quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

oh Wagner, pá! Vai tocar minuetes p'rà tua rua!

Assim mesmo, presto con fuoco! António Wagner Diniz, director da Escola de Música do Conservatório Nacional, diz que o que interessa à ministra da Educação é ter um milhão e setecentos mil jovens a cantar "Eu vi um Sapo", em vez de dezassete mil com formação de qualidade.
Ora tudo isto vem a propósito da recente decisão do Governo de "democratizar" – e as aspas vêm no texto do “24 Horas” – "democratizar", portanto, o ensino da música, tirando-a do Conservatório e levando-a para as escolas do ensino básico.
Ora bom, ponto primeiro: parte-se do princípio de que, futuramente, serão cantigas como a do sapo, que vão constar do reportório das aulas de iniciação musical nas escolas primárias. Essa e outras como essa. Excluindo a hipótese de que algum professor tente chamar a música por outras portas e travessas…
Adiante.
Depois, continua a notícia…adagio maestoso, que o Estado deixará de apoiar o ensino vocacionado e a formação individual, acabando com o ensino supletivo, que o mesmo é dizer, acabando com a possibilidade do aluno, que esteja a estudar numa escola regular, poder ter "apenas" aulas de música no Conservatório.
Ponto segundo: este “apenas”! Ter aulas “apenas” no Conservatório… Ter, seja o que for, apenas num sítio, à primeira, parece uma situação um pouco apertada nas mangas, mas enfim, também é a primeira vez que vejo aspas em democracia, como quem isola qualquer coisa da peste, ou do pouco próprio! …
Presto agitato, Wagner Diniz continua que, se a proposta do governo for avante, quem quiser ter aulas de qualidade terá de ir para o privado, vendo a despesa subir consideravelmente.
Ponto terceiro… muito breve este: elogio em causa própria é coisa que também deixa algumas dúvidas. Que é o que está a fazer o director da escola de música do conservatório. “Quem quiser ensino de qualidade”… pressupõe-se que não é na escola primária que o vai ter. Ou no Conservatório, ou numa outra qualquer escola especializada.
Diz a notícia que pais e alunos – da escola de música do conservatório, entenda-se - estão contra esta medida anunciada pelo Governo.
Ponto quarto: adagio affettuoso… nada leva a crer que, quem tem os filhos a estudar no Conservatório, seja obrigado a cancelar as matrículas e ir aprender música para a escola primária
lá do bairro…
Mas a questão, continua Wagner Diniz, allegro vivace, é que assim , os dezassete mil alunos que actualmente frequentam os seis conservatórios que existem em Portugal, podem passar drasticamente para os mil e quinhentos! Isso pode eventualmente acontecer mas aqui, as notas em causa, têm obviamente a ver com outra música…
Mas voltemos ao sapo de que se falava ao princípio e citemos o professor Wagner Diniz: ”A ministra prefere ter um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional, a cantar o "Eu vi um sapo" do que dezassete mil com formação de qualidade”…
Ponto 5, moderato con amore: como é que o professor consegue sentar, ou mesmo em pé, pôr um milhão e setecentos mil jovens no Estádio Nacional!?...
Ponto 6, andante scherzando: com uma orquestração a preceito, quem me garante que este sapo não saltaria do charco, a que a grande música o condena, para – adagio maestoso – conquistar um lugar ao sol da Grande Música Clássica?!... Enfim, um clássico já ele é, à sua maneira, claro.
De resto… moderato cantabile, por mais que se queira e sonhe e se deseje um país de virtuosos, a verdade é que – alegro vivace – se o sapo da cantiga conseguir cativar um milhão e setecentas mil crianças para a Música – que ela é grande sempre, não se aflija Wagner Diniz– soa, assim à primeira, uma ideia interessante. Se os não conseguirmos enfiar todos juntos no Estádio Nacional, paciência. É pena, mas paciência. E é pena, porque haveria de ser coisa majestosa. Wagneriana, quase.

p.s.

devo confessar, já que estamos aqui só nós e estamos entre amigos, que me deu um prazer muito particular, ler esta crónica, esta manhã, na Antena 2, da RDP...


quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

pola lei e pola grei e viva o rei .

A Câmara Municipal de Lisboa vai criar uma comissão de "boas práticas", para prevenir a corrupção.
É assim que abre a notícia do “Público” desta manhã. Depois continua que, as relações dos técnicos municipais com gabinetes de projectos e promotores são uma situação preocupante.
A Câmara vai hoje discutir a criação da tal “Comissão de Boas Práticas”… A ideia partiu de António Costa, o presidente. A Comissão será composta por 3 personalidades designadas pela Assembleia Municipal e por uma maioria de 2 terços. O mandato há-de demarcar-se do mandato dos restantes órgãos autárquicos, de forma a garantir a isenção e independência. Tal como acontece com outras autoridades reguladoras…
Um mandato que há-de monitorizar as áreas mais expostas ao risco de corrupção, diz o “Público”, o jornal. E as áreas mais expostas são as do urbanismo e a da contratação pública. Casos recentes revelaram ligações pouco recomendáveis entre funcionários da Câmara de Lisboa e entidades e empresas promotoras de projectos sujeitos a aprovação camarária, ou a concurso público. Mais de 30 funcionários foram identificados como tendo, ou tendo tido já ligações profissionais com o sector imobiliário e da construção civil, o que os torna parte interessada. É então preocupante, diz a magistrada do Ministério Público, cuja sindicância aos Serviços de Urbanismo da Câmara de Lisboa, desencadeou o processo que levou à criação desta tal Comissão de Boas Práticas.
Podia ser uma boa notícia, se não fosse ela revelar uma coisa que é tudo menos uma boa notícia.
A saber… Que é preciso criar uma comissão especial e dar-lhe um nome , assim, gentil e cordato, das “boas práticas”, para que se faça o que deve ser feito. Naturalmente e sem alarido.
Diz a notícia, que a Comissão vai criar também – elaborar é o termo – códigos de conduta e códigos de boas práticas e acompanhar a sua aplicação… Códigos de conduta e boas práticas haveria de ser coisa para fazer parte da dieta de qualquer pessoa, juntamente com o leite materno, com o aprender a andar e a desenhar as primeiras letras. Haveria…
Lê-se também – e já o referimos – que há áreas mais expostas ao risco de corrupção. Ou como se dissesse, que há estradas perigosas e que o IP5 é um itinerário assassino, esquecendo que por lá passam centenas de automobilistas e nem todos se despistam, ou provocam acidentes…
Uma “Comissão de Boas Práticas” provoca assim uma alegria e uma surpresa, semelhantes à que nos invade quando entramos, por exemplo, num café, ou restaurante e os empregados são atenciosos, o serviço funciona, a comida recomenda-se e a conta vem sem enganos que prejudiquem o cliente.

Dizia ser João César Monteiro, que tinha desistido de viver numa sociedade sem classes e se ia conformando a viver numa sociedade sem classe! Enfim, é uma forma de ver a coisa.

Vamos ao “DN” – “Diário de Notícias”, mas antes vamos ao ponto prévio.
Ouvi dizer, não garanto, ouvi dizer, que, na publicidade… pelo menos na televisão, a publicidade a coisas que tenham a ver com saúde – desde pastas dos dentes a outras drogas avulsas – só mesmo profissionais do sector é que estão autorizados a dar a cara e a aparecer nos anúncios. Disseram-me que era em nome da fiabilidade da propaganda. Da seriedade da campanha, da dignidade da própria profissão… É por isso que, um médico que apareça na televisão a dar a cara por uma marca ou produto, tem mesmo de ser médico. Não pode ser um actor contratado para o efeito. Enfim, a verdade desta afirmação está para ser comprovada, mas, para o efeito, dispensemos essa confirmação…
Porque, aqui, do que se trata é da tropa. Melhor, das Forças Armadas… Em geral.
E diz o “Diário de Notícias” que a banda do Exército admite cancelar a participação nas cerimónias de homenagem a D. Carlos, a 1 de Fevereiro, quando passarem 100 anos sobre o dia do regicídio.
Parece que a cerimónia em questão é uma iniciativa particular. Não oficial, portanto. E esse é o motivo que levou, ontem, os deputados de todos os partidos, sem excepção, a manifestarem-se contra a presença da banda do Exército, nas tais celebrações.
O assunto foi mesmo falado na Comissão Parlamentar de Defesa, que terá mandatado o respectivo presidente para transmitir esta preocupação ao ministério da tutela. O da Defesa.
Em defesa, portanto, da transparência e do respeito pelas instituições e de todas as éticas, que possam ser invocadas num caso destes…

Saltemos então para a página 5 deste mesmo “Diário de Notícias”.
A meio da página, abre-se a caixinha do anúncio a um modelo de um automóvel que, pelo preço anunciado – diz a legenda – é difícil imaginar. Na fotografia, espreita a um canto a dianteira de um automóvel, que até pode ser o modelo em questão. No passeio, uma placa de estacionamento proibido, ao pé da qual, um polícia de trânsito faz que multa um carro que não está lá. Talvez seja esse o gancho do trocadilho. É difícil imaginar um polícia a multar um carro que não existe! É no mínimo idiota; mas isso ainda é o menos… os publicitários tratarem o público como idiota, já vai sendo costume. O problema é quando o público responde como tal, mas isso, são outras loas, que para o caso não interessam… Adiante. Pode ser que o polícia não o seja de facto. Contrariando a tese, não confirmada e de que vos falava ao principio…. só profissionais de saúde podem fazer anúncios a produtos ou marcas que tenham a ver com saúde… pode ser que o polícia não seja policia. Como também pode ser que o seja…
Em qualquer dos casos, é essa a leitura que se faz e se pretende: um policia, um agente de trânsito, fardado de colete reflector e chapéu de pala e botas de montar ( é verdade que não se vê nenhum distintivo que o identifique como policia a sério, mas, para o que conta e importa… é um policia que aparece num anúncio a um automóvel, na página 5 do “DN” e certamente noutros jornais também…)
Bom, mas se aqui, no caso do anúncio, se pode pôr a hipótese de não ser mesmo um polícia a sério… no caso recente, de uma certa parada espectacular que desceu a avenida da Liberdade, o caso é diferente.
A parada em causa juntou os artistas todos da estação – um canal privado de televisão, se ainda não tinha dito… Artistas de variedades, apresentadores variados, e convidados ilustres, desde tigres em jaulas a vistosas caravanas representando os patrocinadores habituais do tal canal.
E no meio do desfile, quem desce a avenida, garbosa e tonitruante?... A charanga da Guarda! A fanfarra da Guarda Nacional Republicana a cavalo! …

Ora bem, que terá esta televisão privada, que o rei D. Carlos não tem? Tirando os patrocínios…
Ou, pondo a questão de outra forma… Andamos, portanto, a brincar com a tropa!?...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

não sei como é que a música que despejei para aqui foi parar ali ao lado e não onde costuma ficar... estas merdas das modernices que a gajada que gere esta porcaria anda sempre a inventar é um desatino e ainda mais para pessoas normais, como eu, que não dominam a tecnologia avançada deste meio maravilhoso e espectacular. depois, aproveito ainda para explicar que a música "mulher horrível" é justamente uma homenagem às mulheres horríveis, que as há e às que cabem completamente no perfil traçado, que também as deve haver e que, em qualquer dos casos, nunca ninguém se lembra de cantar. fica portanto aqui a justa homenagem em forma de canção desesperada.

gaaaaaaaaaaajas! básicamente.

Diz assim, o Diário de Noticias, em breve e já de saída: “Salão Erótico do Porto arranca a 7 de Fevereiro.”
A Eros-Porto 2008, feira do sexo, vai contemplar o público com áreas para todas as tendências. É o primeiro salão erótico do norte do País, continua o texto da notícia, vai ser no pavilhão multiusos de Gondomar e esperam-se mais de 30 mil visitantes ao longo dos 4 dias da exposição.
Falamos então de um Salão Erótico. Era isso que se anunciava no título, se bem se lembram. Então passemos ao segundo parágrafo, onde se lê que a grande adesão por parte de empresários ligados à pornografia foi o que motivou a passagem do certame para o multiusos de Gondomar, preterindo assim a hipótese do edifício da Alfândega do Porto. Então, mas é um salão erótico, ou um salão pornográfico?!
E segue… que no recinto vai estar um sexómetro – seja lá isso o que for – e uma actriz que se propõe bater um record, com uma pequena habilidade, que inclui uma corda de 9 metros toda enfeitada com bandeirinhas…
Diz ainda a notícia, que um realizador português, Sá Leão, ligado à indústria hard core, terá desafiado a ministra da Cultura a visitar o evento. Garante mesmo que a vai esperar à porta, se a ministra aceitar o convite.
Ora bem, é escusado duvidar, que o certame está condenado a um certo sucesso. Embasbacado que seja, um certo sucesso. A dúvida põe-se quando se pergunta, do que é se está afinal a falar? De um salão erótico? Então, que andam lá a fazer, por exemplo, os industriais da pornografia?! Descobriu-se que são ambas, uma e a mesma coisa?!

Ora bom, fixemo-nos ainda e um pouco mais à volta do assunto…
É que, o mais recente filme de António Pedro Vasconcelos é – ele também – um pouco confuso nalguns propósitos…
Mas antes disso, deixo-vos só com uma pequena pérola de redacção… vem no DN, a propósito de “Call Girl”, o tal filme de que vos falo. Diz assim: “o filme “Call Girl”, de António Pedro Vasconcelos, com Soraia Chaves no papel do título…”
Com licença! Com Soraia Chaves no papel do título…?! Só por curiosidade, quem é que representa o papel do genérico? E o do intervalo, se é que o filme passa com intervalo?... E quem é que faz de ficha técnica?...
Adiante. Soraia Chaves, portanto. “146 mil já viram fita com Soraia Chaves.” Diz o Diário de Noticias… O Correio da Manhã diz que “Soraia leva milhares ao cinema.”
A poucos dias de completar um mês de exibição, o filme anda perto dos 173 mil espectadores (repararam que aqui os números já não batem certo? – 146 mil, contas do DN; 173 mil pelas contas do Correio?» Mas não é só isto que não bate certo.
Soraia leva milhares ao cinema. O realizador não se espanta. Diz que sempre acreditou na inteligência do público, que, quando é respeitado, corresponde ás expectativas. Quanto à jovem Soraia, Vasconcelos não tem dúvidas de que é uma actriz de talento e uma mulher lindíssima, que arrasta multidões.
Ora aí está! Toda a gente sabe que, qualquer pessoa inteligente e desde que não lhe faltem ao respeito, se deixa arrastar – ia a dizer arrebatar – por uma mulher lindíssima. Se ela for boa actriz, então, ainda melhor. Isto no caso de estarmos a falar de qualquer coisa que implique representar, porque senão, baste que se lhe chame “Expo” qualquer coisa… Enfim, nada que implique grandes argumentos e justificações enviesadas.
Claro que há ainda um outro problema. É o público feminino! Para esse, Soraia Chaves terá de ser qualquer coisa mais do que apenas uma mulher lindíssima.
Enfim, não será rigorosamente, nem forçosamente assim, mas esses casos, creio que estão, pelo menos é o que diz o programa … estarão melhor representados no tal Salão, que abre em Gondomar lá para Fevereiro.
Ou, a menos ainda que, as costas peludas do Nicolau Bryner, ou as cuecas do Ivo Canelas sejam motivo suficiente, para levar uma mulher ao cinema! Mas disso não fala a notícia…

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

salazar e os azulejos

Verdade seja dita, que a sentença pode ter duas leituras, como quase tudo na vida, por isso, não será por aí que havemos de ir, nem já…
Antes vamos aos factos: foi vandalizado o jazigo de Salazar no Vimieiro. De manhã, ainda se via lá a pedra, que partiu o azulejo com a fotografia do ex governante. O sobrinho de Salazar já fez queixa ao Ministério Público. Dizem gentes da terra, que já não é a primeira vez. O Diário de Notícias cita um morador de Santa Comba, que diz que já o ano passado – passemos ao discurso directo: “vieram aí uns malandros que partiram várias coisas no cemitério”. Desta vez, foi a cara de Oliveira Salazar, pintada em cerâmica, numa pequena moldura, colada a meio da lápide que encerra o jazigo. "Gente ruim que nem os mortos respeita…” é o que se diz em Santa Comba.
E com toda a razão.
Mas atentemos um pouco mais de perto na fotografia que o DN traz a ilustrar a notícia. A do jazigo em causa. Encimando a lápide de mármore negro que ostenta a ultrajada fotografia, uma outra pedra, branca esta, faz ressaltar o negro da sentença. E reza assim, o encómio:
O HOMEM MAIS PODEROSO DE PORTUGAL
DO SÉCULO 20 E MODESTO SEM IGUAL
NASCEU HUMILDE E HUMILDE CRESCEU
VIVEU HUMILDE E HUMILDE MORREU

E até aqui, vamos indo… agora, a fechar, lapidar e definitivo o que faltava dizer…

Citemos: "MEDIOCRE É O POVO QUE COM ELE NADA APRENDEU”.

Aqui, o “aprendeu” é para rimar com “cresceu” e “morreu”, na mesma lógica, supõe-se do “igual”, que rima com “Portugal”… mas isso ainda é o menos.
Diz que medíocre é o povo que nada aprendeu com Salazar… Enfim, só esta já é uma sentença de interpretação vária e dúplice leitura, como já tínhamos começado por dizer, quando ainda não vos tinha dito sequer do que é que estava a falar.
É de dupla leitura, mas nenhuma de grande recomendação…
Ou seja, o povo será miserável por não ter aprendido a lição, o espírito, o génio, o que fosse de Oliveira Salazar? Ou, como quem diz: o povo nunca o mereceu, nem soube entender?... Ou miserável será, se não tiver aprendido a estar à altura de futuros e semelhantes cenários? Como aquele em que Salazar governou Portugal… Ou seja, não deixar, pelo menos, que ninguém se deixe ficar por S. Bento, assim tanto tempo seguido, sempre a trabalhar, sempre a governar e a fazer coisas…

A verdade é que, é muito pouco provável que tenha sido o próprio Oliveira Salazar a redigir, ou a deixar escrita a lapidar quintilha, que lhe honra a memória. Alguém o terá feito por ele, o que, se por um lado o inocenta da blague, por outro não limpa o insulto. A verdade é que o jazigo de Salazar há-de ser visitado, de vez em quando que seja, por pessoas, não forçosamente da família mais chegada, mas gente que, por curiosidades várias, históricas, turísticas, por ódios ou afectos o faz, em excursão guiada, ou solitária visita… É normal que assim seja, já que se trata de uma figura de Estado. E não de um Estado qualquer! Do Estado Novo, precisamente! Uma época marcante da nossa História. É natural. E é natural que se sintam indignadas, por razões várias, com a profanação, o vandalismo de que a sepultura foi alvo e tem sido, ao que parece, pontualmente, ao longo dos anos… Indignadas, ainda mais numa sociedade, cujo culto dos mortos é matéria sensível e a merecer toda a circunspecção… e que não fosse!
E os que falam português?! Como se sentirão ao ler essa afirmação peremptória?! “Miserável é o povo que com ele nada aprendeu”?!!...
Nunca o próprio, em vida, se atreveria a ir tão longe no desencanto e na revolta.
A verdade é que é capaz de haver alguma razão, remota que seja, nisto tudo… Talvez o povo ainda não tenha aprendido tudo o que havia a aprender nalgumas matérias, como por exemplo, que não é à pedrada que se limpa a honra , nem rebate insultos… Mas vamos lá, não será ainda razão que chegue para chamar miserável a uma pessoa! Tanto mais que, tudo leva a crer que esta lapidar afirmação já lá estava, no jazigo, antes mesmo de alguém ter começado a jogar-lhe pedras e a partir coisas.
Enfim, a verdade é esta, é que, miserável ou não, o povo ainda cá está e o senhor já faleceu. Paz à sua alma e já agora também aos azulejos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

se houver marcianos, devem estar a rir-se à brava, a esta hora!

E o Correio da Manhã traz a fotografia e diz que a repescou de um site chinês.
Há vida em Marte?... Era a pergunta. Era! Até aqui. Depois da fotografia que o Correio publica esta quarta feira, a pergunta é outra… Será mesmo um marciano, o que se vê ali meio desfocado, saindo de trás de uma rocha?!... Se for, parece que avança, com o braço direito ligeiramente levantado para a frente e poderia estar a usar uma qualquer espécie de capuz, estilo Grupo de Operações Especiais, ou outra qualquer coisa em que se tem de andar de cabeça tapada.
Uma imagem recolhida pela sonda espacial Spirit e divulgada num site chinês sugere que pode mesmo haver vida em Marte e a figura em causa será então a de um marciano, ou pelo menos a de um alienígena qualquer… - que pela mesma ordem de ideias, se a Terra pôs uma sonda em Marte, outras gentes poderão eventualmente ter feito o mesmo , ou parecido… Quer dizer, porque há-de ser um marciano e não um habitante de outro sítio qualquer?! Como se um outro qualquer observador, de um outro qualquer ponto do Universo, observando Marte e a sonda terráquea que por lá anda, investigando, recolhendo amostras, esgravatando o chão, concluísse que Marte está em obras… Adiante. Da sonda, já agora…
Spirit nem era o nome original.
Começou por se chamar simplesmente M.E.R. – iniciais de Mars Exploration Rovers, ou, em tradução ad hoc: robots de exploração de Marte. Chegou a 3 de Janeiro de 2004. A 24 chegava o outro robot, que faria companhia a este primeiro.
A este segundo chamaram-lhe Opportunity.
Ora bem, acontece que estes baptismos foram ideia da NASA.
Chamar-lhes simplesmente M E R – A, para o primeiro e B, para o segundo, tornava a coisa fria, impessoal, pouco humana. Então lançou-se o concurso.: “Name de Rovers”.
A ideia avançou em parceria com a LEGO, essa mesma, a das pecinhas de encaixar… Disso e das peças usadas na construção de modelos robóticos, também.
Foi a Lego quem se encarregou de organizar a competição literária infantil. À partida, eles, os miúdos concorrentes só sabiam que as sondas tinham nomes técnicos sem grande significado evidente. Uma sigla sem grande assunto… Mas era a partir de aí, que haveria de se chegar ao nome a dar às sondas espaciais.
Venceu uma jovem do Arizona. Sofi Collins é de origem russa, tem 9 anos e acontece que é órfã – o que para o caso só importa, porque ela própria fez questão em o sublinhar, no texto que escreveu.
E o texto diz assim:
Eu morava num orfanato
Escuro frio e solitário
À noite olhava para o céu cintilante e sentia-me melhor
Sonhava que podia voar naquele céu
Na América todos os meus sonhos se podem tornar realidade
Obrigado pelo espírito e pela oportunidade.

Foi então desta última linha, que se retiraram os nomes, que acabaram por baptizar as duas sondas.
Agora, a Spirit poderá ter fotografado um alien em Marte e o Correio da Manhã diz que a revelação está a agitar e a provocar a discussão entre os amantes da ficção científica.
E os outros, os cientistas da realidade? É que os amantes da ficção não precisam deste tipo de evidências para ficcionar à vontade! Já se foi muito mais longe que Marte, neste Universo mirífico… Agora, se a fotografia tiver de causar alguma discussão, ou qualquer coisa parecida com isso, há-de ser entre a comunidade de cientistas, mesmo.
Ou não! Basta que digam que é tudo mentira. Ou mais que isso. Que é tudo verdade e que, apesar de todo o espírito e de todas as oportunidades, continuamos a sonhar com marcianos, a desejá-los quase!
E isso não bastaria para lhes conferir autenticidade?!
Por exemplo: o Penedo da Saudade… ninguém garante que d. Pedro tenha aí morrido de amores por Inês, ou vice-versa… E daí?! … O que manda mais? A verdade histórica, ou o nosso desejo, de que assim tivesse de facto acontecido?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

haja saúde! é o que eu digo. haja saúde!

“As grandes obras públicas, anunciadas pelo Governo, são incompatíveis com o cumprimento do protocolo de Quioto e Portugal ver-se-á obrigado a comprar créditos de poluição para atingir aquele objectivo até 2012. “
É assim que abre a notícia que o Público traz, lá a páginas 15, na edição de hoje.
É uma notícia em forma de denúncia, subscrita por Francisco Ferreira, da Quercus, associação ambientalista portuguesa.
O novo aeroporto, o TGV que há-de vir, a terceira ponte sobre o Tejo, que há-de dar serventia aos dois, comboio e aeroporto, as novas auto-estradas… tudo isso, no parecer da Quercus, vai aumentar os consumos energéticos e, em consequência, aumentar a emissão de poluentes para a atmosfera…
Diz a Quercus, que há já uma derrapagem média de 5 milhões e 800 mil toneladas por ano de CO2, entre 2008 e 2012. É já mais do que o previsto e permitido. É um valor que empurra inevitavelmente para essa solução de recurso, que é a de comprar créditos de poluição a outros países, menos poluidores do ambiente, ou então, financiar o desenvolvimento de projectos associados à redução de emissões noutros países.
E aqui é que a confusão se instala.
Quer portanto dizer que – havendo dinheiro - pode-se poluir sem problema de maior, ou pelo menos sem ferir a letra do acordo, do compromisso, enfim, do protocolo.
Compra-se créditos de poluição a países que os tenham. A países, que por qualquer razão – de inteligência e civilidade, ou simplesmente de subdesenvolvimento e falta de dinheiro - não poluem tanto.
Em alternativa, pode-se limpar o cadastro, investindo em projectos ambientais e de redução de emissões poluentes, noutros países!
Só uma pergunta. Tola, certamente… E porque é que não se investe no próprio país, onde o descalabro se instala? Porque é que, em vez de se investir na preservação do ambiente em países que, se calhar, até nem estão em situação assim tão crítica quanto isso… porque é que não se começa por se investir em limpar a própria casa onde se vive? Se cada um limpar a sua casinha, ficamos todos com um bairro mais asseado, ou não?...
Outra pergunta tola. Quererá a Quercus, que o novo aeroporto, a nova ponte, o TGV, as novas e futuras e eventuais auto estradas não se construam? Ou antes pelo contrário, apesar de isso implicar, eventualmente, a obrigação de Portugal ir comprar direitos de poluição a um qualquer Burkina Fasso?… Despesa acrescida para o erário público… E esse então é que é o problema, ou, pelo menos uma outra face do problema?E qual será o problema maior?…
E para os tais países com créditos na matéria? Será esta uma boa notícia? Uma nova forma de financiamento e equilíbrio das contas do Estado?

Tudo se vende… há quem diga. Enfim, gente zangada com a vida, gente p’ra quem nunca nada está bem… A verdade também é que, até hoje se dizia que, valha-nos isso, ao menos o ar que se respira ainda é de graça!

Até hoje…

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

pro dignitate. no mínimo...

“Deslocalização da fábrica para a Roménia faz terramoto político”, conta o Diário de Notícias…
Terramoto onde?! Em Vila do Conde, Setúbal, na Damaia?... Não senhor, na Alemanha. Mais: “o Governo alemão pede o boicote ao uso de telemóveis Nokia”. Porque é do que se trata. A Nokia, empresa finlandesa e uma das maiores fabricantes de telemóveis do mundo, decidiu deslocar a fábrica de Bochum, no Oeste da Alemanha e onde trabalham perto de 2500 pessoas, para a Roménia e Hungria.
O presidente da região já pediu explicações à empresa. Acha inconcebível, a Nokia ter recebido "60 milhões de euros de subsídios regionais e 28 milhões das autoridades federais alemãs, em termos de ajuda à pesquisa e depois, mal acaba o prazo legal, dizer obrigado, vamos embora"… citámos. O banco estatal da Renânia do Norte – Vestefália estuda mesmo a hipótese de pedir, em tribunal, a devolução dos 60 milhões de euros.
Agora acontece ainda que a contestação já chegou ao governo e já houve quem pedisse o boicote activo à marca. O presidente do partido social-democrata, Kurt BeckBeck garante que, telemóveis da Nokia, nunca mais lhe entram em casa.
O ministro do consumo também já disse que vai trocar de telefone, em solidariedade com os trabalhadores da unidade alemã em risco de encerramento. Disse mesmo que, o ministério que dirige põe a hipótese de substituir todos os telefones oficiais.
O ministro das Finanças chama, a esta decisão da empresa finlandesa, de “capitalismo de caravana”.
Quanto à reacção popular, essa não difere muito da reacção popular de outros países em situação semelhante… Em Portugal, por exemplo. A única diferença aqui é óbvia e escusa-se ao sublinhado…

E em Portugal…
Ainda no Diário de Notícias, onde se continua a acompanhar o caso do bebé de Anadia que morreu a caminho do hospital…
O correspondente do DN em Aveiro escreve que a família do bebé pede respeito pela dor… O avô da criança já manifestou o desagrado pela ligação estabelecida entre a morte do bebé e o fecho de algumas urgências hospitalares – no caso – a do hospital de Anadia.
A família sente-se incomodada com o aproveitamento do caso, por parte de contestatários ao fecho da urgência do hospital. Diz o avô da criança, citado pelo DN, que há “muita politiquice e falta de respeito pela dor da família”…
Já Sócrates se pronunciou também mais ou menos nesse sentido. Criticando o alegado aproveitamento político que as oposições estarão a fazer deste caso. "Ao que nós chegámos! É o vale tudo", indignou-se o primeiro-ministro, citado, neste caso, pelo Diário Económico…

Mas saltemos agora para o jornal Público. Página 5, onde o assunto é mais ou menos o mesmo. Aqui, diz o título que os “resultados da autópsia ao bebé da Anadia
demoram”.
Diz que “se aguardam os resultados da autópsia feita ao bebé que, sexta-feira, morreu em Anadia – o relatório
final deverá demorar vá-” ...?!
Vá?!. Vá, tracinho, e o resto? Vá para onde?! Vá! “Break away, quebre a rotina”… é assim mesmo o que aqui está! É nesta frase que o olhar aterra logo de seguida.
Quero eu dizer: a notícia é interrompida, cortada a meio por um anúncio a uma companhia aérea… um anúncio, ele próprio também cortado ao meio, para deixar correr o resto do texto da notícia e depois concluir a coluna, com o que faltava ainda do texto da publicidade, no caso, as tabelas e tarifas dos vôos anunciados .
Recapitulando. “O relatório final deverá demorar várias semanas”, portanto, “break away, quebre a rotina”… “o primeiro-ministro voltou ontem a criticar o aproveitamento político da situação”… e, quanto aos resultados da autópsia, hão-de demorar e salto: “mais de duas semanas porque os testes vão ser feitos fora do Instituto”… “Amsterdão 190 euros, Viena 256, Moscovo 384” … e “há mais ofertas”, diz ainda o reclame, em letra mais miúda e discreta. Letras brancas, em fundo azul muito celeste.
Ora bem, a ideia em si, o truque publicitário é de uma novidade um pouco serôdia… quanto ao resto, ao contexto próprio da engenhosa montagem gráfica… que se saiba, a morte de crianças, a caminho do hospital, ainda não é rotina em Portugal.
Gott sei dank!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

do mau gosto e do bom senso

A história é terrível, mas teria de ser contada. Quanto mais não fosse como aviso e alerta. Alerta para as entidades responsáveis e aviso para toda a gente, que usa normalmente, ou por acaso, este apeadeiro de Coimbrões, em Vila nova de Gaia.
Foi lá que, ontem, eram umas 11 da manhã, uma jovem foi atropelada mortalmente por um comboio.
Tinha 16 anos, estudava numa escola do Porto e, consta que, as autoridades sanitárias só compareceram uma hora depois no local, para certificar o óbito e autorizar a remoção do corpo da jovem da linha…
O ano passado morreram 3 pessoas, atropeladas por comboios, neste mesmo troço. Já lhe chamam a “Passagem Negra”, a este apeadeiro de Coimbrões.
Pois… e a notícia ficaria por aqui, para o essencial da história. Mas o Jornal de Notícias quer ir mais longe e, p'ra que não restem dúvidas sobre a fiabilidade da informação, o jornal publica a fotografia do comboio em causa. Parado, ao que parece no exacto local do atropelamento. À porta, olhando a linha, um revisor da CP – parece, visto daqui. Do outro lado do comboio, do lado de lá, alguns populares, meia dúzia deles parece conversarem entre eles, comentando o sucedido, talvez… e sabe-se que a fotografia foi tirada nesse espaço de tempo em que se esperava pelo delegado de saúde. Isso parece certo, porque, por baixo do comboio, consegue ver-se nitidamente, um vulto, que parece um corpo embrulhado num oleado, ou um qualquer outro tecido azul claro.
E é aqui que haveria de chegar. A que, no dia em que precisar de ver fotografias destas para acreditar que é mesmo verdade o que o jornal escreve e me conta… então, definitivamente deixo de ler jornais.

Mas não para já.
Para já deixo-vos esta outra notícia, em quase tudo idêntica à anterior.
Trata-se uma vez mais de um atropelamento. Só que foi já ante ontem e no Cacém, perto de Lisboa, linha de Sintra.
Uma jovem também, que atravessava a linha, falando ao telemóvel, foi colhida pelo comboio.
E o que vai ser dito pode custar-me caro, mas arrisco na mesma.
Diz o Diário de Notícias que, pouco antes do acidente mortal, a jovem terá mandado uma mensagem SMS para uma tia, onde escreveu esta frase magnífica: Estou muito feliz, não sei porquê…
Quantos de nós não desejaria – já que dela ninguém escapa – que a velha senhora nos surpreendesse assim mesmo, num desses fantásticos momentos de bem-aventurança.

Mas bom, hoje é sexta, fim-de-semana à porta… dois dias para descontrair e não pensar em coisas tristes.
E voltemos ao JN. Na capa, chamando para a notícia que há-de estar lá para a página 16, o JN escreve assim:
TRABALHO
“Dez mil empregos rejeitados todos os meses”. E depois explica, em letra mais miúda: “Salários muito baixos justificam recusas”… Ao todo, dois terços da oferta foi declinada e as vagas ficaram por preencher.
Mas, fiquemo-nos só pela entrada: Dez mil empregos, que foram rejeitados por mal pagos, é certo, mas não interessa. O que importa é que foram 10 mil ofertas de emprego, que só não foram aceites pelas razões que já vimos e não me obriguem a repetir. Acompanhem-me só nesta conta : 10 mil vezes 15 dá 150 mil.
Ou seja, daqui a 15 meses, o primeiro-ministro – por este andar – verá satisfeita, não a promessa, já sabemos, mas o desiderato eleitoral, de criar 150 mil novos postos de trabalho. Se as pessoas os rejeitam…bom, enfim, que se há-de fazer? É a vida!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

tudo bons rapazes. gajada fixe.

O cidadão Kane morreu. Paz à sua alma.
Hoje, só falta aparecerem já de camisola vestida, apertando a mão ao presidente da SAD e do clube e a prometer que vão marcar muitos golos e, nalguns casos, garantirem que agora é que é, que chegaram finalmente ao clube do coração… pelo menos até qualquer Faianorde lhes acenar com um contracto mais interessante.
Bom, vamos lá… Falo dos directores dos órgãos de comunicação em geral.
O mercado de transferências, neste sector parece-se cada vez mais com o do futebol…
Na comunicação social portuguesa, o amor à camisola é já pouco mais que uma estafada figura de estilo, de uso por vezes um pouco suspeito e pouco recomendável… nada mais que isso.
Pelo menos a nível de chefias é o que parece.
Senão, como explicar que alguém pegue num projecto para o abandonar um par de anos, ou um par de meses, ou, por absurdo mesmo, um par de semanas depois? Para se mudar, às vezes mesmo, para a concorrência!
Porquê? Porque se deixou de acreditar no projecto? Porque se conclui não estar à altura do desafio? E se for esse o caso, quem garante que se esteja à altura de desafio idêntico, noutro sítio qualquer?... A saída, foi ela motivada por manifesta incompetência do sujeito em causa? E se for, quem garante, que a simples mudança de local de trabalho, o vai tornar, miraculosamente e de um dia para o outro, competente e útil e eficaz noutro sítio?
Talvez estejamos a entrar pela porta errada. Talvez não seja nada disto o que está em causa. Talvez seja mesmo irrelevante a capacidade profissional, na matéria em apreço – que é gerir um órgão de comunicação social. Geri-lo de forma séria e competente. Rigorosa e ágil, descomprometida e independente… Talvez isso seja o que menos importa para o caso. Talvez seja mesmo o que menos importa, que Eusébio joga agora a ponta de lança nesta ou aquela equipa. E, já agora, se marca golos, ou está só a correr para o currículo…
O que importa é a conferência de imprensa que o apresenta ao público e aos adeptos. O que interessa é a fotografia no jornal e as declarações entusiasmadas e auspiciosas. O espectáculo, enfim.
Isto, para quem está de fora e não tem nada a ver com o assunto, mas, mesmo assim gosta de sentir aquela sensação de estar bem informado e a par do que se passa de supostamente importante. Para os próprios, a questão é outra. O que importa é aparecer e não ser esquecido. O que importa é acumular pontos, como nos supermercados e nas bombas de gasolina. O que importa é manter o mercado iludido com a nossa importância e fazê-lo acreditar que sem nós não há futuro.
O mercado e o público também; que acabam por ser quase uma e a mesma coisa…
Enfim, quase, que nestas matérias, a vontade pública nem sempre é a vontade do público. Mas isso são já pormenores técnicos… Isso, o mister é que sabe.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

nabos, crimes passionais e fé em deus

Ora bom, não o conheço pessoalmente e o que ele fez não se faz, mas, por qualquer obscura razão, dou comigo a simpatizar com ele. Assim mesmo à partida e naquela simpatia solidária, compassiva…
O facto é que o homem, ex funcionário dos correios de Gaia, está a responder pelo roubo de mais de 300 cheques da Segurança Social.
Em tribunal defendeu-se dizendo que andava de cabeça perdida. Perdida de amores. E como se isso não bastasse , perdida de amores por duas mulheres ao mesmo tempo. E – o Grand Finale! – as mulheres em causa eram irmãs e não o largavam.
Diz que nunca teve nenhum proveito financeiro com os roubos. Entregava os cheques às duas irmãs, que depois – segundo diz – iam à sua, delas, vida… Fala em chantagem. Chantagem emocional, supõe-se.
Garante que nem faz ideia de quanto terá sido o total do dinheiro desviado, mas os jornais falam em mais de cem mil euros, no período de 2 anos, entre 2001 e 2003…
Tudo isto é matéria da Justiça. Da Justiça dos homens… e que se faça.
O resto é outra matéria… é paixão… é matéria dos deuses.


E o Metro do Terreiro do Paço!
Diz que foi só uma gota e que é normal, nos primeiros tempos, os materiais terem este tipo de resposta, à medida que a obra se consolida. Os responsáveis da nova estação do Metro vieram tranquilizar a população, dizendo que essas gotinhas de água, que apareceram no tecto da estação, são coisa normal – ainda mais com estas chuvas recentes… coisa normal e sem alarme.
O engenheiro responsável, entrevistado pelos jornais, garantiu que não se trata de infiltrações coisa nenhuma, são fissuras normais…
As pessoas ficaram preocupadas –cita o 24 horas – mas há uma razão simples para essas gotinhas que pingam do tecto… é que, parte da estação ainda não foi impermeabilizada; coisa que está previsto ser feita agora e entretanto, ao mesmo tempo que se acabam também as obras e arranjos no exterior da estação…
Portanto, parece que a obra foi inaugurada e apesar de boa parte dela ter sido construída meio abaixo de água, ou por aí, há ainda uma parte que não está preparada para lidar com essa situação: a da aguinha, que , como se sabe, é substância para se infiltrar pelos espaços mais acanhados e insuspeitos.
A questão, neste caso, é que, mesmo sem chuva, o Tejo há-de continuar a correr com água suficiente para inundar uma estação, ou duas… se calhar até mesmo 3.

E esta história lembra-me uma outra, que me contaram aqui há uns anitos e que vendo ao preço a que a comprei.
Foi aquando da inauguração da estátua de Nuno Álvares, às portas do mosteiro da Batalha. Diziam na altura os habitantes da vila, que, na pressa da inauguração, tiveram de plantar nabos nos canteiros à volta, já que não houve tempo , ou dinheiro, ou disponibilidade, já não me lembro…para arrelvar o local.
Plantaram-se nabos de rama verde e viçosa. Depois da cerimónia e longe da vista dos notáveis e ilustres oficiantes da inauguração, lá se levantaram os nabitos e plantou a relva definitiva e restante verdura decorativa.
Enfim, é difícil acreditar no rigor histórico deste episódio. Vale como anedota e pouco mais. É bem mais que provável, que nada disto tenha acontecido realmente, mas era isto que se contava, na altura, na vila da Batalha…
E é bem mais que provável, que a verdadeira verdade, neste e noutros casos, não esteja no que realmente aconteceu, mas naquilo que fica para contar: uma cerimónia bonita, uma obra asseada, e um canteiro de nabos a celebrar o evento !


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

coisas de puto, coisas de puta e os filhos da dita. mas, as crianças, meus deus!...

E da capa desta segunda-feira, ficam aí uma ou duas surpresas e quase perplexidades!
Quase ao estilo: sabia que…
Pois sabia que na Alemanha, uma em cada 6 crianças vive abaixo do limiar da pobreza?...Crianças com menos de 7 anos. São mais de 2 milhões e meio! É um número 16 vezes superior ao que se verificava há 40 anos atrás…

Em Roma, um vereador foi obrigado a demitir-se, depois de defender autocarros especiais e exclusivos, para levar à escola os filhos dos ciganos romenos. Parece que estes miúdos são particularmente “enérgicos”, o que torna impossível o controlo dos adultos que os acompanham nos autocarros… O vereador é comunista, o bairro em questão parece que também é mais ou menos isso, ou p'lo menos de forte implantação comunista. O próprio partido – a Refundação Comunista – demarcou-se da atitude deste vereador… O presidente da Câmara de Roma encerrou a questão com uma evidência: as crianças são todas iguais.

Mas voltemos às capas…
A do “Público” hoje traz Bush, George Walker Bush, presidente dos Estados Unidos da América e Bin Zayed al-Nahayan, príncipe de Abu Dabhi, dos Emirados Árabes Unidos.
Diz a legenda que Bush procura aliados para neutralizar o Irão…
Na fotografia, o príncipe árabe entrega ao presidente americano um falcão – passarito cuja figura e simbologia é escusado lembrar… pois a expressão do príncipe não é reveladora, por aí além, a do presidente também não… tudo não passa, afinal, de protocolo de Estado, gestos simbólicos, pequenas atenções e alegorias …
Agora, a expressão do falcão é que é curiosa!
Há que ver. De olhos vendados, patas presas à almofada que o sustém, o falcão inclina a cabeça ligeiramente de lado e tem um ar, uma pose, uma postura de corpo, que lhe dá um ar quase enigmático. Por um lado, parece que está ali de ouvido à escuta, a ver se entende o que dizem aquelas duas personagens, que o seguram e exibem… Por outro, parece recolher-se em atitude de humildade e quase reverência … Como a de um discípulo perante o mestre. Mas, vá lá saber-se que enigmas se escondem na cabeça de um falcão…

Pois como também não se sabe de que crime fala a capa do “24 Horas” …
Parece que os jornais ingleses lhe estão a fazer uma marcação quase homem a homem, a Cristiano Ronaldo… Ele, nega tudo.
Mas vamos à manchete do 24: “Ronaldo acusado de pagar orgia sexual com duas mulheres”.
Vejamos então… Terá pago a orgia sexual, com duas mulheres? Literalmente!? Ou seja, as referidas mulheres é que foram a moeda de troca, o capital com que a alegada orgia foi paga?... E é esse o delito?! Ou a acusação recai sobre o facto de Ronaldo ter alegadamente pago a referida orgia sexual? Pago mesmo. Em dinheiro, ou em cheque, ou transferência bancária. Euros, libras, dólares, não importa…E é justamente o facto de o ter feito que constitui delito e notícia? Se o não tivesse feito, seria ainda crime, ou não. Ou antes p'lo contrário? E notícia seria? E que notícia?!...”Ronaldo contracta duas prostitutas e manda-as embora sem pagar”? …
E, já agora, o facto do episódio incluir duas mulheres, conferir-lhe-á isso o estatuto de orgia sexual? Ou, pondo a questão de outra forma, a partir de quantos intervenientes é que se pode classificar um encontro como orgíaco?... Ou, se quisermos, de outra forma ainda: se a situação envolver apenas duas pessoas… aí, a classificação de orgia está fora de questão? Em definitivo?


Vem no “Diário de Notícias”: “Polaco encontra mulher no bordel”.
Surpresa! É que, o que ele sabia era o que ela lhe tinha dito e ele tinha acreditado - que ela tinha arranjado emprego numa loja nos arredores da cidade… Uma ajuda, para equilibrar o orçamento familiar…
A verdade, no entanto, é que – loja, coisa nenhuma! - era num bordel de Varsóvia que a mulher trabalhava. A notícia não explica concretamente a fazer o quê, nem interessa para o caso. O que interessa é que o marido descobriu a verdade e não foi por terceiros. Foi ele próprio, com os próprios olhos, incrédulos e chocados! Durante uma visita a esse mesmo bordel…
Diz que ficou p'ra morrer, ao vê-la ali. Achou que estava a sonhar, ou pior, a ter um pesadelo!
Em 14 anos de casamento, diz o jornal, que esta mentira foi como a gota de água e já correm os papéis para o divórcio.
Enfim, a noticia é breve e não explica muito mais … Fica por explicar, por exemplo, quem terá tido a surpresa maior.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Em directo do estádio de Alvalade e a 5 minutos do início do encontro, boa noite Eustácio, como é que está o ambiente por aí?...

Pois, por aqui, boa noite Albano, é uma verdadeira maré verde! Desde o relvado à bancada, tudo é verde. Milhares de cachecóis verdes, camisolas verdes, barretes verdes, faixas verdes agitadas pela multidão, que enche o estádio. E no relvado, já correm os jogadores do Sporting, em aquecimento. Também eles envergando de verde, das meias às camisolas. O ambiente é de festa. Uma enorme onda verde percorre as bancadas superiores do estádio num frémito de entusiasmo…

Pode então dizer-se, Eustácio, que o ambiente está ao rubro!...

Absolutamente, Albano.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008


não garanto que nunca o tenha feito. talvez, mas não me lembro.

do que me lembro é de nunca o ter feito. quanto mais não seja por uma questão prática. de coordenação e rapidez.

vamos, então, com calma.

nunca pedi os três, ou doze, não sei quantos desejos que se pedem ao bater das doze, na passagem do ano (deveria dizer, das 24, mas só há 12 passas. vá lá perceber-se porquê!)...

para já, por uma questão de coordenação e rapidez. coordenar a ingestão das passas com a formulação dos desejos à rapidez de um desejo por cada segundo que passa... pode tornar-se complicado. depois, porque, se se pede qualquer coisa a seja a quem for e se , aquilo que se pede, é tão grandioso e fantástico como o desejo de cada um... então é forçoso que o pedido seja endereçado a alguém, algo,ou alguma coisa de tão superior e poderosa capacidade que satisfaça tão extraordinária encomenda. é evidente, ou então não vale a pena.

partindo desse princípio, chego à conclusão fácil de que semelhante entidade terá, forçosamente, a capacidade também de saber, quiçá até melhor que eu próprio, quais são os meus mais ardentes e secretos e urgentes desejos e necessidades! não precisa, portanto, que eu lhos diga. nem eu.

ora aí está, porquê!

e é, justamente, partindo deste mesmo princípio, que não vos desejo nada em especial para este ano novo.

nada mais que a satisfação plena de tudo o que de bom a vida tiver para vos dar e que mereçais e vos mereça. mesmo que disso nunca nem vós próprios vos tenhais dado conta.

bom ano!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

a reacção do trolha - o trolha da reacção




perante o anúncio da lei que vai extinguir os partidos com menos de 5 mil militantes... hoje, antes do telejornal, era vê-los, a debitar programas e paradigmas e a crucificar a lei, na tentativa desesperada de angariar mais sócios!




achei graça ao gajo do pnr. depois das alarvidades do costume, acabou a dizer que os novos sócios são isentos de jóia !!! saldos, estão a ver! uma atençãozinha.




depois também me sosseguei, que o gajo do pnr é mesmo trolha a falar. engasga-se, engana-se...




e trapalhão também a mentir - diz ele que pertence a um partido que "se recusa a sentar à mesa onde se refastela o poder" palhaço! recusa-se mesmo, o anhuca! dessem-lhe só assim, um cantinho da cadeira, ou até mesmo um pratinho nos joelhos, na pedra da cosinha...




quanto ao resto... uma gracinha. quando ele diz que o partido dele faz falta ao país...!


ora, francamente!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


terça-feira, 25 de dezembro de 2007


...um branco e magnífico natal...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

vá de metro, satanás! que se lixe, bom natal.

Uma revelação surpreendente esta, que traz hoje em título o jornal Público!
Enfim, em ante-título! Que a chamada maior vai para o destaque do Governo, dos benefícios ambientais e da segurança do novo troço do metropolitano de Lisboa, inaugurado ontem...
Sócrates terá classificado, na ocasião, de "magníficas" as novas estações, do Terreiro do Paço e Santa Apolónia. Magníficas!
Ora bem, decerto não tão magníficas como a tal revelação que se segue e de que falava…
É que o primeiro-ministro terá também dito – a crer no relato do Público… Sócrates terá dito que esta inauguração "vai devolver o amor-próprio ao metropolitano"! E esta é uma novidade absoluta para leigos na matéria, que o metropolitano de Lisboa tinha perdido o amor-próprio!
Depois, em nome da administração do Metro, o presidente do concelho de gerência da companhia terá ainda dito – melhor, garantido! – que as estações, agora inauguradas, têm condições de segurança ao mais alto nível.
E ora aí está uma notícia consoladora! Se algum percalço acontecer em alguma dessas estações – e longe, muito longe vá o agoiro! – mas, se alguma coisa acontecer, não há de ser por falta de condições de segurança, que essas são ao mais alto nível, como quase tudo na nossa terra.
Mas há mais boas notícias…
O Ambiente! Também o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, subscreve e defende essoutra declaração do administrador do Metro, Joaquim Reis, de que "este novo ramal vai ter um grande impacto na satisfação dos objectivos do protocolo de Quioto". Como?.. Permitindo "uma redução anual das emissões de dióxido de carbono de mais de 3 mil toneladas". Ora aí está! Mais de 3 mil toneladas até pode não ser grande feito… mas, se isso se consegue num percurso que, ao que parece, demora pouco mais de 2 ou 3 minutos… fica-se com a ideia de que pode não ser assim tão difícil travar o avanço do CO2 na atmosfera.

Outra notícia, que atravessa os vários matutinos desta 5ª feira é a de que Portugal está disponível para receber um condenado, pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes cometidos na ex Jugoslávia. O protocolo foi ontem assinado, falta a ratificação de S. Bento…
Uma comissão internacional terá já e entretanto visitado as prisões de Monsanto e Carregueira, para se inteirar das condições…
Das prisões já nós sabíamos, das nossas, que estão algumas sobrelotadas e com condições que… enfim… podiam ser melhores, por várias razões. Mas isso é assunto para a administração interna… Agora, quanto à Europa e ao mundo e ao estrangeiro, em geral… aí a conversa é outra. E se Schengen prevê uma Europa sem fronteiras e de livre circulação para cidadãos da comunidade… então porque não começar por aí… pela livre circulação atrás das grades e nos pátios das cadeias, por exemplo …?!

E no Diário de Notícias, enche toda a página 9, com título e chamada que ocupa um bom quarto da página.
Diz assim: “O Exército vai incinerar porcos em putrefacção.”
Os animais em questão são o que resta de uma exploração falida, perto de Alcácer do Sal. As imagens já passaram pelas televisões, nos últimos dias… porcos e vacas arrastando-se, em pele e osso e outros já mortos, espalhados um pouco por todo o lado, envenenando o ar… Sabe-se entretanto que a Câmara local sabia, há já 7 anos, que a exploração em causa está ilegal, mas parece que não terá feito grande coisa. Ou mesmo nenhuma. Entretanto foram detectados sinais de contaminação biológica… e vamos à notícia!
Duas dezenas de militares equipados com material de protecção biológica começam hoje a incinerar dezenas de porcos, desses mortos à fome e já em estado de decomposição.
Os soldados pertencem ao Laboratório de Defesa Biológica do exército português e é a primeira vez que são chamados a actuar… ora a verdade é que este Laboratório foi criado em 2006, aquando da gripe das aves, mas, obviamente, inspirado pelos acontecimentos do 11 de Setembro de 2001; sendo que, a vocação dele é investigar o bio terrorismo, nas suas vertentes de vigilância e protecção.
Os 16 sargentos e praças mobilizados para a herdade alentejana foram portanto instruídos na defesa nuclear, biológica e química. Ora, tirando o nuclear, parece que estão no seu ambiente…
Quanto aos porcos... vão ser reunidos em vala comum, metodicamente em pilha ventilada, para permitir a combustão fácil e depois regados com qualquer coisa que arda e incinerados.
Esta é uma dupla boa notícia: a de que os militares podem mesmo ser úteis em tempos de paz e que em Portugal ainda não há ameaça nuclear, que os impeça de ir dar uma mãozinha na desinfestação de uma herdade alentejana e pegar fogo a umas quantas dezenas de porcos!
O que eu gostava de os ver com idêntica galhardia no combate e prevenção de incêndios florestais e outras catástrofes mais ou menos naturais...

Pois no Iraque, também armas nucleares não se descobriu, nem consta que os marines fossem mobilizados para incinerar qualquer suinicultura falida… mas nem por isso o stress é menor entre as tropas. E então – diz ainda o Notícias, mas já a fechar a edição de hoje - a Armada norte americana vai mandar cães terapeutas para o Iraque. Cães que hão-de dar afecto aos soldados, que os hão-de ajudar a superar o stress e os traumas da guerra.
São cães da raça Labrador; chamam-se Boe e Budge… e não se chamam mais nada, porque, segundo a notícia, serão só dois, os cães que vão ser enviados para o Iraque, por estes dias do Natal... A missão é dar conforto emocional aos soldados – insiste ainda a notícia.
Pois seja! A minha preocupação não é bem essa.
É que, dois cães para o Iraque todo é capaz de ser pouco! E como é que vai ser?... Instalam-se os cães numa caserna e depois os marines fazem fila à porta, para lhes fazerem uma festa, ou brincar um bocadinho com eles?… ou põe-se os animais num camião e levam-se em tournée pelo Iraque? Uma coisa assim mais no género Marilyn Monroe e Bing Crosby, mas sem o Glenn Miller…?

E filmes de natal, filmes de família, cada um chame-lhe o que quiser.
"A Bússola Dourada" com Nicole Kidman e Daniel Craig é apresentado como um filme de família. À maneira de Harry Potter, diz o crítico do DN. É a primeira parte de uma trilogia do escritor britânico Philip Pullman, adaptada pelo norte-americano Chris Weisz, tentando recriar um universo de mundos paralelos e de fantasia. É uma tentativa de imitar o lado mais feérico dos filmes de Harry Potter, o aprendiz de feiticeiro mais famoso do mundo contemporâneo…
Uma tentativa falhada, remata o crítico… "a sensação é de desperdício total."
Sendo ou não sendo, acontece que o Vaticano e o Osservatore Romano são bastante mais críticos em relação à fita! Quase heresia… Diz o Osservatore… um filme gnóstico, anti-Natal e soixante-huitard… Um filme que denota tendências inimigas de todas as religiões. O Osservatore considera, por isso, uma "consolação" o facto do filme se ter ficado pelos míseros 17 milhões e 400 mil dólares de bilheteira, no fim-de-semana da estreia norte americana.
Ora bom! Esta de se dizer que o filme facturou "apenas" 17 milhões e meio num fim de semana…! Apenas 17 milhões, mesmo sem o meio, já é obra, p'ra quem ainda vai no super 8… mas o que – mais que impressionar - deixa alguma – chamemos-lhe - apreensão é – mais que a indignação (o jornal fala mesmo em veto do Vaticano ao filme, que acusa de inimigo do catolicismo…) mais que a indignação, o que deixa alguma surpresa e apreensão é esta do Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, se congratular com o suposto fracasso da fita! É que parece vagamente pouco católico e ligeiramente desfasado do espírito da época! Quase anti-Natal, quase gnóstico, quazzzzzzzzzzzzzze.


terça-feira, 18 de dezembro de 2007





E depois, temos estas novas regras que, segundo o DN , determinam o pagamento de 2.500 euros, por cada manual escolar candidato a certificação. O despacho ministerial foi ontem tornado público.
Uma portaria e dois despachos… um diz que a comparticipação da tutela (do ministério, supõe-se) nos custos de avaliação e certificação, pelas entidades credenciadas, é fixado por protocolo, nunca podendo exceder os 7.500 euros por livro. Diz também que se podem candidatar instituições do ensino superior público, associações profissionais de professores, associações científicas… Isto, desde que respeitem o rigor linguístico, científico, conceptual, a conformidade com os programas e orientações curriculares, a qualidade pedagógica… Depois, cabe às escolas, escolher entre os vários manuais que forem aprovados...
Agora a questão de pagar – seja 2.500 euros, ou apenas dez tostões dos antigos - para submeter a avaliação os livros da escola… é uma novidade curiosa! Quase tão surpreendente como se, de repente, se aplicasse a mesma franquia – ainda em nome do rigor linguístico, científico, conceptual e pedagógico - aos manuais escolares e outra literatura infanto-juvenil que não cumpra esses mesmos requisitos.

E aqui, o Público dedica-lhe duas páginas e avisa:”O fosso digital português assenta na falta de educação.”
Depois volta a dizer, mas que a maioria das casas portuguesas não tem ligação à Internet, porque as pessoas da casa não sabem mexer naquilo. Ou, em linguagem mais apropriada, não sabem usar a tecnologia. Ora, portanto, será mais uma falta de instrução, do que de educação… talvez!...mas adiante… ficamos portanto a saber que menos de metade da população usa o computador e que desses, só 4 em cada 6 tem acesso à Internet. Abaixo, portanto, diz a notícia, abaixo das médias europeias…

O Governo português, esse, já se sabe que se rendeu às maravilhas deste admirável mundo novo e é on-line, também e por exemplo, que se pode pedir o formulário para o subsídio pré-natal, recentemente instituído e muito celebrado.
Enfim, preencher e pedir pode-se sempre… o problema não é esse. O problema é que, o subsídio é para as mulheres a partir da 13 ª semana da gravidez. E para o comprovar, as grávidas têm de levar a ecografia respectiva, feita justamente às 13 semanas. Ora acontece que os médicos, durante o processo de gravidez, requisitam ecografias entre as 11 e as 13 semanas, depois, só ao completar as 20 semanas… Temos então que os exames, ou são feitos demasiado cedo para a burocracia do processo, ou já um pouco tarde, para as expectativas criadas entre as futuras mamãs…
Parece que já se encontrou, entretanto, uma solução de emergência para o embróglio. Junta-se no caso e para o efeito mais um pequeno papel ao processo.Os médicos podem comprovar as 13 semanas de gravidez, em declaração aparte e, independentemente da data da ecografia, validar assim a atribuição do subsídio. A noticia diz também que esta pequena "desatenção", ou "desencontro processual" não terá prejudicado muita gente, provocando apenas alguns atrasos e pouco mais. Claro que teria sido bem mais simples se – on-line, ou pessoalmente - os Serviços respectivos tivessem conversado entre si e acertado essas contas a tempo e horas. Demorassem 12 ou 13 semanas, as que fosse preciso.

Mas, polémica a sério é a intenção do Governo, de pagar à comissão -diz o Correio da Manhã- a prestação dos médicos!
Na capa, o jornal fala mesmo em “médicos pagos á peça”…
O ministro da saúde quer afinal que os clínicos sejam mais produtivos e propõe-se que sejam pagos conforme o número de intervenções cirúrgicas efectuadas, por exemplo… o maior número de consultas….
A Ordem acha bem, em princípio, mas tem muitas reservas. Diz que o caso tem de ser discutido em negociação com os sindicatos. Quer saber se, para já e por exemplo, a alteração do sistema de pagamento implica um subsídio de incentivo à produtividade "acrescentado" ao ordenado base, ou se … o próprio ordenado vai ser contabilizado e aferido em função do total de actos médicos efectuados.
A verdade é que o próprio ministério ainda não tem o modelo completamente definido, mas, por exemplo, Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, acha que – produtividade, com certeza!- mas há que ter em conta também a eficiência do médico e a qualidade dos serviços prestados. E aqui , a avaliação pode fazer-se, por exemplo, pela taxa de reinternamentos… uma situação que pode denunciar um mau serviço prestado na primeira vez, ou então os cancelamentos de consultas e cirurgias…

E a qualidade… isso é que era uma notícia catita!
Quando não, não há-de faltar quem pense, que o médico que o vê à pressa e o despede sem uma receitazinha, um xarope, um raio X que seja, não é porque não haja doença a assinalar… é só porque está com pressa de despachar os 15 doentes que lhe faltam, para poder ir de férias mais folgado!
E isso, meus amigos, é uma coisa horrível de se pensar de um médico, ou seja de quem for !


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007



Já não me lembro de quem era avó.... Lembro-me que, a senhora em questão, comia sempre a fava do bolo rei, discretamente, sem se desmanchar.
Não com medo, que alguém lhe cobrasse fosse o que fosse! Claro que ela sabia muito bem, que era tudo só uma espécie de jogo, de brincadeira da época, uma tradição antiga. Ela sabia. O espírito do Natal e essas coisas... Não era o caso. Uma questão de princípio, talvez. Talvez a senhora não gostasse de perder nem a favas nem a feijões! A verdade é que, sempre que lhe saía a fava, ela comia-a, p’ra ninguém saber.
Claro que, quando o bolo chegava ao fim e a fava não aparecia a mais ninguém, toda a gente percebia que já tinha sido comida, discretamente entre uma geropiga e uma casquinha de abóbora cristalizada. Já tinha sido comida e por quem?... Pancadas!
O problema é que, com a idade – que ela sempre foi assim, ao que parece – com a idade, os dentes foram-lhe faltando e uma vez foi o diabo, que a senhora engasgou-se mesmo a sério com um bocado de fava mal partida e qual geropiga, qual nada! Uma aflição mesmo.
A tua avó – disse-lhe eu – o espírito do Natal ainda acaba por matar a tua avó!

ÚLTIMA HORA ! (embargo até ao meio dia)

Um cidadão caucasiano, de meia idade e fato escuro, entrou esta tarde, na farmácia Estácio, no Rossio de Lisboa e, dirigindo-se ao balcão, pediu uma caixa de aspirinas e um pacote de lenços de papel. Depois de atendido o pedido, pagou e saiu, sem olhar para trás. A funcionária da referida farmácia, contactada p’la nossa redacção, garantiu que o individuo em causa não é cliente habitual do estabelecimento, nem lhe apontou nenhuma pistola, ou arma branca. Quanto ao pedido, afirmou ser habitual, nesta altura do ano. O sol intenso e a humidade nocturna dão cabo da saúde a muita gente. Também as vendas na farmácia, onde tudo se passou, a mesma funcionária esclareceu que se mantém dentro do razoável, tendo em conta a crise que o sector atravessa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007



Isto, de protocolos e honras de estado é um mundo!
Diz o Diário de Notícias, citando a France Press, que ontem, Paris encerrou todas as pontes do Sena, para que Muammar Kadafi passeasse de Bateau Mouche, com a respectiva guarda pretoriana feminina. Foram aliás as mulheres do presidente, quem denunciou a presença do líder líbio a bordo da pequena embarcação, quem esclareceu esse facto insólito, de mandar fechar todas as pontes pedonais à circulação.
Hoje Kadafi visita Versalhes e, pela mesma ordem de razões, o palácio há-de ser fechado a tudo o que não seja comitiva e segurança do presidente…

É um mundo!
Por exemplo, a biblioteca do convento de Mafra…
Tem de ser visitada durante o dia, porque a luz eléctrica pode danificar os documentos. É o que se diz – foi o que me disseram da última vez que lá fui… Estava já a escurecer e a visita foi feita muito à pressa, a fugir do lusco-fusco! E mesmo isso … de longe! À porta, do outro lado da cordinha de segurança, pelas mesmas razões. Legítimas! Agora explicar como – e isto aconteceu – passados dois dias, se liga a televisão e se vê uma transmissão de uma entrevista gravada nessa mesma biblioteca, bem lá no meio, nessa tal área protegida! Protegida e – para o efeito – iluminada pelos potentes projectores necessários a filmagens destas… Há forçosamente uma razão científica para a excepção! Ou, se não científica, pelo menos uma Razão de Estado.
Adiante!

Hoje assina-se o Tratado de Lisboa e os Jerónimos já se engalanaram todos para receber os signatários do documento. Depois, já se sabe, vão de eléctrico para o almoço, no museu dos Coches.
Ora, o eléctrico, alguém o há-de conduzir… e é uma mulher! Sara Coelho, guarda-freio da Carris há 5 anos.
O Diário de Notícias fecha a edição de hoje com uma entrevista rápida à jovem, que há-de conduzir os 27 aos Coches.
Diz que ficou muito alegre quando soube. Depois o jornalista aprofunda a questão e pergunta se terá sido mesmo uma explosão de alegria. Sara Coelho diz que sim. Depois o jornalista pergunta se está nervosa. Sara Coelho explica que não é bem nervosa… mais ansiosa! Depois pergunta se a jovem é de Lisboa – ela responde que sim. Se estudou – ela, que fez o ciclo normal; depois pergunta-se e cito: “como é isso de aprender a guiar um eléctrico…” Sara Coelho diz que demora 3 meses e é muito curioso.
Curiosa também a forma como termina a entrevista… Pergunta o jornalista: “tem consciência do que eles vão ali fazer? “Sara Coelho tem. Diz Sara Coelho: ”tenho. Sei que tem sido uma coisa muito demorada, que vem desde 2005.”
E depois conclui que é “uma coisa que a pessoa é obrigada a saber e que é bom para os portugueses que tenhamos sido nós a dar o pontapé de saída…”
Ora aí está! Certamente já todos ouvimos explicações mais vagas de protagonistas mais ilustres!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Não percebo esta ansiedade, esta fixação…
Diz o Diário de Notícias que “a importância do acaso no avanço da ciência foi uma vez mais provada”… Como?
Uma roda do robot espacial, que a NASA mandou para Marte, raspou o chão e pôs à vista dióxido de silício, um minério que costuma encontrar-se em ambientes favoráveis à existência de vida. Depois, em ante-texto, explica que a sílica é favorável à existência de micróbios…
Não percebo esta fixação em encontrar vida noutros planetas… nem que seja na forma mais microbiana… isto a solidão pode ser uma coisa terrível!

E Michael Schumacher!
A história passa-se na Alemanha e para o que importa pode bem saltar-se pormenores de circunstância. E a circunstância foi que o ex piloto estava atrasado. Tinha ido não sei onde comprar um cão e estava atrasado para apanhar o avião de regresso a casa. Trânsito complicado e o táxi não avançava. A solução foi passar ele próprio para o volante do táxi e acelerar até ao aeroporto como se estivesse em Nurburgring. O taxista ficou colado ao assento, ao vê-lo ultrapassar toda a gente em manobra vertiginosa, entrar nas curvas, como só se vê nos filmes… parece que ninguém se aleijou… é bom… parece também que ninguém foi multado… é… é melhor ficar calado.
Envolver os cidadãos nas celebrações da assinatura do Tratado de Lisboa.
É esse o pretexto, para que amanhã os museus sejam de entrada gratuita e também a Carris e o Metro ofereçam viagens grátis ao povo de Lisboa.
É pena ser dia de trabalho! Ainda se fosse feriado, aí sim, Lisboa poderia celebrar condignamente a assinatura do Tratado! Passear de Metro o dia todo, celebrando… Andar de eléctrico… visitar museus e andar de Metro, outra vez…
Enfim, não se pode ter tudo .

Em Alcochete, o Freeport oferece pipocas para a vida toda e aqui o Tratado de Lisboa não risca nada .
A ideia é da empresa que explora os cinemas deste parque comercial . Aos autores das dez melhores frases promocionais do cinema e do empreendimento, serão oferecidas pipocas para o resto da vida, ou pelo menos enquanto e de cada vez que forem ao cinema em Alcochete.
Antes disso, a Ordem dos Médicos vai propor que cirurgiões seropositivos passem a usar dois pares de luvas, em vez de um, como forma de prevenir eventuais contágios, nos blocos operatórios. A medida segue um modelo norte-americano e vai ser discutida e proposta na próxima semana.
Na Ordem, há o consenso de que o risco, de um cirurgião infectado poder contaminar um doente durante um acto médico, é muito baixo, mas, manda a ética e a deontologia da classe que, havendo risco, mesmo próximo do zero, esse cirurgião não deve operar.
O debate impunha-se e concluiu-se então que, apesar de não se dever proibir ou impor qualquer tipo de limitação laboral, faria sentido recomendar o reforço das medidas de precaução e segurança. E então – ao que parece – a solução, que vai agora ser divulgada em forma de recomendação, é usar dois pares de luvas em vez de um… umas por cima das outras. Luvas de látex fininho… um par, dois pares, três pares… nada que um bisturí mais distraído não corte sem esforço de maior…

Já a Liga Portuguesa Contra o Cancro não quer confusões nem misturas.
Vem no Público, sem grande destaque, mas vem.
Diz assim: "a criação de uma associação contra o cancro do colo do útero está a provocar uma polémica com a Liga Portuguesa Contra o Cancro."
Tudo uma questão de siglas e nomenclatura…
A Liga Portuguesa contra o Cancro fez questão mesmo de anunciar, no seu próprio sítio da Internet, que não tem nada a ver com a Liga Portuguesa contra o Cancro do Colo do Útero… para que não haja confusão nem equívoco, sobre quem é quem e o que representa.
E de repente, isto faz-me lembrar qualquer coisa, que se não me engano é de um filme dos Monty Pyton, mas isso para o caso não interessa rigorosamente nada.
Adiante!
A nova imagem de Portugal tem os rostos de Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Mariza, Nelson Évora… enfim, o peito ilustre lusitano! Fotografia artística, claro.
A ideia foi do Governo e pretende promover a imagem de Portugal no estrangeiro. Talvez assim se perceba que as legendas das fotografias sejam em inglês… Mais difícil de perceber é a identificação da coisa em si… É verdade que a palavra Portugal desce de cima abaixo toda a altura da fotografia. Verdade também que aparece outra vez, mais pequena, no canto inferior esquerdo… agora o que identifica a obra no seu todo é esta frase: retratos da costa ocidental da Europa… e de repente, dito assim, soa quase a documentário do National Geographic… coisa exótica, essa costa ocidental da Europa! De repente parece muito longe…
O autor das fotografias é inglês e consta que é dos mais influentes e caros da actualidade. Cobrou 350 mil euros por esta encomenda. Portanto, para que conste, Portugal tem José Mourinho, Mariza, Ronaldo… nomes ilustres que fazem brilhar a imagem nacional além fronteiras… Fotógrafos é que desgraçadamente não temos!
Enfim, pelo menos para estas obras de vulto, há que importá-los do estrangeiro. Mas também aqui e voltamos ao principio… não se pode ter tudo

última hora:
acabo de passar, na rotunda do marquês de Pombal, em Lisboa, por um desses gigantescos cartazes de que falamos. Aqui na versão portuguesa e , no caso, com a fotografia da fadista Mariza. E chego à conclusão que não é só fotógrafos que não temos. Faltam também tradutores! Quero dizer que a versão portuguesa traduziu: "portraits of the west coast of Europe", por "retratos da costa ocidental da Europe"! Voltamos ao mesmo, não se pode ter tudo! Temos trolhas . Já não é mau.
ainda mais última hora que a outra !!!(a 18 de dezembro...)
já emendaram o cartaz da mariza no marquês. pintaram-lhe um "a" por cima.
bem pintadinho, por sinal. nem se dá pela emenda.
vê-se que aquilo não foi trabalho de um trolha. valha-nos isso. benza-o deus.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Portugal vai plantar uns quantos milhares de árvores no Parque Natural da Peneda-Gerês. É isto, em resumo, o que diz a notícia.
Esforço meritório, para compensar a ameaça de concentração de CO2 na atmosfera. O Gerês agradece e nós também. Com os incêndios e tudo o mais deve precisar de uma reflorestaçãozinha! Mas, se de efeito de estufa se fala e ar sujo e pesado e doente, porque não plantá-las num desses sórdidos baldios das nossas cidades, onde o ar é naturalmente mais sujo e pesado e doente e a nossa vidinha, cabisbaixa e triste, bem precisada anda de verdura e bons ares?!...
Como quem diz, com todo o respeito, vamos então vender frigoríficos aos esquimós?!… Pois seja.

E o tribunal de Coimbra tem em mãos um caso curioso e delicado.
A queixosa diz que, no hospital onde entrou para uma biopsia, alguém inadvertidamente mandou para o lixo o tecido recolhido para a análise. Assim mesmo. Para o lixo. Desapareceu. Foi-se. Lixo.
A doente processou a equipa toda. E quer 80 mil euros por danos não patrimoniais.
Ontem, o tribunal ouviu as alegações de enfermeiros e auxiliares que, apesar de não terem estado presentes durante a intervenção, explicaram os procedimentos normais em casos destes. E nestes casos, normalmente, a responsabilidade última – a culpa, se quisermos – é do médico. Foi o que disseram ontem algumas testemunhas do processo.
Quanto ao médico… o Jornal de Notícias ouviu familiares do cirurgião ajudante e diz que o médico ficou ofendido, quando soube. Ofendido na honra profissional. Garante que foram cumpridos todos os procedimentos correctos e que lhe competiam. Por isso, também ele quer ser indemnizado. Quer que a doente queixosa lhe pague 25 mil euros, por danos morais.
E de repente, parece que a biopsia já nem faz grande falta a ninguém, nem o pedacito de tecido desaparecido algures no lixo, entre toda a espécie de porcarias. Enfim, nada que uma indemnização por ofensas, negligência, ou coisa assim não resolva, por ora.
E ora bem, ou me engano muito, ou por esta hora deve haver muito maqueiro, pelos hospitais deste país, a desejar ardentemente que alguém o insulte, ultraje mesmo ou simplesmente o acuse de uma negligênciazita. Mesmo ordinária.

É um bom investimento! Senão neste, num outro mundo.
Diz o título do Diário de Notícias, que as carmelitas de S. José, em Fátima, estão a vender o Carmelo para pagar as obras no convento.
“É um bom investimento, não na terra, mas realizando algo que nunca vai ser esquecido por Deus no Céu”. É uma espécie de promessa das carmelitas de S. José.
E à venda estão desde as portas aos vitrais das janelas, ao chão das celas, às próprias celas por inteiro e atacado. Em compensação, as irmãs prometem uma oração especial e personalizada diariamente em louvor e salvação das almas dos fiéis beneméritos. Prometem também, para além disso, inscrever-lhes os nomes nos sítios e peças que forem compradas.
Para que conste, havia 125 celas à venda, a 10 mil euros, preço de cada uma. Havia, porque 10 foram já vendidas, bem como as portas e o vitral da capela.
Para mais informações, consulte-se o
www.carmelofatima.carmelitas.pt
As carmelitas passam recibo.

Outro género de receitas é a que os médicos passam aos doentes e que estão a ser devolvidas, às centenas, às farmácias, por estarem mal passadas.
Erros de preenchimento, preenchimento incompleto dos cabeçalhos das receitas, aplicação errada das vinhetas, ou o recurso incorrecto à legislação, que garante maiores reembolsos. São erros a mais! Diz a Associação Nacional de Farmácias, que já terá criado um organismo que lhe garanta os reembolsos.
É que a ARS não paga comparticipações em casos destes e devolve-lhes as receitas. Diz que às centenas. A Administração Regional de Saúde, as várias, culpam em parte os próprios farmacêuticos, que poderiam corrigir as faltas, ao balcão, antes de as mandar para reembolso. A Associação Nacional de Farmácias diz que era só o que mais faltava e ainda pagar pelos erros alheios.
Entretanto sabe-se que, uma parte das devoluções é por causa da famosa “letra de médico”! Desenhada, corrida, ao correr, da pena própria e dos outros, que se vêem e desejam para perceber o que lá está escrito… um mistério insondável, a famosa “letra de médico”. Coisa que fica bem a engalanar diplomas e outras iluminuras, mas já não tanto em receituários, que podem salvar, ou comprometer a vida e saúde de uma pessoa.
Haviam de ter levado umas traulitadas naqueles dedinhos, quando andavam na escola. A ver se aprendiam a escrever direito. Agora, se calhar é tarde e quem se lixa são os farmacêuticos. Se me permitem a opinião, o melhor é a gente nunca precisar dessa gente. Nem duns, nem doutros. Haja saúde!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Ora bem, a miséria tem muitos rostos… e é a conclusão a que se chega em 3 curtos actos.

Este fim-de-semana foi assaltada a sede da Comunidade Vida e Paz, em Lisboa. Roubaram roupa e comida, que era para a festa de natal dos sem abrigo. Foi um assalto feito com toda a calma. Deu para escolher a melhor roupa e deixar a já usada e mais velha. Deu para deixar o sítio num pandemónio de caixas abertas e destruídas, roupa espalhada pelo chão…
Os donativos começaram a ser recolhidos em Outubro e iam ser distribuídos durante a ceia de natal, agendada para o próximo fim de semana… Os responsáveis pela Comunidade garantem que a festa se faz na mesma, mesmo que mais modesta…
Agora, assaltar um armazém e roubar coisas que foram oferecidas pela solidariedade popular para distribuir pelos mais pobres… se não é sinal de uma extrema miséria…


Ou então desviar, por artes e manhas de secretaria, o dinheiro que era para suportar o Rendimento Mínimo Garantido… E foi o que aconteceu com uma ex funcionária da Segurança Social de Leiria. Durante 8 anos desviou uns bons 150 mil euros, falsificando cheques e vales, inventando agregados familiares e pagando a beneficiários inexistentes…
150 mil euros em 8 anos até pode não ser fortuna por aí além, dá uma média de 1500 euros por mês… seja como for, estes 150 mil euros, estes muito concretamente, a senhora não deveria ter roubado.

E depois há este jovem, ao que consta piloto de competição, que entrou disparado , com carro e tudo, por uma casa dentro, morreu e deixou a casa destruída. Foi este fim-de-semana também, no Algarve, à saída de Faro e o carro ia, obviamente, em excesso de velocidade.
A manchete do Público, esta segunda feira, diz que Portugal está a falhar a meta europeia para a redução de mortes nas estradas e depois, abrimos o Jornal de Noticias e aparece este jovem piloto a fazer uma notícia destas…
A 125 é uma estrada perigosa – é o que se diz, quando se quer desculpar a falta de respeito e civilidade (ia a dizer civilização) dos condutores… Pois será e assim sendo, manda o bom senso que se tenha mais cuidado.
Neste caso, fala-se de um piloto de competição e – ou há aqui alguma informação que derrapa, ou seria de esperar uma postura mais responsável, por parte do condutor… seria de esperar que ele, mais que ninguém, soubesse distinguir a 125 do autódromo do Estoril ou dos trilhos do Dakar… Seria de esperar que, àquela hora da madrugada e por muita pressa que tivesse de chegar a casa, ele conduzisse a uma velocidade que não o fizesse galgar a contra mão e entrar em voo por uma casa dentro. Levou a parede e só não foi quem lá dentro dormia, por sorte …
Era um apaixonado dos automóveis, explica o jornal… piloto com experiência, largos quilómetros de corridas no currículo. Recentemente abriu um negócio de restauração e ajudava ainda o pai, que tem uma padaria… Os bombeiros dizem que o acidente foi uma coisa brutal - depois de embater contra uma árvore e de a arrancar literalmente do chão, voou sobre a faixa contrária e foi chocar contra a parede da casa, no outro lado e… e estamos quase a ficar com pena, não é?... E, 26 anos! Tão jovem ainda!... Com pena deste jovem, piloto com experiência, que ia matando um homem, que dormia tranquilamente em casa, ao entrar que nem um doido, com carro e tudo pelo quarto a dentro destruindo-lhe a casa… e isto, apesar de todas as avarias que o carro possa ter tido, porque ia em excesso de velocidade! E pela fotografia do estrago, excesso mesmo; que não há-de ser a 80 à hora que, depois de arrancar uma oliveira pela raiz, ainda sobra força para se mandar abaixo a parede de uma casa, do outro lado da estrada! Digo eu…
Carro potente. Topo de gama, daqueles com ar condicionado, como a miséria gosta!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

a preguiça é lixado...

eu sei que a culpa é minha e que, se não fosse tão preguiçoso, bastava pegar no comando e mudar de canal... mas não o fiz e , por isso mesmo, fiquei a ouvir em fundo o programa da apresentadora Fátima Lopes, que dá de manhã, na SIC.
Uma merda, meninos!
Uma merda, esta coisa da preguiça. Devia ter mudado de canal. Mas não o fiz.
Mas tudo na vida tem a sua utilidade. só precisamos saber aproveitar as oportunidades que o acaso lança no nosso caminho. e o programa da Fátima Lopes também me ensinou alguma coisa. Que ela vem acabar com o mito anedótico da loira burra. ela vem provar que uma morena, nem que seja nas anedotas, ou só nos programas da manhã também pode ser burra que nem um tanque da roupa. é o caso da Fátima Lopes, a apresentadora.
O programa é de facto uma merda. Mas ela não parece perceberisso. o que é uma vantagem para ela. mas a verdade é que, não só o programa é uma merda, como ela própria faz uma figura patética de cada vez que aparece no ecrã. nem precisa abrir a boca. aliás, esse foi o meu próximo passo. tirar o som à televisão. então aí a coisa compôs-se. experimentem ver a Fátima Lopes sem som. só as caras que ela faz. é um espectáculo. a melhor delas todas. a que mais vontade de rir me dá, é quando ela fecha a cara para falar de um assunto sério, como bébés que vomitam, ou gajos sem dinheiro.
têm que ver. tirem só uma parte da manhã.
de preferência à hora das desgraças.
escusam de me agradecer já
a gente depois fala

uma pequena perplexidade metafísica, mas nada de grave...


As aparições do Escorial!
Nos anos 80, uma certa Amparo afirmou ter visto Deus num prado do Escorial. De então para cá, o fenómeno cresceu, a ponto de agora se falar em grande negócio.
Hoje, no Público, d. Januário Torgal Ferreira denuncia o que chama de mentira organizada… fala em exploração dos sentimentos, fala de uma máquina montada, de pessoas de muito boa fé , mas que estarão a ser manipuladas por interesses bem terrenos e muito pouco católicos.
Consta que o Vaticano recusou o estatuto de ordem religiosa aos seguidores da vidente do Escorial e que, no seguimento disso, terão fundado um lar de idosos, que não respeitava as leis do trabalho e que por isso a polícia foi chamada e que por causa de tudo isso, agora até já se formou uma "Associação de Vítimas das Supostas Aparições do Escorial". Fazem-se vigílias nas Portas do Sol, em Madrid; faz-se o abaixo assinado, para que Estrasburgo se pronuncie contra este tipo de exploração religiosa e de associações iluminadas…


Ora tudo isto faz muito sentido e nem sequer é uma novidade por aí além. Seitas e visionários, há-os para todos os gostos e iluminações; vendilhões de todos os templos do mundo. Gente estranha…
Agora o ponto é este . A Igreja Católica, o Vaticano não reconhece as aparições como de carácter sobrenatural . E é disto que o Vaticano pode falar, que o resto é matéria de direito de trabalho e direito civil…
Pois que não reconhece como de carácter sobrenatural.
Não reconhece as aparições, ou só não as reconhece com carácter sobrenatural?!...
Põe a hipótese da vidente ter confundido um qualquer turista em férias com deus ele próprio?...
Ou recusa a hipótese dela ter mesmo visto deus?! Ou acreditar que o viu, que em matéria de fé, acreditar ajuda muito...
E como é que estas coisas se avaliam e esclarecem? Já alguém viu deus? Com toda a certeza? Quero acreditar que sim
.