segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Tratado de Lisboa…Vai ser assinado nos Jerónimos a 13 de Dezembro.
O Diário de Notícias diz que vão ser postos belos tapetes no chão de pedra do velho mosteiro. Que os espaços abertos vão ser cobertos por uma enorme lona, que há-de proteger os signatários do sol ou da chuva, conforme o caso… Diz que a lona começou por ser encomendada a uma empresa espanhola que disse que sim, mas o preço era tal, que se resolveu fazer a festa com a prata da casa e encomendou-se o resguardo a uma empresa nacional.
Agora, a chamada de capa do jornal é que, os 27 da União vão de eléctrico para os Jerónimos. Num eléctrico desses históricos. Desses em que, relembra o DN., o próprio Teófilo Braga, quando era presidente do governo, ia para o trabalho!
E depois do tratado assinado segue-se o almoço, logo ali portas meias, no Museu dos Coches.
E não é a primeira vez que o museu se abre para este tipo de repastos de alto nível. Há um par de semanas, foi a vez da Dior fazer uma jantar de gala nas instalações do museu.

Mas, nem de eléctrico, nem de charrette, nem nos Jerónimos, nem na capelinha das Aparições… Teresa Gonçalves acha que não há necessidade.
Não há… das mulheres portuguesas chegarem ao sacerdócio. Teresa Gonçalves acaba de ser nomeada consultora do Conselho Pontífico para o Diálogo Inter-religioso. Ora, em relação ao sacerdócio feminino, acha que aí não há diálogo que se justifique.
Acha Teresa Gonçalves que as mulheres portuguesas já desempenham um papel importante quanto baste na Igreja. Fundam movimentos leigos e congregações. Têm uma acção importante que chegue, sem precisarem de ser ordenadas sacerdote. Para Teresa Gonçalves, o sacerdócio não deve ser considerado – no caso específico das mulheres – como (se assim se pode dizer) o topo de carreira.
Para Teresa Gonçalves esse é o motivo suficiente para as mulheres portuguesas desistirem de qualquer pretensão a ser ordenadas. Não vale a pena.
Como se disséssemos, porquê estudar para médico, quando se tem tanto jeito para a enfermagem.

E o Guiness!
Livro de todos os prodígios…
Agora foi Gondomar quem acabou de entrar no livro dos recordes mundiais.
Porque, nas festas do europeu de Futsal, foram largadas mais de 5 mil bolas de futebol de uma altura de 20 metros em pleno relvado do Sport Clube de Gondomar!
Parece que nunca ninguém o tinha feito, pelo menos de uma altura destas e em tão elevado número e muito menos sobre o relvado do Sport Clube de Gondomar! Fica-se sem saber se alguém terá lançado, por exemplo, umas 3 mil bolas do alto de uns, digamos, 15 metros sobre , por exemplo, uma chapa de assar frangos… não se sabe, nem isso é importante. Em Gondomar lançaram-se 5071 bolas de futebol de uma altura de 20 metros sobre o relvado do estádio do Sport Clube de Gondomar. É um recorde mundial absoluto. O feito está no Guiness, para a posteridade, ou só até alguém lançar, digamos, 5072 bolas da altura de 20 metros e meio, sobre o relvado do Sport Clube de Gondomar, ou mesmo sobre a tal chapa de assar frangos, por absurdo e exemplo…
Até lá, venha lá quem vier, essa é uma glória que ninguém nos tira.!
Nem que venham de carro eléctrico.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ora aí está, uma daquelas histórias que a gente fica sem saber o que dizer!
Vem no Público, que o Infarmed fez suspender uma promoção de um stand automóvel, que oferecia um rastreio e uma vacina contra o cancro do colo do útero, a quem comprasse um automóvel. Campanha idêntica estava a ser feita, ao que consta, também por uma instituição de crédito.
Segundo o Infarmed, a campanha foi suspensa por fazer publicidade a um medicamento, que é sujeito a receita médica.
A campanha começou o fim-de-semana passado e atravessou jornais, rádios televisões e até terminais multi banco.
Os autores da ideia defendem-se, que a intenção era puramente cívica. Ora deixemo-nos de poesia… Cívica seria, mas certamente que a sensibilidade da matéria em causa já tem publicidade que chegue! Enfim, talvez não tanto se possa dizer dos automóveis que este stand terá para vender… mas isso não é problema nosso, nem do Infarmed.
Mas quanto ao Infarmed e ao argumento da publicidade não poder ser feita porque a vacina está sujeita a prescrição médica… pode bem ser razão que chegue… e pode até acontecer que haja uma enormidade de marcas no mercado já, o que torna a coisa mais complicada em termos de concorrência e privilégio… pode ser, confesso a minha ignorância na matéria. Agora, se não há assim tantas marcas comerciais de vacinas contra o cancro do colo do útero – e até é bem capaz de não haver, já que o produto é recente no mercado… se for esse o caso – volto a reconhecer a minha ignorância na matéria – mas se for esse o caso, que mal faz fazer-se publicidade ao produto?!...
E oferecê-lo em promoção também não me parece pecado maior…
Pode ser de gosto duvidoso, mas o mercado nunca primou pelo bom gosto ou pelo respeito por certas matérias mais sensíveis.
Consta que, também a farmácia que supostamente venderia as tais vacinas ao tal stand automóvel, foi notificada pelo Infarmed para suspender a venda. Além, claro, dos outros intervenientes no processo, incluindo a empresa contratada para realizar a campanha…
Aqui é que parece que temos novidade! Se a vacina só pode ser vendida com receita médica, como é que o stand arranjava receitas em número suficiente para cumprir a campanha?!
Ou será que a farmácia se preparava para as vender sem receita?!
E será que um infarmed qualquer pode impedir um estabelecimento comercial – que é o que uma farmácia é, apesar de tudo – de vender o que tem para vender aos clientes que se lhe apresentem, com dinheiro para pagar, obviamente?...

E são já perguntas a mais para uma questão que se resume em duas penadas.

Mas é mesmo uma questão que gostava que me ajudassem a avaliar e compreender, para não fazer juízos injustos. Ou se quisermos, só para ficar mais descansado …
O que é que acham? Estamos aqui perante uma questão de Direito e Saúde Pública, ou simplesmente mais uma guerrilha de mercado, de concorrência e preços?... De saber quem é que manda, afinal…
Enfim, a desconfiança é terrível, quando se instala…
Olha Al Gore!
Até o Nobel recebeu, pela Cruzada pelo ambiente e tudo o mais…
Pois sim, só que as revistas norte americanas de economia agora não o largam e dizem que a aliança entre Gore e uma companhia, que o contratou como especialista em energias alternativas, é um negócio da China! Desconfiam portanto que, para o Nobel da Paz, a guerra do ambiente se está a tornar numa – e cito – "grande oportunidade financeira". Ou, já que se fala de ecologia e revolução verde – numa frondosa árvore das patacas!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Portugal é um país formidável.
Não tanto em tamanha, óbviamente. Aí já foi maiorzito, é histórico, não há nada a fazer… mas formidável nesse outro sentido, que passemos a exemplificar…
Portugal assinou o Tratado de Quioto. Comprometeu-se a limitar as emissões de gases com efeito de estufa até 2012, segundo os termos e as percentagens que se acordaram…
Agora, vem o ministro da tutela dizer que não devemos conseguir esse objectivo. A dizer que, apesar de ter concordado com tudo, contudo não o vai poder fazer, mas que e apesar disso, não vai deixar de respeitar o acordo firmado e o compromisso assumido.
Se estamos a falar da mesma coisa – a das emissões dos gases provocadores do efeito de estufa… se é disso que estamos a falar… e se Portugal diz que não vai conseguir limitar-lhes as emissões dentro dos limites fixados em Quioto… como é que se vai respeitar o acordo se – aparentemente – se está a desrespeitá-lo?!

Isto, o ambiente é um mundo!

E a Internet então é outro mundo…
Na Alemanha, uma jovem enforcou-se porque, na Internet, um suposto amigo lhe disse que não andava aqui a fazer nada, nem fazia falta a ninguém. Em Portugal, se não fosse a denúncia, um, ou dois, ou quem sabe até mais preparavam-se para se suicidar, ao que consta, influenciados pela Internet …
E em Portugal, apesar de já ter sido assinado em 2001 – há 5 anos portanto – continua sem ser aplicada a Convenção do Conselho da Europa, para o combate aos crimes via Internet.
Todos concordam que a Internet – pelo menos em Portugal – é uma selva. Território sem lei. Ninguém controla os conteúdos. Qualquer um é livre de abrir uma página e publicar o que quiser.
Ora bom, toda a gente concorda que esta situação é uma das principais responsáveis por se chegar a casos como este, dos jovens portugueses, ou da adolescente alemã que se suicidou… no entanto e mesmo assim, Portugal ainda não ratificou a lei que foi assinada há 5 anos por 36 países, incluindo o nosso e que – até pode ser que não resolva nada – mas pelo menos tenta travar alguns excessos de liberdade a que a Internet dá voz e propaganda…

E a propaganda é muitas vezes a alma do negócio.
Porque toda a gente já percebeu que muitas vezes a primeira impressão é que marca. A primeira imagem, ou pelo menos aquela que se quer dar do produto, ideia, ou até mesmo de si próprio é por vezes a que importa, mesmo que depois se venha a revelar que o produto não presta, que a ideia é disparatada, ou que o próprio, afinal, não é flor que se cheire…. Mas isto é conversa que não leva a lado nenhum. Tanto mais que temos razões para estar contentes, neste formidável Portugal que já tem um telemóvel, que se pode dizer sim senhor!
Chama-se N-drive Phone… obviamente que dá para ir á net. Hoje em dia, aliás, quase todos o fazem… mas este foi concebido em Portugal, por uma empresa portuguesa. Agora o fabrico é que já é outra história…
Vai ser fabricado na China. Esse país onde não nos cansamos de dizer que há violação de direitos humanos e onde as pessoas são forçadas, mesmo desde tenra idade, a trabalho mal pago e sobrecarregado de horas extraordinárias…
Portugal indigna-se e faz questão em dar o recado aos representantes da nação. Cada vez que algum deles vai à China, ou quando algum político ou diplomata chinês nos visita… “não se esqueçam de lhes
lembrar os direitos humanos e essa coisa do trabalho escravo!” “digam-lhes, que o que eles mereciam é que lhes fizéssemos um boicote comercial em forma. Até podíamos começar já pelas lojas dos 300…!”
Poder, podíamos muita coisa, neste Portugal formidável… formidável nesse outro sentido já. O de coisa terrível e temerosa…
Os telemóveis… esses hão-de ser um sucesso!
Apesar de tudo, os chineses têm muito jeitinho de mãos para estas coisas. Coitados…

sábado, 17 de novembro de 2007

dois em um

fala-se do sal e de que o pão português tem sal a mais. chamou-se o porta voz do estudo e ele disse que o pão português tem mais sal que o espanhol e do que o inglês. fiquei sem saber se era isso que fazia mal à saúde. lembrei-me do pão sem sal que se come em certos países e assustei-me com a iminência da minha própria morte.
mais à frente uma mulher falava dos riscos de tromboses derivado ao sal. dizia ela que uma pessoa podia ficar incapacitada, se fosse preciso, para o resto vida. no meu caso pessoal não faço muita questão que seja para o resto da vida, mas sublinho a expressão entre vírgulas. esse "se for preciso", que nem chega a ser propriamente uma bengala de linguagem em português e que surge aqui de forma quase disparatada, dá, no entanto, ao sentido da frase, uma intensidade e urgência verdadeiramente assustadoras.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O fim do mundo
Diz que se barricaram numa gruta, algures no centro da Rússia, à espera do fim do mundo. Para quem não saiba – estes fiéis de uma seita apocalíptica russa, acreditam que o fim do mundo deve chegar lá para Maio do ano que vem.
Até lá, ameaçam suicidar-se se alguém os quiser tirar à força da gruta onde se refugiaram, há 10 dias já, à espera do Dia do Juízo. A polícia cercou o local, mas não os quer pressionar, já que há muitas crianças entre estes fiéis visionários. Esperam que a fome os faça sair da gruta. Quanto ao guru da seita… diz que costumava dormir dentro de um caixão. Costumava, agora talvez não, porque já foi detido. Dizem que é esquizofrénico.

O fim do mundo… há-de chegar, eventualmente, ou de certeza. Agora, Telavive gostava que ele começasse por outro lado, que não por Israel.
A ver.
Escreve o Correio da Manhã, que Israel pediu à Disney para ver se o Hamas não lhe estará a violar direitos de propriedade… Isto porque, ao que consta, num certo programa de televisão aparece um ratinho de desenho animado - claro! - em tudo semelhante ao rato Mickey. Pelo menos as autoridades de Israel acham-no muito parecido e isso preocupa-as,o roubo de propriedade intelectual do Hamas aos criativos da Disney. Parece que é mesmo isso que as preocupa neste momento.
O ratinho chama-se Farfur e num dos programas em que apareceu terá dito… citemos: "estamos a preparar um mundo dirigido por islamitas." Para Israel, isto equivale à declaração de morte anunciada para o estado de Israel… quase uma declaração de guerra. Mas, a crer na redacção do Correio da Manhã, a preocupação israelita neste caso é mesmo saber se não há roubo ou violação de direitos de autor.
Não tanto a tal ameaça sobre a sobrevivência de Israel enquanto Estado, mas a preservação de identidade do rato Mickey. De memória não sei, mas talvez se tenham começado outras guerras por motivos ainda mais estúpidos.

E vamos ao 24 Horas.
Em Peso da Régua, um revendedor de bilhas de gaz bloqueou a entrada do prédio com a carrinha da distribuição. Assentou-a mesmo em cepos, sem rodas nem nada, para que não houvesse dúvidas, que dali só sai à grua…
O caso está em tribunal, a Guarda Republicana diz que não pode fazer nada, a Câmara da Régua também não…

Então mas… e que diabo de ideia?!…
Não, é que estavam a pensar em instalar gás natural no prédio, o que iria comprometer o negócio das bilhas de gás.
Acresce que o vendedor em causa é dono de 3 dos andares deste prédio e, quando a questão se colocou, ele votou naturalmente contra.
Votou vencido, mas não convencido. Com a carrinha a bloquear a entrada do prédio não só se impede a instalação do gás natural como, ao que parece, impede o acesso a bombeiros, em caso de necessidade, o acesso à rampa das cadeiras de rodas, o acesso a uma fuga rápida -longe vá o agoiro…
Agora, porque é que nem a Guarda Republicana nem a Câmara têm autoridade para tirar dali a carrinha?... Porque se trata de um condomínio privado e, só se as queixas dos vizinhos vencerem em tribunal, é que a policia pode forçar a remoção do veículo. Até lá, nem que o mundo acabe, ou o rato Mickey faça explodir as muralhas de Jerusalém !
“Morte violenta de passageiro polaco no aeroporto de Vancouver foi registada em vídeo. “
A gravação foi feita por um outro passageiro, que se encontrava na altura no aeroporto e que já a entregou à imprensa, com a devida autorização da família deste cidadão polaco.
Mas vamos aos factos.
O cidadão em causa esperava, há dez horas já – segundo a notícia do Publico – esperava há dez horas pela chegada da mãe, que o viria recolher ao aeroporto canadiano de Vancouver. Um estranho numa terra estranha não sabia e estava sentado à espera numa zona que lhe era interdita. Era a primeira vez que viajava de avião. Quase normal que não estivesse muito por dentro das regras do aeroporto. Mais, sendo polaco, também talvez não estivesse muito familiarizado com as regras e indicações em língua estranha… Consta que não sabia uma palavra de inglês… O facto é que estava nervoso. Bastante nervoso. É experimentar passar 10 horas à espera, num aeroporto qualquer, a ver…
Mas, vamos então aos factos.
Releio da notícia do Publico: Estava há 10 horas à espera na zona das bagagens. Visivelmente transtornado, deitou ao chão um computador portátil. Quatro polícias aproximaram-se dele. Terá dito que não o podiam acusar de nada, mas pouco mais terá dito. A descarga eléctrica que se seguiu deitou-o ao chão. Os polícias agarraram-no até deixar de se mexer, enquanto gritava e se contorcia com convulsões. A morte foi declarada no local.
Os testemunhos recolhidos dizem que, para além do nervosismo evidente, o cidadão polaco não metia medo a ninguém. As imagens mostram-no de facto meio desesperado, suando de nervosismo, a falar sozinho. O passageiro que gravou o vídeo, que serve agora como uma das provas do sucedido, garante que nunca, nem por uma vez, se sentiu ameaçado pela atitude deste polaco. Um comportamento estranho, irracional mesmo, mas só isso.
Estranha também que a policia tenha entrado logo – e neste caso pode bem dizer-se – entrado a matar, sem antes ter havido qualquer troca de palavras, de explicações, ou muito menos ainda, qualquer situação de conflito, ou desatino.
O cônsul polaco em Vancouver está em estado de choque. A Polónia pede explicações ao Canadá. O advogado da família estranha que nem as autoridades de imigração, nem a segurança do aeroporto se tenham preocupado em saber a razão da desorientação do passageiro, que ninguém, no fundo, o tenha orientado no meio daquela confusão, própria dos grandes aeroportos internacionais… Estranham e indignam-se com a única resposta que a policia canadiana de serviço ao aeroporto encontrou para esclarecer ou acabar com esse nervosismo. A saber… descarregar-lhe os 50 mil volts das pistolas Taser, em cima, sem bom dia, nem boa tarde.

Já agora, para que conste, no Canadá, nos últimos 4 ano, morreram 18 pessoas, na sequência desta nova política de, pelo sim pelo não, abater-se o suspeito e depois ver-se o que ele tem para dizer…
Neste caso, depois de morto, pouco terá.

A verdade é que falar com um morto deve ser tão esclarecedor como falar com um tijolo dentro de uma caixa de sapatos.
E afinal foi isso mesmo que a polícia descobriu, abandonado num quarto do hotel Sheraton em Lisboa.
Noticia do DN. Aconteceu ontem.
Chamou-se a polícia. A embalagem era altamente suspeita. Uma caixa de sapatos abandonada no quarto do hotel. Pesava… Não fazia tique taque, mas se calhar as bombas de agora já não fazem, só nos filmes… pelo sim pelo não chamou-se a brigada dos explosivos. A caixa não se abria ao olhar indiscreto dos Raios X então só havia uma solução… destruir a ameaça à força de agulheta. Um jacto de água. No fim, abre-se a caixa e em vez de bomba, o que se descobre é um bloco de betão! Um calhau de cimento.
O terrorismo afinal não é só rebentar prédios ou gazear populações… é mais fino… dá a deixa e depois deixa andar, como quem diz: aterrorizai-vos a vós próprios !

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O que está em causa é um exame psicológico vinculativo, relativamente ao acesso à magistratura. A alteração à lei está em discussão e já levanta controvérsia entre governo e oposição.
Paulo Rangel do PSD pergunta se será legitimo, um psicólogo decidir se um magistrado deve ser mais duro que humanista. E pergunta ainda, se haverá um modelo psicológico ideal para um juiz… Haver, há de certeza! Há um modelo ideal para tudo na vida, senão... andamos a correr para quê?..
A verdade é que a lei actual prevê a entrevista chamada psicológica, mas pelo júri que avalia o candidato. Há um psicólogo presente, mas só para dar opinião. A decisão final é do magistrado entrevistador. A nova lei propõe que esse parecer clínico seja vinculativo e que em caso de dúvidas, ou de um primeiro "chumbo" no exame, seja dada uma segunda oportunidade e o candidato submetido a uma segunda avaliação, por outro psicólogo, ou equipa de psicólogos.
Para Paulo Rangel, se for avante a proposta, vamos ter um arquétipo de juiz desenhado por um psicólogo. Quando a matéria em análise é o comportamento humano, mesmo nos seus delírios e tragédias desviantes, talvez seja de bom aviso garantir que, quem o julga tem a cabecinha perfeitamente organizada e sem contas em aberto com a vida, ou com alguém em geral.

E depois a “Ordem dos Médicos recusa aborto e não muda o Código Deontológico”, grita o Público esta manhã, a toda a largura da manchete. Enfim, pode ser só uma questão de pormenor, quase lana caprina. O texto do código diz que a prática do aborto é uma falha grave. Vem no artigo 47 e a Ordem diz que esse é ponto assente. Diz também que nenhum médico foi penalizado por cumprir a lei. O que quer dizer que se, apesar do que manda o Código, o médico fizer o que manda a lei do país, a ordem dos médicos não o punirá; enquanto clínico, já que enquanto cidadão, esse e outros são delitos que cumpre ao Estado punir.
Para o actual bastonário, “a independência, autonomia e liberdade dos médicos não são negociáveis” e que por isso não se altera o regulamento interno da classe.
Se o mesmo fosse reivindicado por outro tipo de associações, grandes corporações, ou simplesmente pequenas quadrilhas de bandoleiros… havia de ser lindo! Sim, que os bandidos também hão-de ter a sua ética, o seu código de conduta, senão não se governavam…

Mas esta outra vem de Espanha e é inédito. Um arcebispo de Granada está a ser julgado por injúrias, calúnias, assédio moral, lesões e coacções a um outro sacerdote… É a primeira vez que um sacerdote da Igreja enfrenta os tribunais seculares, em Espanha.
Foi ontem, o primeiro dia do julgamento. E que disse o arcebispo espanhol, logo, para que não restassem dúvidas ao tribunal?...
Disse que os bispos são perfeitamente livres nas decisões que tomam nas suas dioceses.
Poderia ter invocado um qualquer código deontológico. Poderia dizer que não reconhecia a um tribunal laico, a autoridade para julgar um caso ocorrido no seio da Igreja. Que só quem está no convento é que decide o que lá vai dentro e outros aforismos parecidos. Ou podia muito simplesmente ter explicado ao juiz que certo tipo de instituições é muito ciosa lá das suas coisinhas.
Puta que as pariu, não desfazendo.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A óptica do utilizador – expressão muito utilizada em informática…
E a expressão nem é despropositada, já que a questão, aqui, também passa muito pelos computadores.
Merece duas páginas na edição de hoje do Público.
E diz assim:
“Vai a pirataria matar a cultura? E a FNAC?”
Obviamente que a questão não é se a pirataria ou a FNAC, qual delas pode vir a matar a cultura!...
O despacho vem de Paris e continua… “Numa era em que os consumidores têm acesso gratuito, através da Internet, a jornais, filmes ou jogos” ( e num futuro próximo “a livros e filmes” também) “importa questionar qual o futuro das indústrias culturais.”
A correspondente do Público, em Paris, falou com o presidente da FNAC, Denis Olivennes, que acredita que o futuro depende da regulamentação.
Ora bem, a FNAC, que abre hoje mais uma loja na área da grande Lisboa e, ainda esta semana, mais outra em Braga, queixa-se de que as vendas estão a baixar, por causa das trocas de ficheiros gratuitos através da Internet. Diz que as receitas de quase 5 milhões de euros do ano passado podem ser afectadas por esta selvajaria cibernética.
É um território sem lei, queixa-se Olivennes. A pirataria e a oferta gratuita de produtos culturais é o resultado do capitalismo selvagem, o que neste caso e para a companhia que representa… é mau.
Enfim, talvez o não seja tanto para os beneficiários directos dessa facilidade de acesso aos tais bens culturais… Também é verdade que muitos artistas – mais na área da música – ou estão a rescindir contractos com algumas majors do mercado, ou a começar a gerir o próprio produto desde o momento da criação até ao balcão da loja, sem intermediários, ou simplesmente colocam os trabalhos na rede, para download gratuito, ou a troco do que o comprador achar justo, como preço… Para selvajaria, parece uma selvajaria simpática, quase!
A verdade também é que a Indústria sabe, que não é multando estes novos piratas que se vai conseguir estancar a sangria; mas, hábitos velhos morrem devagar e ainda não conseguiu, a Indústria, encontrar a solução que a resgate deste capitalismo selvagem que a ameaça.
O que a Indústria não sabe é que ninguém prefere um ficheiro, descarregado da Internet, a um disco prensado em fábrica, com capa cuidada e a cores, folheto incluso com informação e bonecada … a menos, claro, que a Cultura, em si, se apresente com outras urgências e , à falta de melhor, o consumidor prefira mesmo assim , uma cópia eventualmente de pior qualidade e sem tantos atavios, mas que lhe permita o acesso a esses produtos, do que ter de prescindir deles por falta de dinheiro.
Mas não nos dispersemos.
Regressemos ao título.
“Pode a pirataria matar a cultura?” Portanto a pergunta é: pode a troca ilegal de ficheiros, fotocópias e outros suportes matar o fenómeno cultural? Fenómeno cultural, que poderíamos, grosseiramente, definir como a troca descomprometida e sem grandes preocupações de lucro, de toda a informação, de toda a inteligência, de todo o génio humano… poderá essa divulgação, feita sem constrangimentos de mercado, matar a cultura?... Fazê-la chegar o mais longe possível e tendencialmente a custo zero, pode matar a própria cultura? É bem possível...

E cá estamos na tal coisa da óptica do utilizador, porque, é claro que se falarmos da Indústria da Cultura, aí o cenário pode ser diferente! Mas também a Indústria é a Indústria, problema de industriais, enfim, outra guerra, outro cenário.

Ponto dois: E, num cenário tão negro e desregrado, que industrial de bom senso é que teima em abrir lojas condenadas à falência?

Ponto terceiro e último:
Saberiam os corsários espanhóis, os piratas da coroa inglesa, os terríveis flibusteiros de todas as Caraíbas que, em pleno século XVI e assim de sabre nos dentes e muitas vezes mal alimentados, estavam a inaugurar a era do capitalismo selvagem? … Ou que estariam, ainda que por diferida influência, a provocar a queda dos grandes industriais da cultura do século XXI e, mais grave que isso, quem sabe, a mergulhar o mundo e toda a Humanidade numa nova era de obscurantismo e ignorância?!...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Abriu hoje no Porto mais um Centro Comercial.
Desde quando isto é notícia?... Não há muito tempo, mas é.
Diz que vai ter mais de 70 lojas e um Health Club: o sucedâneo actual dos velhos ginásios…
Abre em grande! Já ontem muita gente se juntava, do outro lado da porta, do lado de fora, a ver o que havia para ver, ou seja, quase nada. Quase nada, para além das costas de um segurança que montava guarda à porta. E depois o resto lá para dentro, os corredores, as montras das lojas ainda fechadas….Só isso.
Abre em grande e apresenta-se como ponto de encontro entre clientes e comerciantes, o que, para um centro comercial, convenhamos que é surpreendente e quase revolucionário!
Diz também que quer ser a ágora dos tempos modernos, a lembrar a Grécia Antiga… A verdade é que ontem – diz o Jornal de Notícias – já alguns reencontros se deram, à porta do novo Centro Comercial. Gente que não se via há muito tempo e que se encontrou, por causa da curiosidade que os levou até ali… E hoje, “se deus quiser e a patroa vier, cá estaremos” – disse mesmo um dos entrevistados ontem ao JN.
Lá estarão para ver as montras, para ver, quem sabe, velhos amigos desaparecidos, familiares esquecidos… ou só para passear de um lado para o outro, como barata tonta perdida no seu próprio labirinto…
O Centro, para além do tal ginásio com nome fino, tem ainda um supermercado – dos mais baratos, a julgar pelo nome - e outra loja, que também pelo nome poderá eventualmente ter a haver com produtos de informática, ou multimédia – chama-se Media Market… pode ser. Seja como for, são as âncoras do projecto: o ginásio com nome estrangeiro, o supermercado de preços económicos e esta terceira loja. Aqui a comparação com a ágora grega começa a derrapar mais para o lado do mercado persa, mas adiante…

A questão é que – e aqui as alterações climáticas não devem ter grande culpa – os tempos mudam e é cada vez mais normal, aos fins de semana, por exemplo, vermos cenários de autênticas cidades fantasma… Ninguém nas ruas, nem nos parques, jardins, esplanadas, praças… mas se procurarmos no Shoping local… ah bom!

Os tempos mudam, sem que se dê conta e de repente, quando se vai a ver… já está!

Por exemplo, Carolina Salgado…
“Corrupção”, o filme que João Botelho muito oportunamente construiu a partir do livro da ex- namorada de Pinto da Costa, vai, ao que consta, de vento em popa. Mal acabou de estrear e numa semana já foi visto por mais de 100 mil pessoas!
É curioso que o jornal Correio da Manhã já fala no filme como sendo de Alexandre Valente, o produtor, já que Botelho retirou a assinatura – a zanga foi pública e quase mais popular, à altura, que o próprio filme. Não que ele não tivesse mérito próprio, pelo menos o de ser de toda a actualidade e trazer um certo perfume de escândalo e alguma perversão, que resulta sempre, numa terra onde as poucas diversões que sobram são… visitar centros comerciais ao domingo!
Mas adiante. Dizia que os tempos mudam e quando se vai a ver já está.
Por exemplo, Carolina Salgado...
Diz o Correio da Manhã que a jovem anda em tournée nacional, a ajudar na promoção da fita. Diz o Correio da Manhã que – e atenção que vamos sublinhar esta parte – diz que a escritora passará amanhã por vários centros comerciais no norte do país. Depois vai descendo Portugal abaixo até aos algarves...
É extraordinária a rapidez com que certas coisas acontecem!
Saberá Carolina Salgado, que afinal é escritora?!
É que foi tudo tão rápido!...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

É o resultado de um inquérito do “Daily Telegraph” e o “24 horas” de hoje faz-lhe o resumo. Pergunta a tituleira: “Haverá 10 leis mais estúpidas que estas? “
A ver…
Comecemos por uma, que nem será das mais surpreendentes. Em Inglaterra, é considerado acto de traição colar um selo com a face da rainha de pernas para o ar…
Depois, em York, é permitido matar um escocês, desde que ele se encontre junto às antigas muralhas da cidade… de arco e flechas!
Na Escócia, se alguém nos bater á porta a pedir para usar a casa de banho, não podemos recusar-lhe a entrada.
E quanto a estas necessidades básicas… diz a lei que, se a questão envolver uma mulher grávida, ela tem liberdade completa para resolver a questão onde e como quiser, Diz a lei, que até um capacete de um policia pode servir.
Mas há mais, no ranking do desvario…
Em Liverpool é proibido uma mulher estar em topless…. A menos que trabalhe numa loja de peixinhos tropicais.
E peixes tropicais não tanto, mas se uma baleia vier a morrer nas praias da velha Albion, manda a lei que a cauda do animal seja oferecida á rainha e a cabeça ao rei .

Agora a eleita.
A
lei mais absurda, ao que parece ainda em vigor na Grã-bretanha, é a que proíbe qualquer cidadão de morrer... no Parlamento!
Isto é a coisa mais estúpida da lei inglesa, para 25% dos inquiridos pelo Daily Telegraph.
Acham os ingleses que é mais estúpido que essa outra que os proíbe de entrar na Câmara dos deputados vestindo uma armadura de ferro.

E depois há ainda a lei que ultrapassa todas pela direita e, apesar de recolher apenas 3% dos votos, é matéria de estudo, que abre caminho a interessantes hipóteses…
Diz assim – e cito como vem no “24 horas”- em Inglaterra, é ilegal omitir às autoridades fiscais algo que não se queira que se saiba, mas é legal não prestar informações sobre aquilo que o cidadão não se importe de divulgar.
Ou seja, a ver se nos entendemos…
O cidadão que foge aos impostos, que faz um desfalque numa qualquer empresa, pública, ou privada, que defrauda, de qualquer forma, os cofres do Estado e o erário público… é de prever que não queira muito que se saiba! Pois, mas não pode ser. Pela lei, é obrigado a confessar todos os crimes.
A menos…
A menos que confesse que o quer fazer, o que lhe permite o direito de não o fazer.
Portanto e para não vos roubar mais tempo, em Inglaterra, basta um ladrão reconhecer que está disposto a confessar um crime, para ganhar o direito a não o fazer, ou negar todas as acusações, ou ocultar provas, recusar-se a depoimentos comprometedores…
É muito mais que uma simples charada. Muito mais que um sketch humorístico na linha do nonsense típico britânico. É toda uma filosofia. Um tratado de ética. Pressupor que o criminoso reconhece a falta e está disposto a admiti-la publicamente, assumindo todas as responsabilidades. Não porque é forçado a fazê-lo, mas porque se sente obrigado a fazê-lo. Por imperativo próprio. Uma questão de consciência moral e cívica.
Talvez o legislador inglês estivesse cheio de boas intenções, ao pensar numa lei destas. Talvez fosse só uma sugestão, uma esperança vaga de que as coisas se encaminhassem nesse sentido…
Se era essa a ideia, falhou. Falhou porque as coisas não foi por aí que se encaminharam e hoje, ao ler uma lei destas, a única coisa que acontece é a gente sorrir, ou espantar-se. Como se de repente, d. Afonso Henriques entrasse por S. Bento, de armadura e toledana, a interpelar o governo da república!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Começam hoje em Lisboa os dias europeus do desenvolvimento.
As “Jornadas Europeias do Desenvolvimento”, que juntam, para além de instituições europeias, várias organizações da ONU e outras, não governamentais…
Vai-se avaliar a estratégia de cooperação que nos resgate das alterações climáticas que se anunciam.
Uma cooperação a pensar, neste caso muito concreto, nos países mais pobres de África, onde essas alterações se vão sentir com mais gravidade.
Tudo indica que é nessa zona do planeta que os efeitos serão mais devastadores. Onde se depende essencialmente dos recursos naturais para sobreviver, onde não há uma política de Estado Social, onde se morre de doença por falta de salubridade … As alterações climáticas: secas, inundações e outros fenómenos meteorológicos extremos vão, irremediavelmente e sobremaneira, afectar essas populações…
A ironia de tudo isto – escreve o jornalista do Público – é que, os mais pobres do planeta pouco ou nada contribuíram para o descalabro climático a que se chegou, mas vão ser eles, os que mais hão-de sofrer, quando o dia chegar…

E há-de chegar o dia da assinatura do Tratado de Lisboa!
Só não se sabe se lá se cá…

Tudo por causa do ambiente.
A presidência portuguesa ainda ontem fez finca-pé que o Tratado de Lisboa fosse assinado… em Lisboa, a 13 de Dezembro… ao que parece, poucas horas antes de uma outra reunião em Bruxelas; uma Cimeira que reunirá os mesmos que supostamente hão-de assinar o Tratado. Ora isto implicaria que os 27 signatários haveriam de voar de Lisboa para Bruxelas para a tal cimeira…
Os ambientalistas protestam, que aviões para lá e para cá vão carregar o ar de CO2 sem necessidade nenhuma!
O próprio ministro dinamarquês dos estrangeiros prometeu já que vai levantar a questão, dia 19, na próxima reunião de ministros europeus… Diz que, para além do mais, não faz sentido realizar duas cimeiras em cidades diferentes e no mesmo dia…
A verdade é que, desde o Tratado de Nice, todas as cimeiras são obrigatoriamente realizadas em Bruxelas, desde 2002…
Mas as hipóteses estão em aberto e em discussão: ou a cimeira de Bruxelas se faz em Lisboa e aproveita-se para assinar também o Tratado que, por razões óbvias se fica a chamar Tratado de Lisboa, ou se faz a Cimeira em Bruxelas e assina-se lá o Tratado de Lisboa, que pode ficar na mesma a chamar-se o Tratado de Lisboa., ou antecipa-se a assinatura, em Lisboa, para uma semana antes, de forma a coincidir com a Cimeira euro-africana e aí aproveita-se a boleia da poluição dos aviões fretados para essa cimeira.
Foi Angela Merkl, quem primeiro chamou a atenção para esta sobreposição de datas: as da cimeira de Bruxelas e a da assinatura do Tratado em Lisboa…
Um vai e vem que representa um suplemento de 75 mil quilómetros e a emissão de 250 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera… o equivalente às emissões provocadas pelo aquecimento de uma casa europeia – enfim das mais fresquinhas – durante 25 anos.
250 toneladas de dióxido de carbono que, se o vento estiver de feição, pode bem descer tranquilamente o mapa e estender-se pelos céus de África, quem sabe…
Enfim, o que se sabe, é que – todos de acordo – o Tratado de Lisboa vai chamar-se mesmo Tratado de Lisboa, nem que o assinem debaixo de um coqueiro, no Burkina Fasso!
Isso é certo.
Já foi tratado.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

É uma figura conhecida em Portugal e foi mãe há pouco tempo.
E porque é figura pública foi notícia, a maternidade da jovem mãe.
Notícia surpreendente… diz que pediu para atrasarem a anestesia epidural, porque queria sentir o que sentem as mães pobres, que não têm posses para esses luxos anestésicos. Não prescindiu da injecção, só a fez atrasar um pouco, para ficar com uma ideia.

E aqui saltamos para Moscovo.
É a nova moda entre os novos-ricos russos. Fazerem-se passar por pobres.
Pagam quase 700 euros por uma noite, para se disfarçarem de vagabundos sem abrigo, ou de taxista, ou de prostituta… Sim, que a moda não arrasta só deputados e empresários, mas também as respectivas esposas. Ansiosos por emoções fortes. Já não lhes chega os saltos em queda livre, ou outras aventuras mais extremas e radicais. A emoção máxima é agora passar uma noite ao relento, nas ruas de Moscovo, ou vestir a pele de uma prostituta por uma noite…
! Por uma noite, que depois volta tudo ao normal. Banhinho tomado, um sono reparador em cama decente e limpa e no dia seguinte, os turistas da miséria alheia voltam aos seus empregos, sem sobressaltos e com uma ou duas histórias picarescas para contar.
Mas… estarão eles devidamente identificados? A polícia saberá distingui-los dos verdadeiramente sem abrigo, das prostitutas a sério?... E neste último caso, até onde estarão dispostas a ir, as esposas destes russos de sucesso?...
E como é que se divertem? Uma noite inteira ao relento e mal vestidos?...
E será esse o propósito? Divertirem-se? Ou perceber como vivem certas franjas da sociedade?... Ver para crer e, quem sabe, fazer qualquer coisa para tornar menos miserável a vida dos outros? Ou só para ficar com uma ideia? …
E por 700 euros - que é quanto se paga por uma aventura destas… - por 700 euros, não se poderia fazer qualquer coisa mais interessante com os sem-abrigo, do que macaquear-lhes a desventura e o desamparo?
Olha, por exemplo, os sem–abrigo portugueses precisam de meias!
A “Comunidade Vida e Paz” diz que é do que mais se queixam, quando o frio aperta. E o Natal já aí vem…
Meias! Mas se quiserem… toda a roupa é bem vinda. A recolha de donativos já está em marcha.
Quem quiser colaborar, pode fazê-lo através do site da “Comunidade Vida e Paz”
http://www.cvidaepaz.org/
De certeza, que se faz a festa e lava a alma por bem menos de 700 euros…

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Vai ser hoje entregue, em S. Bento, um abaixo-assinado contra o "museu do Estado Novo", pensado para Santa Comba…
São 16 mil assinaturas. Teme-se que o anunciado museu venha a revelar-se como um santuário do salazarismo. Um local de peregrinação dos saudosos do fascismo português.
A verdade é que pouco se saberá, por enquanto, sobre que tipo de objectos e memórias o museu vai reunir, ou a lógica de organização do material recolhido. Sabe-se, para já, que parte do espólio de Salazar já foi doado por um sobrinho neto …
O protesto reclama contra o que considera a
"divulgação de ideologia fascista."

Ora bem, é sabido que logo a seguir ao 25 de Abril, tudo o que trazia ecos do regime deposto foi rebaptizado em nome da Revolução, em esconjuro da Longa Noite… Nada de mais natural e genuíno. Varrer da memória todas as más recordações. Apear os velhos heróis, que, reconquistada a liberdade, são remetidos ao lugar que lhes cabe na História, de pequenos tiranetes, de cruéis assassinos, de tresloucados visionários. Valeu o sermos o proverbial país de brandos costumes, para que a euforia revolucionária não tivesse chegado a extremos e excessos insanáveis, ou de que agora nos devêssemos arrepender ou envergonhar para o resto dos nossos dias…
Mas isso não quer dizer que não seja, passados estes anos todos, eventualmente interessante arejar e revelar à luz do dia, à luz da História, à luz da nossa capacidade de discernimento… tudo o que houver disponível e que nos ilustre e informe sobre os cantos mais escuros do nosso passado recente.
Na mesma lógica com que se conta a história de Peniche, do Tarrafal, de Auschwitz - faces ocultas da mesma moeda… Uma realidade não teria existido sem a outra, a verdade é essa. E se insistirmos em ver sempre e só uma das faces da realidade, seremos sempre alvo fácil de todos os fascismos, venham eles de onde vierem…

A verdade é que – é antigo o rifão : "pior cego é aquele que não quer ver"!
E, se de fascismos se fala e saudosismos e perigo para a democracia, ofensa à civilização… pois seria mais urgente, talvez, perceber onde mora e o que anda realmente a fazer, uma certa jovial rapaziada, que se auto proclama herdeira, filha órfã de certos nacionalismos serôdios e que – essa sim – sem rebuço nem complexos – publica manifestos, saúda de braço em riste, em locais públicos e alta voz, espanca negros e homossexuais, em nome da pureza da raça e se enfeita com os berloques que sobraram do 3º Reich… Sem grande esforço de pesquisa seria fácil dar com os apartados onde se escondem, seguir-lhes o rasto e confrontá-los com a Justiça, quando e sempre que for caso disso.

Enfim, até poderia ser verdade, que o tal museu do Estado Novo se revelasse fonte inspiradora para uma certa extrema direita com ideias revolucionárias… gente jovem com força ainda para pegar em armas e derrubar governos… mas, em verdade, não creio que seja esse o público maioritário do futuro e eventual museu . Para inspiração têm quanto baste já, em lojas que vendem todo o arsenal de quinquilharia nazi, têm livrarias onde se vendem os livros inspiradores, têm a internet, que até os ensina a fazer bombas em casa, se quiserem… Não me parece que seja num museu, onde eventualmente, a peça que pode despertar mais curiosidade seja o famoso par de botas de António Oliveira… não me cheira que seja aí que as novas falanges vão buscar a flama e inspiração para abriladas fascistas, futuras, ou em sonhos…
Depois, a verdade também é que se formos a ver … Lisboa - e fiquemos só por Lisboa - Lisboa está cheia ainda de placas e pequenos monumentos celebrizando gente que, se formos a ver bem, não deixou grandes saudades ao bom povo português. Nada mesmo!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O medo passeia-se tranquilamente pela avenida. Leva pela mão a desconfiança e a má consciência…
Descem tranquilamente pela avenida. Param perante o aparato policial. Uma brigada fecha o trânsito e monta o dispositivo necessário à operação: neutralizar um saco suspeito, abandonado na via pública. Quase que se ouve o tique-taque da bomba! Ou será o coração, que bate mais forte, com a expectativa?... A explosão desfaz o susto em mil pequenos destroços… farrapos queimados de roupa interior e objectos pessoais não identificáveis espalham-se pelo chão. Pelo menos, não identificáveis como qualquer tipo de ameaça real e perigosa…
Foi no Porto, na rua Passos Manuel, como podia ter sido, na rotunda da Boavista… onde aliás, também já aconteceu.

No Porto, em Faro… o medo gosta de passear e ver gente. E foi á feira de Santa Iria, no Algarve.
O homem estava a fotografar as crianças que se empoleiravam no carrossel. Diz que é costume ir até à feira, tirar fotografias, porque acha que é um sítio que dá boas chapas… muita cor, animação, gente feliz… E estava nisto, quando o medo lhe bateu no ombro e o convidou a identificar-se. A desconfiança, por esta altura, jogava à cabra cega com a má consciência… Avançou de olhos fechados e foi esbarrar com o homem que tirava fotografias. Achou que devia ser um pedófilo, para estar a fotografar crianças num carrossel… com o que se diz e conta por aí, só podia ser…
Levaram-no para a esquadra, já sem grande cerimónia, garante o arguido e quiseram saber tudo. O que estava a fotografar e se tinha ou não inclinações ou tendência pedófilas… Oficialmente, o delito em causa é fotografar, sem licença dos próprios, pessoas na via pública… neste caso, crianças. O que, ao que consta, torna tudo mais suspeito.
A notícia vem em vários jornais desta sexta feira. E o medo deve estar bem satisfeito, por esta hora, com o andar da carruagem… é que – até podemos estar em presença de um sinistro violador de crianças - agora, a verdade é que se se desata a deter pessoas, que fotografam crianças em carrosséis… só assim , mesmo que movido por qualquer denuncia anónima ou identificada… abre-se um precedente que pode revelar-se difícil de gerir… pode vir mesmo a complicar a vida dos fotógrafos em geral, ou até mesmo os mais amadores dos turistas em férias.
No caso das crianças, o medo esfrega as mãos. A coisa parece bem encaminhada. Falta só estender a paranóia aos edifícios públicos…
Quem sabe a verdadeira intenção desse discreto octogenário que segura a kodak com mão trémula e a aponta, com ar suspeito, à fachada dos Jerónimos? E o Cristo rei, estará ele seguro, sob o fogo dos flashes?...

E, ao mesmo tempo e por outro lado, que sentido fará, um dia destes, as secções de perdidos e achados, que algumas empresas e autarquias têm, para devolver ao cidadão os objectos perdidos, esquecidos na paragem do autocarro, na esplanada do café?...
Talvez o medo saiba a resposta, mas agora não pode. Está muito entretido a ver como aqueles dois homens desmontam a pesada caixa Multibanco, para a levarem para casa.
Já tentaram com uns explosivositos artesanais, mas sem grande resultado. O que vale é que parece que têm a noite toda para o fazer. Por isso, alguém lembrou: “e se tentássemos com um catrapila?”
“Boa ideia”, diz o medo. A desconfiança não acha. Mas é normal. A desconfiança é sempre assim, sempre no contra…
A má consciência, como assaltos a Multibanco não a estimulam por aí além, foi para casa.
Foi dormir.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Em português não temos.
A palavra tablóide, estou em crer que entrou no vocabulário português, por causa de certa imprensa britânica. Nós por cá, ou lhe chamamos jornais de escândalos, para os distinguir dos que reputamos de referência, ou são revistas cor-de-rosa, quando a matéria publicada se centra nos esplendores e misérias de uma certa e auto-proclamada beautifull people.
Em Inglaterra não. Chamam-lhes tablóides e são muito populares e dá para escrever quase sobre tudo e de qualquer maneira. Como se o simples facto de se afirmarem como "tablóides" lhes conferisse o direito de o fazer – não o de escrever sobre tudo e mais alguma coisa, mas a prosa com que o fazem..
Ora bem: The Mirror é um tablóide e Tony Parsons é um dos escribas de serviço.
Pois escreveu Parsons, que a culpa é da polícia portuguesa e que o embaixador de Portugal em Londres é um alarve. Em português pode dizer-se alarve… em inglês, o que o senhor escreveu foi que António Santana Carlos, o embaixador português devia era – e cito – “manter fechada a sua estúpida boca de comedor de sardinhas" , isto se e volto a citar – se “no futuro não conseguir dizer nada de construtivo sobre o desaparecimento de Madeleine McCann". Fino recorte, o da prosa… que se adivinhava já no próprio título da artigalhada; voltemos às citações, no original, p'ra não ofender o bom gosto: "Up your's, Senor". Tirando o pormenor do “Senor”, que não rima com nada, o resto é uma expressão idiomática inglesa, ordinarota quanto baste…
Mas, ora bem, comecemos pela manifesta ignorância de línguas deste Tony Parsons. Em português escreve-se "senhor", com h depois do n… em espanhol escreve-se “señor” com til sobre o “n” o que faz que ele se leia “nhe”… Agora, “Senor”, nem o masculino de cenoura é! Pelo menos em português… Fica a revelação: pensava eu, até hoje, que só os Estados Unidos é que faziam estas pequenas confusões geográficas, de pôr tudo o que se mexa a sul da Europa a falar espanhol e fazer trejeitos esquisitos, mas ao que parece, alguma pequena Bretanha também estará um pouco a leste da realidade que a rodeia.
Ora bem, a crónica heróica e patriótica ( ia a dizer patética…) de Tony Parsons vem em resposta à entrevista, que o embaixador português deu ao Times. E o que é que terá indignado tanto o jornalista inglês, a ponto de o fazer confundir Portugal com Espanha, ou outro qualquer país onde se comam sardinhas?...
António Carlos Santana disse ao Times que estava preocupado com a troca de acusações entre portugueses e ingleses e criticou o casal McCann por ter deixado os filhos sozinhos enquanto iam jantar com os amigos…
Ora, para o cronista do Mirror, a culpa do mau ambiente é da Judiciária Portuguesa, que, para Parsons, é "espectacularmente estúpida e cruel"… E que a policia portuguesa tentou encobrir a humilhação, de não conseguir descobrir o que aconteceu a Madie McCann e que por isso ataca os pais da criança…
Ora, o que Santana Carlos disse ao Times foi que em Portugal é normal as crianças estarem sempre acompanhadas pelos pais, pela família, mas que compreendia que em Inglaterra se tenha padrões diferentes. Referiu mesmo que as diferenças culturais entre os dois países explicava muitas das críticas que foram sendo feitas aos pais de Madie. Que era uma questão de cultura, usos e costumes, que como se sabe, cada terra tem os seus…
Pois para Tony Parsons esse foi mais um comentário “ burro e desnecessário”.
Quanto aos jornais portugueses… ora está à vista de todos, ou pelo menos de Tony Parsons, que os jornais portugueses transformaram o caso em “entretenimento leve” e que os apupos do povo algarvio a Kate McCann, daquela vez à entrada da judiciária em Portimão… diz que foi coisa de outro mundo… ou melhor, não foi coisa “de outro país”… foi mesmo “de outro planeta”!
Ora bem, lá em Inglaterra não sei como será, mas, neste Portugal alarve e comedor de sardinhas, que os McCanns todos do mundo devem apreciar, nem que seja só um bocadinho, senão já tinham ido marcar férias para outras praias… pois neste Portugal, penso que nenhum jornal, nem mesmo os mais desbragados, que também os temos, se atreveria a abrir um artigo com “Up your’s”… ou chamar burro e alarve a ninguém, muito menos a um embaixador estrangeiro… Pode ser uma questão de cultura, pode ser apenas uma questão de boa educação… ou até quem sabe… da própria sardinha assada. Pelo sim, pelo não…sigamos a sardinha!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Atado e afogado em álcool . É o que escreve em título o Jornal de Noticias de hoje.
A notícia é a da morte de um homem, em Borralheira, Covilhã.
Chamava-se José Inácio e tudo pode ter sido, afinal e só, uma brincadeira que acabou mal.
Pois bem, vamos aos factos.
José Inácio tinha 42 anos, sofria de asma e tinha, ao que consta, hábitos alcoólicos, o que vulgarmente se chama: gostava do seu copinho. De resto era um vizinho pacato e generoso, dos que tiram o pão da boca para o dar a quem precise. Vivia com os pais, de quem se diz que era o amparo. Era também o apoio de uma tia, que vivia sozinha e que José Inácio ia ajudando como podia.
Da história de José Inácio, sabe-se que foi ainda adolescente para Lisboa a ganhar a vida. Casou-se, mas o casamento não durou muito e acabou por regressar à terra, onde se ia governando em pequenos trabalhos agrícolas. Um acidente na coluna acabou por limitar-lhe os movimentos … Os vizinhos são unânimes na crítica: um homem pacato e bom, sossegado e que, mesmo com os tais copitos , nunca se metia com ninguém, nem incomodava quem não queria ser incomodado.
Agora os vizinhos! Estes, que alegadamente o terão amarrado de pés e mãos para o deixar morrer...
Dois deles têm 17 anos, outro 22 e um mais velho, 49. Este último sofre alegadamente de algumas perturbações mentais, mesmo sem estar bêbado...
Os mais novos são estudantes e pertencem, segundo consta, a famílias conceituadas na terra. Um deles frequentou o seminário até ao 10º ano e estava agora matriculado numa escola profissional.
Parece que todos se conheciam e até davam relativamente bem. O suficiente, p’lo menos, para José Inácio, nessa noite e depois do Nacional-Sporting e 3 minis, no café do Cunha, ter então atravessado a rua para acabar a noite no Regional, o café onde terão todos juntos ficado até às 2 da manhã, a beber - diz o jornal que – dezenas de martinis... O resto presume-se.
Os vizinhos também presumiram e, ouvir a gritaria que se seguiu, não os surpreendeu. É normal, à noite, aos fins de semana, uns copitos a mais e há sempre gritaria e confusão por ali, à porta do café… por isso, ninguém se preocupou com o alarido. Ou seja, presumiu mal. Entretanto José Inácio estava a ser amarrado de pés e mãos aos apoios que havia: a grade da janela do café, uma jante do automóvel estacionado à beira do passeio. E foi assim, manietado, que o deixaram, a contorcer-se para se libertar… enquanto eles iam para casa dormir.
No outro dia , pelas 6 da manhã, uma sobrinha de José Inácio deu com ele morto , no chão, amarrado como o tinham deixado. Enregelado, afogado no vómito da própria bebedeira , sufocado e morto.
A comunidade de Borralheira está naturalmente em choque. Os alegados criminosos eram até boa gente… só queriam divertir-se… e se fazem estas coisas, assim em grupo, é só para que não lhes chamem nomes feios… betinhos, ou meninos copinho de leite…
Enfim, o comportamento está mais que classificado em todos os manuais da especialidade.
A comunidade da Borralheira está naturalmente em choque – tanto pela brutalidade e absurdo do que aconteceu, mas também porque eles eram mesmo e ao que dizem: tudo bons rapazes…

Bom, vamos à capa da Focus.
Mulheres poderosas.
E na fotografia, uma jovem rapariga fita-nos em ar desafiador, enquanto faz a barba. Assim mesmo. B-A, barba, como O' neill…
Uma gilette, daquelas que já ninguém usa e espuma de barbear com fartura… Depois em sub-título explica-se o miolo da história: O sexo fraco conquista lugares anteriormente reservados aos homens.

Ora bem e para dar o exemplo disso, a Focus põe uma mulher a barbear-se na capa! Talvez seja esse um dos pecadilhos de alguns feminismos… É que, por mais que se queira, ter barba na cara não é normal nas mulheres! Mas enfim, se é essa a imagem de Poder que ainda circula… adiante .

Em suplemento, a mesma Focus dedica-se ao que chama: sensações fortes. É uma pequena revista destacável. Uma revista radical - que o radical está in - e a fotografia de capa: dois jovens e musculados energúmenos lutam num ringue de boxe. Um deles segura o outro por cima dos ombros e vai lançá-lo ao chão, numa violência que todos sabem encenada. Vai ser uma festa, quando um deles se estatelar no chão, com uma expressão de falso sofrimento na cara, torcendo-se de dor …

Pois, a verdade é que, em Borralheira, na Covilhã, parece que há meninos que não deviam ler estas revistas, sob pena de ficarem com uma ideia um pouco torta do que são sensações fortes e o que é e como se afirma, afinal, essa coisa do Poder…

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

É sempre de louvar o esforço e aplicação de quem estuda e analisa e faz contas sérias e responsáveis, seja à nossa economia, seja ao nosso estado de saúde, às nossas expectativas e desideratos…
É uma boa ferramenta de trabalho, quando tem de se governar seja o que for, desde a mais modesta família à mais próspera Nação. Tomar o pulso à realidade, estudar-lhe os movimentos e tendências…
E de tudo isso vamos sabendo, p’los jornais, por exemplo…
O FMI diz que Portugal qualquer coisa…
Bruxelas analisa a economia portuguesa e conclui que…
O Banco Central Europeu fez as contas…
Os indicadores económicos revelam…

Mas nos jornais, se virmos bem, anda aí uma outra economia paralela, a que se calhar não se tem dado a merecida importância!

Volto ao exemplo das caixas Multibanco; todos os dias se fala do roubo, ou tentativa de roubo de uma ou duas. E ainda mais… o processo escolhido: arrancá-las da parede, por meios mais ou menos violentos.

No Funchal, os assaltantes, cara tapada, assaltaram uma ourivesaria à machadada. Partiram tudo e levaram mais de 500 mil euros em valores.

Em Montalegre, num café, dois sujeitos entraram, lançaram um petardo e fugiram de seguida, sem mais nem menos. A explosão destruíu uma boa parte do café.

Em Vila Real, foi preso um homem de 82 anos, que traficava armas e moeda falsa.

Em Gondomar, de cara destapada, o ladrão obrigou o ourives a dar-lhe o carro, mais o ouro todo que tinha lá dentro e ponto final. Era para aí mei’dia, hora d’almoço…

Depois há também situações mais anedóticas, como a deste ladrão de automóveis, que, como não tinha dinheiro para a gasolina, resolveu pedir uns trocos de ajuda a quem passava. Pouca sorte, que o polícia estava à civil… Estava à civil, mas estava de serviço. Sempre de serviço, reconheceu o carro; acabou também por reconhecer o ladrão, que andava a monte da Santa Cruz do Bispo, há uma semana já…

Eventualmente, esta sucessão desgarrada de acontecimentos, pouco valor científico, técnico, ou contabilístico terá… mas de uma terra, onde quase todos os dias se arrancam caixas Multibanco da parede, com ajuda de retro escavadoras ou explosivos artesanais…
Onde se entra por uma ourivesaria, como Átila, o huno e se destrói tudo à machadada, para levar o ouro e os relógios que estão na montra…
Onde se entra num café e se estoira a mobília toda a petardo, eventualmente só porque sim, já que, neste caso, não houve roubo…
Onde um octogenário, em vez de estar calmamente a gozar a sua terceira idade, anda ainda metido em esquemas de contrafacção de moeda e tráfico de armas, para governar a vida…

Muitos relatórios pode Bruxelas redigir e publicar aos 27 ventos da União… Em Portugal, a economia nossa de cada dia… cada um sabe da sua.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

João Botelho retirou a assinatura do filme e entretanto ela move-se… a comunicação social, à volta da polémica, do inédito da situação. E entretanto ela move-se a expectativa à volta da Corrupção, que era de João Botelho e agora será de Alexandre Valente, quando chegar às salas, a 1 de Novembro.
Ontem, Valente, em conferência de imprensa, disse mesmo que vai ser um filme de produtor e disse também que, plo contracto, um produtor pode cortar, escolher, editar como entender, que é coisa até normal. Como se sabe, terão sido cortes e montagens feitas à revelia de João Botelho, o que terá feito estalar o conflito entre os dois cineastas – realizador e produtor… O produtor acha que o contexto do filme não sofreu com os cortes… Botelho não acha e porque diz que não foi tido nem achado na montagem, então sai fora da ficha técnica. Diz-se que as cenas cortadas foram coisa mínima, cenas em que quase não se passaria nada, ou quase nada de relevante para a trama do enredo… Botelho diz que ele é que sabe, se fazem falta ou não…
Razão terão eventualmente ambos… que nestas coisas, um teimoso nunca teima sozinho…
Agora vamos a ver… Corrupção, o filme, parte, e ninguém ainda o desmentiu formalmente, do livro de Carolina Salgado e da escandaleira que envolve actividades ilícitas, se não criminosas mesmo, no futebol nacional e as ligações criminosas entre vários poderes públicos, semi públicos e privados… Episódios picarescos, com assaltos e espancamentos por encomenda, troca de favores, sexuais e outros… e tudo isto narrado por interposta pessoa, em nome daquela que foi namorada, companheira, amante, ou qualquer coisa de Jorge Nuno Pinto da Costa, personagem que - mesmo sem apitos dourados - já dava um filme, p'lo vulto e protagonismo que tem tido, em episódios vários da vida nacional. Ou mesmo só ele próprio, pela pose, pela verve… Mas não! Junta-se ainda a jovem e assustada Carolina, que – nos jornais mais recentes – dizem que é agora arguida num processo de uso, tráfico e incitamento ao consumo de drogas.
Com esta matéria prima… o sucesso pareceria fácil à partida. Especiosa, sumarenta, nesse lusco-fusco sórdido, quase série B, à escala lusitana.
Claro que todos os que falaram já em nome do filme de João Botelho, que João Botelho não assina, se recusam a admitir que o filme faça mais do que inspirar-se no livro. Como se, antes do livro, o assunto em si não tivesse já pano para todas as ficções… Não fosse já assunto mais que falado e discutido na sociedade portuguesa… Como se fosse preciso o sucesso e a polémica que o lançamento do livro provocaram, para alguém despertar para o assunto e pensar: “oh diabo! Isto até dava um filme”.
Isto o quê? O livro, a escandaleira que o rodeou, ou a corrupção no futebol e na sociedade portuguesa em geral, ou – pra não assustar ninguém – só em casos muito pontuais e lamentáveis?... Seja o que for, o filme fez-se e do que me lembro, falou-se mais que o filme não pretende retratar ninguém, de que o filme não vem à boleia de outros sucessos recentes… do que me lembro, talvez se tenha falado mais do que o filme não era!
A verdade é que, saber o que o filme é, de facto, só se saberá no dia mesmo da estreia, já que não haverá, ao que parece, projecções anteriores para a crítica e comunicação social…
Um pequeno pormenor, talvez até despiciendo, mas em que, por exemplo o Diário de Noticias reparou e fez questão de referir na edição de hoje… enfim, outra novidade!
Mas enfim, o país não tem uma indústria cinematográfica por aí além, portanto é natural que o nervosismo se instale, quando a expectativa é grande e a responsabilidade também… Vai-se a ver e daqui por um tempo, João Botelho e Alexandre Valente ainda se vão rir disto tudo e quem sabe voltar a trabalhar juntos em harmonia e sem discussões insolúveis.
Até lá, fica a Corrupção.
Sem assinatura do realizador, que se queixa de ter sido corrido da mesa de montagem …
Fica a Corrupção: acto ou efeito de infectar… as relações entre os dois cineastas .
Fica a Corrupção: acto de adulterar… de Alexandre Valente, que alegadamente adulterou a ideia inicial do realizador .
Fica a Corrupção: desmoralização… de João Botelho, que terá desistido da discussão e preferiu riscar-se da ficha técnica.
E fica a Corrupção "tout court" à volta do filme, ele próprio e todo o fenómeno que se gerou à volta dele .
Corrupção, aqui no sentido de sedução, que é outro dos que cita esta 5ª edição do dicionário de Língua Portuguesa, que tenho aqui à minha frente. Não vos digo a editora, por causa da publicidade, mas digo-vos que é uma edição de 83, que ainda deve estar relativamente actualizada.
Sobra ainda, para fechar rapidamente, a Corrupção: apodrecimento, decomposição. Coisas que, como se sabe, deixam sempre um cheiro típico e desagradável. E aqui não me ocorre nenhuma comparação possível com o caso em apreço…

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Deus já não estav' a dar despacho à criação
e deu consigo a pensar com o seu botão
do umbigo, essa mística covinha:
“E se eu, mas é, dormisse uma sestinha…?”
Era domingo e estava tudo fechado,
por isso, deus deixou-se ficar deitado,
o dia todo; deitadinho no divã…
“pois sim, está bem, o mund' acaba-s' amanhã!,
que eu, estas coisas, na forma com' as entendo,
não é p’ra fazer… é mais para s’ir fazendo!”
e isto, claro que é escusado d' explicar
que não sou eu, isto é deus a falar !
E nesse dia, em que deus não quis cansar-se,
deixou o homem fazer merda até fartar-se
e na segunda, já depois de bem dormido,
deus acordou e ia morrendo: “’tou fodido!”

domingo, 14 de outubro de 2007

a grassa de deus




os suspeitos do costume

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

o amor




os suspeitos do costume

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

sexta feira 13




...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

sr guarda dê-me um olho ao carro enquanto assalto o banco


a verdade é que nunca morri de amores por esta gente, nem p'lo ramo de actividade que representam e onde se mexem.

fica dito, p'ra que se saiba de que lado está o narrador contribuinte.

li num jornal económico desta segunda feira, que está pronta a ser aprovada a legislação que vai, alegadamente, pôr ordem nas contas e obrigações fiscais das empresas portuguesas. o fisco aperta a malha aos planeamentos financeiros agressivos. a coisa dita assim já soa estranha, mas se lermos o primeiro parágrafo, a coisa ainda se torna mais interessante. a ideia é obrigar as empresas, ou quem as represente, a declarar voluntáriamente as engenharias financeiras, legais, ou não, a que recorreram para fazer baixar os débitos da contribuição fiscal. em linguagem comum, o que fizeram para fugir aos impostos. legal, ou ilegalmente. e aqui, puta que os pariu!, quem é que - não estando bêbado, nem a gozar com o pagode - espera que um gajo, que arranjou um esquema mafioso para pagar menos impostos, vá declarar a vigarice, de ânimo leve, a quem o pode punir por isso? arre porra, que mesmo sem saber fazer contas, qualquer paisano sabe a resposta a essa merda!

e a verdade é que, notícias como estas, me tiram a pouca vontade que eu já tinha, de ir às Finanças declarar voluntàriamente o meu reinício de actividade e comprar o respectivo livrinho verde, que me permite resgatar o filha da puta do ordenado. Não é que me chateie que saibam o que ando a fazer, nem quanto ganho. Claro que tinham muitas maneiras de o saber, sem me chatearam, mas isso...
Não!, o que me chateia mesmo é ter de lá ir.
Nunca gramei aquela gente, nem o ramo de actividade que representam e onde se mexem.
Nunca.
estavam ali aqueles a falar de macrobiótica e o anhuca do apresentador perguntou à mulher o que queria dizer macrobiótica, para o caso de alguém não saber e ela disse que vinha do grego e queria dizer à letra grande vida, o que não teria forçosamente de ser a mesma coisa que uma vida grande. grande vida, como uma vida em grande. coisa de qualidade, portanto. não tanto em quantidade, mas seguramente em qualidade e então dei comigo a pensar e deixo-vo-la aqui, a pergunta: qual escolherias? morrer quando tivesse de ser e sem te doer nada, ou a garantia de mais uma vintena de anos, ou por aí, mas sempre cheio de dorezinhas, pequenas mazelas, dores de dentes, dores de costas, dores de barriga, enjoos matinais, vertigens e tonturas, ou mesmo uma doença incurável, daquelas que se arrastam a pílulas e xaropes por anos a fio...? hein?
isto, a macrobiótica é lixado!
Ao vivo, nunca vi. Só na televisão. Mas, para o caso, tanto faz; até porque é de televisão que vamos falar.
E para já, falo daqueles bares, onde raparigas se despem aos bocados e dançam, em pequenos palcos iluminados, ou por entre as mesas da sala, abanando-se, insinuando-se, desnudando-se, seduzindo os espectadores que, em reconhecimento, lhes vão entalando umas notas nos suportes disponíveis: ligas das meias, elásticos das cuecas, por aí... as raparigas têm, portanto, de sensibilizar a assistência de forma a fazê-la recompensá-las monetáriamente p'lo esforço e desempenho.
Isto, repito, só vi na televisão e nem sei se já temos bares destes em Portugal.
Agora, avós temos! Temos avós e até temos um passatempo na RTP, logo de manhã, que se chama mesmo o "Passatempo das Avós"...
As avós inscrevem-se, levam a família toda atrás e fotografias velhas e inenarráveis, de tão íntimas - ou, p'lo menos, deveriam sê-lo! E contam histórias e respondem a perguntas e encaixam trocadilhos e brejeirices avulsas, insinuações... Abanam as memórias sobre o nariz da assistência, desnudam segredos de família , seduzem a alma dos espectadores com histórias de vidas difíceis e infâncias complicadas... E depois o que acontece? Acontece mesmo que também elas acabam por receber dinheiro p'la prestação ao vivo. È verdade, que eu vi. No fim da conversa, a produção entrega, de presente à avó do dia, o dinheiro,ou parte dele, das chamadas telefónicas que, entretanto, os telespectadores foram fazendo a dizer não sei o quê, que isso escapou-me!
Não lhe chegam a entalar as notas no cinto de ligas, nem no elástico das cuecas e ainda bem, que a Avó desta segunda feira levou 700 euros, à conta do strip tease fadista! Imaginam a senhora a sair dali com 700 euros entalados nos elásticos! Haveria de parecer a Josephine Baker, o raio da velha!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007


DO MUNDO NADA INVEJO
QUE NO MUNDO NÃO HÁ IGUAL
A ESTA PONTE SOBRE O TEJO
ORGULHO DE PORTUGAL

ABERTA À CIRCULAÇÃO
VAI D’ALCÂNTARA ATÉ À PRAIA
DEUS NOS LIVRE DA AFLIÇÃO
DO DIA EM QUE ELA NOS CAIA

TEM DOIS SENTIDOS PERFEITOS
E SEIS FAIXAS DE RODAGEM
NAS DE FORA VÊ-SE O RIO
NAS OUTRAS VÊ-SE A PAISAGEM

E DEPOIS O CRISTO REI
ENORME NO CÉU AZUL
A PARECER QUE VAI SALTAR
EM BUNGEEJUMP DA MARGEM SUL

TAMBÉM TEM CERTA PIADA
O RAI’ DO PÁSSARO BISNAU
A MANDAR PARAR O TRÂNSITO
DE COSTAS P’RÀ CRUZ DE PAU

MAS OH PONTE SOBRE O TEJO
EM TI O QUE MAIS APRECIO
E DESDE JÁ MANDO-LHE UM BEIJO
É QUE ERA POR TI QUE EU IA
QUANDO DE FÉRIAS PARTIA
COM AS MINHAS PRIMAS E O TIO

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

a pega rabuda

Diz que, em Trás os Montes, foram detidos dois suspeitos, acusados de cultivo e posse de marijuana. Foram encontrados com droga já pronta a vender, outra ainda em fase de cultivo, outra ainda em semente e armas e munições e material diverso próprio deste tipo de actividades criminosas. Agora, o que se diz, também, é que foram igualmente apreendidas gaiolas e armadilhas de armar aos pássaros, para além de algumas aves, que foram entregues à guarda da Universidade de Vila Real ! Aves em vias de extinção? Espécies protegidas? Para posterior interrogatório, ou prova testemunhal?... É o que se fica sem saber! Sabe-se é que, no caso, foram duas rolas, dois melros, dois pintassilgos e uma pega rabuda.
É bem possível que seja até crime maior, que plantar droga no quintal, isto de ter passarada desta debaixo de telha... mas não deixa de surpreender. Resta saber que processo avança primeiro em tribunal; se o de posse e alegado tráfico de estupefacientes, ou o de posse e cativeiro de passarinhos...
Mas estranheza mesmo é essa minúcia, esse rigor de leitura e interpretação da lei - e é escusado acusar-se os jornalistas de alarmismo, ou manchete fácil - porque a verdade é que ele há condenados que podem e estão a ser libertados, alguns com pouco mais de meia dúzia de meses cumpridos de sentença e falamos de casos em que, porque foram considerados culpados da morte de pessoas , as penas aplicadas ultrapassavam os 20 anos de prisão efectiva... Alguns considerados perigosos, ou, p'lo menos, bastante violentozinhos.
Porque a letra do novo Código do Processo Penal o permite.
Alguns jornais dizem hoje que não deve haver, neste momento, detido nas cadeias portuguesas que não esteja a ver como interpor o recurso, que force a Justiça Portuguesa a reabrir o processo. E a abrir mais uns quantos dossiers e ficheiros e pastas. E a ouvir mais alegações e depoimentos. E a convocar mais umas quantas partes, algumas, se calhar, já em parte incerta, o que vai dar trabalho e levar tempo até conseguir juntar toda a gente...P'lo menos, o tempo suficiente para queimar os novos prazos legais e abrir a porta a uma eventual libertação incondicional.
É mentira! A Justiça não é cega, como na metáfora... Não é da vista, que ela sofre! Aliás, se repararmos bem nas imagens, que dela a História foi desenhando, vê-se claramente que ela tapa ostensivamente os olhos com uma venda de pano. Ela vê, tem é os olhos tapados! Vê perfeitamente, se lhe tirarem a venda. Vê até bem demais. VÊ o pormenor como mais ninguém vê. VÊ a letra pequena, a mais pequena que houver. A vírgula que tudo subverte. A sub alínea que tudo define e decide. E prende-se de tal forma à letra da Lei, que por vezes - não a acordem! - parece perdida num outro mundo, que, por muito perfeito e justo, não é este, onde vivemos.
Não, não. Não senhores, meus amigos, não é da vista que ela sofre. É da saia travada com que a vestiram para a posteridade e alegoria! Saia travada que lhe tolhe o passo, que a faz avançar assim, com passinhos de pintassilgo, ou pega rabuda. Tacteando, avançando a espada como bengala de cego; erguendo a balança como lanterna de Diógenes. Rezando a Deus para que nada se lhe atravesse no caminho e a faça cair.
A ela, ou aos belos edifícios semânticos, que vai construindo e arrumando em Códigos Penais e Penosas Sebentas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

o número da besta, de cú p'ra cima

Ele há anedotas que, p'la estupidez ou absurdo, fazem rir, mesmo assim. Ou por isso mesmo!
Há outras que, nem ao estalo, conseguem arrancar um esgar, uma careta, ou até mesmo um sorriso amarelo.
É o caso dos preços que acabam em vírgula 999.
Já toda a gente percebeu a mal disfarçada armadilha. o vírgula 999 já só existe para dificultar os trocos a toda a gente; sendo que, quando faltam os tostões para o troco, quem fica sempre a berrar é o cliente pagador.
É uma anedota. Ou, como dizem os americanos...
it's a fucking joke, porra!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

o Elogio da Humilhação


Porque é que não se limitam a dar o dinheiro às pessoas?! Porque é que têm sempre de as humilhar primeiro?!
Nestes passatempos, ou concursos, ou sorteios, ou lá como se pode chamar à coisa, que actualmente são muito famosos e profícuos nas nossas televisões, assiste-se a um miserável espectáculo de humilhação e perversidade.
Por exemplo: depois de passar umas quantas provas de sucesso aleatório e fortuito, o concorrente é confrontado com uma pergunta final que lhe dá acesso ao prémio. Um prémio que, em verdade, nunca chega a ser uma coisa fabulosa, mas, convenhamos que ganhar 500 euros ao custo de uma chamada de telefone, mesmo de valor acrescentado… é que é bem verdade também que, muita gente não ganha isso a trabalhar todos os dias!
Mas a questão não é essa. A questão é a própria questão que é posta ao concorrente! A questão que lhe abre a porta que falta, vencida que foi a fase das etapas de sucesso aleatório e fortuito!
Porque, das duas uma: ou 500 euros é considerado coisa que valha a pena sofrer os caprichos do acaso e desafiar todas as hipóteses de acertar num qualquer numero premiado e depois disso confrontar-se ainda com uma questão decisiva e esclarecedora do mérito do concorrente, ou 500 euros é dinheiro de bolso para quem patrocina este tipo de entretenimentos e, sendo assim, a coisa pode resumir-se a uma simples e divertida lotaria televisiva, onde se inscreve quem quer e aceita submeter-se à roda da sorte. E ponto final. Se a sorte lhe caiu, leva o pilim e volte sempre. Se teve azar, paciência. Volte sempre, na mesma…
Agora fazer-se perguntas do género: que programa é que vem a seguir? O telejornal? O “Oh mãe o Figueiredo é panilas!?, ou será que vamos transmitir em directo um transplante hepático por um cirurgião vesgo e notoriamente embriagado? Ahn?... o que é que vocês acham? Não pergunto se sabem a resposta, mesmo não sabendo do que estou a falar, nem a que horas, ou canal é que vai para o ar semelhante desafio à inteligência e cultura geral. Em geral. Pergunto o que é que acham de fazer depender de respostas a perguntas como estas o ganhar, ou perder 500 euros. Quinhentos euros que, já sabemos que não são merda que tire um gajo da miséria, mas se não desse jeito a alguém, ninguém se dava ao trabalho de telefonar para programas destes!?
Se não é por puro prazer e perversidade de humilhar os outros, então não faço ideia do que seja.
Mas há talvez pior!
Estão a levar em directo os concorrentes que chumbaram no apuramento para o concurso da “Família Superstar”. Os piores, desconfio eu. Os piores deles todos. Os que maior barraca e pior figura, ou p’lo menos a mais caricata e ridícula, fizeram.
Estão a levá-los de novo à luz da ribalta e da apreciação pública, com o pretexto de uma segunda oportunidade de mostrar o que o júri, severo e apressado, os não deixou mostrar até ao fim. Para que provem que talvez tivessem razão e só a pouca sorte lhes cortou o passo e atropelou o sonho… e põe-nos de novo a cantar. Mas antes fazem algo muito particular: é voltar a fazê-los ver a figura que fizeram na fase de apuramento! E fazê-los admitir que aquilo foi mesmo mau e que agora é que é!
Claro que não é agora e, na maior parte das vezes, não será nunca. Mas isso já toda a gente sabe. Já toda a gente sabia, aliás. Talvez não os próprios, ou os mais chegados, mas esta canalhada toda que os descobriu e expõe agora ao ridículo, todos eles sabiam. E aproveitaram-se disso. Agora fazem umas caretas entre o espantado e o apreensivo, entre o riso mal contido e o horror iminente… e toda a gente bate palmas no final e ri-se ao mesmo tempo e os desorientados cantores ficam sem saber se tudo aquilo é sinal para prosseguirem no sonho de uma carreira, ou se estão simplesmente a congratularem-se por não lhes ter chegado ainda a vez de ser o bombo da festa do que há de mais baixo e miserável na condição humana: fazer dinheiro fácil à custa da ingenuidade, ignorância, generosidade, ou miséria dos outros.

mais papista que o papa, o raio do homem!

Queira deus!...
No regresso às aulas, Sócrates promete nova banda larga em todas as escolas do país.
Mas, o que se vê na fotografia, de capa, no Público desta quarta feira, 12 de Setembro de 2007, ano da Graça… é, em primeiro plano, se bem que discreto, na esquerda baixa, um prelado, não identificado, da Igreja católica, a ler de um livro, supõe-se que sagrado; enquanto ergue a mão direita, pontuando a leitura.
Do lado direito, a ministra da Educação, mãos repousadas sobre o regaço, acompanha, em pé e de expressão atenta, a locução do ministro da Igreja.
Encostado a uma porta meio escondida, à esquerda alta, um cameraman de uma qualquer televisão, também não identificàvel, faz o que se espera de um cameraman: equilibra a câmara ao ombro, enquanto espera que aconteça alguma coisa…
Na parede, em fundo e a uns bons dois metros do chão, a placa comemora e identifica o local e propósito da situação: trata-se do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros, a ser inaugurado com a presença destes outros dois ministros: o Primeiro e a da Educação, de que já falàmos. Para além, diz ainda a placa, do presidente da Câmara local e do engenheiro António Borges. Um deles, presume-se, será o que ladeia Sócrates, que ocupa o centro da fotografia.
Com a mão esquerda ajusta a botoeira do casaco à solenidade do momento. A gravata é cinzenta e irrepreensível. Irrepreensível como o gesto que o primeiro ministro faz com a outra mão, a que lhe fica livre e à direita. É essa a mão que Sócrates leva à testa. Melhor, o indicador dessa mão, que Sócrates encosta àquela parte do rosto que fica exactamente entre as sobrancelhas, as duas. Um gesto que denuncia reflexão e recolhimento. Um gesto que – assim parado no tempo e sem mais legenda – poderia também denunciar uma enxaqueca súbita e incómoda. O gesto de alguém que acaba de se lembrar que se esqueceu de alguma coisa… Um gesto que poderia ser muita coisa, mas que, devido ao contexto e presença do sacerdote de que já também falàmos, também pode ser interpretado como o gesto que os católicos denominam como “o sinal da cruz”. Vulgarmente dito: o “benzer-se”…!
A ser… será o único que o faz, no momento em que a fotografia foi tirada! O próprio padre não o faz! Talvez o venha a fazer segundos depois do disparo do flash, ou o tenha já feito anteriormente… Mas, em verdade se diga que, de momento não o está fazendo. Isso é seguro e inegàvel. A fotografia mostra-o claramente.
O que ficaremos sempre sem saber, irremediàvelmente sem saber, é o real significado do gesto de Sócrates!
É o problema das fotografias: param no Tempo e a gente fica sem saber o que aconteceu a seguir !...

domingo, 9 de setembro de 2007

o padre rego é do caraças!

o padre antónio rego é do caraças!
logo a seguir à missa e enquanto se faz horas para o telejornal, o padre antónio rego aparece no ecrã a mexer as mãos, de fato e gravata a falar do Espírito. começa por perguntar se alguém sabe o que é o Espírito e depois passa a explicar, antes que alguém telefone a responder, o que é e como se define o Espírito. Começa por identificar dois géneros de Espírito. o que identifica com a alma e outras merdas voláteis e o outro, o Espírito Santo, o que vestiu a pele de pomba para mandar o cordeiro pascal para o matadouro terreno. claro que tudo isto é muito vago e foi há muito tempo. tudo o que se pode dizer, é cheio de gestos simbólicos de significados desconhecidos, como as mãos do padre rego não se cansam de repetir, enxotando moscas metafóricas para fora do ecrã. matéria do espírito é pano para divagações, iluminações e frases feitas. códigos complexos de tortuosos e ínvios significados. matéria do espírito não é para todos.e é tudo o que importa saber. matéria do espírito, seja ele santo ou não, é, finalmente,matéria que se escapa p'los intervalos dos dedos e da razão, que se evola no ar, como o esquecimento ou o fumo de uma panela onde se cozinhasse, por exemplo, favas.
o padre antónio rego e a sua dissertação sobre o Espírito não podia ter sido mais vaga e etérea, volátil mesmo, como o próprio espírito do conceito. o que só prova que o padre está mesmo por dentro do assunto

as gajas do coro da missa da TVI... arre gaita!

as gajas do coro da missa, p'los menos estas da missa da TVI, são feiiias como a puta que as pariu. assustadoras, quase. se aquilo é o coro dos anjos, se os anjos têm uma fronha daquelas, eu NÂO quero ir p'ró céu.

citando, de meia praça.

Vou citar, que não há outra maneira: "queria aproveitar esta oportunidade para agradecer a deus por estas bençãos..."
!!!assim mesmo!!! e tal e qual, falou o acólito que fechou a missa deste domingo, na TVI.
Depois agradeceu a deus por tudo e mais alguma coisa, incluindo o coro e o disco que o coro gravou e que, ao que parece, foi "lançado" durante a missa deste domingo e os técnicos de gravação e à própria TVI, equipa de produção incluída.
... a missa na televisão é outro mundo.

sábado, 8 de setembro de 2007

um hino para a selecção




SAUDEMOS TODOS A SELECÇÃO NACIONAL

EL’É QUE SUA EM NOME DE PORTUGAL
EL’É QUE SOFRE SARRAFADAS NA CANELA
DEVEMOS TODOS ESTAR MUIT’ORGULHOSOS DELA

EL’É QUE LEVA CAMISOLAS E CALÇÕES
LUVAS E BOTAS E OUTRAS APLICAÇÕES
E QUANDO CALHA TAMBÉM LEVA C’OS CARTÕES

PODE-NOS DAR ALGUMAS DESILUSÕES
MAS É A MAIOR DE TODAS AS SELECÇÕES
PORQUE NOS TRAZ A ALEGRIA AOS CORAÇÕES

SAUDEMOS TODOS COM CAGANÇA E PUDONOR
A SELECÇÃO DE TODOS NÓS SE FAZ FAVOR

será Putin uma couve?

“O NARRADOR DESTAS CRÓNICAS”



Há informação que surpreende p’la sua bizarria…
Na edição deste sábado do Pravda, em quadrado, junto ao canto superior esquerdo, abre-se a janela para uma galeria de fotografias. Para que ninguém vá ao engano, por essa mesma janela vê-se já Vladimir Putin, de cócoras, parado a meio de uma não identificada alameda, olhando sem grande convicção para fora do enquadramento e com a cara encostada ao focinho de um cão . A legenda explica o resto - a intenção e o roteiro que espera o visitante, ao entrar por essa janela indiscreta. Diz a legenda: "Putin mistura-se facilmente no mundo animal".
Mas entremos. Entremos então para ver, em 7 instantâneos, ou não tanto, como Putin, Vladimir Putin, o presidente da Federação Russa, se mistura no mundo animal.
Ficamos logo esclarecidos na primeira fotografia! Como peixe na água. Putin está francamente feliz e em plena brincadeira com os dois golfinhos, que o ladeiam, apontando-lhe os focinhos pontiagudos, chapinhando num tanque, também aqui não identificado.
Na foto seguinte percebe-se que é Natal, p’la árvore decorada, ao fundo da sala, com todos os atavios da época. A sala propriamente dita é difícil de identificar. Ampla, com o aspecto de ser divisão de passagem ou entrada para qualquer outro sítio. Ao fundo, uma porta austera de carvalho claro. Dois quadros nas paredes, mas em primeiro plano, o que conta é Putin, de joelho no chão, com ar apaziguador, passando a mão sobre o pescoço de uma cabra branca.
A cabra tem uma fita ao pescoço e a pata anterior direita ligeiramente levantada...
E abreviemos.
Depois vem a tal foto de capa, só que aqui percebe-se que a acção (Putin encostando a cara ao focinho do cão) é seguida p’lo olhar complacente de George Bush pai.
Mais uma foto com cão. Desta vez num parque , como que conversando e mais outra… esta aqui é espantosa. Num hall luxuoso, aos pés de uma sumptuosa escadaria, o presidente cruza-se, em caminho, com um enorme cão negro, de pêlo escandalosamente brilhante. O presidente sorri, mas o brilho no pêlo daquele cão, o branco nos olhos, a rigidez e ameaça com que espeta o focinho, tornam a cena quase preocupante. Poderia bem ser, aquele cão, que parece quase colado ali, como se não fosse dali, poderia bem ser esse terrível cão que guarda as portas do inferno. Mas claro que isto é já delírio do narrador destas crónicas.
Claro, também, que depois de emoções tão fortes haveria de desanuviar e descontrair. Vamos na quinta fotografia, elas são sete. A próxima traz Putin de camisa imaculadamente branca, luvas igualmente assépticas, um ar entre o entendido, o interessado e o apreensivo, segurando um peixe. Um peixe que poderia ser um tubarão pequenino, coisa de menos de um metro, esbranquiçado e hirto. Observando a cena, fotografada, tudo indica, a bordo de um navio, um jovem, louro de cabelo cortado á beatle e sorriso adolescente no rosto.
A fechar, Putin não passeia sobre as águas. É sobre um carreiro de pedras que o presidente caminha, botas militares e calças de camuflado, tronco nu e musculado, passo decidido olhando, uma vez mais para fora do enquadramento, desta vez com um ar mais desconfiado. Talvez seja aí que está o animal que falta a esta última fotografia da série que o Pravda publica na edição deste sábado, já que na fotografia, propriamente dita, não está.
Há definitivamente informação que surpreende p’la sua bizarria

terça-feira, 4 de setembro de 2007

o melhor da Música Idiota de Intervenção

Deixo-vos, seguidamente, com um alinhamento de 10 cantigas compostas e interpretadas p'lo ensemble Belfaghor e seus Eunucos. É uma série que poderiamos incluir no ciclo "Danos Morais", no entanto, não seria dispiciendo, classificá-lo como obra experimental no campo da Música Idiota de Intervenção. Claro que as opiniões nunca hão-de ser consensuais a este respeito, nem a respeito de quase coisa nenhuma, em boa verdade.
Fiquem-se então com "o Melhor até à data do Jovial e Irrequieto Artista", que o mesmo é dizer, se acharem que dentro do género, nunca ouviram nada do estilo, já me considerarei gratificado e esclarecido.
Disfrutai e saciai-vos !

adeus mundo




faixa 01

desta vida




faixa 02

azar o teu




faixa 03

parvo ou isso




faixa 04

num contexto mais geral




faixa 05

pior que levar cum pau




faixa 06

o que conta




faixa 07

seca




faixa 08

tem muita arte




faixa 09

cantigas dencher




faixa 10

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

contra a violência gratuita

O sítio pouco importava. Deixava-se ficar muito quietinho e quando eles iam a passar, zás, caía-lhes em cima e desatava a malhar forte e feio, até se cansar. O prazer que aquilo lhe dava, santo deus! E a calma que vinha depois… era uma coisa inexplicável. Ficava ali, a vê-los estendidos, desfigurados e meio mortos. Por fim, sacava-lhes a carteira e limpava o dinheiro todo que lá houvesse. Só o dinheiro, que os documentos dão uma trabalheira danada, para renovar, quando se perdem… Portanto, dava-lhes uma carga de porrada e, no fim, levava-lhes o dinheiro. Não que fizesse grande questão, só p’ra não o acusarem de violência gratuita.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

na bicha p'ró 28


medalhão de Vitela