terça-feira, 4 de março de 2008

As palavras. As palavras têm significados próprios. Quando querem dizer alguma coisa, dizem. E dizendo, fazem por não deixar margem para dúvidas, sobre o que querem dizer. Tomemos o exemplo da palavra: Paleozóico. Diz o dicionário que paleozóico é um adjectivo relativo à era primária, ou paleozóica. Sendo a era paleozóica aquela era geológica, que sucede à proterozóica. Quanto à palavra, deriva do grego.
E isto tudo porque, esta terça feira, o “Diário de Notícias”, acompanhando o desenvolvimento da luta dos professores, reproduz, com sublinhado, duas páginas da ficha de avaliação de desempenho que, ao que parece, é um dos pomos de toda esta discórdia.
A legenda da fotografia alerta para, o que o jornal chama, “parâmetro de avaliação político”. E chama-lhe assim, porque, ao que consta, é assim que os próprios professores classificam algumas alíneas da tal ficha de avaliação. Vamos aos sublinhados.
A legenda explica que são critérios políticos, como os que o jornal sublinha, que obrigam os professores a calar a insatisfação, se não estiverem de acordo com as políticas de educação do Governo.
Isto é o que diz a legenda. O sublinhado o que diz, ou melhor, pergunta, é o seguinte: se o docente é visto como um factor condicionante da aprendizagem do aluno… Se for, a nota é zero.
Se o docente teve um papel neutro no processo de aprendizagem do educando… Se teve, a nota é três e meio…
E se o docente actuou de forma a ter um papel de incentivo no processo de aprendizagem do educando… aí a nota é 8 valores, ou 8 pontos, não sei.
Não sei, mas até aqui, parece quase lógico que, o professor que incentiva o processo de aprendizagem, mereça uma avaliação superior àquele que, não só não puxa, não desperta no aluno o gosto pelo saber e pelo aprender, como ainda se constitui como "factor condicionante da aprendizagem”.
Agora o outro ponto da discórdia.
Pergunta a ficha de avaliação se o docente verbaliza a sua insatisfação, ou satisfação, face a mudanças ocorridas no sistema educativo e ou na escola… Se o faz através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares… aí é um zero redondo.
Se verbaliza a insatisfação, ou satisfação, de forma serena e fundamentada através de críticas construtivas potenciadoras de reflexão… nesse caso é nota 7.
Em última hipótese, saber se a insatisfação, ou satisfação, se manifesta afirmando-se o docente como um agente de mudança, apresentando sugestões nos órgãos próprios, que visem a melhoria da qualidade do ensino e da educação que se pratica na escola. E esta é a postura que merece a nota máxima: 10 valores. E é isto.
Valoriza-se portanto quem se apresenta com uma postura pró activa. Sugerindo medidas que possam melhorar o funcionamento da escola e a qualidade do ensino. Isso, em desprimor da outra atitude de críticas destruidoras que possam destabilizar a escola e o trabalho dos colegas… Coisa estranha, esta!... Bizarra, quase.
É aqui que o jornal e, ao que parece, os professores vêem o tal juízo político. A alegada lei da rolha… E até podem ter toda a razão. Há mesmo quem defenda que tudo na vida do Homem é político. Se formos por aí, está tudo certo. Agora, se a intenção é denunciar uma perseguição, ou vigilância repressiva do livre pensamento… aí, teremos forçosamente de abrandar a marcha. Pelo menos, no que fica exposto e citado das tais fichas mal amadas, o único motivo de desconfiança que sobressalta é esse mesmo… o da desconfiança, ela própria. O de, quase historicamente, desconfiarmos sempre e à partida de quase tudo o que surge de novo, ou determinado por hierarquias superiores. Nesta última parte, a das hierarquias superiores, o de desafiar a autoridade…o comportamento é saudável e natural… mas, na adolescência! Depois, com a idade, costuma passar. Já quanto à primeira parte do enunciado – desconfiar de tudo o que soe a novidade – também já não é grande novidade! E já não é desde o velho do Restelo! Há quanto tempo é que isso já foi?...
Enfim, na mesma linha de frases sonantes e palavras redondas, diria que, em Portugal, a desconfiança é um comportamento talvez um pouco… paleozóico?!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Vem no “24Horas”. Discreta, mas vem. Que, na Alemanha, os médicos fazem mea culpa.
Diz que, numa acção sem precedentes, vários médicos e enfermeiros confessaram em público erros cometidos no exercício das respectivas profissões. Foi ontem e, segundo o jornal, pretende-se assim criar um clima de maior abertura no debate sobre erros clínicos.
Isto na Alemanha… conta o "24Horas".

Do “Público” resgato estoutra…
“Ordem reprova nefrologista que fez lipoaspiração fatal”. É o caso da morte de uma jovem de 24 anos, na sequência e consequência de uma lipoaspiração que correu mal.
A operação foi em Faro e feita por um médico nefrologista. Médico dos rins, portanto…
O presidente do Colégio da Especialidade da Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética da Ordem dos Médicos (é espantoso o vasto campo das especializações! Simplesmente fantástico, mas adiante…) pois o presidente do colégio da especialidade disse ao "Público”, que um nefrologista não está habilitado para fazer lipoaspirações, mas que, no entanto, no domínio das leis, essa é uma questão complicada, porque não está definido o que é o acto médico.
Diz mais… que o que está assente como norma é o que dita o código deontológico da classe: que diz, que o médico não deve exceder o limite das suas competências nas suas práticas. Nem um médico, nem nenhum profissional de nenhum ofício, esperemos, mas adiante, que há mais… Diz o presidente do colégio da especialidade que "a realidade dos factos é que o dinheiro, às vezes, fala mais alto"!
A família da vítima já apresentou queixa ao Ministério da Saúde, com cópia endereçada ao Ministério Público. Para o Ministério da Saúde, o processo estará concluído até final de Março, em todas as suas vertentes… A burocracia tem uma maneira curiosa de falar!...
O presidente da ARS do Algarve diz que “só soube do caso depois da queixa apresentada pelos familiares” da vítima e que remeteu o caso para as autoridades competentes, sendo que terá recebido do Ministério da Saúde, “uma resposta pronta para averiguar as circunstâncias da morte.”
A circunstância, ao que se sabe, foi que a jovem começou logo a queixar-se mal chegou a casa, onde foi encontrada morta no chão, a 15 de Janeiro passado. O relatório da autópsia fala de obstrução de uma artéria… O presidente do colégio da especialidade, voltemos a ele, diz que, neste tipo de intervenções, “o problema é quando as coisas correm mal e é preciso ter mão” .
O problema é quando as coisas correm mal e é preciso ter mão!
Porque haverá, certamente, outro tipo de problemas que surgem quando as coisas correm bem! Como haverá decerto também situações em que as coisas correm mal e, não chegando a ser problema, não é preciso ter mão! Ou ainda aqueloutras em que as coisas não correm nem bem nem mal e toda a gente pode meter os pés pelas mãos à vontade, que não há problema.

Mas, finalmente uma luz ao fundo do túnel!
Falo da guerra dos professores. O “Público” hoje abre o destaque à matéria em causa.
Já saíram à rua mais de 10 mil professores. Diz o título.
Será muito difícil travar este movimento, diz Manuela Teixeira, ex sindicalista.
O acesso à categoria de titular, avaliação e alterações à gestão escolar são alguns dos motivos na origem dos protestos desta semana, é o que dizem.
Ontem, o protesto foi em Aveiro, lembra a reportagem de Maria José Santana.
A plataforma sindical, que coordena o protesto, espera mais de 25 mil manifestantes em Lisboa.
Ao topo da página corre a legenda – “sindicatos e movimentos espontâneos pressionam Governo com acções diárias” por baixo, a fotografia ilumina o centro da página.
Ontem à noite em Aveiro. Os manifestantes seguram velas, como nas procissões, dando um ar solene e trágico ao desfile… E em primeiro plano, um dos manifestantes ergue este cartaz extraordinário e surpreendente! Coisa rudimentar: um cartão pregado em duas ripas de madeira, mas surpreendente no que grita e diz assim: “Maria de Lurdes dá-me a tua camisola!”
Faça-se luz, que ainda há esperança no meu país! O sentido de humor está vivo e manifesta-se.

Será?!...
E esta senhora de 70 anos que vai a tribunal no próximo 1º de Abril por, alegadamente, ter tentado roubar um creme para as mãos de 1 euro e 39, num LIDL de Paços de Ferreira?!...
A administração do supermercado alega que a senhora tentou roubar o creme.
A arguida garante que foi esquecimento. Nem reparou no creme, esquecido no fundo do saco, entre o pacote de sal grosso e o de massinha para a canja.
Consta que, abordada por um segurança, já à saída, a senhora ter-se-á disposto prontamente a reparar a falta, mas o caso seguiu mesmo para tribunal. Vai a julgamento no próximo 1º de Abril. Dia das mentiras, dia das partidas, dia da galhofa, enfim, dia da parvoíce.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O tema é actual.
Ocupa pelo menos as duas páginas da respectiva secção do Diário de Notícias de hoje.
"Anti depressivos têm pouco ou nenhum efeito"… grita o título da notícia, como se soubesse que o assunto é sério . Avisa-se logo à entrada, que os medicamentos devem ser usados, sobretudo nos casos mais graves.
O ante-título explica entretanto que estamos a falar de um estudo – melhor - a análise de 47 estudos – que levou a Universidade de Hull, em Inglaterra, a concluir que os anti depressivos não são eficazes nos casos mais ligeiros da doença, acabando por ter um efeito semelhante ao de um placebo.
Ora aqui teremos forçosamente de parar. O medicamento em si pode não ter grande efeito real, físico ou químico no doente, mas, o segredo do placebo é justamente, não agredindo fisicamente o paciente, levá-lo à cura, por sugestão, em casos em que a doença é toda ela fruto de ordens disparatadas que o cérebro dá ao resto do corpo… Um processo idêntico, se quisermos, ao de certas curas milagrosas… Se falamos de eficácia… penso que ficamos eficazmente conversados.
Mas continuemos.
Escreve o “DN” que os médicos portugueses consideram que é pouco frequente dar-se anti depressivos a doentes ligeiros e que as práticas médicas vão de encontro ao estudo…
Ora isto dos anti depressivos começou a ganhar grande popularidade nos anos 80, quando apareceram no mercado produtos menos tóxicos e com menos efeitos secundários desagradáveis. Só no ano passado, os portugueses terão gasto mais de 100 milhões de euros em anti depressivos. Actualmente não se sabe quantos portugueses andam a comprimidos, embora, diz o “DN”, sejam as situações menos graves, as predominantes. E então em que é que ficamos?! Se é raro medicar-se depressões ligeiras com pastilhas, como é que o mercado é dominado justamente por essas patologias?!...

No Público, o título diz que nem mesmo o popular Prozac escapa ao labéu: “Prozac não é eficaz na maioria dos doentes de depressão”, diz o estudo e titula o Público.
O trabalho analisou tanto os resultados dos ensaios clínicos publicados, como outros que as empresas farmacêuticas não divulgaram. As empresas já criticaram o estudo… Umas dizem que o estudo não deve ser usado para alarmar os doentes. A fabricante do Prozac, por exemplo, diz que os estudos e a experiência demonstraram já que o medicamento é eficaz e um dos mais estudados, desde que foi sintetizado no laboratório, em 72. O curioso, neste caso, é que o Prozac era, no início, um medicamento para curar a tuberculose. Falhou na tuberculose, mas triunfou na depressão. Os anos 80 acabaram mesmo por consagrà-lo como campeão dos anti depressivos da moda. Jonhy Dep, o actor, toma Prozac; Winona Ryder, a actriz toma Prozac; Anna Nicole Smith, modelo e artista, também ela, à sua maneira e da sua própria arte, tomava Prozac. Tomava, que já não toma. Morreu disso, diz-se.
E se o "DN" não os referia, já o Público tem os números.
Em Portugal, há mais de 2 milhões de deprimidos, nos vários graus de depressão. Os números não são definitivos, já que muita gente sofre em silêncio.Mas não enganam, os números… Muito ou pouco deprimidos, e segundo dados do Infarmed, e depois de uma ligeira recessão, que já passou… a verdade é que se estão a vender umas 20 milhões de embalagens, em média por ano… entre ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, barbitúricos e anti depressivos em geral.
Volto ao “DN”, onde Marques Teixeira, presidente do Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, diz que, 8 em cada 10 casos são de depressão ligeira, casos portanto em que os anti depressivos seriam escusados, segundo o estudo de que falamos… O título garante que os médicos portugueses garantem também que é pouco frequente dar-se anti depressivos a doentes ligeiros…

E pode ser tudo verdade.
E pode ser mesmo tudo rigorosamente verdade.
E se repetirmos esta afirmação mais uma dezena e meia de vezes talvez acabemos por acreditar…
Acreditar que o Xanax é açúcar pilé, que o Lorenin é massapão, que o Lexotan é pastilha elástica para os nervos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O que é que Paulo Pitta e Cunha tem, que o normal cidadão contribuinte pagador de impostos não tem?... Tem direito a página inteira e chamada de capa, na edição de hoje do Público!
Pitta e Cunha é fiscalista e o pai do IRS e do IRC. É assim que o Público o identifica, na chamada de capa: "O pai do IRS e do IRC penhorado pelo fisco depois de pagar dívida".
A Direcção Geral de Impostos terá penhorado uma conta bancária de Pitta e Cunha, por alegada dívida de pouco mais de 340 euros.
O jornal continua, na mesma chamada de capa, que a penhora ilegal nunca foi devidamente comunicada ao contribuinte e que foi efectuada já depois da alegada dívida ter sido paga.
Continua – e ainda não saímos da capa – que a penhora foi entretanto anulada, depois do fiscalista ter escrito ao, na altura, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Amaral Tomaz, e ao novo responsável pela pasta, Carlos Lobo. As Finanças garantem que o levantamento da penhora não tem nada a ver com as cartas de reclamação escritas pelo fiscalista Pitta e Cunha…
E poderíamos ficar por aqui. Poderíamos até dizer: ainda bem que tudo se resolveu! E pronto. Ficaríamos sempre sem saber porque é que a notícia tem o destaque de capa, que o Público lhe dá… mas, ficaríamos esclarecidos para todos os efeitos práticos.
Acontece que a notícia traz desenvolvimento de página inteira, na secção de Economia. Em ante-título anuncia-se que a Fazenda foi obrigada a recuar… isso já sabíamos. Vinha na capa. Diz que o pai do IRS foi vítima de penhora após pagar dívida… também já nos tinham dito. Que o fisco mandou congelar a conta do fiscalista e que ele denunciou a situação e que entretanto a penhora foi anulada…. Idem aspas, também já sabíamos.
Entremos então no corpo da notícia, à procura de novidades, obviamente. Desenvolvimentos…Informação que não tenha cabido na chamada de capa e que justifique a página inteira… E o que se fica a saber?... Pouco mais do que, tudo teve a ver com alegados desencontros burocráticos. Cartas que chegaram fora de tempo, ou quando os destinatários estavam de férias e a casa sem ninguém para receber o correio. Ficamos a saber também que Pitta e Cunha pagou o que se lhe pediu e nem reclamou dos juros de mora, só para não atrasar mais o processo e encerrar o assunto de vez. Ficamos finalmente a saber que, só à terceira é que o fisco se convenceu que Pitta e Cunha tinha as contas em dia e lhe levantou a penhora.
Processo kafkiano, diz o fiscalista. Na carta que enviou ao fisco, Pitta e Cunha denuncia a arrogância da administração para com o contribuinte, o desprezo pelas regras mais elementares de informação e comunicação, a grosseira desproporção entre as acções determinadas e as situações e valores em causa, a atitude atrabiliária fiscal. Pitta e Cunha fala numa espécie de sanha da administração contra o contribuinte, considerado pelo sistema como um presumível criminoso.

Ora bom, vamos lá a ver se a gente se entende!

O que aconteceu a Pitta e Cunha, acontece diariamente a muito bom contribuinte deste país. Uns reclamam, outros pagam e calam.
Nenhum deles terá algum dia o destaque que Pitta e Cunha merece na edição de hoje do jornal Público.
Porquê? Talvez nunca o venhamos a saber. Como talvez nunca cheguemos a saber o que é que o Público viu de tão transcendente na história, que lhe merecesse o destaque de capa e a página inteira.
Pitta e Cunha nunca poderia ser excepção, quando se fala em sobressaltos fiscais da natureza deste de que se fala… Ainda se se provasse que o fiscalista estava realmente em falta… ainda poderia servir de proveito a alguém, o mau exemplo... Mas não; quem falhou foi a máquina fiscal, a burocracia das finanças…e isso…. Desde quando é notícia?

E assinala-se hoje o 2º aniversário da lei das armas.
Vem, por exemplo, no Diário de Notícias, que, 2 anos passados sobre a aprovação da lei, diminuiu a procura, o pedido de licenciamento de armas, em Portugal.
O jornal conferiu os dados com a PSP, que justifica estes dados com o rigor da lei, que exige, por exemplo, um curso de formação específica, aos candidatos à licença de uso e porte de arma.
Hoje, a Comissão Nacional Justiça e Paz reúne-se com o secretário de Estado da Administração Interna, em audição pública, para esclarecer melhor algumas pontas soltas… a saber: como é que os mecanismos de registo, formação e acompanhamento do comércio estão a ser aplicados pelas autoridades.
Em 2006, a polícia apreendeu 6500 armas de fogo não licenciadas. Duas mil eram ilegais. Deste total, dois terços – se não foram destruídas, ou incluídas no museu da PSP – estão a ser analisadas para serem ou não legalizadas e devolvidas aos donos.
Para a Comissão Justiça e Paz, mais ainda que saber quantas armas foram apreendidas, ou registadas, importa saber como é que a polícia controla e acompanha o comércio das armas e o uso que se lhes dá. Saber até que ponto a polícia controla o uso criminoso dessas armas e ainda – não menos importante – saber porque é que as pessoas as compram! Conhecer os factores de medo e insegurança, que levam as pessoas a comprar uma arma de fogo.

Outros relatórios, estudos, avaliações… Mais de mil portugueses inquiridos e o resultado diz que “os ciganos continuam malvistos, pelos que não se acham racistas”.
È assim que o DN abre a notícia.
Os portugueses terão interiorizado esse conceito de que ser racista é feio e não faz sentido. Uma coisa racional, inteligente, adquirida. Sabem que não é bom ser preconceituoso, mas… se lhe perguntarem, 61% acha que os ciganos são maliciosos… 70% acha-os preguiçosos… 67,5% que são mentirosos e, em 44% dos casos, o português não quer os filhos a brincar com os filhos dos ciganos, ou que se lhe cheguem perto sequer…
O estereótipo tem muita da culpa nestes casos… Manuel Carlos Silva, da Universidade do Minho, reconhece que são barreiras difíceis de vencer… um incidente isolado, diz o investigador,
“valida o estereótipo que 40 ou 50 casos contrários não conseguem reverter”.

Chama-se: Relações Interétnicas, o estudo. Foi elaborado há 2 anos e vai ser hoje debatido, num seminário sobre migrações e preconceito, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Quanto ao resultado … tem o valor de referência que tem e a mais não pode ser obrigado, já que – e voltamos ao princípio – muita gente terá viciado a resposta só para ficar bem vista… porque aceita, como consensual e politicamente correcto, afastar toda a sombra de pecado, quando se fala em racismo, discriminação, xenofobia, segregação…
Mesmo que na prática se tenha um comportamento bem diverso.
Ou se quisermos… o facto de não o reconhecer publicamente não quer dizer nada… é como ter em casa uma Kalachnicov por registar…

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


Homicídios, já se sabe, há os voluntários e os outros… por negligência. Disso já todos ouvimos falar. Portanto aqui, estaríamos perante um homicídio por negligência. Enfim a hipótese punha-se… Existia esse risco real. O de algumas partes do engenho não se desintegrarem, ou incendiarem, na reentrada na atmosfera e acabar contaminando áreas densamente habitadas, cá em baixo. Falamos do tal satélite espião norte-americano que foi abatido, ontem, durante a nossa madrugada. Um único míssil, disparado do Lake Erie, ao largo do Havai, destruiu o satélite em pleno voo, fazendo cair os destroços nas águas do Pacífico. Os tanques do satélite – satélite que afinal nunca chegou a fazer espionagem nenhuma, já que, alegadamente, um computador de bordo avariou e tornou o satélite inútil para todos os efeitos previstos… pois os tanques do satélite estavam cheios de hidrazina. Quase meia tonelada de hidrazina. Um combustível tóxico, que poderia contaminar populações no Canadá, Irlanda, Escócia e América do Sul. Queimar-lhes os pulmões até à morte… E isso poderia acabar por acontecer, já a 1 de Março, se não se tivesse apressado a destruição do engenho. As autoridades garantem que a hipótese de sucesso da operação se fixa entre os 80 e os 90%. Mas só as 15 horas a seguir à explosão podem assegurar o êxito. 15 horas é o tempo que demoram os primeiros destroços a cair na Terra.
Ora, acontece que esta operação já provocou reacções de preocupação e denúncia.
Moscovo diz que se tratou de um teste balístico camuflado… Também a China, que já usou um processo semelhante para se livrar de algum lixo astronáutico… também Pequim considera que estamos perante uma operação militar e pede mais explicações a Washington. Teme-se que, o que está em causa, seja uma experiência para avaliar a capacidade norte-americana de destruir satélites e outras geringonças semelhantes de outros países. Uma espécie de remake da "Guerra das Estrelas"!
Washington já desmentiu a insinuação, garantindo que não foi testado nenhum novo sistema de abate de satélites, próprios ou alheios… E que também não era a intenção, destruir componentes secretos deste satélite em particular, já que, na reentrada na atmosfera, toda a informação classificada haveria de arder no impacto.
Para a NASA, o objectivo é e sempre foi muito claro! Abater o satélite e prevenir o desastre e, por outro lado, ensaiar o sistema balístico anti-míssil…
Seja como for, a discussão está relançada, sobre o uso de armas no espaço.
Para a União dos Cientistas Preocupados (UCP), a destruição do satélite está a anos-luz de ser uma boa solução. Sejam quais forem os motivos, a demonstração de um sistema anti-satélites é contraproducente para os interesses norte-americanos a longo prazo. Disse-o Laura Grego, da UCP. Que, se o Pentágono demonstra que os seus sistemas de defesas com mísseis podem destruir satélites, será muito difícil convencer outros países, que não devem desenvolver capacidades semelhantes…
E isso são, entretanto, outras guerras. Para já, as populações do Canadá, Irlanda, Escócia e alguma América do Sul podem dizer que venceram uma batalha… o de não serem envenenadas, nem que seja por negligência, por essa arma de destruição em massa, que, ao que parece, pode ser a combustível hidrazina!

E agora outros voos…
“Londres acaba de reconhecer a paragem de voos da CIA em território inglês.”
O ministro dos negócios estrangeiros assumiu que dois aviões fizeram escala de reabastecimento na ilha Diego Garcia, território britânico, no oceano Índico.
Dois voos, que transportavam suspeitos de terrorismo, fizeram escala em Diego Garcia, em 2002. O ministro lamentou que essa informação tivesse sido negada até agora.
Washington já disse que foi um erro administrativo…
De acordo com a administração norte-americana, a que o governo inglês terá tido acesso, na semana passada, a base do Índico foi mesmo utilizada pelos aviões ao serviço da CIA. O ministro Miliband, dos negócios estrangeiros ingleses, pediu desculpa e lamentou ter de corrigir e actualizar agora a informação… Disse que, as primeiras informações que tinha, as passou de boa fé… De boa fé, com base nas informações norte-americanas. Disse mesmo, que se recusava a admitir que Washington tivesse querido enganar Londres. O ministro insistiu que queria acreditar que foi de boa fé que Washington garantiu não haver evidência do uso da base de Diego Garcia. Um porta-voz do departamento de Estado também lamentou ter sido passada informação errada a um bom amigo… Neste caso o amigo inglês. Amigo e aliado, disse. Não se pode falar em encobrimento de dados, mas antes de um erro administrativo. O director da CIA também já explicou que foi uma falha no registo dos dois voos. Disse que o governo tinha informado Londres, de que nenhum voo com suspeitos de terrorismo tinha usado chão, ou espaço aéreo britânico depois do 11 de Setembro, só que depois se provou que a informação estava errada…

A ver se não se conclui o mesmo quanto ao tal satélite espião! Só faltava agora, depois deste trabalho todo, concluir-se que afinal, hidrazina coisa nenhuma, o que o satélite gasta é gasóleo agrícola. Ora batatas!


Não é fria, é requentada… a guerra!
“Israel é uma democracia estável e as armas que detém são para se defender.”
E foi assim que se defendeu, o vice-presidente de um grupo britânico de amigos de Israel: o Labour Friends of Israel. Mas o melhor é contar a história como deve de ser.
Londres acaba de reconhecer que manteve secreta uma referência ao nuclear israelita, como forma de não comprometer as relações com Telavive. Essa referência foi omissa, no primeiro rascunho do dossier em que o Iraque era acusado de desrespeitar a ONU, ao tentar obter armas de destruição massiva… Enfim, dá-se de barato a construção verbal: tentar obter… que do resto e do que ficou provado, tudo se terá ficado por aí… pela tentativa.
O dossier em causa foi redigido em Setembro de 2002, mas só foi publicado na semana passada. O Foreign Office terá mesmo convencido o Tribunal de Informação a manter secreta a referência manuscrita a Israel. O tribunal acatou a sugestão. Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros inglês, revelar a referência a Israel iria, não só comprometer a diplomacia, como, alegadamente, prejudicar a capacidade do próprio ministério de prevenir conflitos. Conflitos diplomáticos, subentende-se…
Juntamente com referências desfavoráveis aos próprios Estados Unidos e Japão, a nota referente a Israel tinha sido acrescentada à margem e à mão, por alguém, comentando a afirmação de abertura que garantia que, nenhum outro país, além do Iraque, teria desafiado tão frontal e descaradamente a autoridade das Nações Unidas, nesta guerra das armas de destruição em massa…
Isto é o que diz a notícia. Notícia de hoje. Agora, o que a memória recente diz e relembra é que o tal argumento da defesa pessoal, de que se falava ao início, tem umas barbas quase do tamanho das do próprio Karl Marx… mais hirsutas que o bigode de Estaline.
Barbas, do tempo em que o medo se escondia, fazendo negaças aterradoras por trás de uma cortina de ferro.
“Israel é uma democracia estável... O Iraque é instável e uma ameaça.” Foi o que disse o vice-presidente do Labour Friends of Israel. E que pensam que responderia, se lhe perguntassem sobre o seu próprio regime, qualquer dirigente político no poder, em qualquer país ao cimo da Terra, neste preciso momento em que vos falo; mesmo os mais sinistros e criminosos?!...
Todos, mas todos, haveriam de responder que o pecado mora ao lado.


E a cada um a sua guerra…
(gancho fraco, mas é o que se arranja para passarmos à actualidade nacional…)

O “Diário de Notícias” abre hoje duas páginas inteiras ao assunto: a desigualdade de salários entre os mais ricos e os mais pobres em Portugal. Fica-se a saber que o fosso já foi maior, mas que mesmo assim, os 6,8% – que é a diferença, em número de vezes, entre o salário mais alto e o mais baixo, este ano em Portugal – essa diferença ainda preocupa e indigna muita gente. Ontem, o ministro das Finanças foi a S. Bento, responder à interpelação do Bloco de Esquerda, sobre a Política de Rendimentos e Preços e o Agravamento das Desigualdades Sociais.
O ministro acabou por defender a divulgação dos salários dos mais bem pagos, como forma até de estimular a opinião pública e a pressão social para evitar as tais elevadas discrepâncias…
Francisco Louçã fez as contas por alto e foi directo ao assunto: os gestores, em Portugal, levam para casa, cerca de 32 vezes mais dinheiro de ordenado do que os trabalhadores menos classificados. Classificados, não confundir com qualificados…

Mas a questão não é essa. É que Louçã terá levado à letra o conceito: “estás a perceber, ou queres que te faça um boneco? …”
Mostra o DN, a fotografia de Louçã, ontem, no Parlamento, segurando e exibindo duas fotografias. Na mão esquerda, um retrato pequeno, do tamanho da palma da mão. Na outra, a direita, segura um poster, que se desenrola, revelando também a fotografia de um cavalheiro, bem posto e sorridente. Portanto a ideia era retratar, com a imagem do poster enorme, a figura de um gestor, ou aliás, do ordenado de um gestor, ou do seu poder de compra … E na fotografia mais pequenina, a de um trabalhador, ou antes, do seu poder de compra… Supostamente, a relação de grandeza entre as duas fotografias será, ou seria, de 32 para 1, que é o fosso que o deputado pretende ilustrar…
O fotografado na foto mais pequena é impossível de identificar, pelo menos a esta distância; o da fotografia maior também, mas por outras razões. É que é mesmo uma personagem sem história ou identidade reconhecida publicamente. Provavelmente alguém recrutado para o efeito. Ou talvez a fotografia tenha sido recortada de alguma revista e reaproveitada para o poster metafórico… Depois, foi só fazê-la imprimir em escala ampliada. O poster, enfim, nem é bem poster… é mais no género calendário de parede, com duas finas réguas de madeira, nos topos para o manter aberto e esticado. Réguas de madeira, onde, numa das extremidades se atou uma guita, que permitiria, se fosse esse o caso, pendurar a fotografia numa parede. Mas não é esse o caso. No caso, a guita, o fio, o cordel, se quisermos, serve para Louçã segurar, entre os dedos, o poster da denúncia… e exibi-lo às bancadas e aos representantes do governo.
E é assim, que o DN o mostra, na edição de hoje e nestas duas páginas que dedica ao assunto. O do fosso salarial entre gestores e geridos…
Francisco Louçã, ontem no Parlamento, a falar para o boneco.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Quase todos os jornais de hoje falam disso... Que Sócrates está todo modernaço e já cita o Obama e incita o povo em americano... Yes we can!
"Yes we can" é o mote de campanha de Barak Obama, candidato democrata à Casa Branca... "Yes we can!", dizem eles, o Obama e o Sócrates e a imprensa nacional lusitana, que se grisou toda com a amaricanice do primeiro ministro.
O que a imprensa nacional lusitana não sabe é como José Sócrates encerra os trabalhos, nas reuniões do Conselho de Ministros... Não sabe ela, mas sei eu!
É assim:
"Let's kick some ass, motherfuckers and be carefull out there!..."


(não têm nada qu'agradecer)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008




“Um sacerdote francês, de 57 anos, admitiu ter abusado sexualmente de 50 menores, dos 4 aos 15 anos, entre 1985 e 2000, noticiou o jornal "Le Parisien"”.É assim que abre a notícia do “JN”.
“Pierre Etienne A. confessou as agressões…” continua a notícia… Já repararam que o apelido do sacerdote foi omitido? Foi limitado à letra inicial… Pierre Etienne é bem capaz de haver muitos em França… Assim sendo, ao omitir o apelido é como se se dissesse, não dizendo.
Mas o caso que aqui nos trás nem é bem esse. É que, a noticia continua dizendo que a Comunidade, a que o padre pertence, saberia de tudo já desde 1998, mas que terá preferido calar-se e não denunciar o caso à Justiça!
Em entrevista ao “Parisien”, Pierre Etienne A. pede perdão às vítimas e assume a culpa. Muito católico será, já o mesmo não se poderá dizer da Comunidade que ocultou o crime. A Comunidade, já agora, que não é segredo, chama-se Beatitudes…
Diabo de nome mais a despropósito!

E os nomes fictícios!
Geralmente usam-se quando o caso é demasiado melindroso e envolve pessoas, que por qualquer razão, não querem que se saiba que é delas que se está a falar.
Neste caso aqui, as protagonistas são vítimas e não agressores e talvez porque o crime é de natureza sexual, o jornal resolveu identificar as protagonistas com nomes fictícios: Ana, Joana, Catarina, o que para o caso pouco adianta, porque elas não se chamam assim, ou antes, porque há tanta gente com esse nome, que podem ser qualquer pessoa. Depois e para o que importa, a noticia diz que são jovens adolescentes, na casa dos 15 / 17 anos, que foram obrigadas a prostituir-se por um suposto amigo. Um rapaz mais velho, que conheceram à saída da escola e que – segundo o “Jornal de Notícias” - acabou por forçá-las a prostituírem-se em plena rua – curioso que a rua, a menos que também seja um nome fictício – vem identificada. O alegado criminoso também, mas, também aqui não se diz se é ou não nome fictício. É verdade que não se lhe refere o apelido. Diz-se que se chama João… e João, como Pierre Etiennes em França, há muitos, em Portugal.
Bom, mas antes que me perca, que acho que já faltou mais… onde quero chegar é aqui.
Ana e Joanas, Joões e Etiennes há de facto muitos… Situações como estas de que aqui se fala é que – pelo menos deseja-se que – haja poucas! São situações excepcionais. Traumatizantes, na maioria dos casos. Coisas que quase parecem, por vezes, de outro mundo… Um padre que viola crianças de 4 anos?!. Um jovem que se insinua com simpatia para ganhar a amizade de umas miúdas adolescentes e que afinal se revela um vulgar proxeneta!...
A verdade é que – e neste caso é evidente – dar nomes fictícios às vítimas tem uma utilidade um pouco duvidosa. Experimentemos:
Três jovens adolescentes, entre os 15 e os 17 anos, foram obrigadas a prostituir-se, por um rapaz, que conheceram à saída da escola e lhes conquistou a amizade. O rapaz, de 22 anos, foi detido a semana passada, na sequência da denúncia de uma das jovens . Era sob a ameaça de violência física que o "falso amigo" as obrigava à prostituição, numa rua de Lisboa, ficando-lhes depois com o dinheiro ganho …
E então? Vai dar ao mesmo ou não?...
Ou então, dêem-lhes nomes, em vez de fictícios, extravagantes, pouco comuns! Coisa que fique no ouvido… Ermengarda – e que me perdoem as Ermengardas… Capitulina – o mesmo para as Capitulinas. Apolinária… Ou mais estranhos e raros ainda! Tão estranhos e raros como a própria situação em que os invocamos . Nomes inventados mesmo, coisas que não podem ser, que não fazem sentido: Zardoz! Funjigueta! SO4H5 !!!
Porque isto assim… e, desculpem ,mas vou ler: “Ana Joana e Catarina (nomes fictícios) de 15, 16 e 17 anos são amigas e andam na mesma escola. Depois das aulas, como qualquer jovem da sua idade, gostam de passear e estar com os amigos. No entanto, uma amizade com um colega mais velho valeu-lhes um passeio à realidade da prostituição, que durou semanas e deixou marcas…”
Já reparam o tempo que demorámos a chegar a qualquer coisa parecida com informação?... Isto depois do título gritar que se vai denunciar o caso de alguém que obrigava raparigas a prostituir-se?... O isco está lançado, vamos lá à literatura, que eles já não fogem… as Anas, as Joanas, os Etiennes…


E vem no site do “El Mundo”. O “Diário de Notícias” transcreve o essencial da história e a história, ela própria, vem de França, afinal…
“Sarkozi mantém a decisão de retirar publicidade.” De onde?... “Do sector audiovisual público francês” – o que, em bom português quer dizer: acabar com a publicidade na televisão pública.
A transição poderá ser feita de forma progressiva. Começando por retirar os anúncios a partir das 8 da noite e depois por aí fora, sendo que o Estado francês se propõe compensar cada euro perdido pela televisão. Para isso, constituiu-se uma comissão que está – segundo diz a notícia, com aspas e tudo: “a inventar a televisão do serviço público do século 21 e torná-la um exemplo para o mundo…”
Enfim, descontando esse pequeno chauvinismo do querer dar exemplos ao mundo… ficando só pela parte dos anúncios… quando for grande, quero ser francês!


E, já que estamos a falar de televisão, fica só e muito rapidamente esta pequena tabela, que os jornais se foram habituando a publicar, de há uns tempos para cá, certamente com algum propósito muitíssimo útil e interessante, para alguém, certamente… Falo das audiências diárias, semanais, shares, os acumulados e os outros, que também os deve haver…
Diz então o “DN” que, Sócrates ficou fora do Top Cinco (deveria ter dito Top Five?!...)
A entrevista de José Sócrates à “SIC”, segunda-feira passada, ficou em sexto lugar no top de audiências.
Espartilhada entre telejornais e telenovelas, a entrevista ficou-se pelos 12, 8% de share de audiência. Em 6º lugar, com menos 0,5 pontos percentuais que quem?.... Fernando Mendes e o “Preço Certo”! Meio pontinho apenas… Como diria o próprio Fernando Mendes, no popular concurso: “quer pensar melhor?...”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Reabre amanhã, ao público e à circulação, o túnel ferroviário do Rossio.
Amanhã, com o primeiro-ministro, exposição de material ferroviário e concerto de música.
Escreve o jornal “Público” que o túnel do Rossio reabre após 3 anos e 3 meses de "fechado para obras".
Durante esse tempo, os habituais utentes tiveram que desviar o percurso normal e, em vez de sair no Rossio e daí, de Metro, autocarro, ou a pé lá irem à sua vida… passaram a ter de sair em Sete Rios, ou Entrecampos, ou mesmo no Areeiro e daí, apanhar o Metro, o autocarro, ou mesmo a pé lá ir à sua vida…
Isto foi mais ou menos o que aconteceu, durante estes 3 anos e 3 meses, aos utentes da CP, que habitualmente desembarcavam no Rossio.
Ora bem, continuemos a leitura …
Escreve o “Público” que as duas empresas – no caso a Metro e a CP – estão agora a pedir uma indemnização à REFER, pelos prejuízos sofridos durante o tempo em que o túnel esteve fechado.
A CP, conta o jornal, está a negociar 11 milhões de euros e a Metropolitano de Lisboa diz que o balanço do prejuízo ainda não está fechado, mas em finais de 2006 já ia nos 5 milhões de euros…

O túnel esteve fechado porque ameaçava cair… se bem se lembram. Não por qualquer capricho obtuso, mas por uma questão de segurança. Da mais elementar das seguranças. Aquela que tenta evitar que o tecto nos caia em cima da cabeça…
Talvez houvesse alternativa que não prejudicasse tanto o Metro e a CP… mas em verdade, que prejuízo terá tido, por exemplo a CP? Perdeu assim tanto dinheiro? … 11 milhões é o que se fala… É espantoso! Nunca imaginaria que, deixar os passageiros em Sete Rios, ou Entrecampos, em vez de no Rossio, comportasse um aumento de custos assim tão elevado, mas se calhar é assim mesmo.

Dos eventuais prejuízos que os utentes tenham sofrido… isso a notícia não fala, portanto é porque, ou não houve, ou ninguém ainda os reivindicou… que para o utente, aí sim, é bem mais fácil perceber a diferença entre ser apeado no Rossio , ou no Areeiro… Mais ainda se se trabalha na Baixa, ou para os lados do Terreiro do Paço.

O Metro diz que, em finais de 2006, já estava a perder 5 milhões de euros, com as obras do túnel… Sendo que aqui, como já vimos, as contas ainda não estão fechadas e a Metro está neste momento a fazer essas contas numa comissão formada de propósito e que junta elementos das duas empresas - Metro e Refer… O jornal fez a soma por alto e conclui que a indemnização, no total e pelo fecho do túnel do Rossio, pode custar 18 milhões de euros à REFER.
18 milhões de euros é certamente muito dinheiro… Fica por saber em quanto ficaria a eventual indemnização às vítimas, se as obras se não fizessem e no dia em que o túnel caísse em cima de alguém…
Talvez ficasse muito mais em conta, apesar de tudo…
E mais um bocado e chegamos quase à conclusão que teria sido bem melhor ficar quieto e deixar o túnel vir abaixo, quando tivesse de ser. Depois, logo se via…

este post é patrocinado pela alma bêbada do alexandre o'neill

O “Jornal de Noticias” trás hoje, já em fecho de edição, a denúncia de que há crianças – jovens actores, como lhe chamam – que estão a trabalhar fora da lei.
Cita-se o exemplo de 3 miúdos, que participam numa série televisiva e que o fazem sem a devida autorização da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Diz-se também que, só no primeiro semestre do ano passado, foram apresentadas 50 queixas, relacionadas com casos de menores a trabalhar em espectáculos e séries de televisão, sem cumprir o que a lei manda.
E o que a lei manda passa por, entre outras coisas, o exame médico que os capacita para o trabalho, um número máximo de horas – 6 – de trabalho semanal, uma cópia do respectivo contracto de trabalho e, claro está, a autorização dos pais da criança. As multas podem chegar aos 50 mil euros…
E estas são regras que se aplicam a todos os miúdos menores de 16 anos, que trabalhem na área do espectáculo – televisão, cinema, teatro, moda, circo, por aí…
Logo aqui se abre uma primeira questão - e muito sinceramente gostava de a ter esclarecida - respeitando esses mesmos princípios enunciados e os outros que não referi – que a lei, nesta matéria articula-se em 10 artigos que definem claramente as condições impostas - pois respeitando esses princípios, que diferença haverá entre entrar numa telenovela, ou trabalhar num circo e noutra qualquer actividade profissional?! Enfim, menos espectacular certamente será, mas não menos digna e se calhar até mais útil… Mais útil mesmo até para a própria criança.
Acontece, entretanto, que as próprias produtoras de televisão – cita o “JN” – acham que a burocracia, que envolve o processo, leva muitas vezes a que se ultrapasse a lei pela direita… enfim, que se avance com a produção enquanto a papelada se resolve – isto em bom português - porque o ritmo de produção é muito intenso e não se pode ficar à espera… Ora esse ritmo de produção frenético - o jornal cita uma produtora, que diz mesmo que aquilo que a lei prevê não se coaduna com o ritmo da produção televisiva e , por isso mesmo, pede maior agilidade no processo… Esse ritmo frenético já me parece – e à partida – um ambiente um pouco mal são para uma criança… mas contra isso , se calhar não se pode fazer nada.
Agora, onde se poderia fazer alguma coisa… não sei se a lei o prevê… era acautelar que os miúdos não fossem convidados, contratados, aliciados, o que seja para séries e novelas de tão má qualidade. Com textos tão estúpidos e contracenas tão cabotinas… Acautelar que não cresçam com uma visão tão medíocre da realidade… E depois, já agora, que lhes não metam ideias erradas na cabeça. Eles são novos, há ainda muita coisa que não sabem, nem podem compreender… É por isso, no mínimo, injusto deixar que acreditem que são qualquer coisa parecida com um actor de teatro. É que, em boa parte dos casos, o mais que conseguem é estar à altura da contracena. O que, também em boa parte dos casos, não é coisa que orgulhe ninguém. A verdade mesmo é que, acauteladas todas as exigências legais, bem melhor fora que aprendessem a plantar batatas.

Aqui há uns anos – depois passou, mas houve essa norma – certos filmes, as crianças, os menores eram autorizados a assistir, desde que acompanhados por um adulto, que se responsabilizasse por isso. Isso : assistir a um filme que, à partida, e para quem os classifica, seria eventualmente menos próprio para essas menores idades…
Ora, depois de ler esta notícia que desce de Londres, levanta-se a hipótese da regra se recuperar e estender, no caso, aos museus britânicos…
Mas vamos à notícia, que para nariz de cera, já chega.
Metro de Londres proíbe "Vénus" nua do Século 16. A "Vénus" em causa é de Lucas Cranach – o Velho. Pintou-a em 1532, nua, só com uma gargantilha e um fio pendendo sobre o colo alabastrino.
E foi este quadro que a Royal Academy of Arts escolheu como cartaz da primeira grande exposição de Lucas Cranach, em Londres. Um cartaz, que haveria de ser afixado pela cidade, anunciando o evento. Pelas ruas de Londres e nas paredes do Metro, também.
E aqui é que a história se complica. É que a administração do Metro de Londres acha mal, afixar nas paredes, à vista de todos, a imagem de uma mulher nua. Acha impróprio para os passageiros, serem confrontados com essa imagem, enquanto esperam o comboio.
A verdade é que a lei – no caso – o regulamento interno do Metro de Londres proíbe expressamente a afixação de
"publicidade mostrando homens, mulheres ou crianças de forma sexualizada, ou corpos parcial ou totalmente nus, num contexto abertamente sexual".
Já em 2001, pelas mesmas razões, tinha o Metro recusado um retrato da condessa de Oxford, obra de Peter Lely. O argumento foi o de que, no retrato, se revelava um seio da condessa.
Os responsáveis pelo museu dizem que não têm um plano B, com a "Vénus" vestida, para não chocar o Metro de Londres, ou os seus utentes… A comissão de Cultura e Media, do Parlamento inglês, considerou, por seu lado, a decisão do Metro como "débil" e aconselhou o museu a não alterar o cartaz, nem a campanha de promoção da exposição – que, já agora, inaugura a 8 de Março…
O presidente da Comissão acha impensável que um quadro pintado há 500 anos possa chocar alguém.
E aqui entreabre-se alguma reserva ao argumento, mas nada de mais. A verdade é que, há obras ainda mais antigas, que continuam a chocar muitas sensibilidades e, nalguns casos, é isso justamente o que lhes confere a eternidade...
Diz o presidente da Comissão que é impensável que um clássico possa chocar… continuamos na mesma e pelas mesmas razões… ser um clássico não o torna mais pacífico, ou consensual, ou até mesmo, exemplo de quaisquer virtudes… por isso adiante…

Adiante, que a questão nem é sequer avaliar e muito menos julgar os critérios morais, éticos, ou o que seja da administração do Metro de Londres, ou da própria sociedade londrina. A questão é outra .
Primeiro e a saber… se o metro de Londres mete no mesmo saco a "Vénus" de Cranach e, por exemplo, a Carla Bruni, ou a Kate Moss a vender lingerie… Revelaria já uma visão bastante avançada. De quê, não sei. Mas de qualquer coisa haveria de ser! Poderia ser da Arte em particular, ou dos Bons Costumes em geral… E a verdade é que, o Metro de Londres, parece que sim… que é o que faz. A Kate Moss e a "Vénus" de Cranach, para o Metro de Londres e para o que interessa, são a mesma coisa.
Em aberto fica ainda e entretanto essa tal hipótese desvairada, que adiantava ao início. A dos museus britânicos passarem a fazer depender, a entrada de menores, de uma espécie de termo de responsabilidade, de um adulto que o acompanhe. Ou , ainda , afixar um aviso X-Rated, à entrada de certas galerias, ou museus de pintura.
Em aberto fica ainda – e deus nos guarde que – no topo da infâmia (relembre-se a sorte que teve o retrato da duquesa de Oxford) – há que – por essa ordem de razões – considerar a Virgem com o menino ao colo!…
Mais ainda, se a Virgem estiver a amamentar o menino Jesus!
Aí, entramos claramente no campo da heresia.
Vá de metro, Satanás!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Muito rapidamente… a fotografia de capa do "Diário de Notícias" de hoje é notável.
Diz a legenda que Sócrates, o primeiro-ministro, claro, José Sócrates está sob o fogo do Parlamento. Está, ou esteve, ontem, que foi quando a fotografia foi tirada...
Fotografia tirada em movimento, o que faz sempre um certo efeito. E para o efeito, ficamos sem saber. É que a legenda diz que Sócrates está, ou esteve, sob o fogo do Parlamento e – de facto – atentando na fotografia, Sócrates bem podia estar a fugir de quaisquer balas imaginárias, ou simbólicas… Poder podia, se repararmos bem na fotografia… mas a verdade é que também podia estar simplesmente a dançar. Vê-se até, a espreitar pela direita baixa da foto, um braço e uma mão que se estendem na direcção do primeiro-ministro, como se o esperassem, para concluir a pirueta e o passo de dança. Ora, é claro que uma situação destas, tendo em conta a ocasião, está fora de qualquer hipótese. Ficamos portanto por aqui. Sócrates sob o fogo do Parlamento, como a fotografia ilustra, o primeiro-ministro desviando-se de balas imaginárias, sob a objectiva das câmaras de televisão e dos fotógrafos dos jornais.

Mas isto de fotografias…
Vamos ao "JN" – "Jornal de Notícias."
E a notícia é que – sete ex-estudantes vão hoje a tribunal acusados de praxes violentas. São 5 rapazes e 2 raparigas, que estão indiciados, em co-autoria e na forma continuada, de um crime de ofensa à integridade física agravada e outro de coacção. Isto tudo aconteceu há 5 anos, na Escola Superior Agrária de Santarém. Talvez por ser numa escola agrária, o crime em questão foi cometido com o auxílio de bosta de vaca. Assim mesmo. A queixosa – a praxada – tinha na altura 22 anos e era caloira em Santarém. Os mais velhos tê-la-ão obrigado a fazer flexões até ficar com um braço sem o poder mexer. Enquanto isso chamavam-lhe nomes feios e depois – queixa-se a jovem - agarraram-na pelas pernas e enfiaram-lhe a cabeça num – chama-lhe o jornal – um "penico cheio de bosta de vaca. "
Pois sim , está bem, já tínhamos percebido a ideia. Mas o "JN" acha que não e então resolveu ilustrar a notícia com a fotografia do nariz de uma vaca e, em primeiro plano, o que tudo indica ser – a arma do crime! E poupem-me aos pormenores, já que o "JN" não o fez. Sendo que, a fotografia dos acusados, da vítima, ou do próprio penico tinha chegado muito bem.

E já de saída duas boas notícias, sendo que uma delas peca por uma pequena imprecisão, ou se quisermos, uma pequena desatenção…
A primeira boa notícia: "Portugal deixa lista negra em Maio". A lista negra, no caso, é a dos países com défice excessivo.
A Comissão Europeia deverá propor, em Maio que vem, a exclusão de Portugal dessa lista mal amada. E a boa notícia é que isso vai acontecer um ano antes do que estava previsto pela Comissão Europeia.
A outra boa notícia é que o Vaticano resolveu antecipar, por seu lado, ele também... Só que aqui se trata da beatificação de Lúcia, a freira carmelita vidente de Fátima.
É a primeira vez que tal acontece com um português e a terceira vez que acontece no mundo cristão.
A notícia foi comunicada e saudada, ontem, em Coimbra, durante a missa celebrada pelo cardeal José Saraiva Martins, perfeito da Congregação para a Causa dos Santos.
O processo foi antecipado em dois anos, o que faz com que comece de imediato.
Ontem foi um dia histórico. Isso mesmo fez questão de sublinhar o cardeal oficiante. Estava feliz e disse-o: "de uma profunda alegria por ser o portador da notícia sensacional". Talvez a alegria justifique o lapso, ou então foi o próprio jornal que se deixou arrastar pelo entusiasmo… Mas, vamos onde importa: disse o cardeal Saraiva Martins que ontem se viveu "um dia histórico e importante para a Igreja e para o Mundo…"
Pois esqueceu-se de explicar que o mundo de que falava era, naturalmente, o mundo cristão! E, mesmo nesse mundo cristão, aquele que venera santos e beatos; excluindo também e por razões óbvias, hinduístas, xintoístas, muçulmanos, budistas e outros fiéis deste mundo, para quem a irmã Lúcia será uma referência um pouco indistinta, senão quase irrelevante! Ela e a causa de todos os santos do panteão católico, em verdade e a bem dizer.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

oh Lopes, 'tamos contigo, pá!

Diz-se, é costume ouvir-se dizer, que uma imagem vale mais que mil palavras. Admitamos. Mas, admitamos também, que ele há imagens que nos deixam… sem palavras.
Ora Santana Lopes… Pedro Santana Lopes, líder parlamentar da bancada social-democrata, saiu em presidência aberta – foi assim que ouvi chamar-lhe ontem, nos telejornais – em presidência aberta, portanto (e a eventual confusão, que o epíteto possa causar nas populações, é outro assunto a que iremos, de passagem, mas não para já).
Para já, há que concordar que, como defende Santana Lopes, os políticos devem sair para o terreno, de vez em quando que seja, a tomar o pulso ao país real. A sentir o pulsar do povo e suas angústias e desejos mais urgentes… Terá sido isso, que levou Santana Lopes mais comitiva parlamentar a visitar ontem o distrito de Castelo Branco. E foi nessa ocasião que os jornalistas lhe perguntaram coisas como, por exemplo, o que pensava da demissão do director nacional do INEM. Questão que, pode ser que não, mas desconfio, que ninguém se teria lembrado de perguntar ontem a Santana Lopes, se não fosse o facto de o terem acompanhado nessa visita ao pais real.
Agora, quanto à auto-proclamada presidência aberta… também pode ser que não, mas também é bem provável que sim, que um habitante de uma qualquer terra desse interior esquecido e abandonado, ao receber tão ilustre visita em presidência aberta – a preocupar-se realmente com isso - lhe salte à memória outras presidências abertas, próximas passadas… Mário Soares… Jorge Sampaio… presidentes, eles também ,mas não de nenhuma bancada parlamentar, senão da própria república portuguesa. E assim sendo, se a confusão tivesse tempo e paciência para se instalar, já se tinha instalado, ontem, em Castelo Branco.
Mas não é isso que prende a atenção deste vosso humilde narrador… é a fotografia que ilustra o acontecimento, nas páginas do “Diário de Notícias”. A fotografia. A fotografia de Pedro Santana Lopes – preocupado com o interior – segundo atesta a legenda.
Ora então a fotografia. O fato é de bom corte. Distinto e discreto. Azul com riscas finas e verticais de tom mais claro. A gravata, azul muito clarinho, quase branco, a dizer com a camisa. O fundo é indistinto, mas dá para perceber que é no campo… Percebe-se, esbatidos em fundo, os finos ramos de alguma vegetação e, em primeiro plano, o que resta do tronco de um qualquer pequeno arbusto, partido pelo meio.
Santana Lopes, preocupado com o interior, pousa para a fotografia, segurando, ele próprio, um pau. Um cajado de pastor? É provável. De pastor será, eventualmente, também a manta de lã, que Santana Lopes segura, com a mão esquerda, equilibrando-a sobre o ombro. Manta irrepreensível, ela também. Às riscas, em tons de beije e castanho. Irrepreensível mesmo, como se tivesse acabado de sair da loja, directamente para o ombro de Santana Lopes.
A expressão … será de preocupação, como diz a legenda?... Será? Santana Lopes olha de lado e para cima, para fora de campo. A boca deixa descair os cantos dos lábios, desenhando-lhe uma expressão difícil de classificar, mas que foge a todos os parâmetros conhecidos, quando se fala em expressões de preocupação. Não diria que se trata de um sorriso, que ficou a meio… É talvez uma outra qualquer coisa, quase tão enigmática como a própria Gioconda! Ou talvez seja a expressão de quem está a ouvir, atentamente, para depois tomar as decisões, de que o título maior da notícia fala: “Santana no terreno a ouvir para preparar decisões.”
Seja como for, e à primeira leitura, há ali qualquer coisa que está a mais… Ou é o fato de bom corte, ou manta de pastor.
E esse é justamente o problema das leituras apressadas!
Senão vejamos: Santana Lopes de bordão e manta de pastor… preocupado com o interior, diz a legenda. Nem mais! A manta, porque, no interior, à noite e ainda mais agora, arrefece muito. E o cajado, por razões óbvias… no estado em que as coisas estão, alguém terá de pôr um pauzinho na engrenagem! Enfim, um cajado de pastor pode ser um pouco exagerado, mas …. Sempre é melhor que a hipótese de considerar que, no estado em que as coisas estão, isto só se resolve à paulada!
Claro que nenhum político, em seu perfeito juízo e além do mais em democracia, poderia defender uma solução dessas. Muito menos com gente a ver.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vem praticamente em todos os jornais desta manhã…
Peguemos então e por exemplo no título do Público…
“Deputados socialistas querem qualidade da água explicada nas facturas.”

Temos então, que, segundo a notícia, o grupo parlamentar socialista quer tornar obrigatória a inclusão das análises realizadas, ou em falta, à qualidade da água e respectivos resultados, na factura.

Claro como a água, que a intenção é certamente das melhores. Só que, chegará a boa intenção?
A ver. O resultado das análises deve vir em linguagem – chamemos-lhe assim –técnica… percentagens de elementos químicos, alguns de nome quase impronunciável… outros nem por isso, mas de cuja virtude, ou prejuízo, o mais comum dos consumidores estará, provavelmente, pouco, ou mesmo nada informado…
Poderia sempre resumir-se a informação a um simples veredicto final e dizer assim: água própria para consumo… água imprópria para consumo. Que no fundo é disso que se trata. É isso que importa. Pelo menos ao cidadão comum… Saber se a água está ou não em condições de ser consumida… Só que aqui, destapa-se outra dúvida… poderá pôr-se a hipótese da companhia fornecedora das águas públicas distribuir água imprópria para consumo?! E neste cenário pouco lisonjeiro… confessá-lo ao público: esta água está imprópria para consumo, mas é o que há… sirvam-se e seja o que deus quiser…
E quanto às análises? É ou não suposto serem feitas? E, se é suposto serem feitas, porque é que se põe a hipótese de alguém faltar a essa obrigação? Diz aqui: “inclusão das análises realizadas, ou em falta…”
Ou não há obrigação nenhuma e o controle de qualidade fica ao critério de cada um. De cada autarquia, junta de freguesia, ou o que seja?...
E fixemo-nos ainda neste outro cenário. A factura está conforme e com todos os valores apurados da qualidade da água em questão… Só que esses resultados indicam que a água não tem qualidade… e então? Distribui-se na mesma?!...

Há na Dinamarca uma espécie de provérbio curioso, de que não conheço tradução em português, mas que se pode colar a este caso…
Diz assim: que é que queres que eu faça com essa informação?

E do Público para o Diário de Notícias…
Ora vamos lá que esta ouvi eu e não foi isso o que ele disse.
Cavaco Silva…perguntaram-lhe o que achava da ideia de Gilberto Madaíl de realizar um mundial de futebol ibérico, em 2018…Respondeu o presidente, que eu ouvi, "tanto quanto consigo prever, Portugal terá outras prioridades…”
Ora, o Diário de Notícias dispara o título, em pontapé do meio da área: “Cavaco trava Mundial de 2018 em Portugal.”
Pois não terá sido bem assim. Nem a questão das prioridades, invocada por Cavaco, fecha a porta à realização do campeonato. Nem – que se saiba – a península Ibérica se confina ao território português. Daí, dizer-se que Cavaco trava Mundial em Portugal… ser – digamos – um pouco redutor.
Curiosamente, já o Correio da manhã – jornal que – desculpem mas é verdade – jornal que tem a fama de ser um pouco mais sensacionalista – é bem mais moderado e – se quisermos – rigoroso até – na notícia e no respectivo título: “Cavaco chuta para canto Mundial 2018”. Ora aí está! Em bom futebulês… isso foi o que realmente aconteceu.

E fiquemo-nos um pouco mais pelo Correio…
A Quaresma é tempo para combater o mal.
Disse o papa, Bento 16, ontem aos fiéis da praça de S. Pedro, antes mesmo da oração do Angelus.
Perguntou o papa o que significa a Quaresma e depois respondeu que significa iniciar um tempo de particular empenho no combate espiritual que nos opõe ao Mal, que está presente no mundo. Em cada um de nós e à nossa volta…
Ora aí está uma missão louvável, mas que receio ser bem mais consequente se for assumida no dia a dia de cada um… e não só na Quaresma, nem que seja com particular empenho…E depois, diz ainda o papa, que esse combate implica… citemos: “encarar o mal de frente e dispor-se a lutar contra os seus efeitos, sobretudo contra Satanás”.
Sobretudo contra Satanás!
Talvez fosse interessante especificar um bocadinho melhor esta coisa de Satanás!... Será ele o pior que há dentro de nós. E será isso que devemos combater? Nem que seja só na Quaresma, com particular empenho… Ou estamos em crer que a figura de que se fala é mesmo como a pintam, chifruda e de pés fendidos como os bodes, hálito sulfúrico e um feitio danado?...
Com estas coisas convém ser mesmo muito rigoroso. Porque, apesar do que diz o papa, a verdade é que o diabo existe mesmo e anda à solta, o filho da puta.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

altas e galeadas

A história sobe do Algarve e ao que parece nem traz grande pressa. É que, diz a notícia, há já 6 anos que esta médica, do Centro de Saúde de Aljezur, está de baixa e ora aparece, ora não aparece, portanto, ao serviço. Há 6 anos… o "Jornal de Notícias" diz que há mais de 6 anos, de baixa quase contínua, desde 2001. Os doentes queixam-se de que não conseguem marcar consulta, por causa das faltas da médica. O presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve garante que todas as baixas médicas apresentadas, o foram sempre de acordo com os pareceres da junta médica da ADSE – Assistência na Doença aos Servidores do Estado - e conforme a legislação em vigor… isto diz o presidente da ARS do Algarve. E então não deveria ser assim mesmo?! O presidente da ARS põe a hipótese de poder ser de outra maneira?! E os doentes do Centro de Saúde de Aljezur, será que eles se importam realmente, se as baixas da médica são legais ou fraudulentas?! Será mesmo esse o primeiro problema, a principal ou mais urgente preocupação dos utentes, neste momento e perante os factos?!...
A Administração Regional de Saúde do Algarve diz que já abriu um processo de averiguações ao Centro de Saúde de Aljezur. Isto na sequência e consequência das queixas dos utentes. Ora aí está! A culpa afinal é dos utentes. Se se tivessem queixado mais cedo, se tivessem mesmo querido que a situação se resolvesse, não tinham esperado 6 anos! Agora, olha, é só esperar mais um pouco, enquanto o inquérito se faz. Pouco! Que, felizmente, em Portugal estas coisas costumam correr benzinho e sem grandes embargos.

Há gente muito expedita! Verdade seja dita e vamos a factos.
A história ter-se-á passado em Aruba, território holandês, nas Caraíbas. Foi aí que, em Dezembro de 2005, desapareceu a jovem Natallee Holloway. Tinha 18 anos e tinha vindo de Birmingan, com amigos. Eram cem, ao todo, celebrando a formatura académica.
Pois este domingo, 7 milhões de telespectadores holandeses ouviu a confissão de outro jovem, um holandês, que reconheceu ter sido ele, quem lançou o corpo da jovem ao mar; depois de ela, alegadamente, se ter sentido mal. Começou a tremer e de repente parou de reagir… Então, ele lançou-a ao mar e não disse nada a ninguém. O caso acabou arquivado e sem solução, em Dezembro do ano passado.
Agora a RTL4, televisão holandesa, instalou 3 câmaras escondidas num carro e com a ajuda de um amigo deste jovem e em cumplicidade com o programa– o programa dedica-se à abordagem de crimes, já se percebeu… - conseguiu-se então, que ele confessasse o que realmente aconteceu.
Não o torna forçosamente um assassino, mas seria matéria e razão para reabrir o processo, se não fosse…
É que, o Ministério Público holandês diz que não pode agir, já que a confissão não tem peso suficiente. E por uma razão simples: foi conseguida através de câmaras ocultas.
Portanto, uma confissão feita inadvertidamente, quando o suspeito está sem guardas, a falar, julga ele que, à vontade e entre amigos… não conta!
São certamente melhores, as que se conseguem enfiando a cabeça do suspeito numa bacia de água, até ele começar a espernear e a ficar roxo. Claro, que é prática também condenável e condenada! O que não quer dizer grande coisa, nos dias que correm.


E lá na Holanda ainda, um outro jornalista resolveu pôr o aeroporto de Amsterdão à prova e colocou uma bomba falsa num avião.
A história há-de passar também na televisão. O programa chama-se “Undercover” e vai para o ar domingo que vem.
O jornalista infiltrou-se durante 3 meses no aeroporto com identificação falsa. Isso permitiu-lhe não só colocar a bomba falsa no avião, como ainda, segundo a notícia, passar grandes quantidades de droga (não se diz se falsa, também) por uma alfândega, sem problemas.
O ministro holandês da Justiça já ordenou, entretanto, uma investigação à segurança do aeroporto de Amsterdão, um dos maiores e mais importantes da Europa.
O partido holandês ecologista já pediu um debate parlamentar de urgência sobre o assunto. Os restantes partidos estão a pensar se subscrevem a intenção…
E depois, a verdade é que…
Ninguém duvida da utilidade da informação. Passada a quem de direito, poderia servir para que as tais investigações se fizessem, tranquilamente e a bem da segurança dos cidadãos… Para isso, não seria necessário torná-la assim pública e em sinal aberto… Para isso não havia necessidade de, eventualmente, assustar as pessoas, com o fantasma da insegurança… Para isso não seria necessário divulgar a informação para o mundo… para que todo o mundo – incluindo os eventuais terroristas, bombistas, narcotraficantes e bandidos em geral – ficassem a saber que o aeroporto de Amsterdão, um dos maiores e mais importantes da Europa, deixa que se lhe ponham bombas nos aviões, à revelia de todas as seguranças. E que, quanto à droga, as alfândegas também não são problema de maior. Pelo menos enquanto as investigações não chegarem a nenhuma conclusão. E estas coisas demoram sempre o seu tempo. Por maior que seja o alarme.
Naturalmente também que, quando Amsterdão der o caso por resolvido, já este enérgico e expedito jornalista andará a infiltrar-se por outra qualquer porta falsa da segurança, ou do que for.
Em nome do interesse público… em nome do interesse do público… essa é outra que nunca haveremos de saber.

E depois há esta outra. “Encapuzados assaltaram loja à marretada e a tiro.”
Foi em Castelo de Paiva, o que para o caso, pouco conta… onde a atenção tropeça é neste pormenor curioso. Estiveram 15 minutos a arrombar a porta da loja com uma marreta. O alarme disparou, mas eles continuaram como se nada fosse…Foi o barulho que alertou a vizinhança e disparou o "oh da Guarda!" Quando a Guarda chegou, já eles se tinham ido embora. Levaram 3 televisões e uma máquina de tirar cerveja. Também aqui, a história é curiosa... Três televisões e uma máquina de tirar cerveja, mesmo tendo em conta que eram 3, os assaltantes, é coisa trabalhosa de transportar, pouco discreta… Mas o que mais surpreende é a calma, a aparente tranquilidade com que actuaram! Estiveram 15 minutos à marretada a uma porta de chapa metálica. Já calcularam o barulho que isso deve fazer? Já imaginaram maneira mais discreta de assaltar uma loja a meio da noite?!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

NINGUÉM PÁRA A REVOLUÇÃO DA MÚSICA IDIOTA DE INTERVENÇÃO! NEM À FORÇA DE PORRADA!

investiga cão!

Não há dinheiro!
Dito assim, soa de uma vulgaridade confrangedora, mas é um facto. E as Universidades, é disso que se queixam. O governo também, a seu modo, e por isso quer rever as contas no Ensino Superior, como forma de viabilizar – segundo o executivo – o futuro das Universidades.
O Conselho de Reitores denuncia o que chama de interferência excessiva, na vida das instituições.
Mas vamos a contas!
O ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior já pediu que fossem tomadas medidas de excepção, para fazer frente a uma situação que se quer – ela também – excepcional.
Para já, pediu-se às 4 universidades em situação económica mais difícil, que tomassem medidas. Medidas, que podem implicar a extinção de cursos com poucos alunos - e há cursos, mais de 200, com 20 alunos inscritos. Outros nem isso, só um!... Cortes na despesa com pessoal, é outra das medidas propostas… ou , para alguns, impostas!
É o caso da Universidade de Évora, onde o reitor já deu conta de que, o "saneamento financeiro" em curso, vai levar à redução do corpo docente, nos próximos 3 anos. Seja pela não renovação dos contractos, seja por incentivos à mobilidade especial voluntária (bom, aqui, apesar de tudo, até nem se poderão queixar assim tanto; que há gente, para quem o voluntariado é questão que não se põe, quando se fala de mobilidade especial…)
Mas, saltemos do "Público", de onde resgato esta informação, para o "Diário de Notícias", que puxa para a tituleira: "Governo abre guerra às licenças sabáticas nas universidades."
Também aqui é citado o presidente do Conselho de Reitores e a denúncia de interferência excessiva do governo, na autonomia da gestão.
Em causa estão os tais contractos de saneamento financeiro. As Universidades, que assinarem o contracto, ficam sujeitas a alguns requisitos. A saber: cancelar os concursos para admissão de docentes, a não renovação dos contractos a outros professores, ou o aumento de propinas… Para além disso, o contracto prevê... impõe a restrição às licenças sabáticas.
E isto indignou também, e por exemplo, um ex presidente do CRUP( Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas) . Diz então, e no caso, Adriano Pimpão que, uma coisa é não se substituir por professores novos, os que estão de licença sabática, mas antes fazê-los substituir por professores dos quadros, outra é limitar as licenças, que fazem parte das exigências académicas de investigação. Diz ainda que , querer limitar as sabáticas é contraditório com a exigência de renovação e actualização do corpo docente das universidades.
Ora, a exigência de renovação e actualização dos profissionais de qualquer ofício é sempre coisa de saudar. Pela qualidade é que vamos, ele há quem diga. E por isso mesmo, muita gente investe tempo e dinheiro nessa louvável tarefa. A lei portuguesa prevê, entretanto, esse privilégio de, nalguns casos, essa actualização poder ser feita sem prejuízo do próprio salário, ou do posto de trabalho. É bom! Em nome da investigação, obviamente! Chama-se licença sabática e não tem portanto nada a ver com licença sem vencimento, que, para todos os efeitos úteis e alegados, iria dar ao mesmo – tempo livre para investigar e fazer o País andar para a frente...
Ia dar ao mesmo, mas não tinha a mesma graça. Nem graça nem jeito. Uma coisa quase romântica . Um perfeito absurdo, portanto!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

respeito, pá!

A publicidade enganosa e as vendas agressivas…
Diz o Correio da Manhã, que o Governo se prepara para castigar as vendas agressivas. Telefonemas abusivos, utilização de crianças para vender produtos e falsas promoções…
A prática atravessa todos os sectores da Economia. Desde o próprio sistema financeiro , à pequena venda a retalho e ao florescente mercado dos serviços de telecomunicações.
O decreto lei já foi aprovado e é para cumprir, já a partir do mês que vem.
As reclamações… hão-de ser conforme. Se o consumidor se sentir enganado no sector dos Serviços, ou na compra de algum produto , pode anular o contracto.
Se a questão é com a publicidade… a queixa deve seguir para a Direcção Geral do Consumidor. Se o prejuízo se verificar numa loja, num estabelecimento comercial... aí é território da ASAE.
Já quanto à banca, seguros e mercado de capitais… aí as queixas seguem directamente para o Banco de Portugal.

Ora bem, as telecomunicações… fiquemos agora por aqui, só um bocadinho.
Diz o "Público" que, um técnico de electrónica acaba de ser condenado pelo tribunal de Vila Nova de Gaia , a pagar 2500 euros de multa, por troca dos 6 meses de prisão da sentença e ainda mais 19.705 euros (contas são contas) de indemnização à TV Cabo, agora rebaptizada Zon TV Cabo.
O delito deste técnico de 46 anos foi o de vender equipamento que permitia aceder aos canais codificados.
A TV Cabo começou por pedir 43 mil euros por prejuízos patrimoniais e prejuízos à imagem da própria operadora…
O Juiz de Gaia diz que "o ilícito em causa, pela frequência inquietante que assume, gera na comunidade um forte sentimento demandando uma solene punição, a fim de ser recuperada a confiança e validade da norma violada".
A TV Cabo , nos últimos 2 anos, apresentou 250 queixas crime, contra cidadãos que tinham em casa, equipamentos ilegais de descodificação de canais.
Diz a notícia, que esta foi a primeira vez que um caso destes chegou a tribunal e foi julgado e sentenciado.
Foi, para todos os efeitos, feita justiça. Ainda bem.
A questão que fica em aberto é outra…
É a de saber até quando a TV Cabo pode alterar grelhas e redistribuir canais, tirar uns e substituí-los por outros, codificar uns, abrir o sinal a outros…quando lhe apraz e como lhe apraz!... Notificando, óbvia e gentilmente, se bem que à posteriori e sem apelo nem recurso, os clientes telespectadores. E isso acontece a toda a gente, que seja cliente desse serviço. Toda a gente sabe do que estamos a falar. Já toda a gente deve ter reparado que desapareceram canais e outros lhe tomaram o lugar, na grelha da TV Cabo. Assim mesmo, de um dia para o outro, com aviso mais ou menos prévio, mas só isso.O aviso.
Ora a questão, neste caso, é simples de enunciar.
Se compramos um pacote de serviços à TV Cabo e nesse pacote, que escolhemos, vem uma lista muito clara e discriminada de canais, é porque eventualmente eram esses, os que nos interessavam e não outros! Com que direito então é que, a TV Cabo entra em casa de cada um e muda, a seu gosto e conveniência, o conteúdo do que que o cliente comprou e contratou?! Ou, pondo a questão de outra forma, é como se entrássemos na loja, comprássemos um frigorífico e depois, dias mais tarde, alguém nos entrasse pela casa e dissesse , "pois agora , o que o senhor precisa é de um micro ondas! Ora, dê cá o frigorifico e pegue lá o micro ondas, que a gente é que sabe o que é melhor para si. A gente é que sabe do que é que você gosta! A gente é que sabe... Enfim, a gente é que sabe."

respeito, pá! #2

Diz assim, o “Correio da Manhã” “ Polícias em greve de fome contra cadeia.”
Oh diabo!, a coisa está feia! É logo a reacção do leitor. Os polícias em greve de fome, contra o quê, da cadeia?... A cadeia, fica-se a saber mal se entra pela notícia, é a EPS – o Estabelecimento Prisional de Santarém.
E, entrando então pela notícia dentro, ficamos a saber que, provavelmente, para além dos tais polícias, de que fala o título, há ainda mais dois reclusos, dos 26 actualmente detidos em Santarém, que entraram também em greve de fome, à meia noite desta segunda feira.
Diz ainda a notícia, que, no caso destes dois reclusos, o protesto se prende com o anunciado encerramento da cadeia e a posterior transferência dos reclusos para Évora. Para a cadeia de Évora.
E os polícias? Foi também por causa disso que entraram em greve de fome? O texto do “Correio da Manhã” parece que diz: espera aí, que já lá vamos! E continua…
“Tal como o Correio da Manhã noticiou anteontem (sábado, portanto) os Serviços Prisionais pretendem transferir os 26 reclusos, entre quinta-feira e sábado para a remodelada prisão de Évora. “
E é por isso que os guardas se manifestam…
Espera! Diz, sem dizer, o jornalista do Correio e continua…
“Os advogados dos detidos já apresentaram uma providência cautelar no tribunal administrativo de Leiria, visando impedir a transferência.”
Protesto subscrito pelos guardas do EP de Santarém… provavelmente….
E ele a dar-lhe! Adiante.
(repararam que aqui , o jornal já nem me responde!) Adiante então.
Diz que, enquanto os juízes não decidem, dois reclusos – segundo apurou o “Correio da Manhã” – “entraram em greve de fome, ás zero horas desta segunda feira.” O Correio apurou também que se tratam de condenados a penas de 17 e 23 anos, que alegam que a cadeia de Évora não tem condições para o cumprimento das penas a que foram condenados.
Então e os policias em greve de fome de que se fala no título? Pergunta o leitor, já a começar a impacientar-se um bocadinho. Não muito. Só um bocadinho.
Pois a verdade é que a noticia acaba aqui.
O CM apurou que se trata de condenados que alegam que Évora não tem condições para o cumprimento das penas a que foram condenados.
E ponto final, tracinho e as iniciais do jornalista que redigiu a notícia.
E os polícias em greve de fome?!
Agora é a vez do jornal se impacientar… Ouve lá! E se tu, mas é, te calasses com a história dos policias em greve de fome!? De ideias fixas, o diabo do homem. Que ferro, irra!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

deixai vir a mim, as criancinhas! e os escuteiros, também. vá lá...

Arranca oficialmente este mês – diz o “Correio da Manhã” – o programa “Media Smart”.
O “Media Smart” propõe-se explicar, aos alunos do 1º e 2º ciclos, as técnicas usadas na publicidade.
A ideia junta a “Associação Portuguesa de Anunciantes” e o “Ministério da Educação”. Tem na mira as crianças entre os 6 e os 11 anos. Já a 20 de Fevereiro, nas escolas que aderirem ao projecto, assistir-se-á à primeira aula, onde será explicada a arte da publicidade. A arte e as manhas… Antes disso, a 13 de Fevereiro, no Porto, no Colégio Luso Internacional apresentam-se os estudos que já foram feitos por professores em testes piloto.
O programa divide-se em 3 módulos: Introdução à Publicidade, Publicidade dirigida às crianças e Publicidade não comercial…

E aqui a história chega a uma interessante bifurcação… Chega, só porque me dá jeito, convenhamos… E dá jeito para seguir por esta outra notícia, que tem a ver com curricula escolares… nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, as crianças da escola vão ter aulas de manuseamento de armas de fogo.
O estado da Virgínia Ocidental está a apreciar o projecto de lei, que se propõe treinar os alunos das escolas estaduais.
A noticia em si poderia soar preocupante. Tanto pelo facto de imaginar crianças da escola a treinar com armas de fogo, como se o país estivesse em guerra civil, ou à beira de uma invasão de marcianos, como pelo facto de isso poder indiciar a necessidade das crianças aprenderem de facto a manusear essas armas. Como quem diz, que o mundo se tornou um lugar tão selvagem, que há que andar preparado, desde os bancos da escola, desde o berço. Numa mão a chucha, na outra a bazuca!
Mas não. A notícia conclui e esclarece que, a medida tem a ver com outra guerra. Diz o “Jornal de Notícias”, que a medida visa travar a queda da emissão de licenças de caça, uma das mais importantes fontes de receita da Virgínia Ocidental!
Ficamos todos mais descansados. Afinal o mundo não é assim um lugar tão perigoso para se viver. Na Virgínia Ocidental, pelo menos não é esse o susto. O problema na Virgínia é a falta de consumidores… É a Economia, estúpido!

Agora voltemos atrás para seguir pela outra história/estrada de ainda há pouco…

E é que nem por estúpidos, nem por parvos!
Os escuteiros portugueses estão indignados e ameaçam levar o caso a tribunal.
Vem em todos os jornais… O “Corpo Nacional de Escutas” está indignado com a campanha de uma certa cadeia de armazéns, por alegadamente se sentir insultado. Querem que a empresa retire o anúncio, onde aparece um grupo de cidadãos de uma terra imaginária, a Parvónia, que desce à cidade para visitar o tal armazém. São os parvos, os habitantes da Parvónia. Desta excursão fazem parte, o suposto presidente da Parvónia, um militar, supostamente de alta patente e fardado, uma jovem vestida de “Miss”, vencedora de um qualquer concurso de beleza e… um escuteiro! Na campanha, parece que o escuteiro é retratado como o mais parvo dos quatro. É pelo menos essa a leitura que faz o "Corpo Nacional de Escutas", que quer levar a empresa a tribunal, por sentir que estamos perante um insulto aos perto de 80 mil escuteiros que existem em Portugal. A empresa diz que é uma brincadeira e que em todos os países, onde a campanha passa, a ideia é a mesma e ainda não causou polémica. E que não há, nem nunca houve a intenção de ofender directamente ninguém; nenhuma corporação, entidade, ou classe social, o que seja...
Mas,seja como for, na Internet, já corre uma petição, para que a campanha seja retirada das televisões, outdoors... Um dirigente escuteiro disse ao “Diário de Noticias” que não havia necessidade de usar a figura de um escuteiro fardado. Podia ter-se escolhido um jovem qualquer, que fizesse a mesma cara de parvo para a câmara, sem precisar de estar fardado e muito menos de escuteiro.
Espera-se agora a indignação das concorrentes a “Miss”, dos generais e militares em geral e todos os presidentes em exercício, ou candidatos a qualquer carreira politica. Já que são estas, as 3 restantes personagens retratadas na campanha!...
Claro que, depois do curso de que vos falava no início, se não nos tornarmos mais preparados para responder às armadilhas da publicidade, esperemos que se nos desperte algum sentido de humor, ou pelo menos que se aprenda a “desimportantizar” certas – alegadas – ofensas e atentados ao bom nome, ou a qualquer outra coisa que nos faça falta.

duas à margem:

primeiro, a chapelada a Alexandre O?Neill, p'lo neologismo e p'lo conceito. è mesmo preciso "desimportantizar" muita merda nas nossas vidas...

segundo ( e não resisto a) contar uma anedota/adivinha...

Sabem o que é um grupo de escuteiros? Como se define, reconhece?

é um grupo de putos, vestidos com uma farpela ridícula, comandados por um gajo ridículo, vestido com uma farpela de puto.

contaram-ma há muito tempo e já na altura lhe achei graça...


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

oh Wagner, pá! Vai tocar minuetes p'rà tua rua!

Assim mesmo, presto con fuoco! António Wagner Diniz, director da Escola de Música do Conservatório Nacional, diz que o que interessa à ministra da Educação é ter um milhão e setecentos mil jovens a cantar "Eu vi um Sapo", em vez de dezassete mil com formação de qualidade.
Ora tudo isto vem a propósito da recente decisão do Governo de "democratizar" – e as aspas vêm no texto do “24 Horas” – "democratizar", portanto, o ensino da música, tirando-a do Conservatório e levando-a para as escolas do ensino básico.
Ora bom, ponto primeiro: parte-se do princípio de que, futuramente, serão cantigas como a do sapo, que vão constar do reportório das aulas de iniciação musical nas escolas primárias. Essa e outras como essa. Excluindo a hipótese de que algum professor tente chamar a música por outras portas e travessas…
Adiante.
Depois, continua a notícia…adagio maestoso, que o Estado deixará de apoiar o ensino vocacionado e a formação individual, acabando com o ensino supletivo, que o mesmo é dizer, acabando com a possibilidade do aluno, que esteja a estudar numa escola regular, poder ter "apenas" aulas de música no Conservatório.
Ponto segundo: este “apenas”! Ter aulas “apenas” no Conservatório… Ter, seja o que for, apenas num sítio, à primeira, parece uma situação um pouco apertada nas mangas, mas enfim, também é a primeira vez que vejo aspas em democracia, como quem isola qualquer coisa da peste, ou do pouco próprio! …
Presto agitato, Wagner Diniz continua que, se a proposta do governo for avante, quem quiser ter aulas de qualidade terá de ir para o privado, vendo a despesa subir consideravelmente.
Ponto terceiro… muito breve este: elogio em causa própria é coisa que também deixa algumas dúvidas. Que é o que está a fazer o director da escola de música do conservatório. “Quem quiser ensino de qualidade”… pressupõe-se que não é na escola primária que o vai ter. Ou no Conservatório, ou numa outra qualquer escola especializada.
Diz a notícia que pais e alunos – da escola de música do conservatório, entenda-se - estão contra esta medida anunciada pelo Governo.
Ponto quarto: adagio affettuoso… nada leva a crer que, quem tem os filhos a estudar no Conservatório, seja obrigado a cancelar as matrículas e ir aprender música para a escola primária
lá do bairro…
Mas a questão, continua Wagner Diniz, allegro vivace, é que assim , os dezassete mil alunos que actualmente frequentam os seis conservatórios que existem em Portugal, podem passar drasticamente para os mil e quinhentos! Isso pode eventualmente acontecer mas aqui, as notas em causa, têm obviamente a ver com outra música…
Mas voltemos ao sapo de que se falava ao princípio e citemos o professor Wagner Diniz: ”A ministra prefere ter um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional, a cantar o "Eu vi um sapo" do que dezassete mil com formação de qualidade”…
Ponto 5, moderato con amore: como é que o professor consegue sentar, ou mesmo em pé, pôr um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional!?...
Ponto 6, andante scherzando: com uma orquestração a preceito, quem me garante que este sapo não saltaria do charco, a que a grande música o condena, para – adagio maestoso – conquistar um lugar ao sol da Grande Música Clássica?!... Enfim, um clássico já ele é, à sua maneira, claro.
De resto… moderato cantabile, por mais que se queira e sonhe e se deseje um país de virtuosos, a verdade é que – alegro vivace – se o sapo da cantiga conseguir cativar um milhão e setecentas mil crianças para a Música – que ela é grande sempre, não se aflija Wagner Diniz– soa, assim à primeira, uma ideia interessante. Se os não conseguirmos enfiar todos juntos no Estádio Nacional, paciência. É pena, mas paciência. E é pena, porque haveria de ser coisa majestosa. Wagneriana, quase.

p.s.

devo confessar, já que estamos aqui só nós e estamos entre amigos, que me deu um prazer muito particular, ler esta crónica, esta manhã, na Antena 2, da RDP...


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

pola lei e pola grei e viva o rei .

A Câmara Municipal de Lisboa vai criar uma comissão de "boas práticas", para prevenir a corrupção.
É assim que abre a notícia do “Público” desta manhã. Depois continua que, as relações dos técnicos municipais com gabinetes de projectos e promotores são uma situação preocupante.
A Câmara vai hoje discutir a criação da tal “Comissão de Boas Práticas”… A ideia partiu de António Costa, o presidente. A Comissão será composta por 3 personalidades designadas pela Assembleia Municipal e por uma maioria de 2 terços. O mandato há-de demarcar-se do mandato dos restantes órgãos autárquicos, de forma a garantir a isenção e independência. Tal como acontece com outras autoridades reguladoras…
Um mandato que há-de monitorizar as áreas mais expostas ao risco de corrupção, diz o “Público”, o jornal. E as áreas mais expostas são as do urbanismo e a da contratação pública. Casos recentes revelaram ligações pouco recomendáveis entre funcionários da Câmara de Lisboa e entidades e empresas promotoras de projectos sujeitos a aprovação camarária, ou a concurso público. Mais de 30 funcionários foram identificados como tendo, ou tendo tido já ligações profissionais com o sector imobiliário e da construção civil, o que os torna parte interessada. É então preocupante, diz a magistrada do Ministério Público, cuja sindicância aos Serviços de Urbanismo da Câmara de Lisboa, desencadeou o processo que levou à criação desta tal Comissão de Boas Práticas.
Podia ser uma boa notícia, se não fosse ela revelar uma coisa que é tudo menos uma boa notícia.
A saber… Que é preciso criar uma comissão especial e dar-lhe um nome , assim, gentil e cordato, das “boas práticas”, para que se faça o que deve ser feito. Naturalmente e sem alarido.
Diz a notícia, que a Comissão vai criar também – elaborar é o termo – códigos de conduta e códigos de boas práticas e acompanhar a sua aplicação… Códigos de conduta e boas práticas haveria de ser coisa para fazer parte da dieta de qualquer pessoa, juntamente com o leite materno, com o aprender a andar e a desenhar as primeiras letras. Haveria…
Lê-se também – e já o referimos – que há áreas mais expostas ao risco de corrupção. Ou como se dissesse, que há estradas perigosas e que o IP5 é um itinerário assassino, esquecendo que por lá passam centenas de automobilistas e nem todos se despistam, ou provocam acidentes…
Uma “Comissão de Boas Práticas” provoca assim uma alegria e uma surpresa, semelhantes à que nos invade quando entramos, por exemplo, num café, ou restaurante e os empregados são atenciosos, o serviço funciona, a comida recomenda-se e a conta vem sem enganos que prejudiquem o cliente.

Dizia ser João César Monteiro, que tinha desistido de viver numa sociedade sem classes e se ia conformando a viver numa sociedade sem classe! Enfim, é uma forma de ver a coisa.

Vamos ao “DN” – “Diário de Notícias”, mas antes vamos ao ponto prévio.
Ouvi dizer, não garanto, ouvi dizer, que, na publicidade… pelo menos na televisão, a publicidade a coisas que tenham a ver com saúde – desde pastas dos dentes a outras drogas avulsas – só mesmo profissionais do sector é que estão autorizados a dar a cara e a aparecer nos anúncios. Disseram-me que era em nome da fiabilidade da propaganda. Da seriedade da campanha, da dignidade da própria profissão… É por isso que, um médico que apareça na televisão a dar a cara por uma marca ou produto, tem mesmo de ser médico. Não pode ser um actor contratado para o efeito. Enfim, a verdade desta afirmação está para ser comprovada, mas, para o efeito, dispensemos essa confirmação…
Porque, aqui, do que se trata é da tropa. Melhor, das Forças Armadas… Em geral.
E diz o “Diário de Notícias” que a banda do Exército admite cancelar a participação nas cerimónias de homenagem a D. Carlos, a 1 de Fevereiro, quando passarem 100 anos sobre o dia do regicídio.
Parece que a cerimónia em questão é uma iniciativa particular. Não oficial, portanto. E esse é o motivo que levou, ontem, os deputados de todos os partidos, sem excepção, a manifestarem-se contra a presença da banda do Exército, nas tais celebrações.
O assunto foi mesmo falado na Comissão Parlamentar de Defesa, que terá mandatado o respectivo presidente para transmitir esta preocupação ao ministério da tutela. O da Defesa.
Em defesa, portanto, da transparência e do respeito pelas instituições e de todas as éticas, que possam ser invocadas num caso destes…

Saltemos então para a página 5 deste mesmo “Diário de Notícias”.
A meio da página, abre-se a caixinha do anúncio a um modelo de um automóvel que, pelo preço anunciado – diz a legenda – é difícil imaginar. Na fotografia, espreita a um canto a dianteira de um automóvel, que até pode ser o modelo em questão. No passeio, uma placa de estacionamento proibido, ao pé da qual, um polícia de trânsito faz que multa um carro que não está lá. Talvez seja esse o gancho do trocadilho. É difícil imaginar um polícia a multar um carro que não existe! É no mínimo idiota; mas isso ainda é o menos… os publicitários tratarem o público como idiota, já vai sendo costume. O problema é quando o público responde como tal, mas isso, são outras loas, que para o caso não interessam… Adiante. Pode ser que o polícia não o seja de facto. Contrariando a tese, não confirmada e de que vos falava ao principio…. só profissionais de saúde podem fazer anúncios a produtos ou marcas que tenham a ver com saúde… pode ser que o polícia não seja policia. Como também pode ser que o seja…
Em qualquer dos casos, é essa a leitura que se faz e se pretende: um policia, um agente de trânsito, fardado de colete reflector e chapéu de pala e botas de montar ( é verdade que não se vê nenhum distintivo que o identifique como policia a sério, mas, para o que conta e importa… é um policia que aparece num anúncio a um automóvel, na página 5 do “DN” e certamente noutros jornais também…)
Bom, mas se aqui, no caso do anúncio, se pode pôr a hipótese de não ser mesmo um polícia a sério… no caso recente, de uma certa parada espectacular que desceu a avenida da Liberdade, o caso é diferente.
A parada em causa juntou os artistas todos da estação – um canal privado de televisão, se ainda não tinha dito… Artistas de variedades, apresentadores variados, e convidados ilustres, desde tigres em jaulas a vistosas caravanas representando os patrocinadores habituais do tal canal.
E no meio do desfile, quem desce a avenida, garbosa e tonitruante?... A charanga da Guarda! A fanfarra da Guarda Nacional Republicana a cavalo! …

Ora bem, que terá esta televisão privada, que o rei D. Carlos não tem? Tirando os patrocínios…
Ou, pondo a questão de outra forma… Andamos, portanto, a brincar com a tropa!?...