terça-feira, 10 de julho de 2007



“BUSCA O QUE PROCURAS.



SE NÃO ENCONTRARES, É PORQUE JÁ NÃO TE LEMBRAS ONDE O PUSESTE.



ASSIM É A CASA DO SENHOR.
AOS QUE ESCARNECEM DA SUA PALAVRA, MANDAREI QUE LHES COSAM AS ORELHAS À TESTA COM LINHA DE ESTUFAR PERUS. SALGAR A SUA SOPA, ATÉ A TORNAR INTRAGÁVEL E ODIOSA AO POVO DE ISRAEL, MASSAMÁ E PRIOR VELHO.
AOS QUE NÃO LIMPAM OS PÉS E FALAM ALTO E TIRAM FOTOGRAFIAS, MANDAREI QUE LHES INSULTEM A FAMÍLIA E ENXOVALHEM O NOME DURANTE 7 FINS DE SEMANA SEGUIDOS, MENOS O ÚLTIMO.
ASSIM É E ASSIM SERÁ, ENQUANTO ME LEMBRAR ONDE FICA A CASA DO SENHOR.”



Assim falou o apóstolo Alfredo, aquele que fora cortador num talho de carne de cavalo, antes de ver a Luz.

Alfredo, o que foi sacrificado em hasta pública, chicoteado por 7 anões e uma senhora coxa, obrigado a comer baratas e formigas contra vontade e sem mostarda e a horas pouco convenientes. Alfredo, o que metia os pés p’ra fora, mas que, mesmo assim, toda a gente gostava dele e ninguém lhe apontava um dedo que fosse seu. Alfredo, esse mesmo!

Naquele dia, Alfredo desceu ao largo onde o povo se reunia e falou, subindo para cima de um escadote precário e abrindo muito os braços, como quem vai voar, ou p'lo menos parecia: “Hoje, p’la última vez, nesta simpática localidade, subo a este precário escadote e dirijo-me a vós, povo ímpio e rude. Bezerros, Vacas e Bois, Cabras e Bodes… enfim, Rezes tresmalhadas do rebanho do Senhor! O mundo está cheio de Falsos Profetas e Vendedores Ambulantes. . E que fazeis vós, Criaturas Desventuradas?! A ponta d’um Corno, com sua licença! A ponta d’um Corno, é o que vós fazeis. E p’ra que serve a Ponta d’um Corno, numa situação destas?! Para nada! Não serve para Porra Nenhuma. Assim é a Casa do Senhor, porra!”



Os manuscritos, recentemente descobertos nas obras do túnel do marquês, vieram pôr em causa a autenticidade do texto acima transcrito, no entanto, a comunidade científica e eclesiástica, bem como a velocipédica e de ginástica já se pronunciaram cagativamente em relação ao assunto, alegando, que virá o tempo em que, o próprio túnel do marquês será posto em causa, que é p’ra que se saiba, como é que se poda na casa do senhor. De qualquer forma, os referidos manuscritos levantam a dúvida em relação ao episódio do escadote precário de santo Alfredo, alegando que o santo, com a sua conhecida fobia das alturas, nunca poderia ter subido a um escadote precário para falar ao povo. Ressalvam a hipótese do episódio ter acontecido com um pequeno banco de cozinha do Brás e Brás e, presumivelmente, na pequena localidade de Samora Correia, ou talvez em Braga. Para isso, citam recentes descobertas nas obras do metro do terreiro do paço, onde, entre vários baldes de esterco não classificado, foi desenterrado, ainda vivo, um pequeno marinheiro alemão do tempo da 2ª grande guerra. Ao que tudo indica, nada consta, apesar de transpirar alguma coisa.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

terça-feira, 26 de junho de 2007

O QUE ME TRANQUILIZA É QUE, EU NÃO SEI, MAS HÁ QUEM DOMINE O ASSUNTO !
"Portugal deve saber cultivar a iniciativa empreendedora que tem permanecido muito tímida e promover a inovação como factor competitivo principal da sustentabilidade empresarial."

Seminário Dia da Europa, 08.05.06
IN: SITE OFICIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA - o destaque não é completamente explícito, quanto à autoria da afirmação, mas deduzo que seja de Cavaco Silva, PR em exercício e que tenha sido proferida no tal Seminário coiso...
ASSIM MESMO E TAL QUAL VEM ESCRITO NA PÁGINA OFICIAL, ON LINE, DA ANUNCIADA E TÃO ESPERADA PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UNIÃO EUROPEIA...
DIZ A AGENDA QUE, NO DIA 5 DE JULHO, VAI HAVER UMA REUNIÃO (JÁ QUE O ITEM VEM NA SECÇÃO DE REUNIÕES E EVENTOS)ONDE, SOB O LEMA: "LISBON RESEARCH & POLICY WORKSHOPS" SE VAI REFLECTIR SOBRE AS IMPLICAÇÕES, PARA AS EMPRESAS E (PARA?!...) A POLÍTICA, DA INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO (!!!) DE ALTA TECNOLOGIA.
É BOM QUE ALGUÉM REFLICTA SOBRE ESTAS COISAS! É BOM QUE ALGUÉM SE DECIDA, FINALMENTE, A ENFRENTAR ESSA AMEAÇA DAMOCLIANENSE, ESSA ESPADA DE DOIS BICOS, QUE É O EMPREENDEDORISMO EM GERAL E À PARTIDA E, PIOR AINDA, SE VIER COM INOVAÇÕES E ALTA TECNOLOGIA NA PONTA !!!
É BOM QUE, FINALMENTE, ALGUÉM ASSUMA ESSE EMPREENDIMENTO

MAS, SEJAMOS CLAROS, A INFORMAÇÃO É ESCASSA, APESAR DA SERIEDADE E URGÊNCIA DA QUESTÃO. NESSE CASO, NADA COMO SEGUIR A SETA: +info

E EIS-NOS CHEGADOS À PÁGINA ONDE TUDO SE ESCLARECE DE UMA VEZ! ONDE O MAIS COMUM CIDADÃO EUROPEU FICA ESCLARECIDO SOBRE TUDO O QUE SEMPRE QUIS SABER SOBRE EMPREENDEDORISMO EMGERAL...

Data de início: 2007-07-05
Data de fim: 2007-07-06
Área política: Outra
Local de reunião: Lisboa
Tipo de reunião: Outras Reuniões e Eventos


FICÁMOS ESCLARECIDOS?...

FIXE.

segunda-feira, 25 de junho de 2007


SANTO EUGÉNIO~
O TROMBETA
COXEAVA D’UMA PERNA
MAS DA OUTRA
O FORRETA
NÃO TINHA QUEIXA NENHUMA
MAS HAVIA QUEM DISSESSE
QUE O PIOR QUE ELE TINHA
JÁ NEM ERA O COXEAR
MAS A TARA DA FARINHA
DA FARINHA E DA MORCELA
E DA TRIPA ENFARINHADA
TIRANDO ISSO E A SARNA
O SANTO NÃO TINHA NADA

EM VÔO DE PÁSSARO LADRÃO
À RAZIA DO BOM SENSO
RESUME-SE ASSIM O REFRÃO
ASSOA-TE LÁ A ESTE LENÇO

FALTANDO O SEBO P’RÁ VELA
COMO S’HÁ-DE ALUMIAR
QUEM NA ESCURIDÃO DA VIDA
PASSA A VIDA A TROPEÇAR
AINDA MAIS SE FOR COXO
AUMENTA EXPONENCIALMENTE
DE FICAR COM UM JOELHO ROXO
A HIPÓTESE EVIDENTE
E DAS TRIPAS CORAÇÃO
ELE HÁ QUEM FAÇA BEM SEI
MAS QUEROSENE É QUE NÃO
E ASSIM SENDO ORA BEM
FICAMOS NÓS CONVERSADOS
POR ORA E DE MOMENTO
FALTANDO O SEBO P’RÀ VELA
É UM GRANDE CONSTRANGIMENTO

EM CASO DE HESITAÇÃO
OU DE DÚVIDA E NÃO SÓ
RESUME-SE ASSIM O REFRÃO
ASSOA-TE AO PANO DO PÓ


ESTA VIDA TEM ÁS VEZES
EPISÓDIOS CURIOSOS
COISAS BOAS COISAS BERAS
ALGUNS GAJOS PIOLHOSOS
E OUTROS DE BOA FÉ
MAS DE GOSTOS DUVIDOSOS
UNS É LEITE COM CAFÉ
OUTROS MAIS ESP’RITUOSOS
SÃO JOÃO TINHA UMA OVELHA
A MINHA AVÓ REUMATISMO
CADA UM É P’RÓ QUE NASCE
SEM TER LIDO O CATECISMO
SÓ TE DIGO QUANDO CHOVE
O MELHOR É NÃO SAIR

SÃO JOÃO TINHA UMA OVELHA
E A MINHA AVÓ JÁ É VELHA
A OVELHA ERA BUDISTA
A MINHA SOFRE DA VISTA
UMA BALE E NÃO SE CALA
A MINHA ANDA DE BENGALA
E PODE PARECER QUE NÃO
MAS ISTO FOI O REFRÃO
DIF’RENTE P’RA VARIAR
EM DUAS VOLTAS P’R’ACABAR

quinta-feira, 21 de junho de 2007

P'RA DESCONTRAIR E VOLTAR


DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS
DE TODAS AS CAUSAS PROVÁVEIS
MESMO AS MAIS INVEROSÍMEIS
CERTEZAS INABALÁVEIS
PARA AS NÓDOAS IRASCÍVEIS
TECIDOS IMPERMEÁVEIS



eSAUDEMOS, IRMÃO,
A CHEGADA DO VERÃO !!!























segunda-feira, 18 de junho de 2007


Fazia aquele caminho muitas vezes
Gostava de fazer aquele caminho em silêncio, observando as fachadas dos prédios de ambos os lados da rua. Observando-os como se fosse possível que os estivesse vendo p’la última vez, seria p’lo menos essa a situação, se isso fosse humanamente possível. Às vezes pensava que sim e isso deixava-o ainda mais calado. Era um exercício que o deixava triste e muito calmo, ao mesmo tempo.
Descia a avenida detendo-se em cada pormenor dos edifícios, das montras e letreiros das lojas, das árvores ao longo dos passeios, das pessoas e o seu andar, uns mais apressados, outros sem pressa nenhuma, cada um no seu caminho, a caminho de qualquer coisa, ou alguém…
A meio da avenida, do lado direito, abria-se o adro iluminado da igreja. Branca, esguia, apontando ao céu as torres suplicantes… a avenida, essa abria-se, lá ao fundo, num largo ajardinado, onde em tempos chegavam e saiam os eléctricos para a baixa e para a colina da Graça, lá do outro lado da cidade.
E do outro lado do largo, a parede branca, por onde espreitavam as copas das árvores. Uma parede rasgada a meio p’lo portão pesado de ferro negro, quase solene.
Era então aí que o bairro e a cidade ficavam definitivamente para trás. Fora daquele portão e do outro lado daquela parede. Era então aí que tudo acabaria, um dia.
Gostava de fazer aquele caminho em silêncio, observando tudo à volta, com calma e pormenor. O caminho do cemitério. O último que veria, se isso fosse humanamente possível !...

sexta-feira, 18 de maio de 2007


Nascemos com os dias contados
E isso faz-nos desgraçados
Seria diferente, pergunto,
Se lhe soubéssemos o conto?!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

já lá vai um tempo, mas ainda vem a tempo...
Em entrevista à Fátima C. Ferreira, na RTP, e em resposta a se o regresso de Paulo Portas à liderança do CDS se lhe apresentava como um novo adversário a combater na arena política...Marques Mendes respondeu que não! Que o adversário no Parlamento era o PS; na arena política era o Governo. Burro! Burro com dois érres!!! O que o meia leca deveria ter dito, era que o adversário político dele e do partido que dirige são as medidas e propostas e decisões erradas e lesivas do interesse nacional. Só isso. Venham elas do PS, do CDS, do PCP, do Bloco, do Governo, ou da Associação de Bombeiros Voluntários do bairro onde ele mora. O fanhoso.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

No dia em que disse que estava a ficar maluco, ninguém o acreditou.
Estás doido!

foi o que disseram…

À hora em que os aviões chegavam, Lisboa passeava os seus turistas em autocarros descobertos. As amoreiras novas alinhadas sobre o passeio, obrigavam as pessoas a baixar a cabeça, p’ra lhes passar por baixo das copas.

No país onde a paisagem nunca se repete, haverá memória?

Quando saí do comboio
Punha-se um sol azul
No horizonte
Não me perguntes como
Nem porquê
Cada um conta
O que cada um olha e vê



Dá ai dois euros p’ró cabaz do natal
Só a cesta vale o dinheiro…

E JÁ LHE PRESSENTIA A SOMBRA E O PASSO,
QUE AOS POUCOS SE COSIA NO CANSAÇO,
EM TUDO O QUE FAZIA. COMO O BRAÇO
TENAZ DA MORTE FRIA, COMO O AÇO…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Diz uma sondagem, que a maioria - não fixei os números, mas era coisa folgada - dos portugueses está contra, ou desconfia da construção do futuro aeroporto da Ota. Porque será que isto não me espanta nada ?!
(o ponto de admiração no fim da pergunta,desfaça-se o contraditório, só sublinha o único espanto que me resta. o de não me espantar nada. mas isso também já passa.)
Será porque a gente desconfia sempre de tudo e de toda a gente, à partida e até ver?
Foi assim com o CCB - p'ra falar em obras
Foi assim com os próprios Descobrimentos !...
E o que também já não espanta é que, na maioria dos casos, se desconfia sem conhecimento, nem informação suficiente para isso, ou outra coisa qualquer.
É assim e pronto.

sábado, 28 de abril de 2007


~há dias assim

sexta-feira, 27 de abril de 2007


A maneira matreira
Como a matemática se mete
Na metafísica
O despudorado à vontade
Com que o tempo
Nos dá a exacta medida
Da liberdade



“Continuamos hoje, portanto…”olhava para as mãos com ar distraído, enquanto, com as orelhas, ia espantando as moscas que lhe voavam à volta da cabeça. A voz saia-lhe arrastada e monocórdica, mal sobressaindo do ruído de fundo, dos carros passando, lá em baixo, na rua.
“Continuamos hoje, portanto, a falar das consequências nefastas…” – sublinhava sempre o “nefastas” com uma lentidão exasperante e ridícula! Há pessoas que têm um jeito especial para pronunciar certas palavras de forma a torná-las odiosas! Era este o caso.
“Nefastas! Dos efeitos imprevisíveis; dos danos irreversíveis...” – e balançava o corpo para a frente, acompanhando a cadência das sílabas, num movimento untuoso e pendular. E ao fazê-lo, esticava a cabeça de uma forma absurda, que lhe dava o ar de pássaro bêbado. Por vezes, era difícil conter o riso…
“Falar-vos dos perigos escondidos debaixo dos tapetes semânticos e das mantas semióticas com que se cobrem as línguas de trapos!” – sempre gostara de frases extensas e pomposas. Enfim, nem sempre. Houve uma fase em que não disse nada, outra em que não dizia nada que se aproveitasse e uma outra em que só dizia a palavra: “fungas”. Enfim, fases…
“Alertar-vos para as múltiplas e complexas ambivalências e dissemias com que se confronta a comunidade actual, enquanto tal…” – aqui, ele sabia que a polémica era mais que certa. Toda a Academia se agitava, há muito, à volta deste problema. Uns defendiam que se deveria entender a comunidade actual enquanto tal; outros que ela deveria ser entendida enquanto coisa e tal; outros ainda, que a avaliação deveria ter em conta tal e coisa… Enfim, critérios!

….


E por agora, chega !
Arre gaita.

"o BÉBÉ
qUE NASCEU a CHEIRAR
A BAGAÇO"





por estranho que pareça, foi isto que ouvi esta manhã na telefonia.


p'lo menos, na minha telefonia...



Dei comigo, agora mesmo, a pensar nisto: porque é que eu guardo certas merdas?! Ou, pondo a questão de outra maneira: certas merdas, porque insisto eu em continuar a carregá-las de um lado para o outro, mesmo quando mudo de casa, de vida, ou simplesmente de lixo !... São coisas, que sei de antemão, que nunca mais, ou muito pouco provavelmente, voltarei a revisitar, ou ser-me-hão de qualquer utilidade prática, ou urgente...


Depois concluí, para me calar : se formos a ver, também a torre de Belém, não a visito todos os dias, nem moro lá dentro e no entanto, não a desejo ver demolida, nem acho que deva ser deitada abaixo, por causa disso ! Ora aí está!


Ora aí está! - concluí para me calar, ou só para adiar uma vez mais a arrumação da casa ?!...

quinta-feira, 19 de abril de 2007


voando sobre um ninho de púcaros
esfolando um coelhinho de cócoras
rasgando um pergaminho de bruços
carregando um peregrino ás costas
jet leg?!
pois sim
já te ligo...
O primo Adérito
Tinha um futuro pretérito
Vivia parado
Entre o futuro e o passado
Vivia iludido no que podia ter sido
Esquecido e pasmado
E sempre adiado
Coitado
Coitado
Sem rumo e sem mérito
O primo Adérito



domingo, 8 de abril de 2007










AS ÁRVORES PLANTADAS


AS PESSOAS PARADAS


AS PAREDES PINTADAS


PLANTADAS PINTADAS


PARADAS


PESSOAS ÁRVORES E


PAREDES


ABENÇOADAS

INFORMAÇÃO ÚTIL E ACTUALIZADA






VIVA LA MUERTE...



como Pilatos ?!...

PERANTE A INDECISÃO DO POVO,



O GOVERNADOR DE JERUSALÉM ABRIU OS BRAÇOS, COMANDANDO SILÊNCIO.



POIS NEM CRISTO,
NEM BARRABÁS!
JÁ QUE VOS NÃO DECIDEIS...


– CONTINUOU, LEVANTANDO A PERNA E O SUSPENSE –

ESTE ANO... SOLTAREI UM PEIDO !

HISTORIETA

Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado e não deram por nada. Há momentos assim; decisivos, se bem que, de tão fortuitos, acabam por se revelar irrelevantes, na roda do acaso. Fizeram por disfarçar o embaraço com uma sandes em cada mão e uma garrafa de água em cada bolso. Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade. Sentiam que a cidade lhes apertava o cerco e acertava ao perto. Acertaram os relógios e apertaram o passo. Passaram as sandes de uma para a outra mão, o que não adiantou grande coisa em termos relativos, ou seja, continuaram sem nenhuma mão livre. Resolveram, por isso, começar a falar pelos cotovelos. Devo dizer-lhe –começou o primeiro- que não confio em ninguém, p’r’além de mim e da minha mãezinha… acho tudo isso muito bonito – deixou cair o outro- só espero que a sua mãezinha lhe acuda, se a coisa der para o torto…continuaram a olhar cada um para seu lado, como se não se conhecessem, o que era o caso, aliás. Muito bem – cortou o primeiro, parando de repente e encarando o outro com ar desafiador. Primeiro olhou-o de cima, com o ar que não deixava dúvidas sobre quem mandava ali, naquele momento. Depois experimentou olhá-lo de baixo, com o ar de quem já viu tudo o que havia a ver e estava só a fazer por parecer interessado. Por fim, olhou-o de lado, com desconfiança e foi isso que lhe chamou a atenção. Você – recomeçou, agora mais lentamente- você ponha isto na cabeça –enquanto lhe estendia um chapéu de palha, um pouco gasto, mas ainda em bom estado. Preferia não o fazer –respondia agora o outro sentando-se no muro de pedra, sobre o abismo- essas coisas alegres dão-me um ar sombrio, para além de que já tenho, na minha cabeça, muita coisa com que me preocupentear. Com um gesto despreocupado, rodou o corpo, atirando as pernas sobre o muro, para o outro lado. Ficou a vê-las cair pela ravina escarpada e tudo. Lá se vão elas – apontava para as pernas que caíam, aos trambolhões, batendo nas pedras aguçadas, ravina abaixo- é o chamado pernas para que vos quero… você tem a noção –atacava agora o primeiro – que o que acaba de fazer é uma perfeita estupidez! – via-se que o homem estava em brasa. Você acaba de me cortar as pernas! Carago! O outro ria, agarrando a barriga para não cair do muro. Arre porra! Engraçado você falar nisso das pernas!... Acha mesmo engraçado? –cortou o primeiro. O outro parara de rir quando se levantou de um salto, como se uma mola lhe saísse do cu, o que de facto acabava de facto de lhe acontecer. Saltando por sobre o insólito da situação, gritava-lhe agora em solavancos semióticos: e você acha que, depois disto, a nossa conversa ainda tem pernas para andar?!...

Nota do autor:
De facto a conversa estava condenada à partida. Todo o encontro, aliás. Lembram-se do que vos disse, no início?... "Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado".

quarta-feira, 21 de março de 2007


saudemos, primos & primas, a chegada da Primavera !

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007


“ANDAS TENSA...”- DIZIA-LHE ELE, PASSANDO AO DE LEVE O GELADO E FINO FIO DA NAVALHA AO LONGO DA CARÓTIDA TÚRGIDA E ASSUSTADA. “PENSAS MUITO E ISSO...” – A LUZ INCIDIA DE LADO SOBRE O ESPELHO DA NAVALHA, O REFLEXO CEGAVA-A –“... E ISSO...” – CONTINUAVA ELE, PRESSIONANDO UM POUCO MAIS A FACA SOBRE A VEIA EM CHAMAS – “ISSO FAZ COM QUE O TEU PEQUENO CORAÇÃOZINHO TENHA DE BOMBEAR O TEU SANGUEZINHO COM TODA A PRESSA PARA O TEU CÉREBROZINHO FANTASIOSO E IRREQUIETO. E ISSO...” – SENTIA AS FORÇAS FALTAREM-LHE ENQUANTO UMA PRESSÃO ENORME LHE APERTAVA OS OLHOS E A CEGAVA E A ENSURDECIA, AS PALAVRAS COMEÇAVAM A SOAR-LHE CADA VEZ MAIS DISTANTES E CONFUSAS – “E ISSO FAZ COM QUE AS TUAS VEIAZINHAS FIQUEM ASSIM TODAS A QUERER SAIR DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA” – SENTIA A RESPIRAÇÃO DELE APROXIMAR-SE DO SEU OUVIDO E SENTIA-LHE O HÁLITO CRIMINOSO E PÚTRIDO – “DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA E PÉRFIDA!”
“CORTA!” – O REALIZADOR LEVANTOU-SE DA CADEIRA, ESFREGANDO AS MÃOS DE CONTENTAMENTO.
ENQUANTO SAIA DE TRÁS DA CÂMARA, TODOS OLHAVAM PARA O MESMO LADO. CALADOS DE HORROR E INCREDIBILIDADE OLHAVAM PARA A CARA DE PARVO DE JOHN O’RICE, O PROTAGONISTA.
“ENTÃO!...” – ELE ENCOLHIA OS OMBROS, SEM REACÇÃO – “...O MISTER DISSE CORTA!...”