quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008




“Um sacerdote francês, de 57 anos, admitiu ter abusado sexualmente de 50 menores, dos 4 aos 15 anos, entre 1985 e 2000, noticiou o jornal "Le Parisien"”.É assim que abre a notícia do “JN”.
“Pierre Etienne A. confessou as agressões…” continua a notícia… Já repararam que o apelido do sacerdote foi omitido? Foi limitado à letra inicial… Pierre Etienne é bem capaz de haver muitos em França… Assim sendo, ao omitir o apelido é como se se dissesse, não dizendo.
Mas o caso que aqui nos trás nem é bem esse. É que, a noticia continua dizendo que a Comunidade, a que o padre pertence, saberia de tudo já desde 1998, mas que terá preferido calar-se e não denunciar o caso à Justiça!
Em entrevista ao “Parisien”, Pierre Etienne A. pede perdão às vítimas e assume a culpa. Muito católico será, já o mesmo não se poderá dizer da Comunidade que ocultou o crime. A Comunidade, já agora, que não é segredo, chama-se Beatitudes…
Diabo de nome mais a despropósito!

E os nomes fictícios!
Geralmente usam-se quando o caso é demasiado melindroso e envolve pessoas, que por qualquer razão, não querem que se saiba que é delas que se está a falar.
Neste caso aqui, as protagonistas são vítimas e não agressores e talvez porque o crime é de natureza sexual, o jornal resolveu identificar as protagonistas com nomes fictícios: Ana, Joana, Catarina, o que para o caso pouco adianta, porque elas não se chamam assim, ou antes, porque há tanta gente com esse nome, que podem ser qualquer pessoa. Depois e para o que importa, a noticia diz que são jovens adolescentes, na casa dos 15 / 17 anos, que foram obrigadas a prostituir-se por um suposto amigo. Um rapaz mais velho, que conheceram à saída da escola e que – segundo o “Jornal de Notícias” - acabou por forçá-las a prostituírem-se em plena rua – curioso que a rua, a menos que também seja um nome fictício – vem identificada. O alegado criminoso também, mas, também aqui não se diz se é ou não nome fictício. É verdade que não se lhe refere o apelido. Diz-se que se chama João… e João, como Pierre Etiennes em França, há muitos, em Portugal.
Bom, mas antes que me perca, que acho que já faltou mais… onde quero chegar é aqui.
Ana e Joanas, Joões e Etiennes há de facto muitos… Situações como estas de que aqui se fala é que – pelo menos deseja-se que – haja poucas! São situações excepcionais. Traumatizantes, na maioria dos casos. Coisas que quase parecem, por vezes, de outro mundo… Um padre que viola crianças de 4 anos?!. Um jovem que se insinua com simpatia para ganhar a amizade de umas miúdas adolescentes e que afinal se revela um vulgar proxeneta!...
A verdade é que – e neste caso é evidente – dar nomes fictícios às vítimas tem uma utilidade um pouco duvidosa. Experimentemos:
Três jovens adolescentes, entre os 15 e os 17 anos, foram obrigadas a prostituir-se, por um rapaz, que conheceram à saída da escola e lhes conquistou a amizade. O rapaz, de 22 anos, foi detido a semana passada, na sequência da denúncia de uma das jovens . Era sob a ameaça de violência física que o "falso amigo" as obrigava à prostituição, numa rua de Lisboa, ficando-lhes depois com o dinheiro ganho …
E então? Vai dar ao mesmo ou não?...
Ou então, dêem-lhes nomes, em vez de fictícios, extravagantes, pouco comuns! Coisa que fique no ouvido… Ermengarda – e que me perdoem as Ermengardas… Capitulina – o mesmo para as Capitulinas. Apolinária… Ou mais estranhos e raros ainda! Tão estranhos e raros como a própria situação em que os invocamos . Nomes inventados mesmo, coisas que não podem ser, que não fazem sentido: Zardoz! Funjigueta! SO4H5 !!!
Porque isto assim… e, desculpem ,mas vou ler: “Ana Joana e Catarina (nomes fictícios) de 15, 16 e 17 anos são amigas e andam na mesma escola. Depois das aulas, como qualquer jovem da sua idade, gostam de passear e estar com os amigos. No entanto, uma amizade com um colega mais velho valeu-lhes um passeio à realidade da prostituição, que durou semanas e deixou marcas…”
Já reparam o tempo que demorámos a chegar a qualquer coisa parecida com informação?... Isto depois do título gritar que se vai denunciar o caso de alguém que obrigava raparigas a prostituir-se?... O isco está lançado, vamos lá à literatura, que eles já não fogem… as Anas, as Joanas, os Etiennes…


E vem no site do “El Mundo”. O “Diário de Notícias” transcreve o essencial da história e a história, ela própria, vem de França, afinal…
“Sarkozi mantém a decisão de retirar publicidade.” De onde?... “Do sector audiovisual público francês” – o que, em bom português quer dizer: acabar com a publicidade na televisão pública.
A transição poderá ser feita de forma progressiva. Começando por retirar os anúncios a partir das 8 da noite e depois por aí fora, sendo que o Estado francês se propõe compensar cada euro perdido pela televisão. Para isso, constituiu-se uma comissão que está – segundo diz a notícia, com aspas e tudo: “a inventar a televisão do serviço público do século 21 e torná-la um exemplo para o mundo…”
Enfim, descontando esse pequeno chauvinismo do querer dar exemplos ao mundo… ficando só pela parte dos anúncios… quando for grande, quero ser francês!


E, já que estamos a falar de televisão, fica só e muito rapidamente esta pequena tabela, que os jornais se foram habituando a publicar, de há uns tempos para cá, certamente com algum propósito muitíssimo útil e interessante, para alguém, certamente… Falo das audiências diárias, semanais, shares, os acumulados e os outros, que também os deve haver…
Diz então o “DN” que, Sócrates ficou fora do Top Cinco (deveria ter dito Top Five?!...)
A entrevista de José Sócrates à “SIC”, segunda-feira passada, ficou em sexto lugar no top de audiências.
Espartilhada entre telejornais e telenovelas, a entrevista ficou-se pelos 12, 8% de share de audiência. Em 6º lugar, com menos 0,5 pontos percentuais que quem?.... Fernando Mendes e o “Preço Certo”! Meio pontinho apenas… Como diria o próprio Fernando Mendes, no popular concurso: “quer pensar melhor?...”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Reabre amanhã, ao público e à circulação, o túnel ferroviário do Rossio.
Amanhã, com o primeiro-ministro, exposição de material ferroviário e concerto de música.
Escreve o jornal “Público” que o túnel do Rossio reabre após 3 anos e 3 meses de "fechado para obras".
Durante esse tempo, os habituais utentes tiveram que desviar o percurso normal e, em vez de sair no Rossio e daí, de Metro, autocarro, ou a pé lá irem à sua vida… passaram a ter de sair em Sete Rios, ou Entrecampos, ou mesmo no Areeiro e daí, apanhar o Metro, o autocarro, ou mesmo a pé lá ir à sua vida…
Isto foi mais ou menos o que aconteceu, durante estes 3 anos e 3 meses, aos utentes da CP, que habitualmente desembarcavam no Rossio.
Ora bem, continuemos a leitura …
Escreve o “Público” que as duas empresas – no caso a Metro e a CP – estão agora a pedir uma indemnização à REFER, pelos prejuízos sofridos durante o tempo em que o túnel esteve fechado.
A CP, conta o jornal, está a negociar 11 milhões de euros e a Metropolitano de Lisboa diz que o balanço do prejuízo ainda não está fechado, mas em finais de 2006 já ia nos 5 milhões de euros…

O túnel esteve fechado porque ameaçava cair… se bem se lembram. Não por qualquer capricho obtuso, mas por uma questão de segurança. Da mais elementar das seguranças. Aquela que tenta evitar que o tecto nos caia em cima da cabeça…
Talvez houvesse alternativa que não prejudicasse tanto o Metro e a CP… mas em verdade, que prejuízo terá tido, por exemplo a CP? Perdeu assim tanto dinheiro? … 11 milhões é o que se fala… É espantoso! Nunca imaginaria que, deixar os passageiros em Sete Rios, ou Entrecampos, em vez de no Rossio, comportasse um aumento de custos assim tão elevado, mas se calhar é assim mesmo.

Dos eventuais prejuízos que os utentes tenham sofrido… isso a notícia não fala, portanto é porque, ou não houve, ou ninguém ainda os reivindicou… que para o utente, aí sim, é bem mais fácil perceber a diferença entre ser apeado no Rossio , ou no Areeiro… Mais ainda se se trabalha na Baixa, ou para os lados do Terreiro do Paço.

O Metro diz que, em finais de 2006, já estava a perder 5 milhões de euros, com as obras do túnel… Sendo que aqui, como já vimos, as contas ainda não estão fechadas e a Metro está neste momento a fazer essas contas numa comissão formada de propósito e que junta elementos das duas empresas - Metro e Refer… O jornal fez a soma por alto e conclui que a indemnização, no total e pelo fecho do túnel do Rossio, pode custar 18 milhões de euros à REFER.
18 milhões de euros é certamente muito dinheiro… Fica por saber em quanto ficaria a eventual indemnização às vítimas, se as obras se não fizessem e no dia em que o túnel caísse em cima de alguém…
Talvez ficasse muito mais em conta, apesar de tudo…
E mais um bocado e chegamos quase à conclusão que teria sido bem melhor ficar quieto e deixar o túnel vir abaixo, quando tivesse de ser. Depois, logo se via…

este post é patrocinado pela alma bêbada do alexandre o'neill

O “Jornal de Noticias” trás hoje, já em fecho de edição, a denúncia de que há crianças – jovens actores, como lhe chamam – que estão a trabalhar fora da lei.
Cita-se o exemplo de 3 miúdos, que participam numa série televisiva e que o fazem sem a devida autorização da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Diz-se também que, só no primeiro semestre do ano passado, foram apresentadas 50 queixas, relacionadas com casos de menores a trabalhar em espectáculos e séries de televisão, sem cumprir o que a lei manda.
E o que a lei manda passa por, entre outras coisas, o exame médico que os capacita para o trabalho, um número máximo de horas – 6 – de trabalho semanal, uma cópia do respectivo contracto de trabalho e, claro está, a autorização dos pais da criança. As multas podem chegar aos 50 mil euros…
E estas são regras que se aplicam a todos os miúdos menores de 16 anos, que trabalhem na área do espectáculo – televisão, cinema, teatro, moda, circo, por aí…
Logo aqui se abre uma primeira questão - e muito sinceramente gostava de a ter esclarecida - respeitando esses mesmos princípios enunciados e os outros que não referi – que a lei, nesta matéria articula-se em 10 artigos que definem claramente as condições impostas - pois respeitando esses princípios, que diferença haverá entre entrar numa telenovela, ou trabalhar num circo e noutra qualquer actividade profissional?! Enfim, menos espectacular certamente será, mas não menos digna e se calhar até mais útil… Mais útil mesmo até para a própria criança.
Acontece, entretanto, que as próprias produtoras de televisão – cita o “JN” – acham que a burocracia, que envolve o processo, leva muitas vezes a que se ultrapasse a lei pela direita… enfim, que se avance com a produção enquanto a papelada se resolve – isto em bom português - porque o ritmo de produção é muito intenso e não se pode ficar à espera… Ora esse ritmo de produção frenético - o jornal cita uma produtora, que diz mesmo que aquilo que a lei prevê não se coaduna com o ritmo da produção televisiva e , por isso mesmo, pede maior agilidade no processo… Esse ritmo frenético já me parece – e à partida – um ambiente um pouco mal são para uma criança… mas contra isso , se calhar não se pode fazer nada.
Agora, onde se poderia fazer alguma coisa… não sei se a lei o prevê… era acautelar que os miúdos não fossem convidados, contratados, aliciados, o que seja para séries e novelas de tão má qualidade. Com textos tão estúpidos e contracenas tão cabotinas… Acautelar que não cresçam com uma visão tão medíocre da realidade… E depois, já agora, que lhes não metam ideias erradas na cabeça. Eles são novos, há ainda muita coisa que não sabem, nem podem compreender… É por isso, no mínimo, injusto deixar que acreditem que são qualquer coisa parecida com um actor de teatro. É que, em boa parte dos casos, o mais que conseguem é estar à altura da contracena. O que, também em boa parte dos casos, não é coisa que orgulhe ninguém. A verdade mesmo é que, acauteladas todas as exigências legais, bem melhor fora que aprendessem a plantar batatas.

Aqui há uns anos – depois passou, mas houve essa norma – certos filmes, as crianças, os menores eram autorizados a assistir, desde que acompanhados por um adulto, que se responsabilizasse por isso. Isso : assistir a um filme que, à partida, e para quem os classifica, seria eventualmente menos próprio para essas menores idades…
Ora, depois de ler esta notícia que desce de Londres, levanta-se a hipótese da regra se recuperar e estender, no caso, aos museus britânicos…
Mas vamos à notícia, que para nariz de cera, já chega.
Metro de Londres proíbe "Vénus" nua do Século 16. A "Vénus" em causa é de Lucas Cranach – o Velho. Pintou-a em 1532, nua, só com uma gargantilha e um fio pendendo sobre o colo alabastrino.
E foi este quadro que a Royal Academy of Arts escolheu como cartaz da primeira grande exposição de Lucas Cranach, em Londres. Um cartaz, que haveria de ser afixado pela cidade, anunciando o evento. Pelas ruas de Londres e nas paredes do Metro, também.
E aqui é que a história se complica. É que a administração do Metro de Londres acha mal, afixar nas paredes, à vista de todos, a imagem de uma mulher nua. Acha impróprio para os passageiros, serem confrontados com essa imagem, enquanto esperam o comboio.
A verdade é que a lei – no caso – o regulamento interno do Metro de Londres proíbe expressamente a afixação de
"publicidade mostrando homens, mulheres ou crianças de forma sexualizada, ou corpos parcial ou totalmente nus, num contexto abertamente sexual".
Já em 2001, pelas mesmas razões, tinha o Metro recusado um retrato da condessa de Oxford, obra de Peter Lely. O argumento foi o de que, no retrato, se revelava um seio da condessa.
Os responsáveis pelo museu dizem que não têm um plano B, com a "Vénus" vestida, para não chocar o Metro de Londres, ou os seus utentes… A comissão de Cultura e Media, do Parlamento inglês, considerou, por seu lado, a decisão do Metro como "débil" e aconselhou o museu a não alterar o cartaz, nem a campanha de promoção da exposição – que, já agora, inaugura a 8 de Março…
O presidente da Comissão acha impensável que um quadro pintado há 500 anos possa chocar alguém.
E aqui entreabre-se alguma reserva ao argumento, mas nada de mais. A verdade é que, há obras ainda mais antigas, que continuam a chocar muitas sensibilidades e, nalguns casos, é isso justamente o que lhes confere a eternidade...
Diz o presidente da Comissão que é impensável que um clássico possa chocar… continuamos na mesma e pelas mesmas razões… ser um clássico não o torna mais pacífico, ou consensual, ou até mesmo, exemplo de quaisquer virtudes… por isso adiante…

Adiante, que a questão nem é sequer avaliar e muito menos julgar os critérios morais, éticos, ou o que seja da administração do Metro de Londres, ou da própria sociedade londrina. A questão é outra .
Primeiro e a saber… se o metro de Londres mete no mesmo saco a "Vénus" de Cranach e, por exemplo, a Carla Bruni, ou a Kate Moss a vender lingerie… Revelaria já uma visão bastante avançada. De quê, não sei. Mas de qualquer coisa haveria de ser! Poderia ser da Arte em particular, ou dos Bons Costumes em geral… E a verdade é que, o Metro de Londres, parece que sim… que é o que faz. A Kate Moss e a "Vénus" de Cranach, para o Metro de Londres e para o que interessa, são a mesma coisa.
Em aberto fica ainda e entretanto essa tal hipótese desvairada, que adiantava ao início. A dos museus britânicos passarem a fazer depender, a entrada de menores, de uma espécie de termo de responsabilidade, de um adulto que o acompanhe. Ou , ainda , afixar um aviso X-Rated, à entrada de certas galerias, ou museus de pintura.
Em aberto fica ainda – e deus nos guarde que – no topo da infâmia (relembre-se a sorte que teve o retrato da duquesa de Oxford) – há que – por essa ordem de razões – considerar a Virgem com o menino ao colo!…
Mais ainda, se a Virgem estiver a amamentar o menino Jesus!
Aí, entramos claramente no campo da heresia.
Vá de metro, Satanás!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Muito rapidamente… a fotografia de capa do "Diário de Notícias" de hoje é notável.
Diz a legenda que Sócrates, o primeiro-ministro, claro, José Sócrates está sob o fogo do Parlamento. Está, ou esteve, ontem, que foi quando a fotografia foi tirada...
Fotografia tirada em movimento, o que faz sempre um certo efeito. E para o efeito, ficamos sem saber. É que a legenda diz que Sócrates está, ou esteve, sob o fogo do Parlamento e – de facto – atentando na fotografia, Sócrates bem podia estar a fugir de quaisquer balas imaginárias, ou simbólicas… Poder podia, se repararmos bem na fotografia… mas a verdade é que também podia estar simplesmente a dançar. Vê-se até, a espreitar pela direita baixa da foto, um braço e uma mão que se estendem na direcção do primeiro-ministro, como se o esperassem, para concluir a pirueta e o passo de dança. Ora, é claro que uma situação destas, tendo em conta a ocasião, está fora de qualquer hipótese. Ficamos portanto por aqui. Sócrates sob o fogo do Parlamento, como a fotografia ilustra, o primeiro-ministro desviando-se de balas imaginárias, sob a objectiva das câmaras de televisão e dos fotógrafos dos jornais.

Mas isto de fotografias…
Vamos ao "JN" – "Jornal de Notícias."
E a notícia é que – sete ex-estudantes vão hoje a tribunal acusados de praxes violentas. São 5 rapazes e 2 raparigas, que estão indiciados, em co-autoria e na forma continuada, de um crime de ofensa à integridade física agravada e outro de coacção. Isto tudo aconteceu há 5 anos, na Escola Superior Agrária de Santarém. Talvez por ser numa escola agrária, o crime em questão foi cometido com o auxílio de bosta de vaca. Assim mesmo. A queixosa – a praxada – tinha na altura 22 anos e era caloira em Santarém. Os mais velhos tê-la-ão obrigado a fazer flexões até ficar com um braço sem o poder mexer. Enquanto isso chamavam-lhe nomes feios e depois – queixa-se a jovem - agarraram-na pelas pernas e enfiaram-lhe a cabeça num – chama-lhe o jornal – um "penico cheio de bosta de vaca. "
Pois sim , está bem, já tínhamos percebido a ideia. Mas o "JN" acha que não e então resolveu ilustrar a notícia com a fotografia do nariz de uma vaca e, em primeiro plano, o que tudo indica ser – a arma do crime! E poupem-me aos pormenores, já que o "JN" não o fez. Sendo que, a fotografia dos acusados, da vítima, ou do próprio penico tinha chegado muito bem.

E já de saída duas boas notícias, sendo que uma delas peca por uma pequena imprecisão, ou se quisermos, uma pequena desatenção…
A primeira boa notícia: "Portugal deixa lista negra em Maio". A lista negra, no caso, é a dos países com défice excessivo.
A Comissão Europeia deverá propor, em Maio que vem, a exclusão de Portugal dessa lista mal amada. E a boa notícia é que isso vai acontecer um ano antes do que estava previsto pela Comissão Europeia.
A outra boa notícia é que o Vaticano resolveu antecipar, por seu lado, ele também... Só que aqui se trata da beatificação de Lúcia, a freira carmelita vidente de Fátima.
É a primeira vez que tal acontece com um português e a terceira vez que acontece no mundo cristão.
A notícia foi comunicada e saudada, ontem, em Coimbra, durante a missa celebrada pelo cardeal José Saraiva Martins, perfeito da Congregação para a Causa dos Santos.
O processo foi antecipado em dois anos, o que faz com que comece de imediato.
Ontem foi um dia histórico. Isso mesmo fez questão de sublinhar o cardeal oficiante. Estava feliz e disse-o: "de uma profunda alegria por ser o portador da notícia sensacional". Talvez a alegria justifique o lapso, ou então foi o próprio jornal que se deixou arrastar pelo entusiasmo… Mas, vamos onde importa: disse o cardeal Saraiva Martins que ontem se viveu "um dia histórico e importante para a Igreja e para o Mundo…"
Pois esqueceu-se de explicar que o mundo de que falava era, naturalmente, o mundo cristão! E, mesmo nesse mundo cristão, aquele que venera santos e beatos; excluindo também e por razões óbvias, hinduístas, xintoístas, muçulmanos, budistas e outros fiéis deste mundo, para quem a irmã Lúcia será uma referência um pouco indistinta, senão quase irrelevante! Ela e a causa de todos os santos do panteão católico, em verdade e a bem dizer.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

oh Lopes, 'tamos contigo, pá!

Diz-se, é costume ouvir-se dizer, que uma imagem vale mais que mil palavras. Admitamos. Mas, admitamos também, que ele há imagens que nos deixam… sem palavras.
Ora Santana Lopes… Pedro Santana Lopes, líder parlamentar da bancada social-democrata, saiu em presidência aberta – foi assim que ouvi chamar-lhe ontem, nos telejornais – em presidência aberta, portanto (e a eventual confusão, que o epíteto possa causar nas populações, é outro assunto a que iremos, de passagem, mas não para já).
Para já, há que concordar que, como defende Santana Lopes, os políticos devem sair para o terreno, de vez em quando que seja, a tomar o pulso ao país real. A sentir o pulsar do povo e suas angústias e desejos mais urgentes… Terá sido isso, que levou Santana Lopes mais comitiva parlamentar a visitar ontem o distrito de Castelo Branco. E foi nessa ocasião que os jornalistas lhe perguntaram coisas como, por exemplo, o que pensava da demissão do director nacional do INEM. Questão que, pode ser que não, mas desconfio, que ninguém se teria lembrado de perguntar ontem a Santana Lopes, se não fosse o facto de o terem acompanhado nessa visita ao pais real.
Agora, quanto à auto-proclamada presidência aberta… também pode ser que não, mas também é bem provável que sim, que um habitante de uma qualquer terra desse interior esquecido e abandonado, ao receber tão ilustre visita em presidência aberta – a preocupar-se realmente com isso - lhe salte à memória outras presidências abertas, próximas passadas… Mário Soares… Jorge Sampaio… presidentes, eles também ,mas não de nenhuma bancada parlamentar, senão da própria república portuguesa. E assim sendo, se a confusão tivesse tempo e paciência para se instalar, já se tinha instalado, ontem, em Castelo Branco.
Mas não é isso que prende a atenção deste vosso humilde narrador… é a fotografia que ilustra o acontecimento, nas páginas do “Diário de Notícias”. A fotografia. A fotografia de Pedro Santana Lopes – preocupado com o interior – segundo atesta a legenda.
Ora então a fotografia. O fato é de bom corte. Distinto e discreto. Azul com riscas finas e verticais de tom mais claro. A gravata, azul muito clarinho, quase branco, a dizer com a camisa. O fundo é indistinto, mas dá para perceber que é no campo… Percebe-se, esbatidos em fundo, os finos ramos de alguma vegetação e, em primeiro plano, o que resta do tronco de um qualquer pequeno arbusto, partido pelo meio.
Santana Lopes, preocupado com o interior, pousa para a fotografia, segurando, ele próprio, um pau. Um cajado de pastor? É provável. De pastor será, eventualmente, também a manta de lã, que Santana Lopes segura, com a mão esquerda, equilibrando-a sobre o ombro. Manta irrepreensível, ela também. Às riscas, em tons de beije e castanho. Irrepreensível mesmo, como se tivesse acabado de sair da loja, directamente para o ombro de Santana Lopes.
A expressão … será de preocupação, como diz a legenda?... Será? Santana Lopes olha de lado e para cima, para fora de campo. A boca deixa descair os cantos dos lábios, desenhando-lhe uma expressão difícil de classificar, mas que foge a todos os parâmetros conhecidos, quando se fala em expressões de preocupação. Não diria que se trata de um sorriso, que ficou a meio… É talvez uma outra qualquer coisa, quase tão enigmática como a própria Gioconda! Ou talvez seja a expressão de quem está a ouvir, atentamente, para depois tomar as decisões, de que o título maior da notícia fala: “Santana no terreno a ouvir para preparar decisões.”
Seja como for, e à primeira leitura, há ali qualquer coisa que está a mais… Ou é o fato de bom corte, ou manta de pastor.
E esse é justamente o problema das leituras apressadas!
Senão vejamos: Santana Lopes de bordão e manta de pastor… preocupado com o interior, diz a legenda. Nem mais! A manta, porque, no interior, à noite e ainda mais agora, arrefece muito. E o cajado, por razões óbvias… no estado em que as coisas estão, alguém terá de pôr um pauzinho na engrenagem! Enfim, um cajado de pastor pode ser um pouco exagerado, mas …. Sempre é melhor que a hipótese de considerar que, no estado em que as coisas estão, isto só se resolve à paulada!
Claro que nenhum político, em seu perfeito juízo e além do mais em democracia, poderia defender uma solução dessas. Muito menos com gente a ver.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Vem praticamente em todos os jornais desta manhã…
Peguemos então e por exemplo no título do Público…
“Deputados socialistas querem qualidade da água explicada nas facturas.”

Temos então, que, segundo a notícia, o grupo parlamentar socialista quer tornar obrigatória a inclusão das análises realizadas, ou em falta, à qualidade da água e respectivos resultados, na factura.

Claro como a água, que a intenção é certamente das melhores. Só que, chegará a boa intenção?
A ver. O resultado das análises deve vir em linguagem – chamemos-lhe assim –técnica… percentagens de elementos químicos, alguns de nome quase impronunciável… outros nem por isso, mas de cuja virtude, ou prejuízo, o mais comum dos consumidores estará, provavelmente, pouco, ou mesmo nada informado…
Poderia sempre resumir-se a informação a um simples veredicto final e dizer assim: água própria para consumo… água imprópria para consumo. Que no fundo é disso que se trata. É isso que importa. Pelo menos ao cidadão comum… Saber se a água está ou não em condições de ser consumida… Só que aqui, destapa-se outra dúvida… poderá pôr-se a hipótese da companhia fornecedora das águas públicas distribuir água imprópria para consumo?! E neste cenário pouco lisonjeiro… confessá-lo ao público: esta água está imprópria para consumo, mas é o que há… sirvam-se e seja o que deus quiser…
E quanto às análises? É ou não suposto serem feitas? E, se é suposto serem feitas, porque é que se põe a hipótese de alguém faltar a essa obrigação? Diz aqui: “inclusão das análises realizadas, ou em falta…”
Ou não há obrigação nenhuma e o controle de qualidade fica ao critério de cada um. De cada autarquia, junta de freguesia, ou o que seja?...
E fixemo-nos ainda neste outro cenário. A factura está conforme e com todos os valores apurados da qualidade da água em questão… Só que esses resultados indicam que a água não tem qualidade… e então? Distribui-se na mesma?!...

Há na Dinamarca uma espécie de provérbio curioso, de que não conheço tradução em português, mas que se pode colar a este caso…
Diz assim: que é que queres que eu faça com essa informação?

E do Público para o Diário de Notícias…
Ora vamos lá que esta ouvi eu e não foi isso o que ele disse.
Cavaco Silva…perguntaram-lhe o que achava da ideia de Gilberto Madaíl de realizar um mundial de futebol ibérico, em 2018…Respondeu o presidente, que eu ouvi, "tanto quanto consigo prever, Portugal terá outras prioridades…”
Ora, o Diário de Notícias dispara o título, em pontapé do meio da área: “Cavaco trava Mundial de 2018 em Portugal.”
Pois não terá sido bem assim. Nem a questão das prioridades, invocada por Cavaco, fecha a porta à realização do campeonato. Nem – que se saiba – a península Ibérica se confina ao território português. Daí, dizer-se que Cavaco trava Mundial em Portugal… ser – digamos – um pouco redutor.
Curiosamente, já o Correio da manhã – jornal que – desculpem mas é verdade – jornal que tem a fama de ser um pouco mais sensacionalista – é bem mais moderado e – se quisermos – rigoroso até – na notícia e no respectivo título: “Cavaco chuta para canto Mundial 2018”. Ora aí está! Em bom futebulês… isso foi o que realmente aconteceu.

E fiquemo-nos um pouco mais pelo Correio…
A Quaresma é tempo para combater o mal.
Disse o papa, Bento 16, ontem aos fiéis da praça de S. Pedro, antes mesmo da oração do Angelus.
Perguntou o papa o que significa a Quaresma e depois respondeu que significa iniciar um tempo de particular empenho no combate espiritual que nos opõe ao Mal, que está presente no mundo. Em cada um de nós e à nossa volta…
Ora aí está uma missão louvável, mas que receio ser bem mais consequente se for assumida no dia a dia de cada um… e não só na Quaresma, nem que seja com particular empenho…E depois, diz ainda o papa, que esse combate implica… citemos: “encarar o mal de frente e dispor-se a lutar contra os seus efeitos, sobretudo contra Satanás”.
Sobretudo contra Satanás!
Talvez fosse interessante especificar um bocadinho melhor esta coisa de Satanás!... Será ele o pior que há dentro de nós. E será isso que devemos combater? Nem que seja só na Quaresma, com particular empenho… Ou estamos em crer que a figura de que se fala é mesmo como a pintam, chifruda e de pés fendidos como os bodes, hálito sulfúrico e um feitio danado?...
Com estas coisas convém ser mesmo muito rigoroso. Porque, apesar do que diz o papa, a verdade é que o diabo existe mesmo e anda à solta, o filho da puta.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

altas e galeadas

A história sobe do Algarve e ao que parece nem traz grande pressa. É que, diz a notícia, há já 6 anos que esta médica, do Centro de Saúde de Aljezur, está de baixa e ora aparece, ora não aparece, portanto, ao serviço. Há 6 anos… o "Jornal de Notícias" diz que há mais de 6 anos, de baixa quase contínua, desde 2001. Os doentes queixam-se de que não conseguem marcar consulta, por causa das faltas da médica. O presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve garante que todas as baixas médicas apresentadas, o foram sempre de acordo com os pareceres da junta médica da ADSE – Assistência na Doença aos Servidores do Estado - e conforme a legislação em vigor… isto diz o presidente da ARS do Algarve. E então não deveria ser assim mesmo?! O presidente da ARS põe a hipótese de poder ser de outra maneira?! E os doentes do Centro de Saúde de Aljezur, será que eles se importam realmente, se as baixas da médica são legais ou fraudulentas?! Será mesmo esse o primeiro problema, a principal ou mais urgente preocupação dos utentes, neste momento e perante os factos?!...
A Administração Regional de Saúde do Algarve diz que já abriu um processo de averiguações ao Centro de Saúde de Aljezur. Isto na sequência e consequência das queixas dos utentes. Ora aí está! A culpa afinal é dos utentes. Se se tivessem queixado mais cedo, se tivessem mesmo querido que a situação se resolvesse, não tinham esperado 6 anos! Agora, olha, é só esperar mais um pouco, enquanto o inquérito se faz. Pouco! Que, felizmente, em Portugal estas coisas costumam correr benzinho e sem grandes embargos.

Há gente muito expedita! Verdade seja dita e vamos a factos.
A história ter-se-á passado em Aruba, território holandês, nas Caraíbas. Foi aí que, em Dezembro de 2005, desapareceu a jovem Natallee Holloway. Tinha 18 anos e tinha vindo de Birmingan, com amigos. Eram cem, ao todo, celebrando a formatura académica.
Pois este domingo, 7 milhões de telespectadores holandeses ouviu a confissão de outro jovem, um holandês, que reconheceu ter sido ele, quem lançou o corpo da jovem ao mar; depois de ela, alegadamente, se ter sentido mal. Começou a tremer e de repente parou de reagir… Então, ele lançou-a ao mar e não disse nada a ninguém. O caso acabou arquivado e sem solução, em Dezembro do ano passado.
Agora a RTL4, televisão holandesa, instalou 3 câmaras escondidas num carro e com a ajuda de um amigo deste jovem e em cumplicidade com o programa– o programa dedica-se à abordagem de crimes, já se percebeu… - conseguiu-se então, que ele confessasse o que realmente aconteceu.
Não o torna forçosamente um assassino, mas seria matéria e razão para reabrir o processo, se não fosse…
É que, o Ministério Público holandês diz que não pode agir, já que a confissão não tem peso suficiente. E por uma razão simples: foi conseguida através de câmaras ocultas.
Portanto, uma confissão feita inadvertidamente, quando o suspeito está sem guardas, a falar, julga ele que, à vontade e entre amigos… não conta!
São certamente melhores, as que se conseguem enfiando a cabeça do suspeito numa bacia de água, até ele começar a espernear e a ficar roxo. Claro, que é prática também condenável e condenada! O que não quer dizer grande coisa, nos dias que correm.


E lá na Holanda ainda, um outro jornalista resolveu pôr o aeroporto de Amsterdão à prova e colocou uma bomba falsa num avião.
A história há-de passar também na televisão. O programa chama-se “Undercover” e vai para o ar domingo que vem.
O jornalista infiltrou-se durante 3 meses no aeroporto com identificação falsa. Isso permitiu-lhe não só colocar a bomba falsa no avião, como ainda, segundo a notícia, passar grandes quantidades de droga (não se diz se falsa, também) por uma alfândega, sem problemas.
O ministro holandês da Justiça já ordenou, entretanto, uma investigação à segurança do aeroporto de Amsterdão, um dos maiores e mais importantes da Europa.
O partido holandês ecologista já pediu um debate parlamentar de urgência sobre o assunto. Os restantes partidos estão a pensar se subscrevem a intenção…
E depois, a verdade é que…
Ninguém duvida da utilidade da informação. Passada a quem de direito, poderia servir para que as tais investigações se fizessem, tranquilamente e a bem da segurança dos cidadãos… Para isso, não seria necessário torná-la assim pública e em sinal aberto… Para isso não havia necessidade de, eventualmente, assustar as pessoas, com o fantasma da insegurança… Para isso não seria necessário divulgar a informação para o mundo… para que todo o mundo – incluindo os eventuais terroristas, bombistas, narcotraficantes e bandidos em geral – ficassem a saber que o aeroporto de Amsterdão, um dos maiores e mais importantes da Europa, deixa que se lhe ponham bombas nos aviões, à revelia de todas as seguranças. E que, quanto à droga, as alfândegas também não são problema de maior. Pelo menos enquanto as investigações não chegarem a nenhuma conclusão. E estas coisas demoram sempre o seu tempo. Por maior que seja o alarme.
Naturalmente também que, quando Amsterdão der o caso por resolvido, já este enérgico e expedito jornalista andará a infiltrar-se por outra qualquer porta falsa da segurança, ou do que for.
Em nome do interesse público… em nome do interesse do público… essa é outra que nunca haveremos de saber.

E depois há esta outra. “Encapuzados assaltaram loja à marretada e a tiro.”
Foi em Castelo de Paiva, o que para o caso, pouco conta… onde a atenção tropeça é neste pormenor curioso. Estiveram 15 minutos a arrombar a porta da loja com uma marreta. O alarme disparou, mas eles continuaram como se nada fosse…Foi o barulho que alertou a vizinhança e disparou o "oh da Guarda!" Quando a Guarda chegou, já eles se tinham ido embora. Levaram 3 televisões e uma máquina de tirar cerveja. Também aqui, a história é curiosa... Três televisões e uma máquina de tirar cerveja, mesmo tendo em conta que eram 3, os assaltantes, é coisa trabalhosa de transportar, pouco discreta… Mas o que mais surpreende é a calma, a aparente tranquilidade com que actuaram! Estiveram 15 minutos à marretada a uma porta de chapa metálica. Já calcularam o barulho que isso deve fazer? Já imaginaram maneira mais discreta de assaltar uma loja a meio da noite?!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

NINGUÉM PÁRA A REVOLUÇÃO DA MÚSICA IDIOTA DE INTERVENÇÃO! NEM À FORÇA DE PORRADA!

investiga cão!

Não há dinheiro!
Dito assim, soa de uma vulgaridade confrangedora, mas é um facto. E as Universidades, é disso que se queixam. O governo também, a seu modo, e por isso quer rever as contas no Ensino Superior, como forma de viabilizar – segundo o executivo – o futuro das Universidades.
O Conselho de Reitores denuncia o que chama de interferência excessiva, na vida das instituições.
Mas vamos a contas!
O ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior já pediu que fossem tomadas medidas de excepção, para fazer frente a uma situação que se quer – ela também – excepcional.
Para já, pediu-se às 4 universidades em situação económica mais difícil, que tomassem medidas. Medidas, que podem implicar a extinção de cursos com poucos alunos - e há cursos, mais de 200, com 20 alunos inscritos. Outros nem isso, só um!... Cortes na despesa com pessoal, é outra das medidas propostas… ou , para alguns, impostas!
É o caso da Universidade de Évora, onde o reitor já deu conta de que, o "saneamento financeiro" em curso, vai levar à redução do corpo docente, nos próximos 3 anos. Seja pela não renovação dos contractos, seja por incentivos à mobilidade especial voluntária (bom, aqui, apesar de tudo, até nem se poderão queixar assim tanto; que há gente, para quem o voluntariado é questão que não se põe, quando se fala de mobilidade especial…)
Mas, saltemos do "Público", de onde resgato esta informação, para o "Diário de Notícias", que puxa para a tituleira: "Governo abre guerra às licenças sabáticas nas universidades."
Também aqui é citado o presidente do Conselho de Reitores e a denúncia de interferência excessiva do governo, na autonomia da gestão.
Em causa estão os tais contractos de saneamento financeiro. As Universidades, que assinarem o contracto, ficam sujeitas a alguns requisitos. A saber: cancelar os concursos para admissão de docentes, a não renovação dos contractos a outros professores, ou o aumento de propinas… Para além disso, o contracto prevê... impõe a restrição às licenças sabáticas.
E isto indignou também, e por exemplo, um ex presidente do CRUP( Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas) . Diz então, e no caso, Adriano Pimpão que, uma coisa é não se substituir por professores novos, os que estão de licença sabática, mas antes fazê-los substituir por professores dos quadros, outra é limitar as licenças, que fazem parte das exigências académicas de investigação. Diz ainda que , querer limitar as sabáticas é contraditório com a exigência de renovação e actualização do corpo docente das universidades.
Ora, a exigência de renovação e actualização dos profissionais de qualquer ofício é sempre coisa de saudar. Pela qualidade é que vamos, ele há quem diga. E por isso mesmo, muita gente investe tempo e dinheiro nessa louvável tarefa. A lei portuguesa prevê, entretanto, esse privilégio de, nalguns casos, essa actualização poder ser feita sem prejuízo do próprio salário, ou do posto de trabalho. É bom! Em nome da investigação, obviamente! Chama-se licença sabática e não tem portanto nada a ver com licença sem vencimento, que, para todos os efeitos úteis e alegados, iria dar ao mesmo – tempo livre para investigar e fazer o País andar para a frente...
Ia dar ao mesmo, mas não tinha a mesma graça. Nem graça nem jeito. Uma coisa quase romântica . Um perfeito absurdo, portanto!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

respeito, pá!

A publicidade enganosa e as vendas agressivas…
Diz o Correio da Manhã, que o Governo se prepara para castigar as vendas agressivas. Telefonemas abusivos, utilização de crianças para vender produtos e falsas promoções…
A prática atravessa todos os sectores da Economia. Desde o próprio sistema financeiro , à pequena venda a retalho e ao florescente mercado dos serviços de telecomunicações.
O decreto lei já foi aprovado e é para cumprir, já a partir do mês que vem.
As reclamações… hão-de ser conforme. Se o consumidor se sentir enganado no sector dos Serviços, ou na compra de algum produto , pode anular o contracto.
Se a questão é com a publicidade… a queixa deve seguir para a Direcção Geral do Consumidor. Se o prejuízo se verificar numa loja, num estabelecimento comercial... aí é território da ASAE.
Já quanto à banca, seguros e mercado de capitais… aí as queixas seguem directamente para o Banco de Portugal.

Ora bem, as telecomunicações… fiquemos agora por aqui, só um bocadinho.
Diz o "Público" que, um técnico de electrónica acaba de ser condenado pelo tribunal de Vila Nova de Gaia , a pagar 2500 euros de multa, por troca dos 6 meses de prisão da sentença e ainda mais 19.705 euros (contas são contas) de indemnização à TV Cabo, agora rebaptizada Zon TV Cabo.
O delito deste técnico de 46 anos foi o de vender equipamento que permitia aceder aos canais codificados.
A TV Cabo começou por pedir 43 mil euros por prejuízos patrimoniais e prejuízos à imagem da própria operadora…
O Juiz de Gaia diz que "o ilícito em causa, pela frequência inquietante que assume, gera na comunidade um forte sentimento demandando uma solene punição, a fim de ser recuperada a confiança e validade da norma violada".
A TV Cabo , nos últimos 2 anos, apresentou 250 queixas crime, contra cidadãos que tinham em casa, equipamentos ilegais de descodificação de canais.
Diz a notícia, que esta foi a primeira vez que um caso destes chegou a tribunal e foi julgado e sentenciado.
Foi, para todos os efeitos, feita justiça. Ainda bem.
A questão que fica em aberto é outra…
É a de saber até quando a TV Cabo pode alterar grelhas e redistribuir canais, tirar uns e substituí-los por outros, codificar uns, abrir o sinal a outros…quando lhe apraz e como lhe apraz!... Notificando, óbvia e gentilmente, se bem que à posteriori e sem apelo nem recurso, os clientes telespectadores. E isso acontece a toda a gente, que seja cliente desse serviço. Toda a gente sabe do que estamos a falar. Já toda a gente deve ter reparado que desapareceram canais e outros lhe tomaram o lugar, na grelha da TV Cabo. Assim mesmo, de um dia para o outro, com aviso mais ou menos prévio, mas só isso.O aviso.
Ora a questão, neste caso, é simples de enunciar.
Se compramos um pacote de serviços à TV Cabo e nesse pacote, que escolhemos, vem uma lista muito clara e discriminada de canais, é porque eventualmente eram esses, os que nos interessavam e não outros! Com que direito então é que, a TV Cabo entra em casa de cada um e muda, a seu gosto e conveniência, o conteúdo do que que o cliente comprou e contratou?! Ou, pondo a questão de outra forma, é como se entrássemos na loja, comprássemos um frigorífico e depois, dias mais tarde, alguém nos entrasse pela casa e dissesse , "pois agora , o que o senhor precisa é de um micro ondas! Ora, dê cá o frigorifico e pegue lá o micro ondas, que a gente é que sabe o que é melhor para si. A gente é que sabe do que é que você gosta! A gente é que sabe... Enfim, a gente é que sabe."

respeito, pá! #2

Diz assim, o “Correio da Manhã” “ Polícias em greve de fome contra cadeia.”
Oh diabo!, a coisa está feia! É logo a reacção do leitor. Os polícias em greve de fome, contra o quê, da cadeia?... A cadeia, fica-se a saber mal se entra pela notícia, é a EPS – o Estabelecimento Prisional de Santarém.
E, entrando então pela notícia dentro, ficamos a saber que, provavelmente, para além dos tais polícias, de que fala o título, há ainda mais dois reclusos, dos 26 actualmente detidos em Santarém, que entraram também em greve de fome, à meia noite desta segunda feira.
Diz ainda a notícia, que, no caso destes dois reclusos, o protesto se prende com o anunciado encerramento da cadeia e a posterior transferência dos reclusos para Évora. Para a cadeia de Évora.
E os polícias? Foi também por causa disso que entraram em greve de fome? O texto do “Correio da Manhã” parece que diz: espera aí, que já lá vamos! E continua…
“Tal como o Correio da Manhã noticiou anteontem (sábado, portanto) os Serviços Prisionais pretendem transferir os 26 reclusos, entre quinta-feira e sábado para a remodelada prisão de Évora. “
E é por isso que os guardas se manifestam…
Espera! Diz, sem dizer, o jornalista do Correio e continua…
“Os advogados dos detidos já apresentaram uma providência cautelar no tribunal administrativo de Leiria, visando impedir a transferência.”
Protesto subscrito pelos guardas do EP de Santarém… provavelmente….
E ele a dar-lhe! Adiante.
(repararam que aqui , o jornal já nem me responde!) Adiante então.
Diz que, enquanto os juízes não decidem, dois reclusos – segundo apurou o “Correio da Manhã” – “entraram em greve de fome, ás zero horas desta segunda feira.” O Correio apurou também que se tratam de condenados a penas de 17 e 23 anos, que alegam que a cadeia de Évora não tem condições para o cumprimento das penas a que foram condenados.
Então e os policias em greve de fome de que se fala no título? Pergunta o leitor, já a começar a impacientar-se um bocadinho. Não muito. Só um bocadinho.
Pois a verdade é que a noticia acaba aqui.
O CM apurou que se trata de condenados que alegam que Évora não tem condições para o cumprimento das penas a que foram condenados.
E ponto final, tracinho e as iniciais do jornalista que redigiu a notícia.
E os polícias em greve de fome?!
Agora é a vez do jornal se impacientar… Ouve lá! E se tu, mas é, te calasses com a história dos policias em greve de fome!? De ideias fixas, o diabo do homem. Que ferro, irra!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

deixai vir a mim, as criancinhas! e os escuteiros, também. vá lá...

Arranca oficialmente este mês – diz o “Correio da Manhã” – o programa “Media Smart”.
O “Media Smart” propõe-se explicar, aos alunos do 1º e 2º ciclos, as técnicas usadas na publicidade.
A ideia junta a “Associação Portuguesa de Anunciantes” e o “Ministério da Educação”. Tem na mira as crianças entre os 6 e os 11 anos. Já a 20 de Fevereiro, nas escolas que aderirem ao projecto, assistir-se-á à primeira aula, onde será explicada a arte da publicidade. A arte e as manhas… Antes disso, a 13 de Fevereiro, no Porto, no Colégio Luso Internacional apresentam-se os estudos que já foram feitos por professores em testes piloto.
O programa divide-se em 3 módulos: Introdução à Publicidade, Publicidade dirigida às crianças e Publicidade não comercial…

E aqui a história chega a uma interessante bifurcação… Chega, só porque me dá jeito, convenhamos… E dá jeito para seguir por esta outra notícia, que tem a ver com curricula escolares… nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, as crianças da escola vão ter aulas de manuseamento de armas de fogo.
O estado da Virgínia Ocidental está a apreciar o projecto de lei, que se propõe treinar os alunos das escolas estaduais.
A noticia em si poderia soar preocupante. Tanto pelo facto de imaginar crianças da escola a treinar com armas de fogo, como se o país estivesse em guerra civil, ou à beira de uma invasão de marcianos, como pelo facto de isso poder indiciar a necessidade das crianças aprenderem de facto a manusear essas armas. Como quem diz, que o mundo se tornou um lugar tão selvagem, que há que andar preparado, desde os bancos da escola, desde o berço. Numa mão a chucha, na outra a bazuca!
Mas não. A notícia conclui e esclarece que, a medida tem a ver com outra guerra. Diz o “Jornal de Notícias”, que a medida visa travar a queda da emissão de licenças de caça, uma das mais importantes fontes de receita da Virgínia Ocidental!
Ficamos todos mais descansados. Afinal o mundo não é assim um lugar tão perigoso para se viver. Na Virgínia Ocidental, pelo menos não é esse o susto. O problema na Virgínia é a falta de consumidores… É a Economia, estúpido!

Agora voltemos atrás para seguir pela outra história/estrada de ainda há pouco…

E é que nem por estúpidos, nem por parvos!
Os escuteiros portugueses estão indignados e ameaçam levar o caso a tribunal.
Vem em todos os jornais… O “Corpo Nacional de Escutas” está indignado com a campanha de uma certa cadeia de armazéns, por alegadamente se sentir insultado. Querem que a empresa retire o anúncio, onde aparece um grupo de cidadãos de uma terra imaginária, a Parvónia, que desce à cidade para visitar o tal armazém. São os parvos, os habitantes da Parvónia. Desta excursão fazem parte, o suposto presidente da Parvónia, um militar, supostamente de alta patente e fardado, uma jovem vestida de “Miss”, vencedora de um qualquer concurso de beleza e… um escuteiro! Na campanha, parece que o escuteiro é retratado como o mais parvo dos quatro. É pelo menos essa a leitura que faz o "Corpo Nacional de Escutas", que quer levar a empresa a tribunal, por sentir que estamos perante um insulto aos perto de 80 mil escuteiros que existem em Portugal. A empresa diz que é uma brincadeira e que em todos os países, onde a campanha passa, a ideia é a mesma e ainda não causou polémica. E que não há, nem nunca houve a intenção de ofender directamente ninguém; nenhuma corporação, entidade, ou classe social, o que seja...
Mas,seja como for, na Internet, já corre uma petição, para que a campanha seja retirada das televisões, outdoors... Um dirigente escuteiro disse ao “Diário de Noticias” que não havia necessidade de usar a figura de um escuteiro fardado. Podia ter-se escolhido um jovem qualquer, que fizesse a mesma cara de parvo para a câmara, sem precisar de estar fardado e muito menos de escuteiro.
Espera-se agora a indignação das concorrentes a “Miss”, dos generais e militares em geral e todos os presidentes em exercício, ou candidatos a qualquer carreira politica. Já que são estas, as 3 restantes personagens retratadas na campanha!...
Claro que, depois do curso de que vos falava no início, se não nos tornarmos mais preparados para responder às armadilhas da publicidade, esperemos que se nos desperte algum sentido de humor, ou pelo menos que se aprenda a “desimportantizar” certas – alegadas – ofensas e atentados ao bom nome, ou a qualquer outra coisa que nos faça falta.

duas à margem:

primeiro, a chapelada a Alexandre O?Neill, p'lo neologismo e p'lo conceito. è mesmo preciso "desimportantizar" muita merda nas nossas vidas...

segundo ( e não resisto a) contar uma anedota/adivinha...

Sabem o que é um grupo de escuteiros? Como se define, reconhece?

é um grupo de putos, vestidos com uma farpela ridícula, comandados por um gajo ridículo, vestido com uma farpela de puto.

contaram-ma há muito tempo e já na altura lhe achei graça...


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

oh Wagner, pá! Vai tocar minuetes p'rà tua rua!

Assim mesmo, presto con fuoco! António Wagner Diniz, director da Escola de Música do Conservatório Nacional, diz que o que interessa à ministra da Educação é ter um milhão e setecentos mil jovens a cantar "Eu vi um Sapo", em vez de dezassete mil com formação de qualidade.
Ora tudo isto vem a propósito da recente decisão do Governo de "democratizar" – e as aspas vêm no texto do “24 Horas” – "democratizar", portanto, o ensino da música, tirando-a do Conservatório e levando-a para as escolas do ensino básico.
Ora bom, ponto primeiro: parte-se do princípio de que, futuramente, serão cantigas como a do sapo, que vão constar do reportório das aulas de iniciação musical nas escolas primárias. Essa e outras como essa. Excluindo a hipótese de que algum professor tente chamar a música por outras portas e travessas…
Adiante.
Depois, continua a notícia…adagio maestoso, que o Estado deixará de apoiar o ensino vocacionado e a formação individual, acabando com o ensino supletivo, que o mesmo é dizer, acabando com a possibilidade do aluno, que esteja a estudar numa escola regular, poder ter "apenas" aulas de música no Conservatório.
Ponto segundo: este “apenas”! Ter aulas “apenas” no Conservatório… Ter, seja o que for, apenas num sítio, à primeira, parece uma situação um pouco apertada nas mangas, mas enfim, também é a primeira vez que vejo aspas em democracia, como quem isola qualquer coisa da peste, ou do pouco próprio! …
Presto agitato, Wagner Diniz continua que, se a proposta do governo for avante, quem quiser ter aulas de qualidade terá de ir para o privado, vendo a despesa subir consideravelmente.
Ponto terceiro… muito breve este: elogio em causa própria é coisa que também deixa algumas dúvidas. Que é o que está a fazer o director da escola de música do conservatório. “Quem quiser ensino de qualidade”… pressupõe-se que não é na escola primária que o vai ter. Ou no Conservatório, ou numa outra qualquer escola especializada.
Diz a notícia que pais e alunos – da escola de música do conservatório, entenda-se - estão contra esta medida anunciada pelo Governo.
Ponto quarto: adagio affettuoso… nada leva a crer que, quem tem os filhos a estudar no Conservatório, seja obrigado a cancelar as matrículas e ir aprender música para a escola primária
lá do bairro…
Mas a questão, continua Wagner Diniz, allegro vivace, é que assim , os dezassete mil alunos que actualmente frequentam os seis conservatórios que existem em Portugal, podem passar drasticamente para os mil e quinhentos! Isso pode eventualmente acontecer mas aqui, as notas em causa, têm obviamente a ver com outra música…
Mas voltemos ao sapo de que se falava ao princípio e citemos o professor Wagner Diniz: ”A ministra prefere ter um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional, a cantar o "Eu vi um sapo" do que dezassete mil com formação de qualidade”…
Ponto 5, moderato con amore: como é que o professor consegue sentar, ou mesmo em pé, pôr um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional!?...
Ponto 6, andante scherzando: com uma orquestração a preceito, quem me garante que este sapo não saltaria do charco, a que a grande música o condena, para – adagio maestoso – conquistar um lugar ao sol da Grande Música Clássica?!... Enfim, um clássico já ele é, à sua maneira, claro.
De resto… moderato cantabile, por mais que se queira e sonhe e se deseje um país de virtuosos, a verdade é que – alegro vivace – se o sapo da cantiga conseguir cativar um milhão e setecentas mil crianças para a Música – que ela é grande sempre, não se aflija Wagner Diniz– soa, assim à primeira, uma ideia interessante. Se os não conseguirmos enfiar todos juntos no Estádio Nacional, paciência. É pena, mas paciência. E é pena, porque haveria de ser coisa majestosa. Wagneriana, quase.

p.s.

devo confessar, já que estamos aqui só nós e estamos entre amigos, que me deu um prazer muito particular, ler esta crónica, esta manhã, na Antena 2, da RDP...


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

pola lei e pola grei e viva o rei .

A Câmara Municipal de Lisboa vai criar uma comissão de "boas práticas", para prevenir a corrupção.
É assim que abre a notícia do “Público” desta manhã. Depois continua que, as relações dos técnicos municipais com gabinetes de projectos e promotores são uma situação preocupante.
A Câmara vai hoje discutir a criação da tal “Comissão de Boas Práticas”… A ideia partiu de António Costa, o presidente. A Comissão será composta por 3 personalidades designadas pela Assembleia Municipal e por uma maioria de 2 terços. O mandato há-de demarcar-se do mandato dos restantes órgãos autárquicos, de forma a garantir a isenção e independência. Tal como acontece com outras autoridades reguladoras…
Um mandato que há-de monitorizar as áreas mais expostas ao risco de corrupção, diz o “Público”, o jornal. E as áreas mais expostas são as do urbanismo e a da contratação pública. Casos recentes revelaram ligações pouco recomendáveis entre funcionários da Câmara de Lisboa e entidades e empresas promotoras de projectos sujeitos a aprovação camarária, ou a concurso público. Mais de 30 funcionários foram identificados como tendo, ou tendo tido já ligações profissionais com o sector imobiliário e da construção civil, o que os torna parte interessada. É então preocupante, diz a magistrada do Ministério Público, cuja sindicância aos Serviços de Urbanismo da Câmara de Lisboa, desencadeou o processo que levou à criação desta tal Comissão de Boas Práticas.
Podia ser uma boa notícia, se não fosse ela revelar uma coisa que é tudo menos uma boa notícia.
A saber… Que é preciso criar uma comissão especial e dar-lhe um nome , assim, gentil e cordato, das “boas práticas”, para que se faça o que deve ser feito. Naturalmente e sem alarido.
Diz a notícia, que a Comissão vai criar também – elaborar é o termo – códigos de conduta e códigos de boas práticas e acompanhar a sua aplicação… Códigos de conduta e boas práticas haveria de ser coisa para fazer parte da dieta de qualquer pessoa, juntamente com o leite materno, com o aprender a andar e a desenhar as primeiras letras. Haveria…
Lê-se também – e já o referimos – que há áreas mais expostas ao risco de corrupção. Ou como se dissesse, que há estradas perigosas e que o IP5 é um itinerário assassino, esquecendo que por lá passam centenas de automobilistas e nem todos se despistam, ou provocam acidentes…
Uma “Comissão de Boas Práticas” provoca assim uma alegria e uma surpresa, semelhantes à que nos invade quando entramos, por exemplo, num café, ou restaurante e os empregados são atenciosos, o serviço funciona, a comida recomenda-se e a conta vem sem enganos que prejudiquem o cliente.

Dizia ser João César Monteiro, que tinha desistido de viver numa sociedade sem classes e se ia conformando a viver numa sociedade sem classe! Enfim, é uma forma de ver a coisa.

Vamos ao “DN” – “Diário de Notícias”, mas antes vamos ao ponto prévio.
Ouvi dizer, não garanto, ouvi dizer, que, na publicidade… pelo menos na televisão, a publicidade a coisas que tenham a ver com saúde – desde pastas dos dentes a outras drogas avulsas – só mesmo profissionais do sector é que estão autorizados a dar a cara e a aparecer nos anúncios. Disseram-me que era em nome da fiabilidade da propaganda. Da seriedade da campanha, da dignidade da própria profissão… É por isso que, um médico que apareça na televisão a dar a cara por uma marca ou produto, tem mesmo de ser médico. Não pode ser um actor contratado para o efeito. Enfim, a verdade desta afirmação está para ser comprovada, mas, para o efeito, dispensemos essa confirmação…
Porque, aqui, do que se trata é da tropa. Melhor, das Forças Armadas… Em geral.
E diz o “Diário de Notícias” que a banda do Exército admite cancelar a participação nas cerimónias de homenagem a D. Carlos, a 1 de Fevereiro, quando passarem 100 anos sobre o dia do regicídio.
Parece que a cerimónia em questão é uma iniciativa particular. Não oficial, portanto. E esse é o motivo que levou, ontem, os deputados de todos os partidos, sem excepção, a manifestarem-se contra a presença da banda do Exército, nas tais celebrações.
O assunto foi mesmo falado na Comissão Parlamentar de Defesa, que terá mandatado o respectivo presidente para transmitir esta preocupação ao ministério da tutela. O da Defesa.
Em defesa, portanto, da transparência e do respeito pelas instituições e de todas as éticas, que possam ser invocadas num caso destes…

Saltemos então para a página 5 deste mesmo “Diário de Notícias”.
A meio da página, abre-se a caixinha do anúncio a um modelo de um automóvel que, pelo preço anunciado – diz a legenda – é difícil imaginar. Na fotografia, espreita a um canto a dianteira de um automóvel, que até pode ser o modelo em questão. No passeio, uma placa de estacionamento proibido, ao pé da qual, um polícia de trânsito faz que multa um carro que não está lá. Talvez seja esse o gancho do trocadilho. É difícil imaginar um polícia a multar um carro que não existe! É no mínimo idiota; mas isso ainda é o menos… os publicitários tratarem o público como idiota, já vai sendo costume. O problema é quando o público responde como tal, mas isso, são outras loas, que para o caso não interessam… Adiante. Pode ser que o polícia não o seja de facto. Contrariando a tese, não confirmada e de que vos falava ao principio…. só profissionais de saúde podem fazer anúncios a produtos ou marcas que tenham a ver com saúde… pode ser que o polícia não seja policia. Como também pode ser que o seja…
Em qualquer dos casos, é essa a leitura que se faz e se pretende: um policia, um agente de trânsito, fardado de colete reflector e chapéu de pala e botas de montar ( é verdade que não se vê nenhum distintivo que o identifique como policia a sério, mas, para o que conta e importa… é um policia que aparece num anúncio a um automóvel, na página 5 do “DN” e certamente noutros jornais também…)
Bom, mas se aqui, no caso do anúncio, se pode pôr a hipótese de não ser mesmo um polícia a sério… no caso recente, de uma certa parada espectacular que desceu a avenida da Liberdade, o caso é diferente.
A parada em causa juntou os artistas todos da estação – um canal privado de televisão, se ainda não tinha dito… Artistas de variedades, apresentadores variados, e convidados ilustres, desde tigres em jaulas a vistosas caravanas representando os patrocinadores habituais do tal canal.
E no meio do desfile, quem desce a avenida, garbosa e tonitruante?... A charanga da Guarda! A fanfarra da Guarda Nacional Republicana a cavalo! …

Ora bem, que terá esta televisão privada, que o rei D. Carlos não tem? Tirando os patrocínios…
Ou, pondo a questão de outra forma… Andamos, portanto, a brincar com a tropa!?...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

não sei como é que a música que despejei para aqui foi parar ali ao lado e não onde costuma ficar... estas merdas das modernices que a gajada que gere esta porcaria anda sempre a inventar é um desatino e ainda mais para pessoas normais, como eu, que não dominam a tecnologia avançada deste meio maravilhoso e espectacular. depois, aproveito ainda para explicar que a música "mulher horrível" é justamente uma homenagem às mulheres horríveis, que as há e às que cabem completamente no perfil traçado, que também as deve haver e que, em qualquer dos casos, nunca ninguém se lembra de cantar. fica portanto aqui a justa homenagem em forma de canção desesperada.

gaaaaaaaaaaajas! básicamente.

Diz assim, o Diário de Noticias, em breve e já de saída: “Salão Erótico do Porto arranca a 7 de Fevereiro.”
A Eros-Porto 2008, feira do sexo, vai contemplar o público com áreas para todas as tendências. É o primeiro salão erótico do norte do País, continua o texto da notícia, vai ser no pavilhão multiusos de Gondomar e esperam-se mais de 30 mil visitantes ao longo dos 4 dias da exposição.
Falamos então de um Salão Erótico. Era isso que se anunciava no título, se bem se lembram. Então passemos ao segundo parágrafo, onde se lê que a grande adesão por parte de empresários ligados à pornografia foi o que motivou a passagem do certame para o multiusos de Gondomar, preterindo assim a hipótese do edifício da Alfândega do Porto. Então, mas é um salão erótico, ou um salão pornográfico?!
E segue… que no recinto vai estar um sexómetro – seja lá isso o que for – e uma actriz que se propõe bater um record, com uma pequena habilidade, que inclui uma corda de 9 metros toda enfeitada com bandeirinhas…
Diz ainda a notícia, que um realizador português, Sá Leão, ligado à indústria hard core, terá desafiado a ministra da Cultura a visitar o evento. Garante mesmo que a vai esperar à porta, se a ministra aceitar o convite.
Ora bem, é escusado duvidar, que o certame está condenado a um certo sucesso. Embasbacado que seja, um certo sucesso. A dúvida põe-se quando se pergunta, do que é se está afinal a falar? De um salão erótico? Então, que andam lá a fazer, por exemplo, os industriais da pornografia?! Descobriu-se que são ambas, uma e a mesma coisa?!

Ora bom, fixemo-nos ainda e um pouco mais à volta do assunto…
É que, o mais recente filme de António Pedro Vasconcelos é – ele também – um pouco confuso nalguns propósitos…
Mas antes disso, deixo-vos só com uma pequena pérola de redacção… vem no DN, a propósito de “Call Girl”, o tal filme de que vos falo. Diz assim: “o filme “Call Girl”, de António Pedro Vasconcelos, com Soraia Chaves no papel do título…”
Com licença! Com Soraia Chaves no papel do título…?! Só por curiosidade, quem é que representa o papel do genérico? E o do intervalo, se é que o filme passa com intervalo?... E quem é que faz de ficha técnica?...
Adiante. Soraia Chaves, portanto. “146 mil já viram fita com Soraia Chaves.” Diz o Diário de Noticias… O Correio da Manhã diz que “Soraia leva milhares ao cinema.”
A poucos dias de completar um mês de exibição, o filme anda perto dos 173 mil espectadores (repararam que aqui os números já não batem certo? – 146 mil, contas do DN; 173 mil pelas contas do Correio?» Mas não é só isto que não bate certo.
Soraia leva milhares ao cinema. O realizador não se espanta. Diz que sempre acreditou na inteligência do público, que, quando é respeitado, corresponde ás expectativas. Quanto à jovem Soraia, Vasconcelos não tem dúvidas de que é uma actriz de talento e uma mulher lindíssima, que arrasta multidões.
Ora aí está! Toda a gente sabe que, qualquer pessoa inteligente e desde que não lhe faltem ao respeito, se deixa arrastar – ia a dizer arrebatar – por uma mulher lindíssima. Se ela for boa actriz, então, ainda melhor. Isto no caso de estarmos a falar de qualquer coisa que implique representar, porque senão, baste que se lhe chame “Expo” qualquer coisa… Enfim, nada que implique grandes argumentos e justificações enviesadas.
Claro que há ainda um outro problema. É o público feminino! Para esse, Soraia Chaves terá de ser qualquer coisa mais do que apenas uma mulher lindíssima.
Enfim, não será rigorosamente, nem forçosamente assim, mas esses casos, creio que estão, pelo menos é o que diz o programa … estarão melhor representados no tal Salão, que abre em Gondomar lá para Fevereiro.
Ou, a menos ainda que, as costas peludas do Nicolau Bryner, ou as cuecas do Ivo Canelas sejam motivo suficiente, para levar uma mulher ao cinema! Mas disso não fala a notícia…

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

salazar e os azulejos

Verdade seja dita, que a sentença pode ter duas leituras, como quase tudo na vida, por isso, não será por aí que havemos de ir, nem já…
Antes vamos aos factos: foi vandalizado o jazigo de Salazar no Vimieiro. De manhã, ainda se via lá a pedra, que partiu o azulejo com a fotografia do ex governante. O sobrinho de Salazar já fez queixa ao Ministério Público. Dizem gentes da terra, que já não é a primeira vez. O Diário de Notícias cita um morador de Santa Comba, que diz que já o ano passado – passemos ao discurso directo: “vieram aí uns malandros que partiram várias coisas no cemitério”. Desta vez, foi a cara de Oliveira Salazar, pintada em cerâmica, numa pequena moldura, colada a meio da lápide que encerra o jazigo. "Gente ruim que nem os mortos respeita…” é o que se diz em Santa Comba.
E com toda a razão.
Mas atentemos um pouco mais de perto na fotografia que o DN traz a ilustrar a notícia. A do jazigo em causa. Encimando a lápide de mármore negro que ostenta a ultrajada fotografia, uma outra pedra, branca esta, faz ressaltar o negro da sentença. E reza assim, o encómio:
O HOMEM MAIS PODEROSO DE PORTUGAL
DO SÉCULO 20 E MODESTO SEM IGUAL
NASCEU HUMILDE E HUMILDE CRESCEU
VIVEU HUMILDE E HUMILDE MORREU

E até aqui, vamos indo… agora, a fechar, lapidar e definitivo o que faltava dizer…

Citemos: "MEDIOCRE É O POVO QUE COM ELE NADA APRENDEU”.

Aqui, o “aprendeu” é para rimar com “cresceu” e “morreu”, na mesma lógica, supõe-se do “igual”, que rima com “Portugal”… mas isso ainda é o menos.
Diz que medíocre é o povo que nada aprendeu com Salazar… Enfim, só esta já é uma sentença de interpretação vária e dúplice leitura, como já tínhamos começado por dizer, quando ainda não vos tinha dito sequer do que é que estava a falar.
É de dupla leitura, mas nenhuma de grande recomendação…
Ou seja, o povo será miserável por não ter aprendido a lição, o espírito, o génio, o que fosse de Oliveira Salazar? Ou, como quem diz: o povo nunca o mereceu, nem soube entender?... Ou miserável será, se não tiver aprendido a estar à altura de futuros e semelhantes cenários? Como aquele em que Salazar governou Portugal… Ou seja, não deixar, pelo menos, que ninguém se deixe ficar por S. Bento, assim tanto tempo seguido, sempre a trabalhar, sempre a governar e a fazer coisas…

A verdade é que, é muito pouco provável que tenha sido o próprio Oliveira Salazar a redigir, ou a deixar escrita a lapidar quintilha, que lhe honra a memória. Alguém o terá feito por ele, o que, se por um lado o inocenta da blague, por outro não limpa o insulto. A verdade é que o jazigo de Salazar há-de ser visitado, de vez em quando que seja, por pessoas, não forçosamente da família mais chegada, mas gente que, por curiosidades várias, históricas, turísticas, por ódios ou afectos o faz, em excursão guiada, ou solitária visita… É normal que assim seja, já que se trata de uma figura de Estado. E não de um Estado qualquer! Do Estado Novo, precisamente! Uma época marcante da nossa História. É natural. E é natural que se sintam indignadas, por razões várias, com a profanação, o vandalismo de que a sepultura foi alvo e tem sido, ao que parece, pontualmente, ao longo dos anos… Indignadas, ainda mais numa sociedade, cujo culto dos mortos é matéria sensível e a merecer toda a circunspecção… e que não fosse!
E os que falam português?! Como se sentirão ao ler essa afirmação peremptória?! “Miserável é o povo que com ele nada aprendeu”?!!...
Nunca o próprio, em vida, se atreveria a ir tão longe no desencanto e na revolta.
A verdade é que é capaz de haver alguma razão, remota que seja, nisto tudo… Talvez o povo ainda não tenha aprendido tudo o que havia a aprender nalgumas matérias, como por exemplo, que não é à pedrada que se limpa a honra , nem rebate insultos… Mas vamos lá, não será ainda razão que chegue para chamar miserável a uma pessoa! Tanto mais que, tudo leva a crer que esta lapidar afirmação já lá estava, no jazigo, antes mesmo de alguém ter começado a jogar-lhe pedras e a partir coisas.
Enfim, a verdade é esta, é que, miserável ou não, o povo ainda cá está e o senhor já faleceu. Paz à sua alma e já agora também aos azulejos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

se houver marcianos, devem estar a rir-se à brava, a esta hora!

E o Correio da Manhã traz a fotografia e diz que a repescou de um site chinês.
Há vida em Marte?... Era a pergunta. Era! Até aqui. Depois da fotografia que o Correio publica esta quarta feira, a pergunta é outra… Será mesmo um marciano, o que se vê ali meio desfocado, saindo de trás de uma rocha?!... Se for, parece que avança, com o braço direito ligeiramente levantado para a frente e poderia estar a usar uma qualquer espécie de capuz, estilo Grupo de Operações Especiais, ou outra qualquer coisa em que se tem de andar de cabeça tapada.
Uma imagem recolhida pela sonda espacial Spirit e divulgada num site chinês sugere que pode mesmo haver vida em Marte e a figura em causa será então a de um marciano, ou pelo menos a de um alienígena qualquer… - que pela mesma ordem de ideias, se a Terra pôs uma sonda em Marte, outras gentes poderão eventualmente ter feito o mesmo , ou parecido… Quer dizer, porque há-de ser um marciano e não um habitante de outro sítio qualquer?! Como se um outro qualquer observador, de um outro qualquer ponto do Universo, observando Marte e a sonda terráquea que por lá anda, investigando, recolhendo amostras, esgravatando o chão, concluísse que Marte está em obras… Adiante. Da sonda, já agora…
Spirit nem era o nome original.
Começou por se chamar simplesmente M.E.R. – iniciais de Mars Exploration Rovers, ou, em tradução ad hoc: robots de exploração de Marte. Chegou a 3 de Janeiro de 2004. A 24 chegava o outro robot, que faria companhia a este primeiro.
A este segundo chamaram-lhe Opportunity.
Ora bem, acontece que estes baptismos foram ideia da NASA.
Chamar-lhes simplesmente M E R – A, para o primeiro e B, para o segundo, tornava a coisa fria, impessoal, pouco humana. Então lançou-se o concurso.: “Name de Rovers”.
A ideia avançou em parceria com a LEGO, essa mesma, a das pecinhas de encaixar… Disso e das peças usadas na construção de modelos robóticos, também.
Foi a Lego quem se encarregou de organizar a competição literária infantil. À partida, eles, os miúdos concorrentes só sabiam que as sondas tinham nomes técnicos sem grande significado evidente. Uma sigla sem grande assunto… Mas era a partir de aí, que haveria de se chegar ao nome a dar às sondas espaciais.
Venceu uma jovem do Arizona. Sofi Collins é de origem russa, tem 9 anos e acontece que é órfã – o que para o caso só importa, porque ela própria fez questão em o sublinhar, no texto que escreveu.
E o texto diz assim:
Eu morava num orfanato
Escuro frio e solitário
À noite olhava para o céu cintilante e sentia-me melhor
Sonhava que podia voar naquele céu
Na América todos os meus sonhos se podem tornar realidade
Obrigado pelo espírito e pela oportunidade.

Foi então desta última linha, que se retiraram os nomes, que acabaram por baptizar as duas sondas.
Agora, a Spirit poderá ter fotografado um alien em Marte e o Correio da Manhã diz que a revelação está a agitar e a provocar a discussão entre os amantes da ficção científica.
E os outros, os cientistas da realidade? É que os amantes da ficção não precisam deste tipo de evidências para ficcionar à vontade! Já se foi muito mais longe que Marte, neste Universo mirífico… Agora, se a fotografia tiver de causar alguma discussão, ou qualquer coisa parecida com isso, há-de ser entre a comunidade de cientistas, mesmo.
Ou não! Basta que digam que é tudo mentira. Ou mais que isso. Que é tudo verdade e que, apesar de todo o espírito e de todas as oportunidades, continuamos a sonhar com marcianos, a desejá-los quase!
E isso não bastaria para lhes conferir autenticidade?!
Por exemplo: o Penedo da Saudade… ninguém garante que d. Pedro tenha aí morrido de amores por Inês, ou vice-versa… E daí?! … O que manda mais? A verdade histórica, ou o nosso desejo, de que assim tivesse de facto acontecido?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

haja saúde! é o que eu digo. haja saúde!

“As grandes obras públicas, anunciadas pelo Governo, são incompatíveis com o cumprimento do protocolo de Quioto e Portugal ver-se-á obrigado a comprar créditos de poluição para atingir aquele objectivo até 2012. “
É assim que abre a notícia que o Público traz, lá a páginas 15, na edição de hoje.
É uma notícia em forma de denúncia, subscrita por Francisco Ferreira, da Quercus, associação ambientalista portuguesa.
O novo aeroporto, o TGV que há-de vir, a terceira ponte sobre o Tejo, que há-de dar serventia aos dois, comboio e aeroporto, as novas auto-estradas… tudo isso, no parecer da Quercus, vai aumentar os consumos energéticos e, em consequência, aumentar a emissão de poluentes para a atmosfera…
Diz a Quercus, que há já uma derrapagem média de 5 milhões e 800 mil toneladas por ano de CO2, entre 2008 e 2012. É já mais do que o previsto e permitido. É um valor que empurra inevitavelmente para essa solução de recurso, que é a de comprar créditos de poluição a outros países, menos poluidores do ambiente, ou então, financiar o desenvolvimento de projectos associados à redução de emissões noutros países.
E aqui é que a confusão se instala.
Quer portanto dizer que – havendo dinheiro - pode-se poluir sem problema de maior, ou pelo menos sem ferir a letra do acordo, do compromisso, enfim, do protocolo.
Compra-se créditos de poluição a países que os tenham. A países, que por qualquer razão – de inteligência e civilidade, ou simplesmente de subdesenvolvimento e falta de dinheiro - não poluem tanto.
Em alternativa, pode-se limpar o cadastro, investindo em projectos ambientais e de redução de emissões poluentes, noutros países!
Só uma pergunta. Tola, certamente… E porque é que não se investe no próprio país, onde o descalabro se instala? Porque é que, em vez de se investir na preservação do ambiente em países que, se calhar, até nem estão em situação assim tão crítica quanto isso… porque é que não se começa por se investir em limpar a própria casa onde se vive? Se cada um limpar a sua casinha, ficamos todos com um bairro mais asseado, ou não?...
Outra pergunta tola. Quererá a Quercus, que o novo aeroporto, a nova ponte, o TGV, as novas e futuras e eventuais auto estradas não se construam? Ou antes pelo contrário, apesar de isso implicar, eventualmente, a obrigação de Portugal ir comprar direitos de poluição a um qualquer Burkina Fasso?… Despesa acrescida para o erário público… E esse então é que é o problema, ou, pelo menos uma outra face do problema?E qual será o problema maior?…
E para os tais países com créditos na matéria? Será esta uma boa notícia? Uma nova forma de financiamento e equilíbrio das contas do Estado?

Tudo se vende… há quem diga. Enfim, gente zangada com a vida, gente p’ra quem nunca nada está bem… A verdade também é que, até hoje se dizia que, valha-nos isso, ao menos o ar que se respira ainda é de graça!

Até hoje…

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

pro dignitate. no mínimo...

“Deslocalização da fábrica para a Roménia faz terramoto político”, conta o Diário de Notícias…
Terramoto onde?! Em Vila do Conde, Setúbal, na Damaia?... Não senhor, na Alemanha. Mais: “o Governo alemão pede o boicote ao uso de telemóveis Nokia”. Porque é do que se trata. A Nokia, empresa finlandesa e uma das maiores fabricantes de telemóveis do mundo, decidiu deslocar a fábrica de Bochum, no Oeste da Alemanha e onde trabalham perto de 2500 pessoas, para a Roménia e Hungria.
O presidente da região já pediu explicações à empresa. Acha inconcebível, a Nokia ter recebido "60 milhões de euros de subsídios regionais e 28 milhões das autoridades federais alemãs, em termos de ajuda à pesquisa e depois, mal acaba o prazo legal, dizer obrigado, vamos embora"… citámos. O banco estatal da Renânia do Norte – Vestefália estuda mesmo a hipótese de pedir, em tribunal, a devolução dos 60 milhões de euros.
Agora acontece ainda que a contestação já chegou ao governo e já houve quem pedisse o boicote activo à marca. O presidente do partido social-democrata, Kurt BeckBeck garante que, telemóveis da Nokia, nunca mais lhe entram em casa.
O ministro do consumo também já disse que vai trocar de telefone, em solidariedade com os trabalhadores da unidade alemã em risco de encerramento. Disse mesmo que, o ministério que dirige põe a hipótese de substituir todos os telefones oficiais.
O ministro das Finanças chama, a esta decisão da empresa finlandesa, de “capitalismo de caravana”.
Quanto à reacção popular, essa não difere muito da reacção popular de outros países em situação semelhante… Em Portugal, por exemplo. A única diferença aqui é óbvia e escusa-se ao sublinhado…

E em Portugal…
Ainda no Diário de Notícias, onde se continua a acompanhar o caso do bebé de Anadia que morreu a caminho do hospital…
O correspondente do DN em Aveiro escreve que a família do bebé pede respeito pela dor… O avô da criança já manifestou o desagrado pela ligação estabelecida entre a morte do bebé e o fecho de algumas urgências hospitalares – no caso – a do hospital de Anadia.
A família sente-se incomodada com o aproveitamento do caso, por parte de contestatários ao fecho da urgência do hospital. Diz o avô da criança, citado pelo DN, que há “muita politiquice e falta de respeito pela dor da família”…
Já Sócrates se pronunciou também mais ou menos nesse sentido. Criticando o alegado aproveitamento político que as oposições estarão a fazer deste caso. "Ao que nós chegámos! É o vale tudo", indignou-se o primeiro-ministro, citado, neste caso, pelo Diário Económico

Mas saltemos agora para o jornal Público. Página 5, onde o assunto é mais ou menos o mesmo. Aqui, diz o título que os “resultados da autópsia ao bebé da Anadia
demoram”.
Diz que “se aguardam os resultados da autópsia feita ao bebé que, sexta-feira, morreu em Anadia – o relatório
final deverá demorar vá-” ...?!
Vá?!. Vá, tracinho, e o resto? Vá para onde?! Vá! “Break away, quebre a rotina”… é assim mesmo o que aqui está! É nesta frase que o olhar aterra logo de seguida.
Quero eu dizer: a notícia é interrompida, cortada a meio por um anúncio a uma companhia aérea… um anúncio, ele próprio também cortado ao meio, para deixar correr o resto do texto da notícia e depois concluir a coluna, com o que faltava ainda do texto da publicidade, no caso, as tabelas e tarifas dos vôos anunciados .
Recapitulando. “O relatório final deverá demorar várias semanas”, portanto, “break away, quebre a rotina”… “o primeiro-ministro voltou ontem a criticar o aproveitamento político da situação”… e, quanto aos resultados da autópsia, hão-de demorar e salto: “mais de duas semanas porque os testes vão ser feitos fora do Instituto”… “Amsterdão 190 euros, Viena 256, Moscovo 384” … e “há mais ofertas”, diz ainda o reclame, em letra mais miúda e discreta. Letras brancas, em fundo azul muito celeste.
Ora bem, a ideia em si, o truque publicitário é de uma novidade um pouco serôdia… quanto ao resto, ao contexto próprio da engenhosa montagem gráfica… que se saiba, a morte de crianças, a caminho do hospital, ainda não é rotina em Portugal.
Gott sei dank!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

do mau gosto e do bom senso

A história é terrível, mas teria de ser contada. Quanto mais não fosse como aviso e alerta. Alerta para as entidades responsáveis e aviso para toda a gente, que usa normalmente, ou por acaso, este apeadeiro de Coimbrões, em Vila nova de Gaia.
Foi lá que, ontem, eram umas 11 da manhã, uma jovem foi atropelada mortalmente por um comboio.
Tinha 16 anos, estudava numa escola do Porto e, consta que, as autoridades sanitárias só compareceram uma hora depois no local, para certificar o óbito e autorizar a remoção do corpo da jovem da linha…
O ano passado morreram 3 pessoas, atropeladas por comboios, neste mesmo troço. Já lhe chamam a “Passagem Negra”, a este apeadeiro de Coimbrões.
Pois… e a notícia ficaria por aqui, para o essencial da história. Mas o Jornal de Notícias quer ir mais longe e, p'ra que não restem dúvidas sobre a fiabilidade da informação, o jornal publica a fotografia do comboio em causa. Parado, ao que parece no exacto local do atropelamento. À porta, olhando a linha, um revisor da CP – parece, visto daqui. Do outro lado do comboio, do lado de lá, alguns populares, meia dúzia deles parece conversarem entre eles, comentando o sucedido, talvez… e sabe-se que a fotografia foi tirada nesse espaço de tempo em que se esperava pelo delegado de saúde. Isso parece certo, porque, por baixo do comboio, consegue ver-se nitidamente, um vulto, que parece um corpo embrulhado num oleado, ou um qualquer outro tecido azul claro.
E é aqui que haveria de chegar. A que, no dia em que precisar de ver fotografias destas para acreditar que é mesmo verdade o que o jornal escreve e me conta… então, definitivamente deixo de ler jornais.

Mas não para já.
Para já deixo-vos esta outra notícia, em quase tudo idêntica à anterior.
Trata-se uma vez mais de um atropelamento. Só que foi já ante ontem e no Cacém, perto de Lisboa, linha de Sintra.
Uma jovem também, que atravessava a linha, falando ao telemóvel, foi colhida pelo comboio.
E o que vai ser dito pode custar-me caro, mas arrisco na mesma.
Diz o Diário de Notícias que, pouco antes do acidente mortal, a jovem terá mandado uma mensagem SMS para uma tia, onde escreveu esta frase magnífica: Estou muito feliz, não sei porquê…
Quantos de nós não desejaria – já que dela ninguém escapa – que a velha senhora nos surpreendesse assim mesmo, num desses fantásticos momentos de bem-aventurança.

Mas bom, hoje é sexta, fim-de-semana à porta… dois dias para descontrair e não pensar em coisas tristes.
E voltemos ao JN. Na capa, chamando para a notícia que há-de estar lá para a página 16, o JN escreve assim:
TRABALHO
“Dez mil empregos rejeitados todos os meses”. E depois explica, em letra mais miúda: “Salários muito baixos justificam recusas”… Ao todo, dois terços da oferta foi declinada e as vagas ficaram por preencher.
Mas, fiquemo-nos só pela entrada: Dez mil empregos, que foram rejeitados por mal pagos, é certo, mas não interessa. O que importa é que foram 10 mil ofertas de emprego, que só não foram aceites pelas razões que já vimos e não me obriguem a repetir. Acompanhem-me só nesta conta : 10 mil vezes 15 dá 150 mil.
Ou seja, daqui a 15 meses, o primeiro-ministro – por este andar – verá satisfeita, não a promessa, já sabemos, mas o desiderato eleitoral, de criar 150 mil novos postos de trabalho. Se as pessoas os rejeitam…bom, enfim, que se há-de fazer? É a vida!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

tudo bons rapazes. gajada fixe.

O cidadão Kane morreu. Paz à sua alma.
Hoje, só falta aparecerem já de camisola vestida, apertando a mão ao presidente da SAD e do clube e a prometer que vão marcar muitos golos e, nalguns casos, garantirem que agora é que é, que chegaram finalmente ao clube do coração… pelo menos até qualquer Faianorde lhes acenar com um contracto mais interessante.
Bom, vamos lá… Falo dos directores dos órgãos de comunicação em geral.
O mercado de transferências, neste sector parece-se cada vez mais com o do futebol…
Na comunicação social portuguesa, o amor à camisola é já pouco mais que uma estafada figura de estilo, de uso por vezes um pouco suspeito e pouco recomendável… nada mais que isso.
Pelo menos a nível de chefias é o que parece.
Senão, como explicar que alguém pegue num projecto para o abandonar um par de anos, ou um par de meses, ou, por absurdo mesmo, um par de semanas depois? Para se mudar, às vezes mesmo, para a concorrência!
Porquê? Porque se deixou de acreditar no projecto? Porque se conclui não estar à altura do desafio? E se for esse o caso, quem garante que se esteja à altura de desafio idêntico, noutro sítio qualquer?... A saída, foi ela motivada por manifesta incompetência do sujeito em causa? E se for, quem garante, que a simples mudança de local de trabalho, o vai tornar, miraculosamente e de um dia para o outro, competente e útil e eficaz noutro sítio?
Talvez estejamos a entrar pela porta errada. Talvez não seja nada disto o que está em causa. Talvez seja mesmo irrelevante a capacidade profissional, na matéria em apreço – que é gerir um órgão de comunicação social. Geri-lo de forma séria e competente. Rigorosa e ágil, descomprometida e independente… Talvez isso seja o que menos importa para o caso. Talvez seja mesmo o que menos importa, que Eusébio joga agora a ponta de lança nesta ou aquela equipa. E, já agora, se marca golos, ou está só a correr para o currículo…
O que importa é a conferência de imprensa que o apresenta ao público e aos adeptos. O que interessa é a fotografia no jornal e as declarações entusiasmadas e auspiciosas. O espectáculo, enfim.
Isto, para quem está de fora e não tem nada a ver com o assunto, mas, mesmo assim gosta de sentir aquela sensação de estar bem informado e a par do que se passa de supostamente importante. Para os próprios, a questão é outra. O que importa é aparecer e não ser esquecido. O que importa é acumular pontos, como nos supermercados e nas bombas de gasolina. O que importa é manter o mercado iludido com a nossa importância e fazê-lo acreditar que sem nós não há futuro.
O mercado e o público também; que acabam por ser quase uma e a mesma coisa…
Enfim, quase, que nestas matérias, a vontade pública nem sempre é a vontade do público. Mas isso são já pormenores técnicos… Isso, o mister é que sabe.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

nabos, crimes passionais e fé em deus

Ora bom, não o conheço pessoalmente e o que ele fez não se faz, mas, por qualquer obscura razão, dou comigo a simpatizar com ele. Assim mesmo à partida e naquela simpatia solidária, compassiva…
O facto é que o homem, ex funcionário dos correios de Gaia, está a responder pelo roubo de mais de 300 cheques da Segurança Social.
Em tribunal defendeu-se dizendo que andava de cabeça perdida. Perdida de amores. E como se isso não bastasse , perdida de amores por duas mulheres ao mesmo tempo. E – o Grand Finale! – as mulheres em causa eram irmãs e não o largavam.
Diz que nunca teve nenhum proveito financeiro com os roubos. Entregava os cheques às duas irmãs, que depois – segundo diz – iam à sua, delas, vida… Fala em chantagem. Chantagem emocional, supõe-se.
Garante que nem faz ideia de quanto terá sido o total do dinheiro desviado, mas os jornais falam em mais de cem mil euros, no período de 2 anos, entre 2001 e 2003…
Tudo isto é matéria da Justiça. Da Justiça dos homens… e que se faça.
O resto é outra matéria… é paixão… é matéria dos deuses.


E o Metro do Terreiro do Paço!
Diz que foi só uma gota e que é normal, nos primeiros tempos, os materiais terem este tipo de resposta, à medida que a obra se consolida. Os responsáveis da nova estação do Metro vieram tranquilizar a população, dizendo que essas gotinhas de água, que apareceram no tecto da estação, são coisa normal – ainda mais com estas chuvas recentes… coisa normal e sem alarme.
O engenheiro responsável, entrevistado pelos jornais, garantiu que não se trata de infiltrações coisa nenhuma, são fissuras normais…
As pessoas ficaram preocupadas –cita o 24 horas – mas há uma razão simples para essas gotinhas que pingam do tecto… é que, parte da estação ainda não foi impermeabilizada; coisa que está previsto ser feita agora e entretanto, ao mesmo tempo que se acabam também as obras e arranjos no exterior da estação…
Portanto, parece que a obra foi inaugurada e apesar de boa parte dela ter sido construída meio abaixo de água, ou por aí, há ainda uma parte que não está preparada para lidar com essa situação: a da aguinha, que , como se sabe, é substância para se infiltrar pelos espaços mais acanhados e insuspeitos.
A questão, neste caso, é que, mesmo sem chuva, o Tejo há-de continuar a correr com água suficiente para inundar uma estação, ou duas… se calhar até mesmo 3.

E esta história lembra-me uma outra, que me contaram aqui há uns anitos e que vendo ao preço a que a comprei.
Foi aquando da inauguração da estátua de Nuno Álvares, às portas do mosteiro da Batalha. Diziam na altura os habitantes da vila, que, na pressa da inauguração, tiveram de plantar nabos nos canteiros à volta, já que não houve tempo , ou dinheiro, ou disponibilidade, já não me lembro…para arrelvar o local.
Plantaram-se nabos de rama verde e viçosa. Depois da cerimónia e longe da vista dos notáveis e ilustres oficiantes da inauguração, lá se levantaram os nabitos e plantou a relva definitiva e restante verdura decorativa.
Enfim, é difícil acreditar no rigor histórico deste episódio. Vale como anedota e pouco mais. É bem mais que provável, que nada disto tenha acontecido realmente, mas era isto que se contava, na altura, na vila da Batalha…
E é bem mais que provável, que a verdadeira verdade, neste e noutros casos, não esteja no que realmente aconteceu, mas naquilo que fica para contar: uma cerimónia bonita, uma obra asseada, e um canteiro de nabos a celebrar o evento !


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

coisas de puto, coisas de puta e os filhos da dita. mas, as crianças, meus deus!...

E da capa desta segunda-feira, ficam aí uma ou duas surpresas e quase perplexidades!
Quase ao estilo: sabia que…
Pois sabia que na Alemanha, uma em cada 6 crianças vive abaixo do limiar da pobreza?...Crianças com menos de 7 anos. São mais de 2 milhões e meio! É um número 16 vezes superior ao que se verificava há 40 anos atrás…

Em Roma, um vereador foi obrigado a demitir-se, depois de defender autocarros especiais e exclusivos, para levar à escola os filhos dos ciganos romenos. Parece que estes miúdos são particularmente “enérgicos”, o que torna impossível o controlo dos adultos que os acompanham nos autocarros… O vereador é comunista, o bairro em questão parece que também é mais ou menos isso, ou p'lo menos de forte implantação comunista. O próprio partido – a Refundação Comunista – demarcou-se da atitude deste vereador… O presidente da Câmara de Roma encerrou a questão com uma evidência: as crianças são todas iguais.

Mas voltemos às capas…
A do “Público” hoje traz Bush, George Walker Bush, presidente dos Estados Unidos da América e Bin Zayed al-Nahayan, príncipe de Abu Dabhi, dos Emirados Árabes Unidos.
Diz a legenda que Bush procura aliados para neutralizar o Irão…
Na fotografia, o príncipe árabe entrega ao presidente americano um falcão – passarito cuja figura e simbologia é escusado lembrar… pois a expressão do príncipe não é reveladora, por aí além, a do presidente também não… tudo não passa, afinal, de protocolo de Estado, gestos simbólicos, pequenas atenções e alegorias …
Agora, a expressão do falcão é que é curiosa!
Há que ver. De olhos vendados, patas presas à almofada que o sustém, o falcão inclina a cabeça ligeiramente de lado e tem um ar, uma pose, uma postura de corpo, que lhe dá um ar quase enigmático. Por um lado, parece que está ali de ouvido à escuta, a ver se entende o que dizem aquelas duas personagens, que o seguram e exibem… Por outro, parece recolher-se em atitude de humildade e quase reverência … Como a de um discípulo perante o mestre. Mas, vá lá saber-se que enigmas se escondem na cabeça de um falcão…

Pois como também não se sabe de que crime fala a capa do “24 Horas” …
Parece que os jornais ingleses lhe estão a fazer uma marcação quase homem a homem, a Cristiano Ronaldo… Ele, nega tudo.
Mas vamos à manchete do 24: “Ronaldo acusado de pagar orgia sexual com duas mulheres”.
Vejamos então… Terá pago a orgia sexual, com duas mulheres? Literalmente!? Ou seja, as referidas mulheres é que foram a moeda de troca, o capital com que a alegada orgia foi paga?... E é esse o delito?! Ou a acusação recai sobre o facto de Ronaldo ter alegadamente pago a referida orgia sexual? Pago mesmo. Em dinheiro, ou em cheque, ou transferência bancária. Euros, libras, dólares, não importa…E é justamente o facto de o ter feito que constitui delito e notícia? Se o não tivesse feito, seria ainda crime, ou não. Ou antes p'lo contrário? E notícia seria? E que notícia?!...”Ronaldo contracta duas prostitutas e manda-as embora sem pagar”? …
E, já agora, o facto do episódio incluir duas mulheres, conferir-lhe-á isso o estatuto de orgia sexual? Ou, pondo a questão de outra forma, a partir de quantos intervenientes é que se pode classificar um encontro como orgíaco?... Ou, se quisermos, de outra forma ainda: se a situação envolver apenas duas pessoas… aí, a classificação de orgia está fora de questão? Em definitivo?


Vem no “Diário de Notícias”: “Polaco encontra mulher no bordel”.
Surpresa! É que, o que ele sabia era o que ela lhe tinha dito e ele tinha acreditado - que ela tinha arranjado emprego numa loja nos arredores da cidade… Uma ajuda, para equilibrar o orçamento familiar…
A verdade, no entanto, é que – loja, coisa nenhuma! - era num bordel de Varsóvia que a mulher trabalhava. A notícia não explica concretamente a fazer o quê, nem interessa para o caso. O que interessa é que o marido descobriu a verdade e não foi por terceiros. Foi ele próprio, com os próprios olhos, incrédulos e chocados! Durante uma visita a esse mesmo bordel…
Diz que ficou p'ra morrer, ao vê-la ali. Achou que estava a sonhar, ou pior, a ter um pesadelo!
Em 14 anos de casamento, diz o jornal, que esta mentira foi como a gota de água e já correm os papéis para o divórcio.
Enfim, a noticia é breve e não explica muito mais … Fica por explicar, por exemplo, quem terá tido a surpresa maior.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Em directo do estádio de Alvalade e a 5 minutos do início do encontro, boa noite Eustácio, como é que está o ambiente por aí?...

Pois, por aqui, boa noite Albano, é uma verdadeira maré verde! Desde o relvado à bancada, tudo é verde. Milhares de cachecóis verdes, camisolas verdes, barretes verdes, faixas verdes agitadas pela multidão, que enche o estádio. E no relvado, já correm os jogadores do Sporting, em aquecimento. Também eles envergando de verde, das meias às camisolas. O ambiente é de festa. Uma enorme onda verde percorre as bancadas superiores do estádio num frémito de entusiasmo…

Pode então dizer-se, Eustácio, que o ambiente está ao rubro!...

Absolutamente, Albano.