quinta-feira, 21 de junho de 2007





















segunda-feira, 18 de junho de 2007


Fazia aquele caminho muitas vezes
Gostava de fazer aquele caminho em silêncio, observando as fachadas dos prédios de ambos os lados da rua. Observando-os como se fosse possível que os estivesse vendo p’la última vez, seria p’lo menos essa a situação, se isso fosse humanamente possível. Às vezes pensava que sim e isso deixava-o ainda mais calado. Era um exercício que o deixava triste e muito calmo, ao mesmo tempo.
Descia a avenida detendo-se em cada pormenor dos edifícios, das montras e letreiros das lojas, das árvores ao longo dos passeios, das pessoas e o seu andar, uns mais apressados, outros sem pressa nenhuma, cada um no seu caminho, a caminho de qualquer coisa, ou alguém…
A meio da avenida, do lado direito, abria-se o adro iluminado da igreja. Branca, esguia, apontando ao céu as torres suplicantes… a avenida, essa abria-se, lá ao fundo, num largo ajardinado, onde em tempos chegavam e saiam os eléctricos para a baixa e para a colina da Graça, lá do outro lado da cidade.
E do outro lado do largo, a parede branca, por onde espreitavam as copas das árvores. Uma parede rasgada a meio p’lo portão pesado de ferro negro, quase solene.
Era então aí que o bairro e a cidade ficavam definitivamente para trás. Fora daquele portão e do outro lado daquela parede. Era então aí que tudo acabaria, um dia.
Gostava de fazer aquele caminho em silêncio, observando tudo à volta, com calma e pormenor. O caminho do cemitério. O último que veria, se isso fosse humanamente possível !...

sexta-feira, 18 de maio de 2007


Nascemos com os dias contados
E isso faz-nos desgraçados
Seria diferente, pergunto,
Se lhe soubéssemos o conto?!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

já lá vai um tempo, mas ainda vem a tempo...
Em entrevista à Fátima C. Ferreira, na RTP, e em resposta a se o regresso de Paulo Portas à liderança do CDS se lhe apresentava como um novo adversário a combater na arena política...Marques Mendes respondeu que não! Que o adversário no Parlamento era o PS; na arena política era o Governo. Burro! Burro com dois érres!!! O que o meia leca deveria ter dito, era que o adversário político dele e do partido que dirige são as medidas e propostas e decisões erradas e lesivas do interesse nacional. Só isso. Venham elas do PS, do CDS, do PCP, do Bloco, do Governo, ou da Associação de Bombeiros Voluntários do bairro onde ele mora. O fanhoso.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

No dia em que disse que estava a ficar maluco, ninguém o acreditou.
Estás doido!

foi o que disseram…

À hora em que os aviões chegavam, Lisboa passeava os seus turistas em autocarros descobertos. As amoreiras novas alinhadas sobre o passeio, obrigavam as pessoas a baixar a cabeça, p’ra lhes passar por baixo das copas.

No país onde a paisagem nunca se repete, haverá memória?

Quando saí do comboio
Punha-se um sol azul
No horizonte
Não me perguntes como
Nem porquê
Cada um conta
O que cada um olha e vê



Dá ai dois euros p’ró cabaz do natal
Só a cesta vale o dinheiro…

E JÁ LHE PRESSENTIA A SOMBRA E O PASSO,
QUE AOS POUCOS SE COSIA NO CANSAÇO,
EM TUDO O QUE FAZIA. COMO O BRAÇO
TENAZ DA MORTE FRIA, COMO O AÇO…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Diz uma sondagem, que a maioria - não fixei os números, mas era coisa folgada - dos portugueses está contra, ou desconfia da construção do futuro aeroporto da Ota. Porque será que isto não me espanta nada ?!
(o ponto de admiração no fim da pergunta,desfaça-se o contraditório, só sublinha o único espanto que me resta. o de não me espantar nada. mas isso também já passa.)
Será porque a gente desconfia sempre de tudo e de toda a gente, à partida e até ver?
Foi assim com o CCB - p'ra falar em obras
Foi assim com os próprios Descobrimentos !...
E o que também já não espanta é que, na maioria dos casos, se desconfia sem conhecimento, nem informação suficiente para isso, ou outra coisa qualquer.
É assim e pronto.

sábado, 28 de abril de 2007


~há dias assim

sexta-feira, 27 de abril de 2007


A maneira matreira
Como a matemática se mete
Na metafísica
O despudorado à vontade
Com que o tempo
Nos dá a exacta medida
Da liberdade



“Continuamos hoje, portanto…” – olhava para as mãos com ar distraído, enquanto, com as orelhas, ia espantando as moscas que lhe voavam à volta da cabeça. A voz saia-lhe arrastada e monocórdica, mal sobressaindo do ruído de fundo, dos carros passando, lá em baixo, na rua.
“Continuamos hoje, portanto, a falar das consequências nefastas…” – sublinhava sempre o “nefastas” com uma lentidão exasperante e ridícula! Há pessoas que têm um jeito especial para pronunciar certas palavras de forma a torná-las odiosas! Era este o caso.
“Nefastas! Dos efeitos imprevisíveis; dos danos irreversíveis...” – e balançava o corpo para a frente, acompanhando a cadência das sílabas, num movimento untuoso e pendular. E ao fazê-lo, esticava a cabeça de uma forma absurda, que lhe dava o ar de pássaro bêbado. Por vezes, era difícil conter o riso…
“Falar-vos dos perigos escondidos debaixo dos tapetes semânticos e das mantas semióticas com que se cobrem as línguas de trapos!” – sempre gostara de frases extensas e pomposas. Enfim, nem sempre. Houve uma fase em que não disse nada, outra em que não dizia nada que se aproveitasse e uma outra em que só dizia a palavra: “fungas”. Enfim, fases…
“Alertar-vos para as múltiplas e complexas ambivalências e dissemias com que se confronta a comunidade actual, enquanto tal…” – aqui, ele sabia que a polémica era mais que certa. Toda a Academia se agitava, há muito, à volta deste problema. Uns defendiam que se deveria entender a comunidade actual enquanto tal; outros que ela deveria ser entendida enquanto coisa e tal; outros ainda, que a avaliação deveria ter em conta tal e coisa… Enfim, critérios!

….


E por agora, chega !
Arre gaita.

"o BÉBÉ
qUE NASCEU a CHEIRAR
A BAGAÇO"





por estranho que pareça, foi isto que ouvi esta manhã na telefonia.


p'lo menos, na minha telefonia...



Dei comigo, agora mesmo, a pensar nisto: porque é que eu guardo certas merdas?! Ou, pondo a questão de outra maneira: certas merdas, porque insisto eu em continuar a carregá-las de um lado para o outro, mesmo quando mudo de casa, de vida, ou simplesmente de lixo !... São coisas, que sei de antemão, que nunca mais, ou muito pouco provavelmente, voltarei a revisitar, ou ser-me-hão de qualquer utilidade prática, ou urgente...


Depois concluí, para me calar : se formos a ver, também a torre de Belém, não a visito todos os dias, nem moro lá dentro e no entanto, não a desejo ver demolida, nem acho que deva ser deitada abaixo, por causa disso ! Ora aí está!


Ora aí está! - concluí para me calar, ou só para adiar uma vez mais a arrumação da casa ?!...

quinta-feira, 19 de abril de 2007


voando sobre um ninho de púcaros
esfolando um coelhinho de cócoras
rasgando um pergaminho de bruços
carregando um peregrino ás costas
jet leg?!
pois sim
já te ligo...
O primo Adérito
Tinha um futuro pretérito
Vivia parado
Entre o futuro e o passado
Vivia iludido no que podia ter sido
Esquecido e pasmado
E sempre adiado
Coitado
Coitado
Sem rumo e sem mérito
O primo Adérito



domingo, 8 de abril de 2007










AS ÁRVORES PLANTADAS


AS PESSOAS PARADAS


AS PAREDES PINTADAS


PLANTADAS PINTADAS


PARADAS


PESSOAS ÁRVORES E


PAREDES


ABENÇOADAS

INFORMAÇÃO ÚTIL E ACTUALIZADA






VIVA LA MUERTE...



como Pilatos ?!...

PERANTE A INDECISÃO DO POVO,



O GOVERNADOR DE JERUSALÉM ABRIU OS BRAÇOS, COMANDANDO SILÊNCIO.



POIS NEM CRISTO,
NEM BARRABÁS!
JÁ QUE VOS NÃO DECIDEIS...


– CONTINUOU, LEVANTANDO A PERNA E O SUSPENSE –

ESTE ANO... SOLTAREI UM PEIDO !

HISTORIETA

Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado e não deram por nada. Há momentos assim; decisivos, se bem que, de tão fortuitos, acabam por se revelar irrelevantes, na roda do acaso. Fizeram por disfarçar o embaraço com uma sandes em cada mão e uma garrafa de água em cada bolso. Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade. Sentiam que a cidade lhes apertava o cerco e acertava ao perto. Acertaram os relógios e apertaram o passo. Passaram as sandes de uma para a outra mão, o que não adiantou grande coisa em termos relativos, ou seja, continuaram sem nenhuma mão livre. Resolveram, por isso, começar a falar pelos cotovelos. Devo dizer-lhe –começou o primeiro- que não confio em ninguém, p’r’além de mim e da minha mãezinha… acho tudo isso muito bonito – deixou cair o outro- só espero que a sua mãezinha lhe acuda, se a coisa der para o torto…continuaram a olhar cada um para seu lado, como se não se conhecessem, o que era o caso, aliás. Muito bem – cortou o primeiro, parando de repente e encarando o outro com ar desafiador. Primeiro olhou-o de cima, com o ar que não deixava dúvidas sobre quem mandava ali, naquele momento. Depois experimentou olhá-lo de baixo, com o ar de quem já viu tudo o que havia a ver e estava só a fazer por parecer interessado. Por fim, olhou-o de lado, com desconfiança e foi isso que lhe chamou a atenção. Você – recomeçou, agora mais lentamente- você ponha isto na cabeça –enquanto lhe estendia um chapéu de palha, um pouco gasto, mas ainda em bom estado. Preferia não o fazer –respondia agora o outro sentando-se no muro de pedra, sobre o abismo- essas coisas alegres dão-me um ar sombrio, para além de que já tenho, na minha cabeça, muita coisa com que me preocupentear. Com um gesto despreocupado, rodou o corpo, atirando as pernas sobre o muro, para o outro lado. Ficou a vê-las cair pela ravina escarpada e tudo. Lá se vão elas – apontava para as pernas que caíam, aos trambolhões, batendo nas pedras aguçadas, ravina abaixo- é o chamado pernas para que vos quero… você tem a noção –atacava agora o primeiro – que o que acaba de fazer é uma perfeita estupidez! – via-se que o homem estava em brasa. Você acaba de me cortar as pernas! Carago! O outro ria, agarrando a barriga para não cair do muro. Arre porra! Engraçado você falar nisso das pernas!... Acha mesmo engraçado? –cortou o primeiro. O outro parara de rir quando se levantou de um salto, como se uma mola lhe saísse do cu, o que de facto acabava de facto de lhe acontecer. Saltando por sobre o insólito da situação, gritava-lhe agora em solavancos semióticos: e você acha que, depois disto, a nossa conversa ainda tem pernas para andar?!...

Nota do autor:
De facto a conversa estava condenada à partida. Todo o encontro, aliás. Lembram-se do que vos disse, no início?... "Quando os olhares se cruzaram, ambos estavam a olhar para outro lado".

quarta-feira, 21 de março de 2007


saudemos, primos & primas, a chegada da Primavera !

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007


“ANDAS TENSA...”- DIZIA-LHE ELE, PASSANDO AO DE LEVE O GELADO E FINO FIO DA NAVALHA AO LONGO DA CARÓTIDA TÚRGIDA E ASSUSTADA. “PENSAS MUITO E ISSO...” – A LUZ INCIDIA DE LADO SOBRE O ESPELHO DA NAVALHA, O REFLEXO CEGAVA-A –“... E ISSO...” – CONTINUAVA ELE, PRESSIONANDO UM POUCO MAIS A FACA SOBRE A VEIA EM CHAMAS – “ISSO FAZ COM QUE O TEU PEQUENO CORAÇÃOZINHO TENHA DE BOMBEAR O TEU SANGUEZINHO COM TODA A PRESSA PARA O TEU CÉREBROZINHO FANTASIOSO E IRREQUIETO. E ISSO...” – SENTIA AS FORÇAS FALTAREM-LHE ENQUANTO UMA PRESSÃO ENORME LHE APERTAVA OS OLHOS E A CEGAVA E A ENSURDECIA, AS PALAVRAS COMEÇAVAM A SOAR-LHE CADA VEZ MAIS DISTANTES E CONFUSAS – “E ISSO FAZ COM QUE AS TUAS VEIAZINHAS FIQUEM ASSIM TODAS A QUERER SAIR DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA” – SENTIA A RESPIRAÇÃO DELE APROXIMAR-SE DO SEU OUVIDO E SENTIA-LHE O HÁLITO CRIMINOSO E PÚTRIDO – “DO TEU PESCOCINHO LINDO DE GAZELA ASSUSTADA E PÉRFIDA!”
“CORTA!” – O REALIZADOR LEVANTOU-SE DA CADEIRA, ESFREGANDO AS MÃOS DE CONTENTAMENTO.
ENQUANTO SAIA DE TRÁS DA CÂMARA, TODOS OLHAVAM PARA O MESMO LADO. CALADOS DE HORROR E INCREDIBILIDADE OLHAVAM PARA A CARA DE PARVO DE JOHN O’RICE, O PROTAGONISTA.
“ENTÃO!...” – ELE ENCOLHIA OS OMBROS, SEM REACÇÃO – “...O MISTER DISSE CORTA!...”

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Puta que pariu as donzelas ofendidas



Fico contente, a ser verdade, como os tribunais acabaram por concluir, a inocência de Paulo Pedroso no processo de pedofilia . Contente porque, a ser verdade, sempre é menos um ranhoso na lista dos culpados.
Agora o que me indigna, apesar de não me espantar por aí além, é o gajo vir agora pôr o Estado em tribunal e exigir uma indemnização de 600 mil euros por danos morais e materiais !
O bezerro não tem vergonha na cara? Que moral é que ele prega, afinal? Não deveria estar agradecido ao Estado português por, apesar das demoras e impasses e retrocessos processuais, investigar todas as suspeitas e indícios, para esclarecer, julgar e despachar o processo?! Não deveria ficar muito caladinho, até que o tempo lavasse a memória desse mau bocado que passou?! O gajo não percebe que não são os 600 mil euros que vão limpar da memória do povo - se o povo se importasse verdadeiramente com a reputação dele - a mancha, a pedra no sapato, a pulga atrás da orelha em relação à personagem dele?
De certeza que pertence ao Partido Socialista? O mesmo que está no Poder e pede contenção e esforço ao povo português?
Será que pensa que o dinheiro cai do céu?
Será que pensa, que andamos a contar tostões e a apertar o cinto para pagar indemnizações a "donzelas ofendidas" ?
Por outro lado, ou pondo a questão de outra forma mais perversa e provocadora: será que a consciência do jovem deputado se acalma com uma soma - neste caso - tão ridícula como a merda de meio milhão de euros ?!!!

Cheira-me a esturro. Mas é que me cheira tanto a esturro, que até tapa o cheiro a merda de toda esta história e respectivos protagonistas e figurantes.

E se tinha de ser dito, dito fica.

terça-feira, 28 de novembro de 2006


DIZEM-SE COISAS TERRÍVEIS NA TELEVISÃO.
O CARDEAL PATRIARCA ACABA DE DIZER QUE AS NAÇÕES NÃO SÃO SÓ OS SEUS GOVERNOS, MAS TAMBÉM OS SEUS POVOS.
É FANTÁSTICA, A DECLARAÇÃO E A EMINÊNCIA !
ACHO EU...

sexta-feira, 24 de novembro de 2006



ela nunca percebeu como as bebidas foram ali parar, mas segurou o copo e, sorrindo com um ar confiante, preparava-se para o levar à boca, quando qualquer coisa a fez mudar de ideias. a expressão transfigurou-se-lhe subitamente. a pose tornou-se hirta e desconfiada. e se tudo aquilo não passasse de uma encenação para a apanharem? uma enorme e tremenda conspiração para a comprometer e levarem a cometer o erro fatal ? poisou o copo lentamente sobre o balcão e deixou deslizar o corpo p'las costas do banco. conhecia o estratagema. pensou: pois sim, meus ricos, conheço muito bem o vosso estratagema, mas comigo não cola. lançou um olhar em volta. agora atenta, observadora e obrigada. e pôs-se à coca.






o super homem foi ao continente comprar um novo fato de super herói, que o que tinha já estava a ficar puído no meio das pernas e era uma vergonha, que já se lhe iam vendo as cuecas quando voava por sobre os prédios da cidade. quando lá chegou, foi logo direito à secção onde havia o fato que ele queria. e havia-os de todos os tamanhos e alguns até com inovações e retoques de muita imaginação e bom gosto, como aquele com guizos nas botas, diz que, inspirado nas renas do pai natal. já se via, a aterrar no telhado do Daily Planet, a chocalhar a guizalhada, p'ra impressionar a escanzelada da Miriam Lane!...mas não. no caso dele, havia de ser fiel ao padrão original e reconhecido em todo o mundo. uma questão de princípio e dever de ofício. um padrão manhoso como o diabo que o pintou. sempre o achou e disse a quem o quis ouvir. o problema é que nunca ninguém o quis ouvir, ou ligou importância. uma fatiota ridícula e incómoda! sempre o disse. mas quê... o que vale é que, p'lo menos, desistiram de lhe desenhar um triângulo florescente nos fundilhos, p'ra voar de noite!


o tempo não está para festas! - disse ele, coçando a sobrancelha. primeiro pensei que era mais uma daquelas crises de depressão, muito comuns nele, ou ainda mais simplesmente, uma daquelas banalidades que se dizem só p'ra não ficar calado. foi a expressão no olhar e a transpiração que começava a brilhar-lhe na testa e a tremer-lhe nas mãos, que o denunciaram de que algo de mais grave se passava. ainda tentei responder e desanuviar o ambiente: pois não, está uma ventania do caraças e chove que deus a dá! aí, limitou-se a repetir,com a mesma expressão obsessiva nos olhos: o tempo não está p'ra festas. parecia que olhava através de mim, como se eu não estivesse verdadeiramente ali! como se fixasse alguma coisa e alguma coisa aterradora que se revelasse mesmo atrás das minhas costas. decididamente, aquilo já não era um comportamento normal. resolvi contra-atacar!: pois não! festas agora só no Natal! aí, desviou o olhar e virou-se para a janela, num gesto lento e dramático demais, até mesmo para uma criatura naquela posição. imitei-lhe o gesto e o que vi gelou-me o sangue e a alma. insinuando-se p'lo silêncio do beco, avançava a sombra ameaçadora do Homem Aranha

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Não perca o próximo fenómeno! Chaputas tiram a vista ao Arco do Cego

Em verdade e ao certo, não sei o que terá dito a citada fonte... mas sei, porque li, em "Última Hora", na edição do Diário de Notícias desta quarta feira, o que escreveu o ilustrado jornalista que redigiu a breve.

Diz então que: " o denso nevoeiro que ontem caiu sobre a cidade de Lisboa provocou congestionamentos na ponte e... " que " a perca de visibilidade causada pela neblina fez com que o tráfego ficasse muito mais lento"... Diz ele que foi o que lhe "explicou fonte da Brigada de Trânsito da GNR" !
Pois terá sido. Nem me atrevo a duvidar de semelhante fenómeno atmosfeérico - isso mesmo - atmosfeérico.
Deve ter sido assustador e fascinante, atravessar a ponte com as percas enublando a vista! Milhares de pequenas percas voando por entre os pilares da 25 d'Abril! Iria mesmo mais longe. Dezenas de pequenas percas e (quem sabe!) talvez também algumas sardinhas e carapaus enjoados. Mas vamos ao cherne da questão. A verdade é que ninguém terá querido perder semelhante espectáculo. Forçosamente havia de circular "mais lento do que o habitual", o trânsito, o tráfego, o tráfico, o trolha !

quarta-feira, 8 de novembro de 2006


Quem me diz
Que mal eu fiz ?!
Euridíce
Orfeu
nos Infernos…
Que diabo
faço eu aqui?!
Hein?
Hi!

segunda-feira, 6 de novembro de 2006




sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Uma sondagem promovida por vários jornais de referência internacionais, que recolheu mais de quatro mil opiniões, revela que George W. Bush é visto como uma ameaça mais séria à paz mundial do que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad...
(in "Público", 3 Novembro 06)
Já ouço algumas inteligências a comentar: pois, claro, está você a ver, isto, as sondagens valem o que valem...
PIRATAS DO AR
ANDAM NUS
A ROUBAR
O OXIGÉNIO

JOVEM SUICIDA
SE ÉS DINÂMICO
E ENÉRGICO
SUICIDA-TE

ESCÂNDALO NA BOLSA
AS BOAS ACÇÕES
FICAM COM
QUEM AS PRATICA

FOI ATROPELADO
NA PASSADA
SEXTA FEIRA
DAS INDÚSTRIAS

JOVEM BALEADA
NUMA FONTE
GERALMENTE
BEM INFORMADA

Pode ser um preciosismo. Uma embirração de velho, cisma de ocioso. O que se quiser!
Vem a propósito do tão cantado "saudosismo" lusitano... Seja lá isso o que for, a verdade é que esta terra grama sofrer! Não da morriña galega, ou da paixão dilacerante das tragédias gregas. Sofrer assim em banho-maria. Sempre e sem grande chama. Mas isso é outra prosa. Voltemos ao princípio.
E no princípio foi o verbo. A forma verbal!
A reportagem acompanhava a partida de soldados portugueses para um qualquer Afeganistão... No cais da partida, o repórter entrevistava a família dos bravos voluntários. Pois, o pior vai ser o Natal. E respondia a noiva. Pois, é a primeira vez que passa o Natal longe da família. E voltava o repórter. Vai ser mais difícil. Respondia a noiva. Pois, no Natal é que esperemos que as saudades sejam maiores!
Repararam no tempo do verbo?! Esperemos! Não - esperamos! Mas - esperemos!
É um desejo, o que noiva expressa! Como quem diz: que ao menos se ganhe alguma coisa com isto. O gajo está longe no Natal, mas sempre dá para sofrer mais um bocadinho de saudades.
Esperemos...