quinta-feira, 24 de abril de 2008


“Boneco de Adolfo Hitler escandaliza ucranianos”.
É o que diz o título da pequena notícia do Público. Pequena, mas com direito a fotografia, não fosse pensar-se, quiçá, que o boneco em causa fosse eventualmente algum brinquedo, memorabilia dos tempos de infância do ex ditador.
Do que se trata é de um pequeno boneco, de uns 40 centímetros de altura, em material plástico, como as Barbies e os Action Men, só que representa a figura do próprio Adolf Hitler, bigode e tudo. Bigode e guarda-roupa. Camisa e chapéu castanhos, fardas do início da carreira de Hitler, uniforme de guerra, com medalhas e galões. Ora acontece que o boneco deve sair para as lojas no princípio deste Verão, mas já está disponível em Kiev, em algumas lojas para coleccionadores e a polémica saiu para as ruas.
Três milhões de ucranianos podem ter morrido durante a 2ª Grande Guerra e essa memória é dolorosa e difícil de apagar. A maioria dos símbolos e imagens que invoquem ou façam lembrar Hitler e o nacional-socialismo são proibidas na Ucrânia, bem como toda a representação, considerada positiva, do regime nazi.
Acontece que, segundo um jornalista ucraniano terá dito à BBC, o governo de Kiev está a tomar medidas que podem levar a algum revivalismo neonazi, como ter distinguido recentemente um ex oficial do exército hitleriano com a medalha de Herói da Ucrânia. Isso pode levar as crianças a desejar ter em casa, não a reprodução do tal herói nacional ucraniano, mas a do próprio comandante em chefe, que o inspirou e conduziu.
Uma cidadã de Kiev, entrevistada pelo Público, terá dito que a ideia do boneco é parva - são estas as palavras reproduzidas pelo jornal. Uma ideia parva. Diz ela que todas as famílias ucranianas sofreram com os nazis e se hoje alguém comprar o tal boneco de que se fala… será mesmo e só para mostrar que o pode comprar.
O que, enfim, não será mau de todo. Saber que estão todos vivos, que o pesadelo já passou e que hoje têm saúde e poder de compra para gastar em bonequinhos de plástico com a efígie do próprio diabo.
E essa é uma comparação tudo menos casual. Que, com todo o respeito pela memória dos que sofreram e morreram aos pés da bota nazi, proibir a representação do diabo não lhe acaba com a raça e a peçonha.

De outra bonecada catita nos dá hoje conta o 24 Horas.
Diz assim, à laia de título: “Teixeira Pinto vai assinar contracto de pintor.”
Teixeira Pinto, se se lembram, já foi administrador do BCP, saiu e agora, diz que por insistência dos amigos, resolveu divulgar os quadros que foi pintando, por gosto e vocação, ao longo do tempo - consta que alguns deles terão mesmo sido pintados no pequeno atelier que montou no escritório do banco… foi o que li , não hoje, mas li.
Hoje, diz o 24 Horas que Teixeira Pinto assinou, ou vai assinar, um contracto de pintor. Enfim, se não soubéssemos do que se está a falar nem nos fosse familiar o nome da personagem em questão… um contracto de pintor, só assim… mais rapidamente nos remeteria para a construção civil do que para as Belas Artes, mas, não. É de Belas Artes que se fala. E diz o jornal que o galerista Agostinho Cordeiro, dono de uma das, diz o jornal que, mais conceituadas galerias do Porto se prepara para assinar um contracto com, diz o jornal, Teixeira Pinto. O galerista, esse diz que, com toda a justiça, temos pintor! E de primeira água! O galerista afirma mesmo que é sem reservas que poderá expor Teixeira Pinto ao lado de Antoni Tapiés, o mestre catalão e actualmente considerado como o melhor pintor do mundo, ou Vieira da Silva, ou outros de igual estatura e prestígio!!!
Ora aí está uma descoberta quase tão surpreendente como a notícia de que Carolina Salgado se prepara para escrever um 2º livro, na sua curta mas já auspiciosa carreira de escritora…


Sem fugir muito ao tema, saltemos no entanto de jornal. No Diário Económico não é novas vocações, ou talentosas revelações que se trata, mas antes de como sobreviver com sucesso em meio laboral assalariado, em geral.
Na página 57 ao canto diz assim: “Carreiras”.
É de carreiras que se fala. Que fala a jornalista Rita Saldanha da Gama. E escreve ela que mentir no escritório pode trazer benefícios. São portanto dicas para sobreviver com êxito em meio laboral. Começa por avisar que é aí, no trabalho que a maior parte das pessoas passa um terço da vida.
Ora para vencer sem sofrimento na progressão profissional recomenda a jornalista:
Não estar sempre do contra, mesmo que se ache que as ideias do chefe não têm pés nem cabeça, ou são mesmo um perfeito disparate.
Fazer um esforço para ser compreensivo, respondendo sempre com evasivas e expressões dúbias, pouco claras.
Usar o maior número possível de clichés, frases feitas, banalidades… juntar ao arrazoado quantidade q.b. de termos técnicos e palavrões arrevesados, palavras difíceis, para dar um ar entendido.
Aconselha-se também a tratar toda a gente pelo nome, para dar um ar de quem se interessa realmente e… delegar.
Delegar, delegar e delegar… o que também deve dar um ar de quem se preocupa com alguma coisa.
A intenção é das melhores e pode estar cientificamente comprovada.
Se esta é a imagem de um trabalhador cordato e bem sucedido… vista assim de repente, parece mais o fotolito de um cretino.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Não sei se é novidade para alguém. Para mim é. Olá se é!
Diz o Correio da Manhã que os Estados Unidos estão a mandar condenados para a frente iraquiana. E cada vez mais. Em 2006 eram uns 250 mobilizados para a guerra do Iraque sob a bandeira dos Estados Unidos da América do Norte. 249 criminosos, para ser mais exacto. O ano passado o número mais que duplicou, ultrapassando os 500, sendo que pode aumentar ainda mais durante este ano.
Neste momento, escreve o jornal, há na frente de guerra 87 condenados por agressão violenta ou mutilação, 130 que cumpriram pena por narcotráfico, ou consumo de estupefacientes, mais 7 condenados por ameaças terroristas e 2 pederastas. A denúncia do Correio da Manhã diz que foi notícia no New York Times, que afirma ainda que o Pentágono infiltrou analistas políticos, comentadores "reciclados" – digamos assim – a partir de militares na reserva, nos meios de comunicação social por forma a ir conduzindo a opinião pública no sentido de apoiar a guerra norte americana no Iraque. Por aqui não virá grande surpresa ao mundo… agora a história dos criminosos e dos condenados, não me lembra de ouvir nada parecido desde que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil.

E para que se não pense que só João Jardim tem declarações tonitruantes e assombrosas, atente-se na reacção do jornal russo Moskovki Korrespondent, que publicou a notícia da separação conjugal e do alegado namoro de Vladimir Putin com uma atleta ou ex atleta… enfim, o jornal chama-lhe uma amante.
Acontece que o mesmo jornal acaba de publicar um mea culpa e desmentido categórico, afirmando que a história da separação foi engano e a da amante de Putin foi "invenção de jornalistas embriagados".
Só uma sugestão. A esses tais jornalistas embriagados, porque não os mandam como repórteres de guerra para o Iraque? Assim como assim…

Depois não se queixem. Diz assim e é rápido: “O artista regressa”.
“Herman José está de regresso ao horário nobre da SIC”. “Em Maio, o canal de Carnaxide estreia "Chamar a Música", um concurso que põe os participantes a cantar, mas onde o que verdadeiramente conta é não ter boa voz, desde que se saiba a letra da cantiga…” Deixo só esta questão: o prémio vai ser o quê? A gravação de um disco? É que se for, é bem capaz de estar condenado ao sucesso. Adiante

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ora aí está uma iniciativa que não sei se vos diga se vos conte.
É uma iniciativa do Diário Económico e traz chamada de capa na edição de hoje.
Diz assim: “Conheça as leis para se proteger do Fisco”. Depois explica-se em sub título que se trata, não de matéria de reportagem, ou artigo de fundo, mas de um livro. Um livrito que o Diário Económico tem para vender por 6 euros. Sendo que o preço inclui a aquisição do próprio jornal. É então um livrinho que, segundo explica o Económico, se propõe ensinar ao leitor as defesas possíveis contra os abusos da administração fiscal. Ora vamos lá então a ver se nos entendemos. Porque diabo haveríamos nós, em primeiro lugar, protegermo-nos do Fisco? Então os impostos não são eles – se quisermos – um mal necessário para que o País funcione, nem que seja em serviços mínimos?... Pode custar um bocadinho mais, ou menos a todos e a cada um, mas é uma despesa que se impõe, até à descoberta de melhor processo, para custear as despesas todas inerentes ao governo de uma casa. Regatear o pagamento de impostos seria quase como ir ao talho e vir embora sem pagar as costeletas.
Por outro lado e ao mesmo tempo, podemos pôr a hipótese – que o jornal denuncia – de haver abusos por parte da Administração Fiscal?... Abusos, nesse sentido em que o alegado abusador está consciente do próprio abuso? Intencionalmente. Ou seja, não há hipótese de desculpa, ou dizer-se que foi só uma pequena distracção. Não, fala-se em abuso, contra o qual o cidadão se deve defender. Aqui, ingratamente, quase apetecia desejar que assim fosse e não essa coisa terrível que é a incompetência, o laxismo e a falta de responsabilidade. Isso são coisas mais difíceis de julgar, ou pelo menos de levar à barra dos tribunais. Os fiscais e os outros. Porque o abuso, seja ele de Poder, ou do que for é matéria palpável. Pode-se acusar alguém por isso, porque o próprio conceito da coisa implica alguma acção, uma intervenção activa do alegado criminoso. Agora a incompetência, o laxismo, a falta de responsabilidade são coisas diferentes. É um crime pasmado. Uma falta que não tem por onde se pegue. Um crime sem criminoso quase. Ou seja, o criminoso é tão parado de raciocínio que nem se apercebe do crime que comete. É quase desesperantemente inimputável.
Enfim, temos ainda uma outra hipótese em aberto para este livrinho que o Diário Económico traz hoje para vender por 6 euros, mais o jornal… A de que ele se destina a ensinar pequenos truques e dicas para dar a volta ao assunto. Ou seja, para o cidadão contribuinte renitente fintar o Fisco. Declarar, sem mentir, coisas que não são verdade, mas que para todos os efeitos fiscais conferem perfeitamente e ninguém vai preso, ou é incomodado por causa disso. Claro que aqui já entrámos num território pouco recomendável.
A verdade é que entre um Fisco que alegadamente abusa do cidadão contribuinte e um pagador de impostos que mente ao fisco e o engana nas contas… venha o diabo e escolha, que ambos estão bem um para o outro e não me parece que precisem de manual de instruções para coisa nenhuma

segunda-feira, 21 de abril de 2008


E vamos ao que importa, que de repente a história ganhou fórum de parábola de bom proveito e exemplo. Enfim, o bom proveito não tem forçosamente a ver com o facto da matéria em análise ser matéria comestível.
Falamos obviamente do caracol. Que hoje foi noticia, porque uma empresa de Torres Vedras quer ser líder europeia no sector. O da produção e venda de caracóis.
Os caracóis de Torres Vedras, da Escargot Oeste. De momento a empresa tem uns 20 mil exemplares reprodutores em cativeiro e quer aumentar a colónia para os 100 mil. É um aumento de peso. Mais… e chegamos ao que importa – a Escargot Oeste quer ser líder europeia na exportação da baba do caracol! Nem mais. É que a baba do caracol está a revelar-se como a nova coqueluche da cosmética. A baba do caracol é usada cada vez mais em cremes e loções e bálsamos variados. Mas há que atentar neste essencial! É que a baba em questão há que recolhê-la de caracóis sob pressão psicológica. Vulgo: caracóis em stress. Consta – cientificamente, parece – que, sob stress, os caracóis, como nós todos, afinal, segregam uma qualquer substância que – ela sim - terá as tais propriedades cosméticas, que já se vão anunciando em embalagens avulsas de cremes e outros unguentos…
Será adrenalina. A não muito falada, mas ao que consta bem real, adrenalina do caracol?... Será.
Ora, se for, temos aqui já um problema… é que se exclui da lista, pelo menos à partida, os caracóis que vivem em estado selvagem. Enfim, também terão as suas razões para stress, como todos nós, no dia a dia, mesmo sem restrições especiais à nossa liberdade. Claro que, num ambiente de reclusão, a ansiedade será forçosamente maior e a tal secreção há-de aumentar à proporção do estado de nervos da criatura em questão. Daí que, obviamente, a baba dos caracóis em cativeiro será forçosamente a mais indicada para o propósito. Vivem em ambientes fechados e sobrelotados, sem muito mais que fazer que comer, dormir e procriar… o estado de insatisfação e ansiedade há-de atingir níveis insuportáveis, até mesmo para um caracol.
Se, avisadamente, o criador lhes criar um ambiente de vida ainda mais insuportável, por exemplo ir-lhes infernizando diariamente a vida com notícias desagradáveis, ou pequenas contrariedades , então aí a produção há-de subir em flecha e superar todos os mais altos padrões de excelência.
Claro que sobra entretanto um outro pequeno problema.
É que a situação … enfim, o mercado exige que a baba seja colhida de um animal sob stress… ora tendo em conta o terrorismo psicológico que qualquer detenção arbitrária – como é o caso dos viveiros de caracol – implica , é de prever uma reacção enérgica e inequívoca dos defensores e protectores dos direitos dos animais. É de esperar. É de toda a justiça e pertinência.
Por outro lado há ainda este pequeno pormenor. O do caracol que não se baba. Nestes casos as hipóteses são poucas. Não a de um caracol não se babar, que já vos deve ter acontecido ver alguns… pois nestes casos, das duas uma, se o caracol não se baba é porque: ou está a hibernar, ou atingiu finalmente o estado de Buda. Sem stress.
E é sem stress que vos aconselho a guardar esse exemplo que a fábula nos deixa: se levarmos a vida com uma certa calma, podemos poupar-nos a muitos e desagradáveis problemas. A alguns vexames, mesmo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008


Duvidosa?!... Muito duvidosa mesmo.
Exagerada e alarmista?!...
Pois esse, meus amigos, é um dos segredos e alma do negócio!
O da publicidade, entenda-se. Havia mesmo, em tempos, um reclame que perguntava, a propósito acho eu de uma espuma de barbear, perguntava porque é que os publicitários eram todos uns exagerados. A pergunta era feita por um cavalheiro que ensaboava a cara com o novo produto que prometia espuma superabundante. O consumidor em causa duvidava da propaganda e era isso que ia comentando à medida que espalhava o sabão na cara e a espuma ia crescendo até lhe tornar quase ininteligível a fala …
Mas o que importa agora é que a polícia de segurança pública – vulgo PSP - está a investigar as circunstâncias em que uma empresa de segurança está a promover os seus serviços em alguns locais do concelho de Cascais. É assim, tal e qual que escreve o Público desta 5ª feira.
A campanha em causa alerta para – e abrem-se aspas – o "aumento de assaltos e actos de vandalismo”.
Ora o jornal fez questão em conferir a informação com a própria PSP e acontece que o comando metropolitano da corporação terá confirmado ao Público que as estatísticas de 2007 e deste ano não justificam qualquer alarmismo, embora se tenham registado alguns aumentos. Ora, aqui vamos introduzir, sub-repticiamente um " de facto" na expressão e ver como fica: embora se tenham – de facto – registado aumentos. O que continua a não ser caso para alarme.
Aliás, um responsável da própria empresa já reconheceu que o tom da campanha é talvez um pouco alarmista, mas devolve a responsabilidade à agência responsável. Enfim, também é verdade que, se achassem mesmo que o tom da campanha podia assustar alguém ou era menos próprio, podiam sempre ter dito a tempo e horas que obrigado, mas não obrigado, tentem lá de outra maneira… o que não foi feito.
E que, para o caso também será de menor importância. O que preocupa mesmo e muito a sério é o futuro de alguns homens políticos da nossa coisa pública. Esses que, quantas vezes até no próprio Parlamento, interpelam o governo e a Nação, lançando justamente esse alarme da insegurança crescente e sem controle. A ver se a policia os não leva ainda para averiguações e responso.

Sem alarme, mas definitivo e pragmático o Provedor da Arquitectura – sabiam que havia um? Adiante. – Francisco Silva Dias, o provedor da Ordem dos Arquitectos acha que a projectada ponte Chelas/Barreiro… não é o caso de não se parecer com nada, o problema é que se parece demasiado com as outras duas que já lá estão sobre o Tejo.
Diz o provedor que a qualidade estética daquelas obras de arte ficará comprometida. Bom, comecemos por aí. De engenharia serão, agora de arte, talvez pudéssemos deixar essa apreciação para outra altura, por isso adiante. Diz Francisco Silva Dias que " uma das características das obras de arte é serem singulares, mas, se temos 3 pontes iguais é a repetição do mesmo objecto e a sua desvalorização”.
Enfim, depende. Se pintarmos cada uma de cor diferente e suficientemente berrante e em vez de mais uma, construirmos mais umas 3 ou 4, todas iguais e todas diferentes na cor – berrante – isso é fundamental… podemos sempre dizer que é um tributo a Andy Wahrol.
Isso podemos dizer, agora dizer se é arte ou não, o melhor é perguntar a quem esteja mais por dentro do assunto.

quarta-feira, 16 de abril de 2008


Ora temos então que para a Europa e quase de um dia para o outro é a China e já não tanto os Estados Unidos da América do Norte o inimigo público nº 1. Enfim, talvez a linguagem seja aqui um pouco forte. O que se passa é que para 35% dos europeus, a China passou a ser encarada como a maior ameaça mundial, da actualidade.
A questão tibetana e o comércio são as pontas de lança dessa ameaça. Isto segundo um inquérito publicado pelo Financial Times. A sondagem foi feita em 5 países europeus: Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Espanha. Até hoje eram os Estados Unidos quem ocupava este lugar de honra. Depois da sondagem, apenas os espanhóis se mostraram fiéis a essa suspeita – a de que são os Estados Unidos a nação mais perigosa, mais ameaçadora da paz e estabilidade no mundo.
Enquanto isso, nos Estados Unidos a reacção é obviamente diferente, se bem que venha dar ao mesmo, em termos práticos e finais. Ou seja, para Washington, o perigo eminente que a China representa vem substituir e amenizar o labéu que até hoje pendia sobre alguns históricos do eixo do mal – a saber: Irão e Coreia do Norte. Ou seja, ou os americanos sabem de algum plano chinês para derrubar o Empire State Building, ou então o receio é que Pequim lhes tome de assalto os McDonald.


E é justamente nos Estados Unidos da América do Norte que o Papa está em visita de Estado, por estes dias.
Ontem, voando a caminho de Nova Iorque Bento 16 disse que estava envergonhado e que os padres pedófilos não deveriam ser padres. Ou antes que os pedófilos não podem ser padres. Ficou prometida uma homilia para sábado que vem a propósito do assunto. Um assunto que já custou, à Igreja Católica, 2 mil milhões de dólares em indemnizações às vítimas.
O papa disse então que estava profundamente envergonhado. Dificilmente poderia ter dito outra coisa qualquer … a verdade é essa. Garantiu entretanto que crimes destes nunca mais hão-de acontecer no seio da Igreja a que preside. Disse também que não consegue compreender como é que houve padres que puderam trair assim as obrigações a que estão sujeitos. Disse ainda, o Papa, que a prevenção é a melhor forma de combater a pedofilia. E que essa prevenção deve começar nos seminários, com uma profunda preparação espiritual, humana e intelectual dos aspirantes ao sacerdócio. Deus o oiça, que apesar de tudo e mesmo sem as aberrações pedófilas de que se fala, a preparação espiritual, humana e intelectual é coisa que dá sempre jeito, seja a um padre, ou a qualquer pessoa com responsabilidades de contacto directo com o público. Com as pessoas. Com o resto do mundo. É o nosso sacerdócio. De nós todos.


E, de repente, li assim: alunos processados por computador. Mas era obviamente um erro de leitura. E isto, meus amigos, erros de leitura são uma coisa terrível e de resultados por vezes assombrosos e surpreendentes. Mas antes disso vamos a um exemplo prático. Por exemplo, eu ligava o computador e escrevia no meu blogue, ou num desses sites de conversação em linha, de opinião avulsa… escrevia, identificando-me como, por exemplo, bispo de Cracóvia, escrevia, por exemplo que o Papa era um ladrão de cavalos, ou que andava a roubar couves para fazer sopa. Pela mesma ordem de razões a que se prende a notícia, não era o tribunal dos homens o que me esperava, mas a excomunhão, o degredo, o fogo do Inferno, a condenação eterna!
Mas vamos à história. E a história passa-se em Sintra, mais concretamente na secundária da Portela de Sintra.
O conselho executivo da escola não gostou de ler os comentários que alguns alunos publicaram na Internet, num site muito popular de conversação e troca de opiniões e delírios poéticos e românticos.
Acontece que os comentários publicados se referiam a alguns professores da escola. Os alunos iam dizendo, uns para os outros e para quem aterrasse, por acidente que fosse, na página em causa, o que realmente pensavam dos professores que tinham, o que realmente lhe ia na alma.
Os comentários não são dos mais lisonjeiros, convenhamos – por exemplo chama-se labrega a uma professora, a outra, levanta-se a questão se ela – e passamos a citar – baterá bem. Em forma de desafio lança-se a questão: quem achar que a professora de Biologia não bate bem venha comentar aqui… e a questão põe-se porque alegadamente a referida professora tem o hábito de dançar enquanto dá a matéria. Noutro caso, a questão que se levanta é sobre uma outra professora, a de ginástica, que os alunos criticam e acusam de pouca compreensão com a pouca preparação física de alguns alunos. Chegando-se mesmo a acusá-la de discriminação em relação a um dos estudantes da escola.
Por estas e por outras é que o caso ameaça seguir para os tribunais. A presidente do conselho directivo terá já convocado uma reunião com os pais dos alunos para lhes dar conta do processo disciplinar em curso. Um processo a cada aluno. E mais ainda, a escola vai avançar com um processo cível por difamação dos professores em causa.
O jornal Correio da Manhã escreve que tentou saber, junto da escola, porquê uma reacção tão – violenta quase – esta do processo cível. A escola terá respondido que só tem obrigação de responder à Direcção Regional de Educação de Lisboa. E isto por mais que os pais se queixem ou questionem da pertinência da medida anunciada – a do processo cível.
Ora aí está o primeiro erro. Parece que gravito quanto baste. É que a escola tem sim senhor de prestar contas aos pais dos alunos. Para já e em primeiro lugar porque são quem lhes paga os ordenados e depois porque, mais que obedecer a ordens e hierarquias e burocracias e outras alegorias… a escola tem mesmo e em primeiro lugar que saber o que pensam e acham e querem os pais dos alunos. Mesmo que eles estejam completamente errados. Tem de ouvi-los e dialogar com eles e procurar com eles as soluções que são precisas para todas as situações que se passam portões adentro da escola.
Não se pode soltar aos 4 ventos o chavão da escola integrada, não se pode exigir e reclamar a presença dos pais e encarregados de educação para depois os deixar a falar sozinhos quando têm uma opinião que colide com a da escola. É que a verdade é que já vários pais dos alunos em causa se manifestaram achando a reacção um pouco excessiva, em relação aos factos.
Depois temos este pequeno pormenor – o de que tudo se passa no ciberespaço. Onde, como já se viu, qualquer um se pode fazer passar por qualquer um e dizer o que lhe passa pela cabeça. Isso é tecnicamente possível e só muito dificilmente desmascarável.
Mas tirando isso, a Internet tem essa outra característica que a torna única como meio de expressão e comunicação. É o sítio onde a liberdade é tanta que, se fossemos a levar a sério e à letra tudo o que lá vem escrito e publicado, já nos tínhamos todos refugiados numa gruta à espera do fim do mundo.
Por outro lado, sendo uma porta tão despudoradamente aberta ao mundo, a Internet é o sítio onde as maiores intimidades se revelam sem constrangimento. Com o mesmo à vontade com que se confiam a um diário os pensamentos mais secretos, os medos, as alegrias…
Mas voltemos ao assunto. A verdade é que esta secundária da Portela de Sintra perdeu uma oportunidade doirada de ficar a saber, sem grande esforço, o que os alunos realmente pensam dos professores que têm. Em vez disso resolveu processá-los. A partir de agora, os comentários talvez desapareçam da Internet, mas vão certamente crescer de tom e violência, pelos corredores, passos perdidos e recreio da escola. Vai uma aposta?...


terça-feira, 15 de abril de 2008

Diz Alejandro que é um avanço. Alejandro está radiante, segurando na mão o contracto que torna finalmente legal o pequeno telemóvel que guarda ciosamente no bolso do casaco. Durante anos Alejandro viveu fora da lei. O telemóvel que tinha era clandestino. Fora registado em nome de um cidadão estrangeiro. Era essa a única forma, na Cuba de Fidel, de um cidadão cubano poder usufruir dessa maravilha tecnológica – o telemóvel. Agora, na Cuba de Raul, o uso de telemóvel foi liberalizado. Já não é de uso exclusivo de estrangeiros ou de quadros e responsáveis políticos da Nação. A partir de agora, Alejandro é um homem livre, nesse sentido em que pode deixá-lo tocar sem constrangimento em qualquer lado, no meio da rua, onde for e tirá-lo depois com gesto largo, do bolso do casaco e atender a chamada com voz firme e sem medo de ser preso, ou ver-lhe confiscada a arma do crime – no caso e uma vez mais – o telemóvel.
Ora a notícia diz que, ontem, em Cuba, as filas davam a volta ao quarteirão, para comprar telemóveis. Diz ainda que o custo de um único destes aparelhos, vendidos em exclusivo pela companhia nacional dos telefones cubana… custa cada um cerca de 9 vezes o salário de um cubano médio. Ou seja, um cubano ganha em média 18 dólares por mês. Um telemóvel dos mais baratos custa-lhe 65 dólares. Dos mais baratos é já quatro vezes o ordenado…! Até 9 meses de trabalho só para pagar o aparelho de qualidade mediana. Acontece que, segundo a notícia, o número de gente disposta a esse sacrifício fazia uma fila a perder de vista em todas as sucursais da telefónica cubana.
Dê-se para já de barato – ou melhor – de graça mesmo, os custos das próprias chamadas e serviços, para além da quase certa febre de novidade que leva muito boa gente a muitos e generosos desvarios. E nisso, os adolescentes cubanos, para já, não hão-de ser muito diferentes dos do resto do mundo, pelo menos do mundo que usa telemóveis.
Mas para já, Alejandro está feliz. E está feliz porque agora tem um objectivo muito concreto e definido na vida: trabalhar um ano para juntar para um telemóvel novo.
É miserável como objectivo de vida? Será. Bem pior é não ter objectivo nenhum.


quarta-feira, 9 de abril de 2008


Vi há tempos um documentário na televisão . Uma reportagem com uma tribo de índios brasileiros que comiam as cinzas dos antepassados mortos , diz que, por uma questão de respeito.
A História das civilizações é exemplar em casos semelhantes. Desde guerreiros que comem as vísceras, ou bebem o sangue dos adversários caídos em combate, para lhes absorver a valentia e a "anima", a toda uma série infindável e variada de superstições e amuletos para todos os medos e situações. A essas pessoas costuma chamar-se (paternal e carinhosamente ) bárbaros.
Também é pródiga, a História das religiões, em relíquias. De santos, para já. Pedaços da roupa, fragmentos de osso, objectos pessoais… por aí. Relíquias de culto e devoção.
Pois a igreja polaca quer agora exumar o coração de João Paulo 2º. O papa morreu, fez 3 anos, este Abril. O ex presidente da Conferência Episcopal da Polónia não exclui a hipótese de, depois da beatificação, o coração de João Paulo 2º ser exumado e levado como relíquia, para ser exposto na catedral de Cracóvia, cidade onde CarolVoitila foi arcebispo.
Um porta voz do actual arcebispo de Cracóvia já disse que não é forçoso que seja o coração do papa. A igreja reconhece como relíquia sagrada qualquer objecto que tenha pertencido ao beato, ou santo, ou mártir em questão. Garante, no entanto, que certo, certo é que Cracóvia há-de receber qualquer coisa que valha como relíquia de João Paulo 2º, para veneração dos fiéis polacos e outros que queiram peregrinar até Cracóvia para o fazer.
A decisão final cabe ao actual papa, Bento 16. A decisão sobre a hipotética exumação do coração de João Paulo 2º.

E deixemo-nos ficar, um pouco mais, no reino dos mortos.
O cemitério de Copenhaga tem, a partir de agora, um talhão próprio para homosexuais.
Diz a notícia, que o espaço reservado pode receber 45 urnas, ao preço de 267 euros por cada lote.
A Associação Arco íris, que arrendou o espaço no cemitério de Copenhaga, diz que o objectivo é que os homosexuais e as lésbicas possam ser sepultados uns ao lado dos outros. O espaço será decorado de forma simbólica, por um triângulo de cascalho desenhado no chão, no meio do qual será colocada uma pedra. E em cima da pedra, a bandeira que os identifica. Os identifica enquanto movimento. A bandeira com um arco íris pintado. Será decerto uma alegria para os olhos de quem visitar o cemitério de Copenhaga, mas parece ao mesmo tempo, um pequeno recuo, na luta pela igualdade. Isto para não dizer que, ao que me soa mesmo é a uma valente paneleirice.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vários tibetanos raparam o cabelo, como forma de protesto pacífico contra a China. Escreve o Público, nas centrais. Cabeças rapadas para dar nas vistas. O protesto é transnacional, por onde a chama olímpica tem passado, as manifestações têm – se sucedido, em protesto contra a política chinesa no Tibete e contra as violações dos direitos humanos dentro da própria China.
E podemos estar a ver muito mal a situação, mas a impressão que fica é a de que, nunca como agora, a chama haveria de arder com violência mesmo, para que não restassem dúvidas quanto ao espírito dos Jogos. Para que o exemplo iluminasse os homens, a começar pelos que têm responsabilidades políticas.
Em Londres tentou-se e em Paris os manifestantes conseguiram mesmo apagar o facho olímpico. Ironicamente, o gesto reflecte, mais que um protesto, a realidade dos factos. A extinção anunciada desse espírito de união, de celebração da vitória pessoal e colectiva sobre todas as barreiras. As que se vêem e as outras…
Os protestos são mais que legítimos, disso estaremos todos, ou quase todos de acordo. E ninguém põe em causa a autoridade que assiste aos populares, às organizações não governamentais, aos movimentos cívicos e de solidariedade, aos próprios cidadãos chineses e tibetanos de aproveitar a oportunidade para desinquietar as consciências e a própria normalidade dos Jogos Olímpicos. Houve quem o fizesse já, por razões idênticas durante os próprios Jogos, como os Panteras Negras, em 68, no México. Ou antes ainda e quase sem querer, Jesse Owens, em 36, subindo ao podium perante o olhar angustiado de Adolf Hitler. Já antes, em 33, o Comité Olímpico Internacional tinha tido muitas e sérias dúvidas quanto à Alemanha nazi ser a organizadora dos Jogos. Desde então, pouco se terá aprendido na matéria.
Porque a verdade, por difícil de tragar que seja, é esta; passados os Jogos, a China vai continuar a ocupar o Tibete e alegadamente a tratar mal os seus cidadãos portas adentro e o resto do mundo vai continuar a manter relações diplomáticas e comerciais e outras com Pequim e a receber com honras de estado os políticos chineses em visita oficial e a estender-lhes a mão e a passadeira sempre que cá vierem almoçar.
A verdade é que os Jogos Olímpicos se realizam de 4 em 4 anos e o mundo tem, todos os anos, 365 dias para fazer a vida negra ao governo chinês.
366, nos anos bissextos.


sexta-feira, 4 de abril de 2008



Chegou então o fim do mundo. Pelo menos para Piotr Kouznetsov, o líder da seita ortodoxa russa que se refugiou, há 5 meses, numa caverna à espera do Dia do Juízo.
Ele, mais os seguidores, claro está. 34 pessoas ao todo. Barricaram-se num abrigo subterrâneo, na região de Penza, que fica a uns 700 km a sudoeste de Moscovo, já que perguntam… E chegaram mesmo a ameaçar fazer-se explodir, se a polícia os tentasse fazer sair do buraco. Acontece que longa se tornava a espera e o mundo não havia meio de acabar. Foi isso que fez perder a paciência aos fiéis e voltarem-se contra o profeta do apocalipse.
Acontece que parte do tecto da gruta terá entretanto caído, o que é sempre desagradável, mesmo quando se está à espera que o mundo acabe e nós com ele.
Uns começaram a desistir, discreta e pacificamente, saindo da gruta e voltando ao mundo exterior…
E agora foi a vez dos últimos se fartarem e revoltarem-se mesmo e violentamente contra o líder da seita. Diz o jornal que o guru sofreu mesmo um traumatismo craniano grave, no meio da refega. Enquanto isso, os sobreviventes do holocausto, que afinal não houve, abandonaram a gruta e regressaram à vida normal.
Agora a verdade é que, para o líder da seita a profecia realizou-se mesmo, de certa forma, ou seja, o mundo acabou mesmo. Pelo menos, o dele. Ou seja, para ele próprio, a diferença não há-de ser muita.

E já agora, para que não se diga que nunca se dá destaque, nestas efémeras crónicas, à actualidade económica, que faz as manchetes dos jornais da especialidade, pois paremos então hoje aqui mesmo nesta inequívoca capa do Diário Económico.
Uma capa que não deixa margem para dúvidas. A fotografia ocupa por inteiro a capa do jornal. A legenda que a explica foi reduzida ao mínimo. Meia dúzia de palavras de sentido vago, quase encriptado, o que só pode querer dizer que a imagem vale aqui, de facto, mais que mil palavras.
E que diz a imagem? Que o actor e modelo fotográfico Paulo Pires fez a barba. É a primeira e mais óbvia conclusão a que se chega quando se chega à capa do Diário Económico desta 6ª feira. É verdade que a podia ter feito um pouco melhor para a fotografia. À barba. A cara do actor podia de facto estar mais escanhoada, mas, se calhar, se assim fosse, já não seria notícia, nem merecia a capa do Diário Económico.
Mas assim, tal e qual como está, com a cara de quem fez a barba com uma gilette já com meia dúzia de barbas no currículo, o actor Paulo Pires recebe os leitores na capa do Diário Económico, como se essa fosse de facto a notícia mais importante que o jornal tem para dar hoje aos leitores. É esta a face visível do jornal, nos expositores dos quiosques e tabacarias. Claro que, quem quiser saber mesmo o que é que o jornal tem para dizer hoje aos leitores, das duas uma, ou compra o jornal, às cegas, ou, se quisermos, confiando cegamente em que o que o jornal trás para contar vale mesmo 1 euro e 50 cêntimos e depois seja o que deus quiser… Ou então pode sempre tentar discretamente folhear o jornal, ainda no expositor, para saber o que vem lá dentro.
Ora acontece que esse é um gesto que muitos vendedores não gostam. E se calhar com razão. Se toda a gente pegasse e folheasse os jornais antes de os comprar, ao fim de um bocado os jornais haveriam de estar num tal estado de sujidade e desalinho que já ninguém os quereria comprar, nem por 15 tostões, dos antigos.
Mas adiante que, hoje, de fotografias estamos bem.
Durão Barroso acusado de saber da utilização de barcos com prisioneiros suspeitos de terrorismo. Depois dos voos da CIA que sobrevoaram e utilizaram mesmo território nacional português para o transporte de prisioneiros a caminho de Guantanamo, agora a Reprive, organização de defesa dos direitos humanos, veio denunciar a utilização de um navio prisão norte americano, que terá cruzado as nossas águas e feito escala em portos portugueses. A denúncia da organização acusa Durão Barroso, enquanto primeiro-ministro de Portugal, de estar ao corrente destas movimentações.
O Diário de Notícias trás a história e a fotografia que a ilustra.
Diz a legenda: Durão visado sobre navio prisão. E na fotografia, Durão Barroso aparece meio escondido atrás do que pode ser a ombreira de uma porta. Tem as mãos nos bolsos e uma expressão que pode denunciar alguma apreensão. Eventualmente até a expressão de quem diz, ou pensa, oh diacho, como é que eu vou agora convencer esta gente de que não tenho culpa nenhuma naquilo de que me acusam?...
Pois já no Jornal de Notícias a fotografia que ilustra a mesma notícia é bem diferente. Aqui Durão aparece, como presidente da Comissão, percebe-se que sim por causa da plaquinha colocada sobre a mesa à frente e que o identifica como tal.
A fotografia foi tirada durante uma sessão de trabalho de uma qualquer instância comunitária. Percebe-se que sim pelo aparato e pelas outras personagens que se sentam ao lado dele. E aqui não há dúvidas que Durão já ultrapassou o susto, ou a expectativa que lhe ensombrava o rosto na foto do DN. Aqui Durão sorri aberta e francamente. Quase como se dissesse… o quê?!... Que já foi tudo esclarecido e provado como um enorme mal entendido?... Ou então não! Ou então, que sabia sim senhor, e daí?!...

Mas enfim, o que Portugal precisa mesmo é de mais licenciados. Pelo menos é o que garante a manchete do JN, citando Mariano Gago, o ministro das ciências tecnologias e ensino superior.
Foi ontem, à saída do ISCTE, onde falou durante a Conferência Internacional, na apresentação do relatório da OCDE sobre o Ensino Superior na Sociedade do Conhecimento. E disse então o ministro que Portugal acordou tarde para o Superior. Só muito tardiamente percebeu – e estamos a citar – Portugal só muito tardiamente percebeu que precisa de muitas mais pessoas com formação superior e que o número de licenciados não chega para fazer uma economia mais desenvolvida e um país mais culto. Isso é tudo capaz de ser bem verdade, mas permito-me uma pequena ressalva. Essa do país mais culto…. Tenho para mim que, Portugal deve ser um dos países mais cultos de toda a Europa civilizada. Pelo menos se atentarmos no número de licenciados que anda a vender pizzas pelo telefone ou atender reclamações em Call Centers! Dificilmente se encontra pessoal mais qualificado, mesmo em pizzarias italianas.

Também é verdade que há sempre alternativas, para quem se dê mal com pepperonis e afins. É que a Agência Espacial Europeia tem 8 vagas para astronautas!
Esperam-se umas 50 mil candidaturas. É obra. Tanto mais que durante 9 anos as admissões estiveram fechadas.
O concurso está aberto aos 17 países que pertencem à organização – a ESA. Portugal incluído.
Não se pense em grandes viagens inter galácticas. O objectivo destes novos recrutas fica-se pela Estação Espacial Internacional. Mas são missões consideradas de longa duração. Três meses e um trabalho de grande complexidade técnica e científica. O que pode implicar passeios no espaço, em tarefas de manutenção do material e dos diversos módulos da estação.
Diz a notícia que a idade ideal é entre os 27 e os 37 anos e o contracto é válido o compromisso é por 20 anos.
Informação mais em pormenor é conferi-la no sítio da organização na Internet: aqui fica – http://www.esa.int
Só uma última informação, para os candidatos masculinos, mas não forçosamente só para eles… enfim, para quem for mais desenvolvido de musculatura, mais encorpado e robusto não haverá grande hipótese à partida. E só por uma razão. O espaço útil no interior da Estação Espacial é reduzido e cada centímetro cúbico é valioso demais para ser ocupado pelos bíceps e peitorais de qualquer Tarzan Taborda com aspirações a Neil Armstrong.
A selecção é naturalmente rigorosa neste e outros aspectos mais técnicos e de preparação física. Por exemplo, da última vez, dos 22 mil candidatos, só 4 foram escolhidos.
Mas vale sempre tentar. Apesar de tudo é capaz de ser mais divertido do que vender Pizzas pelo telefone…

quarta-feira, 2 de abril de 2008

30-3-8


Margarida Oliveira é a única reumatologista no interior, de Faro até Bragança. Diz o Público como exemplo.
A manchete, essa diz que os hospitais em zonas periféricas não conseguem atrair clínicos e que só foram preenchidas 10, das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas.
Continua-se depois explicando que a maior parte das unidades fica no interior e serve uma população cada vez mais envelhecida. Diz-se ainda que é a concorrência dos hospitais-empresa quem vem aumentar estas dificuldades todas.
O jornal dá o exemplo do hospital de Castelo Branco, onde em Fevereiro abriram vagas para 6 médicos de várias especialidades e nenhuma delas foi preenchida até hoje. Todos os anos abrem dois concursos para preencher vagas de especialidades várias em hospitais mais carenciados. No último concurso, só 10 das mais de 100 vagas foram preenchidas.
Para o presidente do hospital de Castelo Branco contractar, o ano passado, um pneumologista e conseguir fixá-lo no posto de trabalho foi quase uma lança em África. Foi a excepção que confirma a regra.
Para um outro clínico, neste caso o presidente do hospital da Guarda, a falta de especialistas pode não chegar a comprometer o funcionamento das unidades hospitalares, mas, com uma população envelhecida (que os novos, já se sabe, procuram vida noutras urbes…) a situação pode complicar-se com as listas de espera a aumentar exponencialmente. Na Guarda, dos 124 especialistas necessários, o quadro fica-se pelos 70. Ao todo, entre internos e contratados, o hospital da Guarda tem 108 médicos no activo, mesmo assim, abaixo das necessidades.
Para o bastonário a culpa é do sistema, que avança a duas velocidades. Com a criação dos hospitais-empresa o mercado sofreu uma mudança substancial. Uma mudança que se reflecte não só nos ordenados, como também nas próprias condições de trabalho, tanto em instalações como equipamentos. É por isso e é só mesmo por isso. Diz o bastonário.
Para o bastonário, a abertura de vagas carenciadas – escreve o Público - é a herança de um tempo em que todo o sistema era público e era possível fazer uma "gestão centralizada das carências a nível nacional". Com a livre contratação dos Hospitais Empresa passa-se a um sistema de planificação central para funcionar o mercado, o que quer dizer… ganha – diz o bastonário - quem consegue atrair profissionais. A única coisa que os hospitais de gestão pública podem oferecer neste momento é um vínculo ao Estado. À função pública e esse foi já um chão que deu uvas. Não convence os médicos actualmente. Diz o presidente do Hospital da Guarda, que hoje só uma minoria se deixe encantar por essa regalia. Muitos, a maioria, preferem um vínculo precário à entidade empregadora, desde que isso os mantenha nos grandes centros urbanos. E mesmo isso… Em Faro, as 8 vagas abertas no concurso deste ano ficaram todas por preencher. E Faro nem fica propriamente por detrás dos montes…
Ora a solução entretanto encontrada tem sido a de contratar médicos de empresas externas e que prestam serviços pontuais para resolver questões, que essas, de pontual não têm nada. São tarefas e necessidades do dia a dia de qualquer hospital.
Em Beja a solução é aliciar os jovens médicos com prémios em dinheiro para os fixar ao posto de trabalho. Aos jovens médicos que ficarem por 3 ou 5 anos no hospital de Beja, a administração oferece incentivos remuneratórios no internato. Mas, apesar de ser um hospital-empresa, Beja avisa já que não tem orçamento milionário para pagar a médicos com dúvidas existenciais, ou outras…
O presidente do Conselho Nacional do Médico Interno faz o diagnóstico da crise e é sem reservas que diz que o problema é que a liberalização do sector veio na pior altura. Com a alegada falta de mão-de-obra, o que acontece é que os jovens médicos preferem, mesmo assim, ou por isso mesmo, aceitar contractos individuais de trabalho nesses hospitais-empresa, ou então virarem-se definitivamente para o privado. Esses hospitais do interior são pouco atractivos, têm más condições de trabalho e condições nenhumas de renovação ou de formação dos mais novos na profissão. Um quadro clínico da situação que é preocupante e prenúncio de morte para os hospitais do interior do país.
Fica portanto a informação para todos os eventuais futuros utilizadores das especialidades em défice nos hospitais públicos, portugueses… a culpa é do sistema, que ainda pensa que os médicos vivem do ar e que não têm mais nada que fazer que tratar de gente com problemas de saúde, perdida lá para os confins desse Portugal profundo, ou lá o que é, que era só mesmo o que mais faltava …

sexta-feira, 28 de março de 2008

E a demência.
Diz o Diário de Notícias, que a polícia de giro, ontem à noite no Bairro Alto, deu com este casal a tentar roubar um automóvel. Eram umas 2 e meia da manhã e na rua da Academia das Ciências até nem havia grande movimento. A patrulha da polícia deu então com eles. Um casal na casa dos 30 anos à volta de um automóvel que aparentemente não lhes pertencia mesmo. Acontece que o obscuro objecto do desejo deste casal não era nem o próprio carro, nem o auto rádio, ou alguma mala, ou carteira esquecida lá dentro… o alvo era uma cadeira de bebé. Dessas desenhadas para transportar as crianças em segurança durante as viagens de automóvel. Uma peça que em primeira-mão e no comércio normal custará uns 300 euros.
E para que quereria este casal a cadeirinha? Que destino lhe iria dar se não tivesse sido preso entretanto?... Para uso próprio? Quer dizer então que têm automóvel, só lhes falta é o dinheiro para a cadeirinha?… E, antes de mais até, terão para já filho, sobrinho, ou afilhado que dê uso à cadeirinha ? Ou a ideia era vendê-la no mercado negro?
Aqui chegados, saltamos o desalento do legítimo dono da cadeirinha, quando chegasse ao carro e visse o que se tinha passado. Ficaria, neste caso literalmente, com a criança nos braços… pois saltemos isso, que isso é coisa que não passa pela cabeça dos ladrões… que mais que o valor do roubo é o desrespeito, o abuso de mexer em coisas que são doutros, que lhe têm o cheiro e a história e que isso é se calhar e para muita gente bem pior que ficar sem a carteira…
Saltemos isso e fixemo-nos só no bizarro da situação. Um sujeito de ar suspeito e comprometido chega-se ao pé de mim. Pára, hesita, olha à volta e com um gesto lento leva a mão à botoeira do sobretudo. Olha-me por cima dos óculos de lentes quase negras. Entreabre o casaco discretamente e é num sussurro terrível que me lança, como uma ameaça: “queres comprar uma cadeirinha de bebé?”

quinta-feira, 20 de março de 2008

ai o arre gaita do caraças, xiça

é só no meu computador, ou o blogger passou-se mesmo e agora não toca os "widgets" que lhe pendurei aqui ao lado ?!!!...

terça-feira, 18 de março de 2008


O representante da classe diz que o caso está a ter uma elevada cobertura mediática por ser um taxista, o protagonista da notícia.
Ora aí está uma grande verdade. É justamente por ser um taxista que o assunto merece a tal cobertura mediática especial de que fala o tal representante da classe. E aqui, a palavra justamente não foi escolha do azar, é mesmo uma questão de justeza, ou de justiça, se quisermos. E passemos por cima a questão de saber se o verbo é o mais correcto quando se diz que o representante da classe "fala" da cobertura mediática e não que o representante da classe se "queixa" da cobertura mediática… por isso, adiante.
Adiante, porque a verdade é que a história está a merecer sim senhor a cobertura mediática de todos os jornais desta manhã. Com mais ou menos destaque, mas está. A história do atropelamento de 4 crianças, sábado que passou, à tarde, na Praça das Flores, no Porto. Crianças entre os 4 e os 12 anos que atravessavam a rua, parece que fora da passadeira, quando foram colhidas pelo táxi. O condutor tinha uma percentagem de 0,92 de álcool no sangue. O limite máximo previsto na lei é de 0,5, se bem se lembram. Ontem dizia-vos eu que o pai do condutor que é também, ao que consta o patrão, saía em defesa do filho/empregado dizendo… enfim, reconhecendo que ele estaria ligeiramente embriagado, quando do acidente… Sabe-se também que quando se apresentou finalmente, uma hora depois do acidente, na esquadra da Campanhã, o motorista foi intimado a pagar uma multa de 500 euros e mandado para casa, sem mais e até ver.
Hoje, dizem os jornais que a Secretária de Estado dos Transportes considera gravíssimo o que aconteceu, mas garante que são cada vez mais exigentes as condições de admissão à profissão. Os certificados de aptidão profissional não se passam assim a qualquer um. Diz mesmo, a secretária de Estado que essa é uma exigência que até nem agrada muito e por aí além aos profissionais do sector. Em resposta temos o representante da classe, de que vos falava ao princípio, a dizer que o tal certificado é uma perfeita fantochada – com aspas.
Augusto Santos, o presidente da Associação de Defesa e Segurança dos Motoristas de Táxi do Porto diz que o tal certificado de aptidão só existe para os fazer gastar dinheiro e fazer perder tempo. Acha despropositado pagar 1100 euros para obter o documento e depois 80 euros pela renovação, de 5 em 5 anos. Isto, para além do tempo que se perde. Diz ele que perde umas boas 6 horas de cada vez que tem de renovar a licença.
E depois, voltamos ao princípio. Diz Augusto Santos que os jornais estão a fazer esta cobertura – pelos vistos e na opinião dele – excessiva do acontecimento porque ele envolve um motorista de táxi.
Ora aí está uma evidência redundante. Pois é justamente por se tratar de um motorista de táxi que tudo se torna particularmente mais grave e exemplar. Porque um motorista de táxi não pode pegar num carro, muito menos um táxi, com 0,92 de álcool no sangue, quando o limite é 0,5. Um motorista de táxi deveria acusar um redondíssimo zero no teste do balão. Sem desculpas nem rodeios. Um zero absoluto.
Para que depois, se por qualquer azar do destino, se despistasse e atropelasse alguém, não se pudesse culpar a embriaguez e a falta de respeito.
E isto é muito importante que se perceba. É que um taxista a conduzir com os copos não pode nem deve comprometer uma classe inteira. Agora enquanto algum corporativismo serôdio mandar mais que o bom senso, então sim… paga a classe toda por inteiro e muito injustamente (quero crer que sim) e disso, meus amigos, nós não temos culpa nenhuma.

Isto hoje parece o dia das conclusões inúteis.
Temos então agora Dick Cheney a dizer que houve "mudanças fenomenais" no Iraque, desde que os Estados Unidos invadiram o país para derrubar Saddam, ou capturar Bin Laden… uma dessas coisas. Houve certamente mudanças fenomenais. Toda a gente já viu isso, a começar pelos próprios iraquianos.
Na fotografia que o Jornal de Notícias publica a ilustrar a visita do vice-presidente a Bagdad, vê-se Dick Cheney a descer as escadas do avião, ladeadas por dois seguranças de óculos escuros à Matrix e metralhadoras aperradas. Diz a legenda que Cheney acredita que o Iraque está a subir os degraus da normalidade. Reparam no trocadilho? Cheney desce as escadas do avião enquanto o Iraque sobe os degraus da normalidade!... Só mesmo um trocadilho destes para nos distrair da blague. A da normalidade, digo eu.
Depois temos essa outra afirmação curiosa que se costuma fazer nestas ocasiões. A da visita surpresa. Claro que é mentira. Estas visitas não são surpresa para ninguém, rigorosamente ninguém. Preparadas até ao mais pequeno pormenor, mobilizando dispositivos de segurança de que nós nem fazemos uma pequena ideia. Que surpresa resta e para quem? Para as populações civis do Iraque? Duvido que se surpreendam, de há 5 anos para cá, com quem entra e sai no país.
E John McCain, o candidato republicano à presidência também foi a Bagdad. Este numa visita mais de passeio. De contacto com as tropas… E disse que era de elogiar os progressos conseguidos com o apoio norte americano e com a determinação dos iraquianos na luta contra a al Qaeda… Aos soldados, em Mossul, McCain disse mesmo que estava feliz por perceber que o povo norte americano está a entender cada vez melhor a estratégia do "para o Iraque rapidamente e em força"
Também aqui ninguém acredita na tese da visita surpresa… É inconcebível que, se ninguém soubesse que John McCain ia chegar a Bagdad, o candidato se pudesse passear tão sorridente e à vontade pelas ruas da cidade, a ver as tropas e as tais mudanças fenomenais de que Cheney fala, enquanto o país sobe os degraus da normalidade…
Em Kerbala mais um atentado matou 40 pessoas. Em Bagdad e enquanto Cheney e McCain andavam lá nas suas voltas, explodiram pelo menos 4 bombas. Que diabo de forma mais ruidosa de subir escadas!...
Quanto a Dick Cheney encontrou-se com representantes políticos iraquianos e com o próprio primeiro-ministro Al Maliki. E acha então Dick Cheney que é especialmente significativo poder voltar ao Iraque para assinalar o 5º aniversário do início da campanha que libertou o povo da tirania de Saddam Hussein. Na televisão, ontem à noite, e enquanto o povo celebrava nas ruas a liberdade e as mudanças fenomenais, via-se o vice-presidente norte-americano em conversa com os representantes iraquianos. Uma sala ricamente decorada. Diria mesmo luxuosamente. Tapeçarias pesadas e lindíssimas, cadeirões dourados. Uma luz requintada e suave. Uma tranquilidade propícia a todos os optimismos. Um ambiente também relativamente próprio, se bem que talvez um pouco luxuoso demais para jogar playsation, por exemplo. Um daqueles jogos, como o que ainda ontem aqui vos falei… o tal Manhunt, em que se matam pessoas à machadada, para ganhar pontos e passar de nível. Um jogo de gosto muito duvidoso, mas enfim, é só a brincar, ninguém se aleija realmente e depois tudo se esquece depois do computador desligado e entre dois donuts e uma laranjada fresquinha.

Esta é uma informação quase paralela à própria história, mas fica para que conste. E ao que consta são precisos pelo menos dois milagres para ganhar a santidade. Um milagre – beatificação. Dois milagres - santidade. É o que se depreende da notícia. E a notícia diz que o papa reconheceu as virtudes heróicas de Joaquim Alves Brás, o fundador do Instituto das Cooperadoras da Família – considerado o apóstolo tutelar das empregadas domésticas – e põe a hipótese de beatificar o padre português se se provarem que foram milagrosas e não explicadas, o que para o caso parece valer como "impossíveis" pela medicina tradicional e conhecida, as curas atribuídas à influência de Joaquim Alves Brás.
Já vimos que se se contabilizarem, pelo menos, duas curas miraculosas, o padre Joaquim Brás pode passar de imediato à categoria de santo. Ora a questão que – com todo o respeito – fica em aberto é esta: como o próprio papa reconheceu, as tais virtudes heróicas do padre Joaquim não lhe bastariam já para ser considerado um santo? È que nem sempre é fácil… manter a virtude, ainda mais com heroísmo, o que só vem provar o que acaba de ser dito. Nem sempre é fácil.
Outra história que cruza os matutinos desta 3ª feira é a do alegado recuo socialista quanto à questão dos piercings e tatuagens nos menores de idade.
PS já aceita piercings em menores. Diz o Público
PS disposto a recuar na lei dos piercings, é o título do Jornal de Notícias.
Temos então que o partido socialista português se manifestou ontem disponível para aceitar que menores de 18 anos sejam autorizados a usar piercings ou tatuagens, desde que as respectivas famílias assumam a responsabilidade.
Havia portanto essa ideia de proibir estas práticas em menores, e em nome da saúde pública e dos próprios.
Ora no que toca a saúde pública o caso tem a ver com o risco de contágios e transmissão de doenças. Isto parece ter mais a ver com as condições de higiene que os profissionais respeitam, ou não, no exercício dos respectivos misteres: seja a tatuagem ou espetar pregos no corpo das pessoas… e nisso tanto faz que a pessoa seja menor ou já vá na terceira idade…
Quanto à autorização das famílias… Claro que pode-se passar a pedir uma autorização escrita, na hora da tatuagem. E se os pais autorizarem, acaba-se o perigo, de repente e por milagre?! Ou talvez não, mas isso para já não importa nada…?
Para já e para o que importa temos o PS a reacertar o tiro e a dizer que está aberto a rever a ideia de proibir os cidadãos em geral – já não se fala só nos menores – os cidadãos em geral de aplicarem piercings em zonas mais sensíveis, como a língua, perto de vasos sanguíneos, nervos, músculos, ou feridas cutâneas. Nestes casos – e já que não se pede a autorização ou conhecimento prévio dos pais – pede-se que as pessoas sejam alertadas para os riscos a que se estão a expor.
Tudo isto, diz a notícia, em nome da saúde e para regular uma actividade que está, ao que parece, em saudável crescimento. Há que garantir – cita o Jornal de Notícias – garantir as boas práticas no que respeita à aplicação de elementos estranhos ao corpo humano.
Longe da ideia dos socialistas portugueses – garante o deputado citado pelo jornal (Renato Sampaio, chama-se ele, já agora…) longe disso, diz o deputado. A ideia do PS nunca foi proibir por proibir. Aquilo a que se chama o proibicionismo. A intenção é mesmo zelar pela saúde das pessoas e garantir as boas práticas.
O livre arbítrio é uma faca de dois gumes.
Com o tabaco é quase a mesma coisa. Ainda alguém nos há-de explicar um dia, como é que uma coisa que é manifestamente tão venenosa e prejudicial à saúde pública e privada de cada um ainda é de venda livre na nossa terra… ai as boas práticas, as boas práticas

segunda-feira, 17 de março de 2008

E o “JN” faz – não diria um escândalo – mas a manchete desta segunda feira com a notícia da polémica. É assim que lhe chama: polémica. E grita: "Deputado beneficiou empresa que lhe paga."
Explica-se logo abaixo, que o deputado em causa é social-democrata e se chama Pereira Coelho e que, enquanto presidente de um organismo público, atribuiu mais de 500 mil euros de fundos europeus a um grupo privado, em que viria a trabalhar um ano depois.
Abre-se o jornal e fica-se a saber que o que está em causa é o programa Lusitanea, uma empreitada que haveria de ter sido sujeita a concurso público e não adjudicada directamente, como parece que foi o caso.
O contracto de adjudicação rendeu 700 mil euros à empresa onde, um ano depois, o deputado se ligaria profissionalmente.
Diz o jornal, que a Europa está desconfiada e pede explicações…
E nós por cá ficamos sem saber de que é que o jornal se queixa… do facto da empreitada ter sido feita à revelia de qualquer concurso público, ou do deputado ter acabado a trabalhar na tal empresa a quem adjudicou directa e alegadamente a empreitada. É que, neste segundo caso, o mais que se pode apontar é a visão de futuro do deputado!

Ora polémica a sério está a levantar a ideia deste inspector da Scotland Yard. Quer ele criar uma base de dados de ADN das crianças do 1º ciclo. Não todas, só aquelas que revelarem um comportamento mais instável, ou difícil, ou irrequieto…. Enfim e em poucas palavras – aquelas que possam eventualmente vir a desenvolver comportamentos desviantes ou criminosos.
Gary Pugh dirige o departamento de Ciências Forenses da Scotland Yard e acha que é necessário um debate sério e urgente sobre a matéria. Saber até onde o Reino Unido pode ir, na identificação de possíveis delinquentes. Diz que há provas científicas que garantem ser possível fazer essa despistagem logo a partir dos 5 anos de idade de uma criança… Diz que quanto mais cedo esses jovens futuros e eventuais alegados criminosos forem identificados tanto melhor para todos.
O inspector está consciente da controvérsia da proposta e sabe também que – a fazer-se – podemos ter um problema: é que as crianças indexadas nessa tal lista dos criminosos virtuais podem vir a ser discriminadas – um bocadito só que seja – pelos professores e colegas…
Dados concretos: a Inglaterra tem a maior base de dados de ADN da Europa, com 4 milhões e meio de indivíduos recenseados, mas a polícia acha ainda pouco. Desde 2004 qualquer cidadão, com mais de 10 anos e que seja detido, pode ser indexado nessa lista. Uma lista onde já está milhão e meio de nomes de pessoas entre os 10 e os 18 anos.

Ora, falamos portanto de gente que se porta mal… ou antes, de gente que pode vir a portar-se mal… se o ADN não engana… Há sempre também a hipótese das más companhias e más influências virem a ter um papel um pouco importante na matéria… Tanto, ou até pode ser que mais até que a própria herança genética… Dando mesmo de barato a máxima do bom selvagem ou a do padre Américo, que garantia não haver maus rapazes… mesmo assim , é bem possível que as influências externas… a chamada educação, por exemplo, tenha um bocado a ver com o futuro que espera a cada um…
Viramos a página do jornal e aterramos em plena cena do crime.
Em decúbito lateral, escondendo a cabeça com os braços, o homem encolhe-se em pânico evidente. O caso não é para menos. O outro ergue o machado acima da cabeça e tudo leva a crer que o golpe que se segue há de ser fatal. Todo o chão está já vermelho do sangue que há de jorrar depois do golpe criminoso. A cena é de um realismo bastante apreciável, tendo em conta que se trata de um jogo de computador.
Chama-se “Manhunt” e nem sabia que já tinha levantado esta polémica toda. “Censura perde batalha”… diz o titulo.
Temos portanto que o jogo em causa… “Manhunt 2” - portanto já houve uma 1ª edição… “Manhunt 2”, o videojogo começa a ser comercializado amanhã em Inglaterra, colocando fim à batalha judicial de 9 meses entre a Rockstar e os responsáveis pela classificação de videojogos. Ora sendo assim, conclui a legenda do jornal… “Manhunt 2” é só para adultos. E ainda bem… que para as crianças, nunca se sabe que danos é que jogos destes lhes poderiam fazer ao ADN…

Vem no Correio da Manhã e é forçosamente um bom sinal. Talvez até o melhor sinal do real pulsar da nação. Longe das depressões a que a alma lusitana tantas vezes cede. Longe de guerras e polémicas, tantas vezes descabidas e inúteis…
Pois tudo aconteceu ontem de manhã em Lisboa e tem o 1º ministro e o da das Obras Públicas como protagonistas.
Diz o Correio da Manhã que Sócrates prometera reagir ao chumbo do diploma de transferência da zona ribeirinha de Lisboa para a Câmara, decidido por Cavaco Silva, mas que, acabou passando a palavra a Mário Lino, para que o ministro explicasse o ponto da situação e real verdade dos factos…
O resto da notícia, para já, deixemos estar, porque o que importa é este pormenor que o jornal até puxa para título… é que Sócrates, ao passar a palavra para o ministro Mário Lino, ter-lhe-á chamado – em tom de brincadeira – explica o jornal e ainda bem que explica - chamou-lhe então José Sócrates a Mário Lino… Mário Jamé… Evocando, explica ainda o Correio da Manhã… evocando a frase Alcochete Jamais (leia-se “jamé”, à francesa), que Lino proferiu há tempos, a propósito da localização do futuro aeroporto internacional de Lisboa.

Ao que tudo indica, ou senão, a notícia deixa de fazer grande sentido - esta do Mário Jamé terá sido dita em público, durante um acto público e com a comunicação social a ouvir, para depois contar…
Ao que tudo indica, também, o ministro Mário Lino terá respondido ao vocativo e respondeu ao que se lhe pedia, o que para o caso, como já vimos e para já, deixemos estar. Porque o que realmente interessa aqui reter é esta bonomia… este tom descontraído e folgazão que só pode dar confiança e pensamentos positivos a toda a gente… E é assim mesmo que devia ser… os exemplos, os bons e os maus, claro – é de cima que hão-de vir, se se pretende boa safra… Sócrates ao chamar Mário Jamé a Mário Lino, revela uma certa… como dizer?... joie de vivre, de que todos nós precisamos, mais ainda, se calhar , do que de obras públicas, ou progresso social. Enfim a joie de vivre de Sócrates e o fair play de Mário Lino, já agora. E se me lembrasse de mais algum chavão em estrangeiro, garanto que era agora que aproveitava para o incluir aqui. Há que aproveitar a maré. Não é todos os dias que vemos os nossos governantes tão bem dispostos. Até estava quase a sugerir que daqui para a frente, ou só no próximo 10 de Junho, a tropa marchasse ao som do Glen Miller, em vez daquele 2 por 4 quadrado e sem swing. Nem que fosse só para experimentar. A ver se, depois não se haveria de dizer, como Sócrates, noutra ocasião… -Então que tal o 10 de Junho?... -Foi porreiro pá!

Há uma vaga impressão que fica a pairar nas nossas cabeças quando se pensa no assunto.
A de que há profissões que exigem ao profissional que as exerce, um pouco mais que a outro qualquer cidadão comum. Conduzir um automóvel é uma delas.
Vem isto a propósito e sem entrar em grande pormenores, da notícia do atropelamento, sábado passado, de quatro meninas, no Porto.
Foram atropeladas por um táxi, quando atravessavam a rua, diz que, fora da passadeira. Consta também que o táxi lhes acertou para se desviar de um outro automóvel que lhe apareceu sem pedir licença e desrespeitando a lei das prioridades.
Quatro meninas foram atropeladas e uma delas está em coma induzido e com prognóstico reservado.
Agora temos o pai do motorista do táxi a sair em defesa do filho, dizendo que apesar de ex toxicodependente e de ter sido mesmo detido, em tempos, por narco tráfico… isso são tudo águas passadas e agora o filho está, o que em gíria se diz: limpo. Há 4 anos já.
A verdade é que lhe foi feito – ao motorista – um teste de despistagem de estupefacientes e o resultado foi negativo. O mesmo não se pode dizer do teste de alcoolemia. Deu 0,92. Uma ligeira embriaguez… chamou-lhe o pai do taxista. Mais, logo a seguir voltaram a fazer-lhe o teste e os resultados tinham descido quase 0,12%.... O que, para o pai do taxista, denuncia que os balões do teste deviam estar avariados….
Diz a notícia, entretanto, que o taxista – que na altura do acidente fugiu, com medo de ser linchado pela população – ao ser apresentado na polícia, na esquadra da Campanhã, foi-lhe passada uma multa de 500 euros, pela tal ligeira alcoolemia e mandado para casa, sem que a carta de condução lhe tivesse sido apreendida, ou suspensa. Diz também a notícia – enfim, alega o pai do taxista – que ele vinha devagar, mas que bastava vir a 50 para projectar qualquer peão a 20 ou 30 metros em lhe acertando. Diz que vinha devagar e que foi a guinada para fugir a outro carro, o que fez o táxi acertar nas 4 crianças e atropelá-las.
O pai do taxista espera que os tribunais sejam sensíveis a estes argumentos e seja feita justiça.

E a tal vaga impressão de desconforto que vos falava ao princípio que não passa, hem?!...

É que depois temos este policia de Leiria que – ao que consta - acidentalmente disparou e matou um assaltante , anteontem de madrugada, numa fábrica abandonada do vale do Lena.
Os alegados ladrões não respeitaram a ordem da polícia e começaram a fugir, foi então que este agente disparou. Primeiro para o ar, depois, já durante a perseguição, um segundo tiro – este, diz que acidental…
Mas foi este 2º tiro que acertou e acabou por matar um dos assaltantes em fuga.
Ora temos agora um processo disciplinar interno em curso na PSP de Leiria e, diz o jornal, que o agente em causa vai continuar ao serviço enquanto as averiguações se fazem. Diz também que o agente em causa terá ficado "agastado com o sucedido". Este "agastado" vem com aspas no jornal, o que quer dizer que deve ter sido mesmo assim, que o polícia disse e falou sobre o assunto. Está a ser acompanhado por uma equipa de psicólogos, entretanto e, pelo menos nos próximos tempos, deverá ser afastado do serviço de patrulha…
Agora chegamos a este ponto curioso. Diz o jornal que o agente levava na mão uma pistola-metralhadora que pesa uns 4 quilos e que já tem 30 anos de vida e de serviço… Diz ainda que segundo os vários sindicatos de policia, esta arma de que se fala é uma arma instável e que deve ser empunhada firmemente com ambas as mãos… Diz o jornal que, o policia em causa, na altura levava uma lanterna numa das mãos e na outra a tal metralhadora instável…

Sorte não ter tido de fazer nenhuma chamada para a central, durante a perseguição, senão ainda a metralhadora começava a ter ideias e vontade próprias e quem sabe quem mais se teria aleijado durante o assalto frustrado.
É isso… a tal sensação esquisita. Deve ser de ser 2ª feira!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Apostar na língua, no património e nas artes. É bastante vago, mas, à partida, soa bem.
E António Pinto Ribeiro, o actual ministro da Cultura, promete serem essas as prioridades do ministério que tutela.
Ora vamos à notícia. Vem no "DN", que, quarta-feira que vem, o ministro vai a S. Bento, aí pelo meio/fim da manhã para ser ouvido pela Comissão de Ética, Cultura e Sociedade. Deverá ser abordado o dossier "ensino artístico em Portugal", mas antes disso e entretanto, o Diário de Notícias já conseguiu que Pinto Ribeiro adiantasse algumas das linhas mestras do seu mandato próximo futuro… E, a saber, as áreas prioritárias são então a língua, o património e as artes… O que é um pouco vago, como já vimos, mas soa bem, como também estou em crer que concordarão.
Agora, o jornal esclarece que o que o ministro começou por dizer, quando o entrevistaram, foi que "a vinda para o Governo negoceia-se politicamente".
Ora, resta saber a que pergunta é que esta resposta corresponde… Ter-lhe-á sido perguntado: Como é que se negoceia a vinda para o Governo?!... Ou antes se a vinda para o Governo se negoceia politicamente?.. Ou ainda, por exemplo e absurdo, se a entrada no Governo se negoceia por mérito dos candidatos, reconhecida autoridade na matéria que se propõem ministrar, ou… ou quê? Por exemplo.
Também a verdade é que, tratando-se de um cargo político, faz todo o sentido que as negociações a haver se façam politicamente. Por isso adiante e vamos às prioridades.
Disse o ministro ao “DN” que tenciona influenciar o ministério da cultura em duas vertentes.
Primeiro, que é importante assegurar a cultura como eixo de crescimento económico, para que as artes e as indústrias culturais possam contribuir para o PIB nacional.
A cultura como eixo de crescimento… sempre o foi. Até mesmo económico, pelo menos nas civilizações que o perceberam a tempo. Que a cultura até pode dar dinheiro, desde que não a vendam a pataco.
A outra vertente de que se fala, será, segundo o “DN”, citando o ministro, "a afirmação internacional de que a nossa cultura precisa"…
Por outras palavras, ou quase… “haverá que aprofundar a nossa própria identidade do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos”… terá sido o que o ministro disse ao “DN”. Que há que aprofundar a nossa própria identidade do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos… Ora aí está o que faz as pressas. Dizia que era um pouco vaga a presunção enunciada… pois havia que ler até ao fim. A língua, a arte, o património… a questão resume-se afinal a isto: a aprofundar a nossa identidade (presume-se que nacional) do ponto de vista internacional, sem nos diluirmos. Sem nos diluirmos em quê!?


E talvez já não se lembrem da história que aqui vos contei ontem, de um cidadão inglês, que trouxe colada á sola do sapato um baguito de uva esborrachado. Tê-lo-á – diz ele – pisado quando andava às compras no supermercado. Lá dentro não houve surpresas, mas cá fora escorregou, caiu e rompeu um tendão de uma perna. Diz que a culpa foi da uva. Diz que a uva é culpa do supermercado, donde, é o supermercado quem tem de o indemnizar pelo prejuízo. Prejuízo físico e moral e psíquico e tudo isso soma 400 mil euros. Diz ele. Ora de indemnizações nos fala também o Correio da Manhã desta quinta feira.
Fala, ou relembra, melhor dito. A indemnização pedida pelo ex ministro e parlamentar socialista Paulo Pedroso.
Uma indemnização de 800 mil euros por ter sido detido preventivamente durante 5 meses, na consequência do processo Casa Pia.
Na altura, o deputado foi acusado de 23 crimes de abuso sexual. Na altura também, não chegou a ir a tribunal, sequer, por uma decisão da juíza instrutora do processo. Na altura, corria o ano de 2004.
Ora, 4 anos passados, Pedroso quer 800 mil euros de indemnização. Diz que é um imperativo ético sentar o Estado no banco dos réus e responsabilizar a Justiça.
Enfim, responsabilizar a Justiça é coisa que não se espera que alguém ponha em dúvida que se faça. Sempre e em qualquer circunstância. Quanto mais não seja, porque, ou muito me engano, ou o próprio conceito de Justiça passa um bocado por aí. Pelo assumir de responsabilidades.
Quanto aos 5 meses de prisão preventiva…. Se formos a fazer contas, quanto poderão pedir de indemnização ao Estado os outros cidadãos, presos preventivamente por períodos um pouco mais extensos?... Por exemplo, um ano. Daria, portanto: 5 mais 5 são dez – dava 1 milhão e 600 mil euros, mais dois meses a 160 mil por mês dá 320 mil, a somar ao milhão e 600 mil dá portanto… enfim, é fazer as contas.
Mas deixemo-nos de brincadeiras, é sempre um imperativo ético sentar o Estado no banco dos réus – se lhe quisermos chamar assim, nem que seja metaforicamente – para que o Estado assuma as responsabilidades que lhe competem, em coisas tão elementares como o respeito pela dignidade de cada um. Nem que a dignidade de cada um… o bom nome, como se costuma dizer, valha, cá em Portugal, o mesmo – pelo menos para alguns –o mesmo, a dignidade, quanto as pernas de um qualquer cidadão inglês que tenha escorregado numa casca de uva, à saída do supermercado, caído desamparado e magoado ambas as supracitadas e já referidas, á razão de 400 mil euros por cada perna.



Fica só por saber em que seminário é que este padre se formou, mas vamos à história. Diz o 24 Horas que foi condenado a prisão perpétua, um padre considerado culpado nos massacres do Ruanda, em 94.
O Padre é de etnia hutu. O abade Atahane Seromba. E é o primeiro sacerdote católico a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional para os Crimes no Ruanda. Julgado e condenado por crimes contra a Humanidade.
Já em finais de 2006, num primeiro julgamento, tinha sido condenado a 15 anos de prisão, por – abrem-se as aspas – " ajuda e incentivo" – fecham-se aspas – nas matanças da minoria tutsi do Ruanda. Agora os juízes reconsideraram e chegaram à conclusão que este padre fez um pouco mais que dar só uma ajuda e incentivo aos massacres. Ou então, que essa ajuda e incentivo foi um pouco longe demais. O exemplo. Foi o próprio padre quem autorizou as autoridades locais a destruírem a igreja onde se tinham refugiado 1.500 tutsis. A igreja veio abaixo esmagando e soterrando até à morte os 1.500 fiéis.
Dos livros de História, mesmo a mais antiga e bárbara, sobe de repente a memória de outras guerras, onde os templos religiosos eram o último refúgio e inviolável. Nenhum soldado se atreveria a violar solo sagrado. Nenhum se atreveria a desafiar a cólera divina, perseguindo e matando os filhos de Deus dentro da própria casa do Pai. Fosse por antigas leis da guerra, fosse por simples medo e superstição…
Neste caso, foi o próprio padre quem autorizou a blasfémia e a traição. Pensavam os refugiados que ali estariam em segurança… Ou talvez não. Talvez, por qualquer estranho e inexplicável pressentimento, tivessem percebido que a Hora tinha chegado e fosse, justamente aí que, abandonados por todos, se entregassem ao Sacrifício. Aceitando a loucura dos homens como sinal da ira divina? Ou vice-versa?...
Para o que importa agora é que o sacerdote ruandês foi condenado pelo tribunal Internacional, a prisão perpétua. Sendo ele um homem da Fé, faz ainda mais sentido o voto que fica expresso: que Deus lhe dê muita vida e saúde.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Informação útil e de última hora!
A China já não é um dos piores violadores dos direitos humanos.
Provavelmente já foi, mas já não é.
A garantia vem de Washington, no relatório anual do Departamento de Estado norte-americano.
Temos então que, para Washington, a lista negra dos violadores dos direitos humanos contempla actualmente a Coreia do Norte, o Irão (países que acumulam o estatuto com o de colaboradores do Eixo do Mal…) e ainda a Birmânia, Zimbabwé, Cuba, Bielorússia e Eritreia, para além dos recém incluídos Síria, Sudão e Uzbequistão.
Esta é a lista negra. Quanto à China, segundo o relatório, a situação melhorou um pouco, o que lhe retira o labéu, mas não livra do reparo…
Passou então de “pior violador sistemático dos direitos humanos”, para o de “país autoritário em plena reforma económica que viveu mudanças económicas rápidas, mas não procedeu a reformas políticas e continua a negar aos seus cidadãos os direitos do homem e as liberdades fundamentais básicas”!!! Vamos ler outra vez?... Embora.
“País autoritário em plena reforma económica que viveu mudanças económicas rápidas, mas não procedeu a reformas políticas e continua a negar aos seus cidadãos os direitos do homem e as liberdades fundamentais básicas”.
Outra vez?... Não me parece.
Ora acontece que Tom Casey, porta-voz do mesmo Departamento de Estado, que redigiu o relatório e a lista, diz que ela – a lista – não tem qualquer valor estatutário. Seja lá isso o que for…
E Portugal?... Ah pois, a menos que nos tenham confundido no mapa com os nossos vizinhos espanhóis – o que não era a primeira vez - diz o relatório do amigo americano, que em Portugal há “problemas nalgumas áreas, nomeadamente agressões e abusos ocasionais a detidos e más condições prisionais”. A cada um o seu Guantanamo.
Mas voltemos à China.
“A China promete reduzir poluição até Agosto.”
Ora acontece que isso sucede, ao que parece, em reacção à atitude de um atleta etíope, que disse que não corria a maratona olímpica por causa da poluição em Pequim.
Logo no dia seguinte, a organização dos Jogos prometia que ia conseguir limpar o ar sobre Pequim antes do 8 de Agosto. A China está confiante nos planos anti poluição que estão em marcha e garante que a qualidade do ar em Pequim será boa quando se acender a chama olímpica. O responsável chinês para a Protecção do Ambiente garantiu ontem isso mesmo: “0s nossos peritos prevêem que a qualidade do ar normal pode ser garantida.”
Ora aí está outra informação útil e de última hora. É fácil limpar o ar sobre as nossas cidades. Basta querer, ou então, estar à espera de visitas de cerimónia.

E vamos à capa do “24 Horas”, que hoje trás em manchete uma daquelas histórias que não interessam a ninguém.
Ou que pelo menos não deveriam interessar a ninguém, para além dos próprios intervenientes protagonistas dessa mesma história. Seja à luz do interesse público, seja à do interesse do público; conversa académica muito querida da classe jornalística e escrevedora de jornais, em geral.
Diz assim, o título. Aliás, deveria dizer grita assim: “Irmã de Alexandra Lencastre perdeu um filho”.
Em legenda mais pequena, fica-se ainda a saber que o namorado da referida irmã de Alexandra Lencastre terá revelado, ou vai revelar um segredo íntimo em tribunal.
Portanto, temos que na letra grande nem se identifica sequer a personagem de quem se fala. Diz-se simplesmente que é irmã de alguém, que, essa sim, é bastante popular na nossa terra: a actriz Alexandra Lencastre. A história, para quem não sabe, ou não se lembra, começou pela descoberta, que algum jornalista mais empenhado e laborioso fez, de que Alexandra Lencastre tinha uma meia irmã de que não se falava, ou desconhecia até – pelo menos o grande público – a existência… Percebeu-se na altura que tanto uma como outra não gostavam muito de falar no assunto. Se gostassem já o teriam feito, decerto. Mas mesmo assim o folhetim continuou.
Tanto que, se saltarmos a capa do “24” e mergulharmos no corpo do jornal vamos cair numa página 7, toda ela dedicada a esta mesma matéria.
Entra-se … e entra-se despudoradamente para ficar a saber dos problemas emocionais passados da jovem em questão – uma jornalista que tem andado um pouco afastada dos ecrãs de televisão por razões que só a ela deveriam dizer respeito. Fica-se a saber que ela esteve grávida e perdeu o filho. Fica-se a saber que está em tribunal um processo que opõe a jovem ao ex namorado. Fala-se em ofensas à integridade física, fala-se em coisas que são de tal maneira íntimas e pessoais que nunca deveriam sair daí mesmo. Da esfera dos assuntos pessoais da vida de cada um. E, no caso, do fórum da justiça e dos tribunais.
Porque, a servir de exemplo, ou denúncia de alguma coisa… da violência doméstica, ou conjugal, ou de género… há, infelizmente, todos os dias casos para contar e sem o espalhafato gratuito de uma capa, como a que o “24 Horas” hoje publica.
Por mais ingénuos que sejamos, dificilmente se compra a ideia de que foi só isso, o que levou o “24” a fazer o estardalhaço que faz com a capa de hoje… o de denunciar exemplarmente – já que os protagonistas são figuras mais ou menos públicas e conhecidas – denunciar exemplarmente esse tipo de situações violentas e confrangedoras.
É também verdade, que nos tempos que correm, a blague Wahroliana, dos 5 minutos, ou 15 de fama se tornou, para alguns, uma quase obsessão. Mas recusemo-nos a pensar que, neste caso, a jovem jornalista de que se fala, poderia chegar a este ponto só para aparecer nos jornais.

Agora sim, finalmente uma informação útil!
Vem no “JN”, que os Acidentes Vasculares Cerebrais fazem 500 vítimas mortais por mês, em Portugal; e isto à média de 6 AVC’s por hora, sendo 3 deles fatais.
O jornal, que cita as afirmações de Pedro Marques Silva, um especialista na matéria, clínico do hospital de Santa Marta, ilustra o exemplo: “o número de vítimas mortais de acidentes vasculares cerebrais equivale à queda de um Boeing 747, em Lisboa”.
E ora aí está! Estávamos a ir tão bem … Apesar da notícia ser preocupante e não se prestar a graçolas, a verdade é que estávamos a ir tão bem e logo aparece essa irreprimível necessidade de fazer estilo e pronto.
Ora então equivale à queda um 747 em Lisboa!? Parte-se do pressuposto de que, nessa eventual queda, morria toda a gente e que toda a gente seria 500 pessoas, que é do que se fala – 500 mortos por mês, vítimas de AVC. Ou então o avião até podia ir vazio, desde que apanhasse as vítimas cá em baixo, na queda…
Depois… porquê em Lisboa?! Se o avião caísse em Vila Nova de Foz Côa, o resultado seria diferente?! Claro que, se as 500 alegadas vítimas fossem os passageiros do avião, ia dar ao mesmo. Se estamos a contar com as pessoas cá em baixo que eventualmente poderiam levar com o avião em cima, … aí… apesar de tudo, em Vila Nova de Foz Côa, o impacto seria eventualmente menor. Ainda mais se o avião caísse mais por cima do rio, perto das gravuras, ou assim…
Finalmente sobra só e ainda a questão das 500 baixas de que se fala ocorrerem ao longo de um mês. No caso dos AVC. Já no caso do Boeing, seria muito mais cruel. È que já viram bem? O avião caía e as pessoas, as tais 500 pessoas, levavam um mês inteiro para morrer por completo. Ou agonizavam pelo marquês do Pombal, ou arrastavam-se para ir morrer longe, vítimas de horríveis e desconhecidas sequelas!

Mas voltemos ao que realmente interessa. Diz o médico que a prevenção é a chave primeira. Controlar a pressão arterial e depois e para já cortar no sal. Em Portugal come-se o dobro do sal que é preciso e que as autoridades internacionais de saúde recomendam.
Vá lá, mas é!

E aproveitemos o Boeing, antes que ele caia e voemos até ao Rio.
Rio de Janeiro, precisamente.
E se no princípio era o verbo, para o clero brasileiro, o verbo só, não chega e invoca-se o princípio de que uma imagem vale mais que mil palavras.
Vamos à história.
Vem no Correio da Manhã que a arquidiocese do Rio de Janeiro lançou uma campanha agressiva na luta contra o aborto. Uma campanha que levantou polémica mesmo entre os próprios fiéis católicos do Rio.
Durante as missas de domingo, os sacerdotes exibem, no altar, réplicas em resina sintética de fetos humanos e passam vídeos com cenas reais de intervenções cirúrgicas de aborto.
Algumas cenas são de tal violência que os próprios fiéis se sentem mal dispostos, choram e chegam mesmo, alguns, a vomitar a meio da missa.
Foram feitas 600 réplicas de fetos humanos para serem distribuídas pelas 260 paróquias do Rio. Nalgumas igrejas, os bonecos ficam em exposição nos altares, mesmo depois do “Ite Missa est” e durante toda a semana até ao domingo seguinte.
Para os defensores da interrupção voluntária da gravidez, esta campanha é uma forma inqualificável de terrorismo psicológico.
Será? Se for só isso, é como o outro.

Só para acabar …
O 24 horas na coluna do planeta bizarro conta a história de um cidadão inglês que quer 300 mil libras – 400 mil euros de indemnização da “Marks and Spencer”, a cadeia de supermercados, por se ter ferido numa queda que deu no estacionamento da loja. Diz que trazia colado à sola do sapato um bago de uva, que foi o que o fez escorregar, cair e romper um tendão da perna. Diz que trazia o bago de uva colado ao sapato e que foi na loja que o baguito se lhe colou à sola. Foi a uva a culpada, a uva era dos “Marks and Spencer” agora o “Marks and Spencer” que assuma a responsabilidade e lhe pague os tais 400 mil euros.
Diz que os prejuízos foram para além dos danos físicos. Fala em perda de confiança e depressão. Diz que agora nem consegue trabalhar em condições…
Também não precisa. Se vencer o processo em tribunal… 400 mil euros dão-lhe uma folga considerável. Pode tirar umas férias e ir até à praia, apanhar sol na tendinite. Tem é de ter cuidado com as cascas de laranja, ou outro lixo! Que, na praia, se escorrega e estraga a outra perna, vai processar quem? O cabo de mar?!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vem no Correio da Manhã e se não é gralha, vamos ter de rever uma ou duas coisas sobre, por exemplo, o que é um hospital psiquiátrico.
Diz assim: Hospitais vão ter salas para inimputáveis. Até aqui, vamos indo. Mas, se entrarmos no corpo da notícia, lemos que, Três hospitais psiquiátricos vão ter, nos próximos 5 anos, serviços de internamento para doentes inimputáveis e difíceis. Isto segundo o Plano Nacional de Saúde Mental, que prevê ainda a criação de unidades de tratamento para perturbações do comportamento alimentar, nas regiões de Lisboa, norte e centro de Portugal…
Continua, a notícia, dizendo que esses serviços para inimputáveis serão criado nos hospitais Júlio de Matos, em Lisboa, Magalhães Lemos, no Porto e Sobral Cid, em Coimbra.
Do que se sabia até hoje, é justamente nos hospitais psiquiátricos que se costuma internar os doentes que, por razões inerentes à própria doença, são considerados o que vulgarmente se chama de inimputáveis…

Agora o Público traz outra versão, provavelmente da mesma história…
O plano de saúde mental prevê unidades de saúde mental para crianças e adolescentes até 2016 – EM TODOS OS HOSPITAIS –
Quanto aos psiquiátricos, pois a ideia é justamente desactivar alguns e ir distribuindo progressivamente os serviços por todo o território. Para que os serviços fiquem obviamente mais próximos dos utentes e, também, como forma de ir desmistificando alguns fantasmas que ainda persistem a rondar as doenças de foro psicológico e mental…
O ambicioso objectivo do plano aprovado pelo Governo é – segundo o Público – ter nos próximos 6 anos novas unidades de psiquiatria da infância e adolescência em todos os hospitais centrais e distritais.
Já o ano passado, a comissão nomeada para reorganizar os serviços, propôs que os médicos dos 6 hospitais psiquiátricos, que existem actualmente, fossem progressivamente transferidos para departamentos da especialidade, nos hospitais gerais portugueses. A meta é o ano de 2012. Aí espera-se que sobrevivam apenas os hospitais de Júlio de Matos, Sobral Cid e Magalhães Lemos. O documento publicado ontem em Diário da República garante que nenhum dos hospitais psiquiátricos actualmente em funcionamento será desactivado antes dos novos serviços estarem prontos para funcionar. Quanto aos médicos… Isso pode ser um pequeno problema. Diz o Público que as entradas de novos médicos em Lisboa, Porto e Coimbra terão de ser restringidas, por forma a evitar a concentração nas grandes cidades, em prejuízo do resto do país e do próprio plano aprovado e em marcha… Por outro lado, continua ainda o jornal, "para facilitar a fixação dos médicos fora dos grandes centros, há que criar incentivos financeiros e promover a vinculação aos serviços numa fase precoce”. O mesmo é dizer – garantir-lhes o emprego e o contratozinho, logo enquanto estão ainda na fase do internato.
O mesmo é dizer: pendurar umas cenouritas aí pelos hospitais e centros de saúde, a ver se alguém se convence.
Profissões há muitas… umas são profissões de fé… outras nem por isso.

De Tóquio a Londres. Os protestos contra a caça à baleia.
Em Tóquio, militantes da Greenpeace vestiram-se de baleia, em Londres, militantes da Sea Shepherd acorrentaram-se à varanda da embaixada japonesa… Isso enquanto, em Londres também, a Comissão Baleeira Internacional começava uma reunião de 3 dias, para tentar conciliar as partes e os interesses dos que se opõe e dos que defendem a caça à baleia.
É uma reunião informal. O ano passado conseguiu-se convencer o Japão a suspender a caça à baleia de bossa, que seria retomada agora, após uma moratória de 40 anos.
Em defesa da caça à baleia surge entretanto uma outra arma. Um argumento "ecologista"… o de comer carne de baleia como forma de salvar o planeta. Uma ideia que surgiu do lobby pró-baleeiro norueguês. Coma baleia e salve o planeta – dizem eles. E isto porque – e parece que é verdade – sai muito mais em conta produzir carne de baleia para a alimentação do que carne de vaca, ou de outras espécies mais comuns à mesa da refeição.
Por exemplo: para se conseguir um quilo de carne de baleia emitem-se 1 quilo e novecentos gramas de gases com efeito de estufa… para um quilo de carne de vaca, os valores sobem aos 15 quilos e 800. Seis quilos e meio para a carne de porco e 4 quilos e meio para a de galinha. O estudo foi apresentado pela High North Alliance, organização que representa as comunidades do Árctico.
A Greenpeace já desmontou este estudo, alegando que: comer carne tem sempre efeitos negativos para o clima e para o ambiente.

Ora então, comer carne tem sempre efeitos negativos para o clima e para o ambiente?!…
Para o clima e para o ambiente, para além da própria pessoa que a come, ao que consta e alguns defendem – os vegetarianos, por exemplo.
Agora, quanto ao clima mesmo e ao ambiente, ficamos curiosos por saber, o que acha a Greenpeace do próprio vegetarianismo, de que falava agora mesmo…
Se deixarmos de comer carne e desatarmos a comer, por exemplo, só verduras… quem travará o avanço dos desertos?

quarta-feira, 5 de março de 2008

E no Irão?
Diz que os manuais escolares estão feitos para doutrinar os alunos na guerra santa global. A denúncia vem de uma organização não governamental norte americana – o Centro para a Monitorização da Paz no Médio Oriente. Segundo esta organização, os livros escolares iranianos tentam inculcar a ideia de que o mundo está dividido entre bons e maus. E este será justamente o tema de uma conferência, que está agendada para estes dias em Washington, moderada pela directora deste Centro de Monitorização da Paz no Médio Oriente.
Ora temos então que, os manuais escolares iranianos, dividem o mundo entre bons e maus, o que para a organização de que falamos é – eventualmente – mau sinal e má pedagogia.
Enfim, a verdade é que o mundo está mesmo divido entre bons e maus. A dificuldade está às vezes só em distinguir uns dos outros.

“O padre italiano Piero Gelmini, acusado de abusos sexuais, foi afastado do sacerdócio pelo Vaticano”. É assim que abre a breve do “24 Horas” de hoje.
O sacerdote foi acusado de ter violado 9 jovens. A “BBC” deu a notícia e explicou que a decisão partiu do próprio Papa – o que provavelmente é normal nestes casos…
Temos portanto que o padre fica proibido de celebrar missas e de ministrar sacramentos como baptismos e comunhões. Pode, no entanto, continuar a dirigir a comunidade de apoio a toxicodependentes, criada por ele próprio e onde foram cometidas as violações. A acusação era justamente essa: a violação de 9 jovens que estiveram internados numa das casas, das mais de 150, que a Comunidade tem. Os abusos terão ocorrido desde 97 e até ao ano passado. Portanto não pode é celebrar casamentos e baptizados, nem dar missas. Enfim, situações em que seria muito pouco provável que o padre tivesse oportunidade de molestar sexualmente alguém… mas isso também nunca se sabe… Para já, salvou-se a honra do convento.

Ora, sem sair do “24 Horas”, deixo os olhos escapar para a fotografia, pequenita, que está aqui ao lado. Uma jovem, em lingerie preta e extravagante, ajoelha-se sobre um canapé de cabedal, segurando um chicote. Na outra mão, uma almofada onde se lê, a vermelho baton: “Chicotes e correntes são para o quarto, não para o circo”. A provocação é assinada pela “PETA”, organização de defesa dos animais. E é justamente essa a ideia. Sair, de forma engenhosa, em defesa dos direitos dos animais. Que, segundo a organização, têm o direito a não usar correntes, nem obedecer a ordens de chicote, para serem exibidos num circo. A dar-lhes algum uso, aos chicotes e correntes, que o façamos em jogos eróticos sado masoquistas.
A campanha está já curso na Índia. Fica por saber qual será a tradição de sexo sado masoquista na Índia… Do tântrico já ouvimos falar e vem daí… agora o sado masoquismo… Se não for ofensivo para a moral e costumes locais é já uma sorte, mas enfim, alguém deve ter estudado o mercado antes de avançar com a campanha…

E saltemos agora para o “Diário de Notícias”, mas sem largar o chicote. É que é justamente sob o silvo do látego que ele vai ser castigado.
“Cento e oitenta chicotadas para o professor que foi surpreendido a beber um café com uma aluna”.
A notícia vem da Arábia Saudita e consta que lá é crime, este tipo de atitudes. O professor em causa lecciona psicologia numa universidade de Meca. A polícia religiosa apanhou-o a beber um café com uma aluna e o castigo aí está: 8 meses de prisão e 180 chicotadas. O suspeito já admitiu a falta, o que o constituiu rapidamente em réu e acusado. Há também, diz o jornal, quem considere o professor inocente do crime de que o acusam… o de ter sido surpreendido a beber um café com uma mulher. No caso uma aluna.
Mas o surpreendente nesta notícia ainda não vos contei. É a forma como ela própria foi redigida. Sei que o jornalista assina com as iniciais C. F. e que, pelo que fica escrito, deve ser uma sumidade internacional em moral e bons costumes. Vamos ouvir?... É subtil, mas se ouvirmos com atenção ela está lá a insinuaçãozinha bacoca…
“Chama-se Abu Ruzaiz, é professor de Psicologia e bebeu um café com uma aluna. Hélas!” - escreve o periodista a itálico… "terá sido o pior erro da sua vida…"
E continua: “a polícia religiosa, que quase se cola às paredes à procura destas banalidades, ficou a saber do “crime”. E a palavra crime vem entre aspas. Mas não devia. Apesar do jornal ser português, o crime de que se fala passou-se na Arábia Saudita e lá dispensa aspas. É mesmo crime, sem ironiazinhas insidiosas.
Pois a questão é essa. Não há tempo. Se houvesse, tempo e paciência, talvez pudéssemos fazer esse exercício de comparação. Seja em relação à nossa própria História recente e lembrarmo-nos das bizarrias de costumes e de leis a que Portugal esteve sujeito, ainda não há muito tempo e mais ainda e para além disso, repararmos bem em certos usos e costumes – não forçosamente ilícitos – mas que devem fazer rir a bom rir muito cidadão de outras praias e culturas. Enfim, se forem bem-educados, riem baixinho. E se forem mesmo bem-educados, não vão para os jornais fazer trocadilhos serôdios com a cultura de outros povos. Claro que uma pessoa ser chicoteada por beber um café com outra do sexo oposto é muito desagradável e não fará muito sentido, seja à luz de que século e civilização, mas isso não cabe a nós julgar e muito menos fazer piadola, com aspas ou sem elas.