sábado, 8 de setembro de 2007

um hino para a selecção




SAUDEMOS TODOS A SELECÇÃO NACIONAL

EL’É QUE SUA EM NOME DE PORTUGAL
EL’É QUE SOFRE SARRAFADAS NA CANELA
DEVEMOS TODOS ESTAR MUIT’ORGULHOSOS DELA

EL’É QUE LEVA CAMISOLAS E CALÇÕES
LUVAS E BOTAS E OUTRAS APLICAÇÕES
E QUANDO CALHA TAMBÉM LEVA C’OS CARTÕES

PODE-NOS DAR ALGUMAS DESILUSÕES
MAS É A MAIOR DE TODAS AS SELECÇÕES
PORQUE NOS TRAZ A ALEGRIA AOS CORAÇÕES

SAUDEMOS TODOS COM CAGANÇA E PUDONOR
A SELECÇÃO DE TODOS NÓS SE FAZ FAVOR

será Putin uma couve?

“O NARRADOR DESTAS CRÓNICAS”



Há informação que surpreende p’la sua bizarria…
Na edição deste sábado do Pravda, em quadrado, junto ao canto superior esquerdo, abre-se a janela para uma galeria de fotografias. Para que ninguém vá ao engano, por essa mesma janela vê-se já Vladimir Putin, de cócoras, parado a meio de uma não identificada alameda, olhando sem grande convicção para fora do enquadramento e com a cara encostada ao focinho de um cão . A legenda explica o resto - a intenção e o roteiro que espera o visitante, ao entrar por essa janela indiscreta. Diz a legenda: "Putin mistura-se facilmente no mundo animal".
Mas entremos. Entremos então para ver, em 7 instantâneos, ou não tanto, como Putin, Vladimir Putin, o presidente da Federação Russa, se mistura no mundo animal.
Ficamos logo esclarecidos na primeira fotografia! Como peixe na água. Putin está francamente feliz e em plena brincadeira com os dois golfinhos, que o ladeiam, apontando-lhe os focinhos pontiagudos, chapinhando num tanque, também aqui não identificado.
Na foto seguinte percebe-se que é Natal, p’la árvore decorada, ao fundo da sala, com todos os atavios da época. A sala propriamente dita é difícil de identificar. Ampla, com o aspecto de ser divisão de passagem ou entrada para qualquer outro sítio. Ao fundo, uma porta austera de carvalho claro. Dois quadros nas paredes, mas em primeiro plano, o que conta é Putin, de joelho no chão, com ar apaziguador, passando a mão sobre o pescoço de uma cabra branca.
A cabra tem uma fita ao pescoço e a pata anterior direita ligeiramente levantada...
E abreviemos.
Depois vem a tal foto de capa, só que aqui percebe-se que a acção (Putin encostando a cara ao focinho do cão) é seguida p’lo olhar complacente de George Bush pai.
Mais uma foto com cão. Desta vez num parque , como que conversando e mais outra… esta aqui é espantosa. Num hall luxuoso, aos pés de uma sumptuosa escadaria, o presidente cruza-se, em caminho, com um enorme cão negro, de pêlo escandalosamente brilhante. O presidente sorri, mas o brilho no pêlo daquele cão, o branco nos olhos, a rigidez e ameaça com que espeta o focinho, tornam a cena quase preocupante. Poderia bem ser, aquele cão, que parece quase colado ali, como se não fosse dali, poderia bem ser esse terrível cão que guarda as portas do inferno. Mas claro que isto é já delírio do narrador destas crónicas.
Claro, também, que depois de emoções tão fortes haveria de desanuviar e descontrair. Vamos na quinta fotografia, elas são sete. A próxima traz Putin de camisa imaculadamente branca, luvas igualmente assépticas, um ar entre o entendido, o interessado e o apreensivo, segurando um peixe. Um peixe que poderia ser um tubarão pequenino, coisa de menos de um metro, esbranquiçado e hirto. Observando a cena, fotografada, tudo indica, a bordo de um navio, um jovem, louro de cabelo cortado á beatle e sorriso adolescente no rosto.
A fechar, Putin não passeia sobre as águas. É sobre um carreiro de pedras que o presidente caminha, botas militares e calças de camuflado, tronco nu e musculado, passo decidido olhando, uma vez mais para fora do enquadramento, desta vez com um ar mais desconfiado. Talvez seja aí que está o animal que falta a esta última fotografia da série que o Pravda publica na edição deste sábado, já que na fotografia, propriamente dita, não está.
Há definitivamente informação que surpreende p’la sua bizarria

terça-feira, 4 de setembro de 2007

o melhor da Música Idiota de Intervenção

Deixo-vos, seguidamente, com um alinhamento de 10 cantigas compostas e interpretadas p'lo ensemble Belfaghor e seus Eunucos. É uma série que poderiamos incluir no ciclo "Danos Morais", no entanto, não seria dispiciendo, classificá-lo como obra experimental no campo da Música Idiota de Intervenção. Claro que as opiniões nunca hão-de ser consensuais a este respeito, nem a respeito de quase coisa nenhuma, em boa verdade.
Fiquem-se então com "o Melhor até à data do Jovial e Irrequieto Artista", que o mesmo é dizer, se acharem que dentro do género, nunca ouviram nada do estilo, já me considerarei gratificado e esclarecido.
Disfrutai e saciai-vos !

adeus mundo




faixa 01

desta vida




faixa 02

azar o teu




faixa 03

parvo ou isso




faixa 04

num contexto mais geral




faixa 05

pior que levar cum pau




faixa 06

o que conta




faixa 07

seca




faixa 08

tem muita arte




faixa 09

cantigas dencher




faixa 10

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

contra a violência gratuita

O sítio pouco importava. Deixava-se ficar muito quietinho e quando eles iam a passar, zás, caía-lhes em cima e desatava a malhar forte e feio, até se cansar. O prazer que aquilo lhe dava, santo deus! E a calma que vinha depois… era uma coisa inexplicável. Ficava ali, a vê-los estendidos, desfigurados e meio mortos. Por fim, sacava-lhes a carteira e limpava o dinheiro todo que lá houvesse. Só o dinheiro, que os documentos dão uma trabalheira danada, para renovar, quando se perdem… Portanto, dava-lhes uma carga de porrada e, no fim, levava-lhes o dinheiro. Não que fizesse grande questão, só p’ra não o acusarem de violência gratuita.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

na bicha p'ró 28


medalhão de Vitela


sábado, 18 de agosto de 2007

uma choldra! Eça é que é Eça

O Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou ontem que a condução sob efeito de benzodiazepinas, substâncias presentes em medicamentos como tranquilizantes, não será punida. "Se algum teste de detecção registar a sua presença [de benzodiazepinas], o que pode acontecer por os kits de exame à saliva serem importados dos EUA, isso não implica a punição do condutor ou sequer a sua subsmissão a exame de rastreio ou de confirmação, visto não se tratar de substâncias proibidas no âmbito do exercício da condução", segundo comunicado do MAI enviado à Lusa.
Diário de Notícias, 18 agosto
a ver...
o que está aqui em causa, já nem é a estupidez e voracidade com que eles são prescritos, vendidos e consumidos, os tais comprimidos p'ra "descansar a cabeça" !
a questão é que, na maior parte dos casos, as respectivas literaturas inclusas avisam para os riscos de conduzir veículos e manobrar máquinas, sob o efeito das ansíoliticas pílulas. são, regra geral, muito claros, nessa matéria! e, ao que consta, muita gente insiste em por-se ao volante dos respectivos automóveis e sair para a estrada, "gazeado" e feliz... o que, para todos os efeitos práticos, representa um risco igual ao de quem conduz com os copos, ou "pedrado" que nem um urso. Porque, na verdade, em todos os casos referidos, a personagem está, de facto, "pedrada que nem um urso" e a arriscar a vida própria e as alheias, ao conduzir nesse estado.
mas a lei portuguesa acha que talvez não seja bem assim. ou até talvez seja, mas ainda não teve tempo de decretar sobre o assunto. ou até talvez já tenha tido, mas o lobby dos laboratórios e farmácias apertou-lhe vigorosamente qualquer coisa simbólica com uma tenaz alegórica e tudo ficou em sentido figurado, na mesma. em sentido.
ou até talvez esteja a ser injusto e a lei, o MAI,a mãe dele, ou alguém que tenha responsabilidade na matéria se preocupe mesmo a sério e tanto e de forma tão responsável, frontal e obsessiva, que às vezes, para conseguir "descansar e amanhã volto a pensar nisso", só mesmo à força de muito lexontan, muito valium, muito xanax, muito lorenin...
nota de rodapé
há sempre a hipótese das farmácias poderem vir a aumentar as vendas destes fármacos psicotrópicos e entorpecedores de corpos e almas... por exemplo: hoje é daqueles dias em que apanhava uma bezana!... depois p'ra trazer o carro é que... já sei! viro uma caixa de bialzepam e siga, vai dar ao mesmo e não dá multa !
É QUE - VERDADE SEJA DITA - SE É DE INFRACÇÃO QUE SE TRATA... O GAJO QUE TOMA AS PILULAS, QUE SABE QUE LHE VÃO ENTORPECER CABEÇA E REFLEXOS (ESTÁ LÁ ESCRITO NO PAPEL E O MÉDICO DEVIA TÊ-LO AVISADO TAMBÉM) E MESMO ASSIM SAI PARA A ESTRADA, ESTÁ A PISAR O RISCO, TANTO COMO O OUTRO QUE FAZ EXACTAMENTE O MESMO, NAS MESMAS CONDIÇÕES DE OPERACIONALIDADE, TENHA ELE ENCHIDO OS CORNOS COM A MERDA QUE QUIS, OU QUE O MÉDICO MANDOU, OU A PRIMA LHE MISTUROU NO OVOMALTINE !
AMBOS DEVIAM ENCOSTAR À BERMA E IR A PÉ, OU CHAMAR UM TAXI.
SE QUISEREM MULTÁ-LOS OU PÔ-LOS A MIJAR PARA UM FRASQUINHO, POR MIM É IGUAL, DESDE QUE O FAÇAM A TODOS!
quando não, isto é uma choldra. Eça é que é Eça!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

é mesmo estranho, ou sou só eu que acho ?!...

Que numa factura da EPAL, num total de 14 euros e 67 cêntimos, o pagamento se divida como segue:
45 cêntimos para o IVA...
2 euros e 31 cêntimos para Saneamento Fixo,
mais 1 euro e 90 para o Saneamento Variável,
90 cêntimos como Adicional da C.M.Lisboa,
depois vem uma parcela de 7 euros e 60 cêntimos, a parte de leão, que vai como Quota de Serviço... e deixo para o fim a verdadeiramente dita parcela do consumo propriamente dito da propriamente dita água: 1 euro e 43 cêntimos. é pouco, é muito... foi a água que se gastou e pronto.
a estranheza é ser um valor que só é superior aos da taxa de IVA e do tal residual Adicional C.M.Lisboa, que, se assim se pode dizer, são os únicos que se apresentam como impostos, enquanto tal. isto, claro, se excluirmos a tal Quota de Serviço, de que pouco, ou nada conhecemos, em termos práticos e concretos, para além de levar 7 euros e 60 cêntimos, de forma limpa e enxurrada...
Temos então que, a conta da água, tirando o consumo propriamente dito da propriamente dita água, coisa residual, como já vimos, 10%..., serve para pagar outras coisas, que não propria e directamente o fornecimento e consumo da mesma.
esclarecido este ponto, termino com um poema dedicado à EPAL: Empresa Portuguesa das Águas Livres...
água fria da ribeira
água fria que o sol aqueceu
três corpetes e um avental
sete fronhas e um lençol
e viva a liberdade

o ABC de Albano Borboleta


A 12 de Abril de 1480 nascia, às portas de Alfama, Albano Borboleta, esforçado cultor de Artes Marciais e exímio Lavador de Janelas. Apesar de vir a tornar-se figura incontornável da cultura do seu século 15, teve uma infância discreta, apagadita mesmo. Ficou coxo aos dez anos, derivado ao coice de um burro, que lhe disputava a água no bebedouro municipal, do largo onde brincava. Os pais queriam-no a estudar leis, já as mães tinham outra ideia. Como não se entendiam, Albano Borboleta cresceu auto didacta na escola da vida e, p’ra dizer a verdade, até nem se deu mal. Um dia, porém, uma pessoa disse-lhe que assim não podia ser e ele, então, resolveu largar tudo o que estava a fazer e não fazer mais nada senão isso. P’lo menos, durante um bocado. Só mais tarde, mas muito mais tarde é que sentiu crescer em si a vocação! A que o iria tornar célebre e quase esquecido. A de Lavador de Janelas. Mais! A de Exímio Lavador de Janelas e Esforçado Cultor de Artes Marciais. Mas tudo isso corresponde a um período muito agitado da vida de Albano. Demasiado agitado até para tirar notas, ou fixar acontecimentos. Por isso mesmo, saltamos em branco este período fértil e frenético, se bem que fundamental, da vida de Borboleta e vamos ao que importa. Os pormenores mais bizarros, as histórias nunca contadas, os detalhes desconhecidos. Desconhecidos por todos; pl’o público em geral e até p’los próprios biógrafos e estudiosos do fenómeno. Incluindo, claro está, a nossa própria pessoa. Sabe-se, por exemplo que, um dia foi visto a beber água, com ar desconfiado, no bebedouro municipal. Seriam umas 10 da noite, segundo os relatos que sobreviveram ao fogo que se seguiu. Albano Borboleta debruçava-se sobre o tanque do bebedouro, mas as orelhas viravam-se-lhe para trás, tremendo de nervosismo mal disfarçado… e pouco mais se sabe, dessa noite fatídica. O grande incêndio, que começou. pouco depois numas estrebarias, e que acabou por reduzir a vila a cinzas, acabou também, ingratamente, por ocupar as principais linhas da memória do povo local, apagando quase por completo o testemunho desse feito magnífico, que foi o regresso de Albano ao bebedouro da praça, anos depois do coice do burro o ter posto a coxear para a vida inteira! Posto isto, seria quase injusto, se não imperdoável, mesmo, na data em que se celebra a comemoração em memória de uma personalidade tão rica e importante, não salientar aqui a riqueza e importância da personalidade e da memória do homem que hoje aqui nos traz e que, no seu tempo, nunca haveria de imaginar que estaríamos aqui hoje, a falar dele. Nem ele, nem eu, se mo tivessem perguntado ontem à noite.

Bom dia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007





Com aquele extintor na mão, s. Jorge tinha duas maneiras de enfrentar o dragão: dar-lhe com o extintor no meio dos olhos, ou encher-lhe as ventas de neve carbónica; mal ele abrisse a boca. E qual julgam que foi a reacção do energúmeno ?... Desembainhar a espada, dar esporas ao cavalo e desatar a chamar nomes em inglês ao dragão, que de línguas, só conhece as de fogo ! Por isso mesmo ficou na história como s. Jorge, o "estúpido que nem um cepo" e muito povo civilizado, como o português, deixou de acreditar nele e começou a acender velas às virgens. Também a verdade é para ser dita - que crédito merece um anhuca que se põe a desafiar animais imaginários para andar á porrada?! E ainda mais a uma hora daquelas… ainda se o fizesse p’la tardinha, ao lusco-fusco, que é quando eles vêem mal ao longe … aí nem precisava de extintor, um abanico, daqueles das feiras, chegava perfeitamente.

el raton




belfaghor circus

terça-feira, 14 de agosto de 2007

no chores por mim ermelinda




actualidades em cima da hora

oh pai! olha eu a nadar...


Ainda hoje me soam cruéis na cabeça essas palavras: oh pai olha eu a nadar! Ele estava sempre na brincadeira por isso ninguém o levou muito a sério e continuámos a disparar sobre ele que esbracejava dentro d’água de forma desajeitada e aflita… só percebemos a verdade quando o sangue começou a espalhar-se tingindo a água enquanto ele se agarrava á barriga contorcendo-se à medida que se afogava. Raio do homem. Perfeito palhaço. Palhaço até ao fim.

De súbito o ar encheu-se de perfumes sublimes, à sua volta! Uma indecifrável mistura de odores, de cheiro de flores desconhecidas, fragrâncias subtis e raras, que se debruçavam sobre ele, derramando-se em ondas sopradas sobre o rosto, envolvendo-lhe o corpo, numa tontura vaga.
Não fazia ideia nenhuma de onde viria essa brisa perfumada. Nem se lembrava de quando e como o ar se tinha perfumado, assim, completamente.
Também não saberia explicar as lágrimas que caíam, dalguns desses rostos que se debruçavam sobre ele, fitando-o por um momento, antes de voltar a desaparecer no horizonte…
Refreou o instinto de estender a mão e tocar um deles e dizer qualquer coisa. Foi um instinto inexplicável fazê-lo. Mas deixou-se ficar quieto, saboreando a eternidade do momento. Todo o corpo se descontraía numa ausência estranha. Quase como se já não lhe pertencesse. Abandonado a uma rigidez fria e tranquila. Como um morto.
E quem me garante, que não era já esse o caso?...

reflexão velocipédica

aos ciclistas, cujo forte são as montanhas, chama-se trepadores - porque trepam!
roladores é o que se chama aos que se dão melhor na estrada, em longas tiradas, a pedalar contra o vento, rolando em velocidade desatada...
então porque é que se chama sprinters, aos que são bons é a pedalar ao ataque, sempre a puxar? porquê um nome estrangeiro, quando os que trepam, o fazem em português e os que rolam também?! enfim!, se atacam, deveriam chamar-lhes atacadores! ou puxadores, já que puxam!!

uma questão de bom gosto

O telejornal tinha-me dito que eu estava entre os mais mal pagos da Europa. Confesso que isso me deixou um pouco triste e sem grande vontade de ouvir mais nada.
Tirei o som à televisão e mergulhei na rede, à procura do peixe doirado, que me salvasse o dia. E de repente, ele lá estava, brilhante e gordo nas letras da manchete. O que vale é que há jornais que têm o dom de levantar o moral das pessoas, principalmente quando ele está debilitado por notícias tristes, como a que tinha acabado de ouvir na televisão. O Correio da Manhã é um desses jornais. Dizia o título da notícia: Os preços médios em Portugal são cerca de 20 por cento mais baratos do que na União Europeia a 15… Eh lá!, disse eu, sem que ninguém ouvisse, já que o fiz em silêncio, com os meus botões… eh lá! O que é que o Correio sabe que a televisão desconhece? Afinal, mal pagos seremos, mas também temos tudo mais barato! Claro que, continuando a leitura, acabamos por perceber que a notícia é a mesma, só que cada um entrou p’la porta que lhe deu mais jeito. De facto, apesar da diferença de preços correr em nossa vantagem, os ordenados ficam-lhe muito mais abaixo, o que dá um défice de poder de compra pouco interessante, em termos práticos. Depois vêm os serviços e abastecimentos essenciais de água e energia, que também saem mais em conta, cá do que na Europa dos 15. Onde somos mais careiros é nos telefones. Mas, de novo aqui, o destino nos trama. De que serve termos preços em conta, se, para o dizermos aos vizinhos e amigos, lá se vai o lucro, em despesas de telefone !?...
Mas isso, para o caso e de momento não interessa. O ponto é que há jornais que sabem levantar o moral de uma pessoa e o Correio da Manhã é um deles. Quando li que Portugal tinha dos preços mais baratos da Europa dos 15, senti-me logo mais à vontade. Nada a ver com a sensação que me tinha ficado, daquela entrada deselegante do telejornal, a dizer que eu era dos mais mal pagos da família! E é aqui que eu quero chegar. A notícia é a mesma e para todos os efeitos práticos, mesmo quem não queira ler tudo até ao fim, há-de ficar a saber que a notícia é a mesma. Mais tarde, ou mais cedo, vai perceber que sim ! Só que, entretanto, fica-nos esta sensação de conforto e bem-estar, uma pequena orgia dos sentidos, uma coisa quase mística. De fartura e budância. Quem, ao cimo deste mundo e à face deste sol, nos poderá condenar esta pequena luxúria ?!








segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Troca de seringas nas prisões testada em Lisboa e Paços de Ferreira
Os estabelecimentos prisionais de Lisboa e de Paços de Ferreira vão ser os primeiros a proporcionar aos reclusos a troca de seringas, um programa que será aplicado a título experimental e ao longo de um ano, a partir de Setembro.


PúBLICO, 13 AGOSTO 07


Depois de tanto se ter batalhado, para dissuadir os toxicodependentes de partilharem as seringas, vêm agora estes gajos das prisões de Lisboa e Paços de Ferreira pôr os presos a trocar seringas. Não há, que eu saiba, nada que prove, que a população prisional de nenhuma das duas cadeias em causa, seja particularmente imune a doenças sanguineamente transmissíveis. Nem o contrário. Ou que haja falta de viroses, ou outro tipo de infecções em qualquer dos presídios… Qual poderá, então, ser a vantagem de os presos de Lisboa se injectarem com as seringas usadas p’los camaradas de Paços de Ferreira e vice versa ?! E porquê durante um ano?! E porque começam só em Setembro? Porque não esperar p’lo Natal?! Ou o contrário?...

Ou... de como, nem sempre, o facto de saber e escrever bem e num jornal de referência e grande circulação, chega para nos livrar das armadilhas semânticas da língua portuguesa. Abençoada seja!
Amanhã, se deus quiser, fará sol, se não chover…

Tinham-me prometido uma chuva de estrelas. Como sempre, avisaram-me que não seria uma verdadeira chuva, nem sequer de estrelas. Em boa verdade, o fenómeno até se haveria de repetir, como habitualmente, no próximo ano e no outro e no que seguisse, até ao fim dos tempos, enquanto a terra fosse terra e a lua fosse lua e o sol se aguentasse, firme no seu posto, a fazer girar os planetas todos à volta dele, como borboletas tontas. E não seria chuva, porque o que verdadeiramente se iria passar era a terra atravessar o núcleo central de uma espécie de aterro cósmico, onde gravita a lixarada que ficou da passagem de um cometa de que não fixei o nome… a entrada desse lixo, minúsculas partículas de poeira dos astros, na atmosfera terrestre é que os faz acender e brilhar como estrelas. Portanto nem chuva, nem de estrelas, mas um espectáculo bonito de se ver, apesar de tudo. Alias, p’la propaganda, um espectáculo a não perder, mesmo!
Portanto e antes que me perca, tinham-me prometido uma chuva de estrelas; mas tudo isso, se! Neste ponto, todos estavam de acordo. Se! Se não houvesse nuvens no céu, se se escolhesse um ponto fora das grandes cidades, onde a luz da civilização apaga a luz das próprias estrelas…
Portanto e apesar de tudo, tudo foi montado ao pormenor: as máquinas, as instruções de observação, o entusiasmo da população… pequenos, médios e nunca verdadeiramente muito grandes grupos organizaram-se para celebrar o nocturno fenómeno, a quase mística experiência, o cosmogónico deslumbramento.
E então, as nuvens vieram e afinal não choveu. Enfim, chover choveu, só que, como quase ia chovendo, apesar de não ter chovido, a chuva ninguém a viu, apesar de ter chovido. O mesmo é dizer: a chuva de estrelas deve ter acontecido. Aconteceu mesmo. De certeza. É daquelas coisas que acontecem, mesmo que a gente não queira, ou não veja, ou ache mesmo que só acontece aos outros… portanto, chuva de estrelas houve, a acreditar na astrofísica actual, já que se tem de acreditar nalguma coisa… a gente é que não viu nada, porque o céu estava encoberto com nuvens a ameaçar chuva, mas da outra, da que traz outras poeiras com ela. Poeiras, algumas manhosas mesmo; restos de lixo que se foi soltando cá de baixo e que, depois volta ao remetente, já mais velho e ressabiado. Enfim, não choveu, mas as nuvens taparam o céu e impediram que se visse a chuva, a outra, a assim chamada de estrelas, que – já sabemos – é poeira do cometa, são meteoritos, poeira em brasa… mas não deu p’ra ver. Eles tinham avisado que havia o se. Não que o se, de que falavam, interferisse, de qualquer forma, com a inevitabilidade garantida do fenómeno em si, mas, que havia uma série de factores, externos ao fenómeno, que poderiam condicionar a observação do mesmo. E, a expressão “do mesmo”, como já vimos, vem aqui muito a propósito, já que, como também já percebemos, o fenómeno se repete todos os anos, por esta altura… mas, como também já percebemos, nada disto desmobiliza um povo que aprecia emoções fortes e experiências sublimes. O povo português é assim e então, todos os pontos de observação do costume foram ocupados; todas as expectativas activadas e tudo se preparou à altura do acontecimento.
No dia seguinte, perguntasse-se a quem fosse, ou, p’lo menos, a quem tivesse ido, para a rua, para o alto de um monte, para as falésias de uma praia deserta olhar para o céu, à espera da prometida chuva… olhar para o céu, perseguindo o rasto das estrelas.. todos haveriam de dizer que não viram nada, porque o céu estava encoberto. Na melhor das hipóteses, havia quem dissesse ter avistado uma ou duas estrelas cadentes…
Mas a alegria, o sonho, a certeza, de que algures, do outro lado das nuvens, um espectáculo maravilhoso, se bem que de explicação científica pouco interessante, se estava a desenrolar, às escondidas dos olhos de todos, era consolador e fascinante. Era quase como se os anjos descessem sobre a cabeça do povo, numa chuva de bênçãos e perfumes inebriantes.
Enfim, foi pena as nuvens, mas, no fim de contas, a vida da gente é mesmo assim !

domingo, 12 de agosto de 2007





sexta-feira, 10 de agosto de 2007

isn't she lovely ?!...













quinta-feira, 9 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

vai ser uma corrida de toiros a celebrar os 50 anos de qualquer coisa que não consegui fixar...(da RTP!) primeiro aparece o Eládio Clímaco a dizer que não vai faltar, depois aparecem duas miúdas, supostamente com o mesmo propósito, a convidar o telespectador para a grande festa. e aqui é que a coisa se complica! a primeira diz que: aconteça o "cacontecer" não vai faltar, a outra promete que será um grande acontecimento para a "táromaquia" nacional... não ponho em causa a prestação das duas sorridentes catraias (cada um fala e diz como e o que lhe apetece, até que alguém o cale ou corrija...); já o mesmo não posso dizer de quem dirigiu as filmagens e aprovou o produto final. ?tinha dado muito trabalho parar a máquina? e dizer às miúdas: repete lá a parte do "aconteça o que acontecer"... diz lá outra vez, mais devagarinho, tu consegues...TAUROMAQUIA

tinha?!...

nã!, assim não há condições.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

AVISO À NAVEGAÇÃO


em todos os afixados com música é bem normal que surjam gralhas de ortografia, falta de acentos e coisas assim... a explicação segue dentro de momentos: é derivado ao facto do sítio, onde alojo as músicas, baralhar-se todo na conversão e, assim sendo, prefiro que vá sem acentos, mas que, ao menos, se perceba o que lá está escrito.

fica dito
bom dia
comam bem

para o caso de eu morrer




numa banheira

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

to bi or not to bi...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

o presepio segundo s. malaquias




natal 2005

o amor




plpdp

olha pr que chove




plpdp

alice fm




plpdp

a triste triste historia de ze manel lanzarudo




o maior filho da p... que deus ao mundo deitou

domingo, 22 de julho de 2007

Salazar, um tal azar!...




vero 2007

Ai a nossa vida !!!




AI A AI

quinta-feira, 19 de julho de 2007




p'ra cantar com a música do hino do psd


TRAZ PÃO
POLVO E UMA IMPERIAL
NA ESPLANADA DA LAURINDA
NÃO SE LANCHA NADA MAL

TRAZ PÃO
POLVO E LIMONADA
DUAS SANDES DE COIRATO PÉZINHOS DE COENTRADA





quarta-feira, 18 de julho de 2007

a minha geração
não tem sabido envelhecer
uns deram em maluco
outros deram em morrer

a mulher careca





segunda-feira, 16 de julho de 2007


fotograma de "Nosferatu", de Werner Herzog, com Klaus Kinski e Bruno Ganz, filme de 79, inspirado no homónimo de Murnau, de 1922...





vai pagar 660 milhões de dólares
a vítimas de abusos sexuais"

"A arquidiocese de Los Angeles aceitou pagar indemnizações no valor de 660 milhões de dólares (479 milhões de euros) às mais de 500 vítimas de abusos sexuais, uma soma sem precedentes, no âmbito do escândalo de pedofilia que atingiu desde 2002 o clero católico americano."

in :Público, 16 Julho 07





15.E traziam-lhe, também, meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos.
16.Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.
17.Em verdade vos digo (já cá faltava!*) que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.

Lucas, 18


* nota do copista (o próprio)



concordo que o texto é um pouco confuso, quase obtuso, principalmente na parte final, no entanto, agora sou eu, quem em verdade vos diz que
o problema da Biblia e de outros livros, ditos, sagrados é o serem levados, por vezes, demasiado à letra !


no caso desta padralhada de Los Angeles, o resultado foi mesmo desastroso

sexta-feira, 13 de julho de 2007

desta vida
não há muito p'ra dizer
é preciso é acordar
c'os pézinhos a mexer
tudo o mais que se lhe diga
não aconchega a barriga
tudo o mais que se acrescente
é conversa deprimente
desta vida
não há muito p'ra contar
c'os pézinhos a mexer
e as orelhas a abanar

quarta-feira, 11 de julho de 2007