responder à Direcção Regional de Educação de Lisboa. E isto por mais que os pais se queixem ou questionem da pertinência da medida anunciada – a do processo cível.
Ora aí está o primeiro erro. Parece que gravito quanto baste. É que a escola tem sim senhor de prestar contas aos pais dos alunos. Para já e em primeiro lugar porque são quem lhes paga os ordenados e depois porque, mais que obedecer a ordens e hierarquias e burocracias e outras alegorias… a escola tem mesmo e em primeiro lugar que saber o que pensam e acham e querem os pais dos alunos. Mesmo que eles estejam completamente errados. Tem de ouvi-los e dialogar com eles e procurar com eles as soluções que são precisas para todas as situações que se passam portões adentro da escola.
Não se pode soltar aos 4 ventos o chavão da escola integrada, não se pode exigir e reclamar a presença dos pais e encarregados de educação para depois os deixar a falar sozinhos quando têm uma opinião que colide com a da escola. É que a verdade é que já vários pais dos alunos em causa se manifestaram achando a reacção um pouco excessiva, em relação aos factos.
Depois temos este pequeno pormenor – o de que tudo se passa no ciberespaço. Onde, como já se viu, qualquer um se pode fazer passar por qualquer um e dizer o que lhe passa pela cabeça. Isso é tecnicamente possível e só muito dificilmente desmascarável.
Mas tirando isso, a Internet tem essa outra característica que a torna única como meio de expressão e comunicação. É o sítio onde a liberdade é tanta que, se fossemos a levar a sério e à letra tudo o que lá vem escrito e publicado, já nos tínhamos todos refugiados numa gruta à espera do fim do mundo.
Por outro lado, sendo uma porta tão despudoradamente aberta ao mundo, a Internet é o sítio onde as maiores intimidades se revelam sem constrangimento. Com o mesmo à vontade com que se confiam a um diário os pensamentos mais secretos, os medos, as alegrias…
Mas voltemos ao assunto. A verdade é que esta secundária da Portela de Sintra perdeu uma oportunidade doirada de ficar a saber, sem grande esforço, o que os alunos realmente pensam dos professores que têm. Em vez disso resolveu processá-los. A partir de agora, os comentários talvez desapareçam da Internet, mas vão certamente crescer de tom e violência, pelos corredores, passos perdidos e recreio da escola. Vai uma aposta?...


terça-feira, 15 de abril de 2008

Diz Alejandro que é um avanço. Alejandro está radiante, segurando na mão o contracto que torna finalmente legal o pequeno telemóvel que guarda ciosamente no bolso do casaco. Durante anos Alejandro viveu fora da lei. O telemóvel que tinha era clandestino. Fora registado em nome de um cidadão estrangeiro. Era essa a única forma, na Cuba de Fidel, de um cidadão cubano poder usufruir dessa maravilha tecnológica – o telemóvel. Agora, na Cuba de Raul, o uso de telemóvel foi liberalizado. Já não é de uso exclusivo de estrangeiros ou de quadros e responsáveis políticos da Nação. A partir de agora, Alejandro é um homem livre, nesse sentido em que pode deixá-lo tocar sem constrangimento em qualquer lado, no meio da rua, onde for e tirá-lo depois com gesto largo, do bolso do casaco e atender a chamada com voz firme e sem medo de ser preso, ou ver-lhe confiscada a arma do crime – no caso e uma vez mais – o telemóvel.
Ora a notícia diz que, ontem, em Cuba, as filas davam a volta ao quarteirão, para comprar telemóveis. Diz ainda que o custo de um único destes aparelhos, vendidos em exclusivo pela companhia nacional dos telefones cubana… custa cada um cerca de 9 vezes o salário de um cubano médio. Ou seja, um cubano ganha em média 18 dólares por mês. Um telemóvel dos mais baratos custa-lhe 65 dólares. Dos mais baratos é já quatro vezes o ordenado…! Até 9 meses de trabalho só para pagar o aparelho de qualidade mediana. Acontece que, segundo a notícia, o número de gente disposta a esse sacrifício fazia uma fila a perder de vista em todas as sucursais da telefónica cubana.
Dê-se para já de barato – ou melhor – de graça mesmo, os custos das próprias chamadas e serviços, para além da quase certa febre de novidade que leva muito boa gente a muitos e generosos desvarios. E nisso, os adolescentes cubanos, para já, não hão-de ser muito diferentes dos do resto do mundo, pelo menos do mundo que usa telemóveis.
Mas para já, Alejandro está feliz. E está feliz porque agora tem um objectivo muito concreto e definido na vida: trabalhar um ano para juntar para um telemóvel novo.
É miserável como objectivo de vida? Será. Bem pior é não ter objectivo nenhum.


quarta-feira, 9 de abril de 2008


Vi há tempos um documentário na televisão . Uma reportagem com uma tribo de índios brasileiros que comiam as cinzas dos antepassados mortos , diz que, por uma questão de respeito.
A História das civilizações é exemplar em casos semelhantes. Desde guerreiros que comem as vísceras, ou bebem o sangue dos adversários caídos em combate, para lhes absorver a valentia e a "anima", a toda uma série infindável e variada de superstições e amuletos para todos os medos e situações. A essas pessoas costuma chamar-se (paternal e carinhosamente ) bárbaros.
Também é pródiga, a História das religiões, em relíquias. De santos, para já. Pedaços da roupa, fragmentos de osso, objectos pessoais… por aí. Relíquias de culto e devoção.
Pois a igreja polaca quer agora exumar o coração de João Paulo 2º. O papa morreu, fez 3 anos, este Abril. O ex presidente da Conferência Episcopal da Polónia não exclui a hipótese de, depois da beatificação, o coração de João Paulo 2º ser exumado e levado como relíquia, para ser exposto na catedral de Cracóvia, cidade onde CarolVoitila foi arcebispo.
Um porta voz do actual arcebispo de Cracóvia já disse que não é forçoso que seja o coração do papa. A igreja reconhece como relíquia sagrada qualquer objecto que tenha pertencido ao beato, ou santo, ou mártir em questão. Garante, no entanto, que certo, certo é que Cracóvia há-de receber qualquer coisa que valha como relíquia de João Paulo 2º, para veneração dos fiéis polacos e outros que queiram peregrinar até Cracóvia para o fazer.
A decisão final cabe ao actual papa, Bento 16. A decisão sobre a hipotética exumação do coração de João Paulo 2º.

E deixemo-nos ficar, um pouco mais, no reino dos mortos.
O cemitério de Copenhaga tem, a partir de agora, um talhão próprio para homosexuais.
Diz a notícia, que o espaço reservado pode receber 45 urnas, ao preço de 267 euros por cada lote.
A Associação Arco íris, que arrendou o espaço no cemitério de Copenhaga, diz que o objectivo é que os homosexuais e as lésbicas possam ser sepultados uns ao lado dos outros. O espaço será decorado de forma simbólica, por um triângulo de cascalho desenhado no chão, no meio do qual será colocada uma pedra. E em cima da pedra, a bandeira que os identifica. Os identifica enquanto movimento. A bandeira com um arco íris pintado. Será decerto uma alegria para os olhos de quem visitar o cemitério de Copenhaga, mas parece ao mesmo tempo, um pequeno recuo, na luta pela igualdade. Isto para não dizer que, ao que me soa mesmo é a uma valente paneleirice.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vários tibetanos raparam o cabelo, como forma de protesto pacífico contra a China. Escreve o Público, nas centrais. Cabeças rapadas para dar nas vistas. O protesto é transnacional, por onde a chama olímpica tem passado, as manifestações têm – se sucedido, em protesto contra a política chinesa no Tibete e contra as violações dos direitos humanos dentro da própria China.
E podemos estar a ver muito mal a situação, mas a impressão que fica é a de que, nunca como agora, a chama haveria de arder com violência mesmo, para que não restassem dúvidas quanto ao espírito dos Jogos. Para que o exemplo iluminasse os homens, a começar pelos que têm responsabilidades políticas.
Em Londres tentou-se e em Paris os manifestantes conseguiram mesmo apagar o facho olímpico. Ironicamente, o gesto reflecte, mais que um protesto, a realidade dos factos. A extinção anunciada desse espírito de união, de celebração da vitória pessoal e colectiva sobre todas as barreiras. As que se vêem e as outras…
Os protestos são mais que legítimos, disso estaremos todos, ou quase todos de acordo. E ninguém põe em causa a autoridade que assiste aos populares, às organizações não governamentais, aos movimentos cívicos e de solidariedade, aos próprios cidadãos chineses e tibetanos de aproveitar a oportunidade para desinquietar as consciências e a própria normalidade dos Jogos Olímpicos. Houve quem o fizesse já, por razões idênticas durante os próprios Jogos, como os Panteras Negras, em 68, no México. Ou antes ainda e quase sem querer, Jesse Owens, em 36, subindo ao podium perante o olhar angustiado de Adolf Hitler. Já antes, em 33, o Comité Olímpico Internacional tinha tido muitas e sérias dúvidas quanto à Alemanha nazi ser a organizadora dos Jogos. Desde então, pouco se terá aprendido na matéria.
Porque a verdade, por difícil de tragar que seja, é esta; passados os Jogos, a China vai continuar a ocupar o Tibete e alegadamente a tratar mal os seus cidadãos portas adentro e o resto do mundo vai continuar a manter relações diplomáticas e comerciais e outras com Pequim e a receber com honras de estado os políticos chineses em visita oficial e a estender-lhes a mão e a passadeira sempre que cá vierem almoçar.
A verdade é que os Jogos Olímpicos se realizam de 4 em 4 anos e o mundo tem, todos os anos, 365 dias para fazer a vida negra ao governo chinês.
366, nos anos bissextos.


sexta-feira, 4 de abril de 2008



Chegou então o fim do mundo. Pelo menos para Piotr Kouznetsov, o líder da seita ortodoxa russa que se refugiou, há 5 meses, numa caverna à espera do Dia do Juízo.
Ele, mais os seguidores, claro está. 34 pessoas ao todo. Barricaram-se num abrigo subterrâneo, na região de Penza, que fica a uns 700 km a sudoeste de Moscovo, já que perguntam… E chegaram mesmo a ameaçar fazer-se explodir, se a polícia os tentasse fazer sair do buraco. Acontece que longa se tornava a espera e o mundo não havia meio de acabar. Foi isso que fez perder a paciência aos fiéis e voltarem-se contra o profeta do apocalipse.
Acontece que parte do tecto da gruta terá entretanto caído, o que é sempre desagradável, mesmo quando se está à espera que o mundo acabe e nós com ele.
Uns começaram a desistir, discreta e pacificamente, saindo da gruta e voltando ao mundo exterior…
E agora foi a vez dos últimos se fartarem e revoltarem-se mesmo e violentamente contra o líder da seita. Diz o jornal que o guru sofreu mesmo um traumatismo craniano grave, no meio da refega. Enquanto isso, os sobreviventes do holocausto, que afinal não houve, abandonaram a gruta e regressaram à vida normal.
Agora a verdade é que, para o líder da seita a profecia realizou-se mesmo, de certa forma, ou seja, o mundo acabou mesmo. Pelo menos, o dele. Ou seja, para ele próprio, a diferença não há-de ser muita.

E já agora, para que não se diga que nunca se dá destaque, nestas efémeras crónicas, à actualidade económica, que faz as manchetes dos jornais da especialidade, pois paremos então hoje aqui mesmo nesta inequívoca capa do Diário Económico.
Uma capa que não deixa margem para dúvidas. A fotografia ocupa por inteiro a capa do jornal. A legenda que a explica foi reduzida ao mínimo. Meia dúzia de palavras de sentido vago, quase encriptado, o que só pode querer dizer que a imagem vale aqui, de facto, mais que mil palavras.
E que diz a imagem? Que o actor e modelo fotográfico Paulo Pires fez a barba. É a primeira e mais óbvia conclusão a que se chega quando se chega à capa do Diário Económico desta 6ª feira. É verdade que a podia ter feito um pouco melhor para a fotografia. À barba. A cara do actor podia de facto estar mais escanhoada, mas, se calhar, se assim fosse, já não seria notícia, nem merecia a capa do Diário Económico.
Mas assim, tal e qual como está, com a cara de quem fez a barba com uma gilette já com meia dúzia de barbas no currículo, o actor Paulo Pires recebe os leitores na capa do Diário Económico, como se essa fosse de facto a notícia mais importante que o jornal tem para dar hoje aos leitores. É esta a face visível do jornal, nos expositores dos quiosques e tabacarias. Claro que, quem quiser saber mesmo o que é que o jornal tem para dizer hoje aos leitores, das duas uma, ou compra o jornal, às cegas, ou, se quisermos, confiando cegamente em que o que o jornal trás para contar vale mesmo 1 euro e 50 cêntimos e depois seja o que deus quiser… Ou então pode sempre tentar discretamente folhear o jornal, ainda no expositor, para saber o que vem lá dentro.
Ora acontece que esse é um gesto que muitos vendedores não gostam. E se calhar com razão. Se toda a gente pegasse e folheasse os jornais antes de os comprar, ao fim de um bocado os jornais haveriam de estar num tal estado de sujidade e desalinho que já ninguém os quereria comprar, nem por 15 tostões, dos antigos.
Mas adiante que, hoje, de fotografias estamos bem.
Durão Barroso acusado de saber da utilização de barcos com prisioneiros suspeitos de terrorismo. Depois dos voos da CIA que sobrevoaram e utilizaram mesmo território nacional português para o transporte de prisioneiros a caminho de Guantanamo, agora a Reprive, organização de defesa dos direitos humanos, veio denunciar a utilização de um navio prisão norte americano, que terá cruzado as nossas águas e feito escala em portos portugueses. A denúncia da organização acusa Durão Barroso, enquanto primeiro-ministro de Portugal, de estar ao corrente destas movimentações.
O Diário de Notícias trás a história e a fotografia que a ilustra.
Diz a legenda: Durão visado sobre navio prisão. E na fotografia, Durão Barroso aparece meio escondido atrás do que pode ser a ombreira de uma porta. Tem as mãos nos bolsos e uma expressão que pode denunciar alguma apreensão. Eventualmente até a expressão de quem diz, ou pensa, oh diacho, como é que eu vou agora convencer esta gente de que não tenho culpa nenhuma naquilo de que me acusam?...
Pois já no Jornal de Notícias a fotografia que ilustra a mesma notícia é bem diferente. Aqui Durão aparece, como presidente da Comissão, percebe-se que sim por causa da plaquinha colocada sobre a mesa à frente e que o identifica como tal.
A fotografia foi tirada durante uma sessão de trabalho de uma qualquer instância comunitária. Percebe-se que sim pelo aparato e pelas outras personagens que se sentam ao lado dele. E aqui não há dúvidas que Durão já ultrapassou o susto, ou a expectativa que lhe ensombrava o rosto na foto do DN. Aqui Durão sorri aberta e francamente. Quase como se dissesse… o quê?!... Que já foi tudo esclarecido e provado como um enorme mal entendido?... Ou então não! Ou então, que sabia sim senhor, e daí?!...

Mas enfim, o que Portugal precisa mesmo é de mais licenciados. Pelo menos é o que garante a manchete do JN, citando Mariano Gago, o ministro das ciências tecnologias e ensino superior.
Foi ontem, à saída do ISCTE, onde falou durante a Conferência Internacional, na apresentação do relatório da OCDE sobre o Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento. E disse então o ministro que Portugal acordou tarde para o Superior. Só muito tardiamente percebeu – e estamos a citar – Portugal só muito tardiamente percebeu que precisa de muitas mais pessoas com formação superior e que o número de licenciados não chega para fazer uma economia mais desenvolvida e um país mais culto. Isso é tudo capaz de ser bem verdade, mas permito-me uma pequena ressalva. Essa do país mais culto…. Tenho para mim que, Portugal deve ser um dos países mais cultos de toda a Europa civilizada. Pelo menos se atentarmos no número de licenciados que anda a vender pizzas pelo telefone ou atender reclamações em Call Centers! Dificilmente se encontra pessoal mais qualificado, mesmo em pizzarias italianas.

Também é verdade que há sempre alternativas, para quem se dê mal com pepperonis e afins. É que a Agência Espacial Europeia tem 8 vagas para astronautas!
Esperam-se umas 50 mil candidaturas. É obra. Tanto mais que durante 9 anos as admissões estiveram fechadas.
O concurso está aberto aos 17 países que pertencem à organização – a ESA. Portugal incluído.
Não se pense em grandes viagens inter galácticas. O objectivo destes novos recrutas fica-se pela Estação Espacial Internacional. Mas são missões consideradas de longa duração. Três meses e um trabalho de grande complexidade técnica e científica. O que pode implicar passeios no espaço, em tarefas de manutenção do material e dos diversos módulos da estação.
Diz a notícia que a idade ideal é entre os 27 e os 37 anos e o contracto é válido o compromisso é por 20 anos.
Informação mais em pormenor é conferi-la no sítio da organização na Internet: aqui fica – http://www.esa.int
Só uma última informação, para os candidatos masculinos, mas não forçosamente só para eles… enfim, para quem for mais desenvolvido de musculatura, mais encorpado e robusto não haverá grande hipótese à partida. E só por uma razão. O espaço útil no interior da Estação Espacial é reduzido e cada centímetro cúbico é valioso demais para ser ocupado pelos bíceps e peitorais de qualquer Tarzan Taborda com aspirações a Neil Armstrong.
A selecção é naturalmente rigorosa neste e outros aspectos mais técnicos e de preparação física. Por exemplo, da última vez, dos 22 mil candidatos, só 4 foram escolhidos.
Mas vale sempre tentar. Apesar de tudo é capaz de ser mais divertido do que vender Pizzas pelo telefone…

quarta-feira, 2 de abril de 2008

30-3-8


Margarida Oliveira é a única reumatologista no interior, de Faro até Bragança. Diz o Público como exemplo.
A manchete, essa diz que os hospitais em zonas periféricas não conseguem atrair clínicos e que só foram preenchidas 10, das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas.
Continua-se depois explicando que a maior parte das unidades fica no interior e serve uma população cada vez mais envelhecida. Diz-se ainda que é a concorrência dos hospitais-empresa quem vem aumentar estas dificuldades todas.
O jornal dá o exemplo do hospital de Castelo Branco, onde em Fevereiro abriram vagas para 6 médicos de várias especialidades e nenhuma delas foi preenchida até hoje. Todos os anos abrem dois concursos para preencher vagas de especialidades várias em hospitais mais carenciados. No último concurso, só 10 das mais de 100 vagas foram preenchidas.
Para o presidente do hospital de Castelo Branco contractar, o ano passado, um pneumologista e conseguir fixá-lo no posto de trabalho foi quase uma lança em África. Foi a excepção que confirma a regra.
Para um outro clínico, neste caso o presidente do hospital da Guarda, a falta de especialistas pode não chegar a comprometer o funcionamento das unidades hospitalares, mas, com uma população envelhecida (que os novos, já se sabe, procuram vida noutras urbes…) a situação pode complicar-se com as listas de espera a aumentar exponencialmente. Na Guarda, dos 124 especialistas necessários, o quadro fica-se pelos 70. Ao todo, entre internos e contratados, o hospital da Guarda tem 108 médicos no activo, mesmo assim, abaixo das necessidades.
Para o bastonário a culpa é do sistema, que avança a duas velocidades. Com a criação dos hospitais-empresa o mercado sofreu uma mudança substancial. Uma mudança que se reflecte não só nos ordenados, como também nas próprias condições de trabalho, tanto em instalações como equipamentos. É por isso e é só mesmo por isso. Diz o bastonário.
Para o bastonário, a abertura de vagas carenciadas – escreve o Público - é a herança de um tempo em que todo o sistema era público e era possível fazer uma "gestão centralizada das carências a nível nacional". Com a livre contratação dos Hospitais Empresa passa-se a um sistema de planificação central para funcionar o mercado, o que quer dizer… ganha – diz o bastonário - quem consegue atrair profissionais. A única coisa que os hospitais de gestão pública podem oferecer neste momento é um vínculo ao Estado. À função pública e esse foi já um chão que deu uvas. Não convence os médicos actualmente. Diz o presidente do Hospital da Guarda, que hoje só uma minoria se deixe encantar por essa regalia. Muitos, a maioria, preferem um vínculo precário à entidade empregadora, desde que isso os mantenha nos grandes centros urbanos. E mesmo isso… Em Faro, as 8 vagas abertas no concurso deste ano ficaram todas por preencher. E Faro nem fica propriamente por detrás dos montes…
Ora a solução entretanto encontrada tem sido a de contratar médicos de empresas externas e que prestam serviços pontuais para resolver questões, que essas, de pontual não têm nada. São tarefas e necessidades do dia a dia de qualquer hospital.
Em Beja a solução é aliciar os jovens médicos com prémios em dinheiro para os fixar ao posto de trabalho. Aos jovens médicos que ficarem por 3 ou 5 anos no hospital de Beja, a administração oferece incentivos remuneratórios no internato. Mas, apesar de ser um hospital-empresa, Beja avisa já que não tem orçamento milionário para pagar a médicos com dúvidas existenciais, ou outras…
O presidente do Conselho Nacional do Médico Interno faz o diagnóstico da crise e é sem reservas que diz que o problema é que a liberalização do sector veio na pior altura. Com a alegada falta de mão-de-obra, o que acontece é que os jovens médicos preferem, mesmo assim, ou por isso mesmo, aceitar contractos individuais de trabalho nesses hospitais-empresa, ou então virarem-se definitivamente para o privado. Esses hospitais do interior são pouco atractivos, têm más condições de trabalho e condições nenhumas de renovação ou de formação dos mais novos na profissão. Um quadro clínico da situação que é preocupante e prenúncio de morte para os hospitais do interior do país.
Fica portanto a informação para todos os eventuais futuros utilizadores das especialidades em défice nos hospitais públicos, portugueses… a culpa é do sistema, que ainda pensa que os médicos vivem do ar e que não têm mais nada que fazer que tratar de gente com problemas de saúde, perdida lá para os confins desse Portugal profundo, ou lá o que é, que era só mesmo o que mais faltava …